sábado, 29 de agosto de 2026

Flávio se nega a prestar contas sobre o dinheiro pedido a Vorcaro para Dark Horse, por Lucas Allabi

O Estado de S. Paulo

Candidato do PL ao Planalto afirma que os recursos para o filme foram recebidos de ‘boa-fé’ e que não foi usada verba pública

O candidato do PL à Presidência disse em sabatina no Jornal Nacional que pediu a Daniel Vorcaro, do Banco Master, “patrocínio” para o filme Dark Horse e não “dinheiro”, e que não assinou contrato.

Em sabatina ontem no Jornal Nacional, da TV Globo, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, se negou a prestar contas sobre o dinheiro recebido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, os valores foram recebidos de “boa-fé” e não envolveram recursos públicos. Flávio também voltou a dizer que dará uma anistia ao pai, caso seja eleito.

Durante o programa, ele não apresentou dados de prestação de contas nem sobre o contrato da captação de recursos para o longa-metragem, alegando que os dados são públicos. O candidato havia feito essa promessa em maio.

Flávio Bolsonaro na Globo: Confira a análise da sabatina do candidato do PL

 

Flávio Bolsonaro, no conteúdo, se mostrou cru e pouco crível em entrevista na TV Globo, Por Vera Magalhães

O Globo

Na forma, no entanto, candidato do PL à Presidência da República soou palatável e menos inseguro que em momentos menos roteirizados

Flávio Bolsonaro adotou um script de bom moço para se apresentar na TV Globo. Soando completamente ensaiado num minucioso media training, começou se solidarizando com a entrevistadora Renata Vasconcellos pelo que chamou de “grosseria” do presidente Lula na véspera.

Retratou-se sobre as dúvidas que levantou sobre as urnas eletrônicas, repreendeu o irmão Eduardo por ter comemorado o primeiro tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e se esquivou de explicar o destino dos milhões que pediu, cobrou e obteve de Daniel Vorcaro, banqueiro que perpetrou a fraude do Master, sobretudo a parcela paga nos EUA.

No lugar de explicar a relação com Vorcaro, tentou inverter a situação e tecer ilações sobre uma reunião em que Lula, acompanhado do hoje presidente do BC Gabriel Galípolo, recebeu Vorcaro fora da agenda. Segundo ele, nesse encontro que chamou de clandestino Lula teria prometido que, quando Galípolo assumisse o BC, as investigações sobre o Master cessariam —o que não aconteceu; pelo contrário, foi na gestão atual que o banco foi liquidado.

Ambiente digital enfim desperta para a proteção a menores, por Flávia Oliveira

O Globo

Está na lei que as empresas de tecnologia precisam conceber produtos e serviços que sejam seguros para crianças e adolescentes

É verdade que o Brasil, por omissão dolosa do Congresso Nacional, não tem regulação para plataformas digitais. É verdade que o Supremo Tribunal Federal (STF), provocado, julgou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), por não oferecer proteção suficiente nem às pessoas nem à democracia. E impôs às big techs o dever de evitar um punhado de práticas criminosas, incluindo terrorismo, discriminação e discurso de ódio, crimes de gênero contra mulheres, atos antidemocráticos. Mas, no que diz respeito a crianças e adolescentes, o ambiente digital já não é nem território livre, nem refém do Judiciário que legisla.

Quando a corrupção faz a diferença, por Thaís Oyama

O Globo

Na reta final da eleição, quando não houver mais tempo para um escândalo esfriar, o último a estourar pode decidir quem perde

É mais uma constatação desoladora do que uma coincidência que a primeira pergunta feita ao presidente Lula na sabatina da TV Globo tenha sido sobre corrupção: o mesmo assunto que abriu a entrevista do petista, na mesma emissora, em 2022. Lá, William Bonner perguntou ao então candidato como convenceria o eleitor de que escândalos como o petrolão, ainda fresco, não se repetiriam. Em sua resposta, Lula gabou-se de ter dado liberdade às instituições para investigar o caso, garantiu que quem tivesse cometido erros seria punido e invocou a injustiça de que acredita ter sido alvo na Lava-Jato para defender o benefício da dúvida aos investigados.

