sexta-feira, 15 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PF tem o dever de investigar a fundo elo Flávio-Vorcaro

Por O Globo

Mensagens revelam proximidade do senador e pré-candidato do PL com o pivô do escândalo Master

Depois dos fatos revelados nos últimos dias, é dever das autoridades aprofundar as investigações sobre os elos entre o senador fluminense Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Mensagens demonstram uma proximidade incomum entre o senador da República e o banqueiro conhecido pela generosidade financeira com que promovia seus interesses em Brasília.

Em áudio, Flávio pede a Vorcaro dinheiro para financiar “Dark Horse” (Azarão), filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Há indícios de que as remessas tenham começado em 2025. Entre fevereiro e maio, foram transferidos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) de um total de US$ 24 milhões, segundo reportagem do Intercept Brasil. Nas mensagens em que discutem pagamentos, os dois se tratam por “irmão”.

Era vidro e se quebrou? Por Vera Magalhães

O Globo

Senador apresenta versões conflitantes, expõe fragilidade e evidencia amadorismo de seu entorno diante de revelação de pedido de milhões a Vorcaro

Em pouco mais de 24 horas, Flávio Bolsonaro já apresentou três versões diferentes para explicar as conversas em que, em tom para lá de camarada e subserviente, pede a bagatela de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, já enrolado com as investigações sobre o que até então eram muitos indícios de fraudes cometidas pelo Banco Master.

A última atualização da justificativa foi feita na entrevista ao vivo que concedeu aos jornalistas Malu Gaspar, Julia Duailibi e Octavio Guedes ontem na GloboNews. Os dois eixos principais foram: 1) negar que o dinheiro efetivamente repassado por Vorcaro tenha sido usado para custear a estadia de seu irmão Eduardo nos Estados Unidos; e 2) dizer que não revelou antes ter mantido contato com Vorcaro em razão de um contrato de confidencialidade.

Sem meia conversa, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Próximas pesquisas medirão impacto de diálogos e pedido de dinheiro a Vorcaro

Com a palavra, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL: “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. O irmão era Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e pivô do maior escândalo de fraude bancária do país. A luz que o senador pedia era dinheiro: uma bolada de R$ 134 milhões, a pretexto de financiar um filme sobre o pai.

As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram mais do que uma negociação entre um parlamentar e um banqueiro acostumado a comprar autoridades. Evidenciam uma relação próxima, embalada por juras de afeto e fidelidade. Os dois se tratavam como amigos, combinavam encontros e trocavam imagens de visualização única. Sabiam que o teor dos diálogos precisava ser guardado em segredo.

Flávio Bolsonaro, o candidato Ypê, por Pablo Ortellado

O Globo

A explicação não colou muito — ainda —, mas acredito que seja apenas questão de tempo

A quarta-feira foi marcada pelo terremoto da revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para realizar um filme sobre o pai. Em tempos normais, uma revelação dessa magnitude teria o poder de destruir uma candidatura presidencial. Um candidato recebe dezenas de milhões de um banqueiro que fraudou o sistema financeiro e corrompeu todo o sistema político brasileiro. Seria devastador.

Mas não vivemos tempos normais. Vivemos tempos em que uma fiscalização da Anvisa encontra contaminação em produtos domésticos de limpeza e gera uma reação de solidariedade porque os proprietários da empresa são bolsonaristas — e uma fiscalização que autua a empresa só poderia ser perseguição política.

Gravação gera crise na campanha de Flávio. Michelle é alternativa, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Houve reação em cadeia sobre as relações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro e há controvérsias sobre a real destinação dos recursos do Master

Os áudios de Flávio Bolsonaro (RJ) pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro, instalaram uma séria crise na campanha do candidato a presidente do PL. Segundo a colunista Ana Maria Campos, da coluna CB.Poder, colega aqui do Correio, abertamente ou nos bastidores, até mesmo aliados retomam a discussão sobre a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) assumir o seu lugar na disputa pela Presidência.

As gravações que vieram a público após reportagem do site The Intercept Brasil revelaram conversas em que Flávio cobra Vorcaro por repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente. E provocaram uma reação em cadeia sobre suas relações com o ex-banqueiro, além de informações desencontradas sobre a destinação de recursos para a produção do filme.

