terça-feira, 2 de junho de 2026

Há problemas e há soluções, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Boas escolhas podem levar ao avanço das condições de vida e dos indicadores econômicos e sociais, ainda que muitas mazelas persistam

O êxito com que certos brasileiros, em viagem político-eleitoral ao exterior ou ali homiziados, agem contra o Brasil chega a dar a sensação de que este país está sem rumo e não parece preocupado em reencontrá-lo. Alguns até desejam, sem compreender a extensão dos riscos à segurança institucional e à soberania nacional de seus desejos, que potências estrangeiras invadam o País para resolver problemas que, na sua opinião, os brasileiros não sabem resolver.

Avanços econômicos ou sociais nunca serão suficientes para parte da população que parece descrente do futuro do Brasil. A qualquer melhora, sempre será possível contrapor um fato negativo, um dado ruim, uma situação precária que a desminta ou a torne quase nada. E aos descrentes, ou aos que querem semear a descrença, argumentos, de fato, não faltam. Mas essa não é a única maneira de enxergar o mundo.

Passo certo, bons resultados, por Paulo Hartung*

O Estado de S. Paulo

Apesar de desafiador quadro internacional, abrem-se oportunidades para o Brasil 

Em tempos de tantos desarranjos e incertezas, tive a oportunidade de revisitar a história recente do Brasil e refletir sobre êxitos que podem servir de inspiração no enfrentamento de nossos desafios atuais. A convite de Celso Lafer e Sergio Fausto, dois nomes que qualificam o debate público, participei do Ciclo de Debates “O Brasil na Visão das Lideranças Públicas”, da Fundação FHC, para discutir o cenário político e econômico brasileiro diante do atual panorama internacional. Falei de um mundo convulsionado que, não obstante, nos enseja muitas oportunidades. Citei justas indignações de nossa sociedade, mas também exemplos concretos de um Brasil que deu certo, os quais devem iluminar o caminho neste momento tortuoso. A palestra está disponível no canal da fundação no YouTube.

Escala 6 X 1: não estamos falando apenas de horas de trabalho, por Giuliana Franco Rodrigues*

Correio Braziliense

O Brasil envia uma mensagem clara para o mercado e o ambiente internacional em que a produtividade não pode mais caminhar separada do bem-estar do trabalhador?

O fim da escala 6x1 foi aprovado pela Câmara. Em breve, será uma realidade no papel. Essa votação expressiva (472 votos no primeiro turno, 461 no segundo) não foi uma maioria, mas um consenso. E quem acompanha o Congresso sabe que esses consensos são uma resposta à pressão social que o sistema político finalmente não pôde ignorar, especialmente em ano eleitoral. 

Essa proposta de emenda constitucional (PEC) estava pendente desde 2019, ressurgindo quando a deputada Erika Hilton (PSol-SP) apresentou a PEC 8/2025, prevendo uma escala 4 X 3, e alimentou o debate nas redes sociais, passando da esfera sindical para uma discussão sbre a qualidade de vida da população. 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Uso de criptoativos por criminosos requer atenção

Por O Globo

Operações contra finanças do PCC descobriram esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro e golpes digitais

As operações recentes contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior organização criminosa do Brasil, expuseram como o avanço da digitalização financeira abre espaço a novos crimes, permite integração à economia formal e cria inúmeras oportunidades para lavar o dinheiro resultante das atividades criminosas, como demonstrou reportagem do GLOBO. A transformação progressiva no perfil dos crimes — de assaltos e violência nas ruas para golpes digitais — tem pressionado o sistema de segurança pública e órgãos reguladores e de fiscalização, como o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários. Entre os recursos empregados pelos criminosos, tem se destacado o uso crescente de criptoativos.

Renan Santos e a revolta dos lascados da direita, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Líder do partido Missão e do MBL tem 6,9% das intenções de voto no primeiro turno

Ele traz o DNA da nova direita de dizer o que pensa

Neste ano, um nome ainda desconhecido da maioria dos brasileiros roubou o protagonismo de Lula e Flávio Bolsonaro. Se sobreviver à campanha, Renan Santos, líder do partido Missão e do MBL, terá se tornado um político influente —e talvez presidente da República.

Renan defende causas impopulares, mas o caso Master abriu para ele uma avenida de oportunidades para se apresentar ao eleitor.

Um banqueiro vive como príncipe, tendo desviado R$ 60 bilhões e aliciado para a operação aliados nos três Poderes. Enquanto isso, o país se vê travado pela polarização, há uma sensação geral de insegurança e milhões de brasileiros recorrem a aplicativos de transporte e entrega para trabalhar.

