sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Opinião do dia - Giuseppe Vacca*

“Para falar sobre nós, os pontos salientes da análise podem ser sintetizados do seguinte modo: a convicção de que se produzira uma mudança radical nos processos de formação da subjetividade, cujo traço principal era a “mundialização”; a percepção de que os Estados Unidos se encaminhavam para a derrota no Vietnã, o que iria produzir uma crise da sua hegemonia; a convicção de que, consumada a ruptura definitiva entre a URSS e a China, a repressão da “Primavera de Praga” marcava o fim de qualquer possibilidade residual para o comunismo soviético de exercer uma atração mundial e uma função internacional progressista.

Numa escala menor, com a qual se media nossa ação, os dados salientes foram as posições que o PCI assumiu quanto ao movimento estudantil e à intervenção soviética na Tcheco-Eslováquia. Quanto ao movimento estudantil de 1968, o PCI assumiu uma posição de abertura, afirmando querer unir lutas de classe e movimentos antiautoritários na perspectiva de uma transformação socialista original, baseada na difusão da política e na expansão progressiva da democracia articulada pelo reconhecimento da autonomia dos movimentos coletivos e da sua subjetividade política.”

*Giuseppe Vacca, Por um novo reformismo, p.35. Fundação Astrojildo Pereira / Contraponto, 2009.

 

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Provas apreendidas no caso Master devem ficar com PF

Por O Globo

É a polícia que tem o dever de investigar, analisar e fornecer material válido nos tribunais

A segunda fase da operação que investiga suspeitas de fraudes no Banco Master expôs divergências entre o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e a Polícia Federal (PF), responsável pelas investigações. Em despacho, Toffoli falou em “inércia” e “falta de empenho” da PF. Afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) requereu medidas cautelares no dia 6, autorizadas no dia 7. No dia 12, Toffoli determinou que fossem cumpridas em 24 horas, sob justificativa de haver “fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”. Demorar, disse ele, resultaria em “prejuízo e ineficácia das providências”. A operação foi às ruas na quarta, dia

O mundo de cabeça para baixo. Por José de Souza Martins

Valor Econômico

Trump é expressão e instrumento de uma insurreição anômala, fora dos marcos de tudo que é a ordem política

Um conjunto extenso e complexo de anomalias políticas da realidade internacional deram-se a ver com o ataque dos EUA à Venezuela no dia 3 de janeiro e o sequestro do presidente daquele país e de sua esposa e a transferência de ambos, algemados, para uma prisão em Nova York.

Se levarmos em conta que a Segunda Guerra Mundial começou com a invasão da Polônia pela Alemanha nazista, em 1939, com a mobilização de forças militares equipadas e numerosas, teremos que reconhecer que a própria concepção de guerra entre as nações mudou significativamente.

Caso Master escala pela gravidade e nonsense. Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Se despertasse hoje de sonos intranquilos, como seu personagem, Franz Kafka, um dos mestres do absurdo, morto em 1924, se sentiria superado pela realidade. No Brasil, pelos desdobramentos do caso Master. Na cena mundial, pelos arroubos de Donald Trump.

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”. A antológica abertura de “A metamorfose”, de Kafka, rompe com a normalidade, tal qual recentes decisões do ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master, que desafiam a razão. Uma delas soou absurda ao ponto do procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedir a reconsideração.

Tarcísio no aquecimento. Por Vera Magalhães

O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, começou 2026 no aquecimento. Deixado no banco pelo técnico Jair Bolsonaro, demonstra ter ficado descontente com a escalação do time da direita para as eleições e tem dado corridinhas ao lado do gramado para, se chamado, entrar em campo.

Ainda em novembro, Tarcísio publicou em suas redes o vídeo de uma fala sua no evento de um grupo privado de educação em que lançou a ideia de que o Brasil precisava “trocar de CEO” para crescer e aproveitar seu potencial numa série de áreas que ele listou em alta velocidade, de terras-raras a energia limpa. Ali, Jair ainda não tinha indicado o filho Flávio como seu candidato — isso só veio a ocorrer no início de dezembro. Mas o governador de São Paulo resgatou o vídeo há dois dias, justamente quando uma pesquisa do Ideia para o canal Meio o apontou como o pré-candidato de direita mais competitivo para enfrentar Lula.

