terça-feira, 7 de julho de 2026

Intervenção do bem no Rio, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Edson Fachin marcou para 19 de agosto a retomada do julgamento sobre como será – seria – a eleição para mandato-tampão de governador no Rio de Janeiro. Seria; porque não será. Palhaçada teatral destinada a cumprir, como se sob rito legal, o que foi decisão autoritária tomada no instante em que Cláudio Castro renunciou ao Guanabara, em março. Haverá eleição suplementar nenhuma, direta ou indireta. E todo mundo sabe disso.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil fracassa em Copa bem-sucedida

Por Folha de S. Paulo

Derrota para a Noruega, que não é uma grande força global, reflete anos de decisões desconexas e improvisos

Interesses comerciais da Fifa são inerentes à popularidade do futebol, o que não reduz o vexame da revisão da suspensão de um jogador

Erros individuais, oportunidades claras perdidas e escolhas questionáveis do treinador serão as explicações mais comuns e plausíveis para a derrota do Brasil ante a Noruega, além de aspectos emocionais e uma sequência incomum de perdas de atletas por lesões. Entretanto o fracasso na Copa do Mundo de 2026 tem uma história de quase quatro anos.

Direita dá tiro no pé ao focar impeachment do STF, povão quer fim da 6x1, diz nova líder de Lula no Senado, por Augusto Tenório e Raphael Di Cunto

Folha de S. Paulo

Teresa Leitão afirma que redução da jornada será trunfo eleitoral mesmo se não for aprovada

Substituta de Jaques Wagner, ela diz que antecessor se dedicará à defesa e que PF tem liberdade para investigar

Brasília - A nova líder do governo Lula no SenadoTeresa Leitão (PT-PE), afirma que a direita dará "um tiro no pé" ao apostar no impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) na campanha para o Senado neste ano e que o fim da escala 6x1 será um trunfo eleitoral para os candidatos de esquerda, mesmo se a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) não for aprovada antes das eleições.

"A direita vai dar um tiro no pé ao dizer que quer se eleger para fazer impeachment de ministros. O que é que o povão sabe disso? O povão sabe da PEC, 80% sabem da PEC, sabem o que é que ela vai mudar na sua vida", afirma Teresa Leitão em entrevista à Folha. "Cinegrafista, diarista, maquiador, esse povo de serviços, tá todo mundo me perguntando quando é que essa PEC vai ser votada. Ela pegou no imaginário."

Futebol, conhecimento e tragédia, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Delay na TV em alguns casos funciona como simulação do dom da clarividência

Mas é um conhecimento do futuro do tipo trágico, que não comporta alteração

A eliminação precoce do Brasil na Copa me privará de um prazer que eu vinha cultivando secretamente: assistir aos jogos da seleção com delay. Eu confesso, sou um fã do delay. Em ambientes urbanos densamente povoados nos quais uma maioria barulhenta tem clara preferência por um dos times, o delay nos permite experimentar a sensação de conhecer o futuro. Eu sabia com antecedência de dezenas de segundos quais os ataques promissores do Brasil que se desenhavam na tela da TV que se converteriam em gol e quais os que terminariam frustrados. Se o delay mata o prazer da surpresa, ele também traz a tranquilidade de não sermos surpreendidos por eventos que não controlamos.

Michelle será culpada por eventual fracasso de Flávio nas urnas, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Evangélicos veem ex-primeira-dama como vilã, vítima ou força inquestionável

Sem o apoio de mulheres evangélicas, candidatura de Flávio fica vulnerável

Quem venceu a guerra entre Michelle Bolsonaro e os filhos de Jair? Por que ela se rebelou contra a campanha de Flávio Bolsonaro? Registrei algumas das narrativas —em que ela é vilã, vítima ou liderança vencedora.

Evangélicas mais à esquerda entendem que Michelle colhe o que plantou. Diante de tantos ataques, estaria sentindo na pele o que significa ser recatada e do lar. O tratamento seria educativo para quem desfruta das conquistas do feminismo enquanto defende a submissão da mulher no casamento.

