*Hannah Arendt (1906-1975), “Origens do
totalitarismo”, p. 474, Companhia de Bolso, São Paulo, 2020,
Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sábado, 26 de setembro de 2026
Opinião do dia – Hannah Arendt* (A propaganda totalitária)
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
O fim das bets e a campanha eleitoral
Por O Povo (CE)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, emitiu medida provisória (MP) proibindo o funcionamento das bets em todo o País. A medida já está em vigor e as plataformas de apostas esportivas e jogos online estão banidas.
O bloqueio determinado pelo presidente vale, inicialmente, por 120 dias. Nesse prazo, o Congresso pode rejeitar ou aprovar a MP, transformando-a em lei. Se não for votada, a medida perde a sua eficácia ao fim do prazo.
As bets, plataformas de apostas esportivas e jogos online, entram assim, com mais ênfase, na campanha eleitoral. O assunto já vinha sendo abordado por Lula e pelo candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) em diversas ocasiões. O presidente declarava ser "pessoalmente" a favor da proibição. Portanto, na discussão interna prevaleceu a proposta de Lula, pois alguns ministros defendiam apertar os controles, sem proibir as bets.
Por sua vez, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) manifestou-se contra o "jogo do tigrinho", defendendo as apostas em "jogos (esportivos) reais". A diferença entre as duas propostas, portanto, é que a MP de Lula impede completamente o funcionamento dos jogos online, quanto a Flávio, ele defende apenas o fim dos "cassinos online", mantendo os chamados "jogos de cota fixa", quando o apostador sabe o valor que receberá caso ganhe a aposta.
A pesquisa mais recente sobre os jogos online é da Atlas/Bloomberg, divulgada na quarta-feira. Os dados mostram que 75% dos brasileiros concordam que as bets deveriam ser proibidas no Brasil, enquanto 17% discordam e 8% não concordam nem discordam.
A preocupação contra os jogos faz sentido, pois, além do estrago que promove na finança e na situação emocional das famílias, uma geração de jovens vem sendo seduzida pelos jogos online. Como já informou este jornal em edição anterior, pesquisa da Frente Parlamentar Mista da Educação mostra que um em cada cinco estudantes nos anos finais do ensino fundamental e do médio já fez apostas online. Além disso, muitos estudantes começam a apostar aos 11 anos de idade.
Estados e cidades brasileiras, a exemplo do que faz a Prefeitura de Fortaleza, já vem tomando medidas para dificultar ou restringir o acesso aos jogos online. O prefeito Evandro Leitão (PT) planejava enviar à Câmara dos Vereadores um projeto de lei proibindo a propaganda das plataformas de apostas em espaços públicos em todo o município.
Agora, não mais será necessário, pelo menos por enquanto, pois os jogos online foram proibidos completamente. No entanto, agora será necessária vigilância redobrada para controlar as plataformas ilegais, que certamente, procurarão ocupar o espaço deixado com o fim das bets.
A falta que faz uma causa comum, por Marco Aurélio Nogueira*
O Estado de S. Paulo
O País está pedindo uma macrorreforma
institucional, tema que não surge em nenhuma das campanhas
A oito dias das eleições, o quadro da disputa está congelado. A eleição será, mais uma vez, decidida no photochart, com Lula e Flávio Bolsonaro batendo cabeça na reta final.
Atordoado com tantos escândalos e tanta falta
de sinalização, o eleitorado não sabe para onde o País irá. Desaprova o governo
de Lula, mas não aprova Bolsonaro com ênfase. Tende a rejeitar quem mais o
assusta ou incomoda. Voto defensivo, não programático, o que rebaixa a
qualidade da disputa. Faltando ideias e propostas claras, sobram manobras
eleitoreiras e jogos de cena. Bolsonaro é impulsionado pelo antipetismo, Lula
pela “economia do afeto”, como fala o historiador Alberto Aggio.
Há medo do continuísmo esgotado de Lula e medo do autoritarismo perverso e mal organizado do bolsonarismo.
