sexta-feira, 12 de junho de 2026

A festa junina de Alcolumbre, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Cercado por investigações, presidente do Senado aponta mira contra os cofres públicos

Em clima de festa junina, Davi Alcolumbre acendeu o pavio e tapou os ouvidos. O presidente do Senado articulou a aprovação de três pautas-bombas na quarta-feira. Somadas, elas podem custar mais de R$ 200 bilhões aos cofres públicos.

No plenário, os senadores aprovaram a criação de mais uma linha de crédito rural. O pretexto foi socorrer produtores prejudicados por conflitos internacionais ou eventos climáticos extremos.

Segundo cálculos da Fazenda, o agrado aos ruralistas deve custar R$ 140 bilhões em dez anos. Um de seus principais defensores foi o governador gaúcho Eduardo Leite, que ensaiou concorrer ao Planalto como expoente do liberalismo.

Como chegar ao bolso do eleitor bipolar? Por Vera Magalhães

O Globo

Ainda, não disponível no portal do jornal

A geração Z é mais conservadora? Por Pablo Ortellado

O Globo

É preciso cautela antes de fazermos afirmações generalizantes sobre o conservadorismo entre os jovens

Muitos leitores já devem ter escutado que os jovens da geração Z (que têm hoje entre 14 e 29 anos) são conservadores. A tese partiu da observação de certos traços demográficos da preferência partidária nos Estados Unidos, depois se expandiu para outros aspectos e se observou em outros países, inclusive no Brasil.

A ideia encontrou respaldo em produtos culturais como as minisséries “Adolescência” e “Por dentro da machosfera” (ambas da Netflix), que mostraram a difusão da misoginia entre os jovens, além de episódios do noticiário policial como o estupro coletivo em Copacabana. Agora, um relatório da More in Common mostra que as evidências dessa tendência no Brasil são bastante ambivalentes. É preciso cautela antes de fazermos afirmações generalizantes sobre o conservadorismo entre os jovens.

Livro propõe 'radicalização democrática' contra autoritarismo, Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Obra reúne 13 pesquisadores que elaboram diagnósticos e soluções para enfrentar crise da democracia no Brasil

Autores defendem fortalecimento do controle político, afirmação da imparcialidade e garantia do pluralismo

Há menos de quatro anos, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) consultava a cúpula militar sobre a possibilidade de reversão dos resultados da eleição de 2022, da qual Lula (PT) saiu vencedor.

Nos anos anteriores, Bolsonaro vinha incutindo entre os eleitores a desconfiança em relação às urnas eletrônicas, por meio de uma série de acusações infundadas que disseminava em uma aparição pública após a outra.

A democracia brasileira atravessou um período de grave crise —como atestaram os principais índices de monitoramento globais—, mas, no fim, não houve golpe. Passada a tempestade, novo livro do Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo), instituição independente e privada, dá um passo atrás para examinar quais fatores permitiram o avanço do autoritarismo no país e, principalmente, como revertê-los.

Sem Copa em 2026, o Brasil do futebol mitológico vai bater recorde de derrotas, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Time masculino jamais ficou mais de cinco disputas seguidas sem levar o título

Além da falta de vitórias, para o bem ou para o mal o esporte fica sem lendas e mitos

Jamais o Brasil ficou mais de cinco Copas seguidas sem ganhar o título mundial. Caso não vença neste 2026, a sexta, será um "recorde", como gosta de dizer o jornalismo que lida com números quaisquer.

Para o jornalismo esportivo, seria uma nova "escrita", um mitológico tabu, no caso um histórico comprido de estatísticas negativas. Quase nunca esses números dizem algo, como tantos recordes da economia e as estatísticas engraçadas discutidas em mesas-redondas boleiras.

