Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sexta-feira, 27 de março de 2026
quinta-feira, 26 de março de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Sucessor de Castro deveria ser escolhido em eleição direta
Por O Globo
Juristas afirmam que manobra de renunciar
antes da cassação pelo TSE torna inadequada escolha pela Alerj
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou inelegível o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) trouxe incerteza sobre a escolha do novo chefe do Executivo. Temendo a cassação, Castro renunciou ao cargo na véspera do julgamento. Em caso de renúncia, a Constituição estadual determina que o governador interino — o desembargador Ricardo Couto — convoque eleição indireta para os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) escolherem o novo ocupante do Palácio Guanabara. Mas, diante da evidente manobra de Castro, renunciando ao cargo para evitar a cassação, juristas ouvidos pelo GLOBO afirmaram que a eleição deveria ser direta, já que essa é a regra quando um governador é deposto antes de seis meses do fim do mandato. O TSE, porém, reafirmou ontem a decisão pela eleição indireta.
Derradeiro golpe, por Merval Pereira
O Globo
Castro demonstrou má-fé nesse derradeiro
gesto de governo, para tentar, com uma votação indireta para o governo do
estado, eleger um correligionário na Alerj que o ajudaria na campanha a
senador.
A tentativa do ex-governador do Rio Cláudio Castro de escapar da punição renunciando um dia antes da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a cassação de seu mandato se parece em tudo, menos no resultado, com a do ex-presidente Collor, que, apesar de ter renunciado, foi cassado pelo Congresso Nacional. O então presidente, no entanto, tinha um vice-presidente que assumiu o posto e, no caso do Rio de Janeiro, houve tripla vacância, pois o vice-governador e o presidente da Alerj não estão em condições de assumir por questões legais.
O sistema contra as CPIs, por Malu Gaspar
O Globo
O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar hoje a liminar do ministro André Mendonça que autoriza a prorrogação da CPI do INSS. Pelo prazo original, ela deveria terminar no sábado, dia 28, mas seus integrantes aprovaram a extensão dos trabalhos. Pela regra do Congresso, deveria ser suficiente para ela durar um pouco mais. Só que, para ter efeito, o requerimento tem de ser lido por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado Federal, numa sessão conjunta do Congresso. Sem esse rito, a CPI acaba. Em sua decisão, Mendonça deu 48 horas para Alcolumbre ler o tal requerimento e deixar a comissão prosseguir. Ele ignorou solenemente.
Master é dilema que ronda Gonet, por Julia Duailibi
O Globo
A Procuradoria-Geral da República é a titular
da ação penal e tem o poder de denunciar o delator à Justiça
Um fantasma ronda o gabinete do
procurador-geral da República, e ele atende pelo nome de Augusto Aras. O caso
Master atropelou o atual PGR, Paulo Gonet, impondo-lhe um dilema que leva aos
tempos do antecessor: tocar para valer a delação de Daniel Vorcaro ou colocar
freios na investigação.
Uma proposta de delação é confeccionada dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na mesma sala que há pouco teve Jair Bolsonaro como inquilino e que agora serve de prisão ao ex-banqueiro. Ele se reúne lá, diariamente, com um time de advogados para organizar informações, colocá-las no papel e dividi-las em partes que poderão ser futuros anexos de uma colaboração. É um trabalho que deve durar mais três semanas e que, ao final, resultará numa proposta formal de delação, a ser apresentada aos delegados da PF e aos procuradores liderados pelo dono do dilema, Paulo Gonet.
A guinada no caso Master, por Míriam Leitão
O Globo
Banco Central e Polícia Federal foram
atacados por cumprir seu papel no caso Master. Agora os rumos da investigação
foram corrigidos
No final do ano passado, o Banco Central estava sob ataque do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União. O ministro Dias Toffoli, do STF, tinha convocado uma estranha “acareação” do diretor do BC com os investigados. O ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, falava em desfazer a liquidação do Banco Master. Em meados de janeiro, a Polícia Federal sofreu tentativa de interferência na investigação por parte do ministro Dias Toffoli. Neste fim de março, a situação é outra. O ministro relator no STF não é mais Dias Toffoli e sim André Mendonça. No TCU, os técnicos mostraram que o ministro Jhonatan estava errado. O fraudador Daniel Vorcaro está preso e negocia uma colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da União.
