sábado, 27 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tragédia na Venezuela impõe solidariedade

Por O Globo

Brasil e comunidade internacional devem prestar todo tipo de ajuda neste momento de apreensão e dor

Um Embraer KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira decolou nesta sexta-feira de Guarulhos (SP) com destino à Venezuela, transportando equipes especializadas e 9 toneladas de equipamentos para auxiliar em buscas e em cuidados com as vítimas dos dois terremotos que transformaram o norte do país num cenário de devastação e morte. Outro voo, previsto para hoje, transportará um hospital de campanha e medicamentos. O governo brasileiro e a comunidade internacional devem prestar todo tipo de ajuda para socorrer os venezuelanos neste momento de apreensão e dor. É hora de apoio e solidariedade não apenas de governos, mas também da população.

As vítimas fatais têm sido contadas às centenas (incluindo brasileiros), mas parece evidente que há muito mais gente sob os escombros. São mais de 50 mil os desaparecidos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima haver 27% de chance de o total de mortos ficar entre mil e 10 mil, e 44% entre mais de 10 mil e 100 mil. As próximas horas e dias serão uma corrida contra o tempo para identificar quem precisa ser resgatado e tentar salvar o maior número de vidas possível. Há feridos à espera de ajuda e um longo trabalho de reconstrução. Após o resgate, será hora de tentar reparar prejuízos estimados entre 2% e 10% do PIB venezuelano, cerca de US$ 111 bilhões.

O Dilema da Esquerda: Entre a Gestão do Estado e a Ascensão da Ultradireita, por Altamir Petersen*

Uma grande dúvida paira sobre a esquerda contemporânea: até que ponto o avanço da ultradireita é alimentado pela moderação excessiva dos governos progressistas e pela consequente frustração de suas bases? Uma análise político-econômica dos governos de esquerda na América Latina pós-2002 demonstra que essa hipótese causal não pode ser descartada. O fortalecimento da extrema-direita no Brasil, as oscilações políticas no Chile, Peru e Colômbia, a iminente crise do modelo cubano e a própria vulnerabilidade do chavismo bolivariano diante de pressões geopolíticas externas acendem o alerta nos grupos progressistas.

O maior espetáculo da terra, por Sérgio C. Buarque*

Revista Será?  

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta”: a Copa do Mundo de Futebol. Com licença de Camões, a Copa do Mundo é este poder mais alto que quase para tudo, deveria parar a guerra da Ucrânia, a desastrosa insensatez de Donald Trump e os desmantelos da política brasileira. Durante um mês, as atenções de bilhões de pessoas se voltam para o maior espetáculo da terra, acompanhando com grande emoção a disputa de 48 seleções nacionais pela glória. O futebol reúne emoção e prazer estético, ao que se agrega sentimento nacional quando se trata da Copa do Mundo.

Luzes Tenebrosas, por Elimar Nascimento*

Revista Será?

Ideias estapafúrdias sempre existiram. Em geral, de vida restrita e curta. Assombram, porém, quando ganham relevância, adesões e capacidade de influência. É o caso da corrente político-ideológica denominada por seus próprios autores de neorreacionária.

Descrever e analisar essa corrente é o objeto do livro Lumières Sombres: Comprendre la pensée néoréactionnaire, de Arnaud Miranda, jovem cientista político francês, publicado este ano pela Gallimard. O livro é interessante pela sistematização das informações e valor das reflexões, além do enquadramento dessa corrente político-ideológica na história do pensamento político ocidental.

As ideias dos neorreacionários, segundo o autor, podem ser assim resumidas:

Falta identidade entre eleitores e eleitos, Marcus Pestana

No último artigo, partimos da informação da última pesquisa do Instituto Ideia, 75% dos eleitores brasileiros não sabem sequer citar o nome do deputado(a) em quem votou em 2022, para identificar o quanto o sistema eleitoral impede a proximidade entre representantes e representados e o necessário controle social sobre os mandatos.

