quarta-feira, 25 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pacote de alívio pela guerra tem de zelar por contas públicas

Por O Globo

Aumento de arrecadação resultante da alta do petróleo pode acomodar auxílio, mas governo não deve relaxar

A guerra no Oriente Médio segue contagiando a economia global, e governos têm se movimentado para mitigar efeitos da alta do petróleo. No Brasil, o diesel fechou a semana passada 19,4% mais caro que antes do início do conflito. As restrições de oferta preocupam o agronegócio. Produtores de arroz no Sul correm para terminar a safra. No Sudeste, canavieiros temem que falte combustível para as colheitadeiras. No Centro-Oeste, a soja foi recém-colhida, e as atenções estão no escoamento da produção. Preocupa que os planos para aliviar os setores afetados sejam mais benevolentes que o necessário em razão do ano eleitoral. Em que pese a gravidade do momento, é crucial lembrar as limitações fiscais.

Master cria República do ‘cada um por si’, por Vera Magalhães

O Globo

Para onde quer que se olhe, tem alguém inovando em causa própria ou para impingir derrota a um desafeto

A alta dose de imprevisibilidade do caso Master cria uma nova fase da República brasileira, em que as instituições e, dentro delas, seus principais atores fazem um jogo do “cada um por si” em busca de reduzir danos e fustigar adversários. Nesse ambiente, alinhamentos históricos se tornam frágeis, decisões circunstanciais expõem contradições com outras recentes, e a estabilidade e a confiabilidade são sacrificadas na bacia das almas da sobrevivência política.

Para onde quer que se olhe, tem alguém inovando em causa própria ou para impingir uma derrota a algum desafeto. De ministros do Supremo à cúpula do Congresso, passando amplamente por expoentes do governo e da oposição, todo mundo age pautado pela percepção da opinião pública ao escândalo, e não pelo papel que o ordenamento legal e institucional dita.

As prebendas dos magistrados, por Elio Gaspari

O Globo

Com a palavra, o príncipe de Salinas, aristocrata siciliano, personagem de “O Leopardo”, genial romance de Giuseppe Tomasi di Lampedusa: "Tudo isso não deveria poder durar; mas vai durar, sempre; o sempre humano, é claro, um século, dois séculos...; e depois será diferente, porém pior."

Em 2026, sabe-se que seis dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal receberam da Viúva valores superiores ao teto (o salário deles, R$ 46.366,19). São os conhecidos penduricalhos, todos legais.

Ratinho pulou do navio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Próximo da fila do PSD, Caiado não tem nada a perder além de mais uma eleição

Ratinho, o Júnior, foi o primeiro a abandonar o navio. O governador do Paraná anunciou que não é mais candidato a presidente. Vai ficar no cargo até o fim do mandato.

O herdeiro do animador de TV se apresentava como candidato da “direita democrática”. Ensaiou um discurso moderado, mas prometeu militarizar escolas e indultar os golpistas, a começar por Jair Bolsonaro.

Caiado ou Eduardo, a escolha de Sofia de Kassab para candidato do PSD, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O líder do PSD vive um drama político. Argumenta que o processo de escolha fortaleceu o partido, mas mal consegue disfarçar a frustração com a desistência de Ratinho Júnior

Com a surpreendente desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, de se candidatar à Presidência da República, o ex-prefeito Gilberto Kassab está diante de uma escolha de Sofia: tem dois nomes para substituí-lo, os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e do Rio Grande Sul, Eduardo Leite, e precisa indicar um deles para concorrer à Presidência. No jargão político, a expressão é usada para descrever situações muito difíceis, em que qualquer decisão representa uma grande perda, como no romance A Escolha de Sofia (Sophie’s Choice, em inglês), de William Styron, publicado em 1979.

‘Paredão de Kassab’ terá que sobreviver ao teste das bancadas, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Linha de corte para uma candidatura presidencial, dizem bons fazedores de contas eleitorais, é 10% dos votos

A aposta de que o “Paredão de Kassab”, como já é chamado o processo de depuração da candidatura presidencial do PSD, finde na candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, vale pouco hoje. Para um partido vocacionado a fazer bancadas legislativas e acessar os recursos de poder delas decorrentes, a linha de corte para uma candidatura presidencial, dizem bons fazedores de contas eleitorais, é 10% dos votos. Com menos do que isso, uma candidatura presidencial própria não “puxa” bancada.

