Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Mendonça tem impacto positivo no caso Master
Por O Globo
Ao suspender obstáculos à atuação da PF, novo
relator contribui para a qualidade das investigações
O novo relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, foi feliz nas primeiras decisões que tomou no processo. Mesmo mantendo o caso sob sigilo, autorizou que a custódia, a extração e a análise das provas colhidas pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero seguissem o fluxo normal de todas as operações policiais e determinou que qualquer perito habilitado poderá ser designado para o trabalho. Mendonça também permitiu que a PF voltasse a compartilhar com a CPMI do INSS os dados sigilosos sobre o caso cujo acesso estava restrito à presidência do Senado.
Teses sobre Feuerbach, por Karl Marx, (escrito, 1845)
I
O defeito fundamental de todo materialismo anterior - inclusive o de Feuerbach - está em que só concebe o objeto, a realidade, o ato sensorial, sob a forma do objeto ou da percepção, mas não como atividade sensorial humana, como prática, não de modo subjetivo. Daí decorre que o lado ativo fosse desenvolvido pelo idealismo, em oposição ao materialismo, mas apenas de modo abstrato, já que o idealismo, naturalmente, não conhece a atividade real, sensorial, como tal. Feuerbach quer objetos sensíveis, realmente diferentes dos objetos de pensamento; mas tampouco concebe a atividade humana como uma atividade objetiva. Por isso, em A Essência do Cristianismo, só considera como autenticamente humana a atividade teórica, enquanto a prática somente é concebida e fixada em sua manifestação judia grosseira. Portanto, não compreende a importância da atuação "revolucionária", prático-crítica
II
A política depois do vazio, por Luiz Sérgio Henriques
O Estado de S. Paulo
A irracional reação nativista, potencializada em 2016 com o Brexit e a vitória de Donald Trump, sabidamente implicou novo e inédito recuo das formas da política
Uma percepção bem difundida, não só entre nós, é que a grande política bateu de vez em retirada, deixando-nos impotentes diante de círculos opacos de poder. Elites globais e nacionais, ou boa parte delas, parecem desfalcadas das personalidades que outrora indicavam rotas seguras em meio às tempestades. Este é um momento em que todos – liberais, conservadores, socialistas – temos motivos reais de queixa e frustração, que não poupam ninguém que se identifique com cada uma dessas áreas clássicas da política moderna.
Suprema Corte blindou a democracia americana contra autocracia de Trump, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Foi o primeiro freio de
arrumação ao uso abusivo da autoridade executiva do presidente dos EUA. Outros
casos importantes estão na pauta da Corte
Na sexta-feira, três juízes da Suprema Corte americana considerados liberais — Ketanji Brown Jackson, Elena Kagan e Sonia Sotomayor — votaram a favor da derrubada das tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril de 2025. Três juízes conservadores acompanharam: Amy Coney Barrett, Neil Gorsuch e John Roberts. Somente os juízes Brett Kavanaugh, Samuel Alito e Clarence Thomas discordaram do veredito. Essa virada de mesa é a primeira reação do “Estado profundo” americano às “loucuras” autocráticas de Trump.
Bom começo de ano, mas eleições trazem riscos, por Rolf Kuntz
O Estado de S. Paulo
Presidente e equipe certamente percebem a importância de um cuidado especial, nesta fase, com o crescimento, o emprego e a alta dos preços, um risco quase permanente no Brasil
Acorrida eleitoral começa com mercado de trabalho forte, inflação contida, juros elevados, perspectiva de crescimento medíocre e muita incerteza quanto ao controle dos gastos públicos. Com boa produção, a oferta de alimentos deve continuar satisfatória, mantendo preços moderados e deixando às famílias alguma folga para outros gastos. Mas o ano apenas começou, há uma grande insegurança internacional, reforçada pela retórica trumpista, e o quadro brasileiro poderá piorar se o governo cometer imprudências em busca de votos.