O peso eleitoral dos áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, por Roberto Fonseca

Correio Braziliense

O tom de "súplica" em mensagens e a proximidade com o Banco Master colocam o discurso moral do bolsonarismo à prova 

Faltam 142 dias para o primeiro turno das eleições. São 20 semanas pela frente. Em um ambiente político marcado pela radicalização, é razoável imaginar que este seja apenas o começo de uma temporada de denúncias, vazamentos, operações policiais e guerras de narrativa. O que vimos nos últimos dias, com a repercussão do caso Ypê e, principalmente, das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, parece funcionar como um prenúncio do que estará no centro da disputa eleitoral até outubro.

Conversa de chefes de Estado, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Lula e sua equipe não foram a Washington em nome da Guerra Fria. Mas em nome de uma concepção de desenvolvimento econômico com desenvolvimento social

O encontro do presidente Donald Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ponto de vista sociológico, tem especial importância porque foi claramente um encontro de chefes de Estado.

O reiterado empenho de diferentes agentes de conspiração contra a democracia, lá e aqui, pela banalização tanto da figura de Trump quando da figura de Lula, está ficando cansativa. É claramente uma forma golpista de esvaziamento do processo político, de modo a reduzi-lo à alternativa do único. No fim das contas, os envolvidos nessa atividade golpista têm atuado no sentido de minimizar e usurpar as funções próprias do Estado.

Em cartaz: Corra que a Polícia Federal vem aí! Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Cúpula do PL sabe que a revelação dos laços de Flávio com Vorcaro coloca em xeque o projeto presidencial, mas decide testar resiliência do pré-candidato

E por falar em cinema, outro sucesso de bilheteria é o sugestivo “Corra que a Polícia vem aí!”, comédia pastelão que, entretanto, ao invés de risos, vem provocando lágrimas em parte do público de Brasília. Nas telas ou nas ruas, a história recente mostra que a Polícia Federal (PF) em ação tem força para abalar ou, até mesmo, sepultar candidaturas.

Um dos personagens mais populares desse roteiro foi o “Japonês da Federal”, o temido agente Newton Ishii, que ganhou fama, nos tempos da Lava-Jato, ao escoltar presos célebres da investigação, como o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-deputado Pedro Corrêa, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Ele chegou a virar máscara e inspirar marchinhas no Carnaval de 2016: “Ai meu Deus, me dei mal, bateu na minha porta o Japonês da Federal”.

Prisão eleva pressão por delação ampla, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Até agora, Daniel Vorcaro ofereceu menos do que os investigadores da PF já sabem

Com a prisão preventiva do pai, Henrique Vorcaro, aumentou muito a pressão sobre Daniel Vorcaro. Se quiser livrá-lo da cadeia, o ex-dono do banco Master vai ter de oferecer muito mais do que tem colocado até agora na mesa.

Preso desde novembro do ano passado, Vorcaro vem negociando com as autoridades uma delação premiada – sem sucesso. Até agora, ofereceu menos do que os investigadores da Polícia Federal já sabem.

A legislação brasileira veda a prisão de parentes para forçar alguém a delatar. O problema para Vorcaro é que esse está longe de ser o caso. O pai ficou tão envolvido quanto ele na trama criminosa.

Mais um subsídio à gasolina, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Esse truque eleitoral estimula o consumo de gasolina, em vez do uso racional, e ainda cria distorções

A nova subvenção aos preços da gasolina e do óleo diesel tem o já conhecido objetivo eleitoral. Destina-se a evitar que a alta de preços se transfira para o custo de vida e, daí, para o estado de espírito do consumidor. Mas produz consequências e algumas distorções.

A liberação de até R$ 0,89 por litro de gasolina é uma boa mesada para quem usa automóvel. Como utiliza recursos públicos, não deixa de ser uma conta a pagar, que é transferida para o resto da população, principalmente para os mais pobres, o que contraria a política propalada pelo governo Lula.

Conversa com Vorcaro encerra lua de mel de Flávio e pode ser fatal para campanha, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Senador perde a carta do combate à corrupção, que vinha usando contra Lula

Crise ocorre em meio a vitórias políticas do presidente

Os diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcarorevelados pelo site Intercept Brasil, jogaram a campanha do senador em uma crise que pode ser fatal.

Publicamente ninguém admite, mas nos bastidores muitos dos aliados do senador têm dúvidas de que ele conseguirá se manter na disputa presidencial.

