sexta-feira, 8 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aproximação de Lula e Trump permite otimismo

Por O Globo

Agenda positiva é boa notícia, mas ela carece de resultado e precisa ir além da motivação eleitoral

Quebrando a praxe, os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva não deram entrevista conjunta no Salão Oval da Casa Branca. O motivo alegado foi terem extrapolado o tempo para reunião e almoço. Ficaram juntos quase três horas, quando o previsto eram duas. Ao fim, Trump publicou uma mensagem sóbria. Descreveu Lula como “dinâmico”, disse que a “reunião correu muito bem”, que debateram comércio e tarifas e prometeu reuniões futuras entre representantes dos dois países. Lula foi mais efusivo: “Demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos. É uma demonstração de que as duas maiores democracias do continente podem servir de exemplo ao mundo”.

A relevância dos estados para a democracia, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

O federalismo precisa ser mais incorporado na interpretação dos caminhos e descaminhos democráticos do Brasil

A disputa presidencial de 2026 será decisiva ao país, disso ninguém tem dúvida. Só que o debate político precisa aprender a ter um olhar mais sistêmico para tantos cargos eletivos em jogo. Desde que as eleições se tornaram “casadas”, em 1994, a competição pelo Palácio do Planalto ocorre simultaneamente às corridas eleitorais nos estados. Até que nos últimos anos tem aumentado a cobertura sobre o lado regional do pleito geral que ocorre a cada quatro anos - César Felício faz isso brilhantemente aqui no Valor. Só que é preciso avançar mais na compreensão do papel da esfera estadual na democracia brasileira.

Obviamente é difícil fazer uma cobertura jornalística e análises políticas que consigam captar tanta disputa numa mesma eleição: presidente, senadores, deputados federais, governadores e deputados estaduais. O peso da Presidência da República é muito grande no sistema político brasileiro, mas mesmo essa característica tem se modificado com o poder cada vez maior adquirido pelo Congresso Nacional - o que deveria levar a aumentar o acompanhamento das disputas pelas cadeiras congressuais, tarefa para a qual, infelizmente, a sociedade brasileira ainda não se preparou.

O que o Senado votou foram os limites de seu poder, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Não era o destino de Jorge Messias que estava em julgamento, e sim o STF e o presidente da República

Entretido no trabalho, eu estava apenas ouvindo de longe a transmissão do resultado da votação do nome do indicado pelo presidente da República para o STF, Jorge Messias. Tive a impressão de que já ouvira aquela voz dizendo mais ou menos a mesma coisa, muitos anos antes. Aos poucos a conexão se fez.

Era a voz do senador Auro Soares de Moura Andrade, um criador de gado na região de Andradina (SP), presidente do Senado Federal. Advogado formado pela USP.

A alta aprovação é essencial para reeleger Lula? Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Na contagem regressiva para as eleições, num cenário em que os índices de aprovação da gestão lulista não crescem na mesma proporção que a angústia de petistas e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ganha importância o debate sobre a real influência da avaliação de governo no resultado das urnas.

Um grupo de cientistas políticos sustenta que um presidente com a aprovação de seu governo inferior a 45% não tem chance de se reeleger, enquanto outra parcela de especialistas enumera outros fatores que seriam decisivos para a vitória do candidato, como uma campanha bem-sucedida, e/ou o conjunto de erros e fragilidades do adversário.

Em menos de 24 horas, presidente Lula ressurge das cinzas, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Operação da PF e visita à Casa Branca ajudam a reverter ideia de que o governo morreu

Com menos de uma semana de vida, a ideia de que o “governo acabou” com a derrota da indicação do ministro da Advocacia Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal morreu precocemente em três lances: a operação da Polícia Federal, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca e a aprovação do marco regulatório dos minerais críticos.

A decisão do ministro André Mendonça que teve o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira (PI) como alvo coloca na fila o presidente do União, Antonio Rueda, e, finalmente, o presidente do Senado e capitão da derrota do Messias, Davi Alcolumbre (União-AP).