Poder americano com o gosto da derrota, por José Serra
O Estado de S. Paulo
Mesmo que vença, Trump já perdeu no que realmente queria: demonstrar que o poder americano segue absoluto
A história presenciou governos de diversos grandes líderes, aqueles que conseguiam absorver o sentimento da população, organizar os setores produtivos, articular a máquina pública no diálogo com todos os interesses e posicionar o País frente ao mundo. Em outros casos, no entanto, convicções particulares, voluntarismo e desapreço à opinião de segmentos da população deram a tônica de governos em que o jogo próprio da democracia ficou em posição subordinada. Mas o mais complexo é quando o poder do líder é entendido, por ele, como irrestrito, seja no militar, seja no econômico.
A União, os Estados e a guerra, por Felipe Salto
O Estado de S. Paulo
Somente uma estrutura capaz de colocar à mesa os Poderes da República e as três esferas da Federação poderia auxiliar na difícil tarefa de conciliar os diferentes interesses
Não é novo o debate sobre os efeitos do petróleo no bolso dos consumidores e nos custos das empresas. Os combustíveis têm seus preços administrados, isto é, não funcionam na lógica de oferta e demanda simplesmente. A política da Petrobras, a organização das distribuidoras e o mercado dos postos são fatores centrais. Os efeitos da guerra no Irã sobre os preços podem ser drásticos. Espera-se, do poder público, racionalidade na atuação, tendo em vista as restrições fiscais.
A delação de Vorcaro e o timing no STF, por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Supremo prefere acordo do dono do Master no primeiro semestre para evitar embolar com eleição
Ministros do Supremo Tribunal Federal preferem que o acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro seja selado até junho, para diminuir a chance de interferência no processo eleitoral. Com pré-candidaturas delineadas, as campanhas têm início oficial programado para 16 de agosto.
A expectativa é de que os depoimentos e provas apresentadas pelo dono do Banco Master atinjam boa parte da classe política e jurídica.
Eleições e estabilidade, por William Waack
O Estado de S. Paulo
Esta coluna prossegue o argumento de texto anterior sobre o quadro estável das eleições (“As dificuldades de Lula para se reeleger não são apenas momentâneas”, há 15 dias). No qual o viés de baixa para Lula permanece, assim como um persistente fenômeno.
As pesquisas indicam um amplo desejo por uma candidatura que fuja ao eixo Lula-Bolsonaro, mas até aqui não há nomes com pontuação expressiva. O descontentamento com “tudo o que está aí”, em tese, favoreceria uma eventual combustão espontânea via redes sociais – ou seja, o aparecimento de uma alternativa. Por ora, ela se faz esperar.
Eduardo Leite tenta viabilizar candidatura de fora para dentro do PSD, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O governador gaúcho adota um discurso crítico
em relação à polarização. Afirma que pretende apontar inconsistências nos
legados de Lula e Bolsonaro
O governador gaúcho Eduardo Leite intensificou sua interlocução com setores da sociedade, como o movimento Livres da Polarização, encabeçado pelo sociólogo Augusto de Franco, que articula um manifesto em seu apoio, e na mídia, com o objetivo de viabilizar sua candidatura à Presidência no PSD de fora para dentro. Corre contra o relógio, para aproveitar um momento de inflexão da disputa presidencial, em que as pesquisas revelam uma mudança qualitativa no equilíbrio entre governo e oposição.
A Polarização Afetiva asfixia o Centro, por César Felício
Valor Econômico
Crescimento dos extremismos, contudo, não
significa que a eleição presidencial deste ano está resolvida
É bastante provável que o Brasil fique sem
candidatos a presidente da República do espectro de centro pela primeira vez
desde o início da história das eleições democráticas, o que inclui a Nova
República (1985-) e o período entre 1945 e 1964.
Não se trata da ausência de candidatos competitivos, mas da ausência pura e simples de candidatos com este perfil, caso o governador Eduardo Leite (PSD) seja de fato alijado do processo, como tudo indica que será.
O choque do petróleo vai passar, a incerteza, não, por Eduardo Belo
Valor Econômico
Brasil vai enfrentar encarecimento da produção agrícola, pressão inflacionária e dificuldades para ajustar a política monetária
Se o pós-tarifaço já havia reconfigurado as
bases do comércio internacional, o mundo que emerge após o ataque de Estados
Unidos e Israel ao Irã inaugura mais uma era de instabilidade nas relações
globais. Desta vez, a incerteza brota do custo da energia derivada de
combustíveis fósseis. E não vai se dissipar facilmente.
Independentemente de quando e como a guerra termine, o estrago está feito.