Briga de família que derrubou presidente agora ameaça candidato, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A regra nos clãs no Brasil é se protegerem a fim de se perpetuarem nos espaços de poder

Os Collor de Mello e os Bolsonaro são exceções, cujas brigas não foram nem estão sendo boas conselheiras

fator família não é novo nem raro na política brasileira em boa parte composta por filhos que sucedem os pais e netos que se fazem a partir do legado dos avós. Quem está nessa lida há décadas hoje fala com fulano neto e conversa com beltrano filho do interlocutor original, herdeiro do mesmo sobrenome.

O inusitado, embora não inédito, são as brigas como essas que assolam a grei Bolsonaro. Na regra, os clãs se preservam para se perpetuarem. Daí a atenção ao furdúncio envolvendo Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro.

Trump deveria investigar o crime organizado na Alerj, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Cláudio Castro, Alexandre Ramagem e deputados estaduais aparecem em lista de propina

Na planilha do bicheiro Adilsinho está o pastor Márcio Poncio, suplente de deputado federal

Em 30 de junho, um dia antes de entrar em recesso, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro —que ocupa o centro de uma investigação da Polícia Federal sobre a simbiose entre bandidos e parlamentares— aprovou 430 homenagens. Faltou a medalha Justo Veríssimo, com o nome do personagem de Chico Anysio ("Quero que o pobre se exploda!"), premiando o deputado mais corrupto.

Esperar o que da nossa seleção? Precisamos chamar o feito à ordem! Por Elias Gomes*

O técnico Carlo Ancelotti, em um dos momentos da sua chegada ao Brasil: “É 100% certo de que não sou um gênio e também é 100% certo de que não sou um tonto”. É importante cairmos na real e olharmos um pouco para trás e enxergarmos a precariedade resultante da politicagem que tem presidido o nosso órgão máximo do futebol – CBF, que vive à sombra da falta de transparência e do cartolismo arraigado e maléfico.

Para chegarmos ao atual técnico, tivemos outros 3 treinadores nesta fase de preparação, sendo dois deles interinos como Ramon Menezes e Fernando Diniz para chegarmos a Dorival Júnior que teve uma breve passagem. Esta sucessão de técnicos, demonstra instabilidade e de falta de planejamento por parte do órgão responsável pela nossa seleção, o que ajuda-nos a compreender o porquê do nosso insucesso nesta disputa da copa, pois não há lugar para improvisos ou amadorismo numa competição do porte de uma copa do mundo.

Poesia | Laços e Abraços, de Mario Quintana

 

Música | Marisa Monte - Aliança - Tribalistas

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editorais / Opiniões

Não faz sentido renovar subsídio ao carvão mineral

Por O Globo

Transição energética exige plano para desativar geração elétrica dessa fonte poluente e superada

É um paradoxo que o Brasil, país onde 88% da eletricidade é gerada por fontes renováveis — um dos percentuais mais altos do planeta —, ainda mantenha em sua matriz energética usinas térmicas a carvão mineral, que estão entre os maiores emissores de gases de efeito estufa. Embora respondam por algo como 1,4% da geração no país, elas custaram no ano passado R$ 1,22 bilhão em subsídios. Para piorar, um Projeto de Lei (PL) que tramita no Congresso, dos deputados Afonso Hamm (PP-RS) e Lucas Redecker (PSDB-RS), pretende estender tais subsídios até 2050, sob a alegação de que as usinas são um instrumento de segurança energética e econômica nas regiões carboníferas do Sul do país.

Disputa expõe rearranjos do bolsonarismo, por Joelmir Tavares

Valor Econômico

Conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro acelera corrida pelo espólio político do ex-presidente

A troca pública de críticas entre o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs uma disputa pelo espólio eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro e lançou dúvidas sobre o futuro do bolsonarismo, no momento em que sua principal liderança está impedida de atuar publicamente como um árbitro e a pré-candidatura do clã à Presidência, liderada por Flávio, enfrenta obstáculos.

Na visão de especialistas que pesquisam movimentos de direita, a crise não deve significar o esvaziamento do bolsonarismo como força política, mas acirra a briga por espaço e reorganiza segmentos que se aglutinaram em torno de Bolsonaro - hoje em prisão domiciliar, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a condenação por tentativa de golpe de Estado.

