segunda-feira, 16 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil não está a salvo de ataques jihadistas

Por O Globo

Prisão de brasileiro que planejava atentado inspirado pelo Estado Islâmico traduz ameaça crescente

Embora até hoje não tenha havido nenhum ataque de inspiração jihadista no Brasil, isso não quer dizer que o país esteja imune. Com a facilidade de comunicação e aliciamento trazida pela internet, o terrorismo se globalizou, as iniciativas de recrutamento por grupos radicais se ampliaram, e o conflito no Oriente Médio cria um terreno fértil para a disseminação das narrativas perniciosas que tentam justificar a violência.

O elo perdido entre a máfia do INSS e o Banco Master, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Farra com consignado lesou milhões e indica que outras instituições financeiras possam ter seguido o mesmo caminho do Master

O sinal de alerta me soou lendo a coluna de Jairo Saddi, aqui no Valor. No artigo de 02/03, o advogado chamou a atenção para dados de uma pesquisa acadêmica sobre o padrão de disputas judiciais envolvendo instituições financeiras. Como o tema me interessa, fui atrás da fonte. E acabei encontrando aquele que pode ser o elo perdido entre as fraudes bilionárias da máfia do INSS e do Banco Master.

E mais: talvez seja um problema que vá além do Careca do INSS e de Daniel Vorcaro. Em vez de obras de gênios do mal, podemos estar diante de uma prática sistêmica que lesa milhões de pessoas e compromete a estabilidade do sistema financeiro nacional.

As incertezas no cenário externo e as perspectivas para a Selic, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

Mesmo com alta do petróleo, parece fazer sentido o BC começar o ciclo de cortes com uma redução de 0,5 ponto, acompanhada por um comunicado cauteloso

O cenário para a economia brasileira tornou-se mais incerto após o começo do conflito no Oriente Médio, especialmente devido à alta dos preços do petróleo. A expectativa de que a Selic, hoje em elevados 15% ao ano, cairia ao longo de 2026 até a casa de 12% a 12,5% está em xeque. Um corte de 0,5 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana passou a ser visto como menos provável por um número maior de analistas. Uma redução de 0,25 ponto ganhou adeptos, com a avaliação de que o Banco Central (BC) deverá ser mais cauteloso, existindo até quem aposte na manutenção da taxa. Cortes muito modestos da Selic ao longo do ano seriam uma má notícia, embora possa ser um desfecho necessário. Juros altos por muito tempo seguram o investimento, castigam empresas e pessoas físicas endividadas e têm um pesado custo fiscal.

Os indicadores são positivos; a sensação é negativa, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Percepção da população capta a situação real de cada um — e é isso que influencia a decisão de voto

Falta mão de obra em vários setores da economia brasileira, incluindo construção civil e agronegócio. Empresas informam ter criado benefícios especiais para conseguir contratar. A taxa de desemprego, medida pelo IBGE, está em nível historicamente baixo. Portanto o momento só pode ser favorável ao trabalhador. Mas parece que não é. Pelo menos, não para todos.

Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostrou que 50% dos entrevistados declararam estar mais difícil conseguir emprego. E 40%, que está mais fácil. O indicador macroeconômico mostra uma situação que não bate com a percepção efetiva da maioria dos trabalhadores.

Do sertão para o mundo, por Preto Zezé

O Globo

Tauá, no interior do Ceará, decidiu enfrentar limitações climáticas e econômicas com planejamento e inovação

Neste ano eleitoral, escolhi olhar menos para candidatos e mais para experiências de políticas públicas que possam ajudar a qualificar o debate. A ideia é trazer boas práticas de interesse público capazes de inspirar uma agenda de desenvolvimento baseada em resultados reais. Em vez de discutir só promessas, vale observar o que já está funcionando em algumas cidades.

Um desses exemplos vem do sertão cearense. Tauá, conhecida como Capital do Carneiro, decidiu transformar sua identidade econômica tradicional em ponto de partida para um projeto mais amplo de desenvolvimento.

Ser homem com H maiúsculo? Por Joel Birman

O Globo

Feminicídio revela não só desigualdade social, mas crise na própria forma como a masculinidade foi construída

Foi fundamental a proposição de um pacto civilizatório, articulando Executivo, Legislativo e Judiciário, para enfrentar o feminicídio no Brasil. O país figura entre os mais letais do mundo no assassinato de mulheres. Casos diários revelam a brutalidade de homens incapazes de suportar a rejeição feminina, muitas vezes após relações marcadas por violência.

