domingo, 15 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regulação do uso militar da IA é urgente

Por o Globo

Batalha da Anthropic contra governo americano é a mais relevante para futuro de guerras

A batalha militar mais relevante para o futuro do mundo não é travada hoje no Oriente Médio ou na Ucrânia, mas dentro dos Estados Unidos. Envolve o uso da inteligência artificial (IA) como arma e opõe o governo Donald Trump a uma das líderes no mercado de IA, a californiana Anthropic. O secretário da Guerra — nome ainda não aprovado pelo Congresso —, Pete Hegseth, anunciou a classificação da empresa como “risco à cadeia de suprimentos”, categoria em geral reservada a corporações estrangeiras cujos produtos são vistos como ameaça à segurança nacional. O motivo alegado é a recusa do CEO da Anthropic, Dario Amodei, em permitir qualquer aplicação de seus produtos. Amodei quer vetar uso para “vigilância em massa” ou “armas autônomas”, mesmo que não haja ilegalidade.

A guerra do Irã, a pneumonia de Bolsonaro e o efeito Trump nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, humaniza o ex-presidente e produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores

O projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, vive um cenário de incertezas provocadas por fatores externos e inesperados, que influenciam o ambiente político. Em eleições competitivas, o desempenho do governo não depende apenas de suas políticas públicas ou da conjuntura econômica doméstica. Eventos internacionais, crises institucionais ou episódios envolvendo adversários podem alterar a percepção do eleitorado e obrigar à redefinição de estratégias eleitorais. 

No momento, três fatos novos alteram o cenário político: a guerra entre Estados Unidos e Irã e seu impacto no preço do petróleo; a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro com pneumonia bilateral; e as tensões diplomáticas entre o governo brasileiro e a administração Donald Trump.

Bastidores da guerra no Brasil, por Míriam Leitão

O Globo

Navios com diesel desviam do Brasil por destinos mais lucrativos. Milho e soja começam a subir. Governo age para atenuar alta do petróleo

Navios que estavam vindo para o Brasil com diesel mudaram a rota para outros portos, em busca de preços maiores. Isso foi detectado pelo monitoramento do governo. Uma sala de situação no Ministério de Minas e Energia acompanha o mercado. O petróleo que o Brasil importa da Arábia Saudita, e que passaria pelo Estreito de Ormuz, está vindo em parte pelo Mar Vermelho e em parte pelo Mediterrâneo. Esta segunda rota é exigente. Um trecho do trajeto se faz por caminhão, e depois é preciso usar embarcações menores. O agronegócio brasileiro já havia comprado fertilizantes, mas milho e soja começam a subir. A guerra contra o Irã produziu uma crise complexa. Ela é tudo menos o que Donald Trump tem dito.

Polícia no palanque, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Operação contra vereador aliado de Paes reaviva suspeita de uso político de investigações

Na manhã de quarta-feira, a Polícia Civil do Rio prendeu o vereador Salvino Oliveira numa operação batizada de Red Legacy. Pouco depois, o governador Cláudio Castro foi às redes anunciar a captura do “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.

“Esse é o mesmo vereador que vivia atacando nosso governo e as polícias. Hoje, finalmente, estamos conhecendo o seu real lado: trabalhava para bandido e não para o povo!”, festejou.

Numa das cenas do vídeo publicado pelo governador, um agente vasculha o armário de Salvino e levanta uma placa de campanha com a foto de Eduardo Paes. Era um sinal de uso da polícia para atingir adversários políticos.

De volta ao jogo? Por Merval Pereira

O Globo

O desmantelamento da Operação Lava Jato reafirmou uma longa tradição da Justiça brasileira de reverter resultados de investigações contra a corrupção. Esperemos que o mesmo não aconteça agora.