Entrevista | Economia vai decidir eleição, e não o caso Lulinha, diz fundador de instituto de pesquisa

Por Mariana Schreiber - BBC News Brasil

As investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, não devem ser decisivas na disputa pela Presidência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), acredita Maurício Moura, doutor em Economia e Política e fundador do instituto de pesquisa Ideia.

Na sua visão, será a economia que influenciará o voto de cerca de 5 milhões de pessoas que definirão a eleição presidencial. Esse é o grupo que ainda não decidiu seu voto e pode optar tanto por Lula como por Flávio Bolsonaro.

Segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno da eleição, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Em um segundo turno contra o senador, Lula teria 45% das intenções, contra 43%.

"Quando olhamos os 3% a 4% dos eleitores que achamos que vão decidir a eleição, eles já consideram basicamente todos os lados corruptos e não é isso que vai ser o fator decisivo. Então eu acho que [a investigação sobre suposta corrupção] é mais um tema de 'bolhas' do que um tema relevante para a eleição", disse, em entrevista à BBC News Brasil.

Lulinha é investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal (PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal. Em entrevista ao Jornal Nacional na quinta-feira (27/08), Lula classificou como "ilações" as acusações que estão circulando contra Lulinha e prometeu que ele "não será protegido" por ser seu filho.

Moura nota que esse grupo de indecisos é formado principalmente por mulheres, das áreas metropolitanas do Sudeste, com renda de dois a cinco salários mínimos, mas que estão endividadas. Tem também, em sua maioria, perfil conservador e frequentam igrejas.

"As pessoas têm atividade econômica, têm duas ou três fontes de renda, e mesmo assim não conseguem fechar a conta no final do mês. Tem um componente do custo da dívida, tem um componente de uma educação financeira bastante básica ou inexistente, e também tem agora o componente de bets [apostas esportivas]. Esse grupo que vai decidir a eleição sofre muito com a questão das bets. É um tema de muita dor", ressalta.

"E [essas eleitoras] são muito apolíticas, estão fora das discussões das bolhas. Isso tem um efeito prático: a decisão de voto é muito lá na frente [próximo ao dia da votação]", continua.

As pesquisas de intenção de voto apontam, no momento, para um segundo turno entre Lula e Flávio. Para Moura, no entanto, alguns fatores aumentam as chances de que o pleito seja decidido já na votação de 4 de outubro.

Na sua visão, a falta de uma terceira via forte pode levar o eleitor que não gostaria de votar em um dos dois primeiros candidatos a "antecipar o segundo turno" e optar logo entre Lula e Flávio no primeiro dia de votação.

Ele diz que o candidato do PL "ainda tem mais fôlego para crescer" e deve ser beneficiado no primeiro turno pelo "antipetismo de chegada", que ocorre quando o eleitor desiste de votar em alguém de sua preferência e faz voto útil no candidato melhor posicionado para ganhar do PT.

Moura destaca a resiliência das intenções de voto de Flávio após duas crises: a revelação de que o senador pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro dezenas de milhões de reais para financiar um filme em homenagem a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a briga pública — agora superada — com a primeira dama Michelle Bolsonaro (PL).

"Ele passou por duas crises graves na campanha e os números dele são os números mais sólidos de um segundo colocado desde 1989 nesse momento, o que mostra que o sentimento divisor do país continua muito bem estabelecido".

Confira a seguir os destaques da entrevista

Eleições e ajuste fiscal, por Marcus Pestana

Muitas são as tarefas: melhorar a infraestrutura, diminuir a carga tributária, derrubar as taxas de juros, combater a burocracia, estimular o avanço tecnológico e a inovação, dar um salto de qualidade no aprendizado dos jovens e crianças, qualificar o capital humano, acelerar a integração às cadeias produtivas e comerciais globais, garantir segurança jurídica e estabilidade legal e regulatória

Mas, à frente de todas as metas, há um nó górdio a ser desatado: o desequilíbrio fiscal. Dificilmente os candidatos à presidência detalharão seus planos para lidar com um déficit primário (o que o governo gasta mais do que arrecada, fora juros) que será, em 2026, de 0,4% ou 0,5% do PIB, ou seja, um buraco no orçamento do governo de algo em torno de 60 bilhões de reais. O futuro presidente da República tem inexoravelmente um encontro marcado com o ajuste fiscal no início de 2027. O atual rumo é insustentável.

