sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Moraes exige discussão aberta transmitida ao vivo

Por O Globo

País está estarrecido com revelações sobre ministro. É inaceitável decisão a portas fechadas ou sessão secreta

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para a próxima terça-feira traz à Corte a oportunidade de recobrar um mínimo de normalidade institucional. O país está estarrecido com as revelações sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e artífice da maior fraude financeira da História brasileira — e exige que a questão seja passada a limpo diante do público. Não há espaço para conchavos de bastidor, acordos a portas fechadas ou sessões secretas.

Crise do Supremo virou foco da disputa eleitoral e desgasta o governo Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A mudança de cenário teve impacto estratégia de reeleição de Lula, abalada pelas novas contingências. A campanha governista ainda está sem rumo

A crise do Supremo Tribunal Federal, que está longe de acabar, tornou-se o centro do debate eleitoral. A divisão entre os ministros é apontada pelos candidatos como prova da partidarização da Corte. Ontem, decisões de Flávio Dino deslocaram o foco do governo, que vinha sendo pressionado pelas revelações sobre Alexandre de Moraes e o Banco Master, para o principal candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, atingido politicamente pelas investigações sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ócio próprio e o trabalho alheio: 6/1, por José de Souza Martins

Valor Econômico

O Brasil está profunda e descabidamente atrasado em relação à modernização da concepção de jornada de trabalho e do que é o próprio trabalho

A descabida celeuma sobre as implicações da inteligência artificial expressa nosso atraso social em vários campos da realidade. Especialmente o atraso da vida em relação ao avanço rápido e multiplicativo do conhecimento, embora não seja esse o único nem o mais grave dos nossos descompassos.

O Brasil tem universidades de ponta, como a USP, que está entre as 100 melhores do mundo e é a melhor da América Latina. Uma universidade inventada na cadeia pelo jornalista Júlio de Mesquita Filho, um dos derrotados na Revolução Constitucionalista de 1932, como universidade pública, laica e gratuita. Ele inventou o regime de cotas: para todos os vocacionados.

Ao mesmo tempo, o Brasil está profunda e descabidamente atrasado em relação à modernização da concepção de jornada de trabalho e do que é o próprio trabalho.

Flávio não pode errar, e Lula não deve insistir no erro, por Andrea Jubé

Valor Econômico

A epígrafe de “Ensaio sobre a Cegueira”, do vencedor do Nobel, José Saramago, recomenda que mais do que olhar, é importante enxergar. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”, diz o texto, extraído do “Livro dos Conselhos”, atribuído ao Rei D. Duarte de Portugal, no século 15.

Na semana em que as principais pesquisas revelaram o crescimento do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que perdeu o favoritismo, o sentimento entre petistas era de aflição, e até de impotência, em meio às queixas de que o núcleo da campanha se fechou em uma torre de marfim. Para lulistas, a lição de Saramago deveria chegar aos coordenadores, que se recusam a enxergar erros ou a necessidade de ajustes na campanha.

As pressões que se acumulam no gabinete de Fachin, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ritmo de condução do processo deveu-se ao temor, predominante no gabinete do presidente do STF, de interferência na campanha eleitoral

A pressão para que a sessão que vai deliberar sobre o futuro do ministro Alexandre de Moraes seja fechada, que parte de gabinetes da Corte e de governistas, é apenas mais uma das muitas que chegaram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, nos dias que antecederam a decisão de quarta-feira (9). Fachin tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e marcou, para a próxima terça-feira, a sessão que vai deliberar sobre o futuro do ministro.

‘Indignação’ de Flávio dura pouco, por Vera Magalhães

O Globo

Candidato do PL vinha inacreditavelmente surfando na onda da cobrança a Moraes, sem, no entanto, explicar para onde foram os milhões que ele pessoalmente cobrou e recebeu de Vorcaro

Flávio Bolsonaro viu na crise que engolfou o Supremo Tribunal Federal (STF) a chance de encenar um teatrinho de indignação cívica e cobrar o afastamento do algoz de seu pai, Alexandre de Moraes, se dando à ousadia de, na mesma frase, dizer que o caso Dark Horse era coisa do passado e que já estava explicado. Não era passado, não estava nada explicado e, agora, esse cavalo desembestado voltou para assombrá-lo.

