Distorções impõem revisão no Bolsa Família
Por O Globo
Reajuste do benefício deixou de lado ganho de
foco e retomada do pente-fino contra irregularidades
Ao reajustar o Bolsa Família
em 15%, o governo alegou repor a inflação dos últimos anos. Ampliou o gasto com
o programa, sem contudo cuidar do mais importante: sua eficácia. O objetivo a
perseguir não é apenas garantir subsistência às famílias mais pobres, mas
também contribuir para retirá-las da pobreza. Nisso, não faltam evidências de
desajustes.
Em 2019, quando a taxa média de desemprego no Brasil era 12%, 19% da população recebia Bolsa Família. Hoje são 23%, para um desemprego de apenas 5,2%. Ao mesmo tempo, o custo para o contribuinte não parou de crescer. Em 2019, o programa distribuiu 0,42% do PIB. Neste ano, o total alcançará 1,18%, já considerando o reajuste concedido. Em 2027, chegará a 1,23%, pela projeção do economista Fabio Giambiagi. Uma auditoria feita em 2023 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o efeito do Bolsa Família na redução da pobreza poderia ser até 7,2% maior com mais foco e 9,1% a menos de recursos — cerca de R$ 12,94 bilhões de economia.




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