Duas medidas tomadas em dias recentes recolocaram o Supremo Tribunal Federal (STF) nos trilhos republicanos, proporcionando que o futuro possa recompor o passado recente, pleno de equívocos e abusos de poder. A decisão de manter a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro abre caminho para uma delação premiada que certamente desvendará as entranhas do maior golpe financeiro já acontecido no país. Por isso mesmo, teve uma importância não apenas simbólica. A decisão, proporcionada pelo ministro Gilmar Mendes, de levar ao plenário físico a anulação da quebra de sigilo do filho do presidente Lula, adotada monocraticamente pelo ministro Flavio Dino, transforma a ação individual de um juiz em decisão do colegiado, o que dá outro valor ao resultado.

Moraes cria o precedente, por Elio Gaspari

O Globo

Autorização concedida pelo ministro para busca e apreensão contra jornalista tende a ameaçar direito de preservar fontes

O ministro Alexandre de Moraes é experiente. Ele determinou uma operação de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. O ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar numa investigação sigilosa.

Investigação de que? De um eventual uso indevido de um carro oficial pelo ministro Flávio Dino. Fica combinado assim.

Semana ruim para os EUA na guerra, por Dorrit Harazim

O Globo

‘Sofrimento será de duração curta, mas os ganhos de duração longa’, disse Pete Hegseth. Não está sendo uma coisa nem outra

Enquanto atuou como comentarista de assuntos militares no canal noticioso Fox News, Pete Hegseth disparou certezas sem precisar de fatos. Dono de feições e físico altamente telegênicos, esmerou-se em aprimorar o visual e a oratória ariano-Maga. Acabou por conquistar o presidente Donald Trump, que procurava um garoto-propaganda de impacto para comandar o Pentágono. E foi como secretário de Defesa do colosso militar que Hegseth, aos 45 anos, anunciou, na estreia da Operação Fúria Épica contra o Irã:

Master e o Oscar, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Daniel Vorcaro, Martha Graeff e o sucesso do Brasil no próximo Oscar

São dois, e não um, os personagens-chave e explosivos do caso Master: Daniel Vorcaro, o onipresente, e Martha Graeff, sua namorada da época bilionária e glamourosa, que sabe de tudo, ou de muita coisa, e nos lembra o quanto as mulheres, como Thereza Collor, foram decisivas para esclarecer grandes escândalos nacionais, da Velha à Nova República.

A República de hoje – melhor não adjetivá-la – está em suspense não só diante da muito provável delação premiada de Daniel Vorcaro, mas também do momento em que Graeff decidir botar a boca no trombone sobre ele e quem, quando e onde mergulhou fundo no jogo dele.

Trump pôs a credibilidade em jogo, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Ímpeto do presidente de moldar mundo à sua imagem entra em conflito com o desejo de sucesso

A duração da guerra no Irã depende do desfecho de um conflito travado no governo americano. O secretário do Tesouro Scott Bessent e a chefe de Gabinete Susie Wiles advertem para os danos econômicos e políticos. Donald Trump lida com o desejo de deixar uma impressão profunda na história.

Quem observa Trump há muitos anos aponta nele uma obsessão por deixar sua marca, desde os primórdios como empresário do ramo imobiliário. Seus empreendimentos icônicos, assim como os produtos que ele criou, em geral sem sucesso, levam o nome “Trump” em letras garrafais.

As ‘Memórias de Marcos Azambuja’, por Celso Lafer

O Estado de S. Paulo

No âmbito do funcionamento do Itamaraty, a análise das transições faz destas ‘Memórias’ um paradigma do processo decisório diplomático

As Memórias de Marcos Azambuja, uma das mais notáveis figuras da diplomacia brasileira, acabam de ser publicadas. Foram instigadas pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), denso centro de análise sobre a política externa brasileira, ao qual Marcos se dedicou depois de sua aposentadoria no Itamaraty. No Cebri, Marcos encontrou até o seu falecimento, em maio de 2025, um espaço para uma renovada vida diplomática.