À medida que a guerra declarada entre Moraes e André Mendonça avançava, ficava patente o desequilíbrio de providências do relator do caso Master, que foi deixando para depois o capítulo relativo ao financiamento milionário, majoritariamente por meio de depósitos no exterior, da cinebiografia daquele que o nomeou para o STF.

Operação da PF desmonta discurso de Flávio Bolsonaro sobre 'Dark Horse', por Bernardo Mello Franco

O Globo

Esquema com emendas parlamentares indica uso de dinheiro público em filme; caso ajuda a explicar aversão de Mario Frias à Lei Rouanet

A frase foi cunhada pelo dramaturgo nazista Hanns Johst: “Quando ouço falar em cultura, saco meu revólver”. Ontem a Polícia Federal fez buscas na casa do dublê de ator e deputado Mario Frias. Apreendeu sete armas, incluindo uma carabina eslovaca e uma espingarda de cano duplo, estilo Velho Oeste.

Como secretário de Cultura de Jair Bolsonaro, Frias voltou a mira contra os artistas. Disparou insultos contra Chico Buarque, Caetano Veloso, Anitta, Taís Araújo, Ivete Sangalo e outros nomes que ousaram criticar o capitão.

Os dois linchamentos de Diego Araújo, por Pablo Ortellado

O Globo

Instituições da universidade não tiveram coragem de enfrentar os movimentos sociais e condenar com a devida força tal agressão em suas dependências

Em 1630, a cidade de Milão foi atingida por uma devastadora epidemia de peste bubônica. Numa manhã de junho, duas mulheres viram pela janela um homem passar a mão num muro. Era Guglielmo Piazza, comissário de saúde, que limpava os dedos sujos de tinta. Piazza foi denunciado e preso como untore, um espalhador de peste.

Torturado, prometeram-lhe impunidade se entregasse cúmplices. Ele terminou denunciando o barbeiro Gian Giacomo Mora, que produzia uma pomada para proteger do contágio— e passou a ser acusado de tê-la fabricado para espalhar a peste. Mora foi preso, torturado e também confessou. Os dois foram levados por uma carroça pelas ruas e submetidos a suplícios violentos. A casa do barbeiro foi arrasada. Sobre o terreno ergueu-se uma coluna com a inscrição do crime, a “coluna infame”.

A crise que plantamos, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Se não caminharmos para reformas na política e na Justiça, o desgaste aumentará e o fantasma que ronda o mundo pode reaparecer com força no Brasil

O chanceler da Alemanha disse que ficou chocado com a vitória da extrema direita na Saxônia-Anhalt. No entanto, essa vitória já era prevista pela quase totalidade dos observadores. Aqui, no Brasil, as pessoas parecem chocadas com a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) como se ela fosse um raio em céu azul. No entanto, os contornos dessa crise já se desenhavam há algum tempo. Ela pode ser inédita, mas não inesperada.

O pangaré ‘Dark Horse’ está atrasado, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Tarde demais, nem Flávio nem Lula vão tirar vantagem do filme milionário bancado por Vorcaro

Feito para ser lançado com honras e estridência durante a campanha eleitoral no Brasil, o filme Dark Horse deixou de ser garanhão e virou um pangaré, que chegará atrasado para favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro, mas não a tempo, também, de impactar positivamente a campanha de Lula.

A previsão é de só entrar no circuito nacional depois de conhecido o novo presidente, provavelmente em 2027. Logo, não será instrumento de campanha, para mostrar um Jair Bolsonaro vigoroso, o bolsonarismo vivo e um Flávio pronto para assumir a Presidência.

Fachin vai levantar outro sigilo? Por Raquel Landim

Por O Estado de S. Paulo

Os pareceres da PF e da PGR sobre o inquérito das fake news podem ajudar na tomada de decisão

Depois de retirar o inquérito das fake news das mãos do ministro Alexandre de Moraes, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, está de posse de um calhamaço de informações de mais de sete anos de investigação.

Ele já informou que, após uma análise dos fatos, vai remeter os autos à Polícia Federal (PF) para opinar se são necessárias mais diligências e depois à Procuradoria-Geral da República (PGR) para oferecimento de denúncia ou para arquivamento. É o começo do fim do inquérito do fim do mundo.