Economia e democracia, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

O credo do novo liberalismo, como o do velho, reza que é tempo de abandonar a pretensão de influir no ânimo dos capitalistas 

Os debates eleitorais sugerem uma tensão permanente nas relações entre a economia e a democracia. Os candidatos inclinados à direita, a despeito de suas convicções autoritárias, acham possível reduzir essa tensão por meio do encolhimento do Estado e da redução de suas funções, despolitizando a economia. Estamos, assim, diante de um paradoxo que postula a convivência entre liberalismo econômico e autocracia política.

Hora de levantar trincheiras, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

A campanha de Lula gasta muito tempo pedindo desculpas ao setor financeiro

É desproporcional o movimento do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para “negociar” com o mercado financeiro os termos de seu programa de governo. Lula está longe de ser um desconhecido e não tem a obrigação de se apresentar a cada pleito e pedir o aval para um novo mandato. Nesse momento ele disputa um quarto – e já terminando o terceiro, vai devolver um país muito melhor do que o que encontrou no início do governo, como fez no primeiro e no segundo mandatos. As suas três gestões foram marcadas por estabilidade e previsibilidade econômica. O País cresceu e a entidade “mercado” lucrou muito com isso. Um Banco Central independente do governo e muito afinado com o capital financeiro mantém, e manteve antes, o País curvado a taxas de juro estratosféricas que aumentaram a riqueza de milionários e fizeram novos deles ao longo do tempo.

O filho protegido, por André Barrocal

CartaCapital

Citado em um esquema nos Correios, Flávio Bolsonaro contou com a leniência de Aras e Nunes Marques

Fábio Luís da Silva continua uma pedra no sapato da campanha à reeleição do pai. Além de dizer que o filho terá de pagar se tiver culpa por relações próximas demais com uma lobista, Lula salienta que o principal rival na eleição, Flávio Bolsonaro, foi protegido pelo governo do pai contra investigações. O escudo mais famoso apareceu no caso das “rachadinhas”, motivo de Jair Bolsonaro ter demitido o chefe da Polícia Federal em 2020. Há mais um caso no qual as autoridades deixaram Flávio em paz durante o mandato do capitão. Um inquérito da PF sobre ­falcatruas­ nos Correios esbarrou em citações a Flávio, em suspeitas de que ele havia colaborado com a turma do esquema e de que teria recebido – e gostado – de uma proposta de suborno de 1 milhão de reais. Mas nem o delegado que conduziu o inquérito no estado mais bolsonarista do Brasil, nem o procurador-geral da República indicado por Bolsonaro, nem um juiz nomeado pelo capitão para o Supremo Tribunal Federal acharam importante investigar o “zero um”. Uma juíza federal de Florianópolis nadou sozinha contra a maré… Em vão.

O velho padrão Globo de entrevistar Lula, por Eliara Santana*

CartaCapital

‘JN’ transformou a sabatina em um interrogatório marcado por constrangimento e ausências deliberadas

A proposta de sabatina/entrevista realizada pelo Jornal Nacional com o presidente Lula, na quinta feira 27, em muito se assemelhou à tomada de depoimento de um acusado. Não somente pelo teor das perguntas, mas também pelo encadeamento dos temas e pela condução dos entrevistadores. A pergunta inicial foi, obviamente, sobre as investigações envolvendo Fabio Luís Lula da Silva, filho do presidente que a imprensa chama de “Lulinha”. Pergunta dura feita por César Tralli, à qual Lula respondeu; o apresentador insistiu no mesmo tema com outro viés, desdobrando a pergunta em outra provocação; Lula respondeu; o apresentador retomou o tema; depois, Renata Vasconcelos inquiriu sobre o mesmo assunto – o tema corrupção, no início da entrevista, tomou mais de quatro minutos dos 40 disponíveis para o evento, ou seja, mais de 10% do tempo do candidato foram gastos num único tema, que continha apenas provocação e intimidação. Na verdade, o que estava ali em cena era novamente o uso do repertório corrupção – lembrando que repertórios são temas norteadores da construção da notícia, do noticiário –, que foi deflagrado desde 2014 pelo JN; à época, com os requintes simbólicos do fundo vermelho e um duto enferrujado por onde escorria dinheiro. O interrogatório ao presidente Lula, embalado no formato de entrevista, estava no mesmo molde.