Vamos usar Minas Gerais como exemplo. Como o eleitor pode produzir uma decisão de qualidade se tem pela frente 1.100 candidatos a deputado federal, em um território do tamanho da França ou da Espanha, espalhados pelos 30 partidos existentes, a maioria sem forte conteúdo programático? O voto é na pessoa, mas a conquista da cadeira é partidária. Não entendendo o que é quociente eleitoral e o sistema de cálculo, estranhando não irem os mais votados, tendo tido contato mínimo com no máximo 10 entre os 1100 candidatos, não conseguindo comparar e votar com qualidade, o eleitor se vinga esquecendo o nome do seu escolhido e desencorando a base do sistema representativo.

Racha familiar exposto por Michelle pode ameaçar candidatura de Flávio Bolsonaro, por José Benedito da Silva

Revista Veja

Em ataques ao senador, ex-primeira-dama exibe publicamente as desavenças do clã em meio a uma acirrada corrida eleitoral

Um dos líderes religiosos mais próximos à família Bolsonaro, Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, deixou de lado, no início da quarta-feira 24, a eloquência com que é conhecido. Aos que o procuraram para comentar o mais quente assunto político do momento, ele respondia com as seguintes frases, baseadas em trechos bíblicos: “casa dividida contra si mesmo não subsistirá” e “até o tolo, estando calado, é tido por sábio”. Dessa forma cautelosa, mas dizendo tudo de forma cifrada, o pastor se referia ao novo e mais explosivo imbróglio envolvendo o clã Bolsonaro. Em dois vídeos que somam 27 minutos, a ex-­primeira-dama Michelle Bolsonaro realizou uma grande lavagem de roupa suja em público, que levou tensão à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

O vídeo vinha sendo planejado há alguns dias. O estopim foi a entrevista de Ciro Gomes à seção Páginas Amarelas, de VEJA, na última edição, em que o ex-governador diz que, apesar de ter construído uma aliança com o PL para sua campanha ao governo do Ceará, não iria apoiar nenhum candidato a presidente da República porque Bolsonaro e Lula “são iguais”. A resposta da ex-primeira-dama veio na própria segunda-feira, 22, em forma de anúncio. “Já gravei um vídeo explicando o que aconteceu no Ceará. Vou publicá-lo em breve”, postou em todas as suas redes sociais, ao lado da imagem da entrevista de Ciro à revista.

A expulsão do capital produtivo, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Software institucional do país favorece o rentismo e cria paradoxo

O Brasil vive um paradoxo. Em 2025, consolidou-se como o terceiro maior receptor mundial de investimento estrangeiro direto, com 77 bilhões de dólares, alta de 23% sobre o ano anterior. A participação estrangeira na B3 alcançou níveis recordes. À primeira vista, são indicadores de uma economia atrativa. Ao mesmo tempo, mais de duzentas empresas levaram parte de sua produção para o Paraguai — 70% das maquiladoras paraguaias pertencem a brasileiros. Têxteis, calçados, autopeças, metalurgia, plásticos, eletrônicos e, mais recentemente, a agroindústria passaram a produzir do outro lado da fronteira. O investimento produtivo sai; os produtos retornam.

O abraço de urso de Jaques Wagner, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

O grande amigo de Lula tornou-se um problemão e os votos perdidos valerão muito no segundo turno das eleições 

O abraço de urso é muito forte e a força nele depositada pode ser interpretada como um gesto de afeto extremo. No uso comum, todavia, a expressão pode ser traduzida como uma amizade que sufoca, machuca e pode destruir o amigo desavisado. Nas lutas corpo a corpo, significa uma posição de controle ou domínio sobre o oponente. Qualquer que seja o uso que se dê ao termo, ou da conclusão das investigações da Polícia Federal sobre o suposto envolvimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, com o escândalo Master, o fato é que a amizade de mais de 40 anos entre ele e o presidente da República envolve Lula em um abraço de urso. Mesmo se, no futuro, Wagner vier a ser inocentado das graves acusações, hoje o senador baiano tornou-se um problemão. E é agora, não num futuro em que eventualmente o senador seja inocentado, que está em jogo a disputa de um último mandato presidencial para Lula, cuja vitória é fundamental para bloquear­ o acesso da extrema-direita ao poder.