Mendonça, filhote do golpismo, caiu no messianismo eleitoral, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Magistrado a favor de Flávio é instado por Fachin a aderir à proposta de Lula de suspender sigilo sobre Master

Ministro tentou tirar diretor da PF e foi tratado como ungido de Deus por Michelle Bolsonaro e seu rebanho

"Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário. É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."

O parágrafo acima foi postado no X pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também candidato à reeleição. Não é apenas retórica, há uma proposta, um desafio. O que diriam os simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL)? Apoiariam ou teriam receio de que, tudo às claras, o caso Alexandre de Moraes viesse a perder a dimensão que ganhou com as estarrecedoras revelações sobre sua relação com Vorcaro?

Na eleição, a notícia importante da economia deve vir da finança bandida de Vorcaro e irmãos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

PIB vai parando de crescer, mas vazamentos das delações do Master é que podem pesar

Delatores dizer saber quais autoridades e artes recebiam bilhões roubados

A notícia econômica mais importante que pode aparecer até o fim das eleições não vai tratar de empregoinflação, juros"o fiscal" e conversas desse mundo. Viria da economia bandida de finança e empresas. O prazo é curto para vazamentos importantes, mas o terreno tem esterco suficiente para a brotação de mais flores do pântano político-judicial. Que todas as flores floresçam.

Pugilato judicial no STF, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Intervenção do presidente Fachin serve só para interromper escalada na briga entre ministros

Uma estratégia de saída para a crise passa por abandonar proteção corporativista e levantar sigilos

providencial intervenção do presidente do STFEdson Fachin, serviu para conter as cenas de pugilato judicial entre ministros da corte. É um primeiro passo necessário, mas fica ainda muito aquém de uma estratégia de saída para a crise em que as mais altas autoridades da Justiça do país se enredaram. Serão necessárias também medidas de curto e de longo prazo, sobre cuja viabilidade sou pouco otimista.

Supremo evoca rotina de desfaçatez, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Em discurso há 20 anos, Marco Aurélio Mello alertava para os males de atos indignos na vida pública

Ministros aposentados que cobram rigor e transparência pertenceram a outros tempos do tribunal

Os ministros aposentados que em abaixo-assinado pediram ao presidente Edson Fachin manifestação rigorosa e transparente sobre as suspeições que assombram o Supremo Tribunal Federal (STF) pertenceram a outros tempos da corte.

Tempos em que as indicações não eram pautadas pela fidelidade ao presidente da República e magistrados não se conduziam ao sabor de proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas com atores da vida pública e personagens do mundo privado —devedores, como qualquer cidadão, de obediência aos ditames da Justiça.

Do homem da mala para 'Dark Horse', por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Dos R$ 61 milhões para o filme sobre Bolsonaro, 72% foram passear no Texas e ficaram por lá

É o único caso em que só 28% do orçamento couberam à filmagem, parte mais cara da produção

Antonio Carlos Freixo Junior, vulgo Mineiro, amigo de Flávio Bolsonaro, é o maior homem da mala que já existiu. Nos últimos quatro anos, segundo confessou à PGR, despachou R$ 1 bilhão em dinheiro vivo para os amigos de Daniel Vorcaro, a pedido deste. R$ 1 bilhão corresponde a 10 milhões de notas de R$ 100. Numa balança, pesariam 2,5 toneladas. Empilhadas, ocupariam um aposento de 5 metros quadrados do chão ao teto.

Lula fala ao SBT Brasil sobre propostas para a Presidência, em série de entrevistas

 

Poesia | João Cabral de Melo Neto - O Rio

 

Música | Simone - Chuva, Suor, e Cerveja

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Fachin fez o certo

Por O Globo

Os acontecimentos da última semana revelaram uma situação de anarquia institucional nunca vista na mais alta Corte do país. A guerra de decisões com escassa fundamentação jurídica e descaso pelo devido processo legal confundiu a sociedade, criou extrema insegurança jurídica e deixou no ar a sensação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) se guiava não pela Constituição, mas por interesses políticos antagônicos.

