O Estado de S. Paulo
A situação que se escancara diante dos nossos olhos é de outra natureza: uma agressão despropositada contra nossa autonomia, nossa tradição e nosso modo de vida
Em licença-prêmio, eu estava fora do Brasil.
Recebi relatos de docentes e estudantes da minha universidade. Foi aflitivo
acompanhar, de longe, tamanho ultraje contra a Universidade de São Paulo (USP).
Vou aos fatos. Na madrugada de domingo, por volta de quatro da manhã, policiais militares fantasiados de Swat arrancaram de dentro da reitoria, à força, alunas e alunos que tinham ocupado o prédio dois dias antes. Segundo depoimentos de todas as testemunhas, houve agressões gratuitas e descabidas. A desocupação se deu a tapas e pontapés. Em vídeos e fotografias que os manifestantes conseguiram fazer, vemos, num corredor polonês, cassetetes espancando jovens desarmados. Foi um ritual de aviltamento, sujeição e sadismo, com bombas de efeito moral, ou imoral. “Dezenas de estudantes foram feridos”, declarou à rádio CBN o aluno Gabriel Borges, do Diretório Central dos Estudantes. Segundo ele, “alguns tiveram de ser hospitalizados com fratura no braço, fratura no nariz”. Houve quatro prisões, ainda que por poucas horas.





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