Populismo penal custa caro, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Não há apoio empírico à tese de que redução da maioridade penal diminui criminalidade

Agravamento de penas, embora fartamente utilizado, também tem pouco impacto nas estatísticas

Não sou um fundamentalista dos 18 anos. Se alguém me apresentasse um trabalho científico razoavelmente rigoroso mostrando que a redução da maioridade penal tem impacto nas estatísticas de criminalidade, eu apoiaria a PEC que baixa dos 18 para os 16 anos a idade com que jovens podem ser levados a enfrentar a Justiça criminal. Eu receio, porém, que não exista nenhum estudo sério que dê amparo empírico à medida.

Copa testará outra vez se política e futebol se misturam, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A ciência política registra que a mistura do esporte com eleição só prospera em regimes autoritários

O histórico de 32 anos que o desempenho do Brasil no Mundial não influi na decisão do eleitorado

Iniciada a Copa do Mundo, os políticos precisarão dar tratos às cacholas para manter acesa a chama de uma campanha eleitoral cuja antecipação não mobiliza a maioria da população. Desinteresse que tende a se aprofundar durante as próximas semanas.

O torneio termina em 19 de julho, véspera do início das convenções partidárias que até o dia 5 de agosto deverão ter definidas as respectivas candidaturas majoritárias e proporcionais.

A volta do bigodinho, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Fora de moda desde os anos 1950, retornou com os jogadores da seleção brasileira

Rayan, Martinelli, Ibañez, Raphinha, Endrick e Éderson são apenas alguns dos novos portadores

Se lhe disserem que essa ou aquela moda passará para sempre, não acredite. Nada é para sempre, muito menos modas. Um dia, xis anos depois, ela voltará e será recebida como grande novidade. Só nos últimos anos vimos a volta do delineador, do cílio postiço, da sobrancelha a lápis, de homens com sapatos sem meias e, quem diria, do álbum de figurinhas.

Aula de democracia, por Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo

No século 21, os temas da democracia e do funcionamento da ordem institucional não podem continuar sendo tratados como secundários

Viver em Democracia, publicação da Fundação Fernando Henrique Cardoso e do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, de distribuição gratuita e voltada para escolas do ensino médio (2026), é uma demonstração concreta de como suprir um grande vazio no currículo escolar brasileiro, a educação para a democracia.

Os autores, Bernardo Sorj e Sergio Fausto, começam com uma narrativa histórica da evolução das formas de governo, dos sistemas tribais aos Estados modernos e evoluem para a apresentação e análise de temas centrais e prementes como a divisão e conflitos de poderes, a importância das constituições, o funcionamento dos partidos e sistemas eleitorais, as relações entre capitalismo e democracia, e os desafios concretos de viver em regimes democráticos imperfeitos e permanentemente ameaçados. Não se furtam à defesa explícita de valores – liberdade, igualdade e fraternidade – a serem exercidos por meio de sistemas representativos eficazes e comprometidos com o bem comum. Mostram como a democracia não é um estado de coisas dado, mas uma conquista histórica carregada de disfuncionalidades e disputada por forças autoritárias que procuram corrompê-la por dentro ou destruí-la frontalmente.

O Brasil sob ataque, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump, os Bolsonaros e Alcolumbre miram Lula, mas acertam no coração do Brasil

Assim como a família Bolsonaro usa a Casa Branca, o senador Davi Alcolumbre usa e abusa do Senado para impor danos graves à economia, não de um governo que está no fim, mas do próprio Brasil. Alcolumbre, Flávio e Eduardo Bolsonaro miram o presidente e pré-candidato Lula e acertam nos próximos governos e no coração do Brasil.

Já que estamos em tempos de Copa do Mundo, vale dizer que tanto os Bolsonaros quanto o presidente do Senado estão “trocando as bolas”, ao confundir suas questões políticas e pessoais com o que realmente interessa e pesa, ou deveria pesar, acima de tudo: o interesse nacional.

Uma vice mulher decorativa? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

A escolha do vice é também construção de narrativa. Mas a narrativa precisa ser crível

Qual é o perfil de vice mulher que o senador e précandidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), deseja? Até agora, os sinais não são nada animadores.

Depois da derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, está evidente que o público feminino é um problema para a campanha.