Olhando mais de perto, sem a cortina de fumaça das liminares performáticas, a situação é mais clara do que parece. Retroagindo uma semana — que parece um ano —, o que se tem de concreto é o Brasil ter tomado conhecimento de que o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher manteve contrato milionário com o mais notório fraudador do sistema financeiro do país, trocava mensagens com o criminoso como se fosse seu consultor particular. Diante dessa notícia estarrecedora, impõe-se investigar todos os fatos relacionados ao assunto, observados os ritos próprios, com autorização do plenário do Supremo, e aplicar as penalidades cabíveis.

Alegoria glauberiana do Cinema Novo descreve STF em transe, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Supremo é um arquipélago, cada ministro é uma ilha fortificada, com artilharia e munição pesadas. Fachin não tem autoridade hierárquica sobre os ministros no exercício da jurisdição

Em Terra em Transe, obra-prima de Glauber Rocha lançada em 1967, a fictícia República de Eldorado mergulha numa crise política que dissolve as fronteiras entre democracia, populismo, autoritarismo e ambição pessoal. O poeta e jornalista Paulo Martins, interpretado por Jardel Filho, procura interferir nos destinos do país, mas oscila entre dois projetos de poder: o conservador Porfírio Diaz, vivido por Paulo Autran, e o líder populista Felipe Vieira, representado por José Lewgoy. Paulo rompe com Diaz e se aproxima de Vieira, na esperança de construir uma alternativa democrática.

Aos poucos, porém, percebe que os dois campos se alimentam das mesmas práticas: a manipulação das massas, os acordos de cúpula, a retórica vazia e a transformação da política num grande espetáculo. Dividido entre o idealismo e o desencanto, acaba tragado pelo sistema que pretendia modificar. Ao lado de Jardel Filho, Paulo Autran e José Lewgoy, participam do filme Glauce Rocha, no papel de Sara; Danuza Leão, como Sílvia; Paulo Gracindo, como Júlio Fuentes; além de Hugo Carvana, Francisco Milani, Jofre Soares e Flávio Migliaccio. A música é de Sérgio Ricardo; a fotografia, de Luiz Carlos Barreto; e a montagem, de Eduardo Escorel.

Fachin toma posse, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Presidente do STF toma as rédeas para tirar a Corte da crise

O fim do inquérito das fake news, indicado pelo ministro Edson Fachin, é o sinal mais relevante de que a crise no Supremo Tribunal Federal pode ter começado a ser controlada.

A rigor, o presidente do STF não o encerrou, mas assumiu suas prerrogativas regimentais sobre este inquérito revogando a portaria que designava o ministro Alexandre de Moraes como seu relator. Pediu de volta os procedimentos em andamento “no estado em que se encontram”.

Serão enviados à autoridade policial e à procuradoria-geral da República, mas, sem a militância de Moraes a movê-los, está sinalizado o encerramento. Ao longo dos quase oito anos em que esteve aberto, este inquérito tornou-se a incubadora da crise. De instrumento para preservar as instituições da corrosão da extrema-direita nas redes sociais, transformou-se em adubo do poder desmedido de seu relator. A reação igualmente desmedida a este poder consumiu a Corte.

Supremo em crise é perigo para a democracia, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Se eleições forem contestadas, defesa do respeito às instituições será fragilizada

Comprovadas as denúncias, ministros acusados não podem continuar em seus postos

Está nas mãos de dez pessoas o destino da nossa democracia. São os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dos quais depende hoje o resgate da credibilidade da corte à qual servem e à qual compete —nada mais, nada menos!— garantir que o país funcione dentro da ordem constitucional.

Tribunais constitucionais são a pedra de toque das democracias: não podem exercer a função se envolvidos em suspeitas e descrédito.

Isso parece mais ideal do que real. Mas real —e imediato— é o perigo. Basta um exemplo: é quase certo que as eleições presidenciais produzirão um resultado apertado, dando margem a contestações, fundadas ou não. Se isso ocorrer, a defesa do respeito às regras eleitorais e às instituições que as protegem encontrará um frágil dique de contenção judicial, dada a inegável deterioração da imagem do STF e, por tabela, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Cálculos estratégicos de ministros em guerra corroem autoridade de Fachin, por Ricardo Balthazar

Folha de S. Paulo

Sucessão de decisões extravagantes mostra falta de confiança no presidente da corte

Ministros investem contra adversários antes de responder a questionamentos de Fachin

O comportamento estratégico dos integrantes do Supremo Tribunal Federal tem contribuído para aprofundar a crise em que a corte mergulhou, minando os esforços que o ministro Edson Fachin fez nos últimos dias para encontrar uma solução que possa obter apoio do colegiado.