Medo de ganhar e vontade de fazer, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Ajuste, ajuste e mais ajuste é o lema que infesta o espírito dos fanáticos da busca do equilíbrio

O grande técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo montou times goleadores, craques da bola. Cunhou um famoso mantra: “O medo de perder tira a vontade de ganhar”.

Na tribo dos economistas, prevalece a convicção de que “com menos dá mais”, o mantra diário que inocula nas veias e no inconsciente coletivo: o medo de ganhar tira a vontade de fazer.

Ajuste, ajuste e mais ajuste é o lema que infesta o espírito dos fanáticos que repetem: a economia monetária-financeira capitalista deve buscar o equilíbrio. O equilíbrio acima de tudo. Na contramão dessa crença, temos a impressão de que as experiências do capitalismo ao longo de todos os tempos revelam a existência de uma dinâmica amparada nos movimentos do circuito monetário-financeiro. Movimentos que supõem a alternância entre estabilidade e instabilidade. Nada de equilíbrio.

O fim da onda rosa, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Consolida-se o avanço da extrema-direita na América Latina

O início do século XXI foi marcado pela ascensão de vários governos progressistas em países da América Latina. Foi a chamada “onda rosa”, caracterizando as tendências ideológicas de esquerda desses governos. Hugo Chávez, Lula, Néstor ­Kirchner, ­Tabaré Vasquez e Pepe Mujica e Evo ­Morales foram os principais expoentes desse processo. Em 2011, quase todo o mapa da América do Sul era vermelho. A onda rosa se fortaleceu na esteira da terra arrasada social provocada pelo neoliberalismo. Foi marcada por programas de crescimento econômico, combate à pobreza e inclusão social. O boom das commodities lastreou a sustentação das políticas dos governos progressistas. Mas, nas crises financeiras de 2008 a 2012, surgiram os primeiros sinais de problemas de sustentação do modelo.

O quintal europeu de Trump, por Jamil Chade

CartaCapital 

Os Estados Unidos minam a União Europeia e apostam em um continente fragmentado e submisso 

Dois líderes europeus de países aliados dos EUA acabam de descobrir que, para Donald Trump, não há qualquer limite à ingerência em assuntos soberanos de outros governos. Georgia Meloni, primeira-ministra da Itália e representante de um movimento ultraconservador, foi obrigada a ir às redes sociais para rebater uma provocação por parte do republicano. Segundo ele, a italiana teria mendigado por uma foto ao seu lado e tentado se aproveitar de sua imagem. Meloni respondeu com vigor e fez uma pergunta: por qual motivo o líder dos EUA faz isso com seus próprios aliados? A pergunta é a que todos se fazem na Europa.

Poesia | Te amo , de Pablo Neruda

 

Música | Beth Carvalho - Samba do Avião

 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Infiltração do PCC na Câmara de SP serve de alerta

Por o Globo

Operação que prendeu vereador petista expõe elo preocupante da política com o crime organizado

Foi oportuna a operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo que prendeu nesta quinta-feira o vereador Senival Moura (PT), suspeito de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, Senival, primeiro secretário da Câmara Municipal de São Paulo, atuava como figura central num esquema que usava uma empresa de ônibus para lavar dinheiro da facção. É apontado pelos investigadores como controlador indireto da transportadora e dono de parte da frota (ele alega inocência). A operação expõe mais uma vez elos preocupantes da política com o crime organizado.

A infiltração de facções criminosas na economia formal tem sido prática disseminada. Permite manter as atividades ilegais sem despertar a atenção das autoridades. Nesse campo, os bandidos têm sofrido reveses importantes. A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado, se tornou um marco ao expor um esquema gigantesco de sonegação e lavagem de dinheiro para o PCC, envolvendo o setor de combustíveis. As investigações mostraram que os tentáculos do crime se estendiam a fintechs e instituições financeiras da Avenida Faria Lima.