Não se deve subestimar o perigo à democracia, por Martin Wolf
Financial Times / Valor Econômico
EUA de Donald Trump são um líder mundial em
declínio democrático
A democracia corre grave perigo, em todo o
mundo. Essa é a mensagem de dois conceituados relatórios recentes - um da
V-Dem, da Suécia, intitulado, “Desmonte da Era Democrática?”, o outro da
Freedom House, dos Estados Unidos, intitulado “A Crescente Sombra da
Autocracia”. Eles apresentam dois argumentos fundamentais. O primeiro é que
fenômeno chamado por Larry Diamond, de Stanford, de “recessão democrática”,
iniciado há 20 anos, começa perigosamente a parecer-se mais a uma depressão
democrática. O outro é que, em 2025, o governo Trump iniciou o que se revelou o
declínio mais rápido na saúde de qualquer grande democracia nos últimos tempos.
De acordo com a Freedom House, “a liberdade global diminuiu pelo 20º ano consecutivo em 2025”. “Um total de 54 países passou por uma deterioração em seus direitos políticos e liberdades civis, enquanto só 35 registraram melhoras”. A V-Dem mensura esse declínio não apenas pelo número de países afetados, mas também pelo número de pessoas. Conclui que entre 2005 e 2025, a proporção da população mundial vivendo em autocracias aumentou de 50% para 74%, enquanto a que vive em verdadeiras democracias liberais, onde se oferece um leque completo de direitos civis e legais, além de eleições, desabou de 17% para apenas 7%.
Os Estados Unidos sob ameaça autoritária, por Maria Hermínia Tavares
Folha de S. Paulo
Projeto no Congresso visa assegurar vitória
do trumpismo nas eleições
Para os populistas, democracia eleitoral é
apenas via para chegar ao poder
Os americanos já não vivem numa democracia liberal: eis a conclusão do instituto sueco V-Dem, que monitora e classifica as democracias do mundo segundo a saúde de suas instituições. A organização mede periodicamente como os países efetivam os princípios constitutivos do ideal democrático: eleições livres; garantia das liberdades fundamentais; participação cidadã; processos decisórios com efetiva deliberação; e igualdade política plena.
Flávio Bolsonaro moderado é conversa mole para boi dormir, por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Imagem de moderação interessa a setores da
direita liberal inclinados a sacrificar a democracia em troca de gestão
privatista da economia
Candidato terá que responder sobre seu
reacionarismo e encrencas pregressas
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à
Presidência pelo PL, anda vendendo uma imagem
de moderado. Não vai colar. Para citar a velha canção "Touradas em
Madri", isso é conversa mole para boi dormir. Estamos falando do filho 01
de Jair
Bolsonaro, o líder da extrema direita brasileira, condenado e preso por
tentativa de golpe e atentado à democracia e ao Estado de Direito.
A coreografia de moderado tem certo interesse. Atrai, por exemplo, simpatias da direita liberal, viúva da sempre chorada terceira via, que rejeita Lula e o PT, e tem histórico de se inclinar por projetos autoritários, na expectativa de que adotem uma linha privatista na economia. O caso mais recente foi o apoio ao próprio Jair Bolsonaro.
Legado de Cláudio Castro é chacina e corrupção, por Thiago Amparo
Folha de S. Paulo
Seu governo foi o binômio dinheiro vivo, de
um lado, e gente morta, de outro
Sem fortalecer instituições, estado está
fadado a repetir outros Castros
Com a maioria formada no Tribunal Superior Eleitoral para condenar à inelegibilidade o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), na noite desta terça-feira (24) —não graças aos dois ministros indicados por Bolsonaro, também do partido de Castro—, é oportuno fazer um balanço de sua gestão. Duas palavras sintetizam o governo castrista: chacina e corrupção.
Endividamento das famílias virou risco eleitoral, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Reunião de Lula com Galípolo revela pressão
em alta para juros caírem
Endividamento é turbinado por taxas
elevadíssimas do cartão de crédito, que não são muito diferentes daquelas
praticadas quando a Selic estava em 2%
No último ano do seu 3º mandato, o
presidente Lula decidiu
fazer uma cruzada contra o endividamento
recorde das famílias brasileiras porque recebeu o diagnóstico de que
as conquistas mais importantes do seu governo na área econômica, como a inflação em
queda, o crescimento econômico e a queda
recorde no desemprego, não estão sendo sentidas pela população.