Polarização como espelhamento. Por Pablo Ortellado

O Globo

Espelhamos nossa percepção do adversário e os vemos como ameaça existencial

Um dos resultados mais surpreendentes da pesquisa sobre polarização política é o espelhamento. Quem é muito de esquerda ou muito de direita distorce a percepção dos adversários, imaginando que são a negação de si mesmos. Isso parece acontecer por um mecanismo cognitivo que nos leva a perceber o outro como muito diferente porque nos tornamos muito iguais.

Caso Master é iceberg que ameaça confiança institucional no país. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Não há “caso pequeno” quando o caminho do dinheiro se mistura ao poder. O detalhe institucional mais sensível talvez tenha sido a disputa sobre a custódia das provas

As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC), em novembro, transformaram um caso bancário em um teste de resistência institucional do Brasil. Não se trata apenas de apurar uma fraude financeira — que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descreveu como possivelmente a “maior fraude bancária” do país —, mas de medir até que ponto os pilares que sustentam a economia continuam protegidos contra pressões políticas, atalhos jurídicos e redes de influência, que rondam os tribunais superiores do país, inclusive o Supremo Tribunal federal (STF).

Inteligência artificial na política: fake news ou a nova sátira digital? Por Roberto Fonseca

Correio Braziliense

Charges, caricaturas, programas humorísticos e paródias audiovisuais cumprem o papel de tensionar o poder, expor contradições e provocar reflexão. A inteligência artificial, nesse sentido, apenas amplia o repertório estético disponível, permitindo encenar críticas ácidas ou narrativas elogiosas com um grau de realismo que impressiona e engaja

Em tempos de celebração das vitórias do cinema nacional no Globo de Ouro, voltou a viralizar, nesta semana, um vídeo publicado no fim do ano passado sobre o Brasil Awards 2025. Trata-se de uma peça satírica que simula uma luxuosa cerimônia de premiação fictícia, gerada por inteligência artificial. Em um teatro sofisticado, apresentadores bem vestidos anunciam categorias como se fosse um grande evento internacional.

O que esperar das eleições. Por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Os candidatos poderiam se antecipar e propor as reformas necessárias. Empurrar com a barriga é muito perigoso, apesar de mais confortável

Apesar de acontecer tão longe do Brasil, a convulsão popular no Irã talvez possa trazer algo que os ingleses chamam de alimento para pensar.

Já houve grandes manifestações no país, como o Movimento Verde (2009) e Mulheres, Vida e Liberdade (2022). Ambos foram massacrados pelo regime teocrático, que agora se vê diante de uma juventude irada e de um contexto geopolítico mais desfavorável: pressão de Israel e dos Estados Unidos.

STF, não mate o mensageiro! Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Atos do STF e do TCU remetem a Bolsonaro, que perseguia quem investigava

Não há uma campanha contra o Supremo ou o Judiciário, como parte dos ministros responde à avalanche de críticas a cada nova decisão surpreendente de um deles que é apontada, não só por adversários do mundo político, mas no próprio ambiente jurídico, como “autodefesa”, “atuação em causa própria”, “corporativismo” e “abuso de poder”.

O que há são boas razões para perplexidade e desaprovação diante, por exemplo, do inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar o suposto vazamento de dados de familiares dele e de outros ministros por parte da Receita Federal e do Coaf.

Toffoli e os riscos de um ‘juiz investigador’. Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Nos últimos desdobramentos do caso do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli esteve a ponto de cruzar uma linha complicada na ação penal do Banco Master.

Existe uma diferença sensível entre o juiz supervisor de um caso, que garante os direitos fundamentais dos envolvidos – autorizando ou não buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário e até prisões – de um “juiz investigador”.