Qual a força eleitoral da seleção Canarinho? Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Alegria com o penta não ajudou o sucessor de Fernando Henrique em 2002. José Serra perdeu para Lula naquela eleição

O que mais simboliza o patriotismo? O hino, a bandeira, a camisa verde-e-amarela? Torcer para a seleção Canarinho, na alegria e na tristeza? Para o atual governo, um dos símbolos é a ferramenta de transferência de valores do Banco Central: “O Pix é do Brasil”, diz a palavra de ordem da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.

Na ditadura de Getúlio Vargas, em meio à campanha “O petróleo é nosso”, e no ano de fundação da Petrobras, Guimarães Rosa descartou que a commodity pudesse representar nossa pátria. Para o escritor, com fama de bom de garfo, o orgulho de ser brasileiro envolvia olfato e paladar: “O derradeiro resumo do patriotismo é o gustativo, palatal, de mesa e sobremesa”, afirmou. “Nossos, bem nossos, são o doce-de-leite e o desfiado de carne seca”, sacramentou, em crônica publicada em 1953.

Que trem é esse? Por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O lucro mais fácil do transporte de minérios e de produtos agrícolas, aos olhos do empreendedorismo superficial, desvaloriza ideologicamente o lucro possível no transporte de passageiros

A atualização e expansão da rede ferroviária brasileira, voltada para o agronegócio e a mineração, levanta a questão social do que nela sobrará para o chamado passageiro, como seu usurário e beneficiário.

As ferrovias são fatores de criação de renda diferencial da terra na medida em que colocam os territórios que percorrem mais próximos dos mercados que se situam em seus respectivos destinos. A diminuição do tempo de um percurso opera na prática como diminuição da distância em relação ao mercado e ao mundo urbano.

Vídeo de Michelle confirma DNA bolsonarista, por Vera Magalhães

O Globo

Ao criticar enteado pré-candidato a presidente, ex-primeira-dama atesta maneira subalterna como clã enxerga as mulheres

O longo vídeo de Michelle Bolsonaro é um dos mais eloquentes testemunhos de alguém literalmente de dentro a respeito de algumas das principais características que estão no DNA do bolsonarismo: o mandonismo do “capitão”, a franquia familiar como objetivo político maior e o completo desprezo às mulheres como marca indelével.

Ela pode ter pretendido atingir Flávio Bolsonaro, mas, se levadas a sério, suas palavras expõem a maneira como seu “galego” instrumentalizou a ela própria para atingir o eleitorado feminino, que sempre foi um ponto fraco para a chegada e a permanência de Jair no poder.

Duelo entre Michelle e Flávio expõe disputa por herança política de Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ex-primeira-dama e senador travam batalha aberta pelos votos de Jair

A nova crise na campanha de Flávio Bolsonaro surgiu dentro de casa. A ex-primeira-dama Michelle disse que o enteado a “maltratou”, “desrespeitou” e “humilhou”. O candidato do PL já penava com o eleitorado feminino, determinante na derrota do pai em 2022.

O projeto dos Bolsonaro sempre foi familiar. O capitão lançou na política os filhos Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan. Não contava com a rivalidade entre os herdeiros de sangue e a madrasta, que também mostra apetite pelo poder.

Michelle foi a última a ingressar no clã. Terceira mulher do ex-presidente, tem 44 anos, um a menos que Flávio. Quando se casou com Jair, o Zero Um, o Zero Dois e o Zero Três já eram adultos e esperavam na fila para sucedê-lo.

Quando é preciso expor a virtude antirracista, por Pablo Ortellado

O Globo

Ser branco passa a ser percebido como moralmente problemático e, portanto, uma condição de que é preciso escapar

Pesquisas nos Estados Unidos têm mostrado um fato curioso. Nos últimos anos, brancos de esquerda passaram a avaliar negros e outros grupos minoritários de forma mais calorosa do que as próprias pessoas brancas, numa espécie de inversão da conhecida tendência psicossocial de favorecer o próprio grupo.