O nome de Michelle Bolsonaro começou a ser mencionado como uma possível substituta. Alguns acham até que o PL não deveria ter candidato e apoiar Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.

Por enquanto, Flávio se mantém no jogo, mas o impacto das mensagens é desastroso, e por vários motivos.

Primeiro, acabou a fase de Flávio nadar de braçada, apenas explorando os erros de Lula, que era o que vinha acontecendo até aqui. Essas revelações ocorrem num momento em que o presidente começa a sair das cordas, com uma série de notícias positivas. Ele teve um bom encontro com Trumpanunciou o novo Desenrola e o fim da taxa das blusinhas, por exemplo.

Bolsonaristas se enrolam sobre o rachadão do dinheiro de Vorcaro e elite amiga se finge de morta, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Dinheiro de Vorcaro viajou para fundo amigo nos EUA antes de chegar a filme, diz Flávio

Elite espera para ver se história cola e se pode ignorar outro escândalo dos Bolsonaro

A esta altura, qualquer pessoa que não bebe detergente notou que há um rinoceronte putrescente nas contas dos empreendimentos artísticos dos Bolsonaro e turma. Quem embolsou o dinheiro do mecenas Daniel Vorcaro?

Pode ser fichinha o fato de que Flávio Bolsonaro tenha omitido sua fraternidade com Vorcaro, como criticam seus indignados aliados, do centrão aos evangélicos políticos da direita (ah, coitados). Remendos de explicações nesta quinta (14) apenas ressaltaram suspeitas sobre a viagem do tutu.

A elite política que embarcara nessa nau de insensatos e perversos está quase quieta. Primeiro porque teme levar outra rasteira dos Bolsonaro, contumazes em largar amigos e feridos pelo caminho. Isto é, ainda não sabe como mentir sobre o assunto. Segundo, vai esperar para ver se cola a conversa dos Bolsonaro, se eles não ficam estropiados nas pesquisas. Por fim, vai calcular se o custo de pular na água supera o risco de permanecer na barca bolsonarista, pois por ora há apenas canoinhas eleitorais alternativas, como as de Ronaldo Caiado ou de Romeu Zema.

Eventual saída de Flávio é boa notícia para lideranças evangélicas, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Michelle e grandes pastores poderão entrar de cabeça na corrida

Tarcísio era preferido, agora eles avaliam apoiar Zema ou Caiado

As principais lideranças evangélicas do país avisaram. Bateram o pé. Flávio é o nome mais vulnerável para representar o bolsonarismo na eleição presidencial. Foram ignorados.

Malafaia foi o mais direto. Em janeiro, disse que Flávio não tinha "musculatura" e que o anúncio da candidatura foi um "amadorismo político". Falou ainda que Flávio "arrancou" a candidatura do pai fragilizado na prisão, sem consultar o partido nem as lideranças do campo.

Com o crescimento do apoio a Flávio nas pesquisas, ele e outras lideranças de grandes denominações ficaram no compasso de espera. Denúncias como esta cobrariam um preço reputacional de quem se aproximasse cedo demais.

Conversa com Vorcaro atropela Flávio Bolsonaro e abala direita, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Divulgação de áudio retira Lula do aperto causado pela rejeição de Jorge Messias

Flávio, em tese, poderá ser trocado por alguém mais capacitado, mas Zema e Caiado dificilmente serão protagonistas

Veio como um terremoto a revelação de um áudio no qual o senador Flávio Bolsonaro pede milhões de reais ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar a cinebiografia de seu pai. O furo do site Intercept atingiu não apenas a candidatura do senador, mas a própria perspectiva da direita na eleição presidencial.

O abalo sofrido por Flávio retira Lula do aperto causado pela rejeição de Jorge Messias, seu candidato ao STF. O petista respira aliviado. Se a recente rodada da pesquisa Quaest já havia sinalizado uma leve recuperação frente ao adversário que vinha crescendo, agora o céu desanuviou.

Flávio Bolsonaro sobe e pode cair em nome do pai, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Conversa com Vorcaro abre um baú de esqueletos com potencial para triturar a candidatura do senador

Não é privada negociação de interesses entre um congressista e um operador de escandalosa fraude financeira

Um senador da República pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai".

conversa de Flávio Bolsonaro (PL) com Daniel Vorcaro abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição. Evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda do pai ex-presidente, para ser usada na campanha eleitoral.

