quinta-feira, 19 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Copom tenta mitigar reflexos da guerra na inflação

Por O Globo

Diante de sinais ambíguos, autoridade monetária toma decisão menos conservadora do que seria possível

Ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) transmitiu ao mercado um sinal de cautela diante do cenário inflacionário incerto descortinado pela guerra no Oriente Médio. Diante dos sinais ambíguos dentro e fora do país, a autoridade monetária tomou uma decisão menos conservadora do que teria sido possível com a manutenção da taxa.

Governo enfrenta a serpente de 2018, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

“Quem move o país são os caminhoneiros”. A frase com a qual o ministro dos Transportes, Renan Filho, abriu o comunicado sobre as medidas adotadas para o cumprimento da tabela do frete rodoviário deu o tamanho da necessidade de o governo manter a ponte com os caminhoneiros, cuja ameaça de uma paralisação, como a de 2018, é a mais contudente da temporada de riscos que corre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquele ano, a paralisação de 11 dias atingiu de refinarias aos jogos do campeonato brasileiro. Houve suspensão de aulas em escolas e universidades e desabastecimento nos supermercados. O PIB perdeu mais de um ponto percentual, o Exército foi convocado para a desobstrução de estradas onde, do alto, se liam pedidos de intervenção militar. No ovo daquela serpente, estava em gestação o bolsonarismo.

Guerra expõe elo vulnerável do agro brasileiro, por Assis Moreira

Valor Econômico

Num mundo cada vez mais instável, a agricultura nacional depende em mais de 90% de fertilizantes importados

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e a retaliação iraniana na região, causam estragos também nos mercados globais de fertilizantes, elevando os preços e reduzindo a oferta em todo o setor agrícola mundial. Essa situação expõe um ponto crítico da agricultura brasileira.

Cerca de 25% a 30% das exportações mundiais de fertilizantes nitrogenados passam pelo estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irã. O estreito liga efetivamente os mercados de fertilizantes da Ásia, América Latina e Europa à temperatura geopolítica do golfo Pérsico, como nota o Rabobank.

Os juros no meio das turbulências, por Míriam Leitão

O Globo

Banco Central reduziu a Selic, mas de olho na guerra, que é inflacionária. O Tesouro recompra papéis para tranquilizar o mercado

Banco Central tinha um cenário quando escreveu a ata da reunião de janeiro. Nos últimos dias, esse cenário mudou. Isso levou à decisão de corte da Selic, em apenas 0,25 ponto percentual. A turbulência internacional tem um canal de transmissão direta para a economia. As empresas já estão refazendo seus cálculos sobre os custos diante dos novos preços dos combustíveis, principalmente diesel. A guerra de Donald Trump bateu na economia de forma rápida. Diante deste ambiente, o Copom cortou os juros, porque afinal eles estão muito altos, mas a redução foi em nível menor do que faria caso nada tivesse acontecido. A nova conjuntura forçou também o Tesouro a mudar a sua atuação no mercado de títulos públicos.

Cada um na sua, por Merval Pereira

O Globo

O escândalo do banco Master é uma ação suprapartidária, que move políticos de todos os quilates e partidos, mais uma vez para tentar estancar a sangria

Daniel Vorcaro é o único que pode esclarecer a barafunda em que se transformou o caso do Banco Master, maior escândalo financeiro do país até hoje, na definição do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Vorcaro, depois de um primeiro momento em que imaginou poder fazer uma delação premiada seletiva, já mandou dizer que está disposto a uma delação completa, sem poupar ninguém. Esse é o momento crucial dessas delações, em que o prisioneiro cai em si e constata estar diante de uma decisão definitiva: ou todos, ou nenhum. Tudo indica que ele tem condições de provar quem estava metido em seu esquema fraudulento.

‘Festinhas’ de banqueiro são de interesse público, por Julia Duailibi

O Globo

Eventuais fotos e vídeos de políticos no celular de Vorcaro podem ser a única prova da relação promíscua entre ele e o poder

Entre os mitos da política, está que a vida privada de autoridades não é de interesse público. Um equívoco que, muitas vezes, serve apenas para acobertar conchavos, tráfico de informação e subornos praticados e recebidos pelos senhores do poder. Negociações pouco republicanas não ocorrem à luz do dia, mas em ‘festinhas’ privadas, jantares com belas mulheres, bate-papo em jatinhos e, reza a lenda, até em sauna dentro de banco na Faria Lima — no caso, o Banco Master. Envolvem, com certa frequência, casos extraconjugais patrocinados por uma camaradagem interessada em arrancar um naco do Estado. É nesses momentos que nascem as negociatas em torno de projetos de lei, licitações e troca de favores — e é justamente por isso que são de interesse público.