A tentação de misturar guerra com eleições, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Desejo de aproveitar a onda do conflito para robustecer as bandeiras de campanha será grande

“Um mundo instável exige um governo estável” é o novo mantra que se ouve na área econômica diante das incertezas trazidas pela guerra no Oriente Médio. Medidas têm sido tomadas, mas sem afobação, diz uma fonte. A ordem nos bastidores é administrar as reações com base em monitoramento e diagnóstico, a cada dia.

Assim foram decididas as medidas anunciadas há duas semanas: redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel, subvenção de R$ 0,32 por litro, reajuste da tabela dos fretes rodoviários, aperto na fiscalização sobre as distribuidoras e transportadoras. Em contrapartida, instituiu-se uma taxação sobre as exportações de petróleo e diesel - que pode ser judicializada.

Risco de novo desgaste com trabalhador de aplicativo ‘está a caminho’, por Fernando Exman

Valor Econômico

No Palácio do Planalto, a missão é formatar medidas que possam ser consideradas “estruturais” por motoristas e entregadores

O humor dos trabalhadores por aplicativo é uma preocupação de integrantes da equipe econômica quando são analisados os potenciais efeitos no Brasil da guerra no Oriente Médio. O governo tem atuado para combater práticas abusivas na venda de gasolina e anunciar medidas para eles, mas a avaliação é que não se pode desprezar a potencial insatisfação de uma categoria já, em geral, refratária à administração Lula.

Neste momento, isso não é algo que reverbera no Palácio do Planalto. Por lá, dizem fontes, a missão é formatar medidas que possam ser consideradas “estruturais” por motoristas e entregadores. Para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, porém, o alento é que pelo menos uma ala do Executivo já esteja vislumbrando esse risco neste período pré-eleitoral.

Tarcísio e a farra dos coronéis, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Em dezembro, a PM de São Paulo mandou ao governador Tarcísio de Freitas um plano curioso: aumentar de 64 para 94 o número de coronéis sem criar uma única vaga de cabo ou de soldado – o plano inicial do secretário Guilherme Derrite era ter 50 novos chefes sem demonstrar a necessidade operacional da medida.

Pior do que aumentar os caciques era a consequência do plano. Soldados, cabos e sargentos são os policiais que estão nas ruas. Com os novos coronéis, uma companhia de praças seria retirada do patrulhamento para servir aos chefes como motoristas, seguranças e ajudantes. O projeto da farra ficou parado três meses no Palácio dos Bandeirantes. Na sexta-feira, Tarcísio o mandou à Assembleia. Agora, não são mais 30 novos coronéis, mas “só” dez. Cada um terá direito a dois carros novos e a seis policiais para ajudá-los.

Um estranho no ninho, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O Banco Central brasileiro destoou do tom de preocupação de outros BCs com os efeitos da guerra

Os investidores correram para refazer suas apostas para a trajetória de juros nas maiores economias do mundo depois que os bancos centrais deixaram um recado mais duro do que o esperado sobre os riscos para a inflação com a alta nos preços dos combustíveis, em razão do conflito no Oriente Médio. Mas um deles destoou desse tom de preocupação: o BC brasileiro.

É verdade que a decisão do Copom, iniciando o ciclo de corte de juros com redução mais suave da taxa Selic, de 15% para 14,75%, veio em linha com a projeção do mercado. É verdade também que o Copom admitiu que os riscos para a inflação se intensificaram após o início da guerra no Irã. E ainda reafirmou a postura de “serenidade e cautela”.

Master, diesel, IR e pesquisa, por Vinicius Torres Freire

Por Folha de S. Paulo

Guerra e efeitos sobre combustíveis até agora preocupam parte pequena do eleitorado

Isenção do IR e medidas sociais não ajudam a melhorar imagem e votação de Lula

A cúpula do governo Lula e militantes estão desnorteados com o resultado desanimador das pesquisas de voto e de opinião sobre o desempenho do presidente. A depender do levantamento, entre 45% e 55% do eleitorado diz que de modo algum votaria em Lula 4 —a variação é grande, pois perguntas e metodologias diferem. Os pacotes socioeconômicos não fazem efeito positivo. Agora, o governo teme até que Jair Bolsonaro morra antes da eleição.