Conforme a mais recente pesquisa Meio/Ideia, 47,6% das mulheres pretendem votar em Lula no segundo turno e 39% em Flávio. Entre os homens, o cenário é mais equilibrado: 45,3% para Lula e 44% para Flávio.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pautas-bomba são irresponsabilidade do Congresso

Por O Globo

Executivo faz bem em recorrer à Justiça para revertê-las, mas também tem sido pródigo em ‘bondades’

Não só o Executivo tem se esmerado em abrir a torneira dos gastos para distribuir “bondades” eleitoreiras. O Legislativo não fica atrás. Os senadores têm se empenhado em agradar a públicos específicos com distribuição farta de recursos do Orçamento. Três projetos que avançaram nesta semana terão impacto estimado em R$ 217 bilhões nas contas públicas e, por bom motivo, foram chamados de pautas-bomba. Se aprovados, dois desfechos são possíveis: ou drenarão dinheiro de áreas prioritárias; ou o governo aumentará o gasto e a dívida pública — ou uma combinação de ambos. Não faz sentido apoiá-los, pois explodirão no colo de todos.

Poesia | Maça, de Manuel Bandeira

 

Música | Beth Carvalho - Agradecer (Sueli Costa)

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PEC do Trabalho Flexível merece atenção do Senado

Por O Globo

Trata-se de alternativa sensata à proposta aprovada na Câmara em meio a preconceito contra empresários

O debate na Câmara sobre o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, ou 6x1, não foi contaminado apenas por interesses eleitoreiros, mas também pelo preconceito injustificável contra os empresários. Nos discursos demagógicos que antecederam a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a escala 6x1 foi comparada à escravidão, enquanto os empreendedores eram tomados por exploradores insensíveis, condenados moralmente apenas por correr o risco de tocar um negócio. É inacreditável que, num país onde vigoram livre mercado e livre-iniciativa, prosperem no Parlamento tais comparações estapafúrdias, demonizando quem gera emprego e responde pelo funcionamento da economia.

Más notícias para Flávio Bolsonaro, por Míriam Leitão

O Globo

O caso Master causou danos à campanha do filho do ex-presidente, mas sua atuação no caso das tarifas também trouxe um viés negativo

O presidente Lula comemorou ontem melhoras pontuais na avaliação geral do governo e em algumas políticas na pesquisa Genial/Quaest. Já o senador Flávio Bolsonaro amargou a má avaliação dos seus atos, palavras e estratégia. A pior notícia para o candidato da extrema direita não foi a maior distância em intenção de votos entre ele e Lula e sim a reprovação da sua conversa com Daniel Vorcaro, do financiamento do filme “Dark Horse”, e do uso do governo americano como parte da estratégia eleitoral. As tarifas foram vistas como prejudiciais às empresas brasileiras e 47% concordam com Lula quando ele acusa Flávio de ter pedido por novas tarifas.

Flávio retrocede, por Merval Pereira

O Globo

Como a eleição será resolvida, ao que tudo indica, pelos “independentes”, pragmáticos como aconteceu em 2022, qualquer escorregão, de um lado ou do outro, poderá ser decisivo

A eleição está nas mãos dos “swing voters” tupiniquins. A mesma lógica que leva alguns estados americanos, como Geórgia ou Arizona, a votar às vezes nos republicanos, outras nos democratas, faz com que esse tipo de eleitor, classificado como “independente” pela Quaest, troque de voto à medida que os fatos eleitorais vão acontecendo. Aí não entram preferências ideológicas, mas outras questões, como percepção de corrupção, receio de que um partido continue no governo ou de que outro ascenda ao Palácio do Planalto. No caso atual, há os dois fatores em jogo: Lula ir para o quarto mandato, ou Bolsonaro voltar à presidência por intermédio de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro.