Enfim, o acordo Mercosul-UE será assinado. Por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

O acordo é um contraponto à iniciativa individualista e protecionista de Donald Trump com seu tarifaço

Depois de 25 anos de tratativas, vamos ver se a assinatura virá mesmo. E mesmo com ela há um caminho a percorrer antes de entrar em vigor. Em particular, precisa ser aprovado pelos parlamentos dos diversos países, e na Europa, a França tem se destacado na posição contrária, conforme defendida pelo presidente Macron. Mas esperase que seja aprovado pela maioria. Isso será suficiente.

Sobre o assunto, o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, deu uma interessante entrevista a este jornal, publicada em 13/1 (B6), na qual respondeu a inteligentes perguntas da repórter Célia Froufe. Costa, diplomaticamente, não fez referências a Donald Trump, mas ressaltou que o acordo veio num bom momento, pois traz uma mensagem em favor do multilateralismo, do livre comércio e do diálogo ante o unilateralismo e suas tensões, como no caso do tarifaço imposto pelo presidente Trump – digo eu.

Comércio exterior do Brasil: resultados históricos e ótimas perspectivas. Por Geraldo Alckmin

Folha de S. Paulo

Acordo Mercosul-UE será o maior do mundo, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB

Brasil pode avançar quando combina empresas competitivas, expande produtividade e celebra acordos que abrem mercados

Após um 2025 de recordes para o comércio exterior do Brasil, iniciamos 2026 com ótimas notícias. O acordo Mercosul-União Europeiaaprovado pelo Conselho do bloco europeu, será finalmente assinado. Este será o maior acordo do mundo entre blocos comerciais, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB e gerando inúmeras oportunidades para o Brasil. A orientação do Governo brasileiro prevaleceu e as alterações mais recentes, fruto de negociações, aprimoraram o acordo em defesa dos interesses do Mercosul.

Quem vai falar com Toffoli? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Encontro juntou cúpula do governo, PF, Banco Central, PGR e Alexandre de Moraes, do STF

Dias Toffoli altera várias vezes decisão sobre análise de dados colhidos pela PF no caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira reunião para tratar de combate ao crime organizado. Oficialmente, o objetivo do encontro seria o de pensar modos de azeitar a coordenação entre Receita FederalPolícia FederalBanco Central, Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República, Justiça etc.

Na área de segurança, uma iniciativa de Lula 3 que tem dado certo, talvez a única, é o programa de asfixiar as finanças dos criminosos, ainda no início, mas que também já expôs a Reaggestora de fundos e rolos, do PCC ao Master. Uma iniciativa da Fazenda, aliás. Fernando Haddad estava na reunião.

Prisão de Bolsonaro deixou esquerda e direita sem foco. Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Há no ar uma nostalgia da polarização épica, que cedeu terreno para temas ocasionais e dispersão dos dois lados

À espera da eleição, esquerda erra sobre Irã e jornalismo, enquanto bolsonaristas atacam 'O Agente Secreto'

Como se sabe, a prisão de Jair Bolsonaro foi o ponto culminante da polarização entre esquerda e direita que se seguiu à eleição de Lula em 2022. Os sinais de uma trama golpista, que se avolumaram e ganharam mais evidência com a barbárie do 8/1, foram alvo da Polícia Federal, com posterior denúncia da Procuradoria-Geral da República e julgamento do Supremo Tribunal Federal.

Foram anos de enfrentamento em todas as frentes políticas, com acirrada guerra de posições nas redes sociais, na mídia e nas ruas. Não preciso rememorar aqui, todos assistimos ao show.

STF deveria fugir até do logotipo do Master. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Inquérito de fraudes bilionárias do banco se tornou uma batata quente

Corte poderia reduzir desgaste devolvendo caso à primeira instância

caso Master virou uma batata quente para o STF. O melhor caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira instância.

O motivo pelo qual a investigação tramita no Supremo é, afinal, fragilíssimo: o material apreendido pela Polícia Federal traz documentos relativos a um negócio imobiliário jamais concluído em que o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) figura como parte. Não há, por ora, sinais de que o parlamentar esteja envolvido em malfeitorias e, se no futuro descobrirmos que está, seria viável desmembrar o processo e remeter ao STF só as acusações atinentes ao deputado.