As Memórias são abrangentes na reflexão sobre a diplomacia brasileira. Resultam de três longas entrevistas. A primeira, em 1997, ao término de sua notável embaixada em Buenos Aires (1992-1997). Dela deflui uma excepcional análise da importância das relações Brasil-Argentina.

Direita pode ganhar eleição por ter quebrado um banco, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Quando Toffoli ou Moraes protegem Vorcaro, quem escapa da cadeia é a direita brasileira

STF só chegou no final do escândalo

Do jeito que as coisas vão, há boas chances de a direita brasileira ganhar a Presidência como recompensa por ter quebrado um banco.

Ah, dirá o leitor, tem gente de esquerda enrolada no Master. Bom, tinha muito mais gente de direita no petrolão do que tem gente de esquerda no Banco Master. É um escândalo de Faria Lima e igreja evangélica, dois ambientes com poucos esquerdistas.

Isso não é um penduricalho, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

No juízo dos juízes gravou-se a bico de pena a retórica de um bacharelismo que sempre fez uso eufemístico da língua para fins de manipulação

Palavras importam, conceitualizar preside à formação dos quadros cognitivos

Na discussão pública sobre a exorbitância salarial no Judiciário, uma juíza embirrou com a palavra penduricalho: "Não se trata disso, fique registrado". Deixou implícita a necessidade de outro nome. É o que a crítica de Roland Barthes chamava de "desnominação", isto é, trocar a palavra certa por um desvio palatável. Algo assim como, no passado, um partido político deveria se chamar "união de latifundiários e conservadores", mas escolhia União Democrática Nacional (UDN).

Michel Temer vê um Brasil disfuncional, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Observador engajado da cena nacional, o ex-presidente confessa que não está gostando nada do que vê

Na opinião dele, há uma indiferença geral nos três Poderes ao que dizem os mandamentos da Constituição

O ex-presidente Michel Temer (MDB) é um espectador engajado da cena nacional que, confessa, não está gostando do que vê: uma completa disfuncionalidade institucional. Na opinião dele, fruto da indiferença dos três Poderes ao que diz a Constituição.

A começar pelo atropelo do preâmbulo que estabelece o compromisso com "a solução pacífica das controvérsias". A dinâmica de uns anos para cá é inversa. Obedece a lógica do atrito permanente e reage mal, com agressividade, às divergências.

O Lula das sortes tem poucos meios de lidar com o azar das sujeiras de Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

No final da semana passada, efeito da guerra no mercado de juros ficou preocupante no Brasil

Petróleo mais alto por mais tempo pode elevar PIB e fazer estrago político na inflação

Em fevereiro, os donos do dinheiro grosso acreditavam que a taxa básica de juros, a Selic, baixaria de 15% para 12% ao ano até fins de 2026.

Essa crença, digamos, pode ser medida pelos preços do atacadão do mercado de dinheiro, que define o custo de financiamento da dívida do governo e uma espécie de piso para as demais taxas de juros, dos bancos ao mercado de capitais.

Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos

Por O Globo com agências internacionais 

Autor de obra extensa, ele foi um dos nomes centrais do pensamento europeu do pós-guerra

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, no sul da Alemanha. A morte foi informada pela editora Suhrkamp. Com uma obra que atravessou a filosofia, a sociologia e a teoria política, Habermas foi um dos nomes centrais do pensamento europeu do pós-guerra.

Considerado uma das vozes mais influentes do debate público alemão nas últimas décadas (e o intelectual alemão mais influente de sua geração), Habermas ficou associado a reflexões sobre democracia, racionalidade e vida em sociedade. Seu trabalho ajudou a consolidar conceitos como o da esfera pública e o da ação comunicativa, que se tornaram referências dentro e fora da academia.

