Folha de S. Paulo
Novo poder do Congresso explica apenas em
parte solidão partidária do candidato do PL
Parlamento-centrão começa a institucionalizar
novo modo de saque extrativista do Estado
O isolamento partidário de Flávio
Bolsonaro (PL) em parte confirma a
impressão de que a perda de poder do governo federal para o Congresso diminui a
relevância de alianças firmes com presidentes para o objetivo de dominar
dinheiros do Estado. É isso, mas não só. Vai além da eleição, é outra história.
O Congresso-centrão institucionaliza um outro
modo de extração de recursos estatais, em parte concatenada com crimes
diversos, corrupção entre eles. Emendas são parte disso. De modo legal ou
ilegal, servem para valorizar o capital político e o capital privado de
políticos (e de associados).
Note-se também o caso Vorcaro, o mais
explícito dos sintomas pornopolíticos do favorecimento empresarial extrativista
no Parlamento e de associação da política com fundos da finança bandida. É
ingenuidade chamar o aumento do poder do Congresso de "semiparlamentarismo",
mesmo de modo provisório.
Quanto à eleição, o mais importante, se diz
do centrão ao direitão, é fazer bancadas grandes de modo a ter mais controle
sobre emendas, fundos partidários e eleitorais e sobre poucos cargos ainda rendosos
(em termos de dinheiro e prestígio) ou que facilitam negócios com empresas e
finança.