quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Corrupção no Brasil não é 'conversa de boteco'

Por Folha de S. Paulo

País fica no 107º lugar em ranking inernacional e, desde 2012, não supera nota 43 numa escala de 0 a 100

Com 35 pontos, fomos superados por Uruguai (73) e Chile (63); em vez de recorrer a subterfúgios, autoridades devem combater o problema

O Brasil ainda vai mal no Índice de Percepção da Corrupção, cuja edição de 2025 foi divulgada na terça (10). Numa escala de 0 a 100 (quanto mais alta a pontuação, maior a sensação de integridade), o país obteve vexatórios 35 pontos e ficou em 107º lugar entre as 182 nações avaliadas pela ONG Transparência Internacional.

Ficamos abaixo da média mundial (42 pontos) e de vizinhos como Uruguai, o mais bem colocado da América do Sul com 73 pontos (17ª posição), e Chile (63). No topo da lista, estão Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84); no fim, Venezuela (10), Somália e Sudão do Sul (9).

Encanto com isenção do IR finda na largada, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Eleição em que o presidente é candidato é plebiscito sobre seu governo. Pesquisas eleitorais sobre esta disputa viram sucessivas corridas de cavalo se não cotejadas com a avaliação de governo. A última rodada da Genial/Quaest mostrou que o açude de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste (27% do eleitorado) está ameaçado por dois problemas, a violência e a economia, preocupações piores lá do que em qualquer outra parte do país. Nos últimos seis meses, Lula passou de 62% na região para 53% e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 22% para 29%.

À sombra do Master, Americanas volta à cena, por Nelson Niero

Valor Econômico

Apesar de rebaixado à segunda colocação no ranking de escândalos do país, o caso da varejista ainda promete algumas emoções

No meio do furacão do Banco Master, que veio redefinir a extensão e a profundidade do lodaçal que avança sobre o país, a Americanas (alguém se lembra?) ensaiou uma volta ao noticiário no mês passado, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) elencou 31 réus, entre eles a rede varejista, que teriam sido responsáveis pela “maior fraude corporativa da história do mercado de capitais brasileiro”.

Não tão rápido, regulador. No fim da semana passada, a autarquia aprovou a criação de um grupo de trabalho para “análise técnica de informações relacionadas ao Grupo Master, à Reag e a outras entidades conexas”. Nem é preciso dar alerta de spoiler. Todo mundo sabe que o título já mudou de mãos.

Enfrentar a impunidade é fortalecer a democracia, por Rogério Sottil e Glenda Mezarobba

Correio Braziliense

Julgamento no STF para definir o alcance da Lei de Anistia em casos de desaparecimento forçado e ocultação de cadáver durante a ditadura militar diz respeito ao tipo de país que desejamos ser: aquele que aceita a violência de seus agentes ou que quer aprimorar suas instituições?

O julgamento que o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciará em 13 de fevereiro, para definir o alcance da Lei de Anistia em casos de desaparecimento forçado e ocultação de cadáver durante a ditadura militar, recoloca o Brasil diante de uma questão que atravessa décadas: até quando um país pode adiar o enfrentamento de graves crimes cometidos por agentes do próprio Estado sem comprometer a qualidade de sua democracia?

Não se trata apenas de um debate jurídico, embora a responsabilização criminal esteja no centro desse debate. Trata-se de um debate sobre memória e futuro. Sociedades que não enfrentam a violência do passado tendem a conviver com suas permanências, muitas vezes, invisibilizadas e naturalizadas.

Disputa entre Lula e Flávio limita espaço da terceira via nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 43% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 17%

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em fevereiro mostra que o país chega à disputa presidencial de 2026 profundamente dividido, tanto do ponto de vista ideológico quanto geográfico, social e emocional. Luiz Inácio Lula da Silva lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno, mas essa liderança convive com sinais claros de desgaste e com a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário competitivo. O resultado é um quadro de vantagem numérica para o presidente, porém instável e longe de conforto.