Trump e os Bolsonaro vão ajudar Lula de novo? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro identificou que endurecimento no combate ao crime é ponto fraco de Lula

Consequências de classificação de CV e PCC como terroristas dependerão de governo Trump

Em julho de 2025, depois de lobbying de Eduardo Bolsonaro, o governo Trump anunciou um tarifaço de 50% contra o Brasil bem como sanções contra autoridades brasileiras. No momento do anúncio, Eduardo Bolsonaro comemorou efusivamente. Dias depois, já estava claro que o ato de agressão contra o Brasil não era positivo, e sim embaraçosamente negativo para seu grupo.

Em maio de 2026, depois de lobbying de Flávio Bolsonaro, o governo Trump anuncia que passará a designar PCC e CV como organizações terroristas. Flávio e seus colegas celebram efusivamente. A pergunta se impõe: estaremos diante de outro erro bolsonarista?

Políticos têm um olho em 2026 e outro em 2030, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Última eleição de Lula incentiva centro-direita a reeditar frente ampla para barrar avanço bolsonarista

Fim do ciclo do PT e reinício da era Bolsonaro pautam decisões dos independentes à direita e à esquerda

Se é precipitado fazer apostas definitivas sobre o resultado da eleição presidencial que acontecerá daqui a quatro meses, soa a temeridade mergulhar em projeções sobre o cenário de 2030.

No entanto, é exatamente o que já se faz no mundo político, levando em conta dois fatores: o fim do ciclo de êxitos do PT e a longevidade da era de influência da franquia Bolsonaro no poder central.

Imoralidade tributária, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

É preocupante a aprovação, na Câmara, de PEC que amplia imunidade de igrejas a impostos

Entidades assistenciais ligadas a templos e que concorrem com iniciativa privada também seriam beneficiadas

O Brasil não vai dar certo. Falta-nos o sentido de comunidade. Se um dia já circulou por aqui a ideia de que os custos para a manutenção do Estado precisam ser divididos de forma mais ou menos equânime entre todos, pessoas e instituições, essa é uma noção que foi abandonada.

Mais um eloquente exemplo disso foi dado pelos deputados na semana passada, quando aprovaram uma emenda constitucional que amplia para níveis absurdos a imunidade tributária das igrejas. Pela PEC, que ainda precisa passar pelo Senado, o poder público fica impedido de cobrar impostos sobre tudo o que elas possuem, pelos serviços que contratam e até por itens que consomem. É isso mesmo, templos não pagariam um centavo de imposto seja sobre os jatinhos que compram para espalhar a palavra de Deus, seja sobre a comida com que saciam a fome de seus ministros, do pão ázimo ao caviar.

O repórter que descobre qualquer coisa, até vaca falante, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Livro narra trajetória de Luarlindo Ernesto, do auge da imprensa marrom ao caráter investigativo de hoje

Aos 82 anos, ele é capaz de desvendar o mistério do dinheiro investido no filme "Dark Horse"

No romance "O Piano e a Orquestra", de Carlos Heitor Cony, o narrador está obcecado por uma vaca. Uma vaca que fala em perfeito francês: "À votre service".

Ele só a encontrara uma vez, empacada no meio da estrada, e gostaria de revê-la e mergulhar de novo na doce alucinação. Só uma pessoa no mundo poderia ajudá-lo: o repórter policial Luarlindo, cuja fama era saber de tudo e ser capaz de descobrir qualquer coisa. Em troca de alguns chopes, o jornalista dá o serviço. A vaca se escondia no bairro do Lins de Vasconcelos, na zona norte do Rio de Janeiro.

Ernst Bloch, utopia e ideologia, por Thomas Amorim*

Portal A terra é redonda

Uma defesa da função utópica no pensamento marxista a partir de Ernst Bloch, demonstrando que a esperança é uma capacidade cognitiva orientada para o “ainda-não-ser” do mundo

1.

Em suas origens, o materialismo histórico censurou o utopismo como produto ideológico, como idealismo sobre a construção da harmonia social a despeito da compreensão do sistema econômico, dos interesses antagônicos e da luta de classes. O ideal, a fé na razão e o otimismo de Henri de Saint-Simon, Joseph Fourier e Robert Owen eram cegos para a inércia de uma sociedade replicadora insaciável.

Com justiça, Karl Marx e Friedrich Engels buscaram contrapor essa ingenuidade iluminista à compreensão das determinações concretas que constituíam as leis férreas de um sistema capitalista capaz, afinal, de mantê-lo em funcionamento até os dias de hoje, não importando todos os projetos bem-intencionados que tenham se contraposto a ele no curso dos últimos dois séculos.