Bolsonaro em casa enfraquece discurso de Flávio, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Imagem do ex-presidente como mártir de perseguição política é pilar da herança do pai ao filho

Por outro lado, é mais difícil fiscalizar eventuais articulações políticas do ex-presidente em casa

A volta de Jair Bolsonaro para casa, na condição de condenado a 27 anos por tentativa de golpe, não é exatamente uma boa notícia para o seu filho Flávio, ungido pelo ex-presidente para disputar a eleição presidencial deste ano pelo PL.

Ainda que inicialmente por 90 dias, uma espécie de "test drive" acerca das intenções do ex-presidente, ela projeta o enfraquecimento do discurso do senador pelo Rio caso seja estendida.

Esbarrões no Master contaram para Ratinho Jr. Desistir, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governador do Paraná vinha há algum tempo manifestando dúvidas quanto à candidatura presidencial

Caiado é visto no PSD como mais combativo e menos ligado a questões locais que o gaúcho Eduardo Leite

Ratinho Júnior seria mesmo o escolhido do PSD para concorrer à Presidência, mas injunções regionais, familiares e até possíveis esbarrões no caso Master fizeram-no desistir. Seguindo o ditado, melhor prevenir do que remediar.

Uma candidatura adversária às de hoje favoritas e já cercada de desconfianças quanto às chances de êxito afundaria se os citados senões se transformassem em obstáculos intransponíveis. A substituição no curso do processo seria mais complicada.

O paradoxo da moderação, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Com desistência de Ratinho Jr., terceira via fica quase definitivamente afastada

Zema e Caiado são bolsonaristas demais para posar de alternativa à polarização

Com excesso de boa vontade, ainda daria para classificar as candidaturas presidenciais de Ratinho Jr. e Eduardo Leite como uma terceira via, se entendermos esse termo como uma corrente política não automaticamente alinhada nem ao lulismo nem ao bolsonarismo.

Os outros dois principais pretendentes ao título de candidato da terceira via, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, estão identificados demais com o ex-presidente e atual presidiário, que não deve em hipótese nenhuma ser confundido com o ex-presidiário e atual presidente.

Pitacos sobre a circunstância, por Gilvan Cavalcanti

Já dizia o filosofo da Grécia antiga, Heráclito: “tudo flui”, resumindo a ideia do mundo em movimento. Na época medieval, o italiano Maquiavel, chamava a atenção para o mundo social e político sobre uma ‘realidade efetivamente existente” no sentido “historicista”, movimentos, mudanças.

Nos tempos modernos, Marx, relembrava que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Parece-me que parte de nossos, jornalistas, professores, cientistas políticos, dirigentes de partidos políticos e parlamentares, que buscam interpretar a realidade política, em nosso país, não levam muito em conta essas observações.

Optaram por uma visão dicotômica, entre um chamado “governo de esquerda”, o “lulismo”, o  “lulapetismo”, versos bolsonaristas, extremismo de esquerda versus extremismo de direita. Sugerem o fim dessa “polarização”.  Como? Uma chamada “terceira via”? Nem lulismo, nem bolsonarismo? Nem extremismo de esquerda, nem extremismo de direita?

Poesia | Desesperança, de Manuel Bandeira

 

Música | A Noite do Meu Bem / Estrada do Sol (Dolores Duran) - AH!BANDA UERJ

 

terça-feira, 24 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aposentadoria especial é distorção sem cabimento

Por O Globo

Quatro em cada dez aposentados brasileiros saem da ativa antes da idade mínima válida para os demais

Uma das principais distorções da Previdência no Brasil é a concessão de aposentadoria a grupos específicos antes do prazo em vigor para todos os demais. É o caso de benefícios concedidos a trabalhadores rurais, professores e profissionais expostos a agentes nocivos. Eles respondem por 38,7% das aposentadorias por idade e tempo de contribuição no Brasil, como constatou reportagem do jornal Valor Econômico. Na esfera estadual brasileira, professores da educação básica são quatro em dez aposentados. Não há paralelo em nenhum país comparável ao Brasil.