O governo Lula acerta ao proibir as bets no Brasil? Sim, por Ione Amorim
Folha de S. Paulo
Rentabilidade se alimenta do risco, e apenas
a regulação não acompanharia a escalada de danos
Jogo fica disponível 24 horas por dia e praticamente elimina barreiras físicas entre consumidor e produto
Até a proibição
anunciada nesta sexta-feira (25) pelo governo Lula (PT), por meio de
medida provisória, foram anos de operação de apostas online sem regras
suficientes, seguidos por uma regulamentação
que ainda estava em construção. Era como trocar a roda de um carro
em movimento—e em alta velocidade.
Nesse período, os jogos e as apostas, as
chamadas bets, se transformaram em um desafio socioeconômico, de proteção do
consumidor e de saúde pública.
Até que ponto é possível separar a rentabilidade desse mercado do comportamento
que expõe permanentemente seus consumidores ao risco que a própria regulação
pretende evitar?
Diferentemente do álcool e do tabaco, cujos graves danos levaram a sucessivas restrições à comercialização e à publicidade, o jogo online é imaterial, está disponível 24 horas por dia e praticamente elimina as barreiras físicas entre consumidor e produto. No mesmo celular estão a plataforma, o meio de pagamento, a publicidade e a possibilidade de realizar e repetir apostas em poucos segundos. Não há deslocamento, horário de fechamento ou necessidade de adquirir fisicamente um produto; a tecnologia suprimiu boa parte das barreiras que poderiam limitar seu consumo.
Flávio Bolsonaro dá dinheiro aos 'peixes' da milícia, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Espanta a naturalidade com que o miliciano se
refere ao filho 01: nosso senador
Casos de desvio de emendas estão ligados à
infiltração de bandidos na política
Ao lançar a campanha da reeleição, em agosto,
Lula bateu duro no atual sistema de emendas parlamentares. O plano apresentado
defende o estabelecimento de limites e controles e classifica as emendas
impositivas como "grave distorção" que sequestra recursos do
Executivo.
O tema, contudo, está submerso, intocável. A dinâmica da disputa contra o bolsonarismo impôs à campanha outros rumos de discussão —crise do STF, Lulinha, vazamentos do Master, interferência dos Estados Unidos, endividamento das famílias, escala 6x1, guerra contra a jogatina eletrônica.
A ciranda não explicada do candidato Flávio Bolsonaro, por Adriana Fernandes
Folha de S. Paulo
Fatos têm desmontado versões apresentadas
pelo candidato do PL sobre a sua relação com Vorcaro e o filme 'Dark Horse'
Perguntas precisam ser respondidas, já que
ele é investigado formalmente
Flávio
Bolsonaro negou encontros, viagens e recursos recebidos de Daniel
Vorcaro. Aí vêm os fatos e desmontam as imposturas do candidato do PL à cadeira de presidente
da República nas eleições
deste ano.
A mais recente delas foi a revelação, pela revista Piauí, de que o senador viajou da Flórida para Brasília em janeiro de 2025 em um jato executivo que tinha entre os cotistas Vorcaro e Willer Tomaz.
Pai de Vorcaro deve explicações, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Profusão de 'irmãos' de ex-banqueiro é
resultado de parentesco fictício
Fenômeno é universal, mas, no Ocidente, tem
algumas particularidades
A essa altura, quem deve explicações é Henrique
Vorcaro, o pai de Daniel
Vorcaro. A quantidade de
"irmãos" do ex-banqueiro já identificados é sugestiva de
intensa atividade extraconjugal. Cabe até uma investigação eclesiástica, pois a
Igreja
Batista da Lagoinha, da qual o patriarca dos Vorcaros é membro
ativo, não encoraja o adultério.
Brincadeiras à parte, acho que cabem algumas reflexões sobre o parentesco fictício. A primeira observação é que se trata de um universal humano. O uso de análogos de irmão/irmã para referir-se a pessoas da mesma geração e tio/tia para gente mais velha é tão prevalente em algumas culturas, principalmente naquelas baseadas em estruturas de clã, que esses termos funcionam como pronomes de tratamento. É que nosso software mental e linguístico evoluiu no Pleistoceno, quando vivíamos em grupos familiares. Continuamos a usar essa programação, e as palavras que ela gera, mesmo depois que o mundo ficou maior que a família.
