sábado, 16 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Denúncias da PF contra Castro são consistentes

Por O Globo

Defesa nega irregularidades, mas é essencial esclarecer até que ponto ele se envolveu com grupo de Magro

São graves as acusações contra o ex-governador fluminense Cláudio Castro trazidas à tona pela Operação Sem Refino, que investiga fraudes no setor de combustíveis. De acordo com a Polícia Federal (PF), Castro atuou de forma decisiva para blindar e favorecer interesses do grupo Refit, do empresário Ricardo Magro. A PF diz ainda que ele promoveu trocas estratégicas no alto escalão, sancionou leis sob medida e incentivou órgãos estaduais a trabalhar em benefício do grupo de Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. “O Rio direcionou todos os esforços de sua máquina pública num engajamento multiorgânico em prol do conglomerado de Ricardo Magro”, afirma relatório da PF. A secretaria estadual de Fazenda, prossegue o texto, “virou extensão da estrutura empresarial do grupo Refit”. A operação representa mais um revés para Castro, menos de dois meses depois de ele renunciar ao cargo e ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A gargalhada de Flávio eleva a mentira a um novo patamar de cinismo, por Thaís Oyama

O Globo

A mentira não triunfa só quando convence, mas quando as pessoas já não se dão ao trabalho de separá-la da verdade

A gargalhada que Flávio Bolsonaro deu diante da pergunta do repórter do site Intercept Brasil é daquelas cenas destinadas aos anais da política — evidentemente, não por engrandecê-la.

— Mentira. De onde você tirou isso? — disse o senador quando confrontado pelo jornalista com a informação de que o filme sobre Jair Bolsonaro havia sido financiado por Daniel Vorcaro.

Nas imagens, à disposição na internet, Flávio lança uma rápida olhada para as câmeras simulando incredulidade, então solta a risada de ator canastrão.

— Pelo amor de Deus — desdenha, virando as costas.

Campanha à espreita, por Flávia Oliveira

O Globo

Levantamentos recentes dão pistas sobre o interesse dos brasileiros no escândalo do Banco Master

É certo que o furacão que varreu figuras da direita brasileira neste maio influenciará a posição do eleitorado em consultas vindouras sobre o pleito de outubro. Afinal, não é todo dia que um mandachuva do Centrão é alvo de operação da Polícia Federal, por suspeita de pôr o mandato de senador a serviço do protagonista da maior fraude bancária da História. Tampouco é sempre que um senador içado pelo pai a presidenciável é descoberto em relações financeiras e amistosas com o mesmo ex-banqueiro. Nem que um ex-governador tornado inelegível por fraudar o processo eleitoral sofre busca e apreensão por favorecimento ao maior sonegador de impostos da República.

O crepúsculo dos prefixos, por Eduardo Affonso

O Globo

Critique algum exagero progressista e prepare-se para ser catapultado, sem escalas, à ultradireita

Há dois prefixos de origem latina que, depois de séculos de excelentes serviços prestados ao idioma, encaram um fim melancólico.

Ultra era, na juventude, um exagerado, um extremista. Onde quer que se encostasse, passava do limite. Se “super” indicava algo acima do normal (vide supermercado, superlativo) e “hiper” levava tudo a um nível ainda mais elevado ou mais intenso (hipermercado, hipertensão), “ultra” era outro patamar — ao infinito e além (tanto que nunca existiram ultramercado nem ultratireoidismo).

Sem meia conversa entre Flávio e Vorcaro, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Flávio Bolsonaro primeiro disse que era mentira, confrontado com a informação verídica de que pedira – e levara – dinheiros de Daniel Vorcaro para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois, ante a exposição de suas mensagens, teve de admitir a verdade; isso após seis meses de omissões e mentiras sobre suas relações com o miliciano comprador de burocratas e autoridades. Comportamento idêntico ao de Dias Toffoli: o ministro que, tendo sido sócio da rede vorcárica no tal hotel, ocultou a sociedade e permaneceu como relator do caso no STF.

Um mundo sem roteiro, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Se antes as empresas eram premiadas pela eficiência, agora elas são homenageadas pela resiliência

Nas últimas décadas, as empresas aprenderam a tomar decisões em um mundo muito competitivo, mas com um script relativamente previsível. Tínhamos globalização crescente, capital barato, cadeias eficientes, tecnologia avançando, porém de forma incremental.