Invista com moderação, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

No Brasil, cerveja não é considerada bebida alcoólica e está nas telas e ruas 24 horas por dia

Na Copa do Mundo, ela se tornará uma razão de viver como se fosse impossível torcer sem beber

Os jornais andam cheios de manchetes como estas: "Em queda no mundo, consumo de álcool entre jovens prevalece no Brasil"; "Família influencia uso de álcool por adolescentes"; "Adolescentes que bebem têm livre acesso ao álcool no país"; muitas mais. Por álcool, leia-se cerveja, a bebida a que, pela monstruosa oferta e pelo alcance de seus bolsos, os adolescentes têm mais acesso. Não satisfeitos, os fabricantes se garantem para o futuro. Segundo li, estão infiltrando toques de conteúdo em seus comerciais a fim de tornar a cerveja atraente para a turma dos sub-10, para garanti-los como clientes quando tiverem idade de pedi-la no botequim —ou seja, muito antes dos 18.

Poesia | Palavra Mágica, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Toquinho, Vinícius e Quarteto em Cy - Fogo sobre terra

 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Orelha reflete valor da imprensa profissional

Por O Globo

MP concluiu que cão achado morto não foi vítima de agressão, como insistia ‘tribunal das redes sociais’.

Após longa análise, o Ministério Público (MP) de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha, achado morto no início do ano na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressão humana, como sugeria a investigação policial. Pelas evidências disponíveis, o cão morreu em decorrência de uma infecção óssea. Os erros cometidos ao longo da investigação foram graves e incentivaram a condenação pública de adolescentes injustamente acusados. Causaram prejuízos à rotina e à saúde mental deles. Por isso o arquivamento do caso não deveria encerrar o assunto. É preciso responsabilizar as autoridades que, por oportunismo, incentivaram o prejulgamento. Sobretudo, é essencial que o episódio sirva para a população entender o perigo de pensar e agir com base nos “tribunais das redes sociais” e reconhecer o papel do jornalismo profissional na busca pela verdade.

Reviravolta na eleição, por Míriam Leitão

O Globo

A revelação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pode representar um plot twist num processo eleitoral que promete ser de muita emoção

A notícia do financiamento de Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro é uma bomba com poder de implodir sua pré-campanha. E tem essa força pelo volume de dinheiro para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, pelos abundantes diálogos em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro, pela exibição de intimidade com o banqueiro das falcatruas, pelas mensagens de visualização única e pela incapacidade do senador de reagir quando tudo foi revelado. Ele deu resposta fraca. Na verdade não seria um filme sobre um personagem qualquer, mas sim uma peça da campanha eleitoral.

Sangria de Flávio é dúvida até eleição, por Julia Duailibi

O Globo

Senador passou por rachadinhas e relações com a milícia, e aí está, competitivo nas pesquisas

O que realmente interessa no filmegate envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é o tamanho do impacto que o escândalo terá nas intenções de voto no pré-candidato à Presidência pelo PL. A conversa entre Flávio e Vorcaro já causou estrago na largada. Fez preço ontem, com o Ibovespa fechando em queda de 1,8%, e o dólar subindo 2,3%. Site de bets fora do país mostrou diminuição das apostas numa vitória do senador, e a curva de juros futuros estressou. O dia foi chamado de “segundo Flávio Day”, em referência ao “Flávio Day” original, em dezembro, quando o lançamento de sua candidatura causou estrago por desbancar Tarcísio de Freitas, o preferido do mercado.

O Master e a carnificina eleitoral, por Malu Gaspar

O Globo

A revelação de que Daniel Vorcaro negociou com Flávio Bolsonaro (PL) pagamentos de R$ 62 milhões para um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro usando uma empresa laranja deixou toda a direita desnorteada. Na semana passada, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP), recebeu a Polícia Federal em casa em virtude da apuração que liga sua “emenda Master” a contrapartidas generosas e milionárias.

Os dois episódios machucam a candidatura bolsonarista, reforçam o rótulo “BolsoMaster” que o PT bolou para martelar durante a campanha e dão um respiro aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atingidos pelo escândalo. Mas não garantem que Lula terá sossego daqui para frente.