Mas o risco de abandonar a projetividade e a especulação utópica é recair no fatalismo, na adesão resignada ao curso mecânico do mundo. No século XX, tal “realismo” concorreu para os sucessivos desastres do pragmatismo de esquerda, como a capitulação da socialdemocracia europeia ao social-chauvinismo e a conivência de parte da esquerda com os gulags. Desde as Teses Sobre Feuerbach, Karl Marx não gostaria de suprimir o ideal em favor do material, mas de compreender ambos como parte da “atividade sensível humana”, pois “a discussão sobre a realidade ou não realidade de um pensamento que se isola da práxis é uma questão puramente escolástica”.[i]

Poesia | Carlos Pena Filho - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Gal Costa - As rosas não falam (Cartola)

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aposentadoria compulsória está com os dias contados

Por Folha de S. Paulo

Supremo confirma voto de Dino contra punição de juízes que garante recebimento de vencimentos

À luz do espírito republicano, é impossível justificar pena tão indulgente; Congresso deve assegurar que decisão se aplique a todos

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STFacompanhou o ministro Flávio Dino para proibir o uso da aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço como punição disciplinar para juízes.

Pelo menos foi esse o entendimento no caso de um magistrado de Mangaratiba (RJ), acusado de favorecer grupos políticos da cidade e policiais militares milicianos. A despeito da seriedade das condutas atribuídas, ele receberia como pena a possibilidade de ficar em casa sem trabalhar, com direito a vencimentos mensais.

O STF houve por bem se opor a essa mamata corporativista. De acordo com a decisão, restando comprovado que o juiz incorreu em infrações graves, sua sanção deve ser mais firme: a perda do cargo, sem direito a quaisquer montantes ligados à atividade jurisdicional, aí incluídos os de natureza previdenciária.

Entrevista: divisão no país não é ideológica, mas explica 'paralisia na avaliação' de Lula, diz Jairo Nicolau

Por Caio Sartori – O Globo

Após analisar triunfo de Bolsonaro em livro, professor da FGV destrincha mudanças vivenciadas pelo país entre a primeira e a última vitória do petista. Para ele, só a economia não é mais suficiente para garantir sucesso eleitoral

Depois de “O Brasil dobrou à direita”, no qual analisa o triunfo eleitoral de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, o cientista político Jairo Nicolau, professor do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV), publica agora “O país dividido”, também pela editora Zahar. Trata-se de um diagnóstico das mudanças sociais, demográficas e políticas vivenciadas nacionalmente entre a primeira vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, e a última, em 2022. E elas são muitas.

Em entrevista ao GLOBO, Nicolau afirma que a economia é insuficiente, hoje, para medir se um presidente será ou não bem-sucedido. A divisão do país, diz, não é ideológica, mas produz repulsas intransigentes e dificulta a melhora na avaliação do petista.

Temas morais e a segurança ganharam protagonismo nos últimos anos. Eles podem suplantar o debate econômico ou ainda “é a economia, estúpido”, como diz a máxima política?

Entrevista: 'Alcolumbre quer sentar com Lula e recompor a relação', afirma o ministro José Guimarães

Por Fabio Graner e Sérgio Roxo - Globo, domingo,31/05/2026

Petista avalia que o presidente do Senado não deve criar dificuldades para avançar até outubro com a PEC do fim da escala 6x1 e vê caminho para aproximar campanha à reeleição das siglas de centro

O ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirma que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está disposto a recompor a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não deve criar dificuldades para avançar até outubro com a PEC do fim da escala 6x1, bandeira que será usada na campanha à reeleição. Alcolumbre foi um dos responsáveis pela derrota do advogado-geral da União, Jorge Messias, na indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas Guimarães diz que o governo “aprumou o passo” após o revés.

Como o governo vai atuar para que o fim da escala 6x1 avance no Senado?

Polarização nacional deve impactar eleição proporcional, por César Felício

Valor Econômico

PT e PL devem crescer na Câmara, Centrão ficar espremido e partidos pequenos desaparecerem

A eleição para a Câmara dos Deputados, muito mais encoberta que presidencial, a de governadores e—particularmente este ano—a de senadores, pode trazer surpresas.

Previa-se até o início do ano uma taxa de renovação excepcionalmente abaixo do normal, com os atuais deputados federais tendo suas campanhas turbinadas pela execução impositiva de emendas parlamentares. Esta rota está sendo recalculada. Entre analistas políticos e nos corredores do Congresso trabalha-se agora com um cenário de renovação alta. Talvez bata nos 44% das eleições de 2010, 2014 e 2022 ou se aproxime dos 52% registrados em 2018.