O precipitado descarte de Tarcísio. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governador de São Paulo bem avaliado é ativo eleitoral a ser valorizado sob quaisquer circunstâncias

Com Bolsonaro preso, Eduardo cassado e Flávio rejeitado, o clã do ex-presidente não está em situação confortável

Alguma coisa não está batendo bem nesse descarte de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato à Presidência.

O movimento parte dos filhos de Jair Bolsonaro (PL), não tem o apoio de Michelle e é encampado pelo presidente do PP, mas dos outros partidos de oposição não se ouviu até agora um pio a respeito.

Oh, não, mais uma coluna sobre Bolsonaro! Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Impossível esquecê-lo; não há dia em que não se queixe de alguma coisa

Ler e comentar livros para diminuir a pena, só se for oralmente, para que ninguém leia e comente por ele

Não, não é você que está dizendo. Sou eu mesmo. Sei muito bem que prometi nunca mais escrever sobre Bolsonaro depois que ele fosse preso. Mas, enquanto não se esgotarem as possibilidades de recursos e sua sentença não passar em julgado, Bolsonaro não estará tecnicamente preso. Neste momento, cumpre apenas prisão preventiva numa suíte de 12 metros quadrados na Polícia Federal de Brasília —poderia estar fazendo isso em casa se não tivesse tentado arrancar a tornozeleira e fugir para Buenos Aires, onde seu colega Milei garantiu-lhe asilo no armário de vassouras da Casa Rosada. Portanto, mesmo a contragosto, ainda estou sujeito a conspurcar esse espaço com seu nome.

La derecha abusa impúdicamente de la mentira como estrategia política. By Fernando de la Cuadra

Clarin (Chile)

Hace algunos años atrás, alertábamos sobre el uso y abuso de la mentira en la política que realiza la derecha y, especialmente, la ultraderecha (La mentira como forma de acción política). Podríamos hacer un largo inventario de mentiras que se han difundido en este último periodo por parte de los representantes de la extrema derecha en Brasil y en el mundo. En efecto, la versión conservadora radical de la derecha ha venido utilizando la mentira no solo para engañar a los ciudadanos y electores, sino que sobre todo lo ha hecho con la finalidad de perturbar los hechos, construir una realidad paralela y desarticular a los adversarios.

Tal como nos advierte el sociólogo brasileño Jessé Souza en su libro El pobre de derecha, “la mentira es un arma de guerra utilizada no solamente contra el enemigo de ocasión, sino con la finalidad de adolecer a la sociedad como un todo, llevándola a un estado de guerra latente y así quebrar todos los acuerdos morales implícitos sobre los cuales se apoya la vida social”. No se trataría en este caso de un simple recurso marginal, sino de una técnica sistemática de dominación simbólica.

Poesia | Façam Silêncio, de Pablo Nerud

 

Alceu Valença - Hino do Galo da Madrugada (José Mário Chaves)

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Investida contra Banco Master deve ir até o fim

Por o Globo

Investigação não pode esmorecer — e deveria tramitar da forma mais transparente possível

As autoridades não podem baixar a guarda nas investigações que apuram as suspeitas de fraudes que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Com autorização do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira a segunda fase da Operação Compliance Zero em endereços ligados a Vorcaro, a seus parentes e a outros empresários. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e sequestrados ou bloqueados bens e valores de mais de R$ 5,7 bilhões. A investigação precisa ir até o fim — e deveria tramitar da forma mais transparente possível, e não sob sigilo.

Ideias de Haddad na saída do cargo. Por Míriam Leitão

O Globo

Perto de deixar a pasta, ministro faz balanço da gestão, responde às críticas fiscais, fala sobre Banco Master e sucessão no Ministério da Fazenda

O ministro Fernando Haddad disse que, apesar de o caso Master ser assunto do Banco Central, acabou afetando também a Fazenda de diversas formas. Numa delas, o ex-presidente da CVM foi à casa dele relatar as pressões que estava sofrendo, e Haddad levou o tema ao procurador-geral da República. Afirmou que um terço do Fundo Garantidor de Crédito é formado por aportes de dois bancos públicos, Caixa e Banco do Brasil. Além disso, tem questões tributárias. “O risco é de um banco comprar o outro só para usar o prejuízo fiscal que poderia ser de dezenas de bilhões de reais”. Por fim, com o estouro do caso Carbono Oculto, o tema passou a envolver diretamente seu ministério.