Incerteza, ambiente propício para salvadores da pátria, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Empresas e consumidores do Brasil enfrentam há décadas os juros reais mais altos do mundo, e há um silêncio constrangedor entre empresários do setor produtivo atingidos pelos custos desses juros

Incerteza é a palavra do momento. A maior de todas advém da atuação insana do presidente da mais poderosa nação do mundo. A guerra que esse senhor iniciou ao bombardear o Irã em parceria com outro senhor, além de mortífera e devastadora, se mostrou pobre em planejamento. Provocou a expansão do conflito para todo o Oriente Médio e a maior interrupção de oferta da história do mercado mundial de petróleo.

Com o seu erro estratégico, os dois senhores dessa guerra estão matando civis, inclusive muitas crianças, sem medo de serem punidos por seus crimes. Além disso, fizeram disparar os preços do petróleo e ameaçam o mundo com uma nova onda inflacionária, talvez semelhante à que se sucedeu ao grande choque dos anos 1970, quando a alta da commodity atingiu 400% em decorrência da guerra do Yom Kippur. Naquela década, o preço do barril saiu de US$ 3 para US$ 12.

A brigada anti-impeachment no Supremo, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Maior temor é o de que o impeachment de ministros seja “normalizado” como o de presidentes

O procurador- geral da República manifestou-se pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Paulo Gonet disse não haver meios, no sistema prisional, de monitorar sua saúde. Por mais bem fundamentada que esteja, a manifestação de Gonet não trata apenas da sobrevivência do ex-presidente, mas também daquela do Supremo Tribunal Federal. Como a Corte ainda não é capaz de delimitar o estrago para sua imagem com o Master, há um consenso de que é preciso evitar novas frentes de desgaste como a custódia prisional de um ex-presidente da República debilitado.

A pedido da PGR, Moraes deve conceder prisão domiciliar para Bolsonaro, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A ausência de estrutura adequada para lidar com doenças complexas, crônicas ou degenerativas pode transformar a pena privativa de liberdade em pena de morte indireta

A qualquer momento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução penal dos condenados pela tentativa de golpe de Estado de 8 de Janeiro, deve acolher manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, opinando pelo deferimento do pedido de prisão domiciliar em caráter humanitário de Jair Bolsonaro. O pedido é justificado pela defesa devido ao estado de saúde do ex-presidente, que demanda monitoramento em tempo integral. A PGR reconhece que o ambiente familiar pode fornecer os cuidados ininterruptos exigidos ao paciente.

Ambiguidade como arma de guerra, por Míriam Leitão

O Globo

Trump emite sinais contraditórios sobre o conflito no Oriente Médio: ora de ataque, ora de negociação. O fato é que a guerra atinge a economia e provoca estragos

O anúncio do presidente Donald Trump de que estaria havendo negociações com o Irã causou uma rápida reação positiva do mercado. Mas há pouca certeza de que isso esteja de fato ocorrendo ou venha a ter um bom resultado. O mais certo é que a volatilidade da cotação do petróleo vai continuar, ao sabor das incertezas. O Irã negou conversas diretas, mas admitiu contatos através de mediadores. Para os Estados Unidos, a guerra está provocando mais estragos do que Trump admite ou calculou que aconteceria. O Irã já sabe que consegue afetar o presidente norte-americano aumentando o custo econômico do conflito, porém ele também sabe quais as suas perdas e os seus limites.

O risco das delações cruzadas, por Merval Pereira

O Globo

Um delatado que resolve colaborar depois pode querer redistribuir culpas ou minimizar o próprio papel

A delação premiada no caso do Banco Master será a senha para o esclarecimento das entranhas da relação não apenas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades e políticos em Brasília, mas também de seus sócios, ou cúmplices, como o cunhado Fabiano Zettel e o empresário João Carlos Mansur, da Reag Investimentos, investigado por relações financeiras ilegais, inclusive com facções do crime organizado, como o PCC paulista. Mas há conflitos de interesse entre as eventuais delações, pois o atual advogado de Vorcaro também assumiu a defesa de Mansur, que necessariamente será implicado numa eventual delação do ex-banqueiro.