O problema do mundo atual não é apenas o risco, mas agora é preciso decidir em um mundo imprevisível – acima do que poderíamos admitir como normalidade. E o custo da incerteza não aparece no balanço como despesa operacional. Mas está em toda parte: investimentos adiados, contratações suspensas, caixa parado e decisões que nunca saem do PowerPoint.

China, EUA e Brasil, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Trump e Xi Jinping conversam em Pequim. O dólar nunca esteve tão baixo. O ouro conseguiu extraordinária valorização nos mercados globais. E as consequências são percebidas no interior da Amazônia, com o garimpo ilegal

Donald Trump e Xi Jinping conversam em Pequim, e os brasileiros tentam antecipar o que será combinado entre os dois grandes da economia mundial. Juntos, eles significam 40% do comércio internacional. Desde Barack Obama, o governo dos Estados Unidos age no sentido de conter o veloz desenvolvimento econômico dos chineses. Na era Trump, os norte-americanos aumentaram muito suas tarifas específicas para produtos daquele país. Pequim respondeu na mesma medida. Também elevou tarifas. 

As fragilidades de Flávio Bolsonaro, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

Flávio é visto com desconfiança, não só por sua tentativa de parecer menos radical, mas pelo passivo de escândalos envolvendo seu nome. A revelação sobre o Master prejudica muito Flávio Bolsonaro e reforça o peso de Michelle

A divulgação do áudio com a voz do pré-candidato Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro foi o fato político mais importante da semana, não só pelo conteúdo das mensagens em si, mas pelos desdobramentos após a notícia ser veiculada. As manifestações constrangidas ou forçosamente indignadas dos aliados são reveladoras de um aspecto evidente da candidatura: sua fragilidade.

O resgate da confiança, por Oscar Vilhena Vieira*

Folha de S. Paulo

Em matéria judicial, não apenas as ações, mas também as aparências importam

Quando o Judiciário deixa de ser percebido como árbitro imparcial, o Estado democrático de Direito ingressa em um processo silencioso de erosão

A autoridade do Poder Judiciário, em uma democracia constitucional, depende da confiança dos cidadãos. Sem a percepção de imparcialidade, independência e integridade dos tribunais, até decisões juridicamente corretas passam a ser vistas como expressões de interesses políticos ou influências privadas. Quando isso ocorre, a própria estabilidade democrática se fragiliza.

Esse entendimento levou democracias contemporâneas a tratar a ética judicial como questão estrutural. Os Princípios de Bangalore, organizados em 2001 sob os auspícios das Nações Unidas, consolidaram a ideia de que a legitimidade do Judiciário depende não apenas da integridade efetiva dos magistrados, mas também da confiança social em sua conduta. Em matéria judicial, portanto, não apenas as ações, mas também as aparências importam.

A relação íntima entre os Bolsonaros e Vorcaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 e empresário trambiqueiro tinham um pacto: 'Estarei contigo sempre'

03 pode ter usado dinheiro sujo do Master para tramar contra o Brasil nos EUA

No fim de abril, com as duas derrotas impostas a Lula no Congresso em menos de 24 horas —rejeição de Jorge Messias ao STF e derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria—, Flávio Bolsonaro subiu nas tamancas. "O governo acabou", disse.

O otimismo não era um reflexo das pesquisas —que apontavam o bolsonarista e o petista tecnicamente empatados no segundo turno—, mas sim de um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, carregando a certeza de que os fisiológicos do centrão iriam abraçar a candidatura do filho 01. Logo depois, num discurso a empresários de Santa Catarina, Flávio garantiu que ficaria no poder no mínimo por dois mandatos e que, com sua ascensão, a esquerda seria insignificante durante 40 anos.

A partidarização da bactéria, por Cláudio Couto

CartaCapital

Na visão dos bolsonaristas, a Pseudomonas aeruginosa é um micro-organismo de esquerda

Durante os últimos anos, nos acostumamos a testemunhar repetidos factoides criados pela ultradireita, seja o bolsonarismo, sejam outros grupos extremistas, como o MBL. Por vezes tais episódios ocorrem no âmbito de interações humanas diretas, como em provocações e assédios a desafetos ideológicos, sempre registrados em vídeos que possam ser replicados no mundo virtual. Assim, provocadores e assediadores se apresentam como justiceiros em defesa da moralidade pública e vítimas do que seria a intolerância de seus alvos, pegos em armadilhas quando reagem a agressões sofridas. O esculacho no mundo real torna-se lacração no virtual, excitando seguidores, que podem dar vazão a seus instintos mais primitivos.

