quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Gilmar e Dino mantêm agonia de Moraes

Por O Globo

Com a manobra dos ministros, STF adia decisão e frustra expectativa de abertura de investigação

Uma manobra dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes bastou para manter a agonia na maior crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em seus 135 anos de História. O dever dos ministros na sessão de ontem não era fácil, mas era simples: autorizar ou não uma investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e maior fraudador da História do sistema financeiro brasileiro. O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, manteve desde o início uma condução firme e serena dos trabalhos. Mas, em vez de enfrentar a questão com o destemor exigido dos magistrados mais graduados do Brasil, a Corte se perdeu em intermináveis discussões sobre procedimentos jurídicos, entremeadas por indiretas, algum bate-boca e até agressões incompatíveis com o decoro do cargo. Ao fim, um pedido de vista de Dino impediu o único desfecho razoável para caso de tamanha relevância — e adiou qualquer decisão por 90 dias.

Como nas histórias de Xerazade, crise do STF está longe de acabar, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No plenário da mais alta Corte, os ministros deixavam de divergir apenas sobre questões jurídicas para questionar reciprocamente suas intenções, sua honra e sua conduta

“Eles julgaram a seu modo/ E se acumpliciaram nesse trabalho.” Esses versos de As Mil e Uma Noites (Brasiliense) parecem escritos para descrever a situação dramática em que o Supremo Tribunal Federal tenta decidir se autoriza a investigação do ministro Alexandre de Moraes por suas relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A sessão plenária da Corte ontem terminou sem uma decisão, depois de expor, diante do país, a profundidade da divisão entre os ministros e a sua incapacidade momentânea de arbitrar os próprios conflitos.

Esse clássico da literatura universal é uma coletânea de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do sul da Ásia e compiladas em língua árabe a partir do século IX. No mundo moderno ocidental, a obra foi traduzida para o francês em 1704 pelo orientalista Antoine Galland, transformando-se num clássico da literatura mundial. Em todas as versões, os contos são narrados por Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei, louco por haver sido traído por sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei.

Entrevista | Crise pode colocar Justiça eleitoral em xeque, diz Lara Mesquita, por Marcos de Moura e Souza

Valor Econômico

Cientista política avalia as possíveis implicações das disputas e denúncias no STF

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a decisão dos ministros de adiarem uma possível investigação contra Alexandre de Moraes tende a ajudar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Mas não é isso o que mais chama atenção. A questão é o peso que o Supremo e as suspeitas de relações indevidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro assumiram no noticiário e no debate político, solapando o que a essa altura deveria ser o mais importante: o debate sobre projetos dos candidatos a presidente.

A avaliação é da cientista política, Lara Mesquita, professora da Escola de Economia de São Paulo da FGV. Ela chama atenção também para outro possível efeito colateral das suspeitas que pesam sobre ministros, envolvendo Vorcaro, que está preso.

Além de Moraes, André Mendonça, Nunes Marques e Dias Toffoli tiveram seus nomes ou de parentes de alguma forma associados a interesses do banqueiro.

Para Lara Mesquita, um dos riscos é que, com ministros do Supremo sendo questionados, futuras ações judiciais que tenham relação com as eleições poderão ser julgadas justamente por esses magistrados - alimentando narrativas sobre a credibilidade do processo eleitoral.

O que preocupa é que a crise faz com que ninguém preste atenção na eleição”— Lara Mesquita

“Se as pessoas estão dizendo que elas não confiam no STF, e se o STF é, de um lado, o guardião da Constituição e dá a última palavra em todo tipo de processo; e, de outro lado, se parte dos ministros do STF compõem o TSE, que é a corte que tem como papel administrar as eleições e resolver os conflitos eleitorais, qual é o grau de confiança que parte da sociedade vai afirmar ter no TSE como árbitro de conflitos eleitorais?”, afirma a professora. “Essa é a situação complicada que poderemos ter.” 