O espetáculo dos vazamentos, por Pedro Serrano

CartaCapital

Eles são sempre seletivos e visam interferir, não é de hoje, no processo eleitoral

Os vazamentos de dados sigilosos de investigações criminais banalizaram-se. Apenas para ficarmos nos eventos mais recentes, os casos Master e o relativo a Fábio Luís Lula da Silva são objeto de intenso vazamento de informações que deveriam ser sigilosas, bem como de cuidadoso tratamento.

O vazamento é, curiosamente, sempre seletivo. Constrói-se todo um raciocínio não com base em investigação que se tenha lido, em documentos que se tenha visto. Baseia-se, ao invés, em dado específico especialmente selecionado com determinado propósito, razão pela qual sempre levam a conclusões equivocadas. Passamos a discutir fatos com base em notícias oriundas de vazamentos seletivos. A discussão pública muitas vezes é paralela e distinta daquela que tramita nos autos e instâncias próprios.

Escola de escândalos, por Murillo de Aragão

Revista Veja

País depende de revelações e delações para escolher o presidente

A campanha de 2026 entra na fase decisiva sem favorito e com uma peculiaridade: em eleições normais, o indeciso decide pela economia ou pelo medo. O empate técnico entre Lula e Flávio apontado pela Quaest não revela apenas equilíbrio; revela paralisia. Ninguém transformou o descontentamento com a economia em adesão, e o mercado enxerga riscos fiscais semelhantes para qualquer vencedor. Juros altos, contas públicas em desordem e despesas obrigatórias que resistem a qualquer ajuste entraram no debate sem mudar o placar. Continuamos a depender de revelações e delações para escolher o presidente, o que diz mais sobre o estado do sistema político do que sobre candidatos.

Comida a prazo, por José Casado

Revista Veja  

No país dos juros obscenos, eleitores compram sanduíche e marmita no crediário

Todo mês 650000 brasileiros compram marmita ou sanduíche no crediário. Essa foi a média do iFood no primeiro semestre. É o triplo do que a empresa registrou no final do ano passado, quando começou a oferecer comida a prazo. Os clientes escolhem pagar na parcela”, em seis prestações com juros de 8,36%. Num exemplo, uma compra de 100 reais, com taxa de 20 reais pela entrega, tem custo final de 130 reais.

É evidência nova de problema antigo, a dependência crescente do crédito até para o essencial à sobrevivência. Indica uma corrosão persistente do poder de compra das pessoas — quase todos eleitores com renda mensal de até dois salários mínimos, equivalentes a 3242 reais. Mostra, também, os limites do consumo numa economia aprisionada na baixa renda.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O partido da mídia

Por CartaCapital

A real oposição entra na campanha

Nas primeiras eleições diretas após o fim da ditadura, Lula, líder de uma agremiação que ainda não completara uma década, passou longe do radar no primeiro turno. Em 1989, a ameaça aos senhores do poder não era o sapo barbudo, mas o ex-governador Leonel Brizola. A ida do sindicalista à segunda volta marcaria o início de uma nova rivalidade. A manipulação pela Rede Globo do debate entre Lula e Fernando Collor, em favor do “caçador dos marajás”, seria a Pedra de Roseta de sucessivas intervenções dos meios de comunicação no processo eleitoral.

Em 2002, Lula, favorito, enfrentou a desconfiança pela falta de experiência administrativa. Seu principal adversário, embora eminência de uma legenda que havia levado o Brasil às cordas e ao racionamento de energia, era apresentado como o demiurgo da nação. Nascia ali uma das fábulas mais persistentes da crônica política brasileira, o “preparo” de José Serra. Tamanha era a devoção que não surpreenderia se um desses colunistas que expressam o pensamento dos patrões defendesse uma estrela Michelin para um pão na chapa servido pelo tucano. Em 2006, a farsa da pilha de dinheiro do dossiê dos aloprados, um conluio entre a imprensa “profissional” e um delegado da Polícia Federal denunciado por esta revista, impediu a vitória do petista no primeiro turno.