Diplomacia do morde e assopra, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Acordo em terras raras com a Índia amplia poder de barganha do Brasil com EUA e Trump
A Suprema Corte dos EUA veta o “tarifaço”,
impõe limites e inaugura uma nova fase para Donald Trump, que, mesmo anunciando
novas tarifas de 15%, entra em 2026 descendo do trono, caindo na real e
carregando o assassinato de dois americanos pelo ICE, protestos internos por
toda parte, o show de Bad Bunny e o fantasma de Epstein. Esse enredo confirma o
acerto da estratégia de morde e assopra do presidente Lula.
O acordo de cooperação entre Brasil e Índia na área de minerais críticos, justamente neste momento, é um ótimo exemplo de reação a quem se considera “dono do mundo” e, preventivamente, a uma nova guerra fria, agora entre EUA e China, com alto potencial para transformar todos os demais em reféns de seus interesses e suas disputas.
Trump, Irã e o dilema do prisioneiro, por Lourival Sant’Anna
O Estado de S. Paulo
Eventual queda dos regimes do Irã e de Cuba poderia melhorar o humor dos americanos
Donald Trump disse na quinta-feira que vai
esperar entre 10 e 15 dias por progresso nas negociações com o Irã, antes de
decidir sobre ação militar. Em junho, o americano se deu duas semanas para
decidir, numa quinta-feira, dia 19, e ordenou o bombardeio das instalações
nucleares iranianas no domingo, 22.
Trump segue padrões de conduta. Na
sexta-feira, ele admitiu a possibilidade de ataque limitado ao Irã,
precisamente o que o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, tem tentado
dissuadi-lo de fazer.
O USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo, está se deslocando do Caribe, onde participou das operações contra a Venezuela, para o Golfo Pérsico. Lá já se encontra o USS Abraham Lincoln, deslocado do Mar do Sul da China.
As dores da política, por Merval Pereira
O Globo
Aparentemente, sem consultar seus pares,
Alexandre de Moraes quer descobrir se funcionários da Receita Federal obtiveram
os dados de sua mulher, e do ministro Toffoli. Alguns de seus colegas, porém,
temem que Moraes tenha informações excessivas sobre eles e suas famílias.
Fui assistir à ópera “Um baile de máscaras” na Bastille, e não consegui deixar de pensar no Brasil. A obra de Verdi destaca temas como “destino inevitável”, “traição”, “perdão”, “sacrifício”, terminando com uma mensagem humanista: o perdão e a honra podem prevalecer mesmo diante da morte. Fiquei pensando, porém, na situação atual do Supremo Tribunal Federal (STF), que um ministro me definiu como de “insegurança”. A reunião, que se queria secreta, que definiu a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, foi gravada, provavelmente pelo próprio, o que deixou seus defensores abismados e temerosos. Que outras conversas teriam sido gravadas?
Justiça que tarda, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Na mira por escândalo de 2022, governador estuda antecipar saída para evitar cassação
O Tribunal Superior Eleitoral marcou para 10
de março a retomada do julgamento de Cláudio Castro. Se for condenado, o
governador do Rio será cassado e perderá os direitos políticos por oito anos.
Castro é acusado de usar a máquina e desviar
dinheiro dos cofres do estado para se reeleger em 2022. O caso, conhecido como
escândalo dos cargos secretos, foi revelado ainda durante a campanha. Envolvia
o uso irregular da Uerj e da Fundação Ceperj para contratar milhares de cabos
eleitorais, remunerados com saques na boca do caixa.
Em maio de 2024, o governador foi julgado no Tribunal Regional Eleitoral e escapou por apenas um voto. A Procuradoria-Geral Eleitoral recorreu ao TSE, onde o processo passou a andar a passo de tartaruga. Ficou adormecido por um ano até finalmente ser levado ao plenário em novembro passado.