O dado surge de um instrumento usado em pesquisas de opinião conhecido como “termômetro de sentimento”. Quem responde à pesquisa é provocado a dizer quão “caloroso” ou “frio” se sente em relação a um grupo-alvo — a metáfora térmica captura a dimensão afetiva, mostrando quanto se gosta ou desgosta do grupo. O instrumento é tradicionalmente usado para medir favoritismo. O viés é calculado pela diferença entre a nota que se dá ao próprio grupo e a nota dada a outro grupo.

Foi ou não ‘mimimi’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Michelle só quer mais protagonismo ou quer a vaga de Flávio na chapa?

Bolsonaristas e petistas se unem numa pergunta que não quer calar: Michelle Bolsonaro está se insinuando na disputa presidencial, depois de avaliar o tamanho do estrago na campanha do enteado Flávio, tanto pelo Dark Horse quanto pelas novas ameaças de Trump? Ou seu vídeo contra Flávio foi só um “mimimi”, como diria o marido?

O governo comemora a guerra interna, mas os dois lados querem saber de que lado Jair Bolsonaro está, se apoiou ou liberou o ataque de Michelle na internet e, afinal, quão grave está, neste momento, a velha crise familiar, política e eleitoral.

O conselho ignorado por Flávio sobre Michelle, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Interlocutores do PL já vinham avisando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da importância de trazer Michelle Bolsonaro para sua pré-campanha, mas ele ignorou.

Lideranças relatam que o pré-candidato foi aconselhado recentemente a fazer um gesto em direção à ex-primeira-dama, dizendo que ela seria ministra em seu futuro governo e também a convidá-la a ajudar a escolher a sua candidata a vice-presidente.

Um influente interlocutor disse à coluna que faltou “sensibilidade” a Flávio, que não a incluiu na campanha.

Cultura em alerta, por José Sarney*

Correio Braziliense

Como intelectual e escritor com mais de 120 títulos publicados, em 168 edições e 10 idiomas, alio-me à defesa dos direitos autorais e daqueles que os estão defendendo

Nunca na História tivemos um tempo de nuanças tão grande quanto neste tempo — não digo neste século, porque não sabemos quanto tempo vai durar.

É que, desde a grande explosão (o Big Bang), o Universo sofreu mudanças físicas que determinaram e continuam determinando a sua forma. Aqui na Terra, com a existência de vida, sempre tivemos, e vamos continuar tendo, transformações no corpo dos seres vivos, animais e plantas.

Pois bem, agora passamos por uma modificação profunda no modo de pensar, e a capacidade do cérebro humano é desafiada pela inteligência artificial (IA). As "minas", isto é, os bancos de dados gigantes, que consomem uma energia colossal, caminham para o armazenamento de todo o conhecimento humano e para uma imitação plena do pensamento lógico e do domínio da razão, sem que se possa prever o que farão no futuro. E já se está engatinhando por esse caminho. A humanidade ainda não consegue avaliar o risco de ser sufocada por esses imensos perigos.

Michelle demarca território, Flávio resiste; o pós-Bolsonaro já começou, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Pela primeira vez, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada pelo senador e pela ex-primeira-dama, foi travada em praça pública

O conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro extrapolou o terreno das relações familiares e se tornou um dos episódios mais reveladores das contradições no clã Bolsonaro nesta pré-campanha presidencial. Pela primeira vez, desde que Jair Bolsonaro escolheu o filho mais velho como sucessor, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada por ambos, foi travada em praça pública.

À primeira vista, Michelle parecia ter produzido um enorme desgaste para a candidatura de Flávio. Principal liderança feminina da direita e responsável pela interlocução do PL com o eleitorado evangélico, acusou o enteado de tê-la “desrespeitado”, “maltratado” e “humilhado”. Gravou um vídeo muito bem produzido e de cabeça pensada, com objetivo claro de ser contundente: “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”.

Em nome de que Michelle desafiou a autoridade de Bolsonaro? Por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

Vídeo foi planejado em detalhes, com cenário, roteiro e teleprompter

Ex-primeira-dama cita Valdemar Costa Neto e lideranças do PL Mulher como aliados

Michelle Bolsonaro publicou um vídeo explicando por que não apoiará Flávio. O que me interessa não é o que ela diz, mas o que ela faz a partir desse ato e as perguntas que isso levanta.