Vorcaro e os fantasmas da República, por Malu Gaspar

O Globo

O espanto causado pela extensão dos tentáculos e da ousadia de Daniel Vorcaro e sua desfaçatez com o dinheiro alheio fizeram muita gente repetir uma pergunta que vem à tona toda vez que um grande escândalo se abate sobre Brasília, mais profundo que o de antes. Não aprendemos nada com o caso anterior?

Quando o petrolão começou, a pergunta era feita olhando para o mensalão. Agora, ela se aplica ao legado da Lava-Jato. A pergunta é simples, mas a resposta é complexa como qualquer transformação histórica e não cabe num único artigo.

Quando uma nação se perde da Justiça, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Quando uma sociedade não sabe mais apontar a direção justa para os seus conflitos internos, sua vida política se perde da própria finalidade

Não é uma instituição, não é um poder, não é uma autoridade. Antes de assumir essas formas, além de muitas outras – uma sentença, um trânsito em julgado, um resultado eleitoral, a lista seria extensa –, a justiça é uma ideia compartilhada por pessoas que se reconhecem partes de uma identidade comum, uma história comum, um futuro comum. Mas dizer isso é dizer pouco, já me apresso em alertar. É necessário que a ideia compartilhada de justiça tenha vínculo direto com aquilo que, num único ser humano, é intuitivo: o sentimento de justiça. Em resumo, é necessário que a ideia compartilhada de justiça, que é uma elaboração cultural coletiva, represente e traduza, com as devidas mediações, o sentimento intuitivo de cada pessoa. Sem isso, nada feito.

(Sei que o parágrafo anterior soou abstrato em demasia. Por isso, peço licença para aprofundar o ponto. Vai ficar mais abstrato ainda, mas talvez fique mais límpido também.)

Fachin e o julgamento de Vorcaro, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Os 50 minutos que separaram o início do julgamento sobre a prisão de Daniel Vorcaro do placar com maioria contra o banqueiro não foram casualidade. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atuou nos bastidores para que o resultado da votação fosse sacramentado logo.

O julgamento começou na sexta-feira, 13, no plenário virtual da Segunda Turma, e só termina amanhã. Mesmo com uma semana de prazo para votar, três dos quatro ministros aptos a se manifestar no colegiado fizeram isso em menos de uma hora, garantindo a maioria pela manutenção da prisão do banqueiro. Dias Toffoli se declarou impedido para julgar o caso.

Os militares e o espetáculo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Lula anda mesmo preocupado com as consequências do escândalo Master. A ponto de querer saber dos comandantes das Forças Armadas “qual é a opinião na tropa” em relação ao STF. A pergunta foi feita num recente encontro de fim de semana em Brasília ao qual compareceram também o PGR, o ministro Cristiano Zanin e o diretor-geral da PF.

Mendonça prorroga inquérito do Master e Vorcaro negocia delação premiada, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A intensificação de vazamentos e a mobilização de atores ainda não formalmente investigados indicam uma tentativa de redução de danos que pode ter efeito contrário

A decisão do ministro André Mendonça de prorrogar por 60 dias o inquérito sobre o Banco Master consolida o protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação, que extrapola o campo financeiro e alcança o coração do sistema político-institucional brasileiro. O caso já é um dos maiores escândalos recentes, tanto pelo volume estimado em mais de R$ 12 bilhões quanto pela complexidade das relações entre agentes públicos e privados.

Banco Master, oposição e governo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

É difícil sustentar que governo e oposição estejam igualmente envolvidos na falcatrua

A opinião pública crê que todos são responsáveis

"Assim é, se lhe parece", peça de Luigi Pirandello (1867-1936), foi encenada pela primeira vez em 1917. Nela, a misteriosa senhora Ponza, forçada pela população de uma pequena cidade a enfim revelar sua controversa identidade, declara ser " aquela que se crê que eu seja". Dessa forma, o dramaturgo italiano sustentava que não há uma verdade única e acessível, mas perspectivas diferentes e irreconciliáveis e que a tentativa de chegar a uma verdade absoluta sobre a realidade é sempre infrutífera.