Dez Brasis para pagar a conta das pautas-bomba do Senado, por Julia Duailibi

O Globo

Cada um pensa na própria fogueira, e o Tesouro que lide com o incêndio na floresta

Em ano de eleição, uma máxima da política brasileira segue impiedosa: farinha é pouca, meu pirão primeiro. Nos últimos dias, o Senado, tido como “casa da moderação”, pôs para andar diferentes pautas-bomba como se não houvesse amanhã. Os senadores até se esforçam para imprimir caráter republicano às votações, mas a verdade é uma só. A preocupação que os norteia hoje, independentemente da conta bilionária que fica para o país, é a reeleição.

Num consórcio que vai do PL ao PT, cada senador faz um cálculo particular, segundo o qual tudo bem aprovar uma pauta-bomba aqui e outra acolá, desde que elas o ajudem a se segurar na cadeira por mais oito anos. Ninguém vê tamanho empenho para aprovar pautas de interesse coletivo como a PEC da Segurança.

Alvejado no Master, STF renova figurino de guardião, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Protagonismo na regulação digital e na contenção das pautas-bomba mostra esforço da Corte em sair da sombra do Master

Da regulação digital à barreira contra as bombas fiscais, o Supremo Tribunal Federal começa a pavimentar as condições para reprisar o papel de “guardião da democracia e da estabilidade” que o envolvimento de ministros da Corte com o Master de Daniel Vorcaro e sua divisão sobre o código de ética puseram em xeque.

A primazia na regulação digital nas eleições começou a ser delineada na sessão desta quarta quando começaram a ser apreciados 12 embargos à decisão da própria Corte sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet.

A Cidade Limpa não está à venda, por José Serra

O Estado de S. Paulo

A lei é patrimônio dos paulistanos, é resultado de uma escolha coletiva: o espaço público não seria mais suporte publicitário a serviço do capital privado

Em março de 2006, assinei a Lei n.º 14.223, como prefeito de São Paulo. Muitos disseram que ela não sobreviveria à pressão do mercado publicitário, às liminares que viriam, ao lobby das agências e das empresas de mídia exterior. Sobreviveu. Sobreviveu porque era e é uma lei justa, tecnicamente bem construída e, acima de tudo, profundamente enraizada no interesse coletivo dos paulistanos.

Por isso, vejo com indignação o que a atual gestão municipal tentou fazer em março deste ano: usar o artigo 50 da própria Lei Cidade Limpa, que prevê termos de cooperação para melhorias urbanas, como cavalo de Troia para reintroduzir, pela porta dos fundos, exatamente o que a norma foi criada para eliminar. Refiro-me ao projeto Boulevard São Paulo – Avenida São João, que previa a instalação de painéis de LED de até 1 mil m² nas fachadas de edifícios históricos no cruzamento das Avenidas Ipiranga e São João.

O partido clandestino da extrema direita, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Acima de tudo e acima de todos, é um fenômeno de organização profissional: um partido amarrado por uma disciplina férrea

Acontece nas famílias mais fofas. Na sua também, pode admitir. Aos poucos, meio assim do nada, vai aparecendo lá um sobrinho amuado, uma tia falastrona ou um primo de segundo grau com sintomas esquisitos. Primeiro, discretos. Depois, desinibidos. Até que, num dia aleatório, numa terça-feira à tarde, num feriado modorrento ou numa noite de domingo, o quadro fica patente e escarrapachado. O cidadão ou a cidadã assume de vez o seu bolsonarismo extremofrênico. Aí, é tarde demais.

Nos primeiros surtos, há quem tente argumentar. E o desmazelo com a covid-19? O familiar em questão desconversa. E o contrabando de joias? Fake news. E o apoio aos torturadores? Olhos baços se desviam na direção do teto. Só resta desistir. Não tem cura. Por favor, não vá falar do Banco Master. É perigoso, pode gerar reações inamistosas. Na dúvida, não arrisque. E nunca, em hipótese alguma, fale disso na frente das crianças. Exorcismo não funciona.

Falta rumo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não é nada confortável a situação neste instante dos grupos políticos que se articulam para impedir a reeleição de Lula. Ele é hoje um político em situação de rejeição altíssima, porém similar à do nome do seu principal adversário.