A razão é o mal-estar causado pelo peso das dívidas no orçamento familiar. A queda de popularidade do presidente seria resultado da equação perversa do endividamento elevado com o escândalo do Master.
Reag, Master, BRB, Fictor: tem mais máfia no mercado? Como isso foi possível? Por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Com nova operação da PF, é razoável suspeitar
que possa existir mais gangues na finança
Regulação e fiscalização fracas e corruptos
fortes facilitaram a ramificação do crime
Reag, Master, BRB,
Fictor. Gente
do comando do grupo Fictor é investigada por ter contatos com um
Thiago de Azevedo, vulgo "Ralado", que tinha negócios com o
"Bonde do Magrelo", braço do Comando
Vermelho no interior de São Paulo. "Ralado" corrompia gente
de bancos, conseguia empréstimos para empresas de fachada e, então, quebrava ou
fechava as fachadas e sumia com o dinheiro. Um pequeno Master.
Há mais bancos, fundos e operadores financeiros de outra espécie que estejam prestando serviços para o crime ou que sejam eles mesmos máfias, como o Master?
quarta-feira, 25 de março de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Pacote de alívio pela guerra tem de zelar por contas públicas
Por O Globo
Aumento de arrecadação resultante da alta do
petróleo pode acomodar auxílio, mas governo não deve relaxar
A guerra no Oriente Médio segue contagiando a economia global, e governos têm se movimentado para mitigar efeitos da alta do petróleo. No Brasil, o diesel fechou a semana passada 19,4% mais caro que antes do início do conflito. As restrições de oferta preocupam o agronegócio. Produtores de arroz no Sul correm para terminar a safra. No Sudeste, canavieiros temem que falte combustível para as colheitadeiras. No Centro-Oeste, a soja foi recém-colhida, e as atenções estão no escoamento da produção. Preocupa que os planos para aliviar os setores afetados sejam mais benevolentes que o necessário em razão do ano eleitoral. Em que pese a gravidade do momento, é crucial lembrar as limitações fiscais.
Master cria República do ‘cada um por si’, por Vera Magalhães
O Globo
Para onde quer que se olhe, tem alguém
inovando em causa própria ou para impingir derrota a um desafeto
A alta dose de imprevisibilidade do caso
Master cria uma nova fase da República brasileira, em que as instituições e,
dentro delas, seus principais atores fazem um jogo do “cada um por si” em busca
de reduzir danos e fustigar adversários. Nesse ambiente, alinhamentos
históricos se tornam frágeis, decisões circunstanciais expõem contradições com
outras recentes, e a estabilidade e a confiabilidade são sacrificadas na bacia
das almas da sobrevivência política.
Para onde quer que se olhe, tem alguém inovando em causa própria ou para impingir uma derrota a algum desafeto. De ministros do Supremo à cúpula do Congresso, passando amplamente por expoentes do governo e da oposição, todo mundo age pautado pela percepção da opinião pública ao escândalo, e não pelo papel que o ordenamento legal e institucional dita.
As prebendas dos magistrados, por Elio Gaspari
O Globo
Com a palavra, o príncipe de Salinas,
aristocrata siciliano, personagem de “O Leopardo”, genial romance de Giuseppe
Tomasi di Lampedusa: "Tudo isso não deveria poder durar; mas vai durar,
sempre; o sempre humano, é claro, um século, dois séculos...; e depois será
diferente, porém pior."
Em 2026, sabe-se que seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal receberam da Viúva valores superiores ao teto (o salário deles, R$ 46.366,19). São os conhecidos penduricalhos, todos legais.
Ratinho pulou do navio, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Próximo da fila do PSD, Caiado não tem nada a
perder além de mais uma eleição
Ratinho, o Júnior, foi o primeiro a abandonar
o navio. O governador do Paraná anunciou que não é mais candidato a presidente.
Vai ficar no cargo até o fim do mandato.
O herdeiro do animador de TV se apresentava como candidato da “direita democrática”. Ensaiou um discurso moderado, mas prometeu militarizar escolas e indultar os golpistas, a começar por Jair Bolsonaro.
Caiado ou Eduardo, a escolha de Sofia de Kassab para candidato do PSD, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O líder do PSD vive um drama
político. Argumenta que o processo de escolha fortaleceu o partido, mas mal
consegue disfarçar a frustração com a desistência de Ratinho Júnior
Com a surpreendente desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de se candidatar à Presidência da República, o ex-prefeito Gilberto Kassab está diante de uma escolha de Sofia: tem dois nomes para substituí-lo, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande Sul, Eduardo Leite, e precisa indicar um deles para concorrer à Presidência. No jargão político, a expressão é usada para descrever situações muito difíceis, em que qualquer decisão representa uma grande perda, como no romance A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice, em inglês), de William Styron, publicado em 1979.