O poder da moeda e a democracia, por Míriam Leitão
O Globo
Governo Trump leva à queda do dólar e venda de T-Bonds. Economista explica os movimentos contraditórios da economia
A economia tem dado sinais de um mundo em transição. Os indicadores apontam para direções diferentes. A administração Trump eleva a incerteza econômica, uma das razões da queda do dólar. A bolsa americana está em alta, e o ouro também sobe. A bolsa em alta pode ser confiança nas empresas, mas o ouro é um ativo típico de períodos de crise. Há sinais de que diversos países, como a China, têm diversificado suas reservas, reduzindo a quantidade de dólar. Mas o volume de investimentos em Treasury Bonds é tão alto que os países que quiserem abandonar esses títulos não têm para onde levar tanto dinheiro.
Tio Dorico ficou fora do desfile, por Elio Gaspari
O Globo
A Acadêmicos de Niterói levou Lula para a avenida. Cantou um samba com jeito de tese de doutorado e foi rebaixada. Nada a ver com a beleza da exaltação de Mestre Ciça. Cantaram a vida de Lula, em certos momentos na voz de Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello), sua mãe.
Na sua voz:
“Com o peito em pedaços
Parti atrás do amor e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um sol da pátria incessante
Pro destino retirante
Te levei, Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial.”
Três tempos, por Dorrit Harazim
O Globo
O futuro palestino se anuncia pior que o
passado; e, do presente, poucos querem se lembrar
Passado, presente, futuro — a história de Gaza e da Palestina anda revolta em três tempos, simultaneamente. São tempos interligados, que têm em comum o apagamento da pegada histórica, física e cultural de todo um povo. Na mesma semana em que o venerando Museu Britânico removeu o termo “Palestina” de parte de seu acervo permanente sobre o Oriente Médio, a menção à situação em Gaza despencou para 1,5% do noticiário nas mídias dos Estados Unidos, e Donald Trump estreou em Washington seu Comitê de Paz para tornar o enclave mais desfrutável (e rentável) no futuro.
Quando o impoderável entra em cena, por Gaudêncio Torquato
Folha de S. Paulo
História política brasileira está repleta desses
momentos; análise eleitoral deve acompanhar doses de humildade
A política não é apenas a arte do possível,
mas também a ciência do imprevisível
Na política, há um fator incontrolável que
não pede licença para entrar no saguão eleitoral e mudar o mapa dos votos. É o
imponderável. Pode ocorrer a qualquer momento, em qualquer lugar. Acidentes ou
incidentes graves, eventos de grande impacto, borrascas inesperadas se escondem
na caixa das coisas imponderáveis —prontas para saltar sobre campanhas que
pareciam seguir, firmes, o roteiro previamente traçado pelos marqueteiros.
Conto uma historinha.
O último dos bolsonaristas, por Muniz Sodré
Folha de S. Paulo
Máquina neofascista intensifica coordenação
psíquica dos indivíduos, liberando-os para seguir os próprios instintos por
mais persecutórios e violentos que sejam
Não tem a ver com realidade econômica nem
política, mas com o temor ressentido de que a identidade pessoal esteja
ameaçada
Num aprazível condomínio da região serrana do Rio vive o que me apontaram como "o último bolsonarista". Uma hipérbole, senão mero exagero; basta conferir as pesquisas eleitorais. Mas ele representa todo conjunto onde ninguém mais admite publicamente conexão com Bolsonaro, embora guarde ativo o fetiche do nome. Como um palavrão silencioso. "Último" também metaforiza aqui o inglês "ultimate", que designa atitude extrema, de ir até o fim.
Cada um no seu quadrado, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
A troca de diretas e indiretas entre
governador de SP e secretário indica que devem seguir separados até a eleição
As divergências político-eleitorais provocam
a mudança de um projeto político que até então unia os dois
Todo gesto na política tem um significado.
Quando acompanhado de palavras, uma leitura das entrelinhas ajuda a esclarecer
a intenção. Passada no raio-X, a manifestação de Gilberto
Kassab (PSD)
na sexta-feira (20) indica um afastamento de Tarcísio
de Freitas (Republicanos).
Primeiro, o contexto: no fim de janeiro, quando ficou claro que o governador abandonaria a ideia de se candidatar à Presidência para apoiar Flávio Bolsonaro (PL), o secretário de Relações Institucionais do governo de São Paulo falou que o chefe precisava ter "personalidade", criar "identidade" e não se submeter aos ditames do bolsonarismo.