Uma nova política para um novo mundo do trabalho, por Ivan Alves Filho*

Tenho buscado refletir sobre as mutações em curso no aparato produtivo. Com efeito, a automação, a robotização e a inteligência artificial apontam para uma profunda mudança no exercício do trabalho humano. O que está acontecendo, em parte, é uma reinvenção do próprio trabalho, com a formação de um proletariado digital, reunindo os trabalhadores do algoritmo. Este é um ponto central da realidade atual. 

Poesia | Vinicius de Moraes - Poética (II)

 

Música | Zeca Pagodinho - Exaustino

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Pauta eleitoreira dispersará esforço dos parlamentares

Por O Globo

Em vez de 6x1 e ‘blusinhas’, Congresso deve se concentrar em data centers, minerais críticos e PEC da Segurança

Depois de almoçarem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), eram só sorrisos. Motta já havia declarado voto em Lula. O encontro serviu para selar também a paz entre Lula e Alcolumbre, depois de meses de estranhamento, cujo ápice foi a rejeição no Senado da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo. O acerto entre os três tem indisfarçável motivação eleitoral. Com a campanha em curso, o Congresso promoverá na semana que vem o tradicional “esforço concentrado”. Propostas que não forem examinadas até lá ficarão para depois de outubro. A conversa serviu para definir o que deverá ir a votação.

Terapia de guichê, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O Brasil é, a seu modo, inovador na questão de filas e suas práticas correlatas. Somos criativos

Nossa sociedade gosta de filas e de esperas, provavelmente mais do que muitas outras. Um jeito de puxar conversa com o vizinho de fila e ocupar o tempo da espera para ser atendido com queixas e reclamações justamente contra filas e esperas. O típico assunto para matar tempo e falar sobre tema de falta de assunto.

Quase sempre, para pôr a culpa no funcionário do banco, da repartição pública ou do hospital pela lentidão no atendimento.

O Brasil é, a seu modo, inovador na questão de filas e suas práticas correlatas. Somos criativos. Quase sempre, nessas pequenas questões populares, o somos pelo avesso do que usualmente são os nativos de países desenvolvidos. A começar pelo fato de que sentimos compulsão de preencher o tempo vazio que é o de uma prática entre momentos de obrigação do trabalho.

Percalços de Lula e Flávio pelos votos do Nordeste, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Candidatos reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o desempenho

Num momento decisivo para as campanhas, diante do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os candidatos reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o desempenho. Enquanto o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, fez a primeira incursão ao Nordeste, feudo lulista, em agenda em Alagoas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi obrigado a mudar o roteiro do fim de semana. Ele faria uma ofensiva na região Sul, reduto do adversário.

Preocupado com o crescimento de Flávio no Rio Grande do Sul, Lula teve de cancelar o compromisso em Porto Alegre nesta sexta-feira (28) por causa das fortes chuvas, com previsão de inundações e vendavais. A agenda foi substituída por uma caminhada com aliados e militantes em Salvador, na Bahia.

Sexto maior colégio eleitoral, com 5,3 milhões de eleitores, o Rio Grande do Sul é a aposta do PT para ampliar a votação na região, que se tornou um reduto bolsonarista, impulsionado pelo agronegócio. Levantamento recente da Quaest mostrou Flávio com 34% das intenções de voto no Estado, e o petista com 28%.

Lula dobra aposta na economia do afeto e na aliança com Alcolumbre e Motta, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

É essa a lógica que conecta iniciativas aparentemente distintas, como o fim da escala 6 x 1 e a renegociação de dívidas com cartões de crédito, que voltam à pauta do Congresso

A “economia do afeto”, conceito formulado pelo historiador Alberto Aggio para explicar uma das características centrais da cultura política do lulismo, talvez seja a melhor chave para compreender os movimentos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca da reeleição. Trata-se de uma relação de reciprocidade entre ele e os setores populares, construída pelo reconhecimento simbólico, pela identificação pessoal e por políticas que produzam benefícios concretos no cotidiano.