Nos últimos meses, multiplicaram-se episódios em que mulheres foram mortas por ex-companheiros meses depois do fim do relacionamento. Em fevereiro, no ABC paulista, uma mulher foi assassinada nove meses após romper o namoro. Outro caso chocante foi de um homem que matou os filhos e se suicidou, responsabilizando a esposa por suposta traição. Soma-se a isso a perplexidade diante de decisões judiciais lenientes em casos de violência contra meninas e mulheres.

A polarização pode ser derrotada? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Eleitores cansados dos extremos existem no País. Falta encontrar quem os lidere

Eleições polarizadas frequentemente opõem figuras carismáticas a candidatos que se apresentam como alternativa moderada, técnica ou de união. Em contextos de forte polarização afetiva – quando a rejeição ao adversário pesa mais do que a identificação com um projeto – a disputa tende a girar em torno de personalidades e lealdades emocionais. Ainda assim, a experiência comparada mostra que candidatos moderados podem vencer quando conseguem convencer o eleitorado de que estabilidade e previsibilidade são mais valiosas do que o fervor ideológico.

Cláusula de barreira fica mais rígida e partidos apostam em federações

Pedro Augusto Figueiredo / O Estado de S. Paulo

Nova regra impõe que legendas precisarão ter no mínimo 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados ou eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos pelos Estados

Obrigação. A federação obriga que dois ou mais partidos atuem como uma entidade, reduzindo a fragmentação

A federação Renovação Solidária, formada pelo Solidariedade e pelo PRD, é um dos casos mais emblemáticos até aqui de como a cláusula de barreira tem incentivado a redução dos partidos políticos no Brasil. Criada em 2017, a regra instituiu um desempenho mínimo para as siglas continuarem tendo acesso aos fundos partidário e eleitoral, além da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

A federação obriga que dois ou mais partidos atuem como se fossem apenas uma entidade, reduzindo a fragmentação partidária no Congresso Nacional. No caso da Renovação Solidária, é como se, na prática, quatro siglas tivessem sido reduzidas a apenas uma.

Reforma das Forças Armadas, André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O Brasil de hoje está ligado por comunicações de norte a sul, de leste a oeste. Mas faltam equipamentos para informar violações das fronteiras nacionais

O presidente Lula descobriu que o Brasil precisa dar mais atenção às suas Forças Armadas para proteger o país de eventual ataque externo. É uma descoberta óbvia, um pouco tardia, porém verdadeira. Os militares brasileiros sempre estiveram mais preocupados com a gestão do país, com a política partidária, com suas próprias vantagens e relegaram a segurança nacional a segundo plano. Mas a invasão da Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro, pelas forças especiais dos Estados Unidos, chamaram atenção dos países do continente para sua fragilidade.  

Fim da 6x1: conceitos, métodos e consequências, por José Pastore*

Correio Braziliense

As leis permitem trabalhar menos horas e isso é acertado pelo método da negociação coletiva entre empregados e empregadores ou seus representantes

A jornada de trabalho se refere às horas trabalhadas por dia, semana, mês ou ano. A escala se refere à distribuição dessas horas no tempo. Uma jornada de 44 horas semanais pode ser trabalhada com uma escala de 6x1, 5x2, 12x36 ou outras. 

Para a jornada, costuma-se fixar em leis o número máximo de horas que as pessoas podem trabalhar. No Brasil, isso é fixado na Constituição Federal. São oito horas por dia e 44 horas por semana. 

As leis permitem trabalhar menos horas e isso é acertado pelo método da negociação coletiva entre empregados e empregadores ou seus representantes. Assim é no Brasil. A Constituição permite às partes negociarem qualquer redução de jornada por esse método. 

Bonita demais, por Ana Cristina Rosa


Folha de S. Paulo

Como cantou Emicida, ser chamada de morena 'camufla o abismo entre si e a humanidade plena'

Bonito demais será o dia em que a noção de que a beleza é exclusividade de quem tem traços caucasianos for superada de vez

Dia desses ganhei na loteria do absurdo mais uma vez —coisa que me acontece com uma certa frequência. Estava quieta no meu canto, esperando uma mesa num restaurante, quando uma jovem loira, que não tirava os olhos de mim, resolveu se aproximar para fazer um suposto elogio: "Parabéns! Você é uma morena muito bonita. Estou impressionada."