O país da delação séria, por Fernando Gabeira

O Globo

Como para muitas outras coisas no Brasil, temos uma versão leve. Sem açúcar, sem gordura, sem glúten, sem agrotóxicos

O advogado de Daniel Vorcaro procurou a PF e disse que seu cliente queria fazer uma delação séria. São coisas do Brasil. A delação premiada existia em alguns países antes de chegar aqui. Tivemos várias. Mas, bem cedo, chegamos a essa categoria de delação séria, pois, como para muitas outras coisas no Brasil, temos uma versão leve. Sem açúcar, sem gordura, sem glúten, sem agrotóxicos.

A guerra da IA, por Pedro Doria

O Globo

A guerra que Estados Unidos e Israel travam contra o Irã traz duas novidades que a tornam, nas palavras de Michael Horowitz, do Council on Foreign Relations, a primeira “guerra de precisão em massa”. A última vez em que uma transformação tecnológica radical desse nível ocorreu foi em 1991, na Guerra do Golfo. Lá, os mísseis Tomahawk e aviões bombardeiros que sumiam no radar permitiram que ataques tivessem um nível de precisão jamais visto. Agora é diferente. A precisão é plena e quase total. O que mudou foram duas tecnologias em paralelo. Do lado americano e israelense, é a primeira vez que inteligência artificial é usada para escolher alvos. Do lado iraniano, sua principal arma são drones que enxergam onde pretendem atacar. Por diversas razões, isso quer dizer que esta é uma guerra imprevisível.

O ‘centro’ flopou mais uma vez, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

As articulações do Centrão deram em nada, resta saber para onde vai o eleitor de centro

A desistência de Ratinho Jr. tem significados fortes e consequências claras: Gilberto Kassab desaba do pedestal de gênio da política, as opções do tal “centro” definham, o cenário de polarização se consolida e Flávio Bolsonaro conquista uma vitória relevante, enquanto o presidente Lula é quem tem mais a lamentar.

A frente articulada por Kassab, liderada pelo PSD e engrossada por partidos do Centrão, reunia três ou quatro candidatos à Presidência, mas Tarcísio de Freitas fugiu da raia, Ratinho Jr. recolheu-se à sua insignificância, Eduardo Leite parece sempre um peixe fora d’água.

As consultorias de Vorcaro, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O crescimento do Banco Master – o livre e célere erguimento de sua pirâmide – é produto também da rede de relações costurada por Daniel Vorcaro, tessitura em que se destaca o zelo por ter várias e boas consultorias. Ele sabia selecionar prestadores de serviços cujo serviço teria valor, como se diz, subjetivo. Quase como se montasse uma coleção de arte, fomentou espécie de startup de consultorias – e, claro, consultores. Consultores influentes, inclusive jurídicos. Tudo a milhão.

Uma nova política de Defesa, por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

A melhoria da capacidade de atuação das Forças Armadas tem de ser vista como uma questão de Estado, com uma visão estratégica de médio e longo prazo

Em janeiro passado, o presidente Lula convocou uma reunião com o ministro da Defesa, os comandantes das três Forças e o chefe do Estado-Maior Conjunto para analisar as vulnerabilidades do Brasil no caso de uma ameaça externa. A preocupação, oportuna neste momento, mas muito atrasada do ponto de vista da defesa da soberania, tem de ser também entendida pela sociedade e pela classe política, distantes desse problema, cada vez mais urgente diante das incertezas globais e pela insegurança interna.

Ruim, mas deve piorar, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Se o diretor-geral da AIE prevê que a crise atual do petróleo pode ser a pior da história, pode-se imaginar o que está a rondar a economia mundial

“A maior ameaça à segurança energética global da história.” Foi assim que, em entrevista ao jornal britânico Financial Times na semana passada, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, avaliou os impactos sobre a economia mundial da guerra entre os Estados Unidos-Israel e o Irã. Segundo Birol, dirigentes políticos e agentes dos principais mercados mundiais estão subestimando a dimensão da crise causada pelo fato de que, na prática, com o fechamento do estreito de Ormuz, cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo está retido na área do conflito.

