Mesmo considerando a antológica frase do ex-ministro da fazenda Pedro Malan de que “No Brasil, até o passado é incerto”, oferecemos projeções consistentes sobre a evolução das principais variáveis econômicas e fiscais, dadas as atuais regras do jogo, sem evidentemente considerar mudanças e reformas estruturais que possam ser introduzidas no futuro.
Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 4 de julho de 2026
Déficits recorrentes, dívida crescente, por Marcus Pestana
Entre trancos e barrancos, por Murillo de Aragão
Revista Veja
Eleição não será decidida por méritos, mas
pelos erros de cada um
A campanha segue entre trancos e barrancos.
Tudo indica que será decidida menos pelos méritos dos candidatos e mais pelo
volume de erros que cada um cometer. Quem errar menos, ganha. Não há abundância
programática. Ao contrário: o debate é paupérrimo.
Lula se
apoia no que foi e no que diz ter feito. Flávio Bolsonaro se ampara no que o
pai representa. Um disputa a memória de governos anteriores. O outro disputa a
herança política do sobrenome. Um pede ao eleitor que se lembre. O outro pede
que transfira.
Após governar o país por três vezes, Lula flerta com a velha explicação segundo a qual obstáculos externos impedem o desenvolvimento nacional. O argumento lembra Brizola e sua insistência nas perdas internacionais como explicação para os males brasileiros. Ataca ricos, o mercado financeiro e o agronegócio. Enquanto isso, bate recordes o número de brasileiros que mudam de residência fiscal.
Trem para o futuro, por Cristovam Buarque
Revista Veja
A elite dirigente brasileira freia a ideia do
bom ensino para todos
Nos anos 1840, o príncipe herdeiro de Hanôver, que depois se tornaria rei Ernesto Augusto, opôs-se à implantação de ferrovias em seu país porque “não queria qualquer sapateiro ou alfaiate viajando tão rápido quanto ele”. A frase é citada por Orlando Figes no livro Os Europeus, ao tratar do impacto da revolução ferroviária na política, na cultura e na economia da Europa. Pois o príncipe mudou de posição e transformou-se em defensor das ferrovias, colocando a Alemanha na vanguarda do desenvolvimento. Não tivesse adotado os trilhos, o país teria ficado para trás entre as nações do continente.
Sem futuro? Por Felipe Augusto Machado*
CartaCapital
Se não repensarmos a estratégia nacional,
muitas gerações morrerão sem viver o sonho de um Brasil desenvolvido
No fim dos anos 1980, um chinês próximo dos
50 anos chamado Chen Yizi acompanhou uma delegação do seu país em visita
oficial ao Brasil. Ele era uma pessoa influente e respeitada na China. Assessor
especial do primeiro-ministro e do secretário-geral do Partido Comunista, foi
protagonista nas reformas econômicas de Deng Xiaoping naquela década.
Em 2013, em exílio após demitir-se em protesto pelo Massacre da Praça da Paz Celestial, Yizi escreveu um livro de memórias, no qual contou detalhes daquela visita ao Brasil. Segundo ele, a delegação chinesa ficou fascinada com a capital modernista Brasília, as rodovias, os prédios estilosos, as fábricas, as moradias de vanguarda, os carros compactos para as massas. Especulou que o Brasil deveria ter, naquele momento, uma renda per capita dez vezes superior à da China. Não era para tanto, mas a reação é reveladora.
Bolsonarismo 2.0, por Pedro Serrano
CartaCapital
Associados ao trumpismo e com grande
capacidade de mobilização, os discípulos de Bolsonaro dissimulam o autoritarismo
de outrora com singulares artifícios
A história humana não ocorre através de fases estanques, como às vezes a descrição didática em períodos transparece ao inadvertido. Ao contrário, ela se revela por meio de processos complexos, nos quais elementos de conformação política e social do período anterior podem ser – e comumente são – identificados nos subsequentes. Não há, inclusive, garantias contra retrocessos e involuções civilizatórias. Só há ordem na mera descrição histórica, bem como nas tentativas de sua compreensão pelos manuais da didática clássica. Na história vivida prevalece o caos.