Agradeci educadamente, mas não pude deixar de fazer a seguinte consideração: "Me alegra saber que reconheces a minha beleza, mas eu não sou morena, sou negra mesmo."

A moça ficou injuriada, e resolveu retrucar com um "Nossa! Não quis ofender. Chamei de morena porque você realmente é bonita demais para uma negra".

É disso que se trata!

Degeneração institucional, Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

O apoio público às supremas cortes não é baseado em princípios abstratos; em grande medida, é apoio instrumental

Cidadãos tendem a apoiar a corte quando acreditam que suas decisões os favorecem politicamente

A opinião pública importa para as supremas cortes porque sua autoridade depende de um estoque de legitimidade difusa que sustente a disposição dos atores políticos e da sociedade em acatar suas decisões. O verdadeiro armagedon institucional ocorre no day after em que atores relevantes passam a considerar a "opção nuclear" do não cumprimento das decisões judiciais.

Pastelão no gramado, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Craques do passado, ou aprendiam a se defender dos zagueiros durões ou fossem jogar pingue-pongue

Hoje, um contato entre um mindinho e o plexo solar faz com que os canastrões caiam com a mão ao rosto

Não é para me gabar, mas acompanho futebol desde o Terciário, quando as bolas eram de couro, o goleiro era o quíper e o juiz levava o apito pendurado ao pescoço. Às vezes, havia sombras no gramado —eram pterodáctilos sobrevoando o Maracanã. Assim, naquele tempo, vi jogar, ao vivo, Pelé, Garrincha, Didi, Dida (do Flamengo), Doval, Jairzinho, Paulo César, Zico, Dinamite. Todos com a camisa para dentro do calção e este, às vezes, acima do umbigo. A bola não saía do fundo das redes.

Os desafios da Gestão Municipal, o PDDU e a sustentabilidade do Município, por George Gurgel de Oliveira

Os desafios da Gestão Municipal  

As relações políticas, econômicas, sociais e ambientais estabelecidas na maioria dos municípios brasileiros são (in)sustentáveis?

Quais são os valores da Gestão Pública Municipal?  Qual é a importância do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano -   PDDU, do Mercado e da Sociedade nos processos de construção da sustentabilidade política, econômica, social e ambiental do Município?

Os prefeitos as, os vereadores  e a sociedade municipal em geral estão desafiando-as a construir a sustentabilidade política, econômica, social e ambiental do município para superar a triste e desoladora realidade de uma parcela majoritária das populações dos municípios brasileiros, desrespeitadas, na maioria das vezes, dos seus direitos básicos, constitucionais, a saber: moradia, educação, saúde, saneamento, mobilidade, segurança, trabalho e renda.

As administrações municipais deveriam estar comprometidas com o enfrentamento sistemático dos graves problemas sociais, econômicos e ambientais vividos no cotidiano da maioria dos municípios brasileiros, em diálogo com o Governo Estadual, Federal, o Mercado e a Sociedade, em sintonia com o processo de construção das políticas públicas municipais, dialogando com os governos estadual e federal.

Poesia | Dizes-me: tu és mais alguma coisa, de Fernando Pessoa

 

Música | Paulo Miklos, Roberta Sá e Demônios da Garoa - Os amantes (Luiz Ayrão)

 

domingo, 15 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regulação do uso militar da IA é urgente

Por o Globo

Batalha da Anthropic contra governo americano é a mais relevante para futuro de guerras

A batalha militar mais relevante para o futuro do mundo não é travada hoje no Oriente Médio ou na Ucrânia, mas dentro dos Estados Unidos. Envolve o uso da inteligência artificial (IA) como arma e opõe o governo Donald Trump a uma das líderes no mercado de IA, a californiana Anthropic. O secretário da Guerra — nome ainda não aprovado pelo Congresso —, Pete Hegseth, anunciou a classificação da empresa como “risco à cadeia de suprimentos”, categoria em geral reservada a corporações estrangeiras cujos produtos são vistos como ameaça à segurança nacional. O motivo alegado é a recusa do CEO da Anthropic, Dario Amodei, em permitir qualquer aplicação de seus produtos. Amodei quer vetar uso para “vigilância em massa” ou “armas autônomas”, mesmo que não haja ilegalidade.