O bolso e a religião. Por Julia Duailibi

O Globo

Evangélicos de menor renda foram os que menos apoiaram Bolsonaro, os de renda maior foram os que mais apoiaram

A pesquisa Quaest divulgada ontem mostra que o governo Lula não melhorou a aprovação entre os evangélicos, mesmo depois de sinalizações como a edição do decreto reconhecendo a cultura gospel como manifestação cultural e a indicação de Jorge Messias, integrante da Igreja Batista Cristã, para o STF. De acordo com a pesquisa, 64% desaprovam o governo, ante 31% que o aprovam. Em setembro, os números eram um pouco melhores para Lula: 61% contra 35%.

As nuvens no horizonte de Lula. Por Paulo Celso Pereira*

O Globo

Presidente não tem conseguido transformar as conquistas da vida real em crescimento expressivo de popularidade

O ano eleitoral começou com o presidente Lula colhendo boas notícias da vida real: a inflação voltou à meta, a renda do trabalho aumentou, e o desemprego atinge mínimas históricas, assim como a desigualdade e a miséria. A pesquisa Quaest divulgada ontem trouxe outras percepções do cotidiano das famílias para animar sua militância: pelo segundo mês consecutivo, a percepção de que a violência é o maior problema do país vem perdendo força, e cresce a expectativa de que a economia vá melhorar nos próximos 12 meses.

Perder ganhando. Por Merval Pereira

O Globo

Bolsonaro teme que Tarcísio não seja tão fiel quanto precisa que seja, que faça composições que não lhe agradem

Em política, muitas vezes é melhor perder do que ganhar. É preciso saber contra quem lutar, e a favor de quem. O que parece bom para a maioria dos eleitores pode não ser para os desígnios de seu líder. Parece ser o que acontece com a escolha, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de seu filho Flávio para substituí-lo na disputa presidencial deste ano. As indicações das pesquisas de opinião favorecem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que fica em empate técnico com o presidente Lula num hipotético segundo turno.

Lula mostra resiliência e Flávio inviabiliza articulação da terceira via. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A distância entre Lula e Tarcísio diminuiu de 10 pontos (45 x 35) para 5 pontos (44 x 39), mas o governador paulista não tem apoio de Bolsonaro para ser candidato.O nome dele é Flávio

A pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem consolidou o que meses atrás parecia apenas um ruído de pré-campanha: Flávio Bolsonaro (PL) tornou-se o principal nome da oposição no primeiro turno das eleições de 2026. Não é apenas um crescimento linear nas intenções de voto, na verdade, trata-se de um rearranjo do campo adversário ao governo, no qual o bolsonarismo deixa de ser apenas uma memória eleitoral e volta a operar como centro de gravidade político, capaz de organizar o voto antipetista e, ao mesmo tempo, comprimir a direita “não bolsonarista”.

Pesquisa mostra consolidação de Flávio como adversário de Lula. Por César Felício

Valor Econômico

Levantamento também mostra força das redes sociais, principal fonte de informação para 39% dos entrevistados

primeira pesquisa Genial/Quaest de 2026 mostra uma consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal alternativa da oposição e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparentemente no teto da sua avaliação e intenção de voto.

Lula oscila entre 35% e 40% nos diversos cruzamentos e cenários do primeiro turno e entre 43% e 46% nos de segundo turno. Lidera sempre, mas não pode ser descrito como favorito para a eleição porque sua rejeição permanece em 54%, mesmo percentual da rodada passada.