Mr. Magoo e os economistas, Manfred Back e Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Ortodoxos ou heterodoxos, os arautos da economia de manual se recusam a enxergar a realidade

Mr. Magoo, personagem de desenho animado nos bons tempos da televisão. Um velhinho bem de vida, teimoso e com deficiência visual, se recusava a usar óculos. Sua péssima visão, causada pela miopia, o colocava sempre em situações perigosas e engraçadas. Onde sempre escapava ileso. Nossos ­Magoos da macroeconomia de manual também se recusam a usar óculos. Sua deficiência não é visual, é uma miopia em relação à realidade e às relações econômicas. A deficiência visual é democrática, essa miopia se estende aos ortodoxos e heterodoxos. Ambos têm seus campos de visão estreitos e dividem a economia, enxergando-a em blocos. O sistema financeiro e o rentismo são vistos como anomalias do sistema, um tumor, uma metástase disfuncional.

A indefinição ainda predomina, por Murillo de Aragão

Veja

O acaso vai continuar no comando do processo eleitoral

A expectativa sobre o resultado das eleições é uma constante no mundo econômico. Em sucessivos eventos promovidos em torno da premiação do Person of the Year, em Nova York, o tema era as pesquisas eleitorais e as tendências. Todos queriam saber para onde o Brasil irá com o novo presidente. O recente desempenho de Lula surpreendeu alguns em Wall Street, mas não todos. Outros se mostravam decepcionados com as últimas notícias. De fato, nos últimos tempos, parte expressiva dos analistas de mercado começou a considerar a eleição presidencial praticamente decidida em favor de Flávio Bolsonaro. Essa leitura, contudo, padece de um vício recorrente: tenta projetar de forma linear um processo que, por natureza, é descontínuo, contingente e sensível a circunstâncias. Enfim, a campanha ainda está em seu estágio inicial. As eleições serão submetidas aos fatos novos. O vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o filme que conta a história de Jair Bolsonaro, por exemplo, já repercute nas preferências eleitorais e prova a letalidade de certas novidades para os candidatos. O que se observa agora é um instantâneo, construído a partir de pesquisas preliminares, movimentos incipientes de aliança e, sobretudo, expectativas. Ainda não é um filme.

Brasil 2070: que legado queremos deixar? Por Marcus Pestana

O Brasil, de 1980 a 2025, prisioneiro da armadilha de renda média, viu o PIB per capita global ultrapassar o PIB per capita brasileiro. Em 1980, a riqueza brasileira gerada por nossa economia em um ano, dividida pela população, era de US$ 4.427. Em 2025, foi de US$ 23. 381. Ou seja, teve um crescimento de apenas 428%. Enquanto isso, o PIB per capita global foi de US$ 3.380 para US$ 26.189. Um incremento de 675%. No mesmo período os países que já eram ricos tiveram um crescimento de 625% e os países emergentes avançaram 1.128%.

Mannheim e a questão dos intelectuais, por Ivan Alves Filho*

Prefácio de Ivan Alves Filho para a obra Mannheim e a questão dos intelectuais, de André Malina, Rio de Janeiro, Autografia Editora, 2026. 

Uma questão sempre me acompanhou e ela tem que ver com a influência das ideias marxistas na construção da cultura contemporânea. Pensadores, estrategistas políticos, artistas plásticos, escritores, cineastas, pesquisadores das ciências – foram muitos os homens da intelligentsia atraídos pelas propostas que Karl Marx e Friedrich Engels começaram a esboçar no célebre Manifesto do Partido Comunista, de 1848. E que, posteriormente, Marx aprimoraria, no tocante à sua concepção do desenvolvimento das ideias, no seu livro Teses sobre Feuerbach, quando estabelece os vínculos entre teoria e prática – a práxis, justamente.

Poesia | Soneto do Amigo, de Vinicius de Moraes

 

Música | Ze Keti - Opinião

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PF tem o dever de investigar a fundo elo Flávio-Vorcaro

Por O Globo

Mensagens revelam proximidade do senador e pré-candidato do PL com o pivô do escândalo Master

Depois dos fatos revelados nos últimos dias, é dever das autoridades aprofundar as investigações sobre os elos entre o senador fluminense Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Mensagens demonstram uma proximidade incomum entre o senador da República e o banqueiro conhecido pela generosidade financeira com que promovia seus interesses em Brasília.