Deglutição, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A candidatura de Flávio começa a avançar em setores refratários ao clã Bolsonaro

A fotografia do momento – do momento – sugere que a eleição presidencial de 2026 repete a de 2022 com sinal trocado. Na reta final naquela ocasião era pervasiva a atmosfera do “qualquer coisa menos a continuação do que está aí”. A mesma atmosfera está se consolidando agora.

A fotografia do momento – do momento – sugere que os R$ 90 bilhões para gastar e até os programas sociais de cunho eleitoreiro não estão trazendo para Lula os resultados esperados. E o principal culpado disso é... ele mesmo. Tornou-se, numa apreciação subjetiva, um personagem enfadonho.

Quando a bandeira da ética é refresco, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Escândalos mostram que parte do Judiciário precisa de código de conduta e da aplicação do Código Penal

No Judiciário, quando um escândalo não se resolve, ele é suprimido por um maior. Enquanto a opinião pública clamava por um código de conduta para o Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte vizinha naufragava no Código Penal. As acusações de que o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tentou agarrar à força duas mulheres deixaram pequena a bandeira da ética hasteada por Edson Fachin.

As denúncias de crimes sexuais coroaram uma temporada não apenas de desvios de conduta, mas de suspeita de práticas mais graves na cúpula do Judiciário. Ficou claro que a criação de um código de ética é importante, mas é pouco para resolver a situação. É necessária uma mudança de cultura para ontem, como aponta Fachin.

Estado das contas públicas e cenários: parte II, por Felipe Salto e Josué Pellegrini

O Estado de S. Paulo

Cremos que a situação fiscal dependerá, em grande medida, da intensidade do ajuste fiscal a ser adotado no próximo governo

No artigo passado, mostramos a atual situação fiscal do País, com foco nas contas do governo central. Nesta coluna, voltamos ao tema para mostrar o que esperar de 2027 em diante.

Conforme vimos, a situação fiscal do País é ruim, particularmente a do governo central. A geração de déficits primários, desde 2014, levou ao aumento da dívida pública para níveis muito acima do padrão usual em países de renda média. Na ausência de melhora progressiva do resultado nos últimos anos, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) deverá crescer cerca de 12 pontos porcentuais de Produto Interno Bruto (PIB) entre 2022 e 2026.

Um mundo surreal, por José Serra

O Estado de S. Paulo

A desmontagem institucional dos Estados Unidos sob Donald Trump não foi um acidente: foi método

Sempre usei o termo surreal como forma de expressar algo que é tão fora do normal que parece sonho, um delírio ou uma situação tão absurda que parece pertencer mais ao mundo das imaginações do que ao mundo real. Só não imaginava que a situação atual pudesse significar um surrealismo tão radical. Em verdade, muitas vezes, eu tenho de ler a manchete de novo, porque parece que a visão está me traindo. Só que não.

Vamos começar pelo delírio mundial. Se alguém lhe contasse, três anos atrás, que o presidente dos Estados Unidos da América iria anunciar que enfrentaria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para tomar a Groenlândia, por via pacífica ou militar, você, leitor, acreditaria? E mais: seria verossímil que os grandes europeus entrassem numa histeria por maiores gastos militares? Pior, que a maioria das nações entrasse num frenesi por avanço em seus programas nucleares para fins bélicos?

Convenhamos que retirar o líder latino-americano do poder em seu pretenso quintal político não é uma novidade.

Casca de banana, Por Merval Pereira

O Globo

Lula deveria ter recusado a homenagem da Acadêmicos de Niterói, mas, ao contrário, procurando se aproveitar dela

Nunca houve uma escola de samba que elogiasse um governo em ano eleitoral. Já houve homenagens a políticos mortos, como Getúlio Vargas ou JK, e até vivos, como Lula no primeiro ano de seu primeiro mandato, mas nunca houve exploração eleitoral meses antes de uma eleição presidencial. Sabe aquela velha história de alguém que procura problemas e atravessa a rua para escorregar numa casca de banana? O próprio Lula deveria ter recusado a homenagem, mas, ao contrário, procurando se aproveitar dela. É, evidentemente, uma burla da lei, já exposta como campanha antecipada, fora da hora prevista pela legislação. Já houve muita gente sendo punida por causa disso.