A seguir, os principais trechos da entrevista de Lara Mesquita ao Valor:

Saldo de julgamento confirma contaminação da campanha, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Grupo liderado pelo decano Gilmar Mendes, que reúne Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli mostrou domínio de cena

Um dos saldos do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou adiado, foi a confirmação de que a maior crise da história da Corte, realmente, contaminou a campanha eleitoral. O outro foi o domínio da cena pelo grupo liderado pelo decano Gilmar Mendes, que reúne Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Dias Toffoli, o qual desviou a atenção da pauta central - a relação de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro - para os atos do presidente Edson Fachin e de André Mendonça. O adiamento contrariou a cúpula da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal prejudicado pelo escândalo, e que redobrou os esforços para se descolar da crise e de Moraes.

No voto em que pediu desculpas aos brasileiros pela situação constrangedora da Corte Constitucional, a ministra Cármen Lúcia mencionou a proximidade do pleito. Ela disse se sentir envergonhada de “20 dias antes das eleições, estarem todos voltados a questões do Supremo”. Ponderou que os ministros gostariam de ter resolvido as questões em pauta, as quais sem a solução esperada pela sociedade, “foram crescendo demais”.

Corte abre espaço para crise política interna e externa, por César Felício

Valor Econômico

Resultado converge para uma vitória de Pirro de Moraes, fragilizando como nunca a instituição

A degradação talvez absoluta - porque poço moral a princípio não tem fundo - do Supremo Tribunal Federal (STF) era previsível na sessão histórica de terça-feira (15). Tratava-se de um julgamento para abrir o inquérito contra um de seus pares, a pedido de outro. O entrevero não teve ganhadores dentro do STF e, dado que dificilmente haverá desfecho sobre as suspeitas que pesam contra Alexandre Moraes antes da eleição presidencial, poderá ter consequências políticas graves.

A indignação popular sempre tem sócios e cavadores na política. Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apressaram em convocatórias a movimentos de rua. Não faltaram referências ao Nepal, onde uma sublevação no ano passado levou ao incêndio de prédios governamentais e ao linchamento de autoridades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou demarcar distância. Na sabatina da Record, disse que ninguém pode fugir de julgamentos. A ala pró-Moraes, contudo, é composta pelos ministros indicados por ele neste mandato: Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Investigação tem chance, mas dano à imagem do STF está dado, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Ao pedir desculpas à nação, Cármen Lúcia fez mais pela Corte do que os nove homens que passaram cinco horas a degradá-la

Aconteceu o riscado: questão de ordem, impedimentos, pedido de vista e a abertura de investigação do ministro Alexandre de Moraes com maioria favorável, mas adiada numa sessão cuja dramaticidade para a vida nacional foi resumida pelo pedido de desculpas da ministra Cármen Lúcia. O Supremo Tribunal Federal não voltará a se debruçar sobre o tema antes do segundo turno, mas o estrago está feito. E não é pequeno.

O Supremo não decepcionou a quem esperava um espetáculo deprimente. Um ministro (Alexandre de Moraes) alvo de uma notícia-crime se manifestou fartamente se deveria ou não ser investigado. Outro ministro, cujo traquejo político (Flávio Dino) permitiu armar a questão de ordem que dividiu o tribunal, levantou a bola para outro (Gilmar Mendes) trazer à lembrança a definição que lhe deu o ex-ministro Luís Roberto Barroso (“Vossa Excelência sozinho desmoraliza o tribunal”), azedar de vez o clima na Corte e provocar o pedido de vista.

Pesquisa CNT/MDA: Lula lidera disputa contra Flávio nos dois turnos, por Giovanna Rodrigues

Correio Braziliense

Levantamento ouviu 2002 pessoas entre 9 e 13 de setembro; Lula lidera em todos os cenários estipulados em que aparece

Pesquisa eleitoral CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (15/9) mostra a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas disputas de 1° e 2° turno. 

O levantamento encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra o petista liderando o cenário de primeiro turno com 40,5%, contra 30,4% registrados por Flávio Bolsonaro, uma diferença de 10,1 pontos percentuais. 

Na sequência aparecem Augusto Cury (Avante), com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 3%; Renan Santos (Missão), com 2,7%; e Romeu Zema (Novo), com 1%. Outros candidatos somam 1,1%, brancos e nulos são 6%, e os indecisos chegam a 7,5%. 