Liquidante do Master precisa correr para impedir que dinheiro roubado vire pó, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Mesmo com Vorcaro na cadeia, há suspeitas de que obras de arte e imóveis relacionados a ele estão sendo vendidos

A pergunta ainda não respondida é: onde foram parar os mais de R$ 60 bilhões desviados do Master?

As tentativas em curso de desvios bilionários do patrimônio do Master para fundos e bens de luxo de Daniel Vorcaro não têm recebido a atenção e a velocidade necessárias para impedir que o dinheiro roubado no esquema piramidal de fraudes do banco desapareça ou vire pó.

Enquanto as investigações avançam para mostrar o envolvimento de políticos e autoridades na teia de Vorcaro, não se vê a mesma agilidade para a recuperação dos bens dos envolvidos que estavam em nomes de laranjas e já teriam sido identificados nos cruzamentos de informações dos fundos usados no esquema.

Corte de juro do BC vira ninharia diante do arrocho da guerra de Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Copom diminui Selic de 15% para 14,75%, mas problema agora está em outra parte

Guerra e petróleo, além de risco político, ameaçam ano que até começara mais animado

Banco Central baixou a Selic de 15% ao ano para 14,75% nesta quarta (18), como esperado. No texto em que comunicou a decisão, o BC não escreveu novidade notável. Todo mundo sabe da incerteza da guerra. O resto do diagnóstico é o lido em comunicados anteriores: expectativa de inflação alta, desaceleração lenta, mercado de trabalho quente, risco fiscal etc.

Corte de 0,25 já é nada. No meio do tumulto de guerra, menos do que nada. O problema está noutra parte, ora em Hormuz, amanhã na política. O arrocho financeiro aumenta, não importa o que faça o BC.

Um hino à vida, por Ricardo Marinho

Livro resenhado: PELICOT, Gisèle com PERRIGNON, Judith. Um hino à vida: A vergonha precisa mudar de lado. Tradução de Julia da Rosa Simões. Primeira Edição. São Paulo, Companhia das Letras: 2026. 239 págs.

Como já é tradição, as ruas do mundo em todo dia 8 de março reúnem um mar de cidadãs e cidadãos cujas vidas diversas se desenrolam em uníssono ao ritmo de uma marcha, suas vozes entoando slogans em comum. Entre elas, um rosto, infelizmente infame, se destacava nas ruas de Paris: o de Gisèle Pelicot. Depois que o acaso revelou, em 2022, que ela havia sofrido mais de 51 estupros durante uma década nas mãos de vários facínoras, orquestrados por seu marido, o rosto dessa septuagenária se tornou um ícone da luta das mulheres contra a violência.

Poesia | Se você me esquecer, de Pablo Neruda

 

Música | Beth Carvalho com Hamilton de Holanda - Água de chuva no mar

 

quarta-feira, 18 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Bolsonaro deveria ser transferido a prisão domiciliar

Por O Globo

Estado de saúde sensível justifica que ex-presidente seja mantido em casa, como pede sua defesa

Seria um gesto de sensatez e humanidade do Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro ao regime domiciliar de prisão. Internado em Brasília desde sexta-feira com pneumonia bacteriana, ele apresenta recuperação da função renal e melhora do quadro inflamatório, porém ainda sem previsão de alta. Não está em questão sua condenação por tentativa de golpe de Estado. A pena de mais de 27 anos mal começou a ser cumprida. Mas, dado seu quadro clínico sensível, Bolsonaro receberia mais atenção se pudesse ser transferido para casa, mediante uso permanente de tornozeleira — sem prejuízo de voltar à prisão caso desrespeite as medidas restritivas.

Haja 'química' para tanto pepino, por Vera Magalhães

O Globo

Encontro entre Lula e Trump, ainda sem data marcada, tem tanta casca de banana que desfecho favorável ao Brasil parece improvável

O encontro entre Donald Trump e Lula, anunciado, mas até agora não marcado nem confirmado, vai se configurando como evento de consequências imprevisíveis e ganho improvável para o Brasil, dadas as muitas possibilidades de cascas de bananas em que o presidente brasileiro pode tropeçar.

