sábado, 2 de maio de 2026

O novo mundo novo, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Lula e seus auxiliares ainda não entenderam o novo mundo novo. O distanciamento da realidade resulta nas derrotas no Congresso e na alta rejeição, em especial, entre os jovens

Os teóricos do Partido dos Trabalhadores têm dificuldades em enxergar as causas de o presidente Lula enfrentar alto nível de rejeição no eleitorado brasileiro. É o que indicam pesquisas de opinião que bombardeiam o eleitor a cada semana. Elas demonstram que o candidato do PT, veterano de sete eleições (venceu três e numa delas emplacou o poste chamado Dilma Rousseff), tem sofrido o natural desgaste dos materiais. O discurso é o mesmo, o populismo radical não se renova, nem percebe a velocidade de mudança para o mundo cibernético e informatizado. Importante alerta veio da derrota no Senado na histórica rejeição de Jorge Messias para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF).

Bancada do impeachment, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A maioria das reações de perplexidade – ante a rejeição a Jorge Messias – derivou da quebra de expectativa sobre o que deveria ser processo de aprovação automático, como se o poder de indicar fosse absoluto, como se o exercício da democracia estivesse contido exclusivamente na plenitude daquele teatro de beija-mãos a que a história de nossa República nos rebaixou-habituou. Trata-se de disfunção – sobre a essência do processo republicano – considerar perigoso que o Senado exerça uma prerrogativa; deturpação que turva a capacidade de análise sobre o que terá se passado.

Preço do petróleo vira aposta geopolítica, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

O preço agora depende de variáveis que mudam em velocidades e direções diferentes

Muito se tem comentado sobre as incertezas geradas pelas guerras, com a consequente crise energética – sem falar da pretensa irracionalidade de Trump com suas posições geopolíticas. Em diversos momentos chegamos a pensar que o grau de instabilidade já havia atingido o seu ápice. Nada disso. A turbulência só tem aumentado.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Inflação e juros enrolam Lula

Por Folha de S. Paulo

Petista chega ao fim do mandato com guerra pressionando preços e Selic elevada pela gastança do governo

Desenrola 2 pode gerar algum efeito prático e imediato para devedores de baixa renda; seu alcance, porém, tende a ser limitado e pontual

Como esperado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou seu pronunciamento por ocasião do Dia do Trabalho para anunciar o Desenrola 2, segunda versão de seu programa para refinanciar dívidas de famílias. Um dia antes, também como esperado, o Banco Central deu notícias incômodas sobre a inflação e a taxa de juros.

Por mais bem-vinda que seja a redução da Selic de 14,75% para 14,5% ao ano, evidencia-se o patamar ainda extraordinariamente elevado da taxa, em grande medida causado pela gestão perdulária das contas públicas. As perspectivas de alívio monetário, ademais, tornaram-se mais incertas.

A motivação do BC para manter o ritmo cauteloso do ajuste reside no cenário inflacionário complexo. As cotações do petróleo dispararam com o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, elevando custos em toda a cadeia produtiva. No plano doméstico, a atividade não desacelerou o bastante para conter pressões de preços como a do setor de serviços.

Esses fatores tornam mais árdua a convergência do IPCA para a meta de 3%, como indicado nas projeções do Banco Central. Para este ano, a estimativa passou de 3,9% na reunião anterior para 4,6% agora; para o horizonte relevante em 2027, o número subiu de 3,3% para 3,5%. As expectativas de mercado são ainda piores, de 4,9% e 4%, respectivamente.

O aumento da incerteza em torno dessas previsões —agravado pela falta de clareza quanto à duração e ao alcance dos choques geopolíticos— justifica que o Comitê de Política Monetária (Copom) avance com cautela redobrada no ciclo de corte dos juros. Tanto que, em seu comunicado, o colegiado não se compromete com movimentos futuros.