Flávio cresceu, e o PT tenta acordar, por Elio Gaspari

O Globo

Com terras-raras e soberania, Lula arrisca perder a eleição

A pesquisa Quaest de segunda-feira caiu como uma bomba na campanha de Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o na simulação de um segundo turno (42% x 40%). A seco, esse número quer dizer pouca coisa. Está dentro da margem de erro, e eleição se ganha na urna. Flávio cresceu absorvendo o apoio de eleitores que, havia tempo, avaliavam negativamente Lula 3.0.

Era inevitável que a avaliação negativa migrasse para um adversário. Lula faz uma campanha chique, fala em terras-raras, soberania e escala 5x2. Ulysses Guimarães dizia que política externa só dá votos no Burundi. Quanto à escala, é uma promessa de uma vida melhor, mas é promessa.

O STF, as eleições e o futuro do Brasil, por Vera Magalhães

O Globo

Ministros estão dispostos a tudo, inclusive a enterrar a imagem do tribunal, para evitar que um deles seja simplesmente investigado

A melancólica sessão deste 15 de setembro no Supremo Tribunal Federal (STF) terá impacto decisivo nas urnas, e o resultado das eleições que se avizinham, tanto para a Presidência da República quanto para a composição do futuro Congresso, certamente contribuirá para uma mudança significativa no papel institucional do STF.

Os ministros optaram por implodir a ordem vigente para evitar a singela abertura de uma investigação a respeito da conduta de um dos seus. Mas há sério risco de que sejam, eles próprios, os principais atingidos por essa decisão de radicalização.

Hemorragia suprema, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ministros travam guerra para proteger aliados, não para preservar a instituição

Leviano. Mentiroso. Golpista. Sem noção. Pixuleco eleitoral. Os insultos foram disparados no plenário do Supremo Tribunal Federal. Por mais de sete horas, ministros atacaram ministros, em guerra transmitida ao vivo pela TV.

O presidente Edson Fachin imaginou que a sessão de ontem pudesse dar início a um processo de depuração. Deu-se outra coisa: o tribunal expôs suas vísceras e nada decidiu sobre o pedido para investigar o ministro Alexandre de Moraes. As suspeitas sobre André Mendonça também ficaram intocadas. Por decisão de Fachin, foram deixadas para a semana que vem, sem garantia de solução.

A sessão do fim do mundo no STF, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Qualquer que seja o desfecho, não há vencidos nem vencedores: a Corte está à deriva

A lavação de roupa suja que marcou a sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) escancarou uma guerra fratricida entre homens de toga. Sem prazo para terminar, o reality show do “fim do mundo” tem como pano de fundo não apenas a eleição presidencial, mas também a estratégia de cada grupo para dar as cartas do poder. Qualquer que seja o desfecho da crise deste Setembro Negro, porém, não há vencidos nem vencedores: a Corte está à deriva.

STF virou parte da disputa eleitoral de 2026, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Aversão à corte transforma demanda por investigação e punição em questão eleitoral

Crise ocupa espaço das campanhas e transforma ministros em personagens da eleição

Já tivemos eleições presidenciais em que os cidadãos chegaram às urnas sob o impacto de grandes escândalos políticos, investigações policiais e controvérsias judiciais que dominavam o noticiário, como em 2006 e 2014.

Já tivemos eleição em que o candidato que liderava as pesquisas acabou preso e foi impedido de disputar a Presidência. Já tivemos campanha presidencial que transcorreu sob bombardeio incessante de fake news, e o próprio noticiário alimentava o desprezo pela política institucional.

Já houve até mesmo campanha em que o titular do cargo declarava abertamente que as urnas eletrônicas não eram confiáveis e que, portanto, não se comprometia a aceitar o resultado do pleito.

Em todas essas ocasiões, porém, restava um ponto relativamente fixo. Quando partidos, candidatos e militantes produziam confusão, a Justiça Eleitoral e, no limite, o Supremo Tribunal Federal eram para onde se olhava para saber quais eram as regras, resolver contendas e conter abusos e injustiças. Podia-se discordar de decisões e detestar ministros, mas o STF ainda era o fiador institucional do processo.