O que vai fazer Trump depois de perder a licença para matar no comércio mundial, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Tarifaço era guerra por outros meios. Estados
Unidos vão agora dar mais tiros de verdade?
Intervencionismo estatal vai continuar. Até
agora, mexeu pouco em PIB e comércio do mundo
A Suprema Corte tirou de Donald Trump a "licença para matar" comercial, a liberdade para aumentar à vontade impostos de importação. Era instrumento importante de guerra econômica e de elevar receita. A redução de poder deve ser compensada pelo recurso a outras leis de tributação do comércio exterior —ou a armas reais. De passagem: o Brasil precisa prestar atenção a essa mudança, que pode ser mais perigosa do que o tarifaço de 40 pontos percentuais.
Suprema Corte puxa a coleira de Trump, por Celso Rocha de Barros
Folha de S. Paulo
É a primeira vez que as instituições
americanas puxam com força a coleira do ocupante da Casa Branca
Decisão pode ajudar a oposição nas eleições
legislativas; se Trump perder maioria, escalada autoritária pode fracassar
A Suprema
Corte americana derrubou as tarifas de Donald Trump. É a primeira vez
que as instituições americanas puxam com força a coleira do ocupante da Casa
Branca.
A Constituição americana, no seu artigo 1º, seção 8, estabelece que cabe ao Congresso americano decidir sobre impostos e tarifas. Nas palavras de James Madison, só o Congresso teria "acesso aos bolsos do povo".
sábado, 21 de fevereiro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Suprema Corte enfim impõe limites a Trump
Por O Globo
Ainda que ele tente restaurar tarifaço,
juízes mostraram que um presidente não pode fazer tudo o que quer
Mesmo que tenha demorado, a Suprema Corte americana começou enfim a impor limites à Presidência imperial de Donald Trump. O tribunal decidiu que grande parte da alta nas tarifas de importação promovida desde o ano passado é ilegal. Por 6 votos a 3, os juízes determinaram que a lei de 1977 usada por Trump para justificar novas taxas emergenciais não dá amparo às decisões. Em nota, o tribunal afirmou que Trump não pode usá-la para reivindicar o poder de alterar tarifas sem aval do Congresso. Ele ainda dispõe, contudo, de outros instrumentos legais para decretar tarifas, com base em justificativas como segurança nacional ou práticas comerciais desleais.
Luiz Werneck Vianna (1938-21.2.2024)* - Onde mora o perigo (O último artigo, do meu amigo, no Blog, (17.2.2023)
Seu movimento não se expressou na forma partido, provavelmente porque Bolsonaro, formado na cultura política do AI-5, dominante nos desvãos da caserna dos anos 1970, sempre se orientou tendo em vista um golpe militar, refratário à política e aos movimentos de massa, apenas mobilizados para fins de agitação e de valorização do seu papel de condottieri. O resultado desastrado da intentona do infausto dia 8, segundo recente declaração sua, parece que lhe abriu os olhos para a política. Daí para a forma partido falta um passo.
Supremocracia em xeque, por Oscar Vilhena Vieira
Folha de S. Paulo
A guarda da Constituição não pressupõe a
manutenção do modelo supremocrático
Como a autoridade judicial não se renova pelo
voto, não será fácil sair desta crise
Após contribuir de maneira fundamental para
defender a democracia de seus inimigos, o Supremo Tribunal Federal imergiu, por
seus próprios feitos, numa aguda crise reputacional. A questão que se coloca
neste momento é se conseguiremos superar esta crise ou se estamos frente ao
esgotamento do modelo supremocrático.
Ao concentrar no STF as funções de tribunal constitucional, corte de últimos recursos e tribunal de primeira instância para a classe política, a Constituição deslocou o Supremo para o centro do sistema político. Não houve questão relevante de natureza política, econômica ou moral a que não se tenha reclamado a última palavra do Supremo.