‘Paredão de Kassab’ terá que sobreviver ao teste das bancadas, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Linha de corte para uma candidatura presidencial, dizem bons fazedores de contas eleitorais, é 10% dos votos
A aposta de que o “Paredão de Kassab”, como já é chamado o processo de depuração da candidatura presidencial do PSD, finde na candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, vale pouco hoje. Para um partido vocacionado a fazer bancadas legislativas e acessar os recursos de poder delas decorrentes, a linha de corte para uma candidatura presidencial, dizem bons fazedores de contas eleitorais, é 10% dos votos. Com menos do que isso, uma candidatura presidencial própria não “puxa” bancada.
A tentação de misturar guerra com eleições, por Lu Aiko Otta
Valor Econômico
Desejo de aproveitar a onda do conflito para robustecer as bandeiras de campanha será grande
“Um mundo instável exige um governo estável” é o novo mantra que se ouve na área econômica diante das incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio. Medidas têm sido tomadas, mas sem afobação, diz uma fonte. A ordem nos bastidores é administrar as reações com base em monitoramento e diagnóstico, a cada dia.
Assim foram decididas as medidas anunciadas há duas semanas: redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel, subvenção de R$ 0,32 por litro, reajuste da tabela dos fretes rodoviários, aperto na fiscalização sobre as distribuidoras e transportadoras. Em contrapartida, instituiu-se uma taxação sobre as exportações de petróleo e diesel - que pode ser judicializada.
Risco de novo desgaste com trabalhador de aplicativo ‘está a caminho’, por Fernando Exman
Valor Econômico
No Palácio do Planalto, a missão é formatar medidas que possam ser consideradas “estruturais” por motoristas e entregadores
O humor dos trabalhadores por aplicativo é uma preocupação de integrantes da equipe econômica quando são analisados os potenciais efeitos no Brasil da guerra no Oriente Médio. O governo tem atuado para combater práticas abusivas na venda de gasolina e anunciar medidas para eles, mas a avaliação é que não se pode desprezar a potencial insatisfação de uma categoria já, em geral, refratária à administração Lula.
Neste momento, isso não é algo que reverbera no Palácio do Planalto. Por lá, dizem fontes, a missão é formatar medidas que possam ser consideradas “estruturais” por motoristas e entregadores. Para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, o alento é que pelo menos uma ala do Executivo já esteja vislumbrando esse risco neste período pré-eleitoral.
Tarcísio e a farra dos coronéis, por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Em dezembro, a PM de São Paulo mandou ao governador Tarcísio de Freitas um plano curioso: aumentar de 64 para 94 o número de coronéis sem criar uma única vaga de cabo ou de soldado – o plano inicial do secretário Guilherme Derrite era ter 50 novos chefes sem demonstrar a necessidade operacional da medida.
Pior do que aumentar os caciques era a consequência do plano. Soldados, cabos e sargentos são os policiais que estão nas ruas. Com os novos coronéis, uma companhia de praças seria retirada do patrulhamento para servir aos chefes como motoristas, seguranças e ajudantes. O projeto da farra ficou parado três meses no Palácio dos Bandeirantes. Na sexta-feira, Tarcísio o mandou à Assembleia. Agora, não são mais 30 novos coronéis, mas “só” dez. Cada um terá direito a dois carros novos e a seis policiais para ajudá-los.
Um estranho no ninho, por Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
O Banco Central brasileiro destoou do tom de
preocupação de outros BCs com os efeitos da guerra
Os investidores correram para refazer suas apostas para a trajetória de juros nas maiores economias do mundo depois que os bancos centrais deixaram um recado mais duro do que o esperado sobre os riscos para a inflação com a alta nos preços dos combustíveis, em razão do conflito no Oriente Médio. Mas um deles destoou desse tom de preocupação: o BC brasileiro.
É verdade que a decisão do Copom, iniciando o ciclo de corte de juros com redução mais suave da taxa Selic, de 15% para 14,75%, veio em linha com a projeção do mercado. É verdade também que o Copom admitiu que os riscos para a inflação se intensificaram após o início da guerra no Irã. E ainda reafirmou a postura de “serenidade e cautela”.