Desistência de Ratinho Jr. é reconhecimento de que chances da terceira via são diminutas, por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

Mais um ciclo eleitoral vem e o Brasil continua preso na polarização de lulismo e bolsonarismo

Lula e Flávio são a expressão da nossa democracia, em que poucos eleitores sabem os projetos de seus candidatos

desistência de Ratinho Jr. da corrida presidencial é o reconhecimento de que as chances da terceira via são diminutas. De que vale o desgaste para terminar com 5%? Mais um ciclo eleitoral vem e o Brasil continua preso na polarização de lulismo e bolsonarismo (ou seus ungidos).

Isso contraria muitas intuições de como o eleitor escolhe, ou deveria escolher. Uma ideia muito difundida é a seguinte: o eleitor tem suas preferências de projetos de lei e políticas públicas. Os candidatos apresentam seus planos. Com as propostas em mãos, o eleitor escolhe o candidato que mais se aproxima de suas preferências. Se, futuramente, aparecer um novo candidato cujas propostas são ainda mais próximas das suas, ele mudará seu voto. Será que Flávio e Lula têm as melhores propostas?

Pressões põem em xeque funcionamento de CPIs, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

As comissões parlamentares de inquérito estão sendo gradativamente esvaziadas e desmoralizadas

A desconstrução em parte é obra dos próprios políticos, em parte culpa das interferências por interesses ocultos

Pode ser coincidência ou mera impressão, mas que determinadas atitudes de ministros do Supremo e dos presidentes da Câmara e do Senado espalham um aroma de operação abafa no ar de Brasília, isso é evidente.

No STF anulam-se quebras de sigilo aprovadas em comissões de inquérito e liberam-se convidados e convocados de comparecer a CPIs enquanto no Congresso o deputado Hugo Motta (Republicanos) e o senador Davi Alcolumbre (União Brasil) interditam a prorrogação da CPMI do INSS e impedem investigações sobre o Banco Master.

Lagoinha, igreja de Vorcaro, já foi palco de revolução evangélica, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Escândalo reacende críticas à associação entre fé, poder e dinheiro

Nos anos 90, igreja se conecta ao dinâmico evangelicalismo dos EUA

Para quem conheceu a Lagoinha pelo noticiário recente, ela aparece associada a luxo, política e ao escândalo do Banco Master. Mas essa mesma igreja já ocupou um lugar muito diferente no protestantismo brasileiro.

Nos anos 1970 e 1980, em Belo Horizonte, a Lagoinha era uma igreja de bairro. Membros antigos a descrevem como uma extensão da vida doméstica: famílias próximas, crianças crescendo juntas, vínculos duradouros. Era uma igreja batista típica, que incorporou uma liturgia mais viva, próxima ao estilo pentecostal.

Trump e Netanyahu tendem a divergir sobre Irã, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

A americano interessa reduzir danos e encerrar a guerra

Para israelense, só vitória eloquente ajudaria em reeleição

Donald Trump e Binyamin Netanyahu começaram juntos a guerra contra o Irã, mas tendem cada vez mais a divergir sobre o momento de encerrá-la.

É difícil, aliás, entender por que Trump embarcou nessa aventura. É verdade que o Agente Laranja ganharia pontos eleitorais (haverá pleito legislativo nos Estados Unidos em novembro), se tivesse derrubado a teocracia iraniana apenas falando grosso e lançando meia dúzia de bombas. Só que o risco de isso não acontecer sempre foi grande. E, até aqui, não aconteceu.

Trump precisa visitar Rio das Pedras para conhecer as milícias, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Há organizações criminosas de todo o tipo, não só aquelas que negociam drogas

Milicianos ocupam territórios e são tão ou mais perigosos que bandidos do PCC e CV

Como haviam feito com o tarifaço —depois se arrependeram, escondendo o boné Maga—, direita e extrema direita se deliciaram com o argumento de equiparar traficantes a terroristas. A denominação narcoterrorista, adotada por Donald Trump e seus seguidores, como Nayib Bukele, o ditador "cool" de El Salvador, logo foi copiada pelos agentes de segurança do Rio de Janeiro. Serviu para embalar a chacina do Alemão e da Penha. Realizada em outubro, a operação deixou mais de cem mortos, sem alterar a situação nas duas comunidades, cujos territórios continuam ocupados. O alcance midiático, no entanto, foi um sucesso.