Em boa parte, isso se deve ao hábito de “fazer política” perseguindo o ponteiro das pesquisas de intenção de voto. Claro que elas são relevantes como ferramenta tática, mas trata-se aqui de problemas estratégicos.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro consolidou-se em função de uma série de pesquisas, apesar de as vulnerabilidades dele serem bem conhecidas ainda antes dos áudios com Vorcaro. O que elas evidenciavam não era, necessariamente, um apoio ao nome, mas um desejo enorme de acabar com décadas de lulopetismo no poder.

Como o cenário mudou no TSE, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministros do Supremo e costura de bastidores mudaram tendência sobre ação de Flávio contra pesquisa

Na segunda-feira, logo após a decisão de Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação da pesquisa AtlasIntel que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) em queda, o cenário nos bastidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era de vitória do presidente. A maioria dos sete ministros indicava que confirmaria a liminar na votação em plenário.

Em pouco mais de 24 horas, uma série de fatores provocou mudança no quadro. O primeiro deles foi a repercussão ruim da decisão na imprensa. Ministros do TSE que antes não haviam se atentado para a gravidade do precedente passaram a encarar a liminar não como um caso específico, mas um parâmetro para nortear toda a Justiça Eleitoral no tratamento de pesquisas durante as campanhas deste ano.

O que falta no debate eleitoral sobre segurança pública, por Joaquin Gonzalez-Aleman*

A quatro meses das eleições, é urgente que candidatos e candidatas assumam um compromisso público para não perder mais nenhuma criança para a violência

Um paradoxo marca as eleições brasileiras: crianças estão em todo lugar, em slogans, imagens e discursos, mas nem sempre aparecem efetivamente na disputa eleitoral. Isso é especialmente verdade no debate sobre segurança pública, que é hoje a principal preocupação dos eleitores. Por quê?

A violência preocupa os brasileiros mais do que a corrupção, a saúde ou a economia, segundo pesquisa recente da Genial/Quaest. E não há dúvida de que meninos e meninas são os mais impactados por essa insegurança.

Contra a redução da maioridade penal, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Facções criminosas serão as maiores beneficiadas com a medida

Hoje, 11 mil adolescentes infratores já sofrem privação de liberdade

Qual a melhor alternativa para um adolescente de 16 anos que roubou um celular na rua? Alternativa 1: ser preso para crescer no crime nas prisões brasileiras, onde a taxa de reincidência pode chegar a 50%. Alternativa 2: sofrer internação em unidades socioeducativas com reincidência de menos da metade das prisões.

Nesta quarta (10), a CCJ do Congresso mostrou preferir a alternativa 1: fornecer mão de obra para o crime em vez de investigar infrações graves e favorecer a reabilitação de adolescentes.

Direita subestimou trabalhador sobre escala 6x1, Thaísa Oliveira

Folha de S. Paulo

Talvez por prepotência, bolsonaristas acharam que sobreviveriam às redes sociais defendendo o pagamento por hora

Basta conversar com um caixa de supermercado para entender por que só 22 deputados votaram contra redução da jornada

Sensível ao termômetro das redes sociais, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) percebeu rapidamente a cilada que é a PEC que autoriza a contratação por hora trabalhada, apresentada pelos bolsonaristas em reação ao fim da escala 6x1.

Correu para o plenário para dizer que sempre defendeu o fim da "maldita" escala e continuaria do lado do trabalhador. Cleitinho admitiu estar apanhando —o que os outros 40 signatários da PEC alternativa ainda hesitam em fazer.