Política e economia, por André Gustavo Stumpf
Correio Braziliense
Os brasileiros, sobretudo os petistas, ainda
não entenderam que o país cresceu, mas não enriqueceu. Candidatos só querem
lançar bons projetos para os ouvidos do eleitor. Em política ruim é perder
O ano, afinal, começou. Na próxima segunda-feira,
serão iniciados os trabalhos de 2026. Até agora, os brasileiros desfrutaram do
Natal, do réveillon, das férias e do carnaval, que, segundo a crença geral, não
constituem tempo hábil para trabalhar. Curioso é que, exatamente neste momento,
o governo do presidente Lula tenta revogar o sistema que consagra seis dias de
trabalho para um de descanso. Ou seja, é o incentivo oficial à boa vida. Vale
tudo para vencer a eleição.
Os brasileiros, sobretudo os petistas, ainda não entenderam que o país cresceu, mas não enriqueceu. A produtividade do trabalhador europeu ou norte-americano é várias vezes superior à do nacional. Do ponto de vista da matemática, não faz sentido diminuir o tempo de trabalho e manter salário. Mas os objetivos eleitorais são diferentes da natureza das coisas. O presidente, que anda distribuindo bolsas de todos os tipos e tamanhos, foi obrigado a elevar muito os impostos, para cumprir suas promessas.
Vorcaro e os embalos de Trancoso, por Thaís Oyama
O Globo
Com caviar à farta, festas eram repletas de beldades croatas, russas e ucranianas para alegrar os convivas
Um cínico diria que, no território da concupiscência, os operadores da Corte brasiliense refinaram bastante seus métodos. No primeiro governo Lula, lobistas recorreram à autointitulada “promotora de eventos” Jeany Mary Corner para que suas “recepcionistas” azeitassem as relações entre empresários e integrantes da “República de Ribeirão Preto”, como era chamado o núcleo da Fazenda comandado por Antonio Palocci. Os encontros — que, segundo testemunhas, ocorriam numa mansão do Lago Sul, com churrasco, uísque 15 anos e latas de energéticos — hoje parecem festa de quermesse perto do padrão de suntuosidade com que o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, tratava os seus amigos, entre eles vultos da República.
Olha elas, por Flávia Oliveira
O Globo
Festa foi da onipresente Conceição Evaristo,
escritora que, feita enredo pelo Império Serrano, frequentou a quadra, se
vestiu de baiana
O carnaval 2026, que chega hoje ao sábado derradeiro, premiou um sambista, Ciça, o mestre dos mestres de bateria, enredo campeão da Unidos do Viradouro; homenageou um astro, Ney Matogrosso, via Imperatriz Leopoldinense; reverenciou um intelectual negro, Nei Lopes, autor de “Ifá Lucumí”, livro que inspirou o desfile da Paraíso do Tuiuti. Pôs holofotes em Luiz Inácio Lula da Silva, tema da rebaixada Acadêmicos de Niterói, e na movimentação dos adversários pela disputa eleitoral. Espantou-se com o prefeito da cidade brincando de deficiente visual no camarote na Avenida; e com o pré-candidato ao governo do Rio, o mesmo Eduardo Paes, apoiado pelo presidente de esquerda, acertando a sério a vaga de vice com o clã de Washington Reis, hegemônico em Duque de Caxias, bolsonarista raiz.
O travessão, esse injustiçado, por Eduardo Affonso
O Globo
Ele abre uma clareira no texto, manda as
palavras em volta calarem a boca e diz o que tem de dizer, na lata
Com a IA fazendo revisão gramatical, tradução
— e até coluna de opinião! —, há cada vez mais leitores em alerta para o risco
de estarem comprando GPT por gente. E um dos sinais mais evidentes da trapaça
(sim, usar máquina de escrever é uma coisa, usar “máquina de escrever” é
outra...) são os travessões.