Flávio foi para a frigideira, por Maria Inês Nassif
CartaCapital
Michelle e Valdemar Costa Neto ganham mais se
o filho 01 de Jair perder a eleição
O que está em jogo no lar bolsonarista não é quem vai disputar as eleições presidenciais de outubro – o príncipe ou a rainha, o peão ou o cavalo. Hoje, e depois do Escândalo Master, ninguém consegue definir o verdadeiro valor de face do bolsonarismo. O ex-capitão está na cadeia, cumprindo pena por golpe de Estado. A ideia de um líder forte, encantador de serpentes, sumiu atrás das grades. A reiterada exposição de suas fragilidades físicas desmonta a imagem do Mussolini jabuticaba, do super-herói que vai “livrar o País” de alguma coisa. Seu filho Flávio, autodenominado sucessor político do pai, registra nas pesquisas perdas crescentes entre eleitores antes cativos de Jair. Aquele que se nomeia candidato a presidente por direito de sucessão foi engolido pelo mar de lama do banco de Daniel Vorcaro e de uma relação antipatriótica com os Estados Unidos, a quem só falta pedir explicitamente que lidere um golpe de Estado no Brasil.
Pacote de bondades, por André Barrocal
CartaCapital
Em um esforço para melhorar a imagem, Lula
faz um sprint final no lançamento de obras e programas de apoio
A campanha presidencial começa só em agosto, com o registro das candidaturas na Justiça e o início da propaganda eleitoral, mas a pré-campanha entra em nova fase. De 4 de julho em diante, exatos três meses antes de os brasileiros irem às urnas, os postulantes à reeleição ficam proibidos de inaugurar obras, contratar servidores ou fazer publicidade dos atos de gestão. Daí o presidente Lula ter se empenhado nos últimos dias nos derradeiros anúncios de novas medidas do governo. Agora, terá de combinar o expediente burocrático no Palácio do Planalto com atividades político-partidárias fora da agenda oficial, em particular à noite e nos fins de semana. Com palanques definidos em 24 estados, o petista dedicará parte do tempo a reuniões com candidatos a governador e senador que o apoiam e a gravar vídeos para eles, entre outras.
sexta-feira, 3 de julho de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Sanção contra brasileiros desperta preocupação
Por O Globo
É bem-vinda colaboração americana no combate
a facções criminosas. Risco são medidas arbitrárias
No fim de maio, o Departamento de Estado americano anunciou que as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) seriam classificadas como organizações terroristas a partir de 5 de junho. Menos de um mês depois da entrada em vigor da medida, o Departamento do Tesouro impôs sanções financeiras a dois cidadãos brasileiros e três empresas instaladas aqui, sob suspeita de ligação com o PCC. O governo americano acusa o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada de liderar uma estrutura de lavagem de dinheiro com atuação nos Estados Unidos que movimentou mais de US$ 30 milhões de origem ilícita e de usar criptomoedas para transferir fundos ao PCC no Brasil. Sua secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é acusada de atuar como intermediária na coleta do dinheiro.
Carta de Flávio a Trump é tiro no pé que favorece Lula, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Ao pedir apenas o adiamento
da punição, e não sua imediata revogação, Flávio legitima a sanção
norte-americana. Passa a mensagem de que o tarifaço pode ser aceitável
A carta enviada por Flávio Bolsonaro a Donald Trump, pedindo o adiamento por 180 dias do tarifaço contra produtos brasileiros, eleitoralmente é um tiro no próprio pé para o pré-candidato do PL, além de muito tóxica para as negociações diplomáticas do Brasil com a Casa Branca. O senador atropelou a linha de negociação conduzida pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), deslocou o contencioso do terreno técnico para o palanque eleitoral e mostrou falta de coesão política do país na defesa dos interesses brasileiros que estão em jogo.
Rejeição do PL à urgência para projeto da misoginia põe em xeque discurso de Michelle em defesa das mulheres, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Dos 158 votos contrários ao regime de urgência de votação, mais da metade (83) vieram do PL
A votação da urgência do PL da misoginia na Câmara dos Deputados na
noite de quarta-feira (1) colocou em xeque o discurso da
ex-primeira-dama, Michelle
Bolsonaro, de eleger uma bancada no PL pautada pela defesa das
mulheres. Dos 158 votos contrários ao regime de urgência de votação, mais da
metade (83) vieram do PL.
Das 11 deputadas do partido que se manifestaram na votação, 10 o fizeram pela rejeição da urgência, entre elas Caroline de Toni (SC), cuja postulação ao Senado levou Michelle a confrontar o enteado Carlos Bolsonaro.