Morre Jürgen Habermas, um dos filósofos mais influentes de sua geração, aos 96 anos

Maurício Tuffani / Folha de S. Paulo

Alemão é dono de obra sobre o conceito de esfera pública

Morte foi confirmada por sua editora, Suhrkamp

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do mundo, morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, perto de Munique. A informação foi confirmada pela Suhrkamp Verlag, editora que publica seus livros.

Habermas era de uma família simpatizante do nazismo e foi membro da Juventude Hitlerista. Aos 15 anos integrou a milícia de jovens e idosos recrutados para resistir à invasão da Alemanha no fim da Segunda Guerra Mundial. Anos depois, ele se tornou um dos principais filósofos da Escola de Frankfurt, formada por pensadores marxistas e judeus exilados do país para fugir da perseguição nazista.

Nascido em 18 de junho de 1929 em Dusseldorf, em uma família protestante muito tradicional, Habermas era o filho do meio do casal Ernst e Grete. O garoto foi submetido a duas cirurgias corretivas da fissura palatina.

De origem genética, essa má-formação no céu da boca dificultou sua fala e seus relacionamentos, tornando-o um jovem tímido e, mais tarde, um adulto que precisou aprender a lidar com o próprio comportamento retraído. Esse problema o sensibilizou para elaborar uma filosofia voltada para a importância da comunicação em uma sociedade democrática.

Filósofo alemão Jürgen Habermas, teórico da ‘esfera pública’, morre aos 96 anos

Por Matheus Mans / O Estado de S. Paulo

Ele recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004)

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos principais pensadores sobre democracia e “esfera pública”, morreu neste sábado, 14, aos 96 anos. A informação foi confirmada pela sua editora, Suhrkamp.

Ele faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi confirmada.

Quem era Habermas?

Jürgen Habermas nasceu em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf.

De 1949 a 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em Göttingen, Zurique e Bonn.

Lecionou, entre outras instituições, nas Universidades de Heidelberg e Frankfurt am Main, bem como na Universidade da Califórnia, Berkeley, e foi diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.

Jürgen Habermas recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004).

A segunda morte de Antonio Gramsci? Por Ivan Alves

O italiano Antonio Gramsci teve uma vida trágica. Nascido em 1891, ainda quando criança pastoreava ovelhas nas montanhas da sua Sardenha natal, passando meses a fio isolado de tudo e de todos. Aos 20 anos de idade, partiu para a região do Piemonte, destacando-se como articulista em um jornal socialista, até se tornar um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI), ao lado de Palmiro Togliatti e outros companheiros. Participou dos sovietes de Turim, influenciados pelo desenrolar dos acontecimentos que marcaram a Revolução de Outubro de 1917, na velha Rússia. Preso em 1926, quando era secretário-geral do PCI, Gramsci morreu em um hospital militar, após mais de dez anos na prisão. O ditador fascista Benito Mussolini dizia que era preciso fazer com que aquele cérebro parasse de pensar. 

Poesia | Sabedoria é não entender, de Clarice Lispector

 

Música | Caetano Veloso - Reconvexo

 

sábado, 14 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Já vimos esse filme

Por CartaCapital

Como de hábito, a repulsa à corrupção serve a interesses eleitorais e ideológicos

No teatro da indignação calculada, há quem sinta saudades do velho bordão do apresentador Boris Casoy: “É preciso passar o Brasil a limpo”. Nos jornais, sites, tevês e redes sociais, os candidatos a porta-vozes do udenismo continuam, no entanto, disponíveis. Um velho guerrilheiro contra a ditadura propôs o fechamento do Supremo Tribunal Federal. O colunista imortal acordou as vivandeiras dos quartéis. Por ele o País foi informado da “inquietação” nas Forças Armadas, desmoralizadas pela omissão ou conivência com a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto, com o que consideram o êxito da impunidade na Corte. É um truque enfadonho, de tão manjado, as notícias apócrifas na mídia a respeito de um suposto incômodo dos generais em momentos de crise do poder civil, sejam reais ou fabricadas. Quanto ao mal-estar nas casernas e nos clubes militares, recomendam-se gotas de Luftal.