Em que pese a conjuntura externa desfavorável, o patamar anômalo da Selic, que se espraia pelas taxas de mercado, não pode ser dissociado das escolhas imprudentes do próprio governo. Ao longo de todo este terceiro mandato de Lula, a expansão de gastos públicos foi ininterrupta, pressionando a demanda e elevando temores em relação à solvência da dívida pública.

Não é surpresa, assim, que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de juros e amortizações continuem em nível recorde mesmo depois da primeira edição do programa Desenrola, lançada em 2023.

Ao elevar o custo de capital, o governo contribui diretamente para o aperto no orçamento doméstico, o aumento da inadimplência e o recurso crescente a modalidades caras de crédito.

A poucos meses da eleição presidencial, o Desenrola 2 pode até produzir algum efeito prático e imediato para devedores de baixa renda, ao facilitar renegociações com descontos expressivos.

Sem queda firme da inflação e dos juros, porém, seu alcance tende a ser limitado e pontual. Lula terá dificuldade para se desenrolar de consequências das más escolhas econômicas de sua gestão.

Mais infiltrações do crime organizado na política

Por Folha de S. Paulo

Operação em São Paulo apura elos alarmantes de facções como o PCC com agentes que atuam no setor público

Contratos com prefeituras seriam usados em lavagem de dinheiro; é preciso inteligência na investigação das redes de financiamento ilícitas

Na última segunda (27), uma operação da Polícia Civil de São Paulo prendeu quatro pessoas que atuam no setor público por suspeita de lavagem de dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de contratos entre prefeituras e uma fintech.

Mais de R$ 513 milhões em bens foram bloqueados e 22 mandados de busca e apreensão foram executados em 7 cidades do estado.

Um dos líderes do esquema seria o empresário João Gabriel de Mello Yamawaki, que, em 2022, durante a gestão de João Doria, obteve aval para pousar um helicóptero no Palácio dos Bandeirantes. Yamawaki fundou uma fintech que, de acordo com as investigações, era usada para movimentar recursos do crime.

Por meio de contratos públicos, firmados com a articulação de assessores de prefeituras, o dinheiro do crime era "legalizado".

Também na segunda (27), foi preso Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André suspeito de ligação com lideranças do PCC na região do ABC. Outros agentes políticos —como Matheus Tognella, presidente do PSB de Nova Odessa que já ocupou cargo na Prefeitura de Campinas— também são alvo de investigações da Polícia Civil.

Trata-se de mais um caso que indica conexões alarmantes do crime organizado com o setor público, o que não é exclusividade paulista. No final de 2025, operações da Polícia Federal no Rio prenderam um deputado estadual, o presidente da Assembleia Legislativa do estado e um desembargador, além de policiais.

A imbricação do crime com políticos e agentes da Justiça ou das forças de segurança pode tanto dificultar investigações de membros das facções como dar aparência de legalidade à rede de financiamento desses grupos.

Por isso operações como essa mais recente em São Paulo e a Carbono Oculto, que em 2025 revelou a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro em dez estados, precisam ser priorizadas.

Afinal, seguir o rastro do dinheiro das facções passa por desvendar as relações políticas e empresariais nas quais atividades lícitas e ilícitas se misturam.

Só o policiamento inteligente, com cruzamento de dados e recursos tecnológicos, é capaz de desmantelar as redes de sustentação do crime organizado, que se espalham por setores tão diversos como combustíveis, contrabando de bebidas e garimpo.

Também é imprescindível que o poder público crie mecanismos de monitoramento interno para, de modo preventivo, cortar os laços de seus agentes com o crime.

Presa gorda, por Oscar Vilhena Vieira*

Folha de S. Paulo

Hoje todos querem ter acesso privilegiado a um ministro do Supremo

A rejeição de Jorge Messias pelo Senado tem mais relação com a disputa política do que com a biografia do candidato

Numa democracia competitiva e funcional, os adversários políticos têm incentivos para defender um Judiciário independente, capaz de aplicar as regras do jogo de forma íntegra e imparcial. Afinal, ninguém sabe o amanhã.