MDB entre várias forças, por Míriam Leitão

O Globo

O MDB dividido já fechou alianças estaduais, mas deixou para a convenção em julho ou agosto a definição do apoio à Presidência

O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, disse que o partido só vai decidir com que força política estará na eleição federal durante a convenção partidária, em julho ou agosto. Tratou como “opinião pessoal” a proposta do ministro Renan Filho de apoio ao presidente Lula. Revelou que, em apenas dois estados, o MDB está aliado ao PT na disputa estadual. Sobre a possibilidade de o partido ocupar a vice na chapa do presidente Lula, Baleia Rossi disse que só soube do tema “por ouvir falar”. Afirmou que se a ministra Simone Tebet não tivesse ido para o governo seria hoje a grande candidata de centro.

Lula perde gás no eleitor de centro, por Julia Duailibi

O Globo

Presidente enfrenta desgastes, e sua gestão se tornou vidraça entre os eleitores independentes

A pesquisa Quaest divulgada ontem traz uma notícia preocupante para a campanha à reeleição de Lula: a perda de votos entre eleitores independentes, que representam quase um terço do eleitorado. No segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL), a vantagem de Lula nesse grupo era de 22 pontos, em agosto de 2025. Despencou, agora, para cinco pontos. Quando o adversário é Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná, Lula, que vencia por quatro pontos em outubro, agora perde por sete.

Alcolumbre, o fenômeno, por Malu Gaspar

O Globo

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é um prodígio. Na política desde os 23 anos, assumiu a presidência do Senado Federal pela primeira vez aos 41, em 2019, e foi eleito para um segundo mandato no comando do Congresso em 2025 por maioria acachapante. No cargo, administra a distribuição de quase R$ 6 bilhões destinados a emendas de senadores. Indicou para o governo Lula 3.0 um ministro só dele: Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, que, embora do PDT, está na cota de seu partido, o União — coisas do Brasil. Mas o maior talento de Alcolumbre é abafar os escândalos que envolvem seu nome.

Chuva de dinheiro externo no Brasil, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Desde metade de 2025, dólar, Bolsa e condições financeiras em geral têm melhorado

Se continuar, alívio pode elevar perspectiva de crescimento de 2026

Quando chove ouro, tudo fica dourado, mesmo que seja aquela folhazinha fina que cobre móveis e bife de rico ainda mais cafona. Donos do dinheiro grosso do mundo resolveram que vão investir um tico menos nos ativos financeiros inflados dos Estados Unidos, ações em particular. Um pingo desses trilhões é uma inundação para mercados financeiros como o do Brasil.

Por ora tanto faz o "risco político" (resultado incerto da eleição brasileira) e, em parte, até o problema fiscal (embora o problema continue e vá continuar lá, na forma de juros reais altos a perder de vista). A continuar, a chuva de dinheiro deste verão pode alterar até a perspectiva de crescimento da economia neste ano.

Já é eleição no Congresso, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Depois de novos penduricalhos, Congresso aprova redução de alíquotas de impostos para indústria química e petroquimica

Medida vai na contramão da revisão de incentivos tributários defendida pelo Ministério da Fazenda

Quando a política quer, tudo se ajusta. Menos de dois meses depois de o Congresso aprovar projeto de corte de benefícios tributários a pretexto de ajuste fiscal, a Câmara referendou na noite da última terça-feira (10) proposta que reduz as alíquotas do PIS e Cofins para as indústrias química e petroquímica.

A bondade eleitoral vale para as empresas do regime especial de tributação, conhecido como Reiq —que estava justamente na lista dos incentivos que deveriam sofrer uma redução linear de 10% a partir deste ano.

Nunes, Ambev e o Carnaval do cercadinho, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

A quase-tragédia na rua da Consolação não foi surpresa

Prefeito aposta em um modelo fracassado de privatização da cidade

O prefeito de São Paulo e a Ambev são corresponsáveis pela quase-tragédia no Carnaval paulistano, cada um dentro de suas atribuições.

A única coisa que separou a situação de empurra-empurra no domingo (8) de um cenário de pisoteamento foi a desobediência dos foliões, que derrubaram as grades de aço, postas ali para segregar o espaço público de quem tem o direito de ocupá-lo.