A aposta de Lula pode dar em nada, por Thaís Oyama
O Globo
Embora a ideia da extinção seja bem recebida,
não chega a empolgar a ponto de definir um voto
‘Estou chocado! Chocado ao descobrir que há
jogo neste lugar.’ No filme “Casablanca”, o capitão Renault, ele mesmo freguês
da jogatina, simula surpresa diante da “descoberta” da existência de um cassino
no Rick’s Café, e usa o pretexto para fechar o estabelecimento. Como o capitão
Renault, o presidente Lula
disse no último dia 18 estar “estarrecido” com o estrago que as bets estão
fazendo no orçamento das famílias brasileiras, mesmo tendo tido quatro anos
para perceber.
A oito dias da eleição, cabeça a cabeça com o adversário Flávio Bolsonaro, Lula resolveu que cabe ao Estado proteger adultos de si mesmos e determinou em Medida Provisória (MP) a proibição total das apostas on-line no Brasil. Pela abrangência e pela pressa, a MP ameaça desorganizar mercados como futebol e publicidade, provocar disputas judiciais bilionárias e empurrar apostadores ao mercado clandestino dos jogos, além de elevar a já bastante elevada insegurança jurídica no país. Lula, porém, parece apostar que o apoio popular à proibição — superior a 70% — vá superar esses custos na eleição.
Viveremos do legado democrático de Zuenir Ventura, por Flávia Oliveira
O Globo
Democracia e Zuenir são substantivos que não
apenas cabem na mesma frase. São sinônimos
Zuenir Ventura formou gerações — sim, no plural — de jornalistas e inspirou outras tantas — aqui, eu me incluo. Ele partiu serenamente aos 95 anos, deixando órfãos seus filhos biológicos, Mauro e Elisa, e uma legião de velhos amigos, colegas de ofício, fontes, leitores... A existência longa, de quase um século, alicerçou a impressão de eternidade. O velório, na Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupava a cadeira 32, antes ocupada por Ariano Suassuna, foi marcado por uma espécie de luto ao quadrado. Havia tristeza, saudade pela ausência, agora física, do Mestre Zu. E uma baita apreensão cívica pela democracia, de novo, sob ameaça.
As eleições e o risco de desmonte na Cultura, por Juliana Diniz
O Povo (CE)
A proposta de Ciro Gomes é bem coerente com o
perfil mais à direita que incorporou nestas eleições. O eleitor conservador vê
o investimento em cultura como desperdício, sente uma desconfiança que muitas
vezes se confunde com o anti-intelectualismo
Sabemos que nem toda promessa de campanha
deve ser levada a sério, mas a possibilidade de que a ideia desastrosa de um
candidato seja levada adiante em caso de vitória demanda nossa preocupação
real. Eu me refiro à declaração de Ciro Gomes sobre a promessa de destinar os
recursos que atualmente mantêm o Instituto Mirante para as pastas de segurança
e saúde.
O instituto é responsável pela gestão dos equipamentos culturais do estado. Pinacoteca, Museu da Imagem e do Som, Centro Cultural do Cariri, Estação das Artes, Kuya - Centro de Design do Ceará e o Mercado AlimentaCE são alguns dos equipamentos geridos pela organização social criada em 2021. Os equipamentos pertencem à Secretaria de Cultura, mas todas as ações realizadas por eles são geridas e executadas pelo instituto, num modelo de descentralização administrativa que, muitas vezes, traz mais celeridade e eficiência para o trabalho do estado.
Desafios na era digital, por Pedro Serrano
CartaCapital
As profundas mudanças causadas pelas novas
formas de comunicação exigem mecanismos mais eficazes para salvaguardar o
Estado Democrático de Direito
Ao traçarmos uma linha evolutiva do pensamento jurídico ao longo do último século, fica evidente que a era digital representa um marco histórico não apenas nas formas como as pessoas interagem: as transformações digitais também trouxeram novos desafios para a proteção dos direitos fundamentais na contemporaneidade. Em retrospectiva, a aplicação clássica do Direito, como ciência isolada, através da visão de puristas como Hans Kelsen, perdeu espaço no período pós-Segunda Guerra Mundial. Naquele tempo de reconstrução, não era mais plausível o entendimento de que o Direito caminharia fundado em critérios estritamente objetivos, autônomos e neutros em relação aos valores morais e à política, conforme defendia Kelsen.