A primeira delas é, obviamente, a guerra deflagrada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, já na terceira semana, sem perspectiva de desfecho, com impacto brutal sobre o fluxo de petróleo global e, consequentemente, sobre os preços dos combustíveis e outros derivados.

A bancada da Papuda, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ao condenar dois deputados por desvio de emendas, Supremo avisou que "haverá outros"

No Brasil, os escândalos se sucedem com tanta velocidade que às vezes o novo trambique vem à tona antes que o anterior tenha sido elucidado.

Ontem o Supremo condenou dois deputados, um ex-deputado e outras cinco pessoas por corrupção passiva. Eles foram os primeiros réus a ser julgados por desvio de emendas do orçamento secreto.

Os parlamentares são Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, ambos do PL. De acordo com a Procuradoria-Geral da República, eles cobravam propina para destinar recursos a municípios maranhenses.

Se Vorcaro quiser falar, por Elio Gaspari

O Globo

Uma delação do ex-banqueiro precisa levar a mares nunca navegados

A substituição do advogado Pierpaolo Bottini por seu colega José Luis Oliveira Lima na defesa de Daniel Vorcaro sinalizou que o dono do falecido banco Master caminha para uma delação premiada. Antes de ser preso, Vorcaro usava sua memória como arma.

Tentando falar com o ministro Fernando Haddad, ele mandou um recado curto e grosso: “Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”. Haddad não o recebeu, e algo aconteceu com ele.

Os desafios de Durigan à frente da Fazenda, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Regulamentação dos supersalários segue como um dos principais tópicos de interlocução do futuro ministro com os Poderes

Praticamente certo como o ministro da Fazenda a partir da próxima semana, quando Fernando Haddad terá deixado o posto para entrar em campanha eleitoral, Dario Durigan não terá a vida fácil que caracteriza os períodos de final de governo. Não lhe bastará tocar de lado e esperar o fim da partida, como se diz no futebol. A guerra no Oriente Médio, a disputa eleitoral acirrada e os juros elevados que se refletem em pedidos de recuperação judicial de empresas antecipam um ano difícil.

Uma bomba de efeito retardado do caso Master, por Fernando Exman

Valor Econômico

Pesquisa “Brasil no espelho” mostra que a confiança interpessoal no Brasil é baixíssima

O caso Master armou uma bomba de efeito retardado para a economia, que vai além do já apurado impacto bilionário no sistema financeiro, mas cujo efeito ainda é difícil de precisar. Com ramificações em tantas instituições e nos três Poderes, a influência desse caso na confiança das pessoas no país só agora começa a ser sentido. O que não se pode desprezar, contudo, é a relação feita por especialistas entre a falta de confiança das pessoas (umas nas outras e nas instituições) e o nível de desenvolvimento econômico de um país.

Vorcaro ameaça atingir o PT em delação, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Rui Costa diz que preocupação com banqueiro é ‘zero’ e magistrados veem gincana contra STF

Há um clima de “delação do fim do mundo” na Praça dos Três Poderes. Para sair da prisão, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, já negocia uma colaboração premiada e, de acordo com informações que chegaram ao Palácio do Planalto, pretende puxar o PT e o governo Lula para o escândalo.

O suspense dos juros, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A disparada no preço do petróleo colocou os principais bancos centrais do mundo contra a parede

A disparada no preço do petróleo, com a guerra no Irã, colocou os principais bancos centrais do mundo contra a parede e deixou a decisão de hoje do Copom envolta em suspense. O plano original era iniciar um ciclo de afrouxamento monetário com redução de 0,50 ponto porcentual dos juros, mas, com o choque de oferta causado pelo conflito no Oriente Médio, a dúvida é se esse primeiro corte pode ser em ritmo menor, de 0,25 ponto, ou até mesmo se a taxa Selic pode ficar inalterada em 15%.

Crime ou esperteza? Por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

É mais fácil alienar o pobre, remediando sua pobreza, do que criar instituições para ajudá-lo a prosperar

Eis uma questão que requer um seguro ou, talvez, um envergonhado “depende”... Depende da pessoa, das circunstâncias, do lugar. Em geral, a esperteza engloba o crime, dissolvendo-o na moldura da malandragem e do “arrumar-se” como um modo consentido e “esperto” de “ficar rico”.