O juiz é o lobo do juiz, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ministros partiram para guerra de guerrilhas e embolaram tudo

Deixar de investigar um dos seus causa dano reputacional à corte

Não foram o cabo e o soldado que fecharam o STF. São os próprios ministros que parecem empenhados em inviabilizá-lo.

A tarefa que a corte tinha diante de si não era das mais complexas. Deveriam definir se há indícios suficientes para investigar o ministro Alexandre de Moraes por seu relacionamento com Daniel Vorcaro. É difícil sustentar que não haja. Há um contrato atipicamente lucrativo entre o escritório da família de Moraes e o Banco Master e houve dezenas de mensagens suspeitas entre o juiz e o banqueiro fraudador. Investigar não significa condenar. Se Moraes é de fato inocente como alega, sua reputação teria mais a ganhar com uma investigação que o exonerasse do que com um arrastão anulatório.

Crise no STF cria raro clima de união nacional, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A cobrança por correção no Supremo faz diferentes segmentos sociais falarem um mesmo idioma

Adiar o enfrentamento da chaga não anula o fato de que metade da corte está sob algum tipo de suspeição

São raros os momentos em que a sociedade em seus diferentes segmentos se mostra unânime frente a questões de ordem institucional e/ou a problemas que afetem a vida da coletividade.

Anos atrás, vimos unidade no anseio pela retomada do regime democrático e assistimos de novo coesão nacional no apoio ao combate à inflação.

Com metade do STF sob suspeita, campanha de impeachments ganha força, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ministros dizem que existe 'PF paralela' e se acusam de crimes graves ao vivo

Há cada vez mais excelências suspeitas e não se decide método para investigá-las

A guerra no STF vai continuar. A demolição institucional e moral do sistema de Justiça também. A campanha a favor de impeachment das excelências supremas vai ganhar força, assim como as candidaturas ao Senado que querem cortar cabeças no Supremo.

Há indícios, mais ou menos escandalosos, de que quatro ministros estariam envolvidos com Daniel VorcaroAlexandre de MoraesDias ToffoliKassio Nunes Marques e André MendonçaLuiz Fux está sob risco.

Dado que os supremos não conseguem ou querem decidir como devem investigar a si mesmos, o que vai acontecer com esses ministros em estado de suspeição ou putrefação política? Não vai haver consequência? O que vai fazer a Procuradoria-Geral? A Polícia Federal terá de ficar inerte?

Julgamento expõe divisões no STF sem apontar solução para crise, por Ricardo Balthazar

Folha de S. Paulo

Discussão põe em xeque autoridade e procedimentos adotados por Fachin

Sessão amplia incertezas em torno de investigação sobre conduta de Moraes

Na véspera do julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira (15), o ministro Edson Fachin anunciou o roteiro que seguiria na condução dos trabalhos como se estivesse se preparando para mais uma sessão rotineira da corte que preside. Ele se enganou.

A confusão começou 45 minutos após o início da sessão, assim que ele concluiu a leitura do seu relatório. O ministro Flávio Dino pediu a palavra. Fachin sugeriu que esperasse um pouco e pediu que ministros que se julgassem impedidos de votar se manifestassem. Dois o fizeram.

Teatro no Supremo expõe disfunção e impacto eleitoral, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Ação de grupo pró-Moraes é eficaz em adiar a crise, mas apenas a agravará salvo um acordão improvável

Lula tende a ser mais prejudicado pelo tamanho público de Moraes, mas é Flávio o enrolado com o Master

Foi pesarosa a única manifestação de Cármen Lúcia na turbulenta sessão em que seria discutida a abertura de investigação sobre a relação entre seu colega Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Antes de votar acerca da questão de ordem que dominou o dia, ela se desculpou à população por não evitar o teatro desfiado pelos ministros ante um cenário que, se era bastante previsível, foi franco em termo de declarações do que ela chamou de "torcidas e lados".