Como as encrencas políticas dificultam o fim da 6x1, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Comando do Senado empurra votação com a barriga, no mínimo para prejudicar Lula 4

Congresso está uma zorra, cheio de pautas-bomba; lobby e barganha baixa estão grandes

No calendário político do governo, o fim da escala 6x1 deveria passar no Senado até 17 de julho —no dia 18, começa o recesso parlamentar, férias oficiais que vão até o início de agosto. A aprovação da redução da jornada máxima de trabalho para 42 horas (depois, 40 horas) e das duas folgas por semana já seria em si vitória da causa governista. Se o calendário oficial der certo, a mudança poderia ter efeito prático ainda antes do primeiro turno da eleição, que será no dia 4 de outubro. Seria vitória oficial com volta olímpica. Seria. O caldo anda azedo.

Esquerda está presa na armadilha da judicialização, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Recurso à Justiça é estratégia defensiva que traz vantagens e limitações

Medida pode aumentar perigosamente o poder dos 11 magistrados do STF

A Parada LGBT+ é hoje o único movimento progressista que mobiliza e leva multidões de brasileiros às ruas. Talvez por ser singular mistura de alegria de festa com afirmação bem-humorada de identidade e combativo engajamento por direitos.

Outros movimentos mais tradicionais do campo da esquerda —por melhorias urbanas; pelo acesso a moradia e à saúde; contra a discriminação racial ou de gênero; ou por direitos trabalhistas, campo de atuação sindical— certamente continuam aí. Há mais de uma década, porém, disputam as ruas e praças com a extrema direita —quase sempre em desvantagem. O mesmo se pode dizer do PT, cuja militância se confundia em boa medida com ativistas sindicais e de organizações populares. E mais ainda das agremiações partidárias que orbitam em torno da legenda de Lula.

Mão parada no ar, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Às vezes, por educação ou reflexo, apertamos a mão de pessoas que desprezamos

No fim do ano, tive o prazer de recusar a minha ao então governador Cláudio Castro

Num evento de fim de ano aqui no Rio, alguém me alertou para uma pessoa que acabara de adentrar o recinto: o então governador Cláudio Castro, institucionalmente convidado. Vi quando ele cruzou o salão, parando de mesa em mesa e oferecendo sua mão aos participantes de cada grupo. Todos lhe retribuíram, não sei se por educação ou reflexo. De repente, Castro —sem parentesco com o colunista— estava diante de minha mesa.

A inovação além das metrópoles, por Paulo Rocha*

Em ano eleitoral, o Brasil volta a discutir crescimento, emprego e produtividade. Fala-se também em reduzir desigualdades regionais. Mas raramente se pergunta onde o país está construindo sua economia do futuro.

Quando o tema é inovação, o debate público se concentra nos mesmos endereços: Faria Lima, Paulista, grandes polos do Sudeste e do Sul. Como se a tecnologia brasileira tivesse território limitado.

FIFA, una mafia que garantiza el autoritarismo de Trump, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Está comenzando la Copa del Mundo 2026 y la fiesta del futbol deja una vez más un sabor amargo entre los amantes de este deporte. Por todo lo visto antes de la inauguración oficial, la actual Copa del Mundo se destaca por la secuencia de barbaridades cometidas en contra de los derechos fundamentales de sus participantes, dentro y fuera de la cancha.

Por cierto, la FIFA cada vez se parece más a un grupo de mafiosos y corruptos que solo se interesan por apropiarse de los millonarios recursos que genera el futbol, no importándole las condiciones restrictivas a la democracia que imponen los países anfitriones. La anterior Copa de 2022 fue realizada en Catar, país administrado por una monarquía absolutista e teocrática que desde mediados del siglo XIX se encuentra bajo el poder discrecional de una única familia, la dinastía Al Thani.

Poesia | Memória, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Teresa Cristina - Cidade Mulher (Noel Rosa)

 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Censura de Flávio e Kassio a pesquisa merece repúdio

Por Folha de S. Paulo

Aspirante do PL tenta calar críticas, e presidente do TSE arbitra aspectos técnicos de sondagem eleitoral

Praga da tutela estatal se acentua nas eleições, quando ataques duros e conteúdos incômodos dão ensejo a interditos do Judiciário

Liberdade de expressão para os amigos e as notícias favoráveis. Para os adversários e os fatos desabonadores, a censura. Flávio Bolsonaro, senador do Rio aspirante ao Planalto pelo PL, incidiu nesse clássico da hipocrisia política, coadjuvado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o que é perturbador.