Não se deve ser ingênuo, no entanto, sobre a natureza das nomeações para tribunais de cúpula nas democracias contemporâneas. Essas sempre terão um componente político. Mas, quando o compromisso com as regras do jogo declina ou os tribunais se mostram mais vulneráveis a influências externas, a captura do Judiciário passa a ser uma estratégia essencial aos atores políticos.

Bolsonarismo ao lado de Moraes, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Enquanto os eleitores brigam nas ruas, o bolsonarismo se uniu ao maior algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro

O enredo da novela, que já estava confuso, se transformou numa salada geral

Enquanto os eleitores brigam nas ruas, o bolsonarismo se uniu ao maior algoz do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro do STF Alexandre de Moraes, para derrubar a indicação de Messias sob a bênção do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

No dia seguinte da votação, a derrota embalou a derrubada do veto ao projeto da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados por golpe de Estado, incluindo Bolsonaro. A CPI do Master, defendida pela oposição, foi enterrada.

Bobeadas de Lula, rasteira do Congresso, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Petista não percebe o caminhão de gente contra ele; e não são só bolsonaristas

Com Executivo e Judiciário nas cordas, há desequilíbrio entre os Poderes

Marco temporal das terras indígenas, saidinhas de presos, flexibilização do licenciamento ambiental, IOF, redução de penas a condenados no 8 de Janeiro invalidando a Lei Antifacção. A lista de derrotas do governo impressiona pela falta de articulação e reação. Até a reforma tributária, considerada a maior conquista de Lula 3, teve alguns pontos desconsiderados. Se o presidente não contava com o veto a Jorge Messias na indicação ao STF, podia ao menos se precaver da rasteira. Do jeito que foi desferido, o golpe o deixou estatelado faltando cinco meses para as eleições.

Veto a Messias expõe crise institucional, por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

Quem mais perdeu com o episódio não foi o governo, foi o STF. A demonstração de força do Senado Federal demonstra para os ministros que os parlamentares estão à vontade para confrontar a corte, esbravejando, para quem quiser ouvir: e agora, quem será o próximo? Ouso dizer que o próximo a que se referem não espera a sabatina, mas a perda da toga em exercício

O Senado Federal rejeitou o nome de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Embora a desaprovação seja juridicamente possível, sua ocorrência é rara em razão de seu significado político. Ela representa mais do que um desacordo entre poderes, algo corriqueiro em uma democracia: é uma interdição agressiva, que revela disposição de enfrentamento e agravamento de crise. Vamos entender melhor essas nuances.

A indicação para a cúpula do Poder Judiciário é sobretudo política. Os pressupostos normativos previstos na Constituição Federal são bastante minimalistas e vagos, dando para o chefe do Executivo, a quem cabe a indicação, uma margem importante de discricionariedade. Por sua politicidade, as indicações costumam seguir uma ritualística não escrita, baseada em costumes historicamente repetidos, que se desenrolam nos bastidores.

“Verdades” efêmeras, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

O País tem câmbio flutuante, conta de capital aberta, metas de inflação, mas os modelitos não ligam câmbio e juros

A economia é uma (vá lá) ciência difícil. Keynes dizia que os requerimentos exigidos do bom economista eram muitos: ele deveria combinar os talentos de “matemático, historiador, estadista e filósofo na medida certa. Deve entender os aspectos simbólicos e falar com palavras correntes. Deve ser capaz de integrar o particular quando se refere ao geral e tocar o abstrato e o concreto com o mesmo voo do pensamento. Deve estudar o presente à luz do passado e tendo em vista o futuro. Nenhuma parte da natureza do homem deve ficar fora da sua análise. Deve ser simultaneamente desinteressado e pragmático: estar fora da realidade e ser incorruptível como um artista, estando, embora noutras ocasiões, tão perto da terra como um político”.

Maus perdedores, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA insistem na força bruta e acumulam derrotas

Donald Trump sempre exalta o poderio dos EUA e classifica seus inimigos como perdedores. Já chamou os iranianos de loucos, bastardos e animais. Se tivesse senso crítico, perceberia que seu próprio país carrega um vexatório histórico de derrotas militares. Desde a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos não venceram nenhuma guerra, mesmo com as tropas mais bem equipadas do planeta.