O que ocorreu na rua da Consolação não foi o resultado natural e inevitável da superlotação de dois megablocos, mas, sim, a consequência previsível do planejamento inepto da Prefeitura de São Paulo e da marca patrocinadora.

No Brasil, novidades à direita, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Essa reorganização não se assemelha ao que ocorre em outras democracias

Há importante tentativa de diferenciação da extrema direita bolsonarista

Deslocados pelo crescimento de forças de extrema direita, partidos de centro e da direita moderada perdem filiados e densidade eleitoral nas democracias ocidentais.

Onde o sistema é multipartidário, os radicais criaram suas próprias legendas. Exemplos: a Frente Nacional, na França; a Alternativa para a Alemanha; o Chega, em Portugal; o Vox, na Espanha; o Partido da Liberdade, na Áustria; o Finns, na Finlândia; o Partido Popular suíço e seu homônimo dinamarquês; os Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni; enquanto quatro organizações disputam a herança do Aurora Dourada, banido da vida política na Grécia em 2020.

Pesquisa Genial / Quaest Análise, por Felipe Nunes

1/ Pesquisa Genial/Quaest mostra Flavio Bolsonaro consolidado como principal opositor a Lula, que lidera numericamente em todos os cenários de 1 turno. A vantagem de Lula sobre Flávio varia de 4 a 8 pontos.

2/ Desde que foi indicado pelo pai em dez/25, Flavio Bolsonaro cresceu 8 pontos no cenário que conta com Ratinho, Aldo e Renan. Nesse mesmo período, Lula oscilou 2 pontos pra baixo e Ratinho saiu de 13% para 7%.

3/ A consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro nas pesquisas aconteceu pela sua capacidade de atrair o eleitor Bolsonarista (92% votam em Flavio) e o eleitor de direita não-bolsonarista (65% votam em Flávio). Seu desafio ainda é atrair o eleitor independente, que define a eleição. Lula continua muito forte entre lulistas e na esquerda e numericamente a frente entre os independentes.

Um escritor diferente, por Ivan Alves Filho

De origem operária, criado por uma antiga escrava (na verdade sua mãe adotiva), ele cresceu em uma fazendinha na Califórnia e aos dez anos de idade vendia jornais pelas ruas de uma cidade norte-americana. Seis anos depois, adquire um barco, chegando a conhecer o Japão como marinheiro. E se tornou pescador de ostras. Nessa condição, chegou a assaltar uma embarcação, pilotada por pescadores chineses, apontando um revólver para eles, pois precisava de uma vela nova para o seu barco. Em seguida, ele também foi roubado e acabou tendo que vender seu barco - ou o que sobrou dele. 

Poesia | Leyla Lobo declama Na Boca de Manuel Bandeira

 

Música | Paulinho da Viola - Coração imprudente (Paulinho da Viola e Capinan)

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo que pode tudo não é bom para o país

Por Folha de S. Paulo

Reforma da corte exige fim de vínculos com parentes, decisões individuais duradouras e inquéritos anômalos

Hoje não há norma ou lei que resista ao STF quando elas contrariam interesses pessoais e corporativistas dos ministros; isso deveria mudar

A hipertrofia do Supremo Tribunal Federal e do poder pessoal de seus 11 integrantes atingiu uma dimensão difícil de conciliar com a tranquilidade institucional. Se não for reformada, a corte caminhará para tornar-se uma organização de Estado imune a controle, responsabilização e limites.

O escândalo do Banco Master expôs as entranhas e os riscos dessa anomalia que se desenvolve há décadas, favorecida pelo desenho constitucional de 1988 e moldada pelas más escolhas de agentes públicos.

O que esperar (e não esperar) de Flávio Bolsonaro na economia, por Fernando Exman

Valor Econômico

Em encontros com representantes de instituições financeiras, senador mostrou-se um defensor do receituário liberal e de uma agenda pró-mercado

Integrantes do Ministério da Economia ficaram atônitos, naquele início de fevereiro, quando surgiu a notícia de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recentemente ungido pelo pai à condição de pré-candidato a presidente da República, subscrevera a chamada “PEC Kamikaze”. Afinal, o apelido da Proposta de Emenda Constitucional 1 de 2022, também conhecida como PEC das bondades, havia sido dado pelo ministro Paulo Guedes.