É essa lógica que conecta iniciativas aparentemente distintas, como o fim da escala 6 x 1; a redução da chamada “taxa das blusinhas”; a renegociação de dívidas com cartões de crédito e outras medidas voltadas para renda, consumo e qualidade de vida. Lula procura reconstruir a percepção de que seu governo melhora a vida dos “de baixo”. Ao mesmo tempo, isso depende da aliança pragmática com o Centrão, materializada na aproximação com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Lula 3 não entendeu que Lula 4 depende de muito mais do que emprego e renda melhores, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mês e pouco antes da eleição, dados do IBGE ainda mostram melhora surpreendente

Mau humor indica que povo pensa de outra maneira o que seja bem-estar material

Mês e pouco antes da eleição somos informados outra vez pelos dados do IBGE de que a situação do trabalho é a melhor em quase meio século. Mas, como se sabe, a avaliação de Lula 3 está no vermelho desde o início de 2025. Parte dessa incongruência parece ter explicações razoáveis. Mas o mistério ainda é grande.

Primeiro. Desde a ascensão da extrema direita, parte importante das opiniões sobre "economia" é determinada pelo que se pensa da política, não o contrário. Acontece nos EUA também. Até os tradicionais índices de confiança de consumidor estão entortados por isso que se chama de "polarização".

Flávio Bolsonaro quer entregar Brasil a Cristo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Candidato ameaça editar decreto que violaria princípio constitucional da laicidade do Estado

Com uma única declaração, ele revela várias facetas de sua inadequação para a Presidência

Num desafio à lógica, às instituições e à própria higidez das religiões, Flávio Bolsonaro ameaçou: "Eu quero debater com quem não acredita em Deus, porque, quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo".

O primeiro problema com o período flaviano é que ele carrega um imenso "non sequitur". Se você convida alguém para um debate, o pressuposto é o de que pretende persuadi-lo pela força dos seus argumentos, o que entra em contradição com o recurso à canetada, que impõe o dogma sem se importar em obter o consentimento dos que estariam sujeitos à medida.

Três Poderes se unem num pacto de conveniências mútuas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Conciliações são bem-vindas e necessárias, desde que construídas para atender ao interesse público

Não foi o que se viu no acordo firmado entre autoridades motivadas pela defesa de causas próprias

Nada como a conjugação de interesses para promover tréguas de ocasião. É o que se viu no acerto entre os presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do Senado para levar adiante, no Legislativo, pautas populistas às vésperas das eleições.

Junte-se a eles o quarto elemento na figura do sujeito mais ou menos oculto do Supremo Tribunal Federal, cujo vice-presidente achou pelo bem da República fazer as vezes de mediador político do armistício de conveniência.

Dark Horse', estrangeiro onde? Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O verdadeiro produtor de um filme é aquele que o financiou e cujo nome nem sempre aparece

Se o filme sobre Bolsonaro for nacional, ele nos deve, sim, satisfações sobre seus custos

Flávio Bolsonaro está se jactando de que as especulações sobre "Dark Horse" , filme sobre seu pai, são "página virada". A Ancine (Agência Nacional do Cinema) deu ao filme o registro de "obra estrangeira", o que o põe a salvo de investigações sobre a origem, a trajetória e o destino do dinheiro usado na produção. Com isso, por ser uma produção "americana", ninguém tem nada a ver com o fato de que esse dinheiro, gerado no Brasil, foi dar um passeio pelos EUA e voltou para pagar as contas aqui. Mas será ele, tecnicamente, uma "obra estrangeira"?

Novos ‘fronts’ de luta, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Será delicado extrair terras raras em MG, assim como será delicado explorar petróleo na Amazônia. Novos ‘fronts’ numa luta já tão vasta

Oceano e terras raras, o progresso nos empurra para novas dimensões do debate ambiental no Brasil. Do fundo do mar, nas camadas do pré-sal, o País explora a riqueza do petróleo; do fundo do mar, quando o pré-sal se esgotar, o País vai tirá-lo na Margem Equatorial, próxima à foz do Rio Amazonas.