Na guerra das Coreias, os EUA não perderam nem venceram. Há um consenso, entre os especialistas, de que saíram derrotados do Vietnã. Não sabiam como travar um conflito não convencional. Os vietnamitas adotaram uma estratégia de desgaste, usando táticas de guerrilha, com emboscadas e armadilhas, contrabalançando o poderio dos norte-americanos.

Manual reacionário, por Jamil Chade

CartaCapital

O Projeto 2025 extrapola as fronteiras dos EUA e rege a extrema-direita global

Em 27 de fevereiro do ano passado, funcionários da Usaid, a agência internacional de cooperação dos Estados Unidos, tiveram 15 minutos para recolher os pertences pessoais dos escritórios onde alguns haviam trabalhado por décadas. Cada um teria de levar as próprias caixas de papelão. A agência não as forneceria. Foram escoltados, como criminosos. Aos prantos, os funcionários esvaziaram as mesas e o prédio. No fundo, sem saber, apagavam as luzes de um mundo que se desfazia.

Apesar dos problemas e das suspeitas de encobrir operações de espionagem da CIA, a Usaid, por meio de seus programas, evitou mais de 90 milhões de mortes nos últimos 20 anos ao combater doenças graves. O fechamento da agência interrompeu os programas globais de saúde e a assistência humanitária financiados pelos EUA em todo o mundo.

Programa de governo e eleições, por Marcus Pestana

Em tese, nossas escolhas deveriam corresponder à nossa identidade com as ideias do candidato. O programa de governo seria a bússola a guiar a construção de nossas preferências. Afinal, eleição é momento de avaliar o passado, dar balanço no presente e projetar o futuro.

No parlamentarismo europeu, as ideias valem mais do que o carisma dos candidatos. O presidencialismo cria espaço para a predominância de lideranças com forte apelo popular em detrimento das diretrizes programáticas. Não é à toa que, na América presidencialista, emergem políticos que são muito maiores que seus respectivos partidos como Lula, Bolsonaro, Trump e Milei.

Acordo, atrito ou ruptura, por Murillo de Aragão

Veja

As três alternativas para resolver a crise institucional

Na trajetória recente do Brasil, jamais uma indicação presidencial ao STF havia sido recusada pelo Senado. Tampouco havia precedente de ministros agindo abertamente contra uma indicação do chefe do Executivo para a Corte máxima. Tudo isso em meio a escândalos que abalam a República. O contexto aponta para uma nação mergulhada em uma profunda crise institucional — algo que, acredito, ninguém desconhece. Mas até onde isso vai chegar? Há saída para esse impasse? Ou o que se vê no fim do caminho é um obstáculo ainda maior? As crises costumam se resolver com grandes negociações e com a queda de quem estava no comando. Foi assim em 1930, com a revolução; em 1945, com a redemocratização; em 1964, com o golpe cívico-militar; em 1985, com a reabertura democrática; e nos dois processos de impeachment presidencial. Entre grandes acordos e viradas bruscas, o país navega de crise em crise.

Para não dizer que eu também não falei de flores, por Ivan Alves Filho*

Se existe algo imprescindível em nossas vidas, é a beleza. Oscar Niemeyer dizia sempre que criar o belo era a grande função da Arquitetura. Não havia outra, a rigor. 

No rio São Francisco, na virada do século XX para o século XXI, eu conheci uma índia xacriabá que morava com os filhos em uma área isolada, bem isolada mesmo, a alguns quilômetros da sede de São João das Missões, na divisa, quase, de Minas Gerais com a Bahia. Tratava-se de uma reserva indígena, em uma região de caatinga. Eu estava ali preparando um livro de andanças sobre a parte mineira do Velho Chico.  A casa da índia Libertina - este o seu nome - era das mais pobres que alguém possa imaginar. Pequena, quase caindo aos pedaços ou desabando, sem nenhum utensílio praticamente em exposição, nem mesmo na minúscula cozinha. Mas...como era bonita aquela casa, toda pintada, por dentro e por fora, com motivos que lembravam os desenhos estampados nas cavernas da região. 