Em áudio, Flávio pede a Vorcaro dinheiro para financiar “Dark Horse” (Azarão), filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Há indícios de que as remessas tenham começado em 2025. Entre fevereiro e maio, foram transferidos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) de um total de US$ 24 milhões, segundo reportagem do Intercept Brasil. Nas mensagens em que discutem pagamentos, os dois se tratam por “irmão”.

Era vidro e se quebrou? Por Vera Magalhães

O Globo

Senador apresenta versões conflitantes, expõe fragilidade e evidencia amadorismo de seu entorno diante de revelação de pedido de milhões a Vorcaro

Em pouco mais de 24 horas, Flávio Bolsonaro já apresentou três versões diferentes para explicar as conversas em que, em tom para lá de camarada e subserviente, pede a bagatela de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, já enrolado com as investigações sobre o que até então eram muitos indícios de fraudes cometidas pelo Banco Master.

A última atualização da justificativa foi feita na entrevista ao vivo que concedeu aos jornalistas Malu Gaspar, Julia Duailibi e Octavio Guedes ontem na GloboNews. Os dois eixos principais foram: 1) negar que o dinheiro efetivamente repassado por Vorcaro tenha sido usado para custear a estadia de seu irmão Eduardo nos Estados Unidos; e 2) dizer que não revelou antes ter mantido contato com Vorcaro em razão de um contrato de confidencialidade.

Sem meia conversa, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Próximas pesquisas medirão impacto de diálogos e pedido de dinheiro a Vorcaro

Com a palavra, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL: “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. O irmão era Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e pivô do maior escândalo de fraude bancária do país. A luz que o senador pedia era dinheiro: uma bolada de R$ 134 milhões, a pretexto de financiar um filme sobre o pai.

As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram mais do que uma negociação entre um parlamentar e um banqueiro acostumado a comprar autoridades. Evidenciam uma relação próxima, embalada por juras de afeto e fidelidade. Os dois se tratavam como amigos, combinavam encontros e trocavam imagens de visualização única. Sabiam que o teor dos diálogos precisava ser guardado em segredo.

Flávio Bolsonaro, o candidato Ypê, por Pablo Ortellado

O Globo

A explicação não colou muito — ainda —, mas acredito que seja apenas questão de tempo

A quarta-feira foi marcada pelo terremoto da revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para realizar um filme sobre o pai. Em tempos normais, uma revelação dessa magnitude teria o poder de destruir uma candidatura presidencial. Um candidato recebe dezenas de milhões de um banqueiro que fraudou o sistema financeiro e corrompeu todo o sistema político brasileiro. Seria devastador.

Mas não vivemos tempos normais. Vivemos tempos em que uma fiscalização da Anvisa encontra contaminação em produtos domésticos de limpeza e gera uma reação de solidariedade porque os proprietários da empresa são bolsonaristas — e uma fiscalização que autua a empresa só poderia ser perseguição política.

Gravação gera crise na campanha de Flávio. Michelle é alternativa, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Houve reação em cadeia sobre as relações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro e há controvérsias sobre a real destinação dos recursos do Master

Os áudios de Flávio Bolsonaro (RJ) pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro, instalaram uma séria crise na campanha do candidato a presidente do PL. Segundo a colunista Ana Maria Campos, da coluna CB.Poder, colega aqui do Correio, abertamente ou nos bastidores, até mesmo aliados retomam a discussão sobre a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) assumir o seu lugar na disputa pela Presidência.

As gravações que vieram a público após reportagem do site The Intercept Brasil revelaram conversas em que Flávio cobra Vorcaro por repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente. E provocaram uma reação em cadeia sobre suas relações com o ex-banqueiro, além de informações desencontradas sobre a destinação de recursos para a produção do filme.

O peso eleitoral dos áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, por Roberto Fonseca

Correio Braziliense

O tom de "súplica" em mensagens e a proximidade com o Banco Master colocam o discurso moral do bolsonarismo à prova 

Faltam 142 dias para o primeiro turno das eleições. São 20 semanas pela frente. Em um ambiente político marcado pela radicalização, é razoável imaginar que este seja apenas o começo de uma temporada de denúncias, vazamentos, operações policiais e guerras de narrativa. O que vimos nos últimos dias, com a repercussão do caso Ypê e, principalmente, das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, parece funcionar como um prenúncio do que estará no centro da disputa eleitoral até outubro.