A guerra do Irã, a pneumonia de Bolsonaro e o efeito Trump nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A hospitalização com broncopneumonia bilateral, ocorrida enquanto cumpre pena, humaniza o ex-presidente e produz um efeito emocional e mobilizador entre seus apoiadores

O projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, vive um cenário de incertezas provocadas por fatores externos e inesperados, que influenciam o ambiente político. Em eleições competitivas, o desempenho do governo não depende apenas de suas políticas públicas ou da conjuntura econômica doméstica. Eventos internacionais, crises institucionais ou episódios envolvendo adversários podem alterar a percepção do eleitorado e obrigar à redefinição de estratégias eleitorais. 

No momento, três fatos novos alteram o cenário político: a guerra entre Estados Unidos e Irã e seu impacto no preço do petróleo; a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro com pneumonia bilateral; e as tensões diplomáticas entre o governo brasileiro e a administração Donald Trump.

Bastidores da guerra no Brasil, por Míriam Leitão

O Globo

Navios com diesel desviam do Brasil por destinos mais lucrativos. Milho e soja começam a subir. Governo age para atenuar alta do petróleo

Navios que estavam vindo para o Brasil com diesel mudaram a rota para outros portos, em busca de preços maiores. Isso foi detectado pelo monitoramento do governo. Uma sala de situação no Ministério de Minas e Energia acompanha o mercado. O petróleo que o Brasil importa da Arábia Saudita, e que passaria pelo Estreito de Ormuz, está vindo em parte pelo Mar Vermelho e em parte pelo Mediterrâneo. Esta segunda rota é exigente. Um trecho do trajeto se faz por caminhão, e depois é preciso usar embarcações menores. O agronegócio brasileiro já havia comprado fertilizantes, mas milho e soja começam a subir. A guerra contra o Irã produziu uma crise complexa. Ela é tudo menos o que Donald Trump tem dito.

Polícia no palanque, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Operação contra vereador aliado de Paes reaviva suspeita de uso político de investigações

Na manhã de quarta-feira, a Polícia Civil do Rio prendeu o vereador Salvino Oliveira numa operação batizada de Red Legacy. Pouco depois, o governador Cláudio Castro foi às redes anunciar a captura do “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.

“Esse é o mesmo vereador que vivia atacando nosso governo e as polícias. Hoje, finalmente, estamos conhecendo o seu real lado: trabalhava para bandido e não para o povo!”, festejou.

Numa das cenas do vídeo publicado pelo governador, um agente vasculha o armário de Salvino e levanta uma placa de campanha com a foto de Eduardo Paes. Era um sinal de uso da polícia para atingir adversários políticos.

De volta ao jogo? Por Merval Pereira

O Globo

O desmantelamento da Operação Lava Jato reafirmou uma longa tradição da Justiça brasileira de reverter resultados de investigações contra a corrupção. Esperemos que o mesmo não aconteça agora.

Duas medidas tomadas em dias recentes recolocaram o Supremo Tribunal Federal (STF) nos trilhos republicanos, proporcionando que o futuro possa recompor o passado recente, pleno de equívocos e abusos de poder. A decisão de manter a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro abre caminho para uma delação premiada que certamente desvendará as entranhas do maior golpe financeiro já acontecido no país. Por isso mesmo, teve uma importância não apenas simbólica. A decisão, proporcionada pelo ministro Gilmar Mendes, de levar ao plenário físico a anulação da quebra de sigilo do filho do presidente Lula, adotada monocraticamente pelo ministro Flavio Dino, transforma a ação individual de um juiz em decisão do colegiado, o que dá outro valor ao resultado.

Moraes cria o precedente, por Elio Gaspari

O Globo

Autorização concedida pelo ministro para busca e apreensão contra jornalista tende a ameaçar direito de preservar fontes

O ministro Alexandre de Moraes é experiente. Ele determinou uma operação de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. O ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar numa investigação sigilosa.

Investigação de que? De um eventual uso indevido de um carro oficial pelo ministro Flávio Dino. Fica combinado assim.