Teatro, pois as jogadas do dia, mesmo as menos esperadas, se encadearam de forma lógica e reveladora do "modus operandi" de Brasília.

José Carlos Mariátegui, uma realidade peruana, por Ivan Alves Filho*

Seu nome era José Carlos Mariátegui. Ele viveu pouco: somente 35 anos. Peruano, mestiço de índio e espanhol, começou a existência como entregador de jornais e linotipista do La Prensa, aos 15 anos de idade. Fez-se depois jornalista e ativista político. 

Mariátegui viajou em 1919 para a Itália, onde permaneceu por quatro anos, assistindo à ascensão do fascismo no país. Lá, tornou-se amigo pessoal do ativista e pensador comunista Antonio Gramsci, preso depois por mais de dez anos pelos fascistas. O escritor francês Henri Barbusse e o escritor russo Máximo Gorki também se tornaram seus amigos nesse período. 

Poesia | Ela, de Machado de Assis

 

Música | Barracão - Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Época de Ouro

 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF não tem o direito de errar hoje

Por O Globo

Impedir a investigação contra Moraes levará o país à certeza de que nem todos são iguais

Hoje, tendo o Brasil como testemunha, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) podem seguir um de dois caminhos: reconstruir a Corte ou mantê-la no descompasso moral em que se encontra. Se optarem pela reconstrução, farão uma sessão histórica, dolorida, mas respeitosa — e começarão a recuperar a credibilidade que, em conjunto, perderam. Se optarem pela manutenção do atual estado de coisas, farão um mal imenso a si próprios, mas, fundamentalmente, à nossa República e à nossa democracia. Essa segunda hipótese deve ser afastada. Deste julgamento, só pode emergir um vencedor: o Brasil.

Hoje é o Dia D de uma guerra do Peloponeso entre ministros do Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Pesquisa Quaest: 56% afirmam não confiar no STF, dez a mais do que em agosto. Somente 9% dizem confiar na instituição, contra 18% no levantamento anterior

A sessão do Supremo Tribunal Federal marcada para esta terça-feira é o Dia D de uma crise sem precedentes na história da Corte. Sob a presidência do ministro Edson Fachin, o plenário decidirá se autoriza a abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes por causa de suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Não se trata ainda de julgar nem de condenar o ministro, mas de decidir se os indícios reunidos pela Polícia Federal justificam uma investigação. Essa distinção é fundamental para o devido processo legal.

O Supremo vive sua própria guerra do Peloponeso. No conflito narrado por Tucídides, Atenas e Esparta arrastaram seus aliados para uma disputa prolongada que enfraqueceu todos, destruiu equilíbrios e abriu caminho para a decadência das cidades gregas. No STF, a guerra de despachos, ofícios, pedidos de suspeição, mudanças de relatoria, levantamento de sigilos e acusações cruzadas transformou divergências jurídicas numa luta interna sem precedentes pelo controle dos processos e pela sobrevivência das biografias.

O risco de Lula entre as mulheres, por Míriam Leitão

O Globo

Segundo a pesquisa Quaest, o atual presidente perdeu tração no público feminino, que foi decisivo na disputada eleição passada

O presidente Lula está perdendo seu maior trunfo: as mulheres. Na pesquisa Quaest mais recente, em que ele reduz consistência em vários dos segmentos nos quais sempre venceu, um dado salta aos olhos. Hoje há um empate entre as mulheres quando perguntadas do que elas têm mais medo, se da reeleição de Lula ou da volta de Bolsonaro. Em um mês caiu de 49% para 42% as que têm medo da volta dos Bolsonaro, e subiu de 36% para 42% o medo da reeleição do Lula. Há um empate no medo.

Briga no escuro, por Merval Pereira

O Globo

Fachin terá de ter muito pulso para dirigir a sessão hoje, porque ainda haverá várias tentativas de adiamento

A diversificação de ações para tentar adiar a sessão que deve começar hoje de manhã no Supremo Tribunal Federal (STF) demonstra que o grupo que apoia o ministro Alexandre de Moraes receia perder a parada e está disposto a uma briga de foice no escuro, à Tarantino. O ministro Gilmar Mendes já avisou:

— Quem não gosta de pisão não vai ao bailão.