Palanques capengas no Sudeste, por Vera Magalhães
O Globo
Palanques capengas do petista em Minas e do
filho de Bolsonaro no Rio indicam problemas na região mais disputada da eleição
A eleição de 2026 será um teste para a
validade de vários axiomas tradicionais da política, como a importância da
propaganda em rádio e TV, os efeitos da inteligência artificial e, no plano
mais concreto, a centralidade da montagem de palanques regionais para
fortalecer candidaturas presidenciais e, no limite, decidir uma disputa que
tende a ser apertada.
Nesse quesito, o Sudeste brasileiro é o
cenário em que as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro concentram as fichas.
Mas, a menos de um mês do início formal da corrida eleitoral, ambos enfrentam
problemas bastante sérios para largar com um time promissor e um discurso
condizente em colégios importantes da região.
Os desdobramentos consecutivos da Operação Unha e Carne — que atingiu fortemente o grupo do ex-governador Cláudio Castro no Rio de Janeiro — jogam uma dose enorme de imprevisibilidade para o comando bolsonarista “em casa”.
Cenas de uma campanha, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Presidente faz maratona de inaugurações e
reclama de limites ao uso da máquina
Aconteceu ontem em Luís Gomes, município de 9
mil habitantes no interior do Rio Grande do Norte. Na correria para entregar
obras no limite do prazo legal, Lula inaugurou um túnel de irrigação sem uma
gota d’água.
“Cadê o dono da empresa que fez esse túnel?”,
perguntou, do alto do palanque. O presidente disse que programou a viagem para
ver a água chegar, mas “houve um erro de cálculo”. “E esse erro de cálculo fez
com que eu chegasse aqui e a água ainda não chegou”, justificou-se.
O atraso frustrou o petista, mas não constrangeu seus áulicos. O ministro Waldez Góes disse que o povo da cidade deveria “olhar para o céu e agradecer a Deus e a Lula”. O prefeito Carlos Augusto de Paiva, o Tututa, descreveu a visita presidencial como uma “dádiva”.
Soberania em IA é mais importante que regulação, por Pablo Ortellado
O Globo
Temos de deixar de ser meros usuários de
modelos estrangeiros
Uma reportagem publicada ontem no Financial Times revelou que a OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, ofereceu uma participação de 5% ao governo americano. O objetivo é duplo. Com a participação direta do governo, a OpenAI espera diminuir obstáculos políticos e regulatórios trazidos pela administração Trump. Além disso, a oferta atende parcialmente a uma demanda da esquerda, que defende a nacionalização de metade das ações das grandes empresas de inteligência artificial para socializar os dividendos da automação (a proposta é do senador Bernie Sanders).
A dura realidade aonde a política não chega, por Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
Às vezes, as coisas muito próximas são
universais. Hesito em escrever sobre o que vejo no cotidiano no Rio de Janeiro,
mas não deveria: é algo importante para o País e com grande possibilidade de
espalhar-se por todos os cantos.
Encontrei na rua uma amiga e perguntei se estava tudo bem: “Perto de minha casa, apareceu uma cova com 20 mortos. Sempre procuro sair às cinco da manhã para evitar tiroteios, mas, às vezes, precaução não adianta”. Ela vive numa favela chamada Rio das Pedras, dominada por uma milícia acossada pelo tráfico de drogas que quer o domínio do território.
No Dia de São Nunca? Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
O novo grito de guerra em Brasília é: que tal deixar para depois das eleições?
A
carta do senador Flávio Bolsonaro para o governo Trump, via Escritório de
Comércio (ou USTR), é um desastre para o próprio Flávio, sob todos os pontos de
vista, político, diplomático, até moral. Quer dizer que um novo tarifaço agora
não pode, porque é bom para o presidente Lula, mas, depois das eleições,
depende de quem ganhar?
O importante para o candidato não é se é bom ou mau para o Brasil e os brasileiros, o que vale é se é bom ou mau para ele e o bolsonarismo, dane-se o resto. Aliás, foi assim em cada passo do bolsonarismo para se aproximar de Trump e se distanciar do Brasil.
Revés para a luta das mulheres, por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
Muitas entram na vida pública, sofrem violência de gênero e se afastam quando não têm mais serventia
Na conversa que tiveram com Michelle
Bolsonaro, a senadora Damares Alves e a governadora Celina Leão custaram a
demover a ex-primeira-dama da decisão de deixar completamente a política.