Michelle tomou essa atitude sem consultar ou pedir autorização ao marido? Porque ela não diz falar em nome de Jair e não faz sentido que ele ataque o filho. Seu primogênito é pré-candidato à Presidência da República escolhido por ele próprio. Não me lembro de outro gesto da ex-primeira-dama demonstrando essa autonomia contra o interesse familiar.

Qual é o objetivo, além de prejudicar as chances de Flávio na corrida presidencial, ao apresentá-lo e aos irmãos como pessoas que atacam uma mulher —a esposa do pai— tratando-a como ingênua nas palavras dela, para apoiar um inimigo político em nome do pragmatismo?

Um país que só existe hoje e até a esquina, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O analfabetismo caiu, mas pergunte a alguém quando se proclamou a República, em 1822 ou 1889

Pelo menos, há um livro que está vendendo aos milhões: o álbum de figurinhas da Copa

Faça um teste com qualquer pessoa das que lhe prestam serviços, em sua casa, no seu prédio ou na rua. Pergunte-lhe se sabe o que aconteceu no Brasil em 1964. Ou sobre qual veio primeiro, se a Segunda Guerra ou a Guerra do Paraguai. Ou em que ano foi proclamada a República, 1822 ou 1889. Não quero antecipar nada, mas temo que as respostas não sejam muito animadoras. Converso com muita gente, de todas as classes e categorias, e sinto nelas um distanciamento crescente entre as premências da vida real e um conhecimento básico do país. É como se, para elas, o Brasil só existisse hoje e até a esquina.

Na Copa da batata 100% mais cara, previsão é de inflação menor só na Olimpíada de 2028, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Banco Central tenta desfazer confusão e estima inflação na meta daqui a dois anos

Certos alimentos ficaram mais caros por choque climático, mas carestia extra não é geral

Batata, cenoura e tomate dobraram de preço desde o início do ano. A cebola ficou 64% mais cara. O feijão-carioca, 51%. A comida que se leva para casa aumentou em média 5,9% até junho, na medida do IPCA-15, do IBGE.

Em 12 meses, a inflação da comida está em 3,4%. Entre novembro de 2024 e maio de 2025, ficara perto de 8% ao ano, o que ajudou a derrubar a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva.

O aumento, pois, não é disseminado, embora seja carestia horrível de produtos de uso corriqueiro. Em abril de 2013, o tomate caríssimo virou meme, mas era símbolo de inflação de alimentos alta, de quase 16% ao ano, um tempero das tantas insatisfações com Dilma Rousseff.

Na prática a teoria colapsa, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ida de Gilmar Mendes ao Roda Viva mostra que lei não basta para produzir comportamento virtuoso

Prestígio do STF está se esvaindo e, se nada for feito, é questão de tempo até que venha um impeachment

A ala do STF contrária à criação de um código de ética para a corte tem razão ao afirmar que, em princípio, tal diploma não seria necessário, uma vez que regras de conduta para juízes já estão fixadas na Lei Orgânica da Magistratura, a Loman. A Loman, vale lembrar, é uma lei complementar, hierarquicamente superior a qualquer forma legal que um código de ética poderia assumir. Se a tese desse grupo de ministros é robusta na teoria, não é necessário mais do que rápida visita ao mundo real para constatar que, na prática, ela colapsa.

Talvez vitória de Lula seja, no final, boa para todos, por Marcos Augusto Gonçalves*

Folha de S. Paulo

Direita enfrenta dificuldades com candidatura catastrófica de Flávio Bolsonaro e demais opções

Petista tem problemas, mas é previsível e só tem mais uma disputa, depois cenário vai se reabrir

Os resultados da mais recente pesquisa Datafolha consolidaram o tombo que o candidato Flávio Bolsonaro levou de seu pangaré obscuro ao ser apanhado em flagrante a pedir dinheiro grosso ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar "Dark Horse", a cinebiografia de seu pai.