Numerologia já definiu quem será eleito, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Escolha de números de urnas é muito mais do que um recurso mnemônico para o eleitor

Num evento político no mês passado, o pré-candidato a governador subiu no palanque improvisado de um restaurante para declarar seu apoio a um correligionário. E afirmou: “Você será o meu candidato a deputado federal, e a prova disso é que o seu número de urna será XYXY”, onde XY é o número do partido deles.

Numa eleição em que centenas ou milhares de políticos se engalfinham pelas poucas cadeiras em disputa, ter um número de urna fácil de ser lembrado pelo eleitor é um ativo importante - ainda mais num país em que candidatos e partidos em geral têm baixa conexão com os cidadãos.

Mudanças no cenário indicam PIB mais forte em 2026 e mais fraco em 2027, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

O quadro de mais crescimento, mais inflação e mais juros neste ano terá consequências importantes para as projeções de desempenho da economia no ano que vem

Após um primeiro semestre atribulado, o cenário que se vislumbra hoje para a economia brasileira em 2026 tem algumas diferenças significativas em relação ao que se via há seis meses, o que deverá ter efeitos não desprezíveis sobre o quadro que se desenha para 2027. Neste ano, o PIB tende a crescer mais do que se imaginava no fim de 2025, avançando perto de 2%, a inflação será mais alta, atingindo um nível um pouco acima de 5%, e os juros deverão ficar perto de 14% ao ano - consideravelmente acima dos 12% a 12,5% projetados em dezembro do ano passado.

As reformas são necessárias, mas falta liderança, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

O Estado é disfuncional: gasta mais do que arrecada; gasta mal; é ineficiente na maior parte de suas políticas

‘Hoje nós temos uma convicção muito grande de que a República está podre. Hoje os Poderes estão contaminados com ineficiência, e isso acaba abalando a confiança da sociedade brasileira na República.’ O diagnóstico, contundente, é de Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foi enunciado na semana passada, quando o político assumiu a posição de vice na chapa do ex-governador Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente. Caiado não deixou por menos. Disse que a política brasileira está tomada por práticas de corrupção, negociatas e acordos ilegais e imorais. A imprensa registrou, o mundo político tomou conhecimento... e ficou por isso mesmo.

Saber do país vai além do ‘soft power’, por Preto Zezé

O Globo

Brasil desenvolveu formas originais de organizar pessoas, gerar confiança e resolver problemas complexos

Nos últimos meses, uma cena tem se repetido nas redes sociais. Vídeos sobre o Brasil viralizam em diferentes idiomas. Milhões falam de nossa música, nosso futebol, nossas festas e jeito de viver. Em Bangladesh, a Seleção Brasileira mobiliza uma paixão que atravessa gerações. O funk domina pistas na Europa. O samba continua sendo um idioma universal. Norte e Nordeste passam a ocupar um novo lugar no imaginário global, como territórios de cultura, turismo e inovação.

Mais fuzis do que pás na Venezuela, por Demétrio Magnoli

O Globo

A segurança da camarilha no poder, não o auxílio às vítimas dos terremotos, é a prioridade absoluta do governo

Não faltou ajuda internacional. No socorro às vítimas dos terremotos na Venezuela, engajaram-se 17 países com equipes de resgatistas, especialistas, equipamentos, hospitais de campanha. Mas, diante de tragédias naturais de grandes proporções, nenhuma operação humanitária externa substitui eficientemente os recursos internos. À medida que passavam as horas e os dias, ficou patente o colapso estatal venezuelano.

O regime chavista dilapidou sistematicamente os bens públicos ao longo de anos. Na hora da catástrofe, as vítimas foram deixadas à própria sorte por uma camarilha habituada apenas a roubar e reprimir. Faltou tudo, inclusive combustível, num país que se jacta de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta.

Por que esquecemos em quem votamos? Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Não é memória curta, mas um sistema eleitoral que torna lembranças pouco relevantes

A pesquisa Datafolha que revelou que 75% dos brasileiros não conseguem citar o nome de um senador e 68% não se lembram de um deputado federal provocou uma enxurrada de diagnósticos pessimistas sobre a democracia brasileira. Para muitos, os números seriam prova do desinteresse dos cidadãos pela política, da baixa qualidade do voto ou da incapacidade do Congresso de se conectar com a sociedade.