País se distraía em dias de pânico, juros maiores e economia sob mais risco, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Nas redes, Brasil se entretinha com torcidas e ódios; na finança, Tesouro teve de intervir com R$ 43 bi

Guerra de Trump deve conter ânimo do Banco Central de cortar juros, entre outros problemas

Nos últimos dias, parte grande ou ruidosa da opinião pública, a atenção virtual nacional, se entretinha com o Oscar ou também se dedicava a insultar ou a defender a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a física Márcia Barbosa. Parecia em paz o universo de Virginia Fonseca (54,7 milhões de seguidores no Instagram, um quarto da população do país). No mais, a bandalha nojenta do Master assoberbava o resto de atenção possível.

Nesses dias, como na sexta (13), houve pânico no mercado de títulos da dívida do governo brasileiro. É assunto enrolado. É difícil até discutir de modo racional o que são taxas de juros e o motivo de irem para lá ou para cá, que dirá os eventos de sexta.

Habermas: o filósofo das condições civilizadas do desacordo, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

A esfera pública sustenta a legitimidade das decisões democráticas

Em tempos de sectarismo, ele ainda ensina como discordar sem destruir a democracia

Quem, como eu, se formou em filosofia ou ciências humanas no último quartil do século passado teve o mundo povoado e profundamente marcado por professores nascidos nas primeiras três décadas do século 20: Gadamer, Lévi-Strauss, Popper, Ricoeur, Eco, Apel, Rawls, Habermas. Fora Popper, falecido ainda nos anos 1990, todos morreram neste século; o último, o filósofo alemão Jürgen Habermas, foi-se neste sábado (14), aos 96 anos. Era o último filósofo vivo do peculiar século 20, o das duas guerras mundiais, da ascensão e queda do fascismo e do totalitarismo socialista.

A história do pensamento de Habermas, registrada em uma obra monumental publicada ao longo de quase 65 anos de vida intelectual ativa, pode ser resumida de muitos modos. Eu a abordo como a história de um dos problemas-chave do regime democrático: como transformar a divergência, natural em toda forma social, em processo legítimo de formação da opinião e da vontade política comum em sociedades pluralistas.

Fábrica de feminicidas, por Cristovam Buarque

Correio Braziliense

O destino dos facínoras que cometem violência contra mulheres — desde mensagens impróprias até o feminicídio — deve ser a punição. Mas a sociedade precisa fazer a prevenção contra o feminicídio por meio da educação

O destino dos facínoras que cometem violência contra mulheres — desde mensagens impróprias até o feminicídio — deve ser a punição. Mas a sociedade precisa fazer a prevenção contra o feminicídio por meio da educação

Há 30 anos, quem visita o Distrito Federal surpreende-se com a civilidade dos motoristas que respeitam pedestres quando esses desejam atravessar a rua. O respeito à faixa de pedestre não foi construído pela engenharia de trânsito nem por leis que obrigassem essa postura: nasceu de uma campanha educativa. 

Pra não dizer que não falei de Habermas e a democracia na real, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Estamos acostumados a debater os problemas da economia, da segurança pública e da Justiça, porém, a questão central que emerge na conjuntura brasileira é a sua legitimação

Jürgen Habermas, que morreu no último sábado, aos 96 anos, foi o expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt. Doutor em filosofia pela Universidade de Bonn, professor em Heidelberg e Frankfurt, tornou-se referência mundial por duas ideias centrais: a da esfera pública e a da ação comunicativa. Por isso mesmo, o eixo de seu pensamento é político, no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, focado na ideia de que a democracia só se sustenta quando decisões de poder podem ser justificadas publicamente, em linguagem compreensível e sob regras minimamente compartilhadas.

Kassab aposta na rejeição e telhados de vidro de Lula e Flávio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Reformas nos três Poderes serão as ideias-força do escolhido para furar as bolhas dos dois favoritos

No cardápio, limite de mandato no STF, volta do teto de gastos e mudanças radicais na administração pública

A data precisa do anúncio de quem será o escolhido para tentar atrair o eleitorado hoje dividido entre Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), Gilberto Kassab (PSD) não diz. Fica naquilo que já se sabe: "Será até o fim do mês", repete, também na guarda do quase segredo de polichinelo de que a indicação recairá sobre o paranaense Ratinho Jr., cujo nome pode passar por um reposicionamento de marca.