Semana ruim para os EUA na guerra, por Dorrit Harazim

O Globo

‘Sofrimento será de duração curta, mas os ganhos de duração longa’, disse Pete Hegseth. Não está sendo uma coisa nem outra

Enquanto atuou como comentarista de assuntos militares no canal noticioso Fox News, Pete Hegseth disparou certezas sem precisar de fatos. Dono de feições e físico altamente telegênicos, esmerou-se em aprimorar o visual e a oratória ariano-Maga. Acabou por conquistar o presidente Donald Trump, que procurava um garoto-propaganda de impacto para comandar o Pentágono. E foi como secretário de Defesa do colosso militar que Hegseth, aos 45 anos, anunciou, na estreia da Operação Fúria Épica contra o Irã:

Master e o Oscar, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Daniel Vorcaro, Martha Graeff e o sucesso do Brasil no próximo Oscar

São dois, e não um, os personagens-chave e explosivos do caso Master: Daniel Vorcaro, o onipresente, e Martha Graeff, sua namorada da época bilionária e glamourosa, que sabe de tudo, ou de muita coisa, e nos lembra o quanto as mulheres, como Thereza Collor, foram decisivas para esclarecer grandes escândalos nacionais, da Velha à Nova República.

A República de hoje – melhor não adjetivá-la – está em suspense não só diante da muito provável delação premiada de Daniel Vorcaro, mas também do momento em que Graeff decidir botar a boca no trombone sobre ele e quem, quando e onde mergulhou fundo no jogo dele.

Trump pôs a credibilidade em jogo, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Ímpeto do presidente de moldar mundo à sua imagem entra em conflito com o desejo de sucesso

A duração da guerra no Irã depende do desfecho de um conflito travado no governo americano. O secretário do Tesouro Scott Bessent e a chefe de Gabinete Susie Wiles advertem para os danos econômicos e políticos. Donald Trump lida com o desejo de deixar uma impressão profunda na história.

Quem observa Trump há muitos anos aponta nele uma obsessão por deixar sua marca, desde os primórdios como empresário do ramo imobiliário. Seus empreendimentos icônicos, assim como os produtos que ele criou, em geral sem sucesso, levam o nome “Trump” em letras garrafais.

As ‘Memórias de Marcos Azambuja’, por Celso Lafer

O Estado de S. Paulo

No âmbito do funcionamento do Itamaraty, a análise das transições faz destas ‘Memórias’ um paradigma do processo decisório diplomático

As Memórias de Marcos Azambuja, uma das mais notáveis figuras da diplomacia brasileira, acabam de ser publicadas. Foram instigadas pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), denso centro de análise sobre a política externa brasileira, ao qual Marcos se dedicou depois de sua aposentadoria no Itamaraty. No Cebri, Marcos encontrou até o seu falecimento, em maio de 2025, um espaço para uma renovada vida diplomática.

As Memórias são abrangentes na reflexão sobre a diplomacia brasileira. Resultam de três longas entrevistas. A primeira, em 1997, ao término de sua notável embaixada em Buenos Aires (1992-1997). Dela deflui uma excepcional análise da importância das relações Brasil-Argentina.

Direita pode ganhar eleição por ter quebrado um banco, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Quando Toffoli ou Moraes protegem Vorcaro, quem escapa da cadeia é a direita brasileira

STF só chegou no final do escândalo

Do jeito que as coisas vão, há boas chances de a direita brasileira ganhar a Presidência como recompensa por ter quebrado um banco.

Ah, dirá o leitor, tem gente de esquerda enrolada no Master. Bom, tinha muito mais gente de direita no petrolão do que tem gente de esquerda no Banco Master. É um escândalo de Faria Lima e igreja evangélica, dois ambientes com poucos esquerdistas.

Isso não é um penduricalho, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

No juízo dos juízes gravou-se a bico de pena a retórica de um bacharelismo que sempre fez uso eufemístico da língua para fins de manipulação

Palavras importam, conceitualizar preside à formação dos quadros cognitivos

Na discussão pública sobre a exorbitância salarial no Judiciário, uma juíza embirrou com a palavra penduricalho: "Não se trata disso, fique registrado". Deixou implícita a necessidade de outro nome. É o que a crítica de Roland Barthes chamava de "desnominação", isto é, trocar a palavra certa por um desvio palatável. Algo assim como, no passado, um partido político deveria se chamar "união de latifundiários e conservadores", mas escolhia União Democrática Nacional (UDN).