A “química” entre Lula e Trump na Casa Branca funcionou mais uma vez, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Nem a Casa Branca quis transformar o encontro numa cobrança pública, nem havia interesse brasileiro em abrir conflitos que comprometessem o simbolismo político da aproximação

Apesar do cenário glamouroso da Casa Branca, o cardápio do almoço entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump foi quase um feijão com arroz. Após a conversa formal entre ambos, os dois almoçaram salada de alface-romana com jicama (uma espécie de nabo mexicano, antioxidante, rico em vitamina C, E, selênio e betacaroteno), gomos de laranja, abacate com molho cítrico. O prato principal foi bife grelhado com purê de feijão preto, minipimentões doces e relish de rabanete com abacaxi. De sobremesa, pêssegos caramelizados e torta de panna cotta com mel, acompanhados de sorvete de crème fraîche. Trump dispensou a laranja, como fizera com os temas mais polêmicos das relações entre os dois países.

O tempo próprio de Minas, por Vera Magalhães

O Globo

Estado, um dos mais cruciais para definir a eleição presidencial, assiste a indefinições à esquerda e à direita, que dificultam traçar um prognóstico

Minas Gerais ocupa um lugar singular na política brasileira porque reúne três características decisivas: é o segundo maior colégio eleitoral do país, tem um eleitorado social e regionalmente muito heterogêneo e, historicamente, costuma reproduzir o comportamento médio do eleitor brasileiro.

Por isso, cientistas políticos frequentemente descrevem Minas como uma espécie de “microcosmo do Brasil”, ou nossa versão de “estado-pêndulo”. Reúne regiões com perfil econômico, cultural e ideológico muito diferentes e oscilou da esquerda à direita ao longo dos últimos ciclos presidenciais.

A sorte de Ciro Nogueira, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Pelas provas citadas por André Mendonça, chefão do PP não pode reclamar da sorte

Demorou, mas a Polícia Federal enfim bateu à porta de Ciro Nogueira. O senador estava na mira desde o início do escândalo do Master. Numa mensagem célebre, Daniel Vorcaro o descreveu como um dos “grandes amigos de vida”.

Para o ministro André Mendonça, a relação extrapolava a “mera amizade”. De acordo com as investigações, Ciro recebia mesada de até R$ 500 mil. Além disso, usava o cartão do banqueiro para pagar voos internacionais, hotéis de luxo e restaurantes estrelados.

Um movimento para reformar a universidade, por Pablo Ortellado

O Globo

A formação dos estudantes se enriquece quando exposta a perspectivas plurais

Um grupo de professores lançou nesta semana um manifesto em defesa do pluralismo, da neutralidade institucional e da liberdade acadêmica nas universidades brasileiras. O manifesto busca enfrentar o cerceamento à liberdade acadêmica que se tornou rotineiro nas instituições.

Em maio de 2021, o reitor da UFPB desligou a TV UFPB do programa Univerciência, uma rede de universidades e emissoras públicas nordestinas. A decisão ocorreu após professores, no lançamento do programa, terem criticado a falta de investimento nas universidades e homenageado Paulo Freire. O reitor justificou o desligamento alegando “falta de afinidade” com as pautas e os trabalhos desenvolvidos.

O prelúdio de uma grande campanha, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Será que algum candidato vai colocar a reforma política institucional no topo de sua agenda?

A campanha mal começou, mas recebo constantemente mensagens de amigos sobre o futuro imediato. Não sei se têm muitos votos, sei apenas que são exigentes e esperam muito do futuro presidente. Acham que sem uma reforma política e institucional, não vale a pena a vitória. Só o eleito, com a legitimidade dos votos, poderia liderar algo assim no Brasil. Pensam numa reforma dos Três Poderes. O Executivo precisa ser responsabilizado, o Legislativo precisa se livrar do fisiologismo medular e perder o controle do Orçamento, que usa como quer. O Judiciário está tão carente de reformas que as ideias estão surgindo do interior da instituição.

PF coloca Master perto de Flávio Bolsonaro, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Uma aliança com a federação PP-União Brasil era perseguida. Agora, tornou-se tóxica

Políticos à esquerda e à direita ouvidos pela coluna acreditam que a Polícia Federal apenas começou a puxar o fio das relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os partidos do Centrão.

Atingido ontem pela 5.ª fase da Operação Compliance Zero, o senador Ciro Nogueira (PPPI) é o parlamentar com maior proximidade com Vorcaro, mas está longe de ser o único.

Estão sendo aguardados com ansiedade em Brasília os próximos desdobramentos das investigações. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça demonstrou que não tem qualquer comprometimento com grupos partidários ao autorizar a operação.