Kassab indica a aliados que anunciará Ratinho Jr. como pré-candidato do PSD

Raphael Di Cunto / Folha de S. Paulo

Partido acelera candidatura para estruturar campanha e nacionalizar nome do escolhido

Eduardo Leite e Ronaldo Caiado seguem atuando para convencer a sigla a lançá-los

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinalizou a aliados que deve anunciar na próxima semana o nome do governador Ratinho Jr. como o pré-candidato à Presidência do partido. A informação foi confirmada por três integrantes da cúpula da legenda que o apontam como favorito para vencer a disputa interna. Ainda assim, eles evitam cravar a escolha pelo receio de que conversas finais mudem o desfecho.

A ideia da direção do partido e dos governadores é acelerar a divulgação do nome para que o escolhido possa estruturar sua campanha e se apresentar ao país, uma vez que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou seu nome de forma mais rápida do que era esperado na sigla.

Resolução do PT formaliza mudança de estratégia para 2026 e associa Flávio Bolsonaro à ameaça democrática

Por Ricardo Abreu, g1 e TV Globo 

Documento foi divulgado nesta terça-feira (17). Ele estabelece os eixos da campanha para a reeleição do presidente Lula e marca uma guinada na linha de ação do partido.

— BrasíliaA cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira (16) uma resolução política que oficializa a mudança de postura da legenda para o ciclo eleitoral de 2026.

O documento, aprovado pela Comissão Executiva Nacional, vai na contramão da cautela do Planalto, e coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como alvo opositor, classificando sua pré-candidatura como uma ameaça democrática e um projeto "autoritário e antipopular".

A ofensiva ocorre em um momento em que pesquisas internas e levantamentos recentes indicam um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro, o que acendeu o alerta entre integrantes da ala mais à esquerda do governo e dirigentes petistas.

Em resolução, PT deixa claro que há dois projetos distintos de nação em disputa

Comissão Executiva Nacional destaca que projeto de Lula enfrenta privilégios históricos; o outro lado quer preservar os interesses das elites

RESOLUÇÃO POLÍTICA DA COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT

16 de março de 2026

1. O Brasil se aproxima de um momento decisivo de sua história. As pesquisas de opinião indicam um cenário de polarização política no país, resultado direto da disputa entre dois projetos profundamente distintos de nação. Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para o desenvolvimento do Brasil, para a democracia e para o futuro do povo brasileiro. É, sobretudo, uma disputa entre um projeto que enfrenta privilégios históricos e outro que busca preservá-los.

2. Não temos dúvidas de que, quando esses projetos forem mais profundamente comparados com o debate público que uma campanha eleitoral permite, a maioria do povo brasileiro saberá qual lado representa seus interesses.

3. De um lado está o Brasil que respeita a ciência, que investe nas universidades públicas, fortalece o SUS, valoriza a cultura e entende que conhecimento, saúde e educação são pilares de um projeto de desenvolvimento soberano. É também o Brasil que reconhece as desigualdades produzidas pelo racismo estrutural e defende políticas afirmativas, como as cotas raciais, fundamentais para ampliar oportunidades, democratizar o acesso à educação e formar novas lideranças negras. Do outro lado está o Brasil do negacionismo, do racismo, que sabotou a compra de vacinas durante a pandemia, espalhou mentiras contra a ciência, extinguiu o Ministério da Cultura e atacou as universidades públicas, tratando o conhecimento como inimigo e criminalizando a arte e o pensamento crítico.

Fachin afirma que democracia exige "vigilância constante"

Vanilson Oliveira / Correio Braziliense 

Presidente do STF destaca que direitos não são permanentes e dependem da solidez institucional

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (17/3) que a preservação da democracia depende diretamente do fortalecimento das instituições e da vigilância contínua da sociedade. A declaração foi dada durante sessão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que acontece na sede do STF, em Brasília.

O ministro ressaltou que a democracia não é um processo consolidado de forma definitiva. “A democracia exige vigilância constante”, afirmou. Fachin também destacou que a solidez institucional é condição essencial para a garantia de direitos. Segundo ele, não há como assegurar liberdades fundamentais sem estruturas independentes e comprometidas com a Constituição. “Não há direitos fundamentais que subsistam sem instituições sólidas”, completou.