Por mais que se tente encarar as coisas com benevolência pelo lado do senador, sua situação piorou depois da conversa vazada com o dono do Master. A realidade é que Lula está dez pontos percentuais à frente na pesquisa estimulada. Na espontânea, em que os nomes dos presidenciáveis não são apresentados, Lula é citado por 30% e Flávio Bolsonaro, por 17%.

Tempos de Arraes - a revolução sem violência, por Antônio Fausto Nascimento*

O governo de Miguel Arraes de Alencar (1963/1964), em Pernambuco, ao lado de Seixas Dória, de Sergipe, foram os únicos a serem imediatamente depostos pelo golpe civil-militar de 1964. Governou o Estado por um ano, mesmo tempo em que ficou encarcerado na Ilha de Fernando de Noronha.

Ameaçado de nova prisão pela ditadura, teve de se exilar na Argélia, onde permaneceu por 14 anos, regressando ao Brasil com a Lei de Anistia de 1979. A partir das eleições gerais de 1982, foi eleito Deputado Federal por várias legislaturas e novamente governador por dois mandatos. O povo pernambucano lhe fez justiça, em seu retorno ás atividades políticas.

Poesia | Não te rendas, de Mário Benedetti

 

Música | Beth Carvalho - Ilha de Maré

 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

MEIs são o próximo alvo das ‘bondades’ de Lula

Por O Globo

Alívio a microempreendedor com dívidas se soma ao custo já intolerável do afã eleitoreiro do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encontra limites na distribuição de “bondades” de olho nos dividendos eleitorais. A próxima na lista promete ser o afago aos microempreendedores individuais (MEIs). O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, disse em entrevista ao GLOBO que o Planalto prepara um desdobramento do programa Desenrola para regularizar a situação dos MEIs endividados.

Cautela e caldo de galinha não farão mal a Lula nesta Copa, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A relação entre os presidentes da República e os títulos mundiais nas Copas do Mundo de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, revela muito sobre a história política do país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o senador Jaques Wagner (PT-BA), no Palácio da Alvorada, e combinou a imediata saída dele da liderança do governo no Senado. Foi a primeira conversa presencial entre ambos desde que o parlamentar foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master. O dia parece ter sido escolhido a dedo para aproveitar o lusco-fusco do jogo do Brasil com a Escócia, ontem. Se a conversa tivesse sido boa, os dois amigos teriam assistido à seleção brasileira em campo juntos. Ao contrário. Wagner deixou o Palácio da Alvorada e anunciou que sairá do cargo.

O eleitor que levou Wagner a deixar a liderança, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Antes do encontro com o senador, Lula tinha em suas mãos pesquisas que demonstravam a cobrança do eleitor independente pelo afastamento entre governo e Master

“Eu acho que não faz diferença ser tão próximo de Lula desde que não haja um abafamento do PT. A partir do momento em que o Lula colaborar com as investigações, tudo bem, mas se Lula tiver algum tipo de posicionamento de tentar diminuir, abafar, só por ser próximo dele, aí sim, ficaria feio”. Egressa de um grupo de pesquisa qualitativa, na sexta rodada de uma série do Instituto Democracia em Xeque, a eleitora foi ouvida no domingo passado.

O relatório com o resultado da rodada desta série de qualitativas com eleitores independentes entre 30 e 50 anos, ensino médio, renda de três a sete salários mínimos e recrutados nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, BH e Salvador, chegou ao gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início da tarde desta quarta-feira, antes de seu encontro com o líder do governo no Senado.

O caso Master e as entrelinhas de Gilmar, por Julia Duailibi

O Globo

Investigações já chegaram a tantos, que muito pouca gente quer que prossigam

A entrevista do ministro Gilmar Mendes ao “Roda viva”, da TV Cultura, revelou, nas entrelinhas, o que devemos esperar do escândalo envolvendo o Master. Depois de meses discutindo os tentáculos de Daniel Vorcaro, do Centrão ao Supremo, do candidato à Presidência pelo PL ao líder do governo no Senado, podemos nos preparar para chegar a lugar nenhum. O que não seria grande novidade. Das tragédias brasileiras, está esta de pularmos de escândalo em escândalo, com uma expectativa quase pueril de que “agora vai ser diferente”. A entrevista nos lembra que, quando o assunto envolve os donos do poder, melhor adotar a cautela.