Vida e morte das universidades, por Simon Schwartzman*

O Estado de S. Paulo

É a multiplicidade de funções e interesses que faz com que as universidades se mantenham e floresçam

Em artigo recente, os economistas David Cutler e Edward Glaeser tratam de explicar como as universidades têm sido capazes de existir por mais de mil anos e o papel importante que elas desempenharam e ainda desempenham em várias partes do mundo (How Have Universities Survived for Nearly a Millennium, NBER Working Paper 35079, 2026).

O segredo, dizem eles, está na combinação entre uma cooperativa de professores, com autonomia substancial sobre ensino e pesquisa e entidades externas de financiamento e controle – igreja, governos, filantropos, empresários, doadores. Eles têm interesses diferentes, mas que convergem. Os professores querem um lugar onde tenham liberdade para exercitar sua curiosidade, desenvolver e expor suas ideias sem se preocupar com de onde vem o dinheiro, e os controladores querem um lugar para onde possam mandar seus jovens e os melhores profissionais sejam formados. Cada um precisa ceder um pouco. Os professores precisam gastar tempo dando aulas e não exagerar em suas liberdades, a ponto de os controladores cortarem seus recursos; e os controladores precisam se cuidar para não forçar os professores a fazer o que não querem, matando a galinha de ovos de ouro.

Juros pelo núcleo de inflação? Por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Para o vice-presidente da República Geraldo Alckmin, o estrago produzido pelos juros altos ficará substancialmente reduzido se for feita uma pequena mexida na meta de inflação.

Se para definir os juros, em vez de medir a inflação pelo IPCA cheio (custo de vida), como é agora, for adotado o critério de núcleo de inflação, os juros podem despencar.

Núcleo de inflação, assim entendido, é o mesmo IPCA, só que expurgado das variações de preços dos alimentos e dos combustíveis, dois itens voláteis, sujeitos a frequentes choques de oferta. Chuva demais ou chuva de menos ataca os preços do chuchu; um espirro da Opep mexe com os preços do petróleo e do gás...

Lula já é pato manco ou pode reverter isolamento eleitoral? Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Assistimos ao filme da derrota para a frente Master, centrão e bolsonarismo? Delação de Vorcaro pode ser 'plot twist'?

Situação de petista se estreita, num processo que já vinha se desenhando com a colaboração do próprio PT

Os efeitos eleitorais do grande revés do presidente Lula no Senado, com a recusa do nome de Jorge Messias para um lugar no Supremo Tribunal Federal, não podem ser subestimados. Não basta considerar que o eleitorado não se preocupa com indicações ao STF e que o tema será esquecido.

Como já se analisou, a derrota, sem precedentes em 130 anos, é um sinal claro de que a candidatura do petista ingressa numa nova fase do que já se configurava como um processo de isolamento político e eleitoral.

Lula está sendo empurrado para um confinamento no campo da esquerda, num quadro em que se tornam mais difíceis ainda alianças valiosas do centro à direita.

A fantástica multiplicação dos penduricalhos, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Juízes pagam preço por recorrer a subterfúgios para reajustar seus próprios salários

Dano não é apenas reputacional, mas afeta a própria credibilidade do sistema judicial

Ser visto fazendo coisas tidas como erradas sempre causa dano reputacional ao autor da ação. O tamanho do prejuízo, porém, varia, dependendo não só da gravidade do malfeito mas também de sua relação com a história da pessoa ou instituição envolvidas.

Imagine dois políticos, ambos flagrados num caso extraconjugal. Um deles é um libertário meio hippie, que sempre defendeu o amor livre. O outro é um ultraconservador, que só falava na sacralidade da família.

Conflito de interesses assola tribunais superiores, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Casos se acumulam nas cortes altas e evidenciam a necessidade de que haja um regramento de condutas

Códigos de ética não resolvem, mas são um começo na imposição de freios ao exercício desenfreado do poder

O tema do conflito de interesses chegou para ficar, e pelo visto se ampliar, nos tribunais superiores. Já tínhamos o problema da venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a questão de ligações perigosas no Supremo (STF), a criação de novos penduricalhos na Justiça Militar (STM) e agora temos a venda de cursos para advogados na corte do trabalho (TST). Esses tópicos não contam a história toda das incorreções em curso nesse universo, mas ao menos fortalecem a evidência da necessidade de um regramento de condutas.