A semana que mudou tudo para continuar na mesma, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Aprovação do fim da escala 6x1 e decisão de Trump sobre CV e PCC mostram que Lula e Flávio Bolsonaro continuam no páreo

Para aqueles que, como eu fiz na coluna de 4 de maio, acreditaram que Lula havia se tornado um pato manco no final de seu terceiro mandato depois da rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo, a aprovação do fim da escala 6x1 e da redução da jornada semanal para 40 horas provou que o presidente ainda tem capital político para obter dividendos eleitorais importantes.

É verdade que essa pauta não constava entre as prioridades e os objetivos do governo Lula. Ainda que fosse uma bandeira antiga dos sindicatos, a proposta ganhou força com uma mobilização nas redes sociais, inicialmente capitaneada pelo movimento Vida Além do Trabalho e, na sequência, com o protagonismo da deputada Erika Hilton (Psol-SP).

Na reta final, porém, Lula se empenhou pessoalmente nas articulações para acertar os termos da transição com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e, assim, viabilizar a votação.

Desconfie de tudo na eleição, por Dora Kaufman*

O Globo

A palavra de ordem é checar. Checar tudo o que recebemos, não importa se veio de um grupo de família ou de amigos próximos

O calendário eleitoral de 2026 prevê o início oficial da propaganda, nas ruas e na internet, apenas em 16 de agosto, mas, na prática, a campanha já começou. E começou pela desinformação. As fake news têm origens múltiplas e difusas: nascem nas declarações dos políticos e são amplificadas pela mídia, espalham-se nos posts de influenciadores digitais — remunerados ou engajados — e se disseminam nas redes de partidos, candidatos e apoiadores, sejam eles espontâneos ou parte de esquemas pagos pelas próprias campanhas.

A mais nova startup da direita disponível na prateleira partidária, por Miguel de Almeida

O Globo

O Missão critica o sistema, mas nasceu dentro dele. No início, o PT também

Jair Bolsonaro tentou e não conseguiu criar seu próprio partido. Semelhante ao que as tendências de esquerda (Convergência etc.) fizeram no PT, teve de fazer um “entrismo” no PL e conviver sob o teto de Valdemar Costa Neto. A turma do MBL chegou lá em novembro passado e pôs na praça o Missão, a mais nova startup da direita disponível na prateleira partidária.

— Somos mais capazes que ele — diz sobre Bolsonaro Renan Santos, presidente do Missão e candidato à Presidência. — Ele é um homem fraco e um traidor. É um mérito que respeitamos.

O leitor certamente já ouviu falar de Romeu Zema e de Ronaldo Caiado, personagens da política regional. Mas dificilmente ouviu algo sobre Renan Santos. Exceto que as pesquisas eleitorais o colocam em empate técnico com os dois ex-governadores. Na Atlas/Bloomberg, a pontuação do novato Missão tem humilhado máquinas poderosas do PSD de Kassab e do volúvel Novo.

— O Novo é o PCdoB do PL — alfineta Renan.

E não sem razão: o candidato do partido, Romeu Zema, recebe puxões de orelha em público sempre que critica Flávio Bolsonaro.

Eleições do medo, por Irapuã Santana

O Globo

A alta disponibilidade de imagens de violência urbana na memória faz com que o eleitorado reaja à possibilidade do perigo com urgência máxima

No último dia 28, foi publicada uma pesquisa do Instituto Ideia em parceria com o Canal Meio apontando que o atual presidente aparece com 46,5% das intenções de voto, ante 41,4% de Flávio Bolsonaro. O cenário se modificou substancialmente, uma vez que o senador tinha 45,3%, ante 44,7% de Lula, em 6 de maio.

Entretanto o quadro possui outros ingredientes importantes para ler o que se passa. Mesmo com essa diferença de 5,1 pontos percentuais, o governo é desaprovado por 51,4% dos eleitores, enquanto outros 51,4% afirmam que ele não merece mais um mandato.

Incerteza política, por Denis Lerrer Rosenfield *

O Estado de S. Paulo

Seria necessário que se consolidasse ou surgisse uma terceira via, voltada para o congraçamento nacional, para além da polarização reinante

Se há algumas semanas podia-se dizer que o senador Flávio Bolsonaro era o favorito na disputa presidencial, num movimento de ascensão, enquanto o seu oponente seguia a curva inversa, não se pode mais sustentar tal posição. O estrago produzido por sua relação próxima com o banqueiro/facínora Daniel Vorcaro é significativo. Lula, por sua vez, viceja em seus erros, embora esteja ele mesmo envolvido por atos passados de corrupção como aconteceu no mensalão, no petrolão, no sítio de Atibaia e no apartamento do Guarujá. A disputa pelo andar de baixo é acirrada, e o Brasil encontra-se cada vez mais à deriva, sem opções claras. E o cenário eleitoral tornou-se ainda mais indefinido.