Desculpas esfarrapadas, por Merval Pereira

O Globo

A desistência de continuar no cargo foi arrancada a fórceps, muitos trabalharam para convencê-lo a facilitar a vida do presidente.

Um líder de governo no Senado estar envolvido num escândalo de corrupção — como o senador petista Jaques Wagner no caso Master — já seria um problemaço para um governante que pretende ser reeleito pela quarta vez à Presidência da República. Seria demitido imediatamente, para livrar o presidente, no caso Lula, de problemas eleitorais na campanha. Mas Jaques Wagner, vê-se, não é um senador qualquer. Tem história no PT e na luta sindicalista com Lula. São amigos há 50 anos. Essa circunstância piora a situação de Lula, pois ele não tem condições emocionais para demitir o amigo, e o amigo não quer ajudá-lo a se safar dessa. Quer é se safar, por isso se abraça ao presidente como um afogado.

Brasil condenado injustamente, por Míriam Leitão

O Globo

Os negociadores brasileiros não têm muitas esperanças de reverter a decisão do governo americano de impor novas tarifas

Os negociadores brasileiros não têm muitas esperanças de reverter a decisão do governo americano de impor novas tarifas. A decisão final será no mês que vem e o país prepara as suas considerações finais. Um experimentado negociador me disse que este tem sido o mais difícil processo do qual já participou. Outro funcionário do governo brasileiro me explicou o seguinte: “É muito difícil evitar as tarifas porque há um claro desinteresse dos Estados Unidos em chegar a um acordo”. O presidente Donald Trump quer condenar o Brasil e não por motivos comerciais.

Donald Trump e as eleições presidenciais no Brasil, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Preferências eleitorais parecem organizar visão dos brasileiros sobre EUA

Diferenças desaparecem, porém, diante da pergunta sobre os limites aceitáveis da intervenção

O presidente Donald Trump afirmou na rede Truth Social, na terça-feira (23), que a votação no Brasil será seu próximo desafio. E se declarou —quem diria— preocupado com a integridade do sistema eleitoral do país e com a necessidade de que a disputa seja livre e justa. Para ele, assim será se o Brasil vier a "se juntar à crescente lista de nações que se movem à direita".

Não poderia ser mais explícito: joga a favor do candidato direitista. Como, por enquanto não se sabe. Mas desde já o mandatário americano se alinha à tática da família Bolsonaro de disparar suspeitas sobre o nosso sistema de votação e sobre as regras que asseguram condições necessárias à livre competição nas urnas.

A pressão política do Digimais, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Manobras de Vorcaro evidenciam dificuldade que o BC tem em decretar liquidação extrajudicial do Digimais

O banco de Edir Macedo tem caixa

As tentativas de Daniel Vorcaro de desliquidar o Master evidenciam a dificuldade que o Banco Central tem em decretar uma liquidação extrajudicial do Digimais.

O Digimais tem caixa.

O banco controlado pelo bispo Edir Macedo foi alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, que mirou diretores, conselheiros e empresas ligadas ao banco do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV, sob suspeita de crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios e realização de empréstimos proibidos por lei.

Corrupção geral e acordão não vão salvar esquerda de seus erros e crimes, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governismo acha que pode se sair bem por direita estar afundada na onda de bandalheira

Acordões têm substituído política do pega para matar, vigente desde 2016

A temporada de festas juninas está no auge. A diversão com a Copa está grande, com histórias de muitos países e jogadores para distrair a metade do país que se interessa pelo assunto. O time do Brasil ainda disputa a competição.

Em breve, parte do país entra em férias, pequena, é verdade, mas os povos do poder político entram em recesso em julho. A campanha eleitoral começa, na prática, em agosto.

Enfrentar escândalo é um perigo, cada vez menor, pois o país parece anestesiado pela recorrência ideologicamente ecumênica de bandalheiras. No entanto, o prejuízo tende a ser menor em momentos de distração ainda maior, como neste, de festa, Copa e férias.