Aos cuidados do ICE, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A polícia de imigração de Trump não quer saber se você pode ser inocente ou se tem 85 anos

Uma denúncia rende a invasão de uma casa e a ida de seu morador para a cadeia até a expulsão

No dia 1º de abril último, uma senhora francesa, Marie-Thérèse Ross-Mahé, residente no Alabama, no sul dos EUA, foi acordada às 5h da manhã por gente batendo à porta de sua casa. Não eram batidas normais, mas murros e chutes contra sua porta e janelas. Marie-Thérèse acordou assustada. Vestiu um roupão, calçou os chinelos e foi abrir. Ao fazer isto, foi empurrada para dentro por três policiais aos gritos, que a algemaram e a enfiaram no banco de trás de um carro. Espremida entre eles, ela soube que eram agentes da imigração.

Lula concede coletiva após encontro com Trump na Casa Branca: veja íntegra

 

Poesia | Há 81 anos fim da 2ª Guerra Mundial - Fernando Pessoa, Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade. 3 Poemas sobre guerra

 

Música | Elis Regina - Gracias a La Vida (Violeta Parra)

 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo tornou-se comitê de acerto de contas políticas

Por Folha de S. Paulo

Ação contra Malafaia se soma a outras e mostra que qualquer crítico pode cair na teia repressiva da corte

Ao perseguir quem os questiona, alguns ministros flexibilizam garantias constitucionais como direito à expressão e ao juiz natural

Houve um tempo em que os brasileiros podiam contar com a ortodoxia do Supremo Tribunal Federal na defesa de direitos básicos, como o de livre expressão e crítica e o de não ser submetido a arbitrariedades por agentes do Estado.

As barbaridades de analfabetismo constitucional vinham de outros lugares, mas eram corrigidas na corte. Agora, extravagâncias partem do próprio tribunal.

O julgamento que converteu o pastor Silas Malafaia em réu, sob a acusação de injuriar os generais do Alto Comando do Exército, é apenas o exemplo mais recente de que as garantias civis podem ser flexibilizadas quando a motivação é acertar contas com adversários políticos de ministros.

O tempo passou e Lula não viu, por Paulo Celso Pereira*

O Globo

Não existe mais o Congresso com que ele lidou em seus primeiros mandatos, quando a Presidência tinha poder imperial

Lula testou a água por três vezes. Na primeira, emplacou seu advogado pessoal Cristiano Zanin, que liderou com sucesso a campanha para desmonte da Lava-Jato. Depois, veio Flávio Dino, seu ministro da Justiça e por 15 anos um dos maiores expoentes do PCdoB. Na terceira vez, optou por Jorge Messias, um discreto procurador da Fazenda que se tornou conhecido nacionalmente pela confiança que Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff depositavam nele, a ponto de torná-lo emissário da carta que garantia a nomeação do líder petista como ministro no auge da Lava-Jato. O Senado, de inclinação oposicionista, não aprovou o terceiro companheiro.

A soberba é a véspera do erro, diz o ditado, e só ela explica o fato de Lula ter ignorado avisos de aliados e as enormes diferenças que separavam essa escolha das anteriores. Messias tem trajetória jurídica menos reluzente que Zanin e Dino, mas semelhante à de Dias Toffoli ao ser indicado à Suprema Corte. Sozinha, não seria impeditivo para sua aprovação, não fossem dois fatos que o presidente menospreza desde o início do terceiro mandato: tanto a sociedade brasileira quanto os três Poderes mudaram radicalmente desde 2010, quando ele desceu a rampa apoiado por 83% dos brasileiros.

A expectativa da reunião com Trump, por Míriam Leitão

O Globo

Viagem de Lula tem vários objetivos: manter canal aberto, avançar no combate ao crime e responder a pressões comercias

O governo brasileiro quer, na visita do presidente Lula a Washington, “manter o diálogo de alto nível e tratar muito concretamente temas que formem uma agenda positiva”. Foi o que ouvi de pessoa próxima ao presidente. Parece simples, mas é difícil no atual contexto. Mais do que algum acordo, o objetivo é manter o canal de diálogo presidencial, apesar de todas as diferenças. Além disso, o Brasil tem o desejo de que avance a cooperação na área de combate ao crime organizado.