Em vez de perguntar por que o eleitor esquece em quem votou, deveríamos perguntar por que o sistema eleitoral lhe daria incentivos para lembrar. A memória política não é apenas uma característica individual. Ela é, em grande medida, produzida pelas instituições.

Os EUA inventaram o presidencialismo, so what? Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Medeiros e Albuquerque viu na abolição brasileira e na Guerra Civil americana os efeitos de dois sistemas de governo

Aos 250 anos, a mais influente invenção institucional americana continua a dividir os estudiosos da democracia

Os Estados Unidos inventaram o presidencialismo e difundiram-no quando o modelo parlamentarista ainda não havia se consolidado na Inglaterra, onde surgiu. Os 250 anos dos EUA servem para perguntar se sua exportação institucional foi uma boa ideia. Tocqueville reverenciou o modelo institucional do país em "A Democracia na América" (1835). Mas a América aqui era a Nova Inglaterra, uma sociedade fortemente igualitária de camponeses livres, não o Sul escravocrata, que mais se parecia com o Brasil.

O Sul, à época, representava apenas 28% da população total dos EUA, e sua população livre, apenas 16%. O Sul permaneceu, assim, um enclave na democracia americana. E a escravidão, o contencioso central da Constituição que, com as dez primeiras emendas (Bill of Rights), é um marco do constitucionalismo moderno. Embora minoritários, os estados do Sul lograram vetar mudanças no status quo na região.

Combinaram de nos matar, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Pretos e pardos representam 86% dos mortos em razão da intervenção policial

Para vergonha nacional, esse é um padrão que se repete

"O Estado tirou o direito de ver meu filho crescer" (Bruna Silva). "Como confunde marmita com revólver"? (Fabiana Hoytil da Silva); "O Estado acabou com a minha vida." (Rosicleide Cruz Bispo de Jesus).

As declarações saíram das bocas de três mulheres que perderam filhos para a violência policial no Brasil nos últimos anos. Além da juventude, Marcus Vinícius da Silva (14), Gabriel Hoytil Araújo (19) e Michel Cruz (21) tinham outro traço em comum: a negritude.

Para vergonha nacional, esse é um padrão que se repete. Os números falam por si e demonstram, ano a ano, que o futuro é um tempo marcado para não se realizar nas vidas de parcela expressiva de brasileiros.

‘I couldn’t care less’, digo eu, por Ruy Castro

O Globo

Em português educado, significa 'Não dou a mínima'; é como Trump se sente sobre Lula e o Brasil

É como também me sinto sobre ter meu visto recusado e não poder voltar a Nova York

Há pouco ("Trump gagá", 18/6), listei uma série de traços recentes da personalidade de Donald Trump —comportamento aloprado, falas sem nexo, cochilar em público e fazer da Casa Branca um puxadinho de Mar-a-Lago—, típicas talvez do stress provocado pelas guerras sem sentido em que ele mete os EUA e das quais não consegue sair. Ou das medidas presidenciais que toma e que, por acaso, multiplicam sua fortuna e a de seus filhos. Enfim, nada de que a própria imprensa americana não fale diariamente.

Poesia | Revolta, de Guimarães Rosa

 

Música | Monica Salmaso - A terceira margem do Rio (Milton Nascimento / Caetano Veloso)

 

domingo, 5 de julho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alta da dívida no governo Lula é uma aberração

Por O Globo

Previsão é que ela atinja 84% do PIB até o fim do ano, 12 pontos além do nível registrado no início do mandato

No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assessores palacianos descrevem os críticos do crescimento galopante da dívida pública como alarmistas histéricos. Afinal, argumentam eles, não é apenas no Brasil que o endividamento tem aumentado. Usando análises e previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), dizem que a alta em todo o terceiro mandato de Lula ficará abaixo da média dos países emergentes e de renda média. Na quinta-feira, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que liderou o Tesouro nos últimos três anos, descreveu o debate como “superficial”. A equipe econômica esquece, porém, a situação sui generis do Brasil. Entre as grandes economias emergentes, o país tem a segunda maior dívida como proporção do PIB, atrás apenas da China. Mesmo que outros países tivessem margem para dever mais, o Brasil já estava no limite antes de o atual governo começar. E só piorou depois.