Poesia | O sertanejo falando, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Ataulfo Alves & Carmen Costa - miscelânea de músicas

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desvirtuamento político contaminou rejeição de Messias

Por O Globo

Indicação ao Supremo não pode ser tabuleiro de jogo de interesses. Avaliação deveria ser jurídica

Desde o fim do século XIX, a aprovação dos indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) transcorria sem sobressaltos no Senado. Na quarta-feira, a escrita foi rompida. O plenário rejeitou o advogado-geral da União, Jorge Messias — ele recebeu 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis, sete aquém do mínimo para aprovação. Pela Constituição, é prerrogativa dos senadores aprovar ou barrar quem bem entenderem depois da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. Não há, portanto, reparo a fazer ao direito de agirem na direção que acharem melhor. Ainda assim, o ineditismo é revelador. Expõe o grau de contaminação política de uma escolha que deveria se guiar por critérios de outra natureza — as exigências constitucionais de notável saber jurídico e reputação ilibada.

Trabalhar para viver, não viver para trabalhar, por Luiz Marinho*

Correio Braziliense

A escala 6 X 1 é um sistema que drena energia, patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo

Quando debatemos o fim da escala 6 X 1 no Brasil, estamos, no fundo, discutindo o tempo: o tempo dedicado ao trabalho, ao descanso e, sobretudo, à vida. Trata-se de uma escolha sobre o tipo de país que queremos construir — um país que valoriza o trabalho digno ou que mantém um modelo ultrapassado, herdado do século passado, que já não se sustenta.

A escala 6 X 1 surgiu em um contexto de baixa tecnologia aplicada ao mundo do trabalho, em que a produtividade dependia da presença contínua do trabalhador e da trabalhadora. Hoje, essa lógica não se aplica. O resultado é outro: exaustão e adoecimento. É um sistema que drena energia, patrocina a perda de tempo de convivência familiar, reduz a qualidade de vida e limita o potencial produtivo.

O modernismo e o barroco nas eleições de São Paulo e Bahia, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A liderança de Tarcísio expressa a São Paulo pragmática, voltada à gestão, à infraestrutura e à segurança, que dialoga com setores médios e empresariais. Já na Bahia, o quadro eleitoral remete a outra tradição: a do barroco crítico e satírico de Gregório de Matos

Tem certas coisas na política brasileira que merecem uma leitura meio antropológica, digamos, pela força da cultura local. É o caso do quadro eleitoral em São Paulo e na Bahia, quando analisado à luz de duas matrizes profundas do país: o modernismo de Mário de Andrade e o barroco satírico de Gregório de Matos. Mais do que referências literárias, ambos expressam formas de perceber o poder, a sociedade e suas contradições.

A obra "Pauliceia Desvairada", publicada em 1922 por Mário de Andrade, é um marco fundador do modernismo brasileiro. Promoveu uma ruptura estética e cultural com o passado, que traduzia em São Paulo a vertiginosa transformação industrial, cosmopolita e socialmente fragmentada daquele estado, onde o Convênio de Taubaté (1906) financiou a acelerada modernização com recursos do café, enquanto em outros estados o patrimonialismo está diretamente associado à decadência econômica, sobretudo após a crise do café de 1929.

E agora, Lula? Por Vera Magalhães

O Globo

Ainda, não disponível.

 

Flávio Bolsonaro sobe no salto, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Empolgado com vitórias no Congresso, senador se antecipa às urnas e decreta fim do governo Lula

O bolsonarismo viveu a melhor semana desde a derrota do capitão nas urnas. Na noite de quarta, o Senado quebrou tradição de 132 anos e rejeitou uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. Menos de 24 horas depois, o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduz as penas dos golpistas.