Michelle havia acabado de comunicar a
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que renunciaria não só à presidência do
PL Mulher, como também não concorreria ao Senado pelo DF e se desfiliaria do
partido.
Ela estava afastada do núcleo decisório da campanha à Presidência do enteado Flávio Bolsonaro, encontrava dificuldades para emplacar aliadas como candidatas e vinha sendo atacada nas redes por pessoas próximas do também enteado Eduardo Bolsonaro.
As primeiras provas de que o RJ está no rumo de ser o primeiro narcoestado do Brasil, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Com prisão de ex-presidente da Alerj e de
bicheiro, surgem mais provas de domínio do crime
Governo e Legislativo eram comandados por PL
e parte do centrão, mas corrupção é mais extensa
Tráfico de drogas e de armas, lavagem de
dinheiro, Comando
Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP), Amigo dos Amigos
(ADA), policiais corruptos, bicheiros, padrinhos bandidos do Carnaval, roubança
de dinheiro público e seus agregados políticos de direita arruínam o poder
estadual do Rio de
Janeiro —note-se, porém, que políticos de vários partidos podem
estar na lista da mesada do crime.
Talvez o crime já tenha se infiltrado no comando de outros estados. Não o sabemos. No caso do Rio, temos as primeiras evidências de um narcoestado no Brasil. O termo "narco" talvez seja limitado para descrever o poder de organizações criminosas diversas sobre Legislativo, Executivo e Judiciário fluminenses. O problema, de qualquer modo, é aterrorizante, e tem conexão federal, por meio do PL, o partido do senador Flávio Bolsonaro, e de ramos do centrão.
Uma defesa da ineficiência, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Na regulação de produtos viciantes, como
drogas e bets, é preciso evitar estímulos ao uso
Isso significa limitar a publicidade e cuidar
para que empresas não consigam expandir mercados
Falar mal da propaganda de bets na CazéTV se tornou uma unanimidade nacional. Não vou, em nome de uma suposta liberdade de expressão comercial, defender o direito dos jovens locutores de convidar telespectadores a fazerem uma fezinha, mas acho importante apontar o dedo para outros atores, mais especificamente para o Congresso Nacional. Desde 2024 está claro que a publicidade das bets se tornou um problema. Desde 1930 sabemos que em 2026 haveria uma Copa do Mundo, evento midiático em que empresas ligadas a futebol, como bets e cervejarias, se esbaldam.
Empurrados para o digital, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Quando o idoso se vê indefeso diante da tela,
o Estado lava as mãos e o joga para a família
O atendimento presencial é garantido pelo
Estatuto do Idoso. O Brasil finge ignorar isso
É outro vídeo que recebi, este de meu amigo
Luiz Fernando Janot. Não sabemos quem o escreveu ou interpretou. Mas sabemos
que cada cena e cada palavra que contém são verdadeiras. As imagens mostram
idosos em bancos e hospitais, tentando conviver com seu pior inimigo: o smartphone.
O texto, na voz de uma mulher, diz:
"Quando uma tecnologia não respeita a biologia humana ela não é inovação. É o descaso fantasiado de modernidade. E a punição para quem não consegue passar pela barreira da tela é o abandono. Agências vazias, portas fechadas e a recusa de um atendimento presencial.
quinta-feira, 2 de julho de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Justiça tem de deter roubo de conteúdo por robôs de IA
Por O Globo
Quase 400 jornais americanos abrem processo
contra OpenAI por violação de direitos autorais
Editoras de quase 400 jornais e sites em 33 estados americanos abriram processo contra a OpenAI, criadora do ChatGPT, e sua parceira Microsoft pelo uso, sem autorização, de conteúdo protegido por direito autoral no desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial (IA). Na ação, as editoras afirmam que o empreendimento altamente lucrativo da IA cometeu “violação desenfreada” de direitos autorais. “A Microsoft e a OpenAI criaram e distribuíram reproduções das obras” ao usar tais conteúdos “para treinar seus grandes modelos de linguagem” e ao implantar produtos novos. O processo pede uma compensação financeira proporcional ao tamanho do roubo e solicita que a decisão seja tomada por um júri.