Poesia | Amor é um fogo que arde sem se ver, de Luís de Camões

 

Música | Maria Rita - Águas de março

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Com Master, BC tem oportunidade de refinar controles

Por O Globo

Pela primeira vez, dois altos funcionários da autoridade monetária foram acusados de corrupção

O caso Master tem oferecido ao Banco Central (BC) uma oportunidade única de aperfeiçoar o sistema de supervisão das instituições financeiras. Não é a primeira vez que um banco comete fraudes, nem a primeira liquidação extrajudicial em que diversos investidores perdem patrimônio. O fato preocupante é que esta é a primeira vez, em todas as ondas de intervenção e liquidação de bancos desde a redemocratização, em que dois altos funcionários do BC são acusados de corrupção.

Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Fiscalização Bancária, e Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização, se tornaram, de acordo com as investigações, “consultores pessoais” do banqueiro Daniel Vorcaro. Depois de auditoria interna ter constatado um aumento de patrimônio dos dois que só poderia ser explicado pelo recebimento de vantagens indevidas, o BC os afastou do cargo e comunicou à Polícia Federal (PF). O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), os afastou do próprio BC.

Delação de Vorcaro: preguiçosa e conveniente, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Daniel Vorcaro é um cara arrojado e inteligente. Ao longo da sua trajetória meteórica, ele sempre seguiu uma estratégia racional, orientando suas jogadas pela exploração dos incentivos errados que os sistemas econômico, político e judicial brasileiro oferecem. E a delação é a sua próxima cartada.

No centro do modelo de negócios do Master estava uma falha do sistema financeiro: sabendo que o Fundo Garantidor de Créditos honraria as aplicações de até R$ 250 mil dos investidores, o banco captou um montante estratosférico no mercado. Quando a bomba explodiu, Vorcaro impôs um prejuízo de mais de R$ 50 bilhões a seus concorrentes, que precisarão recapitalizar o FGC.

MDB, 60 anos: nem Ulysses e Tancredo uniram o partido, por César Felício

Valor Econômico

Partido não deve apoiar ninguém para presidente este ano, mas sem o clima de guerra do passado

Mais à direita do que já esteve na maior parte da sua história, muito menor do que já foi no passado, o MDB completa 60 anos nesta terça-feira mantendo uma singularidade: é o partido onde instâncias regionais, estatutariamente, têm mais poder perante a cúpula da sigla.

Esta particularidade está cobrando seu preço agora, em meio às articulações de palanque que ocorrem junto com a janela partidária. Em dois Estados do Nordeste, Paraíba e Piauí, é provável que o partido simplesmente deixe de lançar candidato a deputado federal.

A formação de uma bancada robusta na Câmara dos Deputados é fundamental para qualquer partido conseguir uma fatia mais relevante do fundo partidário. Mas o MDB, ainda hoje, continua podendo ser chamado de “federação de caciques regionais”. No Piauí, a prioridade da sigla é o acordo com o PSD para a reeleição do senador Marcelo de Castro. Na Paraíba, o partido joga mais alto, e quer eleger o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena para governador, e reeleger o senador Veneziano Vital do Rego. Abrir mão na nominata proporcional ajuda na composição.

Campanha tem batalha de rejeições entre Lula e Flávio Bolsonaro, por Joelmir Tavares

Valor Econômico

Parcela de eleitores que rechaça votar em um ou outro será elemento decisivo, se polarização captada nas pesquisas continuar

A liderança de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro nas pesquisas, a sete meses da eleição presidencial, evidencia o peso da rejeição aos pré-candidatos, que deve se tornar um ingrediente importante da disputa, caso o cenário de polarização continue.

Os percentuais de eleitores que se recusam a votar no atual presidente - que deve ser o representante do PT na corrida - e no senador - indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer pelo PL - podem ser decisivos. Segundo especialistas, a possibilidade de que a eleição vire uma espécie de batalha de rejeições é um reflexo da divisão ideológica acentuada, algo que já tinha aparecido em 2022.