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, mostra-se firme na decisão de realizá-la e, como será o primeiro a votar, dará o rumo do debate, tanto limitando-o ao tema único de hoje, o pedido de investigação de Moraes, quanto determinando a melhor maneira de preservar a instituição máxima da nossa Justiça e, por tabela, da própria democracia brasileira. Os que se gabavam de ter salvado a democracia durante a tentativa de golpe do bolsonarismo e suas consequências hoje põem em risco o que consideram ter salvado, pois o poder que ganharam no correr dos tempos fez o que os deuses já previam e os homens definiram na História: poder em excesso corrompe completamente.

Terça, 15/9, por Fernando Gabeira

O Globo

Os problemas do STF não se esgotam no comportamento de Moraes, mas demandam reforma profunda na instituição

Hoje não passa de um dia perdido no tempo. Mas pode se tornar uma data histórica, um 15 do 9 nos arquivos nacionais. Tudo depende do que acontecer no Supremo Tribunal Federal (STF).

A hipótese inicial é iniciar uma investigação a respeito das ligações do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master. O material já é conhecido, passa por um contrato de R$ 130 milhões entre Vorcaro e a família Moraes e mais de 50 mensagens trocadas pelo banqueiro com o ministro às vésperas da prisão.

Outros ministros, como Dias Tofolli, também estão envolvidos. Mas o pedido de investigação é específico sobre Moraes. E há outro sobre André Mendonça.

A IA nos matará? Por Pedro Doria

O Globo

Bill Gates afirmou que os modelos em desenvolvimento já cruzaram inúmeros limiares de risco

No último dia 26, agosto já terminando, Bill Gates publicou em seu site pessoal um longo ensaio a respeito de inteligência artificial. Afirmou que os modelos em desenvolvimento já cruzaram inúmeros limiares de risco. Já são capazes de desenvolver bioarmamento, quebrar cibersegurança, manipular psicologicamente pessoas, destruir empregos. Ainda assim, não temos qualquer conversa organizada sobre como gerenciar quaisquer riscos. Pois Gates publicou o ensaio, passou o dia na TV dando entrevistas. E aí nada aconteceu. No dia 11 agora, sexta-feira passada, foi a vez de Yoshua Bengio se manifestar num ensaio. Ele é um dos três padrinhos da IA. Pediu que o ritmo de atualização fosse mais lento. Que as empresas desacelerassem. No sábado, veio Dario Amodei com seu ensaio. O CEO da Anthropic e criador do Claude diz que há risco existencial para a humanidade. Quando chegou domingo agora, se manifestaram concordando com Gates, Bengio e Amodei tanto Sam Altman, da OpenAI (GPT), quanto Elon Musk, da x/AI (Grok).

Flávio ganha vantagem, mas pesquisa indica eleição aberta, por César Felício

Valor Econômico

Simulação de segundo turno é ponto de partida, e não de chegada

Aumentou a chance do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer as eleições presidenciais deste ano. A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) mostrou diversos vetores indicam para o cenário de sua vitória. O mesmo levantamento, contudo, indica que a rejeição a seu nome não cede, o que faz com que a eleição ainda esteja em aberto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permaneceu no patamar de 36% na simulação de primeiro turno, com crescimento de Flávio de 29% para 31%. Em julho, esta diferença era de 40% a 28%. Na simulação de segundo turno entre os dois, Lula recuou pela quinta vez consecutiva, pontuando em 40%, ante 42% de Flávio.

A batalha do Supremo e a exaustão do eleitor, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A sessão desta terça não é a de um processo judicial mas de uma disputa política

Em uma semana, o grupo formado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, transformou o clima de linchamento em praça pública deste último num ambiente em que também pairam suspeitas de partidarismo na atuação do ministro André Mendonça.