Conversa de chefes de Estado, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Lula e sua equipe não foram a Washington em nome da Guerra Fria. Mas em nome de uma concepção de desenvolvimento econômico com desenvolvimento social

O encontro do presidente Donald Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ponto de vista sociológico, tem especial importância porque foi claramente um encontro de chefes de Estado.

O reiterado empenho de diferentes agentes de conspiração contra a democracia, lá e aqui, pela banalização tanto da figura de Trump quando da figura de Lula, está ficando cansativa. É claramente uma forma golpista de esvaziamento do processo político, de modo a reduzi-lo à alternativa do único. No fim das contas, os envolvidos nessa atividade golpista têm atuado no sentido de minimizar e usurpar as funções próprias do Estado.

Em cartaz: Corra que a Polícia Federal vem aí! Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Cúpula do PL sabe que a revelação dos laços de Flávio com Vorcaro coloca em xeque o projeto presidencial, mas decide testar resiliência do pré-candidato

E por falar em cinema, outro sucesso de bilheteria é o sugestivo “Corra que a Polícia vem aí!”, comédia pastelão que, entretanto, ao invés de risos, vem provocando lágrimas em parte do público de Brasília. Nas telas ou nas ruas, a história recente mostra que a Polícia Federal (PF) em ação tem força para abalar ou, até mesmo, sepultar candidaturas.

Um dos personagens mais populares desse roteiro foi o “Japonês da Federal”, o temido agente Newton Ishii, que ganhou fama, nos tempos da Lava-Jato, ao escoltar presos célebres da investigação, como o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-deputado Pedro Corrêa, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Ele chegou a virar máscara e inspirar marchinhas no Carnaval de 2016: “Ai meu Deus, me dei mal, bateu na minha porta o Japonês da Federal”.

Prisão eleva pressão por delação ampla, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Até agora, Daniel Vorcaro ofereceu menos do que os investigadores da PF já sabem

Com a prisão preventiva do pai, Henrique Vorcaro, aumentou muito a pressão sobre Daniel Vorcaro. Se quiser livrá-lo da cadeia, o ex-dono do banco Master vai ter de oferecer muito mais do que tem colocado até agora na mesa.

Preso desde novembro do ano passado, Vorcaro vem negociando com as autoridades uma delação premiada – sem sucesso. Até agora, ofereceu menos do que os investigadores da Polícia Federal já sabem.

A legislação brasileira veda a prisão de parentes para forçar alguém a delatar. O problema para Vorcaro é que esse está longe de ser o caso. O pai ficou tão envolvido quanto ele na trama criminosa.

Mais um subsídio à gasolina, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Esse truque eleitoral estimula o consumo de gasolina, em vez do uso racional, e ainda cria distorções

A nova subvenção aos preços da gasolina e do óleo diesel tem o já conhecido objetivo eleitoral. Destina-se a evitar que a alta de preços se transfira para o custo de vida e, daí, para o estado de espírito do consumidor. Mas produz consequências e algumas distorções.

A liberação de até R$ 0,89 por litro de gasolina é uma boa mesada para quem usa automóvel. Como utiliza recursos públicos, não deixa de ser uma conta a pagar, que é transferida para o resto da população, principalmente para os mais pobres, o que contraria a política propalada pelo governo Lula.

Conversa com Vorcaro encerra lua de mel de Flávio e pode ser fatal para campanha, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Senador perde a carta do combate à corrupção, que vinha usando contra Lula

Crise ocorre em meio a vitórias políticas do presidente

Os diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcarorevelados pelo site Intercept Brasil, jogaram a campanha do senador em uma crise que pode ser fatal.

Publicamente ninguém admite, mas nos bastidores muitos dos aliados do senador têm dúvidas de que ele conseguirá se manter na disputa presidencial.

O nome de Michelle Bolsonaro começou a ser mencionado como uma possível substituta. Alguns acham até que o PL não deveria ter candidato e apoiar Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.

Por enquanto, Flávio se mantém no jogo, mas o impacto das mensagens é desastroso, e por vários motivos.

Primeiro, acabou a fase de Flávio nadar de braçada, apenas explorando os erros de Lula, que era o que vinha acontecendo até aqui. Essas revelações ocorrem num momento em que o presidente começa a sair das cordas, com uma série de notícias positivas. Ele teve um bom encontro com Trumpanunciou o novo Desenrola e o fim da taxa das blusinhas, por exemplo.