Limites da diplomacia de facção de Flávio, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

O tipo de diplomacia informal que Flávio Bolsonaro foi fazer em Washington depende de afinidade ideológica

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) bateu no peito e assumiu o crédito pela decisão do governo americano de declarar o PCC e o Comando Vermelho, facções criminosas brasileiras, como terroristas. Espera, com isso, ganhar a fama de durão e os votos de quem acredita em uma bala mágica capaz de acabar com a bandidagem. No caso, por meio de uma intervenção externa, um Trump ex machina descendo à terra com uma solução milagrosa. Pura demagogia. A nova classificação dos Estados Unidos para o PCC e o CV vai gerar ruído com o governo brasileiro, certamente, e talvez nem cause tanto dano quanto se tem alardeado, mas bem não vai fazer.

Corrupção honesta' e criminalidade violenta, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Lavagens de dinheiro oriundas de negociatas políticas e de crimes violentos se entrelaçam no caso Master

No entanto, quanto pior a reputação das instituições brasileiras, menor sua capacidade de efetivamente responder ao desafio que enfrenta

Há mais de dois anos escrevi sobre a Tammany Hall: uma espécie de confraria que dominou o partido democrata em Nova York por 40 anos, inspirou filmes e livros, e acabou virando símbolo de máquina política corrupta. Foi desmantelada nos anos trinta do século passado, mas na literatura especializada em corrupção é o exemplo paradigmático de corrupção política. Ao contrário do que afirmava um dos seus líderes, em uma fórmula célebre, não se tratava apenas do que chamou "corrupção honesta" —ou seja, aquela que envolve apenas "conflito de interesses", fraudes em licitações e blindagem contra punições. O esquema corrupto envolveu paulatinamente "corrupção desonesta" por "saqueadores" (desvios) e se entrelaçou com a criminalidade violenta liderada pelo capo Lucky Luciano.

Elas não? Por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Desde a criação do Supremo, em 1891, nunca uma mulher negra ocupou um dos assentos da Corte

Nomear uma mulher negra para o STF demanda interesse e disposição para alterar o equilíbrio de forças no poder

Desde a histórica rejeição do nome indicado pelo presidente da República para ocupar o cargo que se encontra vago no STF, a mobilização em prol da indicação de uma mulher negra para compor a corte suprema voltou a ganhar força.

Mais do que justa, a reivindicação encabeçada pelos movimentos sociais negros é necessária e urgente num país em que a maioria da população é feminina (51,5%) e negra (56%), segundo o IBGE. Contudo, desde a criação do Supremo, em 1891, nunca, nunquinha, jamais uma mulher negra ocupou um dos assentos da Corte.

A votação simbólica não é a vilã, por Lara Mesquita*

Folha de S. Paulo

Verdadeiro escândalo do Congresso é a votação remota, que permite que deputados votem durante sessão de cinema

Votação simbólica é mecanismo amplamente utilizado em democracias com legislaturas profissionalizadas

No último domingo (24), a Folha publicou, com destaque em sua capa da versão impressa, matéria sobre o uso de votações simbólicas pelo Congresso brasileiro, sob o argumento de que esse expediente comprometeria a legitimidade e a transparência do Legislativo.

Como discuti neste espaço em julho de 2025, a ciência política já identificou mecanismos que legislaturas "ocupadas", com alta demanda de temas a serem discutidos e votados, utilizam para organizar o trabalho legislativo e otimizar o tempo escasso. A votação simbólica, também chamada de "unrecorded collective vote", "voice vote" ou "signal vote", é um deles. A distribuição desigual do tempo de discurso entre líderes partidários e deputados ordinários é outro.

Morte de Edgar Morin retoma ousadia de sua obra em pensar o novo

Por Alfredo Pena-Veja e Elimar Pinheiro do Nascimento* - Folha de S. Paulo

Filósofo e sociólogo ficou marcado pela curiosidade do saber

Ele exibiu tanto a sua dúvida quanto a sua crença no humano em obras que interligaram diferentes ciências

Edgar Morin, morto na última sexta-feira, foi um homem marcado pela curiosidade do saber, pela ousadia de pensar o novo e de criar um mundo diferente.