Prioridades a sério, por Flávia Oliveira

O Globo

Segurança pública e corrupção são os temas que os brasileiros escolheram como prioritários na largada da corrida eleitoral

A recém-divulgada pesquisa Quaest não deixa dúvidas. Segurança pública e corrupção são os temas que os brasileiros escolheram como prioritários na largada da corrida eleitoral de 2026. Economia corre por fora. São três variáveis explosivas — e sob medida — para o ambiente político calcificado, como conceituaram o cientista político Felipe Nunes, diretor da empresa de pesquisa, e o jornalista Thomas Traumann, em “Biografia do abismo” (Harper Collins, 2024). Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, a campanha começa em 16 de agosto; de fato, mobiliza há tempos ruas e redes sociais. O desafio aqui é radicalizar a qualidade do debate, em vez de ceder à banalidade das posições de superfície, à moda “se você é sim, eu sou não”.

Sororidade seletiva, por Thaís Oyama

O Globo

Ataques a jornalista são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu

Malu Gaspar é até aqui a jornalista responsável pelas revelações mais relevantes sobre o escândalo do Banco Master. Desde que passou a expor no GLOBO as ligações do ministro do STF Alexandre de Moraes e de sua família com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de ataques abjetos, maciços e incessantes nas redes sociais.

Pelo exercício de seu ofício, vem recebendo ameaças e insultos que tentam constrangê-la e humilhá-la, muitas vezes com base em referências a sua condição de mulher. Tais ataques configuram precisamente o que grupos feministas chamam de “violência política de gênero”. Ainda assim, nenhum desses grupos veio a público defendê-la. Nenhuma nota ou carta aberta — nem mesmo um reles vídeo no TikTok.

D. Norma, a culta, por Eduardo Affonso

O Globo

Se esse menino Vorcaro tivesse estudado comigo, não estaria passando vergonha ao ver expostas suas mensagens

D. Norma foi professora de português a vida inteira. Começou por volta dos 4 anos de idade, corrigindo o irmãozinho caçula, que dizia “gugu dadá” em vez de “Augusta, dê-me a mamadeira”. E não parou mais.

Estudou letras na época em que regência e concordância ficavam no capítulo de sintaxe, não no de opressões linguísticas. Aposentada há décadas, anda horrorizada com os zaps do Vorcaro.

— Se esse menino tivesse estudado comigo, não estaria passando vergonha ao ver expostas suas mensagens. Que semântica bisonha! Que vernáculo comezinho!

É que D. Norma é desconectada do mundo real e apegada a tecnicalidades.

Governo diz que seu pacote para combustível evitou os erros dos governos Bolsonaro, Temer e Dilma, por Míriam Leitão

O Globo

Com o pacote anunciado nesta quinta-feira, o governo não pretende congelar os preços da Petrobras. O que o governo não quer, me explicou uma fonte, é um repasse automático das variações internacionais, como ocorria na gestão de Pedro Parente, que presidiu a Petrobras durante o governo de Michel Temer. Mas também não se trata de congelamento ou de segurar preços artificialmente como aconteceu no governo Dilma Rousseff. Nem quer criar um rombo nas contas, como fez Jair Bolsonaro. A ideia é ir repassando os aumentos de forma gradual — criando uma espécie de “colchão” de amortecimento e ajustando os preços aos poucos. O pacote é para atenuar a alta.

Brasil pode virar peça-chave na crise, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

O Brasil é um dos poucos produtores capazes de aumentar a oferta de petróleo fora da zona de conflito

O Estreito de Ormuz é hoje o ponto de estrangulamento energético mais importante do planeta. Sua relevância resulta de uma combinação rara de geografia, concentração de petróleo e ausência de rotas alternativas eficientes. Uma região estratégica como rota comercial há milênios.