Master, diesel, IR e pesquisa, por Vinicius Torres Freire
Por Folha de S. Paulo
Guerra e efeitos sobre combustíveis até agora
preocupam parte pequena do eleitorado
Isenção do IR e medidas sociais não ajudam a
melhorar imagem e votação de Lula
A cúpula do governo Lula e militantes estão desnorteados com o resultado desanimador das pesquisas de voto e de opinião sobre o desempenho do presidente. A depender do levantamento, entre 45% e 55% do eleitorado diz que de modo algum votaria em Lula 4 —a variação é grande, pois perguntas e metodologias diferem. Os pacotes socioeconômicos não fazem efeito positivo. Agora, o governo teme até que Jair Bolsonaro morra antes da eleição.
Bolsonaro em casa enfraquece discurso de Flávio, por Igor Gielow
Folha de S. Paulo
Imagem do ex-presidente como mártir de
perseguição política é pilar da herança do pai ao filho
Por outro lado, é mais difícil fiscalizar
eventuais articulações políticas do ex-presidente em casa
A volta de Jair
Bolsonaro para casa, na condição de condenado
a 27 anos por tentativa de golpe, não é exatamente uma boa notícia para o
seu filho Flávio, ungido pelo ex-presidente para disputar a eleição
presidencial deste ano pelo PL.
Ainda que inicialmente por 90 dias, uma espécie de "test drive" acerca das intenções do ex-presidente, ela projeta o enfraquecimento do discurso do senador pelo Rio caso seja estendida.
Esbarrões no Master contaram para Ratinho Jr. Desistir, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Governador do Paraná vinha há algum tempo
manifestando dúvidas quanto à candidatura presidencial
Caiado é visto no PSD como mais combativo e
menos ligado a questões locais que o gaúcho Eduardo Leite
Ratinho Júnior seria mesmo o escolhido
do PSD para
concorrer à Presidência, mas injunções regionais, familiares e até possíveis
esbarrões no caso Master fizeram-no
desistir. Seguindo o ditado, melhor prevenir do que remediar.
Uma candidatura adversária às de hoje favoritas e já cercada de desconfianças quanto às chances de êxito afundaria se os citados senões se transformassem em obstáculos intransponíveis. A substituição no curso do processo seria mais complicada.
O paradoxo da moderação, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Com desistência de Ratinho Jr., terceira via
fica quase definitivamente afastada
Zema e Caiado são bolsonaristas demais para
posar de alternativa à polarização
Com excesso de boa vontade, ainda daria para
classificar as candidaturas presidenciais de Ratinho Jr.
e Eduardo
Leite como uma terceira via, se entendermos esse termo como uma
corrente política não automaticamente alinhada nem ao lulismo nem ao
bolsonarismo.
Os outros dois principais pretendentes ao título de candidato da terceira via, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, estão identificados demais com o ex-presidente e atual presidiário, que não deve em hipótese nenhuma ser confundido com o ex-presidiário e atual presidente.
Pitacos sobre a circunstância, por Gilvan Cavalcanti
Nos tempos modernos, Marx, relembrava que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Parece-me que parte de nossos, jornalistas, professores, cientistas políticos, dirigentes de partidos políticos e parlamentares, que buscam interpretar a realidade política, em nosso país, não levam muito em conta essas observações.
Optaram por uma visão dicotômica, entre um chamado “governo de esquerda”, o “lulismo”, o “lulapetismo”, versos bolsonaristas, extremismo de esquerda versus extremismo de direita. Sugerem o fim dessa “polarização”. Como? Uma chamada “terceira via”? Nem lulismo, nem bolsonarismo? Nem extremismo de esquerda, nem extremismo de direita?
terça-feira, 24 de março de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Aposentadoria especial é distorção sem cabimento
Por O Globo
Quatro em cada dez aposentados brasileiros
saem da ativa antes da idade mínima válida para os demais
Uma das principais distorções da Previdência no Brasil é a concessão de aposentadoria a grupos específicos antes do prazo em vigor para todos os demais. É o caso de benefícios concedidos a trabalhadores rurais, professores e profissionais expostos a agentes nocivos. Eles respondem por 38,7% das aposentadorias por idade e tempo de contribuição no Brasil, como constatou reportagem do jornal Valor Econômico. Na esfera estadual brasileira, professores da educação básica são quatro em dez aposentados. Não há paralelo em nenhum país comparável ao Brasil.

















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