Empolgado com os resultados, o senador Flávio Bolsonaro cantou vitória antecipada nas eleições de outubro. “O governo Lula acabou”, decretou, após a reprovação de Jorge Messias. Ontem ele avisou que já tem “vários nomes” para indicar ao Supremo. Estimulado a decliná-los, disse: “Não vou antecipar isso, não sou presidente ainda”.

Atalho conservador ao Supremo, por Pablo Ortellado

O Globo

Direita ganhou a oportunidade de construir maioria no STF se vencer a próxima disputa presidencial

Com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo e a sinalização de Davi Alcolumbre de que não deverá pautar uma nova indicação antes da eleição, a direita ganhou a oportunidade de construir maioria no STF se vencer a próxima disputa presidencial.

Além da vaga atual, três outros ministros — Luiz FuxCármen Lúcia e Gilmar Mendes — se aposentam no decorrer do próximo mandato presidencial. Essas quatro indicações, somadas às duas feitas por Jair Bolsonaro (Kassio Nunes Marques e André Mendonça), formariam uma maioria conservadora de seis dos 11 ministros. Ela poderia ainda ser engrossada com mais uma ou duas vagas se a direita obtiver o impeachment de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

O horizonte de maioria conservadora no Supremo anima a direita brasileira, que assistiu ao impacto do respaldo que a Suprema Corte conservadora tem dado a Donald Trump nos Estados Unidos.

Entrevista | ‘O PT cometeu um erro ao não assinar a CPI do Master’

Por Vera Rosa / O Estado de S. Paulo

Dirigente petista critica rejeição de Messias pelo Senado e vê Executivo refém das emendas impositivas

Presidente do PT e coordenador da campanha de Lula à reeleição, foi ministro da Secom de Dilma e prefeito de Araraquara

Em uma semana de derrotas históricas para o governo, o presidente do PT, Edinho Silva, classificou como “erro” o fato de parlamentares de seu partido não terem assinado o requerimento pedindo a instalação da CPI do Banco Master. “O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, disse Edinho ao Estadão. “É evidente que, diante da gravidade das denúncias, as bancadas deveriam ter liderado a formação das comissões de investigação.”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), liderou, nos últimos dias, as articulações que impuseram dois importantes reveses para o Palácio do Planalto. Além disso, fez um acordo com a oposição para engavetar o pedido de abertura da CPI proposta para investigar as falcatruas do Master.

Sob o comando de Alcolumbre, o Senado rejeitou, anteontem, a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ontem, uma sessão do Congresso derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduz as penas de Jair Bolsonaro (PL) e outros condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro.

“Mais uma vez, o Congresso vira as costas para a sociedade”, afirmou Edinho, que é coordenador da campanha de Lula a um novo mandato. “O modelo político brasileiro ruiu. Está totalmente destruído”, completou o presidente do PT, candidato a deputado federal. 

A seguir os principais trechos da entrevista:

Um presidente sem governabilidade e refém, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Moraes e Alcolumbre uniram forças para mostrar que petista depende deles para governar

O ministro Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, uniram forças e mostram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele perdeu condições de governar e virou refém.

Depois de não emplacar um ministro para a Suprema Corte em 132 anos com a derrota de Jorge Messias, a derrubada de veto do PL da Dosimetria foi só mais um passo.

Moraes não perdoava Lula por ter dito que “quem quer enriquecer tem que sair do Supremo”, um sinal inequívoco de que o petista ameaçava soltar a mão do ministro em meio ao escândalo do banco Master.

As instituições estão doentes, Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Decisões do Congresso são vitória do bolsonarismo e derrota de Lula, STF e Congresso

Está confirmado: uma semana, duas derrotas para o presidente Lula, que vai perdendo energia, vantagem segura nas pesquisas e a confiança de possíveis aliados que poderiam ir para um lado ou outro e estão indo em massa para o dos seus adversários. Lula, porém, não é o único derrotado. Também perdem as instituições, em particular STF e Senado, e o andamento do caso Master.