O cálculo de Michelle na mira do gabinete do ódio, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Ex-primeira-dama investe em imagem de liderança que foi além do sobrenome e cavou seu próprio espaço
Ao repudiar, num jogo combinado, o libelo
medieval de Paulo Figueiredo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) marchou para
preservar alguma chance numa disputa em que o voto das mulheres predomina. A
dúvida é se será suficiente. Não apenas para destronar o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, mas também para evitar a fagocitose do espólio bolsonarista.
Desde 2018, o bolsonarismo tornou-se o vetor da direita. O que Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama estão a fazer é a fratura não apenas deste campo mas do próprio bolsonarismo. Superaram as desavenças do pós-lulismo com o esgarçamento antecipado do pós-bolsonarismo. E, como é do seu feitio, pelas redes sociais.
A campanha em movimento, por Míriam Leitão
O Globo
A crise do PL se aprofunda, a briga dos
Bolsonaro escala, e as ofensas às mulheres pioram tudo. PSD tenta virar opção e
Lula pode ser beneficiado pelo fim da guerra
A escolha do PSD de fazer uma chapa puro-sangue, com o presidente do partido Gilberto Kassab como candidato a vice de Ronaldo Caiado, se deve principalmente à falta de opção. Eles tentaram atrair o PP e o União Brasil e não foi possível. Informações do próprio PSD são de que ouviram nos dois partidos que a tendência seria o apoio ao presidente Lula. A legenda vê a pré-campanha de Flávio Bolsonaro em apuros, avalia que a crise vai se aprofundar e que, portanto, há a possibilidade de crescimento de candidatura alternativa da direita. A aposta continua sendo no prestígio de Ronaldo Caiado como gestor, atestado pelos altos índices de aprovação.
Sua senhoria, os fatos, por Merval Pereira
O Globo
O pré-candidato do PSD, ex-governador Ronaldo
Caiado, aguarda os possíveis erros da candidatura do PL para ver se consegue
reverter sua situação na corrida presidencial
A crise familiar dos Bolsonaros pode ter desdobramentos
na campanha eleitoral para a Presidência da República. O prazo para registro
das candidaturas termina em 5 de agosto, e até lá os partidos podem mudar seus
pré-candidatos. Há quem desconfie de que o ex-presidente Jair Bolsonaro não
esteja totalmente alheio aos movimentos de sua esposa, Michelle, e de que ela
não teria gravado sem aquiescência dele aquele vídeo em que praticamente rompe
com a candidatura de seu enteado Flávio.
Embora à primeira vista pareça quase impossível que o pai abandone o filho por causa da madrasta, os ventos políticos podem fazer com que a candidatura de Flávio se inviabilize. Pelo menos é o que parece esperar Michelle. O temor, ou desconfiança, de que surgirão novos fatos contra Flávio domina parte do grupo bolsonarista, e a insegurança é grande no seu entorno. As próximas pesquisas podem indicar um caminho novo ou confirmar a candidatura de Flávio, caso os escândalos recentes não o tenham ferido de morte.
Galego tinha razão, por Julia Duailibi
Por O Globo
Demissão do amigo Galego ocorre como algo
protocolar, cujo objetivo principal era estancar a crise
O presidente Lula fez ontem um elogio ao senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do seu governo no Senado. Em viagem à Bahia, Lula o chamou de irmão, o abraçou e posou no palanque a seu lado, uma semana depois de ele deixar o posto. Com seu gesto, o presidente mostrou o que realmente acha das denúncias apresentadas pela Polícia Federal, envolvendo os favores prestados a Wagner por um empresário que manteve conexões com o Master: uma grande bobagem.
A nova guerra santa, por Ruy Castro*
Folha de S. Paulo
Michelle e Fernanda Bolsonaro brigam à base
de capítulos e versículos da Bíblia
Resta saber se Flávio Bolsonaro sobreviveria
a uma sabatina por pastores com Ph.D
É uma guerra santa, em que as contendoras, cada qual com uma Bíblia como munição, disputam o monopólio da Verdade. As armas são os capítulos e versículos de autoria dos influencers apostólicos. O campo de batalha, os bazares e covis das redes sociais. Em combustão, o ódio embutido em palavras como "amor", "alegria" e "mansidão". Por trás das duas generalas, exércitos de fiéis equipados com as novas tábulas, os smartphones, despejando insultos nada evangélicos contra uma ou outra. O botim, algo nunca previsto nas Escrituras: uma candidatura à Presidência do Brasil.
