Folha de S. Paulo
Instituto aponta que líderes autoritários
pesam mais que escândalos de corrupção na deterioração do regime político
País perdeu status de democracia liberal em
relatório do V-Dem, que alertou para a corrosão de instituições sob Trump
[RESUMO] Autor expõe como funcionam e
para que servem os rankings que avaliam a qualidade da democracia em todo o
mundo. Os relatórios do V-Dem, instituto que produz o levantamento mais
utilizado, apontam que líderes com tendências autoritárias como Trump são os
grandes responsáveis pela erosão dos regimes democráticos, mais que casos de
corrupção e guerra entre Poderes.
A democracia americana está doente. O check-up
feito pelo V-Dem apontou disfunção no sistema judicial,
falência múltipla de liberdades civis e hipertrofia da Presidência da
República, sintomas causados por um vírus chamado Donald Trump.
O instituto rebaixou os Estados
Unidos à categoria de democracia eleitoral, uma espécie de
segunda divisão dos regimes de liberdade. Na pontuação final, ficou atrás de
países como Coreia do Sul, Japão, Portugal e Brasil.
Rankings de democracia como o V-Dem, o mais
utilizado em pesquisas acadêmicas na área de ciência política, há muito tempo
saltaram o muro das universidades e entraram na corrente sanguínea do debate
público. Nas redes sociais brasileiras, nossa colocação à frente dos EUA gerou
um questionamento: como podemos ter uma boa pontuação se estamos mergulhados em
uma crise institucional, em que um escândalo
financeiro abala a credibilidade do Judiciário e joga os
Poderes uns contra os outros?
Para responder a essa pergunta, é necessário
entender como funcionam os rankings de democracia, para que servem e como, ao
longo dos anos, vêm mostrando que nada tem mais peso para a deterioração dos
regimes de liberdade que a existência de um líder com tendências autoritárias.