A sucessão de decisões individuais extravagantes dos ministros em guerra aberta mostra que nenhum deles confia na capacidade do presidente do tribunal de gerir a crise. Todos tentam se antecipar aos seus movimentos e arregimentar aliados para prevalecer sobre os adversários.

The Supremos, a série, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

'Se uma família não o matar... a outra família o fará' (The Sopranos)

Quem vai imaginar os futuros possíveis e aceitáveis do STF

Se alguém duvidava de que o maior risco à autoridade da instituição do STF morava nos gabinetes do próprio tribunal, ministros estão nos oferecendo, hora após hora, prova incontornável.

Ficou difícil para profissionais da bajulação supremocrática, invariavelmente advogados com ações na corte. Defendem duas teses: o STF salvou a democracia, portanto agradeçamos; para o STF continuar a salvar a democracia, permaneçamos calados. As duas teses sempre foram erradas, mas não desinteressadas ou pouco lucrativas.

Fachin e um Xandão da extrema direita, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Alexandre de Moraes por ora perde muito mais que André Mendonça com decisões no STF

Ministros do Supremo dizem que trabalho de colocar ordem na casa mal começou

Edson Fachin reagiu, nos acréscimos. Suspendeu a partida por causa de pancadaria generalizada, como diz o clichê do futebol. Como o jogo vai prosseguir, se com mais intervenção da polícia (de Fachin), se a partida vai para os pênaltis ou até para o tiroteio, não se sabe. Mas o presidente do Supremo reagiu ao fato de que ministros se digladiavam publicamente com decisões que ameaçam a ordem mais básica (qual lei ou decisão vale?) e o atropelavam até em casos que estavam na mão dele, de Fachin. "Delineia-se, assim, quadro de conflitos e sobreposições processuais que configuram grave lesão à ordem pública", escreveu o presidente do STF.

Um dia maior que os outros, por Míriam Leitão

O Globo

O ministro Fachin exerceu os poderes da presidência do STF, começou a organizar o tumulto entre ministros e diretor da PF volta ao cargo

No dia de ontem o país viveu como se estivesse num acelerador de imagens. Ao fim, ele trouxe uma ponta de esperança de saída do tumulto vivido nos últimos tempos. O ponto mais importante foi a série de decisões tomadas pelo ministro Luiz Edson Fachin, distribuindo perdas e danos aos contendores, mas reestabelecendo o papel da presidência do Supremo Tribunal Federal. Ele havia errado na véspera quando deu 72 horas para o ministro André Mendonça explicar sua decisão de afastar o diretor-geral da Polícia Federal. O Brasil não tinha esse tempo.

De manhã o ministro Flávio Dino cassou a decisão da véspera de Mendonça e, portanto, reintegrou Andrei Passos Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal. Isso foi o empurrão que encurtou o tempo. Dino fixou um argumento: havia um perigo de dano irreversível com o afastamento.

Freio de arrumação, por Merval Pereira

O Globo

Alguém considera possível o STF ser presidido por Moraes no próximo ano, sem que as investigações sejam feitas?

Agora que sabemos quem manda no Supremo Tribunal Federal (STF), podemos ter esperanças de que vão adiante as investigações sobre as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro-bandido Daniel Vorcaro. Não acredito que, diante do respeitável público, a maioria dos ministros tenha a coragem de fazer o que fez secretamente, quando elogiaram o colega Dias Toffoli, descartaram como “lixo” o relatório da Polícia Federal (PF), se recusaram a investigar seus negócios com o grupo Vorcaro no resort Tayayá e ainda o inocentaram de qualquer culpa. Depois de tudo, ele desistiu de relatar questões relacionadas ao banco Master, e seus colegas arquivaram o caso.