De Tocqueville às big techs, por Luiz Gonzaga Belluzzo
CartaCapital
As plataformas digitais solapam os ideais de
igualdade nos Estados Unidos celebrados pelo chanceler francês
As turbulências trumpistas que assolam a sociedade e a política do Grande Irmão do Norte recomendam uma revisita a Alexis de Tocqueville. Ele escreveu na Introdução de seu livro, o clássico Democracia na América: “Entre os novos objetos que, durante minha estada nos Estados Unidos, chamaram minha atenção, nenhum me impressionou tanto quanto a igualdade de condições. Descobri sem dificuldade a influência prodigiosa exercida por esse primeiro fato no andamento da sociedade; ele confere ao espírito público uma certa direção, um certo curso às leis; aos governantes, novas máximas; aos governados, hábitos particulares”.
Democracia em perigo, por Leonardo Avritzer e Carmen Leitão*
CartaCapital
Entre a erosão interna e a coerção externa
Desde o pós-Guerra, os Estados Unidos reivindicaram um papel central na defesa internacional da democracia e dos direitos humanos. Ao longo das décadas, combinaram a participação na construção de instituições multilaterais com instrumentos próprios de avaliação e de pressão sobre outros países, como os relatórios de direitos humanos do Departamento de Estado. A esse repertório somaram-se as sanções da Lei Magnitsky e, em outra frente, as designações de organizações estrangeiras como terroristas, com efeitos para além das fronteiras norte-americanas.
Sinais trocados e país dividido, por Murillo de Aragão
Revista Veja
Pesquisas indicam espaço para novo movimento
por voto útil
A dez dias da eleição, os institutos parecem
discutir entre si. A AtlasIntel dá a Lula
45,8% contra 43,4% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e ainda o mantém à
frente no segundo, por 47,7% a 47,4%. A Quaest registra Lula com 37% e Flávio
com 33%, mas inverte no segundo turno: 42% a Flávio e 41% a Lula. Tudo dentro
da margem de erro, com ressalva relevante: no início do mês, a mesma Quaest
ainda concedia 7 pontos de vantagem ao presidente.
A série histórica ajuda a entender o momento. Nas últimas cinco eleições, o Datafolha feito a dez dias do pleito chegou perto do resultado obtido pelo candidato do PT. Lula tinha 49% em 2006 e fez 48,6%; Dilma marcava 46% em 2010 e acabou com 46,9%; Lula aparecia com 47% em 2022 e alcançou 48,4%. Com seus adversários, ocorreu algo diferente. Alckmin passou de 31% para 41,6% em 2006, Aécio de 18% para 33,5% em 2014, Bolsonaro de 28% para 46% em 2018 e de 33% para 43,2% em 2022. Na véspera do segundo turno de 2022, Lula tinha 52% contra 38% e acabou vencendo por apenas 50,9% a 49,1%. Em boa medida, esse movimento decorre do voto útil.
Desalento, por José Casado
Revista Veja
No segundo turno, talvez o eleitor descubra o
que governo e oposição querem fazer com o país
Pedro Paulo Soares Pereira é um rebelde da
periferia paulistana. Por trapaças da história, aos 56 anos o Mano Brown, do
grupo de rap Racionais MC’s, passou a suspeitar que tenha virado um
conservador.
Não perde o humor: — Vocês sabem que pega
bem, pega muito bem, pra um rapper ser um defensor do sistema e do presidente?
— disse numa conversa recente com outro poeta, Nei Lopes, e a cantora e atriz
Thalma de Freitas.
— É realmente o fim do mundo! — ela replicou, rindo.
Precisamos conversar sobre o STF, por Marcus Pestana
Daron Acemoglu e James Robison em seu best seller “POR QUE AS NAÇÕES FRACASSAM” argumentam que o sucesso ou o fracasso de uma país depende da qualidade das instituições, onde há instituições inclusivas, que promovem a participação da população e a inovação, e instituições extrativas, que concentram o poder em uma elite dominante. O livro resultou no Prêmio Nobel de Economia para Acemoglu e Robison, em 2024.