O mundo Gilead do Bolsonarismo, por Míriam Leitão

O Globo

A fala contra a mulher não é falácia de um fanfarrão para viralizar. Faz parte de um discurso da ultradireita que cresce mundialmente

Não é apenas uma bizarrice de um fanfarrão grosseiro. É um movimento perigoso pela eliminação do direito do voto da mulher que tem crescido na extrema direita. Há projetos que restringem as garantias civis das mulheres. Eles estão falando sério, por mais que pareça escalafobético. Algumas propostas avançam. Sim, a extrema direita gostaria de impor a nós esta ruína civilizatória.

O que Paulo Figueiredo disse não deve ser entendido como uma grosseria individual e fortuita. Não é apenas uma “treta” condenada a desaparecer quando algo mais absurdo viralizar. Na verdade, falou por uma corrente de pensamento que acredita na inferioridade da mulher.

Uma nova barreira entre Flávio Bolsonaro e o voto feminino, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ao dizer que 'mulher vota mal pra c...', neto de ditador escancarou o que a turma pensa

No dia em que Michelle Bolsonaro assumiu a presidência do PL Mulher, os homens é que dominaram o microfone. O primeiro a discursar foi Jair Bolsonaro. Depois falaram mais quatro engravatados: Valdemar Costa Neto, Altineu Côrtes, Jorginho Mello e Magno Malta.

Em participação por vídeo, o capitão exaltou o crescimento do partido, mas ignorou os temas femininos. Valdemar leu uma longa nominata, e Côrtes cometeu uma gafe ao apresentar a mulher de um deputado gaúcho como sua filha.

Sem medo de soar machista, Jorginho se queixou do “sacrifício” e do “sofrimento” de ter que encontrar nomes para preencher a cota de 30% de candidaturas femininas. “Nós precisamos aumentar essa chorumela de que sempre falta mulher para disputarem” (sic), afirmou.

Dublê de pastor e senador, Malta aproveitou o evento para provocar a comunidade trans. “Mulher é mais forte porque nasceu com uma peça a mais. Mulher tem útero”, bradou, antes de dizer que a distinção não poderia ser superada “nem com cirurgia nem com ideologia”.

Freud explica, por Merval Pereira

O Globo

Casos de corrupção no Brasil repetem comportamentos anteriores de outros casos, como o mensalão, o petrolão, relatados na Operação Lava-Jato e, agora, nesse escândalo do banco Master.

Sempre me causou espanto os casos de criminosos que guardam provas contra si que acabam sendo descobertas pela Polícia, algumas antigas que resolvem questões atuais. Refiro-me especialmente aos casos de corrupção no Brasil, que repetem comportamentos anteriores de outros casos, como o mensalão, o petrolão, relatados na Operação Lava-Jato e, agora, nesse escândalo do banco Master. Mesmo sem a abrangência dos casos de repercussão nacional, os acontecidos recentemente no Rio de Janeiro são provas disso. Foi encontrada na mesinha de cabeceira de um bicheiro a lista de políticos que ele subornava, com as quantias devidas.

Casa Branca vira máquina de fazer dinheiro, por Dorrit Harazim

O Globo

Capítulo das finanças público-privadas da era Trump compõe um dos retratos mais vergonhosos dos 250 anos de independência da nação americana

Tem uma ponte no meio do caminho. No meio do caminho entre Detroit, no estado americano de Michigan, e Windsor, na província canadense de Ontário, tem uma ponte. Ou melhor, tem duas.

Uma delas está estalando de nova, aguardando inauguração. É a maior ponte estaiada da América do Norte, projetada para durar mais de cem anos. Tem 2,5km de comprimento, seis faixas para tráfego transfronteiriço, uma infraestrutura aduaneira ultramoderna e um caminho multiúso de 3,5m de largura, seguro e aprazível, para pedestres e ciclistas. Integralmente financiada pelo governo do Canadá (US$ 5 bilhões), terá pedágio com receita dividida entre o país vizinho e Michigan.