O pacto entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não foi só para impedir que Jorge Messias vestisse a toga da Corte nem para se desconectar de vez de Lula.

Ambos estão enrolados no escândalo do Banco Master e o tal pacto, ou acordão, tem cara e cheiro de “você salva a minha pele e eu salvo a sua”.

1º de Maio reafirma seu sentido original de lutar pelo tempo de vida, por Vários autores (nomes ao final do texto)

Folha de S. Paulo

Redução da jornada se impõe porque condições atuais de trabalho permitem maior equilíbrio na produção

Resgatar essa agenda histórica mantém viva a busca por dignidade e justiça social no Brasil

Dia do Trabalhador, comemorado nesta sexta-feira (1º), está diretamente ligado à luta pela redução da jornada. A origem da data remete à greve geral ocorrida em Chicago (EUA), em 1º de Maio de 1886, cuja principal reivindicação era reduzir o tempo de trabalho —a jornada chegava a 17 horas diárias. A mobilização, que completa 140 anos, foi duramente reprimida, transformando-se em símbolo de resistência e luta.

Desde então, trabalhadores no Brasil e no mundo obtiveram importantes conquistas. Por aqui, o principal marco foi a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que, entre outras melhorias, estabeleceu a jornada de 8 horas diárias e 48 horas semanais —um avanço significativo em um contexto em que a jornada frequentemente ultrapassava 14 horas por dia, com escalas que invadiam os sábados e até as manhãs de domingo.

Outro momento decisivo foi a Constituição de 1988. Ao consolidar uma luta sindical construída nas campanhas salariais de 1985, diminuiu a carga horária semanal de 48 para 44 horas.

Como ficam imposto sobre gasolina, Desenrola 2 e 6x1 depois do atropelamento de Lula 3, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Lideranças do Congresso dizem que projetos vão andar, mas não nos termos do governo

Além das derrotas políticas, há risco de juros altos persistentes e inflação em alta

É difícil de acreditar que a maioria de deputados e senadores vote contra a aprovação de projetos de lei que distribuam dinheiro ou que tenham caído no gosto do povo. Um desses projetos que deveria entrar em discussão em breve é o de redução da jornada, a mexida na escala 6x1. A redução do imposto federal sobre a gasolina estava na pauta de urgência do governo. Talvez o novo plano de apoio à renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 2, exija alguma medida legislativa.

Voto secreto ajudou a crucificar Messias, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Sigilo foi concebido para tentar assegurar a independência de senadores

Ele representa, porém, uma violação à ideia central da democracia representativa

Enquanto ainda tentamos entender se a rejeição do nome de Jorge Messias pelos senadores foi mais uma espetada no governo Lula ou um recado para o STF, proponho discutir um outro aspecto da questão que está passando meio batido: o voto secreto.

Não tenho como assegurar que, se votações para a aprovação de ministros do Supremo fossem nominais e abertas, o desfecho teria sido outro, mas suspeito que sim. Entre os 42 senadores que disseram não a Messias, deve haver pelo menos alguns com sólidos interesses no Executivo ou turvas pendências com o Judiciário que teriam agido de outra forma se tivessem de se manifestar sem a proteção do anonimato. A blindagem contra pressões políticas e retaliações é, aliás, a razão alegada para que a Câmara e o Senado mantenham algumas votações sigilosas. Mas será que elas se justificam?

Fake news às gargalhadas, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A expressão em breve fará dez anos e continua a ser o sustentáculo de Trump e Bolsonaro

Mestre da fake news, Bolsonaro convenceu milhões de que, no governo dele, não havia corrupção

Você se lembra de quando ouviu pela primeira vez a expressão "fake news"? Foi em 2017, nos noticiários de TV. E sabe por quem? Donald Trump, candidato à Presidência dos EUA. Trump não a inventou. Com ou sem este nome, as fake news sempre foram uma arma política dos regimes autoritários e totalitários, para jogar seus apoiadores contra opositores, minorias e potenciais adversários. Ou para criar confusão, como neste exemplo real: "Papa Francisco apoia Trump". Até ser desmentida, causou grande estrago.