Sertão e mar, por Ivan Alves Filho*
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Caso Master lança suspeita sobre origem de precatórios
Por Folha de S. Paulo
Vorcaro investiu R$ 14,3 bi em ações contra o
poder público que dependiam de tribunais para serem lucrativas
Indícios levaram o CNJ a cancelar o pagamento
de R$ 4,7 bi em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao
Master
Em uma nova frente de investigação das
fraudes do Banco Master,
suspeita-se que um dos ramos de atuação da gangue de Daniel
Vorcaro era o suborno de juízes, tentado ou bem-sucedido, a fim de
obter ganhos no mercado de precatórios —dívidas do setor público arbitradas
pelo Poder Judiciário.
Como revelou a Folha, Vorcaro tem ao menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais dependentes de decisões de tribunais para se tornarem lucrativas. Tais ativos estavam entre os principais negócios do Master, operados no mercado de valores a receber de precatórios.
Macunaíma no poder, por José de Souza Martins
Valor Econômico
O Brasil “inventou” o capitalismo
anticapitalista, o do lucro privado baseado no prejuízo coletivo, contra o
país. O capitalismo do herói sem nenhum caráter
Os políticos brasileiros, desde a Proclamação
da República, no geral, têm sido representantes de si mesmos no poder. Têm se
empenhado em criar e demolir partidos para gestar variantes de um partido
nacional macunaímico, com a diabólica estrutura de que é de todos e de nenhum
ao mesmo tempo. De esquerda ou de direita ou de extremo centro, basta olhar a
cena com a lupa do pensamento crítico e veremos que Macunaíma está lá e,
portanto, nós não estamos lá.
Macunaíma é o herói sem nenhum caráter. É
todos e não é nenhum. Tenta, mas não consegue ser. Nasceu em Araraquara (SP),
na Chácara Sapucaia, em que Mário de Andrade passava um mês de férias, entre o
fim de 1926 e o começo de 1927.
Na chácara de seu tio, Pio Lourenço Corrêa, cuja avó, em Araritaguaba, ainda falara nheengatu, a “língua bonita” dos mamelucos, mestiços de branco e índia, brasileiros da servidão, que se tornarão o caipira e tudo o que o caipira representará na história do Brasil.
Fé e disputa pelas periferias. Igreja Católica entra na eleição, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler,
também defendeu a formação da consciência dos eleitores. O alto clero católico
pretende protagonizar o julgamento moral da eleição
Ao pedir que os fiéis votem pela democracia,
o alto clero católico entrou na campanha eleitoral. Não declarou apoio à
reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva nem pediu votos contra Flávio Bolsonaro. Mas a orientação é um divisor de águas
num país em que o candidato do PL herda a aliança do bolsonarismo com
lideranças evangélicas. A opção dos bispos é disputar os critérios do voto: a
defesa das instituições, dos pobres e da liberdade de consciência diante da
tentativa de transformar a autoridade religiosa em cabo eleitoral.
O recado mais recente veio da Amazônia: "Nós não temos partido. Mas temos uma causa: o Evangelho e os pobres. Vote pela democracia", disse o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, em vídeo divulgado nesta semana. Dom Guilherme Werlang, bispo de Lages (SC), advertiu contra a manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus: "As igrejas não são currais eleitorais". Ao lado de outros bispos, eles também trouxeram para a escolha eleitoral duas bandeiras de Lula: a soberania nacional e a proteção da Amazônia. Entretanto, nenhum candidato foi citado, apesar de as declarações confrontarem práticas e discursos associados à campanha bolsonarista.
Pesquisa reforça cenário de definição no segundo turno, por César Felício
Valor Econômico
O que é possível apostar é que tanto Lula
quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%
A pesquisa Datafolha divulgada na
quinta-feira (24) deve atenuar a euforia entre os bolsonaristas que nos últimos
dias trabalhavam com o cenário de uma virada do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno,
que poderia culminar até mesmo com a vitória já no dia 4 de outubro.
A intenção de voto no senador interrompeu a trajetória de alta das últimas três rodadas, permanecendo em 36%. E Lula cresceu um ponto, voltando ao patamar de 40% que tinha em julho. Mas o presidente continua patinando na avaliação de governo, cujo índice de bom e ótimo não cresce, e na aprovação pessoal, que oscilou um ponto percentual para baixo na última semana.