A agenda econômica da sustentabilidade. Por Jorge Arbache

Valor Econômico

Choques geopolíticos colocaram essa agenda em segundo plano, mas ela inevitavelmente voltará ao centro por forças microeconômicas e pela intensificação dos riscos climáticos

Nos últimos anos, a agenda econômica da sustentabilidade parecia ter se consolidado como um dos eixos centrais do capitalismo contemporâneo. Energias renováveis, veículos elétricos, baterias, hidrogênio, economia circular e finanças verdes ganharam espaço nas decisões de investimento, nas políticas públicas e nas estratégias corporativas. A combinação entre regulação, inovação tecnológica, pressão social e abundância de capital criou uma trajetória de expansão que muitos interpretaram como irreversível.

UE–Mercosul: celebração agora, mais problemas depois. Por Assis Moreira

Valor Econômico

Opositores ao acordo continuam mobilizados e podem atrasar implementação dos compromissos

A hora é de celebrar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, após 26 anos de negociações. Problemas para sua implementação, porém, começarão a partir da semana que vem.

Em meio a de divisões internas entre os europeus, alguns fatores podem complicar o futuro daquele que pode se tornar o maior tratado comercial já assinado pelo bloco de 27 países — e que ajudaria suas empresas a diversificar mercados em um cenário de tensões com os Estados Unidos e a China.

Os homens probos do andar de cima. Por Nelson Niero

Valor Econômico

Mesmo que o governo mantivesse suas contas sob controle, os gestores teriam antecipado o pagamento de dividendos da mesma forma, porque a função deles é dar o melhor destino para os recursos da empresa, e não fazer política pública

O sinal foi a aprovação no fim de novembro da lei que taxou em 10% os dividendos, como compensação para isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Nunca antes na história deste país se viu uma corrida tão disputada entre as empresas para distribuir os lucros aos acionistas.

Em alta velocidade, advogados e consultores tributaristas e societários foram convocados para aplicar as estratégias que já vinham sendo montadas pelas companhias, tanto de capital aberto quanto fechadas, para antecipar a remuneração antes da entrada em vigor da lei.

Contexto que viabilizou a ‘frente ampla’ não existe mais. Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

“Sem uma ameaça crível à democracia e sem disposição do próprio presidente para acomodar interesses e visões fora de seu campo histórico, a tentativa de reeditar aquela coalizão em 2026 soa menos como estratégia política e mais como nostalgia eleitoral”

Voltou a ganhar força a ideia de que, diante de riscos políticos e geopolíticos elevados, a esquerda deveria reeditar uma ampla frente democrática sob a liderança de Lula nas eleições de 2026. A tese se ancora no sucesso eleitoral de 2022, quando uma coalizão excepcional conseguiu derrotar Jair Bolsonaro. O problema é simples e incontornável: o contexto que viabilizou aquela aliança não existe mais.

Escolhas do passado. Por William Waack

O Estado de S. Paulo

O Brasil tem pouco a dizer e por isso mesmo é pouco ouvido em duas crises atuais que envolvem o País, Venezuela e Irã. A voz sem eco de uma potência média com escassa capacidade de projeção do poder é um fenômeno acentuado por escolhas de um passado não tão distante.

No caso da Venezuela foram escolhas ideológicas de Lula e sua assessoria internacional. Cuba e o “socialismo do século 21” chavista exerceram sobre o núcleo duro da política externa de Lula um fascínio traduzido em apoio político e econômico – que Maduro, curiosamente, retribuiu com pontapés.

Caso Master racha o STF. Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O avanço nas investigações sobre as fraudes do Banco Master rachou o Supremo Tribunal Federal (STF). No epicentro do caso, Dias Toffoli se destaca como o relator salpicado pelo escândalo. Alexandre de Moraes também faz uma ponta no caso. Nos bastidores, ministros da Corte se dividem entre críticas e aplausos à dupla.

Em caráter reservado, um ministro avalia que condutas adotadas por Toffoli comprometem a credibilidade do tribunal. O relator impôs elevado grau de sigilo à apuração, pegou carona em um voo particular com um advogado da causa, determinou acareação de investigados durante o recesso e mandou entregar itens apreendidos no STF.