Nada mais injusto. O travessão já existia na Idade Média e se consolidou com o advento da imprensa, fazendo o meio de campo com os parênteses, a vírgula e o ponto e vírgula. Os parênteses chamam o leitor para um canto e cochicham alguma coisa, com as mãos em concha. O travessão, não: ele abre uma clareira no texto, manda as palavras em volta calarem a boca e diz o que tem de dizer, na lata. É mais que o respiro dado pela vírgula — é uma pausa dramática. Ela só interrompe; ele cria um clima. Se o ponto e vírgula se esforça para organizar, o travessão apita e manda parar o jogo.
O delegado Xandão quer intimidar, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
Xandão Orloff observa Dias Toffoli e pensa:
eu sou você amanhã. E se antecipa. O juiz “com sangue nos olhos”. Houvesse
República entre nós, estando ele também no celular de Vorcaro, o País esperaria
relatório da Polícia Federal sobre as relações do delegadão com a turma do
Master. Documento da mesma natureza daquele que a PF entregou a Fachin
relativamente a Dias Toffoli – peça que reúne indícios de crimes.
Eu não serei você amanhã – reage. E então a operação policial contra servidores da Receita Federal; Alexandre de Moraes de repente relator paralelo do caso Master, para o qual escreve novela concorrente e da qual dispara capítulos intimidatórios em que a trama central se tornou a atividade ilícita do Fisco. Contra a revelação de relações econômicas cruzadas de “altas autoridades”, a intimidação cruzada também à Polícia Federal e à imprensa.
Mera exaltação artística de uma figura pública, por Hélio Silveira
Folha de S. Paulo
Ato Ilícito exige comprovar desequilíbrio no pleito, uso indevido da máquina ou pedido explícito de votos fora de época
O uso de um jingle antigo em contexto de narrativa histórica não configura pedido de voto futuro; trata-se de memória
O Carnaval é
a maior vitrine da cultura popular brasileira. Na avenida do samba, a história
é recontada, personalidades são eternizadas e críticas sociais ganham ritmo e
melodia. O desfile da escola Unidos de Niterói, que prestou homenagem à
trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, tornou-se
alvo de controvérsia política e de ações na Justiça. Contudo, ao despirmos
o episódio das paixões partidárias e analisá-lo sob a ótica do direito
eleitoral, a tese de abuso de poder ou propaganda antecipada revela-se
juridicamente frágil.
Para configurar ilícito eleitoral, é preciso mais do que a mera exaltação de uma figura pública; é necessária a comprovação de desequilíbrio no pleito, o uso indevido da máquina ou pedido explícito de votos fora de época. Nenhum desses elementos parece estar presente no caso.
Mendonça dá mais transparência ao caso Master, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Semana termina com Toffoli, Moraes e
Alcolumbre perdendo o controle do processo; era o que mais temiam
Vorcaro busca combinar perguntas com
parlamentares para ir ao Congresso, mas estratégia pode ter ido para o brejo
O ministro do STF André
Mendonça garante mais
transparência ao determinar que o presidente do Senado, Davi
Alcolumbre, entregue à CPI do INSS os dados do ex-banqueiro Daniel
Vorcaro originados de quebra de sigilo.
As informações ficarão também com a Polícia Federal, que, sob pressão máxima nas últimas semanas, terá que redobrar a cautela para não se ver numa nova armadilha. Na PF, o que se espera é que o risco de provas serem corrompidas, usadas de forma seletiva ou até mesmo anuladas posteriormente diminua.
O coringa bolsonarista, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Sem generais à disposição, filho 01 pode
escolher um vice capitão da PM
Derrite virou um trunfo ideológico mais
importante que Tarcísio
Desde a mudança para a Papudinha,
a saúde de Bolsonaro deve ter melhorado, o acompanhamento médico é constante. A
vitimização diminuiu. Até porque a unidade da PM em Brasília se transformou
numa espécie de comitê político, com o entra-e-sai dos filhos, da
ex-primeira-dama, de advogados, dirigentes partidários e aliados mais próximos.
Da cadeia, Bolsonaro dá as ordens e bola as estratégias que vão sustentando –mais que isso, consolidando– a candidatura de Flávio à Presidência. "Faça tudo o que eu fiz, me tenha como espelho", é a lição resumida ao filho 01.