A mão que lavou dinheiro do 'Dark Horse' lavou também o do PCC, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Operação Carbono Oculto avança sobre
investigação de relação entre facções, setor de combustíveis e fintechs
A terceira
fase da operação Carbono Oculto indica
que, ao pedir dinheiro para Daniel
Vorcaro, o ex-banqueiro do Master, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ajudou o
crime organizado. Se o Master, na cabeça do eleitor, virou uma arca de Noé,
este vínculo só um candidato tem, não por acaso, o único da disputa
presidencial investigado na operação.
Foi o ministro da Fazenda, Dario Durigan, quem chegou mais perto de colocar o guizo no gato ao explicar a movimentação ilegal de R$ 11,6 bilhões apurada pela Receita Federal: “O recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso, aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa, se tem dinheiro do PCC, de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo fundo”.
A sorte de Flávio Bolsonaro, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Pego na mentira mais uma vez, candidato conta
com tolerância de seguidores do pai
Aconteceu em 1993, na CPI dos Anões do Orçamento.
Acusado de chefiar um esquema de pilhagem do Tesouro, o deputado João Alves
disse ter vencido 200 vezes na loteria. “Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro”,
garantiu, para gargalhada geral.
Trinta e três anos depois, o empresário
Antonio Carlos Freixo Júnior se mostrou ainda mais afortunado. Alvo da Operação
Carbono Oculto, ele apareceu 570 vezes como “ganhador” em comunicações de
prêmios e apostas. Usou a sorte como pretexto para movimentar R$ 176,4 milhões.
Conhecido como o homem da mala de Daniel Vorcaro, Freixo Júnior também está envolvido na trama do ‘Dark Horse”. Figura como financiador do que seria o filme mais caro da história do cinema brasileiro. A se acreditar nas palavras de Flávio Bolsonaro, que não devem ser compradas pelo valor de face.
Debate pode tirar a eleição do escuro, por Vera Magalhães
O Globo
Primeiro e único confronto entre Lula e
Flávio Bolsonaro pode ocorrer dois dias antes do pleito e lançar luz sobre
propostas e comparações de governos que ficaram em segundo plano diante de
escândalos
O debate da TV Globo, na próxima
quinta-feira, é a última chance de a eleição presidencial sair do absoluto breu
em que é disputada, com o enorme risco que isso representa para o dia seguinte
ao segundo turno. Ao que tudo indica, Lula e Flávio Bolsonaro sairão da
retranca em que se colocaram e ficarão frente a frente pela primeira vez. O
empate rigoroso entre ambos impede que um deles decida faltar a um programa
tradicional, que tende a registrar audiência maciça.
O histórico irregular de performances de um e de outro em eventos do tipo e a quantidade de lama jogada no ventilador, sobretudo nas duas últimas semanas, desde que veio a público o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, não permitem prever favoritismo ou que rumo a discussão tomará. Mas é possível cravar que será o primeiro momento em que um eleitor entre apático e enojado parará diante da TV para prestar atenção ao que os candidatos a presidir o Brasil pelos próximos quatro anos têm a lhe propor.
Carta ao Flamengo, por Pablo Ortellado
O Globo
O dinheiro das bets é volumoso e permite
contratar jogadores, mas o benefício não compensa o mal que faz às famílias
Querido Clube de Regatas do Flamengo,
Na quinta-feira da semana passada seu perfil oficial postou uma nota no Instagram anunciando “o fim do futebol brasileiro” se o governo federal proibisse as bets. A nota apresenta o patrocínio das bets como uma das principais fontes de receita do futebol brasileiro e credita a ele a hegemonia recente dos nossos clubes na Libertadores e na Sul-Americana. Adverte que uma mudança “abrupta” nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e poria em risco contratos já firmados. No final, conclui que a proibição só pioraria a situação. Sem o mercado regulado, diz, os apostadores migrariam para plataformas clandestinas, que não seguem regras nem colaboram com as autoridades. A nota gerou forte reação da torcida, com 9 em cada 10 comentários criticando sua posição. Gostaria de me juntar a esses torcedores.