Bolsonaristas se enrolam sobre o rachadão do dinheiro de Vorcaro e elite amiga se finge de morta, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Dinheiro de Vorcaro viajou para fundo amigo nos EUA antes de chegar a filme, diz Flávio

Elite espera para ver se história cola e se pode ignorar outro escândalo dos Bolsonaro

A esta altura, qualquer pessoa que não bebe detergente notou que há um rinoceronte putrescente nas contas dos empreendimentos artísticos dos Bolsonaro e turma. Quem embolsou o dinheiro do mecenas Daniel Vorcaro?

Pode ser fichinha o fato de que Flávio Bolsonaro tenha omitido sua fraternidade com Vorcaro, como criticam seus indignados aliados, do centrão aos evangélicos políticos da direita (ah, coitados). Remendos de explicações nesta quinta (14) apenas ressaltaram suspeitas sobre a viagem do tutu.

A elite política que embarcara nessa nau de insensatos e perversos está quase quieta. Primeiro porque teme levar outra rasteira dos Bolsonaro, contumazes em largar amigos e feridos pelo caminho. Isto é, ainda não sabe como mentir sobre o assunto. Segundo, vai esperar para ver se cola a conversa dos Bolsonaro, se eles não ficam estropiados nas pesquisas. Por fim, vai calcular se o custo de pular na água supera o risco de permanecer na barca bolsonarista, pois por ora há apenas canoinhas eleitorais alternativas, como as de Ronaldo Caiado ou de Romeu Zema.

Eventual saída de Flávio é boa notícia para lideranças evangélicas, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Michelle e grandes pastores poderão entrar de cabeça na corrida

Tarcísio era preferido, agora eles avaliam apoiar Zema ou Caiado

As principais lideranças evangélicas do país avisaram. Bateram o pé. Flávio é o nome mais vulnerável para representar o bolsonarismo na eleição presidencial. Foram ignorados.

Malafaia foi o mais direto. Em janeiro, disse que Flávio não tinha "musculatura" e que o anúncio da candidatura foi um "amadorismo político". Falou ainda que Flávio "arrancou" a candidatura do pai fragilizado na prisão, sem consultar o partido nem as lideranças do campo.

Com o crescimento do apoio a Flávio nas pesquisas, ele e outras lideranças de grandes denominações ficaram no compasso de espera. Denúncias como esta cobrariam um preço reputacional de quem se aproximasse cedo demais.

Conversa com Vorcaro atropela Flávio Bolsonaro e abala direita, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Divulgação de áudio retira Lula do aperto causado pela rejeição de Jorge Messias

Flávio, em tese, poderá ser trocado por alguém mais capacitado, mas Zema e Caiado dificilmente serão protagonistas

Veio como um terremoto a revelação de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro pede milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar a cinebiografia de seu pai. O furo do site Intercept atingiu não apenas a candidatura do senador, mas a própria perspectiva da direita na eleição presidencial.

O abalo sofrido por Flávio retira Lula do aperto causado pela rejeição de Jorge Messias, seu candidato ao STF. O petista respira aliviado. Se a recente rodada da pesquisa Quaest já havia sinalizado uma leve recuperação frente ao adversário que vinha crescendo, agora o céu desanuviou.

Flávio Bolsonaro sobe e pode cair em nome do pai, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Conversa com Vorcaro abre um baú de esqueletos com potencial para triturar a candidatura do senador

Não é privada negociação de interesses entre um congressista e um operador de escandalosa fraude financeira

Um senador da República pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai".

conversa de Flávio Bolsonaro (PL) com Daniel Vorcaro abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição. Evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda do pai ex-presidente, para ser usada na campanha eleitoral.

Invista com moderação, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

No Brasil, cerveja não é considerada bebida alcoólica e está nas telas e ruas 24 horas por dia

Na Copa do Mundo, ela se tornará uma razão de viver como se fosse impossível torcer sem beber

Os jornais andam cheios de manchetes como estas: "Em queda no mundo, consumo de álcool entre jovens prevalece no Brasil"; "Família influencia uso de álcool por adolescentes"; "Adolescentes que bebem têm livre acesso ao álcool no país"; muitas mais. Por álcool, leia-se cerveja, a bebida a que, pela monstruosa oferta e pelo alcance de seus bolsos, os adolescentes têm mais acesso. Não satisfeitos, os fabricantes se garantem para o futuro. Segundo li, estão infiltrando toques de conteúdo em seus comerciais a fim de tornar a cerveja atraente para a turma dos sub-10, para garanti-los como clientes quando tiverem idade de pedi-la no botequim —ou seja, muito antes dos 18.