Houve um momento na terça-feira em que a Casa Branca ainda não havia confirmado oficialmente a reunião, mas inúmeros funcionários envolvidos no encontro, inclusive o cerimonial, tratavam com suas contrapartes no Brasil. Aqui decidiu-se continuar os preparativos. Só no fim do dia veio a confirmação. A conversa estava prevista havia tempos, nunca chegou a ter data e foi sendo adiada por causa da guerra.

Armadilha na visita a Trump, por Julia Duailibi

O Globo

Bloquear a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas terá custo eleitoral para Lula

O governo brasileiro avalia que a visita a Donald Trump pode reverter a maré baixa de popularidade de Lula e que o encontro entre os dois hoje tem potencial para alterar o marasmo de quem ainda não se emocionou com Desenrolas, isenção de Imposto de Renda e afins. A comitiva presidencial poderá bater o bumbo se atingir dois objetivos: dissuadir os americanos de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas e, de lambuja, ampliar a cooperação entre os dois países na área de segurança, principalmente no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.

É claro que anúncios envolvendo terras-raras, data centers, big techs e a Seção 301 —trecho da legislação usado pelos americanos para reclamar do Pix ao comércio paulistano da Rua 25 de Março — são relevantes. Mas, do ponto de vista político, voltar para casa com uma vitória na área de segurança é o melhor dos mundos para o Planalto — e ainda teria um gostinho especial, já que o maior adversário de Lula hoje, o senador Flávio Bolsonaro, embarcou numa viagem para os Estados Unidos na mesma semana.

O sujeito oculto, por Malu Gaspar

O Globo

Até onde se sabe, a pauta do encontro de Lula e Donald Trump, marcado de última hora para hoje, será tomada pelos assuntos “de sempre”: a investigação sobre concorrência desleal envolvendo principalmente o Pix, a exploração das terras-raras e o combate ao crime organizado na América Latina, incluindo o impasse sobre considerar Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital organizações terroristas.

Embora não se saiba ainda ao certo por que se decidiu fazer a reunião agora, nem seja possível antecipar os resultados, é fácil concluir que os dois presidentes procurarão tirar dividendos eleitorais da ocasião.

Zanga bolsonarista é prenúncio de química Lula-Trump, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Tanto o Brasil quanto os EUA têm a ganhar com o encontro hoje na Casa Branca

O mais auspicioso prenúncio do encontro desta quinta entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump foi feito por Paulo Figueiredo. O influenciador, que reinvindica a condição de interlocutor do bolsonarismo com o governo americano, disse, em seu programa no Youtube na terça-feira, que a visita é fruto do empenho do empresário brasileiro Joesley Batista. O grupo J&F, disse, estaria por trás de um suposto investimento de interesse binacional em minerais estratégicos no Brasil a ser anunciado na Casa Branca.

Figueiredo atribui a um grupo que financiou a posse de Trump, mas hoje é investigado por cartel nos EUA, o poder de confirmar um encontro que, há mais de um ano, é perseguido pela diplomacia brasileira e formatar um negócio de “bilhões de dólares” num momento em que o Brasil sequer tem um marco regulatório concluído do setor.

Entre o alívio momentâneo e o “reenrola”, por Eduardo Belo*

Valor Econômico

Com a popularidade pressionada, o governo Lula vê na segunda versão do Desenrola uma oportunidade de melhorar sua imagem.

O programa atende quem ganha até cinco salários mínimos e tem dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos, com descontos e juros limitados a 1,99%, além de uso parcial do FGTS. O governo estima em 30 milhões de pessoas o público potencialmente favorecido.

O Novo Desenrola tem a vantagem de trocar dívidas pesadas por crédito mais barato, mas embute riscos. A promessa de fôlego financeiro vem acompanhada da possibilidade de contratação de novas dívidas. Foi o que ocorreu com a primeira versão do programa, lançada há menos de três anos.

Com algum alívio no orçamento, parte da população de baixa renda tende a voltar ao crédito para recompor consumo reprimido, criando uma espécie de “reenrola”.