Comitê põe em xeque o pacto federativo. Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Será preciso, no ano que vem, restabelecer as bases do pacto federativo e garantir a cada ente o controle dos seus próprios tributos

A Emenda Constitucional (EC) n.º 132/2023 instituiu o novo sistema de tributação do consumo. Em diversos artigos publicados no Estadão, apontei os riscos de se adotar um imposto de duas cabeças. Não pela parte que caberá à União, a chamada Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), mas relativa ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a cargo dos Estados e municípios. A promulgação da lei complementar que institui o Comitê Gestor desse tributo, na terça-feira, deu a largada em um processo que abalará o pacto federativo.

O Brasil ante o caos mundial. Por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Especialistas vaticinaram um período de grande volatilidade nas relações entre países

Existem estados intermediários, como o Brasil, com aspirações internacionais próprias

Não há como exagerar a capacidade de Donald Trump para espalhar a destruição dentro e fora das fronteiras dos EUA. Tampouco cabe subestimar a disposição e os recursos com os quais conta para investir contra a democracia em seu país e contra as regras que tratam de conter o uso da força bruta nas relações internacionais.

Onde tudo isso vai dar ninguém sabe ao certo e a experiência passada não ajuda lá essas coisas. O mundo de hoje é mais conectado pelo comércio, investimentos, finanças, as comunicações e o movimento de pessoas.

Os influenciadores do Banco Master e do Tarcísio. Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Não é de se espantar que redes digitais de influência sejam procuradas ou para espalhar desinformação ou para fazer propaganda disfarçada

A estratégia investigativa de refazer o caminho do dinheiro para verificar eventuais ilegalidades é prejudicada pela teia de intermediários contratuais neste mercado

No mundo invertido em que os três maiores jornais do país somam menos de 1,5 milhão de assinantes digitais enquanto perfis de fofoca nas redes sociais ultrapassam, alguns deles, 25 milhões de seguidores, não é de se espantar que redes digitais de influência sejam procuradas ou para espalhar desinformação ou para fazer propaganda disfarçada de notícia. Os casos do governo Tarcísio de Freitas e do Banco Master mostram a dificuldade de se escrutinar o mercado digital da influência e, em especial, quem paga por ele.

Depois da pressão no BC, Toffoli escolhe a PF como alvo. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Ministro do STF dá um pito público na corporação ao exigir explicações em 24 horas do chefe da polícia

Não surpreende que tenha muita gente bem-informada do caso em Brasília que veja nos recentes movimentos do ministro o início de uma virada

O ministro Dias Toffoli resolveu dar um pito público na Polícia Federal ao exigir explicações em 24 horas do chefe da corporação, Andrei Rodrigues, por uma alegada demora no cumprimento dos prazos determinados por ele para colocar na rua a 2ª fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes praticadas pelo banco Master.

Criação do rolo do Master precisou de muito criminoso que ainda está no armário. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Fraudes com fundos de investimento exigiam consultoria técnica especializada

Há mais Reags e fundos podres por aí? CVM tem condição técnica e política de operar?

Certos negócios do Banco Master e suas ramificações são complicados até para quem trabalha no mercado financeiro. Não se trata aqui de estratégias geniais de investimento, mas de conhecimento técnico de como fazer mágicas e milagres para driblar a regulação, inflar dinheiros ou fazê-los desaparecer em uma cartola.

Não é coisa de amador pequeno, Quem são? Talvez venhamos a ter algumas respostas, agora que o empresário Nelson Tanure entrou na rede da investigação.

Leblon de Manoel Carlos. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Para alguns leitores, é o bairro da futilidade; para seus moradores, é quase uma província

É também o refúgio dos escritores; aqui já fui vizinho de Callado, Rachel, João Ubaldo, Rubem Fonseca

De seus 92 anos de bonita vida, encerrados no sábado (3), Manoel Carlos morou 60 no Leblon. Digo bonita porque dedicou-a a gerar pessoas em sua imaginação, soprar-lhes alma e botá-las para andar, amar, sofrer, trabalhar, ter prazer e morrer —enfim, o receituário comum ao ser humano. Tudo isso num veículo que ele ajudou a tornar respeitável: a novela de TV. E, desde que morador do Leblon, nunca situou suas histórias em outro cenário.