Desmanche de Flávio abre avenida (esburacada) para Michelle, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Candidato bolsonarista tropeça na suspeita de corrupção, quesito mais valorizado pela direita

Que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era de papel já se sabia. O que não se imaginava era que incinerasse tão cedo. A quase cinco meses do primeiro turno, ainda há tempo de seu partido emplacar outro nome. Michelle? É o estepe natural, até porque sempre pareceu menos vulnerável como candidata - e menos previsível como presidente - que o enteado.

Para pôr em pé uma candidatura, a ex-primeira-dama enfrentaria a dificuldade de encabeçar o mesmo combo de interesses reunidos em torno do senador - do marido ao Centrão, passando por investidores cuja frustração com a reportagem do “The Intercept”, na tarde desta quarta, fizeram balançar bolsa e câmbio.

Gravação de conversa com Vorcaro abala candidatura de Flávio Bolsonaro, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O sinal de que os demais candidatos sentiram cheiro de animal ferido na floresta veio do ex-governador mineiro Romeu Zema, o candidato do Novo

A divulgação do áudio da conversa entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro pode representar o início de um processo de desconstrução da imagem do principal candidato da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição. Independente da natureza jurídico do caso, que ainda não é investigado formalmente pela Polícia Federal, o episódio abre uma guerra de narrativas entre lulistas e bolsonaristas com capacidade de alterar o empate técnico entre ambos registrado por sucessivas pesquisas de opinião.

O trecho da conversa divulgado pelo portal Intercept Brasil é devastador porque mostra afetividade entre o candidato oposicionista e o personagem central do escândalo Master. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, afirmou Flávio a Vorcaro. Protagonista de um escândalo de grandes proporções, envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro, lobby político e prejuízos bilionários ao BRB, o banqueiro se tornou uma companhia muito tóxica.

Um pacto pela dívida pública, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Solucionar o problema fiscal passará por um pacto pela dívida pública que vai exigir do governo um amplo esforço de reconstruir sua credibilidade nesse tema, mas também uma maior boa vontade do mercado que adquire essa dívida

No artigo de abril, propus uma reflexão sobre um tema que dificilmente ocupará o debate eleitoral de 2026, mas certamente ocupará a agenda do próximo governo: trata-se da dívida pública e a sua contínua expansão. O último dado da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ultrapassa a casa dos 80% do PIB. Há aproximadamente um mês, quando escrevi o texto anterior, ele se encontrava em 79,4%. Em suma, a DBGG deve continuar se expandindo no horizonte próximo.

Duas perguntas devem ser levantadas sobre essa questão: primeiramente, quais as causas de uma trajetória de endividamento público tão insustentável? Em segundo lugar, como corrigir essa trajetória. Este artigo focará na primeira pergunta.

Quando a farda estapeia a beca, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A situação que se escancara diante dos nossos olhos é de outra natureza: uma agressão despropositada contra nossa autonomia, nossa tradição e nosso modo de vida

Em licença-prêmio, eu estava fora do Brasil. Recebi relatos de docentes e estudantes da minha universidade. Foi aflitivo acompanhar, de longe, tamanho ultraje contra a Universidade de São Paulo (USP).

Vou aos fatos. Na madrugada de domingo, por volta de quatro da manhã, policiais militares fantasiados de Swat arrancaram de dentro da reitoria, à força, alunas e alunos que tinham ocupado o prédio dois dias antes. Segundo depoimentos de todas as testemunhas, houve agressões gratuitas e descabidas. A desocupação se deu a tapas e pontapés. Em vídeos e fotografias que os manifestantes conseguiram fazer, vemos, num corredor polonês, cassetetes espancando jovens desarmados. Foi um ritual de aviltamento, sujeição e sadismo, com bombas de efeito moral, ou imoral. “Dezenas de estudantes foram feridos”, declarou à rádio CBN o aluno Gabriel Borges, do Diretório Central dos Estudantes. Segundo ele, “alguns tiveram de ser hospitalizados com fratura no braço, fratura no nariz”. Houve quatro prisões, ainda que por poucas horas.

Setor de fertilizantes e o desenvolvimento, por José Serra

O Estado de S. Paulo

Não podemos controlar conflitos internacionais, mas devemos reduzir seus impactos por meio de políticas de Estado, consistentes e duradouras

De cada dez habitantes da Terra, um consome alimentos produzidos no Brasil. Poucos, porém, têm consciência do complexo processo envolvido desde a produção até a comida chegar às suas mesas. Nesse ciclo, há um fator crítico: o fertilizante, cujo abastecimento global sofre forte impacto causado pela prolongada crise geopolítica enfrentada pela humanidade. Para o Brasil, que importa quase todo o adubo que consome, o cenário é muito desafiador.