Segundo dados da International Energy Agency (IEA), cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam pelo estreito por dia – 20% do comércio global. Também é crítico para 20% do comércio mundial de gás.

Apertou? Chame Xandão, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O ministro Flávio Dino é líder de um grupo político no Maranhão; e usa o poder do STF para acertar contas e se impor no Estado. Ministro do STF líder de grupo político; que perverte a condição de juiz de Corte constitucional para investir contra o sigilo da fonte.

Apertou? Chame o Xandão bloqueador. É o que faz poderoso com medo ou apenas pressionado. Recorre ao gestor do inquérito infinito e onipresente que corrompeu o sentido das palavras ataque, perseguição etc. Foi o que fez, em 2019, o ex-sócio de Fabiano Zettel (cunhado de Daniel “conseguiu bloquear?” Vorcaro), o ministro Dias Toffoli: sentindo-se desonrado com reportagem que o identificara como “amigo do amigo do meu pai”, ganharia de Moraes uma censura à revista Crusoé.

Tirando o melhor de nosso fracasso, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Demografia já passou a jogar contra o enriquecimento do Brasil

Ainda assim, tecnologias e avanços isolados poderão melhorar qualidade de vida

Já me conformei a ver o Brasil como um suave fracasso (a ótima expressão é do embaixador Rubens Ricupero). O adjetivo "suave" é importante. É pouco provável que o país se torne um Estado falido, a exemplo de Sudão, Haiti ou mesmo da Venezuela, mas também me parece difícil que venhamos a dar o tão almejado salto para o grupo de nações mais desenvolvidas. Esse é um bonde que já perdemos. Se tivéssemos tomado decisões melhores algumas décadas atrás, talvez tivéssemos conseguido, mas, agora, a demografia passa a jogar contra. Envelhecemos antes de enriquecer.

Pedido de arquivamento do caso das joias de Bolsonaro é absurdo histórico, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Causa estranheza que solicitação de Gonet tenha sido divulgada quando veio à tona esquema mafioso do Master

O pedido foi entregue ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, um dos personagens do escândalo

É um absurdo histórico a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de pedir ao STF o arquivamento da investigação sobre as joias árabes recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Gonet resolveu que não havia nada e pronto. Ignorou tudo o que a Polícia Federal comprovou. A fuga com as joias, as negociatas.

Lula assume riscos ao retomar a briga com Trump, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Veto a enviado remete ao melhor momento do petista neste mandato, mas arrisca jogar créditos de 2025 fora

Temor de ingerência política no pleito é válido, mas medida ocorre em meio ao debate sobre segurança regional

O imbróglio em torno da visita do enviado de Donald Trump ao Brasil está inserido no contexto da corrida eleitoral deste ano. O presidente Lula (PT) parece disposto a ressuscitar a briga com o americano, mas tal aposta encerra riscos.

Recapitulando, após deixar o Brasil fora de seu radar no começo do segundo mandato na Casa Branca, Trump irrompeu no cenário local às vésperas do julgamento que levou seu aliado Jair Bolsonaro (PL) à cadeia por golpismo.

O caso Master e a encruzilhada do STF, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

A autoridade de uma instituição republicana é mais frágil do que se pensa. Depende menos da força da lei do que do reconhecimento público da dignidade, da relevância democrática e da integridade da atuação institucional. O Supremo Tribunal Federal tem nos dado um exemplo muito melancólico do efeito devastador, para uma democracia, da erosão da autoridade de uma suprema corte. Refém de seus próprios equívocos, o tribunal vive uma encruzilhada.