A nova frente de exploração do petróleo é delicada. O Brasil hospedou a COP-30 em Belém com o objetivo de mostrar a importância e a vulnerabilidade da Amazônia. O País se comporta como um líder na transição energética e um interlocutor indispensável nos esforços para combater e mitigar as mudanças climáticas. É uma contradição, portanto, explorar novas fontes de petróleo na Amazônia. Ocorre que a correlação de forças internas aponta irresistivelmente para a realização desse projeto. A única saída é considerar a contradição como não antagônica e levá-la adiante sem que um dos polos seja eliminado. A equação será explorar o petróleo com rigorosos cuidados ambientais. Se depender de políticos do tipo Alcolumbre, os cuidados vão para o espaço. Se depender da opinião internacional, o ideal seria deixar a Amazônia em paz.

Lula põe PF e STF na campanha, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Propaganda eleitoral começa com pedras e paus, ao som da corrupção

O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV começa hoje e esquenta amanhã, com a entrada em cena dos candidatos a presidente. Lula e Flávio Bolsonaro estarão à vontade para falar maravilhas de si e atacar o outro, sem constrangimento nem questionamentos.

Os programas de estreia devem ser alegres e coloridos, uma apresentação edulcorada de cada candidato. Mas não se iludam, isso é só o início, porque candidatos, líderes de campanha e marqueteiros já estão de pedras e paus nas mãos contra os adversários. Motivos não faltam.

Candidatos escondem ‘maldades’ econômicas, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Com algumas exceções, os planos econômicos que vêm sendo apresentados pelos principais candidatos à Presidência são exagerados, vagos, com muitas promessas, contas que não fecham e pouca viabilidade política.

Mas não chega a assustar que os presidenciáveis escondam as “maldades” econômicas que vão precisar fazer em 2027. Ninguém se elege dizendo que vai retirar aumento real de aposentado. É assim em toda eleição. E é bom o eleitor estar ciente.

O diagnóstico do ajuste fiscal brasileiro é conhecido. Os economistas responsáveis são unânimes em afirmar que seria importante cortar subsídios, cobrar mais impostos dos mais ricos (retomar a discussão dos lucros e dividendos), mexer na regra de reajuste do salário mínimo, que impacta a Previdência, ajustar os limites constitucionais de saúde e educação.

LULA NA GLOBO: ASSISTA À ENTREVISTA COMPLETA | "EU NÃO ESQUEÇO DO POWERPOINT

 

Lula na Globo: presidente deixa o 'paz e amor' em casa e surge em modo combate | Sakamoto

Renan: antissistema, ‘pero no mucho’, por Vera Magalhães

O Globo

Com retórica que se adequa ao palco, candidato do Missão se diferencia de outros políticos do gênero ao investir em eleger bancada de seu novo partido

Renan Santos não tem chance de ser presidente da República. Mas seria um erro tomar sua candidatura apenas como excentricidade de uma eleição novamente polarizada, desta vez entre Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato do Missão apareceu de verdade ao país nesta semana, na entrevista à TV Globo, e se mostrou com figurino mais sóbrio do que o usado no debate da Band. O tom mudou, mas o programa não.

Na Globo e na sabatina da CBN, do GLOBO e do Valor, Renan trocou parte da agressividade performática por explicações mais longas e um tom de quem pretende demonstrar preparo. Continuou, no entanto, a defender que a polícia “atire para matar”, a elogiar o regime de exceção de Nayib Bukele em El Salvador, a propor a sério ( !?) uma bomba atômica brasileira e a dizer que descumpriria decisões do Supremo que considerasse ilegais.

Bomba atômica, banho de sangue e regime de exceção: as ideias de Renan Santos, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Candidato, que já exaltava Bukele, surpreendeu ao revelar admiração por Kim Jong-un

Na semana das entrevistas à TV Globo, Renan Santos se destacou entre os candidatos que disputam o terceiro lugar na corrida ao Planalto. O candidato do Missão pôs no bolso os rivais Romeu Zema e Ronaldo Caiado. A constatação diz mais sobre o mau desempenho dos ex-governadores do que sobre o pensamento vivo do líder do MBL.