Guerra será pesada e sem amadores, por Julia Duailibi

O Globo

Decisões de Fachin estão longe de paralisar a disputa autofágica que domina os bastidores do Supremo

Ainda há uma longa caminhada para que o Supremo recobre a normalidade. As decisões de ontem do presidente Edson Fachin estancam momentaneamente a crise e evitam, por ora, sua escalada, mas estão longe de paralisar a disputa autofágica que domina os bastidores. Desmoralizado pelos colegas, Fachin agiu com atraso e conseguiu um armistício para o público. A guerra, porém, continua, ainda que silenciosa, até a sessão do plenário que decidirá se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado.

Na terça-feira, os ministros analisam o relatório da PF que deflagrou a crise — a peça produzida por ordem de André Mendonça que cita as mensagens de Daniel Vorcaro a Moraes. Dirão se é válido ou não e, diante disso, se o ministro deve ser alvo de investigação. Não é pouca coisa.

Bangue-bangue judicial, por Malu Gaspar

O Globo

O bangue-bangue dos últimos dias no Supremo Tribunal Federal (STF) pode impressionar pela virulência, mas não deveria surpreender. Já faz tempo que a Corte vem interferindo no debate político de forma aberta, com propósitos bastante explícitos. Da Operação Lava-Jato ao golpismo, passando pelo combate à Covid-19 e pelas quedas de braço com o Congresso em razão do orçamento secreto, todos esses episódios foram transmutando o tribunal em ator político. Anabolizados por amplos setores da sociedade, os ministros do Supremo passaram a acreditar que tinham salvo-conduto para ditar os rumos do país de acordo com suas conveniências, mesmo que isso significasse agir à margem da lei.

Os riscos da crise do STF à democracia, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

É preciso atentar para a ameaça que a situação traz para o equilíbrio do processo eleitoral

A situação no Supremo Tribunal Federal (STF) não se resume à disputa de poder entre dois grupos de ministros. Para além do estrago causado à imagem da Corte, existe um prejuízo maior. Hoje, a crise provoca efeitos diretos nas campanhas eleitorais e representa risco ao estado democrático de direito.

Os fatos atribuídos a Alexandre de Moraes e a André Mendonça são de naturezas distintas. Mensagens reveladas pelo Estadão mostraram que Moraes mantinha uma relação suspeita com Daniel Vorcaro. O ministro deveria ter vindo a público se explicar. O STF deveria ter aberto investigação sobre o caso. Nada disso foi feito até aqui.

A ameaça aos poderosos, por William Waack

O Estado de S. Paulo

O que acontece fora do Supremo tem grande peso na disputa interna de poder

A evidência mais clara do apego ao poder é sempre quando se chega à disputa sobre quem controla os órgãos de segurança. É o que acontece no momento no STF. Ao julgar no próximo dia 15 se Alexandre de Moraes será investigado, o plenário da Corte define também quem vai mandar na Polícia Federal. Por consequência, quem tem o controle de investigações que chegaram ao centro de um “ferrolho” de poder. Localizado dentro do STF em articulação com o Executivo e os chefes das casas legislativas, com a anuência mais ou menos explícita também de dirigentes de agremiações políticas. Ameaçadoras também para o principal candidato da oposição, além do entorno de Lula.

O alarmismo e a dívida pública, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

A realidade não pode ser misturada com os achismos, as profecias baratas e as análises travestidas de avaliações técnicas

Delfim Netto costumava dizer que erros não se anulam, se empilham. Dito de outra forma, um erro mais outro é igual a dois, não a zero. O alarmismo corrente sobre o quadro da dívida pública se soma ao desequilíbrio nas contas; não o anula. Para resolver o déficit, deve-se discutir conjunto de providências à altura. Alardear o fim do mundo só piora o problema que se quer resolver.

Em economia, as expectativas importam, muitas vezes, mais do que a própria concretude dos dados. A taxa de juros não é senão o custo do dinheiro no tempo. Se a percepção de quem detém reservas para financiar terceiros é de aumento das dificuldades de pagamento dos tomadores dos empréstimos, qual será o resultado? Cobrança de juros mais e mais altos para compensar o risco.