Fertilizantes são o alimento da planta e, portanto, um elo essencial da cadeia do agronegócio, que tem sido a âncora do crescimento do nosso país. Lideramos as exportações globais de soja, açúcar, café, suco de laranja, carne bovina e de frango, celulose e fumo. Este ano, também assumimos a liderança no comércio do algodão e mantivemos a segunda posição com o milho e o etanol.

O que as pesquisas não dizem, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Existe um ‘humor sombrio’ no eleitorado do País que afeta também a oposição

Profissionais frios e calculistas que lidam com pesquisas de intenção de voto dizem que as eleições trarão um resultado de 52 a 48 “para alguém”. Quem? Ainda não sabem. O que eles aprenderam de recentes episódios da História é que eleições não têm automaticamente o dom de alterar “grandes correntes” que formam comportamentos. O exemplo em questão foi a vitória de Dilma em 2014 – que pouco freou o fenômeno de indignação social logo depois simbolizada pela Lava Jato (sem a qual é difícil explicar o impeachment dela).

Pistas sobre a atuação de Nunes Marques, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Relações políticas do ministro dão à direita esperança nas eleições e resignação no STF

Celebridades da música, ministros de Cortes superiores, advogados que circulam por tribunais de Brasília, políticos de diferentes matizes. Esse era o público que lotou a festa da posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Mas nem todo mundo estava lá.

Dos outros nove ministros do Supremo Tribunal Federal, apenas dois compareceram: André Mendonça, que tomou posse como vice-presidente da Corte Eleitoral, e Gilmar Mendes. É pouco e destoa de posses anteriores de integrantes do STF.

Da lista de convidados, é possível constatar que o ministro tem perfil mais político que jurídico. As amizades mais fiéis, aquelas que prestigiaram o evento, dão uma pista sobre o que esperar dele à frente do TSE e no Supremo.

Donald Trump contra os Estados Unidos, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Estudo mostra a rápida erosão do soft power da grande potência

Entre 68 países, EUA estão em 64°, à frente apenas de Irã, Afeganistão, Coreia do Norte e Israel

Em pouco mais de um ano, Donald Trump abalroou o conjunto de instituições que deram feição própria à ordem internacional liberal, criada no segundo pós-Guerra e da qual os EUA foram avalista e principal beneficiário.

Megalomaníaco, desorganizou o sistema de comércio com o tarifaço e debilitou o FMI e o Banco Mundial; paralisou o Conselho de Segurança, cerne das Nações Unidas; abandonou o Acordo de Paris, dificultando ainda mais os já penosos esforços de mitigação da crise climática. Enfraqueceu a Otan, pilar do sistema de segurança europeu; destruiu o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), substituindo a proveitosa cooperação comercial com o Canadá e o México pela ameaça à soberania dos vizinhos. Invadiu a Venezuela e sequestrou seu ditador, retomando uma prática de intervenção armada na vizinhança que se imaginava confinada ao passado. Estrangula Cuba, ao extremar um cruel bloqueio econômico a fim de derrubar o regime castrista. Em parceria com Israel, a quem apoiou no massacre de Gaza, faz agora guerra ao Irã, com consequências imprevisíveis —mas certamente nefastas— para o Oriente Médio e a economia mundial.

Flávio Bolsonaro pedia dinheiro dos fundos sujos do 'irmão' Vorcaro, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ex-dono do Master sumiu com recursos de seus credores e faz país pagar essa conta

Candidato em longa história de escândalos, mas ainda assim tem cerca de 40% dos votos

Flávio Bolsonaro é muito família. De família de golpista e de simpatizantes do golpe. É muito amigo. Muito amigo do dinheiro vivo, da boca do caixa à compra de casa grande. Foi amigo de uma família de milícias e de um pistoleiro. Ainda assim, tem perto de 40% nas pesquisas sobre a disputa da Presidência da República.

Sabe-se agora que Flávio Bolsonaro é um dos tantos amigões de Daniel Vorcaro, chefe de máfia que era proprietária de banco, o Master. É "irmão", parceiro eterno de papo reto: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", escreveu para Vorcaro quando pedinchava dinheiro, informação revelada pelo site Intercept Brasil e confirmada em parte por este jornalista. Flávio Bolsonaro, que escondeu a amizade, diz que não havia rolo. O silêncio vale ouro.