Uma indigestão institucional, por Murillo de Aragão

Veja

Na espera do imponderável, o Brasil fica em suspenso

Não há dúvida de que o sistema institucional brasileiro está sofrendo de oclusão, pois não consegue dar curso digestivo às tensões, episódios e escândalos nos últimos tempos. Vale relembrar a incrível sequência de eventos desde o mensalão, passando pela Lava-Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, a eleição de Jair Bolsonaro, o interminável “inquérito do fim do mundo”, os atos golpistas do 8 de Janeiro, a judicialização da política promovida por partidos e governo e o ativismo, algumas vezes desenfreado, do próprio Judiciário. Mais adiante tivemos os escândalos do INSS e do Banco Master. Não é fácil para nenhum sistema político do mundo, ainda menos para a nossa capenga democracia, que claudica a cada episódio mais grave.

Os fins e os meios, por Pedro Serrano

CartaCapital

As quebras de sigilo não podem servir de pretexto para a destruição de imagem

E interessante observar como a sociedade do espetáculo evidencia uma de suas facetas mais perversas em episódios de extrema complexidade e que exigem rigor legal e ético em sua condução. A espetacularização tem dado as caras ao longo das investigações do caso Master, marcadas pelo vazamento de informações sigilosas, de forma criminosa, por agentes públicos.

Mais do mesmo, por Leonardo Avritzer e Rômulo Paes de Sousa

CartaCapital

Os vazamentos reabrem a lógica lavajatista e tensionam o cenário eleitoral

Os intensos vazamentos referentes aos escândalos do Banco Master e do INSS têm produzido notícias capazes de modificar a conjuntura política do País. Em 4 de março, foi divulgado pelo site Metrópoles o sigilo bancário do filho do presidente Lula, solicitado pela CPMI do INSS. No dia seguinte, também saíram no mesmo Metrópoles e no jornal O Globo o registro de supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula: líder, mas sem paz, por Renato Meirelles

CartaCapital

A força eleitoral do presidente convive com um desejo relevante de mudança

pesquisa Meio/Ideia de março traz um retrato incômodo para quem torce por respostas simples. Lula lidera, segue competitivo e continua como o nome mais forte do campo governista. Mas isso não significa que tenha convencido o País de que sua permanência é a escolha natural. Ao contrário. A força eleitoral do presidente convive com um desejo relevante de mudança. E exatamente dessa tensão nasce o paradoxo do momento.

Fracking de liquidez, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Em meio a crédito privado duvidoso, bolha de IA e medo crescente, fundos restringem resgates nos EUA

Uncle Sam tem seus dias de desconfiança no crédito privado, lá como cá.

Uma decisão da Black­Rock suscitou nossa ousadia de recorrer à analogia entre o ­fracking e a química dos mercados financeiros. O fracking quebra a rocha para liberar gás de xisto. Os três ingredientes-chave – água, areia e produtos químicos – são misturados e bombeados para o poço sob pressão extremamente alta, por meio de grandes motores a diesel.

O quintal sob vigilância, por Jamil Chade

CartaCapital

Trump dá curso à ofensiva pela militarização da América Latina

O governo de Donald Trump deu os primeiros passos para implementar uma estratégia deliberada de militarização do continente, incentivado pelo êxito do sequestro de ­Nicolás Maduro e o controle do governo venezuelano. O anúncio da ofensiva regional não poderia ter ocorrido em outro lugar a não ser na Flórida, bunker da extrema-direita latino-americana e foco da busca dos republicanos pelo voto latino.

A política como vocação, por Marcus Pestana

Volta e meia, há uma forte onda antipolítica que ameaça contaminar a alma da sociedade brasileira. Tivemos as decepções no afastamento de Collor e Dilma e as manifestações de rua difusas de insatisfação em 2013. A eleição disruptiva de 2018, fruto das revelações da Lava Jato e da criminalização da política, patrocinou um vendaval de contestação, com a ascensão de outsiders que encarnaram o repúdio ao que foi apelidado de “velha política”. E aí, uma nova safra de frustrações veio ao se constatar que o novo não era tão novo e que tudo que é novo não necessariamente é bom, unicamente por ser novo.

Poesia | Um chamado João, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Maria Martha - Flor Amorosa