Seu voto para o Congresso Nacional vale ouro, por Marcus Pestana
Risco sistêmico vs. Fraude, Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back
CartaCapital
O elo entre dinheiro e ganância sustenta a
relação especulação e alavancagem e a fraude é só uma extensão
Os escribas deste artigo tiveram a
oportunidade de conhecer e entrevistar Karl Marx, colunista do New York Daily
Tribune. Marx denunciou o escândalo financeiro que abalou os súditos de sua
majestade britânica em 1856.
O Banco Master? Não, o Royal British Bank.
Aqui vamos transcrever partes da conversa com o colunista Karl Marx:
Carnaval e eleições, por Cláudio Couto
CartaCapital
De forma simpática ou crítica, políticos
costumam ser retratados em sambas-enredo. A celeuma em torno da escolha da
Acadêmicos de Niterói parece muito barulho por nada, causado por boas doses de
moralismo
A semana de carnaval e aquelas que a antecedem costumam ser marcadas pela evidência de celebridades e subcelebridades na preparação e, depois, na efetiva participação em desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo. Destaques, rainhas de bateria e homenageados são retratados na cobertura da mídia. Alguns, por sinal, já são figurinhas carimbadas do evento momesco, pois, ano sim, ano também, se preparam diligentemente para a festa, tendo nela oportunidade para se manter visíveis e faturar durante o resto do ano. São festeiros profissionais.
Udenismo na avenida, por Sergio Lirio
CartaCapital
Na passarela, o surrado enredo “é preciso
mudar tudo que está aí”
No carnaval, segundo a máxima, “quem sobe, desce”. Tradução: escolas recém-promovidas são candidatíssimas a voltar ao lugar de onde vieram. A Acadêmicos de Niterói não fugiu à sina, dirão os experts. Mas o histórico dos desfiles cariocas não explica tudo. O rebaixamento era uma barbada. A nota oficial divulgada após o desfile na Marquês de Sapucaí, na qual a escola de samba pedia uma análise estritamente técnica do seu desempenho no percurso até a Praça da Apoteose, revelava o temor, talvez a certeza, do destino anunciado. É difícil afirmar até que ponto o “medo venceu o amor” na decisão dos jurados. O tribunal das redes sociais havia dado seu veredicto antes mesmo de a escola atravessar a Sapucaí na noite do domingo 15. O bloco do udenismo estava na rua e a marchinha da “indignação seletiva” contagiava os cidadãos de bem, que saltaram das suas latas em conserva para protestar contra a “campanha eleitoral antecipada” em favor do presidente Lula, embora o petista tenha sido tema de enredo no passado sem que a homenagem revirasse as entranhas dos foliões da moralidade. A Acadêmicos ficou na lanterna, mas conquistou os holofotes no sambódromo, no Brasil e no exterior. Um feito.
Lula e os riscos do carnaval, por Juliana Diniz
O Povo (CE)
Vítima de uma vaidade juvenil, Lula
contribuiu para um fato com pouco potencial de dano jurídico imediato, mas
imensos efeitos colaterais em termos de mobilização da oposição e
aprofundamento da antipatia de um público que precisa conquistar
É difícil encontrar boas razões para o apoio de Lula ao desfile em sua homenagem promovido pela escola de samba Acadêmicos de Niterói. Vítima de uma vaidade juvenil, o presidente contribuiu para um fato com pouco potencial de dano jurídico imediato, mas com imensos efeitos colaterais em termos de mobilização da oposição, produção de ruído político e aprofundamento da antipatia de um público que Lula precisa conquistar.
Mergulhando em incertezas na avenida, por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão
Fez lembrar a provocação evasiva da sua lavra do “NÓS E ELES”, que alçava a concorrente na disputa eleitoral ao cargo de Presidente da República, em 2022, a figura de um militar da reserva, deputado federal falastrão, mas com vários mandatos. No Congresso, era considerado “Baixo Clero”.















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