Poesia | Palavra Mágica, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Toquinho, Vinícius e Quarteto em Cy - Fogo sobre terra

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Orelha reflete valor da imprensa profissional

Por O Globo

MP concluiu que cão achado morto não foi vítima de agressão, como insistia ‘tribunal das redes sociais’.

Após longa análise, o Ministério Público (MP) de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha, achado morto no início do ano na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressão humana, como sugeria a investigação policial. Pelas evidências disponíveis, o cão morreu em decorrência de uma infecção óssea. Os erros cometidos ao longo da investigação foram graves e incentivaram a condenação pública de adolescentes injustamente acusados. Causaram prejuízos à rotina e à saúde mental deles. Por isso o arquivamento do caso não deveria encerrar o assunto. É preciso responsabilizar as autoridades que, por oportunismo, incentivaram o prejulgamento. Sobretudo, é essencial que o episódio sirva para a população entender o perigo de pensar e agir com base nos “tribunais das redes sociais” e reconhecer o papel do jornalismo profissional na busca pela verdade.

Reviravolta na eleição, por Míriam Leitão

O Globo

A revelação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pode representar um plot twist num processo eleitoral que promete ser de muita emoção

A notícia do financiamento de Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro é uma bomba com poder de implodir sua pré-campanha. E tem essa força pelo volume de dinheiro para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, pelos abundantes diálogos em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro, pela exibição de intimidade com o banqueiro das falcatruas, pelas mensagens de visualização única e pela incapacidade do senador de reagir quando tudo foi revelado. Ele deu resposta fraca. Na verdade não seria um filme sobre um personagem qualquer, mas sim uma peça da campanha eleitoral.

Sangria de Flávio é dúvida até eleição, por Julia Duailibi

O Globo

Senador passou por rachadinhas e relações com a milícia, e aí está, competitivo nas pesquisas

O que realmente interessa no filmegate envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é o tamanho do impacto que o escândalo terá nas intenções de voto no pré-candidato à Presidência pelo PL. A conversa entre Flávio e Vorcaro já causou estrago na largada. Fez preço ontem, com o Ibovespa fechando em queda de 1,8%, e o dólar subindo 2,3%. Site de bets fora do país mostrou diminuição das apostas numa vitória do senador, e a curva de juros futuros estressou. O dia foi chamado de “segundo Flávio Day”, em referência ao “Flávio Day” original, em dezembro, quando o lançamento de sua candidatura causou estrago por desbancar Tarcísio de Freitas, o preferido do mercado.

O Master e a carnificina eleitoral, por Malu Gaspar

O Globo

A revelação de que Daniel Vorcaro negociou com Flávio Bolsonaro (PL) pagamentos de R$ 62 milhões para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro usando uma empresa laranja deixou toda a direita desnorteada. Na semana passada, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP), recebeu a Polícia Federal em casa em virtude da apuração que liga sua “emenda Master” a contrapartidas generosas e milionárias.

Os dois episódios machucam a candidatura bolsonarista, reforçam o rótulo “BolsoMaster” que o PT bolou para martelar durante a campanha e dão um respiro aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingidos pelo escândalo. Mas não garantem que Lula terá sossego daqui para frente.

Desmanche de Flávio abre avenida (esburacada) para Michelle, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Candidato bolsonarista tropeça na suspeita de corrupção, quesito mais valorizado pela direita

Que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era de papel já se sabia. O que não se imaginava era que incinerasse tão cedo. A quase cinco meses do primeiro turno, ainda há tempo de seu partido emplacar outro nome. Michelle? É o estepe natural, até porque sempre pareceu menos vulnerável como candidata - e menos previsível como presidente - que o enteado.

Para pôr em pé uma candidatura, a ex-primeira-dama enfrentaria a dificuldade de encabeçar o mesmo combo de interesses reunidos em torno do senador - do marido ao Centrão, passando por investidores cuja frustração com a reportagem do “The Intercept”, na tarde desta quarta, fizeram balançar bolsa e câmbio.