A soberania nacional se decide na Amazônia, por Maria Hermínia*
Folha de S. Paulo
Região transformou-se em crise de segurança e
de governança
Crime organizado transnacional é grande
ameaça
O presidente Lula prometeu incluir a questão
da defesa nacional em seu programa de governo. O compromisso público ocorreu na
sexta-feira (26), no batismo de uma fragata que faz parte do principal projeto
de renovação do poder naval brasileiro. Segundo Lula, a nova embarcação, mais
do que um navio, exprime "um país que vai assumir, de fato e de direito, o
direito de ser soberano".
Se ele se reeleger e se a defesa da soberania nacional for mais do que uma oportuna proposta de campanha para enfrentar o bolsonarismo, a centro-esquerda terá um encontro marcado com a amazônia.
Trump inicia combate à lavagem de dinheiro do PCC nos EUA, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Ação permanece circunscrita à jurisdição
norte-americana e ao combate à lavagem de dinheiro no plano jurídico.
Entretanto, seu significado político é muito maior
A decisão de o governo Donald Trump
classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como
organizações terroristas estrangeiras deixou de ser uma declaração política
para se transformar em efetiva ação de Estado. As sanções anunciadas nesta
semana pelo Departamento do Tesouro contra brasileiros e empresas acusados de
integrar uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC representam um novo
patamar na nova estratégia americana ao combate ao narcotráfico.
Ontem, foram sancionados os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, bem como as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda; Wave Construções Inteligentes Ltda; e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal) — todos acusados de movimentar de recursos provenientes do narcotráfico dentro do sistema financeiro americano.
O céu é o limite para os americanos, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Primeiras sanções contra brasileiros e três
empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de
dinheiro para o PCC indicam que vem mais pressão por aí
É fácil prever que esse primeiro movimento dos americanos é só o começo, e tudo indica que vai acabar chegando indiretamente nos envolvidos no escândalo do Master
O governo Donald Trump não perdeu tempo. Um
mês depois de os Estados
Unidos decidirem classificar o CV (Comando
Vermelho) e o PCC (Primeiro
Comando da Capital) como organizações terroristas, os americanos anunciaram as
primeiras sanções contra brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo
suspeitas de integrar um esquema de
lavagem de dinheiro para a facção paulista.
A aplicação das sanções nesta quarta-feira (1º) indicou não só que o governo dos EUA tem acesso a informações detalhadas do esquema das empresas envolvidas para ocultar a origem dos recursos ilícitos e escapar da fiscalização, como sinalizou também que eles podem estar sendo abastecidos de informações repassadas diretamente por brasileiros envolvidos nas investigações.
O pastor que escondia dinheiro no armário e os escândalos na gaveta do bolsonarismo, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
PF investiga deputado federal Sóstenes
Cavalcante, que segue líder dos bolsonaristas
Excesso de barracos na direita talvez abafe o
caso do dinheirão vivo sem origem justificada
Jaques Wagner
(PT-BA) foi saído da liderança do governo no Senado por
suspeitas de fazer negócio com gente vorcarenta. Levou uns dias até cair.
Talvez pelo odor de santidade, digamos, o pastor Sóstenes
Cavalcante (PL-RJ), líder do seu
partido na Câmara, resiste faz meses, desde que a Polícia Federal achou um saco
de dinheiro no flat brasiliense desse deputado
federal, em dezembro do ano passado.
Sóstenes disse que a dinheirama viria da venda de um imóvel em Ituiutaba (MG). Eram R$ 467,8 mil em notas de cem, juntadas em um saco plástico achado em um guarda-roupa. Não caberia tudo em roupas de baixo, decerto. A polícia e parte do Supremo suspeitam que o dinheiro seria resultado de desvios de verba parlamentar.
O silêncio de araque, por William Waack
O Estado de S. Paulo
O tempo está ficando curto para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro
Na fotografia do momento não há boas notícias
para a candidatura de Flávio Bolsonaro, a não ser que se considere boa notícia
o fato de não ter aumentado ainda mais sua desvantagem em relação a Lula. O que
os números mais recentes das pesquisas parecem demonstrar é que o “piso” da
candidatura está virando “teto”.