Salário médio do trabalhador amplia recorde e chega a R$ 3.722

Bruno de Freitas Moura / Agência Brasil 

Em um ano, valor sobe 5,5% acima da inflação

O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026. Esse valor representa acréscimo real – já descontada a inflação – de 5,5% em relação ao registrado no mesmo período de 2025. É o maior registrado em toda série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.

O trimestre encerrado em março é o segundo consecutivo em que o salário médio supera a casa dos R$ 3,7 mil. No período de três meses terminado em fevereiro, o rendimento foi de R$ 3.702. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando o valor era de R$ 3.662, houve expansão de 1,6%.

Desemprego no 1º trimestre é de 6,1%, o menor já registrado no período

Bruno de Freitas Moura / Agência Brasil

Pnad Contínua: país tinha 6,6 milhões de pessoas em busca de trabalho

A taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano ficou em 6,1%. O indicador fica acima do registrado no quarto trimestre de 2025 (5,1%), porém é a menor taxa de desocupação para um primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Nos três primeiros meses do ano passado, o desemprego tinha marcado 7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

Desde o trimestre encerrado em maio de 2025, a taxa de desemprego não ultrapassava 6%. No trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,8%.

Alcolumbre afirmou a líder do PL atuar contra Messias: “faça a sua parte, faço a minha”, por Dyepeson Martins

Agência Pública

42 votos contra e 34 a favor impôs derrota acachapante ao presidente Lula; saiba bastidores

Com muitos gritos e aplausos, deputados e senadores da direita e da ultradireita amontoaram-se em frente ao plenário do Senado para celebrar uma derrota histórica do Governo Lula, na noite desta quarta-feira (29). A Casa rejeitou — por 42 a 34 votos, além de uma abstenção — o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, à vaga deixada por Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi a primeira rejeição de uma indicação presidencial à Corte desde 1894.

Agência Pública apurou que o resultado da votação não surpreendeu o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que teria articulado ativamente contra Messias e, inclusive, confirmado isso a outro parlamentar.

Botija, rombo, buraco e presente, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Para salvar o Master, o Governo do Distrito Federal comprometeu as finanças públicas a ponto de não conseguir financiar a comemoração de aniversário de Brasília

Chamava-se botija à caixa cheia de dinheiro enterrada no terreno de uma casa. O dono do Banco Master descobriu uma botija guardada nos cofres do BRB e corrompeu seus zeladores para repassarem R$ 12 bilhões ao seu banco. Quando o roubo foi descoberto, fizeram uma lei para colocar dentro da botija o terreno onde ela estava. Os donos do dinheiro roubado pagam seu prejuízo vendendo sua propriedade fundiária. A crise na saúde, o desastre na segurança, a vergonha na educação e a corrupção astronômica não são vistos como ameaças à ordem social mas, em nome da ordem, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceita vender terreno do povo para cobrir o roubo feito contra o povo.

Ontem, a noite na TV, Pronunciamento: Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

 

Poesia | 3 Poemas de Ascenso Ferreira

 

Música | Boca Livre e Roberta Sá - Desenredo

 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congressistas devem explicações sobre carona em jatinho

Por O Globo

Presidente da Câmara, senador e deputados viajaram para o Caribe em aeronave de empresário

No dia 13 de abril de 2025, o jato com o prefixo PP-OIG, pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, dono de empresas de apostas on-line conhecido como Fernandin OIG, decolou do São Paulo Catarina, aeroporto exclusivo de aviação executiva em São Roque (SP), a 68 quilômetros da capital paulista. O destino era a ilha caribenha de São Martinho. Fernandin postou imagens da viagem numa rede social, com passeios a bordo de embarcações de luxo pelas águas azuis do Caribe, piscina privativa, serviço de concierge e menu de frios, ostras e lagosta. Uma semana depois, no dia 20, por volta das 21 horas, o mesmo jatinho pousou de volta em São Roque.