Imprevisibilidades dominantes, por Maria Clara R. M. do Prado*

Valor Econômico

Centro de estudos na Dinamarca propõe ferramentas econométricas para lidar com as incertezas dos tempos atuais na administração da inflação

Assentada em um mundo de certezas que parecia mover-se sem amarras comerciais e financeiras, com mobilidade humana e sem grandes disputas territoriais, uma nova forma de administrar o processo inflacionário surgiu no início da década de 90 e rapidamente consolidou-se como modelo adotado pelos bancos centrais em geral. Ao invés de controlar a emissão de moeda, passou-se a pré-determinar o nível de inflação almejado para o futuro. Atingir a meta revelou-se o objetivo maior da política monetária.

O novo modelo foi construído na suposição de que a convergência das expectativas dos agentes econômicos — leia-se sistema financeiro, uma vez que nem o setor empresarial nem o de serviços foram formalmente integrados ao modelo — a respeito do comportamento dos indicadores mais relevantes levaria inexoravelmente a inflação para a meta traçada. A taxa de juros de curto prazo fixada pelos bancos centrais para administrar a liquidez nas suas relações com os bancos comerciais tornou-se o único instrumento viável para guiar o rumo das expectativas em direção à meta de inflação.

Jornada 6x1 e a falta de tempo na vida das mulheres, por Márcia Lopes*

Correio Braziliense

Para as mulheres, a realidade da jornada 6X1 é ainda mais dura. A desigual distribuição do trabalho de cuidado não remunerado faz com que o tempo simplesmente não seja suficiente

Durante muito tempo, o debate sobre o trabalho no Brasil esteve centrado na geração de empregos. No entanto, torna-se cada vez mais evidente que não basta ter um trabalho. É fundamental olhar para as condições em que ele acontece e para o tempo de vida que sobra fora dele.

A jornada 6x1, com seis dias de trabalho para apenas um de descanso, ainda é uma realidade para milhões de brasileiras e brasileiros. Esse modelo, muitas vezes naturalizado, limita a qualidade de vida, reduz o convívio familiar e compromete o direito ao descanso.

Lula corre grandes riscos, mas não poderia recusar o convite de Trump, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Se o convite ocorreu de uma hora para outra, a agenda do encontro está sendo negociada pelo Itamaraty desde a primeira conversa entre ambos

A visita do presidente João Goulart (Jango) aos Estados Unidos, realizada em abril de 1962, é considerada um marco da deterioração das relações Brasil-EUA. Foi decisiva para o cenário de desestabilização que levou ao golpe de 1964. Embora tenha sido recebido com toda pompa por John F. Kennedy, o resultado prático foi um estrondoso fracasso econômico e político. Jango tinha a vã esperança de receber a ajuda da Casa Branca. Kennedy condicionou qualquer ajuda à adesão rígida às normas do FMI, à contenção de salários e a medidas fiscais rigorosas, algo que Jango queria evitar para não penalizar a população mais pobre.

A política de não intervenção em Cuba e o diálogo com a União Soviética e a China, na linha da política externa independente de Jango, eram o grande contencioso entre os dois países no plano internacional. Mas havia também fatores internos, principalmente a nacionalização de subsidiárias de empresas americanas (como a ITT) no Brasil, realizada por Leonel Brizola, cunhado de Jango. Os EUA não somente suspenderam os empréstimos como exigiam indenização imediata.

Vazio de poder, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Não existe uma instância capaz de controlar sozinha a crise política

Uma grande dificuldade hoje no Brasil é identificar claramente onde está o centro do poder político. Ao longo dos últimos anos, o Legislativo cresceu à custa do Executivo e o STF à custa dos outros dois. Uma característica relevante da crise hoje é o fato de que nenhum desses “centros” controla sozinho ou dita rumos de acontecimentos políticos.

O Legislativo é fracionado e de baixa representatividade. A ausência de partidos políticos dignos desse nome molda o Congresso como uma instância poderosa na distribuição de recursos (o que mais interessa às oligarquias regionais), mas incapaz de pensar o País em termos abrangentes. Ou seja, não existe uma “agenda” além das convergências de interesses em questões imediatas ou setoriais.

Rejeição a Messias agrava crise no STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Mendonça e Lula amargam derrota, enquanto Moraes e Alcolumbre dão abraço da vitória

A rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal colocou no mesmo balaio de derrotados o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro André Mendonça. No time dos vencedores, se abraçam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o ministro Alexandre de Moraes.

A aparente discrepância dos aliados se explica nas alianças políticas – que, no Brasil, não se limitam a governo e Congresso, mas inclui STF. Entre vencedores e derrotados, cada um defendeu os próprios interesses.