Atraído por muitas questões, foi um homem de muitas facetas. Foi um predecessor em muitas áreas, desde seu primeiro livro, aos 25 anos, em 1946, "O Ano Zero da Alemanha". Com esse trabalho, o sociólogo francês —que escreveria ainda "A Sociologia: Do Microssocial ao Macroplanetário", em 1984—, inaugura o que veio a se chamar a sociologia do presente. Pensamento que, no Brasil, atravessa a obra de Ana Clara Torres Ribeiro e tem celebridades nas ciências sociais como Alain Touraine, Michel Maffesoli, Zygmunt Bauman, Manuel Castells, Richard Sennett, Danilo Martuccelli e Saskia Sassen.

A Saga do Tri: a Frente Democrática de 70, por Vagner Gomes*

"É numa tal linha de pensamento que se há de fazer a determinação das reformas e transformações constituintes da revolução brasileira. Isto é, não pela dedução a priori de algum esquema teórico preestabelecido; de algum conceito predeterminado da revolução. E sim pela consideração, análise e interpretação da conjuntura econômica, social e política real e concreta, procurando nela sua dinâmica própria que revelará tanto as contradições presentes, como igualmente as soluções que nela se encontram imanentes e que não precisam ser trazidas de fora do processo histórico e a ele aplicadas numa terapêutica de superciência que paira acima das contingências históricas efetivamente presenciadas. A análise e determinação adequadas daquelas contradições nos devem revelar desde logo — sob pena de se infirmar a análise e interpretação efetuadas que se revelariam em tal caso falhas ou insuficientes —, devem revelar por si e sem mais indagações as soluções que naturalmente implicam e em consequência comportam e justificam." (Caio Prado Júnior, A Revolução Brasileira).

A série “Brasil 70: a saga do tri”, que a Netflix lançou há duas semanas da abertura da Copa do Mundo de 2026, tenta furar um mosaico de “bolhas de interesses” a silenciar as ruas brasileiras quando o tema é a confiança num bom desempenho da seleção brasileira. Então, trata-se de uma produção muito didática para que as novas gerações entendam o sentido da frase “a falta de confiança é um sentimento reacionário” nas bocas do jornalista João Saldanha (Rodrigo Santoro numa lindíssima atuação).

Trata-se, sobretudo, de uma aula sobre o que um dia foi o chamado “futebol arte” antes de termos passado pela chamada “era Dunga”. Nas quatro linhas de campo, assim como nas linhas das alianças políticas, os brasileiros tinham uma alma com características semelhantes, pois se deixavam maravilhar com as invenções dos dribles de futebol e com os grandes lances da política. O melhor exemplo dessa interseção da “invenção” no futebol e na política foi a escolha de um reconhecido militante comunista para assumir o comendo da Seleção Canarinho nos “anos de chumbo” da Ditadura Militar. 

Poesia | Lirismo dos loucos, de Manuel Bandeira |

 

Música | Nara Leão - Olé, Olá

 

domingo, 31 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Debate eleitoral deve ir além dos nomes na urna

Por O Globo

É essencial tratar de questões estruturais, como emendas ou representação na Câmara

As eleições de outubro caminham mais uma vez para um quadro marcado pela polarização. A escolha do próximo presidente será novamente ditada pela preferência por este ou aquele nome, no máximo esta ou aquela linha ideológica. Ao mesmo tempo, por mais que lideranças sejam fundamentais, ninguém terá, sozinho, o condão de resolver as mazelas crônicas que afligem o Brasil.

Do caso Collor ao Banco Master, parece não ter fim a sucessão de escândalos políticos. Tal persistência reflete problemas estruturais. São pífios os incentivos para enfrentar questões relevantes como educação, saúde ou segurança. Em vez disso, a classe política parece preocupada exclusivamente em manter o poder e desfrutá-lo em benefício próprio. Nas palavras do colunista do GLOBO e ex-ministro Pedro Parente, o Brasil “tem um sistema doente”.

Visão prejudicada, por Merval Pereira

O Globo

Aprovar que uma lei dessas seja imposta ao Brasil a pedido de brasileiros é abrir mão da soberania nacional, ainda mais baseado em distorções mentirosas.

Pela segunda vez a família Bolsonaro atuou junto ao governo dos Estados Unidos para que o presidente Trump tomasse atitudes contra o governo brasileiro, como se tratasse apenas de uma luta política entre eles e o PT do presidente Lula. Sem uma visão de longo prazo, e com uma política externa atrelada aos interesses americanos, repetindo a velha máxima do então embaixador brasileiro nos Estados Unidos Juracy Magalhães, “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Se a frase em 1965 já chocou, em plena ditadura militar, o conceito, nos dias de hoje, é mais anacrônico ainda, mas norteia o pensamento dos Bolsonaro.