Durante a fala, o presidente do STF reforçou que os direitos conquistados ao longo da história não são permanentes e podem sofrer retrocessos caso não haja comprometimento coletivo com sua preservação. Para ele, a atuação das instituições deve estar alinhada à defesa do regime democrático. “A democracia vicejará desde que, como bons jardineiros, saibamos regá-la. E perecerá se falharmos”, afirmou.

O ministro também apontou que a participação da sociedade é parte indispensável desse processo. Na avaliação de Fachin, a democracia não se sustenta apenas por normas formais, mas exige envolvimento ativo da população na defesa de seus princípios.

Ao fim, o magistrado reforçou que a democracia é um processo em constante construção e que sua preservação depende da responsabilidade institucional e do compromisso coletivo com os valores democráticos.

Poesia | Poética, de Manuel Bandeira

 

Música | Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Som de prata

 

terça-feira, 17 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Robôs de IA violam leis de direitos autorais

Por O Globo

De sete chatbots testados, Grok foi o mais contumaz no desrespeito a produtores de conteúdo jornalístico

O Grok, robô de inteligência artificial da xAI, de Elon Musk, violou de forma contumaz os direitos autorais de conteúdos jornalísticos em teste realizado pela reportagem do GLOBO. O teste foi aplicado com a versão gratuita de sete chatbots diferentes — além do Grok, ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google), Claude (Anthropic), Perplexity, DeepSeek e MetaAI. Os sete foram submetidos a indagações sobre conteúdo restrito a assinantes dos jornais O GLOBO, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora. Em todos os casos, o Grok entregou o texto completo escrito por colunistas, sem alterações. Em apenas um outro caso o DeepSeek reproduziu uma coluna literalmente, enquanto nos demais os robôs em geral ofereceram resumos detalhados, muitas vezes com paráfrases pouco diferentes do original. Apenas Perplexity e Claude informaram que o acesso às colunas era restrito aos assinantes ou estava bloqueado por barreira (paywall), procurando resumir fatos a partir de conteúdos abertos. A ferramenta da Meta alegou impossibilidade técnica para obter o conteúdo.

Habermas e a Reconstrução ética da economia, por Giovanni Beviláqua*

Correio Braziliense

Sob essa perspectiva, os pequenos negócios não são meras unidades estatísticas ou engrenagens de baixa produtividade; eles são, em essência, os últimos redutos do Mundo da Vida na economia.

A partida de Jürgen Habermas, em 14 de março de 2025, aos 96 anos, não representa apenas o fim da trajetória de um dos últimos gigantes da filosofia do século XX, mas marca o momento em que sua obra deixa de ser uma promessa teórica para se tornar uma necessidade prática urgente. Em um mundo fragmentado por crises de alteridade e pela tecnocracia asfixiante, Habermas nos legou a bússola da racionalidade comunicativa, uma ferramenta indispensável para quem busca repensar a economia a partir de sua base: os pequenos negócios e o desenvolvimento territorial.

O núcleo da provocação habermasiana reside na tensão dialética entre o "Sistema" e o "Mundo da Vida". Para o pensador, o Sistema — composto pelo mercado e pelo Estado — opera sob uma lógica instrumental, centrada na eficácia, no lucro e no poder. Já o Mundo da vida é o espaço da cultura, da identidade e da solidariedade, onde a linguagem serve ao entendimento e não apenas ao resultado. O grande drama da modernidade, segundo ele, é a "colonização do mundo da vida", um processo patológico onde a frieza dos números e a burocracia tentam silenciar as relações humanas espontâneas e os valores compartilhados.

Habermas e a imprensa, por Merval Pereira

O Globo

Habermas definia como dupla função do que chamava de “imprensa de qualidade” atender à demanda por informação e formação

Esfera pública é um conceito difundido pelo filósofo alemão Jürgen Habermas (falecido no sábado aos 96 anos). Define o espaço em que os assuntos públicos são discutidos pelos atores, públicos e privados, levando à formação da opinião pública, que reflete os anseios da sociedade civil, pressionando os governos. Esse conceito é fundamental para compreendermos o papel do jornalismo, que Habermas entendia como mediação entre Estado e sociedade civil. Ele definia como dupla função do que chamava de “imprensa de qualidade” atender à demanda por informação e formação.