O golpe esteve e está aí, por Roberto Amaral *

“Antes, era salvar a democracia; hoje é salvar a democracia e a soberania.”  - Marina Silva

O golpe de 1964, a que devemos uma ditadura de 21 anos (nefasta como toda ditadura),   foi gestado lá atrás e só não teve êxito completo em 1954 porque foi frustrado pelo suicídio de Getúlio Vargas. Na sequência, os militares assumiram o poder, mas mantiveram as aparências do legalismo formal, dando posse ao vice-presidente Café Filho, credenciado por haver traído o presidente que o elegera. Seria um presidente pro forma, algo como essa senhora que os norte-americanos designaram para assumir a presidência em uma Venezuela reduzida a protetorado.

Poesia | Clarise Lispctor entrevista Pablo Neruda

 

Música | Vinícius de Moraes e Toquinho - Tarde em Itapuã

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desempenho do Brasil no Pisa continua frustrante

Por O Globo

Houve recuo em matemática e leitura, e nota média estagnou. Para piorar, educação é desprezada na eleição

Continua decepcionante o desempenho do Brasil no Pisa, o exame de avaliação de jovens de 15 anos realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), medida internacional mais usada para comparar o estágio do ensino médio em mais de 90 países. Em áreas críticas para a economia moderna, como matemática e leitura, houve retrocesso de dois pontos desde 2022. Em matemática, a média caiu de 379 para 377. Em leitura, de 410 para 408. Somente em ciências houve avanço, de 403 para 409. Apesar disso, a média geral do país se mantém estagnada desde 2015, uma péssima notícia para um país com graves deficiências na área de educação.

Distopia do STF lembra o realismo fantástico de 'Incidente em Antares', por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Treze ex-ministros do STF classificam o episódio como a 'mais aguda crise' do tribunal; defendem apuração rigorosa dos fatos e respeito ao devido processo legal

Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, é uma supergigante vermelha situada a cerca de 550 anos-luz da Terra. Seu nome vem do grego e significa “rival de Ares”, devido à semelhança de sua coloração com a de Marte, o planeta associado ao deus da guerra. Tem massa estimada entre 11 e 16 vezes a do Sol, raio centenas de vezes maior e luminosidade próxima de 100 mil sóis.

Entretanto, Antares está consumindo rapidamente o combustível que ainda sustenta seu equilíbrio. Quando esse processo terminar, seu núcleo entrará em colapso e a estrela explodirá como uma supernova, provavelmente dentro de alguns milhões de anos. Na literatura brasileira, é o nome da cidade fictícia criada por Erico Verissimo em seu último romance, “Incidente em Antares”, publicado em 1971. O autor recorre ao realismo fantástico, ao humor macabro e à sátira política para fazer a autópsia de uma sociedade dominada pela hipocrisia e pelos acordos entre seus poderosos.

O 7 de Setembro de André Mendonça, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Com Bolsonaro preso, direita verde-amarela encontra novo mito para reverenciar

A primeira a falar foi Sonia Hernandes, pastora, empresária e autoproclamada a “primeira bispa do Brasil”. “Que o Senhor guarde, livre e dê graça ao nosso irmão André Mendonça. Em nome de Jesus!”, glorificou. A líder da Igreja Renascer em Cristo estava no alto de um trio elétrico na Avenida Paulista. A seu lado, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.

Eleição não pode ser mero acerto de contas, por Vera Magalhães

O Globo

Sucessão de crises em pouco mais de uma década e duelo de ministros do STF deixam eleitor entre desdém e asco, e pleito pode resultar em busca por revanche em vez de futuro

O Brasil tem vivido, pelo menos desde 2013, de sobressalto em sobressalto. Depois de uma sucessão de crises em que a mais grave é sempre a próxima, a eleição de 2026 vai ganhando contornos de uma grande DR, com cobranças de promessas não cumpridas, ressentimentos cultivados e desejo de revanche pautando, em caminhos paralelos, o comportamento do eleitor, dos protagonistas e das instituições.

As Jornadas de 2013; a reeleição de Dilma Rousseff por um fio de cabelo e sua rápida queda, menos de dois anos depois; a Lava-Jato; a eleição de Jair Bolsonaro; a pandemia e os abusos autoritários do bolsonarismo no seu curso e depois; a reviravolta que tirou Lula da cadeia e o reconduziu ao Planalto; e condenação e prisão de Bolsonaro compõem um enredo que geraria consequências profundas em qualquer país caso se desenrolasse ao longo de décadas, mas ocorreu em pouco mais de dez anos.