Sua fama precedia a conta que estava para ser pendurada nos cofres públicos, segundo especialistas e a oposição, com o intuito de tentar reeleger o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula, Trump e os braços do crime nos EUA, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Governo se vê diante da possibilidade de atingir o que Haddad chamou de “CEOs do crime organizado”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nessa terça-feira em evento do BTG Pactual que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe pediu alguns trabalhos “de saideira”. Não disse quais, mas em seguida comentou que o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, pode acompanhar Lula na visita que fará ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A Receita, liderada por Barreirinhas, sabe que esquemas criminosos do setor de combustíveis investigados no Brasil têm braços nos Estados Unidos. Foi o que desvendou a operação Poço de Lobato, deflagrada em novembro passado.

A questão moral, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Quando a crise afeta políticos de todos os lados e magistrados, o que precisa mudar não são as pessoas

Era 28 de outubro de 1980 quando o general Raffaele Giudice chegou preso ao cárcere de Casale Monferrato. Ex-comandante da Guardia di Finanza, a polícia fazendária italiana, ele era um dos acusados da “rapina do século”, o escândalo de corrupção e fraude petrolífera que, segundo os cálculos do procurador Domenico Labozzetta, movimentara o equivalente a ¤ 1,2 bilhão.

A quantidade de políticos, empresários e a ligação deles com magistrados fizeram com que o jurista Stefano Rodotà escrevesse: “Quando o fenômeno se alarga até envolver os chefes da Finança, de grandes escritórios de advocacia, os serviços secretos, políticos de primeiro plano e seus colaboradores, é indispensável não se deter nas pessoas e olhar, em vez disso, para o sistema que tornou possível seus empreendimentos criminosos.” É a isto que o Brasil está assistindo no escândalo do Banco Master.

O racismo de Trump e a liberdade de expressão, por Nicolau Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

A comunicação nas redes não é um entretenimento ‘café com leite’. Tem impacto político, social e econômico – e jurídico

Diante das críticas à publicação por Donald Trump de um vídeo racista, que representava Barack e Michelle Obama como macacos, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou: “Trata-se de um vídeo de meme da internet que mostra o presidente como o rei da selva e os democratas como personagens de O Rei Leão. Por favor, parem com a falsa indignação e noticiem algo que realmente importe para os americanos”.

O ‘boom’ das commodities, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A pergunta que se faz é como o Brasil vai aproveitar a bonança desse boom de commodities?

Gestores de fundos e analistas vêm alardeando, nas últimas semanas, que um novo superciclo de commodities está a caminho, mas que, desta vez, essa tendência de alta nos preços será alimentada pelos gastos com o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e não pela demanda da China, cujo crescimento econômico vertiginoso nos anos 2000 financiou, entre outras coisas, a forte expansão fiscal no Brasil nos governos Lula e Dilma.

Fim da escala 6 x 1 para além do 8 ou 80, por Vera Magalhães

O Globo

Discussão sobre redução de jornada não opõe sensibilidade social e responsabilidade com a economia e tem de ser bem estruturada

O debate sobre o fim da escala 6x1 vem sendo travado no Brasil como se opusesse, de forma automática, sensibilidade social e preocupação com os efeitos econômicos e inflacionários. Essa rigidez dogmática, cada vez mais premissa de qualquer discussão, impede que se analise o assunto com o cuidado e a profundidade requeridos por tema que diz respeito à vida de tanta gente.

A História brasileira e a experiência internacional costumam mostrar que algumas políticas públicas, sobretudo trabalhistas, produzem no curto prazo uma pressão de custos, muitas vezes inflacionários, mas se revelam no médio e longo prazo conquistas civilizatórias. E não só. Se bem implementadas, elevam a produtividade, levam a maior formalização e podem implicar mais crescimento, com ganhos para parcelas maiores da população.