Disputa pode ser a mais acirrada, por Raquel Landim
O Estado de S. Paulo
Diferença do porcentual de votos entre Lula e Flávio é ainda menor do que a da eleição de 2022
A disputa entre o presidente Luiz Inácio da
Silva, que tenta a reeleição, e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pode ser a
mais acirrada e polarizada da história do Brasil desde 1994. Pelo menos é isso
que indicam as pesquisas eleitorais até agora. De acordo com a mais recente
pesquisa Quaest, a diferença entre as intenções de voto dos dois candidatos é
de apenas 4,7 pontos porcentuais, com Lula atingindo 43,5% dos votos válidos no
primeiro turno, e Flávio com 38,8%.
Neste momento, a distância é ainda menor que a já disputadíssima eleição de 2022, quando Lula ficou com 48,3% dos votos válidos no primeiro turno e Jair Bolsonaro com 43,2% – uma diferença de 5,2 pontos porcentuais.
Flávio sai da zona de conforto, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Depois de represadas, revelações sobre Flávio Bolsonaro e a ‘Turma do KN’ saem aos borbotões
Quando se pensa que já se viu de tudo e que o
mais grave sobre o escândalo Master já tinha vazado, novas revelações sobre
Flávio Bolsonaro e a “turma do KN”, que estavam represadas no STF e nos órgãos
de investigação, começam a surgir aos borbotões e, tal como as suspeitas sobre
Alexandre de Moraes, não têm resposta.
“Irmão” de Vorcaro, a quem visitava e mandava
mensagens, inclusive para pedir R$ 134 milhões, Flávio tem empresas que dividem
endereço e contador com as do “Careca do INSS”, que dispensa apresentações, e
fez safáris na África do Sul com o deputado Weverton Rocha e o advogado e
“amigão” Willer Tomaz, ambos metidos nas fraudes do... INSS.
Ah! Willer Tomaz comprou de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, o apartamento usado por Flávio na pré-campanha à Presidência em São Paulo. Numa estranha aritmética comercial, Zettel comprou o imóvel por R$ 5,5 milhões e, meses depois, em fevereiro deste ano, vendeu para Tomaz por R$ 3,5 milhões. Muita generosidade.
Adeus Supremo, alô Supremo, por Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
Temos diante de nós uma Corte Suprema que perdeu a credibilidade e não será possível restabelecê-la se continuar como está
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF)
abre uma grande oportunidade de reforma do Judiciário. A simples ideia de
reforma não é necessariamente uma boa notícia nos dias de hoje. Hungria e
Polônia fizeram reformas destinadas a diminuir o poder do Judiciário, assim
como a proposta israelense que suscitou muitas manifestações populares de
protesto.
A ideia de reforma do Judiciário não significa que temos um sistema petrificado. Ao contrário, o Código de Processo Civil de 2015 foi uma inovação. Da mesma forma a criação do Conselho Nacional de Justiça, em 2004, a criação da súmula vinculante, uma síntese das decisões do STF que orienta todas as instâncias do Judiciário.
Lula tem 47% das intenções e Flávio Bolsonaro, 45%, no segundo turno, aponta pesquisa Datafolha, por Pedro Augusto Figueiredo
O Estado de S. Paulo
Segundo levantamento, petista e senador do PL
estão tecnicamente empatados na disputa presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continuam empatados tecnicamente em um eventual segundo turno na disputa pela Presidência da República. Conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 24, o petista tem 47% das intenções de voto contra 45% do candidato do PL. Brancos e nulos são 7% e indecisos, 1%.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Na pesquisa divulgada há uma semana, em 17 de setembro, Lula marcou 46% e Flávio, 44%.
Datafolha: Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro, 36% em 1º turno; rivais empatam em 2º turno, por Igor Gielow
Folha de S. Paulo
Cury (5%), Caiado (4%) e Renan (3%) seguem
abaixo, fazendo líderes pregarem voto útil em seu favor
Na segunda rodada, instituto aferiu que o
presidente tem 47% e filho do antecessor Jair Bolsonaro, 45%
A corrida presidencial de 2026 chega às
portas de sua última semana com Lula (PT) marcando
em cenário de primeiro turno 40% das intenções de voto, contra 36% de Flávio
Bolsonaro (PL).
No segundo turno, há empate, com 47% para o mandatário e 45% para o senador
fluminense.
O acirramento já estava dado nas últimas
rodadas aferidas pelo Datafolha.
Numericamente, dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou menos,
Flávio contudo não manteve a ascensão gradual que havia reduzido a diferença
entre ele e Lula de 10 para 3 pontos em quatro meses.