Grande centrão: Veredas, por Conrado Hübner Mendes*

Folha de S. Paulo

Voa em jato de bet até paraíso fiscal e volta com mala cheia por fora do raio-X

Vende aposentados de seu Estado em troca de relações carnais com Banco Master

"O senhor sabe: centrão é onde manda quem é forte, com as astúcias."

O centrão se transmutou. Funcionava como bloco invertebrado da governabilidade num contrato de coalizão com o Poder Executivo, assumiu papel de controlador do orçamento e de pulverização do dinheiro público. Em 2026, só quer manter esse controle, pouco importa quem se eleja. Nem que para isso ameace impeachment de ministro do STF e de presidente da República.

"Centrão é onde homem tem de ter a dura nuca e mão quadrada."

Davi AlcolumbreHugo MottaArthur Lira e Ciro Nogueira são seus operadores de maior expressão no momento. Envolvidos em escândalos de aportes suspeitos de dinheiro de aposentados no Banco Master, de mesadas do Banco Master em troca de uma "Emenda Master", de viagem em jato de bet a paraíso fiscal de onde voltam de mala cheia por fora do raio-X, sua grande obra foram as emendas parlamentares.

Flávio Bolsonaro, Vorcaro e o filme mais caro do Brasil, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Conversa é o primeiro áudio conhecido de alguma autoridade cobrando dinheiro diretamente do dono do Master

O valor do negócio acertado chama atenção e exige explicações do Flávio sobre o real destino dos recursos

áudio divulgado pelo site Intercept Brasil com uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mostra uma relação indiscutivelmente próxima entre os dois.

É o primeiro áudio conhecido de alguma autoridade cobrando dinheiro diretamente de Vorcaro. O diálogo chegou como um tsunami à campanha do pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, balançou a República e caiu como uma bomba no mercado financeiro.

O filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro cobra dinheiro do dono do Master, o brasileiro mais tóxico do momento, de quem todos os políticos querem ficar a léguas de distância, para pagar um filme que conta a história do pai.

Próximo de bandidos demais, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro disse que não responde pelas pessoas com quem tem proximidade

Por coincidência, todas essas pessoas tiveram problemas com a lei envolvendo o seu nome

Um dos efeitos imediatos da Revolução dos Cravos, que, em 1974, derrubou a ditadura que sepultava Portugal há 48 anos, foi a extinção da Pide (Polícia Internacional de Defesa do Estado), sua odiosa polícia política infiltrada em todo o país. Eu trabalhava em Lisboa na época e, como jornalista estrangeiro, devia estar na mira dos pides, como eram chamados os agentes. Caído o regime, logo começou a caça a eles e a seus informantes.

O novo governo instituiu uma recompensa a quem ajudasse a pegá-los: 100 escudos por cabeça (o escudo era a moeda nacional, ainda não existia o euro). O resultado é que as denúncias pulularam, a ponto de a Justiça ter de adotar uma prática severa: "Se denuncias um pide, ganhas 100 escudos. Se denuncias dois pides, ganhas 200 escudos. Se denuncias três pides, vais preso por conheceres pides demais." Ou seja, as pessoas respondem, sim, por aqueles com quem têm proximidade.

Poesia | A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Beth Carvalho - O que é o que é (Gonzaguinha)

 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cúpula entre Xi e Trump terá na IA um tema estratégico

Por O Globo

Não há discussão sobre Taiwan ou terras-raras que possa passar ao largo do futuro da tecnologia

Quando os líderes das duas superpotências globais se reúnem, todo o planeta é afetado. Na agenda do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na China a partir de amanhã, estarão temas inescapáveis, como o tarifaço americano ou a reabertura do Estreito de Ormuz no Oriente Médio. Qualquer consenso em torno dessas pautas teria efeitos econômicos benéficos, em especial o arrefecimento das pressões inflacionárias mundiais. Há também temas de interesse específico para o Brasil, como a possibilidade de, em troca de alívio tarifário, os chineses comprarem mais soja e carne dos americanos, em prejuízo dos brasileiros. E há, por fim, temas estratégicos, com impacto talvez menor no presente imediato, mas relevância maior num futuro não tão distante. É o caso da inteligência artificial (IA).