Afastamento de ministro do muda paradigma contra assédio sexual, porLuiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Ao afastar cautelarmente um de seus integrantes, a Corte envia uma mensagem clara à sociedade e, sobretudo, às vítimas de que as denúncias serão levadas a sério

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de afastar cautelarmente, por unanimidade, o ministro Marco Buzzi representa um marco no enfrentamento do assédio sexual no Brasil. Além de uma resposta a um caso ainda sob apuração administrativa e criminal, o gesto estabelece um novo paradigma de responsabilidade pública: não há mais espaço para tolerância institucional diante de condutas que violem a dignidade de mulheres, especialmente a violência quando praticada por autoridades investidas de poder, prestígio e prerrogativas.

O STJ na berlinda, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Livre dos holofotes que cercam o STF, tribunal costuma ser leniente com nepotismo processual, pagamento de supersalários e atuação de lobistas

Ao ser avisado da primeira acusação de importunação sexual contra Marco Buzzi, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, desabafou com um amigo: “Era só o que nos faltava”. O ministro se referia à série de problemas que atinge a imagem da Corte desde que ele tomou posse, em agosto de 2024.

Com dois meses de gestão, Benjamin teve que dar explicações sobre suspeitas de venda de sentenças no STJ. Em seguida, a Polícia Federal fez buscas nas casas de servidores que atuaram em três gabinetes do tribunal.

Lula 3.0 é ruim de gestão, por Elio Gaspari

O Globo

O Master, a fila do INSS e a Autoridade Climática são fracassos

Lula está a caminho do fim de seu terceiro mandato e arma a barraca para disputar o quarto. A sorte deu-lhe inimigos que ocuparam a agenda nacional com a punição dos responsáveis pela trama golpista de 2022/2023. A neblina do golpe embaça a percepção da má qualidade da terceira gestão do presidente. Tomem-se três casos:

1) O escândalo do Banco Master, em que a autonomia do Banco Central (BC) serviu para manter debaixo do tapete um problema que, nas palavras do ministro Fernando Haddad, “pode ser a maior fraude bancária da História do Brasil”;

2) A promessa, feita no discurso de posse, de zerar a fila do INSS ficou no papel;

3) A promessa de criação de uma Autoridade Climática, feita em setembro de 2024, também ficou no papel.

Eleitores nunca decidem seu voto em um vácuo social, por Camilo Aggio

Folha de S. Paulo

Alcance de inteligência artificial para a escolha de candidatos deve ser relativizado

Não serão ChatGPTs e Geminis que converterão votantes em receptáculos passivos e manipuláveis

Conforme veiculou recentemente o alemão Deutsche Welle, "estudos mostram que eleitores de vários países perguntam a chatbots como ChatGPT e Gemini em quem deveriam votar, uma questão que preocupa especialistas e desafia reguladores eleitorais".

Publicado nesta Folha, o ótimo artigo "A escolha de candidatos por IA e os riscos de confiar nas respostas" (7/2) versa sobre a necessidade de regulação de sistemas de inteligência artificial. Traz a informação de que 9,7% dos brasileiros já utilizam chatbots como fonte de informação. Na faixa etária de 25 a 34 anos, esse percentual sobe para 13,3%.

Pistas do programa de Lula 4, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Haddad sugere reorganização e unificação de programas de assistência social

Ceron, secretário do Tesouro, fala de discutir Previdência e conter gasto obrigatório

Atrás das cortinas, sempre há discussões do que precisa ser feito para ao menos remendar a economia. Servidores ditos técnicos, de carreira ou nomeados para chefias relevantes, economistas de "o mercado" e alguns universitários de algum modo conversam sobre mudanças. O pessoal em geral não é doido nem incompetente, afora a aberração das trevas de Jair Bolsonaro. Em algum momento, essa discussão emerge a ponto de chegar na política.

Há controvérsia séria sobre soluções, algumas parecem fracas ou manchadas de geleia ideológica. Mas os problemas estão diante do nariz de todo mundo interessado. Governantes e candidatos enrolam o público ou acreditam em idiotices. Mas os problemas são imunes a milagres.