Já era preocupante a convergência de pesquisas indicando que outros nomes de oposição fariam tão bonito (ou tão feio, como se quiser) como Flávio caso alcançassem um segundo turno. Muito pior é constatar, segundo a AtlasIntel, que outros nomes no lugar de Lula na cédula (Haddad ou Alckmin) levariam vantagem sobre o ungido por Jair Bolsonaro.
Urnas vão julgar políticos antes do STF, por Carolina Brígido
O Estado de S. Paulo
Eleitores, e não a nata do Judiciário, vão decidir primeiro quem do caso Master deve ser punido
As urnas vão definir, antes do Supremo
Tribunal Federal (STF), quem são os culpados e os inocentes no escândalo do
Banco Master. A Polícia Federal poderá concluir a investigação sobre o esquema
de Daniel Vorcaro antes de outubro. O ritmo das apurações será mais ágil após a
rejeição de duas propostas de delação premiada do ex-banqueiro, com expectativa
de acontecer o mesmo com a terceira tentativa.
Ainda assim, não haverá tempo hábil para a Corte encerrar o processo judicial até lá. Finalizada a parte da PF, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar ou não denúncias ao Supremo contra os eventuais indiciados. Nos bastidores, a expectativa é de que Paulo Gonet não tenha pressa para fazer isso, especialmente no meio do processo eleitoral.
A súmula vinculante da responsabilidade fiscal, por Felipe Salto*
O Estado de S. Paulo
A súmula da responsabilidade fiscal vai silenciar Ulisses ou, ao menos, reforçar os nós das cordas do zelo pelo dinheiro público
Nas democracias consolidadas, as mudanças são
quase sempre incrementais. As propostas precisam amadurecer para a construção
de consensos, dos quais surgem as inovações legais e constitucionais. A atuação
do Estado melhora e, no limite, a coletividade se beneficia. No caso da
responsabilidade fiscal, não é diferente.
A Proposta de Súmula Vinculante n.º 150, de autoria do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “visa a consolidar o entendimento do tribunal sobre projetos de lei que criem despesas obrigatórias ou envolvam renúncia de receita”, conforme o site do STF. Se aprovada por dois terços dos seus membros, o País conseguirá aprimorar fortemente o modus operandi dos poderes públicos.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Em afã eleitoreiro, Lula lança álcool no incêndio fiscal
Por O Globo
Ao acelerar gastos, governo se torna
responsável pelo patamar sufocante dos juros, que incentiva inadimplência
A menos de uma semana do início do período de
silêncio imposto pelo calendário eleitoral — em que o presidente fica impedido
de comparecer a inaugurações ou eventos, e a publicidade institucional é
suspensa —, Luiz Inácio Lula da
Silva pisou no acelerador das “bondades” eleitoreiras e tem gastado em
propaganda como se não houvesse amanhã.
Depois da isenção do Imposto de Renda, do fim da “taxa das blusinhas”, do crédito barato para caminhoneiros, motoristas de aplicativo e táxi, da extensão do Minha Casa, Minha Vida à classe média, de benesses a setores variados — de companhias aéreas a agricultores — e do alívio a dívidas de famílias e pequenas empresas, o frenesi eleitoreiro continuou nesta semana com benefícios a quem paga dívidas em dia, crédito estudantil subsidiado e liberação do FGTS como garantia para quem toma empréstimos consignados.
Cenários da caserna em caso de vitória de Lula, por Fernando Exman
Valor Econômico
Entre militares, agentes do mercado e dirigentes partidários de centro vai se consolidando a percepção de que Flávio Bolsonaro apresenta dificuldades para reagir e a chamada “terceira via” ainda não conseguiu viabilizar-se
Há uma inquietação na caserna quanto ao
futuro do Ministério da Defesa em um eventual governo Lula 4.
Sim, há muito jogo pela frente até a eleição.
E o “imponderável” tem mantido presença nas eleições presidenciais brasileiras,
com a ocorrência de eventos de grande magnitude que mudam os rumos da campanha.
Mas entre militares, agentes do mercado e dirigentes partidários de centro vai
se consolidando a percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresenta
dificuldades para reagir e a chamada “terceira via” ainda não conseguiu
viabilizar-se.
Como consequência, embora possa parecer precoce, militares, investidores e políticos que pretendem estar no próximo governo de qualquer maneira passaram a produzir o que sabem fazer muito bem: cenários.
















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