Zema insistiu no papel de linha auxiliar do bolsonarismo. Defendeu anistia a golpistas, fim da vacinação obrigatória e presídios inspirados na ditadura de El Salvador. Tentou se vender como self-made man, mas omitiu o fato de ser herdeiro de um conglomerado familiar. Cobrado sobre a alta dos feminicídios em Minas Gerais, prometeu “uma série de programas contra as mulheres”. O ato falho foi o momento mais memorável da entrevista.

O mundo de ponta-cabeça, por Pablo Ortellado

O Globo

Professores e estudantes passam a endossar e a celebrar a justiça popular

Na última terça-feira, um estudante foi espancado por colegas na UFRJ. Os agressores lincharam um rapaz que usava camiseta com simbologia associada ao nazismo. O vídeo da agressão, reproduzido pela imprensa, mostra o estudante caído no chão, chutado por dez colegas. O rapaz consegue então se levantar e escapar do prédio, mas é alcançado pela turba e agredido novamente na calçada. Por que esse linchamento violento e covarde num campus universitário não é amplamente condenado? Por que, ao contrário, é endossado e aplaudido?

Poesia | Saudade, de Clarice Lispector

 

Música | Carminho e Marisa Monte - Estrada do Sol (Tom Jobim)

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sanções contra plataformas digitais merecem aplausos

Por O Globo

Enquanto Meta fecha acordo de US$ 17 bilhões nos EUA, TikTok leva multa de R$ 154 milhões no Brasil

Foi acertada a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) de multar a ByteDance, controladora do TikTok, por falhar na proteção de dados de crianças e adolescentes. O valor da multa — R$ 153,7 milhões, maior sanção aplicada a uma empresa do setor no Brasil — comprova a seriedade com que a agência começa a tratar o tema, num momento em que o cerco contra as plataformas digitais se fecha no mundo todo. Nos Estados Unidos, a Justiça anunciou ontem um acordo pelo qual a Meta (dona de InstagramFacebook e WhatsApp) comprometeu-se a pagar US$ 17 bilhões e a realizar modificações na arquitetura de suas redes — como acabar com a rolagem infinita — para escapar de um processo, movido por 47 estados, em que era acusada de tê-las projetado com a intenção de viciar crianças e adolescentes. Se perdesse, o prejuízo poderia chegar a US$ 1,4 trilhão.

Motta, Lula e Alcolumbre falam sobre fim da taxa das blusinhas, 6x1 e PEC da Segurança - 26/08/26

 

A direita envergonhada de Caiado e Zema, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Candidatos do PSD e do Novo recusam compromissos fiscais impopulares

A direita saiu do armário com a ascensão do bolsonarismo e ganhou um eleitor pra chamar de seu. Oito anos depois, as candidaturas dos ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) desfilam com um figurino envergonhado tamanha é a profusão de recuos e titubeios do seu discurso. As sabatinas de que têm participado não poderiam escancarar mais este movimento - do Orçamento à segurança pública.

Candidato mais bem posicionado para capturar a direita democrática, a despeito da obsessão pela anistia ao golpismo, Caiado se recusa a assumir a racionalidade fiscal que uma candidatura centrista requer. Nega mudanças nos pisos da educação e da saúde ou no ganho real da aposentadoria.

O perigoso mar de lama, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A expressão mar de lama é antiga na política brasileira, mas voltou com força na atual campanha eleitoral. Nos anos 50, quando foi criada, servia para definir crises de corrupção sistêmica. Na acepção atual, descreve o ambiente no qual se movem candidatos à Presidência.

Cada um no eixo Lula-Bolsonaro acredita ter mais sujeira para jogar no outro e, assim, obter decisiva vantagem eleitoral. Mas as pesquisas qualitativas sugerem um outro fenômeno: quando confrontados com esse tipo de mar de lama, eleitores tendem a ver todos como iguais. Especialmente os “de centro”, que, assume-se, vão decidir o pleito.

Pode-se argumentar que as acusações de corrupção que chegam à antessala de Lula têm outro quilate do que as suspeitas envolvendo qual a destinação final do dinheiro que o candidato Flávio Bolsonaro pediu para um ex-banqueiro que comandava um esquema criminoso. Mas aqui não é este o ponto.