Morando nos Estados Unidos, declarando-se autoexilado por questões políticas, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro utiliza a proximidade ideológica com alguns dos principais assessores do presidente Trump para estimular atitudes hostis ao governo de esquerda do Brasil, como se tudo que fosse ruim para os petistas fosse bom para o Brasil. Numa estreiteza política típica, esquecem os Bolsonaro que algumas decisões autoritárias do governo americano têm o poder de ferir a economia brasileira, como no tarifaço decretado por Trump, enquanto outras, como declarar terroristas as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) ferem a soberania brasileira.

Sucessivos governos brasileiros, de diferentes sotaques políticos, evitaram nos últimos 30 anos enfrentar a questão do crime organizado. Temia-se que a questão, constitucionalmente afeita aos estados, pudesse trazer culpas diretas para o Presidente da República. Em seu primeiro mandato, o presidente Lula criou um Gabinete de Segurança Pública com esse objetivo, e levou o sociólogo Luiz Eduardo Soares para dentro do Palácio do Planalto para executar a nova política. Mais por intrigas palacianas do que por problemas concretos, não chegamos a ter a implantação de medidas contra a bandidagem a nível nacional.

O presidente Michel Temer, anos depois, subiu o patamar da preocupação criando um ministério de Segurança Pública, conduzido com muita competência pelo falecido ministro Raul Jungmann. O ministério, que nasceu com o epíteto de “extraordinário”, teve atuação incipiente e foi abandonado pelo governo Bolsonaro. O problema só fez crescer e tomar conta de diversos territórios, hoje sob o domínio das gangues criminosas. A volta do ministério da Segurança Pública tornou-se tema inevitável, pois a sensação de insegurança domina amplas parcelas da população, mesmo as que não vivem em territórios ocupados. Os assaltos diários de celulares são exemplares dessa situação.

Ser favorável a chamar os Estados Unidos para ajudar nesse combate é uma reação natural de quem sofre com os criminosos impondo suas regras e arrecadação a cada vez mais gente. Mas deveria ser mais estudado por políticos que se consideram aptos a assumir a Presidência da República. O senador Flavio Bolsonaro, seu pai e acólitos, ganharam um bom tema para a campanha eleitoral, mas perderam a chance de mostrarem-se preparados para a tarefa que ambicionam. Os poderes autoritários que o governo de Donald Trump recebe da lei americana para punir autoridades de outros países de acordo com seus pontos de vista são exorbitantes quando se pensa na soberania de cada um.

O sequestro do ditador Nicolas Maduro na Venezuela é exemplar dessa possibilidade. Não importa que Maduro seja ditador, nem que seja um abusador dos direitos humanos. Nenhum país, incluindo os Estados Unidos, tem o direito de decidir terminar pela força um governo estrangeiro. Nem mesmo para teoricamente defender a democracia. Aprovar que uma lei dessas seja imposta ao Brasil a pedido de brasileiros é abrir mão da soberania nacional, ainda mais baseado em distorções mentirosas. O governo petista não tem nada a ver com as facções criminosas, e a inação é a mesma de outros governos, inclusive o de Bolsonaro, por motivos que nada têm de cumplicidade. Que os Poderes da República estão contaminados pela infiltração criminosa não há dúvidas. Inventar ligações criminosas para alimentar o embate político é se reduzir a um mero contraventor eleitoral.

Os patriotas pelo avesso, por Míriam Leitão

O Globo

O patriotismo histriônico e estigmatizado não tem nada a ver com o verdadeiro amor à pátria ou o entendimento de quais são os reais interesses do Brasil

Talvez o momento mais verdadeiro do nacionalismo da direita tenha ocorrido quando manifestantes bolsonaristas estenderam a bandeira norte-americana na Avenida Paulista em pleno dia da pátria brasileira. Eles se denominam “patriotas” e se cobrem de verde e amarelo, mas comemoram barreiras contra as exportações brasileiras, pedem intervenção americana nas eleições nacionais e, agora, tratam como uma vitória o que é um evidente risco para o país e suas instituições.

A escala e a urna, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Proposta tirou esquerda da inércia, emparedou Centrão e deixou bolsonarismo sem saída

A proximidade da eleição faz milagres. Na quarta-feira, a Câmara aprovou o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Meses atrás, pouca gente em Brasília acreditava que a proposta iria adiante. Não só foi, como passou com folga: teve apoio de 95% dos deputados presentes.

O placar de 472 a 22 pode dar a impressão de que os parlamentares fizeram uma autocrítica e decidiram se irmanar em defesa da classe trabalhadora. Não foi bem isso. A derrubada da 6x1 é resultado de uma articulação rara, que tirou a esquerda da inércia, emparedou o Centrão e deixou o bolsonarismo sem saída.