Vem daí a aposta de que agirão no limite para evitar que a sessão desta terça siga o rito anunciado: leitura do relatório do caso pelo presidente do STF, manifestação da Procuradoria-Geral da República, defesa de Moraes e a apresentação do primeiro voto, de Edson Fachin, que também é do relator. Este é o rito para uma corte judicial. O que se verá nesta terça é uma sessão política.

A 20 dias da eleição, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

STF e inversão nas pesquisas se somam numa pergunta: qual seria o Brasil de Flávio?

A sessão do Supremo hoje, sobre abrir ou não investigação sobre Alexandre de Moraes, ocorre quando Flávio Bolsonaro, apesar do empate técnico, passa a frente numericamente do presidente Lula e assume a dianteira na eleição presidencial. Logo, o dia 14 de setembro de 2026 pode se transformar no marco de uma reviravolta histórica.

Somadas as duas hipóteses, de vitória de Flávio e de derrota da justiça e da realidade na decisão do Supremo, o Brasil pode dar uma cambalhota atordoante em 2027, anulando os movimentos pró-democracia, liderado pelo STF, e pró-soberania, capitaneado por Lula, para cair numa incógnita.

O julgamento de Xandão, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

A bancada gilmarmendista catimba. Quer transformar em “Julgamento de Xandão”, como se sessão derradeira de processo penal, o que seria deliberação sobre se Alexandre de Moraes deve ser investigado. Catimba-se porque Moraes não pode ser investigado – o que significaria sabermos o que respondeu a Vorcaro, o que compartilhou com ele. Não pode. Então: blitz e blindagem.

Cada um a seu modo, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e o próprio Moraes (que Xandão talvez já tivesse mandado afastar) investem no afogamento do Supremo – o propósito da batalha de petições por meio das quais sucessivamente exigem informações tão volumosas quanto estranhas ao objeto definido por Edson Fachin para o julgamento: se os dados disponíveis sobre as relações entre Moraes e Vorcaro, a todos os integrantes do tribunal formalmente entregues, seriam suficientes para que o ministro fosse investigado. São suficientes? Você sabe a resposta.

PT erra com evangélicos pela terceira eleição consecutiva, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Escolha de Janja como porta-voz expõe a falta de afinidade do partido com o segmento  

Quaest apresentou Flávio Bolsonaro pela primeira vez à frente. Se Lula for derrotado em outubro, uma parte da responsabilidade será do PT, que, pela terceira vez, terá perdido a oportunidade de dialogar com os 26,9% de evangélicos brasileiros.

Nada mudou no desempenho do PT desde a derrota de Fernando Haddad em 2018. A pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 8 de setembro, aponta que Flávio Bolsonaro abriu 18 pontos sobre Lula entre evangélicos no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Flávio marca 58%, e o presidente, 31%.

Quais foram os pecados do partido em relação a evangélicos? A direção não tem afinidade nem simpatia pelo segmento e permite que ele seja tratado de maneira amadora. Não existe um nome no partido com poder de decisão para ser cobrado por seu desempenho.

Vamos acabar com as togas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Vestes talares foram concebidas para indicar impessoalidade e imparcialidade da Justiça

Na percepção popular, porém, esses trajes hoje passam a ideia de diferenciação e hierarquia

Para uma época que prefere travar batalhas simbólicas a resolver problemas substantivos, minha sugestão no que diz respeito à crise no STF é simples: vamos eliminar as togas. No Brasil, o uso de vestes talares, em sua versão plena ou simplificada, por magistrados é uma exigência legal, aplicada em geral a partir da segunda instância e nos tribunais do júri.

A semiologia é bonita. Usar roupas até o calcanhar (é isso que "talar" significa aqui) serviria para esconder o corpo do juiz, apagando-lhe qualquer traço de individualidade e revestindo-o assim do manto da impessoalidade e da imparcialidade. A prática teria tido início na Idade Média e persistido até nossos dias.

Supremo dirá se o Brasil tem, ou não, um tribunal de confiança, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Acusações, postergações e acordos de ocasião não devolvem ao STF a reputação derretida

A pior escolha será os ministros se esconderem sob o frágil biombo de proteção à democracia

De gente com larga experiência adquirida na vida, e autoridade conferida pela lei maior, espera-se que enxergue com clareza o que se passa à sua volta, avalie as circunstâncias e daí tome a melhor decisão. Requisitos básicos à função do julgador.