Benjamin Franklin perdeu a vez, por Elio Gaspari

O Globo

Declaração da Independência dos Estados Unidos da América completou 250 anos no sábado

Ontem, há 250 anos, o Ocidente começou a percorrer uma de suas maiores mudanças. Reunidos na pequena cidade de Filadélfia (menos de 40 mil habitantes, como o Rio, enquanto Beijing tinha 1 milhão), representantes das 13 colônias inglesas da América do Norte assinaram a Declaração da Independência de um país que viria a se chamar Estados Unidos da América. Naqueles dias, não sabiam quantos eram, como ganhavam a vida, nem se poderiam ser autossuficientes. Eram mais ricos, mais altos que os europeus (de 5 a 8 centímetros) e mais férteis.

Hoje esse é um texto sacralizado, mas só começou a ser festejado depois de 1812.

Mais de 20 anos depois, em 1789, um volume com uma coletânea de documentos dos “americanos ingleses” foi encontrado com o alferes Joaquim José da Silva Xavier e encorpou as provas da militância sediciosa que levaria Tiradentes ao patíbulo.

Uma história do jazz, a decadência da política e a blindagem eleitoral, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Poucos cidadãos sabem citar o nome de um parlamentar, há um profundo divórcio entre representantes e representados. Mas as emendas garantem a reeleição

No fim dos anos 50, Dale Turner, um saxofonista negro americano, toca todas as noites no Blue Note, em Saint-Germain. É um alcoólatra. Basta que escape à vigilância dos amigos e ele vai parar no hospital. Como é comum nesses casos, num determinado momento entra em colapso. Francis, apaixonado admirador do músico de vanguarda, assume plena responsabilidade sobre ele e Dale aos poucos volta a tocar. Mas as raízes, a sua solidão e seus medos o levam de volta a Nova York, onde morre.

As contas e a ‘reputação ilibada’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Na Câmara, Jhonatan de Jesus desviava emendas e, no TCU, defende o Master. Alguma surpresa?

O sr. Jhonatan de Jesus é um exemplo pronto e acabado do derretimento das instituições no Brasil e provoca uma pergunta que já embute a resposta: como é possível esse cidadão virar ministro, justamente, do Tribunal de Contas da União (TCU)?

Ninguém fora do Congresso sabia quem ele era, até virar relator do processo no TCU sobre a liquidação do Banco Master e atuar descaradamente a favor dos interesses de Daniel Vorcaro e contra o Banco Central. O que, aliás, pode ser tudo, menos surpresa. Basta dar uma olhada nos seus mandatos na Câmara dos Deputados.

Trump e a apropriação de um marco, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O aniversário da independência dos Estados Unidos costumava ser um momento de refletir sobre o destino comum dos americanos, acima das disputas políticas e diferenças culturais, que sempre existiram. Mas este 4 de Julho prova que os americanos não são mais capazes de fazer qualquer coisa de alcance nacional acima dessas divisões.

As celebrações foram inteiramente truncadas pelo ímpeto do presidente Donald Trump de vinculá-las à sua figura pessoal e pela frustração e resistência dos americanos em face desse propósito.

Quando a organização do Freedom 250 anunciou em maio a primeira leva de nove artistas para a série de shows da Great American State Fair, no National Mall, cinco deles desistiram em menos de 48 horas, e outros cancelaram em seguida. A justificativa: a percepção de que não seria uma celebração do país, mas de Trump.

• Promessa difícil de cumprir, por Ricardo Della Coletta

Folha de S. Paulo

O problema de enviar um documento ao governo dos EUA com promessas é que, mais cedo do que tarde, elas serão cobradas

Libertar o Brasil das 'amarras do Mercosul' é mais difícil do que o senador sugere no texto enviado ao governo Trump

Se for eleito presidente, Flávio Bolsonaro perceberá que o problema de enviar um documento ao governo dos EUA com uma série de promessas é que, mais cedo do que tarde, elas serão cobradas.

Não foram poucas as promessas (ou paths to remediation) que Flávio listou no texto endereçado ao USTR —o Escritório do Representante de Comércio dos EUA— no qual argumenta que o tarifaço beneficia Lula e sugere o adiamento de qualquer medida contra o Brasil para depois das eleições.

Entre elas, uma desperta sensação de déjà vu: libertar o Brasil das "amarras do Mercosul".