Ministro Durigan aponta um bom caminho, por Felipe Salto*

O Estado de S. Paulo

Fato é que será necessário avançar até um superávit de 1,5% a 2,0% do PIB em dois ou três anos

Na entrevista concedida ao Programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi enfático a respeito da responsabilidade fiscal.

Defendeu, obviamente, o programa de ajuste do atual governo, sob a regra aprovada em 2023, o novo arcabouço fiscal, mas apontou caminhos importantes para o próximo ano. De fato, o desafio de reorganizar as contas públicas e restabelecer as condições de sustentabilidade da dívida pública pende de solução.

Ajustar as contas públicas não é tarefa simples. Em março, a dívida ultrapassou a marca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Já são 8,4 pontos porcentuais do PIB de aumento desde dezembro de 2022, na esteira de juros elevados e déficit primário persistente.

O Desenrola, perdão que se perpetua, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

A operação Desenrola-2, que pretende produzir alívio no endividamento das famílias, é tecnicamente limitada e, do ponto de vista estrutural, traz mais malefícios do que benefícios. Mas tem de ser vista sob o ponto de vista do objetivo a que se destina, que é eleitoreiro. Foi criada para amolecer a disposição do eleitor em relação à candidatura Lula e, nisso, pode ter lá sua eficácia.

A crise é séria, mas não institucional, por Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Eleitor vota em presidente de esquerda, mas no Legislativo escolhe a direita

Esquerdas sempre foram minoritárias nas duas casas legislativas federais

Na semana passada, o Senado rejeitou a indicação do presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal; no dia seguinte, o Congresso derrubou os vetos do Planalto ao PL da Dosimetria. Esses dois fatos, somados à erosão do prestígio da corte e à crispação pré-eleitoral, avivaram o perene debate sobre as instituições da República e a necessidade de reformá-las.

O trabalho infantil do Zema, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Ex-governador de Minas ajuda Flávio Bolsonaro a parecer mais palatável ao eleitorado

Zema já criticou restrições ao trabalho infantil e chamou beneficiários do Bolsa Família de imprestáveis

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) está fazendo um ótimo trabalho para que Flavio, o outro presidenciável que já foi denunciado por rachadinha e elogiou milicianos como um "novo tipo de policiamento", pareça palatável quando não o é. Zema tem defendido posições extremistas em sua pré-candidatura à presidência que fazem qualquer Delfim Moreira, presidente entre 1918-1919 que tinha fama de ter alucinações, parecer um político são e equilibrado.

Advogados da União querem permissão para fazer bico no setor privado, Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Carreiras jurídicas federais poderão advogar no setor privado caso projeto avance no Congresso

Querem o melhor dos mundos, com mais privilégios

Um abre alas geral e institucionalizado para o popular bico no trabalho. É o que querem os advogados da União, procuradores da Fazenda Nacional, procuradores federais e procuradores do Banco Central.

Os servidores dessas carreiras jurídicas federais poderão advogar no setor privado, fora das suas atribuições funcionais, caso a tramitação de um projeto, aprovado nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça, avance no Congresso.

Querem o melhor dos mundos dos setores privado e público.

Não se irrite; fale do seu, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Essas frases não são minhas, quisera eu: são de Arthur Mühlenberg, grande torcedor do Flamengo

Mühlenberg nos deixou em abril; ficará sem ver o que o Flamengo ainda nos reserva pela eternidade

Esta coluna se compõe de frases sobre o Flamengo. Se você for Flamengo, vai adorar. Se não for, não se irrite atacando-o —em vez disso, fale das maravilhas do seu clube.

"A vida é aquilo que acontece entre dois jogos do Flamengo." "Gosto de pensar que a célula rubro-negra original já estava presente quando eu era apenas um homozigoto. Mas me lembro vagamente de algumas emoções flamengas enquanto eu ainda boiava em semiconsciência no líquido amniótico no útero da mamãe." "A grandeza do Flamengo transcende meros patrimônios imobiliários. O Flamengo tem o Maracanã, do qual ocupa 80% de sua capacidade há décadas, a Inter de Milão e o Milan não têm estádios próprios. Já o Chievo e o Siena têm. Você acha que alguém em Milão se preocupa com isso?"

Poesia | Entre o ser e as coisas, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Caetano Veloso - Gente