Agora, a distância voltou a 4 pontos, o que configura empate no limite da margem de erro, com probabilidade estatística maior de que o petista esteja à frente.
A eleição e o Brasil que vira lixo da festa dos quengos de tribunais, finança e política, por Vinicius Torres Freire
Folha de S. Paulo
Maré de lama pega tanta gente e já é tão
confusa que pode parar de afetar votos
No Datafolha, Flávio para de subir; avaliação
do governo Lula passa por despiora
Flávio
Bolsonaro e Alexandre de
Moraes viajaram no mesmo jatinho, segundo
reportagem da revista Piauí. Bolsonaro disse que não pegou carona em
avião de Daniel
Vorcaro, mas no de Willer Tomaz,
seu amigão de safári e muito mais, acusado de estar enrolado na
roubança do INSS.
"Desculpe, foi engano", como se dizia ao telefone antigamente. O
escândalo seria outro, nos corrige Flávio. O tal avião, enfim, seria de uso
compartilhado dos escandalosos, por assim dizer —seria propriedade de sócios,
entre eles Vorcaro e Tomaz.
As notícias dessa comunhão dos infernos não pararam por aí, nesta quinta (24) de maré muito alta de lama. A questão mais imediata é o efeito político-eleitoral do conhecimento progressivo do fato de que o Brasil virou lixo da festa dos quengos.
Guerras intestinas, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Polarização e empate virtual colocaram
campanhas em modo vale-tudo
Moderação deixou de ser virtude, mas eleitor
centrista ainda deverá ter palavra final
Sempre gostei da expressão "guerras
intestinas". O adjetivo "intestino" denota com precisão
etimológica que o conflito se dá entre facções "internas" a um país
e, ao mesmo tempo, torna quase inafastável a interpretação conotativa de que se
trata de uma guerra que envolve sujeira e baixarias. Nós quase sentimos o
cheiro ruim da disputa. A campanha presidencial brasileira se tornou uma guerra
intestina.
Os dois campos principais parecem ter perdido o pudor e recorrem a estratégias e truques que provavelmente evitariam num embate menos polarizado. Populismo e mentiras sempre se fizeram presentes em campanhas, mas agora correm quase sem limites. A cara de pau e a hipocrisia, idem. E ambos os lados mobilizam todos os recursos que têm à sua disposição, incluindo suas respectivas bancadas no STF, que vai acumulando mais camadas de degradação institucional.
Suplentes sem voto evocam herança da ditadura no Senado, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Legislativo é o único dos Poderes cuja
composição depende 100% das escolhas da sociedade
Exceção são os senadores reservas, que não
passam pelo crivo do eleitor e distorcem a representação dos estados
Pesquisa recente Atlas/Estadão sobre a
confiança do público nas instituições traz a esperada queda no conceito do
Supremo Tribunal Federal e confirma que o Congresso
Nacional tem o mais baixo índice no quesito: só 8% confiam nos
próprios representantes.
O Parlamento e os partidos sempre figuraram nos últimos lugares nesse tipo de levantamento. Dessa realidade emerge um paradoxo: o Poder Legislativo é o único dos três pilares da República cuja composição depende 100% das escolhas da população.
Longe do bafo do povo, por Ruy Castro
Folha de S. Paulo
Bocas-livres, putas, surubas, charutos,
uísques, jatinhos, comissões e contratos
Só provincianos, cafonas e deslumbrados se
deixam vender por tão pouco
Ninguém precisa acreditar, mas, há pouco mais de cem anos, ministros de Estado, parlamentares da pesada e juízes superiores iam de bonde para o trabalho. Aguardavam na fila, subiam pelo estribo e sentavam-se ao lado de pessoas como você e eu. Todos moravam no Rio, em casa comprada com seus recursos ou alugada de particulares. Suas mulheres organizavam chás de caridade, lanchavam na Colombo e participavam de saraus literários. Seus filhos estudavam em escolas públicas, remavam no Flamengo e trabalhavam no comércio. O Rio era a capital federal e, em torno do poder, situado no centro da cidade, havia uma coisa chamada povo.




.jpg)

.jpg)























.jpg)
.jpg)