Não é o que se vê prevalecer nas atitudes de ministros do Supremo Tribunal Federal ativos nos embates internos e passivos ante o imperativo de recuperação da credibilidade da corte. Descontada a hipótese de surto coletivo de carência de percepção, a indiferença ao ponto central da crise só pode ser proposital.

Além de bets, brasileiros elegem canetas emagrecedoras, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Uso das seringas supera o negacionismo que prejudica a cobertura vacinal no país

Medicamentos revolucionários para obesidade viram objeto de desejo e alvo do crime organizado

Esqueça o futebol, os candidatos ao Planalto e os ministros do STF. O que entusiasma os brasileiros são as canetas emagrecedoras e as apostas eletrônicas.

O curioso é que as canetas são canetas apenas no nome. Na verdade são seringas preenchidas com medicamentos injetáveis. O uso delas, no entanto, consegue superar o medo, a desconfiança e o preconceito que envolve injeções e agulhas e o negacionismo que, promovido de maneira criminosa pelo governo Bolsonaro no período da pandemia, ainda prejudica a cobertura vacinal no país.

Dani Lima ao vivo: Mendonça derruba sigilo sobre pagamentos de Vorcaro após pedido de Moraes e mais

 

Poesia | Cantares - Caminhante não há caminho, de Antonio Machado Ruiz

 

Música | Sandra Duailibe - Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos - Aldir Blanc)

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Opinião do dia: Manuel Castells*

“Em tempos de incertezas costuma-se citar Gramsci quando não se sabe o que dizer. Em particular, sua célebre assertiva de que a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. O que pressupõe a necessidade de uma nova ordem depois da crise.

Mas não se contempla a hipótese do caos. Aposta-se no surgimento dessa nova ordem de uma nova política que substitua a obsoleta democracia liberal que, manifestamente, está caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir no único lugar em que pode perdurar: a mente dos cidadãos.

A crise dessa velha ordem política está adotando múltiplas formas. A subversão das instituições democráticas por caudilhos narcisistas que se apossam das molas do poder a partir da repugnância das pessoas com a podridão institucional e a injustiça social; a manipulação midiática das esperanças frustradas por encantadores de serpentes; a renovação aparente e transitória da representação política através da cooptação dos projetos de mudança; a consolidação de máfias no poder e de teocracias fundamentalistas, aproveitando as estratégias geopolíticas dos poderes mundiais; a pura e simples volta à brutalidade irrestrita do Estado em boa parte do mundo, da Rússia à China, da África neocolonial aos neofascismos do Leste Europeu e às marés ditatoriais na América Latina.”

*Manuel Castells, sociólogo espanhol. “Ruptura”, Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2018.

Texto Publicado na Folha de S. Paulo / Ilustríssima, 10/6/2018

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sessão do STF exigirá decoro dos ministros

Por O Globo

Integrantes da Corte terão a última oportunidade de restituir ao tribunal a credibilidade que lhe é essencial

Todo brasileiro tem a consciência de que a sessão de amanhã do Supremo Tribunal Federal (STF) não será fácil. Certamente será a mais difícil já vivida por seus ministros. Haverá debates acalorados, diferentes pontos de vista, enfrentamento de controvérsias jurídicas. Por isso, alguns de seus integrantes temem que a imagem da Corte saia ainda mais arranhada. E farão até a última hora manobras ou por sessão fechada ou por adiamento.

Trata-se, porém, de um sofisma: se houver excessos, não é a imagem da Corte que sofrerá danos, mas daqueles que perderem a compostura diante da população. São adultos, conhecem as boas maneiras, estudaram em universidades de ponta. Sabem, portanto, o que é discussão legítima e o que é vulgaridade e insulto. Conhecem o que é motivo real para suspeição e o que é apenas fumaça sem sentido para tumultuar a sessão. Aqueles que passarem do limite do aceitável devem, eles mesmos, responder por falta de decoro nas instâncias devidas.