O partido chefiado pelo notório Valdemar Costa Neto achou por bem requisitar ao órgão regulador das eleições o veto à divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel que detectou queda do seu pré-candidato presidencial após a revelação das escandalosas relações entre Flávio e o capo da máfia do Banco MasterDaniel Vorcaro.

Genial/Quaest: Lula lidera no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado e Renan Santos; veja os números

Por Luiz Felipe Azevedo e Júlia Cople – O Globo

No cenário com o senador, o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista

 — Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de segundo turno testados pela pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira. No cenário com o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista.

Veja os cenários:

Faltam ideias e coragem a Caiado e Zema, por Vera Magalhães

O Globo

Partidos, analistas políticos e candidatos se acostumaram a uma dinâmica pré-eleitoral que suprimiu de forma dramática, até aqui, qualquer discussão de fôlego sobre diferentes projetos estratégicos para o Brasil. Esse ritual mecanizado consiste em aguardar sempre a próxima pesquisa para, a partir de dados que têm oscilado pouco e confirmado a tendência a uma eleição polarizada, ditar o próximo post, a frase de efeito, a conclusão apressada e a estratégia de tiro curtíssimo. A ausência de aprofundamento e de consistência fica ainda mais gritante quando se olha para os postulantes a quebrar a tendência a que a eleição se decida entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Governo Trump humilha visitantes, e Fifa se cala sobre xenofobia na Copa, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Entidade lavou as mãos após deportação de árbitro somali e humilhações à seleção do Irã

A bola ainda não rolou, mas o governo de Donald Trump já criou os primeiros embaraços para a Copa do Mundo. Na segunda-feira, o árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Ontem o Irã informou que os ingressos destinados a seus torcedores foram cancelados.

Artan era um dos três árbitros africanos escalados para apitar na Copa. Eleito o melhor do continente em 2025, viu seu “maior sonho” ruir no aeroporto de Miami. Detido por 11 horas, foi obrigado a embarcar de volta para a Turquia, onde havia retirado o visto.

Quem ganharia com sigilo para a jogatina? Por Elio Gaspari

O Globo

No domingo, o repórter Vinícius Valfré revelou que o Ministério da Fazenda impôs um sigilo de até cem anos aos documentos que tratam da autorização para o funcionamento de casas de apostas no Brasil. A mordaça excluiu até a hipótese de liberar somente os trechos que não contivessem informações sensíveis.

Na segunda-feira, o ministro Dario Durigan informou que a medida foi revogada, e será criado um grupo de trabalho para examinar o caso, dando “ampla transparência” aos processos. Tudo bem, mas mordaça, como jabuti, não sobe em árvore, alguém a colocou lá. Para atender a que finalidade? Falta saber.

Motta abre caminho para a regulação da IA, por Fernando Exman

Valor Econômico

Presidente da Câmara colocou o tema como uma prioridade de sua gestão

Há fartos sinais vindos do exterior que embasam a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de dar novo impulso às discussões sobre a regulação da Inteligência Artificial. Governos e empresas de tecnologia empreendem uma arriscada “corrida de IA”, cujas potenciais consequências já começam a sair das projeções de mais longo prazo de especialistas em futurismo para aparecer nos alertas do presente.

Amizade à brasileira, por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

A amizade é uma instituição social com enorme poder no campo jurídico-político. No Brasil e nas sociedades de raiz ibérica, a amizade que contraria filiações ideológicas e éticas talvez seja uma instituição básica, e sua ausência das análises poderia ser um traço de sua importância.

Não há melhor comprovação desse palpite do que a cínica racionalização de Daniel Vorcaro de que tudo foi feito por amizade. Como se a suposta inocência das simpatias pessoais não tivesse a carga de fraude que permeia a “política” dos políticos certos de que seguir a lei é caretice.