Vizinho novo, por Dorrit Harazim

O Globo

Bilionário plurinacional, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril e veio parar na Buenos Aires de Javier Milei

Tem vizinho novo no pedaço. Segundo revelou o New York Times, o bilionário plurinacional Peter Thiel, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril último e veio parar, quem diria, na Buenos Aires de Javier Milei. Instalado com o marido e dois filhos numa mansão de 1.600 metros quadrados e US$ 12 milhões no classudo Barrio Parque, Thiel tem demonstrado gosto pela aculturação. Já disputou um torneio local de xadrez, assistiu a um clássico entre Boca Juniors e River Plate, deu uma esticada a Bariloche e até virou meme comendo uma parrilla.

Imigrado ilustre, teve recepção calorosa do governante argentino. “Foi um anarcocapitalista que conhece outro anarcocapitalista”, resumiu Milei ao relatar o encontro na Casa Rosada. “Todos os bilionários do mundo que queiram fugir de países cada vez mais regulados, com impostos mais altos e governos que perseguem seus cidadãos, são bem-vindos na República Argentina, a nova terra da liberdade”, justificou o chefe de gabinete do presidente perante o Congresso.

Da cooperação à intervenção, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump usa PCC, CV e Seção 301 para mandar no Brasil e dominar o ‘quintal dos Estados Unidos’

A classificação de PCC e CV como organizações terroristas, uma ameaça inaceitável à soberania brasileira, num contexto de intervenção na América Latina, pode não ser a única arma de Donald Trump contra o Brasil. Planalto, Itamaraty e setores alvos já se preparam para uma nova bomba: a conclusão do processo americano com base na Seção 301, que pode fazer grandes estragos na economia. O prazo está vencendo...

Crise na Bolívia: por que nos interessa, por Sergio Fausto*

O Estado de S. Paulo

As sementes da enorme instabilidade que hoje se colhem foram plantadas por Evo, quando tentou se perpetuar no poder a qualquer custo

Pouco se fala, no Brasil, sobre a crise política em que mergulhou a Bolívia nas últimas semanas. A desatenção é um equívoco. Compartimos com o país vizinho a nossa maior fronteira, um gasoduto importante e populações de imigrantes. Além disso, a cooperação bilateral é chave para o combate ao crime organizado. A manutenção da ordem democrática na Bolívia é do interesse do Brasil.

Vamos aos fatos. No começo de maio, partindo de distintos pontos do país, colunas de manifestantes convocadas pela Central Obrera Boliviana, sindicatos e movimentos ligados a trabalhadores mineiros e agricultores indígenas puseram-se a marchar em direção a La Paz. Pouco a pouco, a capital boliviana se viu cercada por bloqueios que impedem o acesso terrestre à cidade. Seguiram-se confrontos entre manifestantes e tropas da polícia e do Exército, que buscam desobstruir as estradas, com um saldo de quatro mortos, dezenas de feridos, centenas de presos e prédios públicos apedrejados. Agrava-se a cada dia o risco de desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustível na capital boliviana. Há bloqueios também em outras regiões do país.

Nova designação de CV e PCC traz riscos ao Brasil, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo 

A designação do PCC e do CV como grupos terroristas beneficia o crime organizado, Flávio Bolsonaro e Donald Trump, e cria riscos para os brasileiros, as Forças Armadas, a polícia, o Ministério Público, a economia, a soberania e a democracia. O regime adotado pelos EUA no combate ao terrorismo aumenta o sigilo e diminui o compartilhamento das informações com as polícias e o MP estaduais e federais.

O FBI investiga o terrorismo doméstico. Já os grupos designados terroristas fora do território americano são objeto da CIA e das forças armadas.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as ações antiterroristas passaram a tramitar em tribunais secretos, que suspendem os direitos dos cidadãos estrangeiros.

Para que serve a política? Por Ana Dubeux

Correio Braziliense

A tragédia que se abateu sobre o BRB traz lições relevantes. Ajuda a distinguir aqueles que estão comprometidos com o futuro do Distrito Federal daqueles que buscam o poder a qualquer custo.

A verdadeira política sobrevive ao proselitismo. Ela deve estar além de alinhamento partidário-ideológico e existir para o seu fim: trazer benefícios reais às pessoas. O acordo firmado, na última quinta-feira, entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União, que permite ao BRB adquirir um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mostra mais do que costumamos ver na política: uma prova de que o governo federal existe também para socorrer os entes federativos, independentemente da relação entre o presidente da República e as forças que elegeram e sustentaram a chapa Ibaneis Rocha-Celina Leão.