Uma CPI para o Master? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Comissões de inquérito tiveram seu auge nos anos 1990 e depois perderam efetividade

Apesar de blindagens variadas, sempre há a chance de algo ser revelado, o que justifica a CPI

Sou jornalista e jornalistas somos quase que legalmente obrigados a apoiar CPIs. A essência da profissão, afinal, é revelar aquilo que poderosos gostariam de manter escondido —e as comissões ampliam as chances de que isso aconteça. Não há, porém, como deixar de reconhecer que CPIs são hoje um instrumento de investigação menos efetivo do que foram no passado.

A era de ouro das CPIs foram os anos 1990. Por duas décadas a ditadura mantivera os parlamentares sob rédeas curtas, então a possibilidade, inaugurada a partir da Carta de 1988, de proceder a inquirições sem prestar a continência exigida pelos generais era uma novidade. Duas boas CPIs dos bons tempos foram a do PC Farias (1992), que levaria ao impeachment de Collor, e a dos Anões do Orçamento (1993), que revelou como congressistas desviavam dinheiro público.

Dino põe Justiça na encruzilhada dos penduricalhos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ministro respalda veto de Lula ao Congresso e dá chance ao Supremo de recuperar seus danos de imagem

Judiciário vai escolher se adere à cruzada contra privilégios ou se cede ao canto das regalias das quais se beneficia

Na semana passada, o ministro Flávio Dino de uma tacada tirou dois coelhos de uma enrascada. Ao expor a ferida dos privilégios no serviço público, abriu espaço para um reposicionamento de imagem do Supremo Tribunal Federal e deu respaldo ao presidente da República para vetar o projeto do Congresso de criação de novos penduricalhos.

O bom andamento dos trabalhos dependerá do que será feito da determinação de que os três Poderes suspendam a concessão de qualquer remuneração feita sem base legal. Ficam faltando as gambiarras oficiais, mas já é um ótimo começo.

A frente democrática não é uma exceção histórica, por Ricardo Marinho

Nos idos de 2018, final da segunda década do século 21, parecia inimaginável que um representante da extrema-direita se tornasse Presidente da República, mas isso aconteceu.

A ideia de uma alternância civilizada entre uma centro-esquerda democrática, com muitas conquistas a seu favor, e uma centro-direita com predominância liberal e adaptada à democracia – que ainda não encontrou sua personificação – parece fazer parte de um panorama político imaginativo que paira na atenção dos eleitores de 2026.

O beijo da Natália, por Alfredo Maciel da Silveira

Muitos brasileiros e brasileiras, por terem “comido o pão que o diabo amassou” nos anos da ditadura, conseguiram sair vivos daqui. Num planeta dividido em dois pela “guerra-não-tão-fria”, passaram pela saga pessoal de terem sido catapultados para o “outro mundo”, aquele do Bloco Socialista. Alguns poucos, pela sua notoriedade, seja como expoentes da cultura, jornalistas de renome, etc, revelaram algo daquela “abdução”, levados por imensas e modernas naves comerciais “Ilyushin” e “Tupolev”  da “AEROFLOT” por exemplo, que ainda hoje, acho, nem pousam em vôos regulares aqui em Pindorama.

Naqueles tempos, vôos com escalas ali e acolá, troca de aparelhos, até chegarem por exemplo a “Maskva” (Moscou). Ao descerem as escadas do avião, pisaram pela primeira vez naquele solo carregado de história, e avistaram a tremular na cúpula do aeroporto uma imensa bandeira vermelha.

Poesia | Pátria Minha - Vinicius de Moraes

 

Música | Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Mandingueiro

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit do governo, inadimplência das famílias

Por Folha de S. Paulo

Número de endividados segue crescendo e atinge patamares recordes, mesmo com desemprego em baixa

Aumento desordenado de despesas sob Lula gera aumento da taxa básica de juros, o que encarece o crédito para o setor privado

Não há resolução simples para a persistente alta do endividamento e da inadimplência de famílias e empresas. Com o custo do crédito em patamar elevado, ante de uma taxa básica de juros de 15% anuais, dívidas viram armadilha, mesmo com desemprego baixo.