Por que não dizer que o escândalo do Master é de direita? Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

A grande mídia tem medo de ser chamada de esquerdista

Não é mais questão de saber que direitista está envolvido, mas de saber qual não está

Como teria sido uma boa cobertura de mídia sobre o escândalo Master?

A resposta óbvia é: teria mostrado a absoluta predominância de direitistas entre os envolvidos. Por qualquer critério que se queira adotar: o número de envolvidos, o total de dinheiro desviado para o Master por cada lado, o total de dinheiro recebido do Master por cada lado, a importância dos envolvidos dentro de seu próprio campo, o quanto cada lado de fato fez para salvar o Master.

E teria deixado claro: esses são os dados até agora. Se outros dados aparecerem, revisaremos nosso diagnóstico.

Não foi isso que aconteceu.

Como dar sentido ao mundo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro traz dicas para interpretar melhor as estatísticas com que somos bombardeados

Autor é didático e critica pontos fracos da ciência, como baixa reprodutibilidade de experimentos

Tim Harford consegue transformar conceitos difíceis da economia em best-sellers. Seu livro "O Economista Clandestino" vendeu mais de 1 milhão de exemplares no mundo todo, o que não acontece todo dia com obras de divulgação científica.

"How to Make the World Add Up" vai na mesma linha, mas tentando tornar a estatística, mais especificamente as toneladas de dados a que somos submetidos diariamente ao ler um jornal, por exemplo, em algo mais inteligível.

O populismo virou endemia, por Vinicius Mota

Folha de S. Paulo

Direita demagógica sofreu desgaste e trocou virulência por persistência

Excesso de vetos a poderes eleitos e desrespeito à ética republicana nutrem aventureiros

O Sars-Cov 2 já não é mais aquele. Esse coronavírus teve caminho livre para se espalhar na velocidade dos contatos pessoais quando adquiriu a capacidade de ser transmitido entre humanos, no final de 2019. Fez estragos e cadáveres aos montes por uns dois anos até acomodar-se às nossas defesas imunológicas, elas mesmas fortalecidas por anticorpos ativados pelas vacinas e pelas ondas sucessivas de infecção.

De terrível novidade converteu-se num conviva habitual e incômodo. De epidemia virou endemia. Ficará por aí pelos próximos séculos, quiçá milênios, como parte da história natural.

Dá para arriscar que algo similar se passou com o novo populismo global, guardadas as especificidades da política. Há dez anos os vapores de rebeldia que se acumulavam em várias nações democráticas rebentaram no Reino Unido, na façanha do Brexit. A seguir um improvável canastrão atropelou a oligarquia do Partido Republicano e ganhou a indicação e a eleição para presidente dos Estados Unidos.

As favas mal contadas, por Muniz Sodré*

Folha de S. Paulo

Uma mesma ilusão de banda podre, na verdade, desprezo de escrúpulos justificados, matéria-prima do pior

Morte moral deu passe livre às perseguições, cassações, torturas e assassinatos que recrudesceram com o AI-5

Do instante da assinatura do Ato Institucional-5 (que passou a legislar por conta própria em 1968, consolidando o golpe militar), ficou marcada na memória social a frase do coronel Jarbas Passarinho: "Às favas os escrúpulos". Meio século depois, essa peça de amoralidade foi incorporada pelo Congresso, ampliando o escopo dos escrúpulos na direção de algo como "às favas o Brasil".

O colunismo social que ilustra o Brasil podre, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Crime financeiro, corruptos, facções ou celebridades se misturam na fofoca das redes

O país parece não se revoltar com a infiltração do crime 'comum' por toda parte

O ex-deputado estadual TH Joias, do Rio, está preso por ser acusado de prestar serviços ao Comando Vermelho etc. Também vendia joias caras a jogadores de futebol, influenciadores e pessoas da música, algumas acusadas de confraternizar com PCC e CV.

Celebridades propagandeiam "bets", essa desgraça. Famosos de internet se enrolaram com "bets", ilegais ou legais, ou foram presos por suspeita de lavar dinheiro para facções, como Deolane Bezerra, com mais de 20 milhões de seguidores no Instagram.

Poesia | Vinícius de Morais - O Haver

 

Música | Chico Buarque - "A Bela e a Fera