Michel Temer vê um Brasil disfuncional, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Observador engajado da cena nacional, o ex-presidente confessa que não está gostando nada do que vê

Na opinião dele, há uma indiferença geral nos três Poderes ao que dizem os mandamentos da Constituição

O ex-presidente Michel Temer (MDB) é um espectador engajado da cena nacional que, confessa, não está gostando do que vê: uma completa disfuncionalidade institucional. Na opinião dele, fruto da indiferença dos três Poderes ao que diz a Constituição.

A começar pelo atropelo do preâmbulo que estabelece o compromisso com "a solução pacífica das controvérsias". A dinâmica de uns anos para cá é inversa. Obedece a lógica do atrito permanente e reage mal, com agressividade, às divergências.

O Lula das sortes tem poucos meios de lidar com o azar das sujeiras de Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

No final da semana passada, efeito da guerra no mercado de juros ficou preocupante no Brasil

Petróleo mais alto por mais tempo pode elevar PIB e fazer estrago político na inflação

Em fevereiro, os donos do dinheiro grosso acreditavam que a taxa básica de juros, a Selic, baixaria de 15% para 12% ao ano até fins de 2026.

Essa crença, digamos, pode ser medida pelos preços do atacadão do mercado de dinheiro, que define o custo de financiamento da dívida do governo e uma espécie de piso para as demais taxas de juros, dos bancos ao mercado de capitais.

Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos

Por O Globo com agências internacionais 

Autor de obra extensa, ele foi um dos nomes centrais do pensamento europeu do pós-guerra

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, no sul da Alemanha. A morte foi informada pela editora Suhrkamp. Com uma obra que atravessou a filosofia, a sociologia e a teoria política, Habermas foi um dos nomes centrais do pensamento europeu do pós-guerra.

Considerado uma das vozes mais influentes do debate público alemão nas últimas décadas (e o intelectual alemão mais influente de sua geração), Habermas ficou associado a reflexões sobre democracia, racionalidade e vida em sociedade. Seu trabalho ajudou a consolidar conceitos como o da esfera pública e o da ação comunicativa, que se tornaram referências dentro e fora da academia.

Morre Jürgen Habermas, um dos filósofos mais influentes de sua geração, aos 96 anos

Maurício Tuffani / Folha de S. Paulo

Alemão é dono de obra sobre o conceito de esfera pública

Morte foi confirmada por sua editora, Suhrkamp

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do mundo, morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, perto de Munique. A informação foi confirmada pela Suhrkamp Verlag, editora que publica seus livros.

Habermas era de uma família simpatizante do nazismo e foi membro da Juventude Hitlerista. Aos 15 anos integrou a milícia de jovens e idosos recrutados para resistir à invasão da Alemanha no fim da Segunda Guerra Mundial. Anos depois, ele se tornou um dos principais filósofos da Escola de Frankfurt, formada por pensadores marxistas e judeus exilados do país para fugir da perseguição nazista.

Nascido em 18 de junho de 1929 em Dusseldorf, em uma família protestante muito tradicional, Habermas era o filho do meio do casal Ernst e Grete. O garoto foi submetido a duas cirurgias corretivas da fissura palatina.

De origem genética, essa má-formação no céu da boca dificultou sua fala e seus relacionamentos, tornando-o um jovem tímido e, mais tarde, um adulto que precisou aprender a lidar com o próprio comportamento retraído. Esse problema o sensibilizou para elaborar uma filosofia voltada para a importância da comunicação em uma sociedade democrática.

Filósofo alemão Jürgen Habermas, teórico da ‘esfera pública’, morre aos 96 anos

Por Matheus Mans / O Estado de S. Paulo

Ele recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004)

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos principais pensadores sobre democracia e “esfera pública”, morreu neste sábado, 14, aos 96 anos. A informação foi confirmada pela sua editora, Suhrkamp.

Ele faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi confirmada.

Quem era Habermas?

Jürgen Habermas nasceu em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf.

De 1949 a 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em Göttingen, Zurique e Bonn.

Lecionou, entre outras instituições, nas Universidades de Heidelberg e Frankfurt am Main, bem como na Universidade da Califórnia, Berkeley, e foi diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.

Jürgen Habermas recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004).

A segunda morte de Antonio Gramsci? Por Ivan Alves

O italiano Antonio Gramsci teve uma vida trágica. Nascido em 1891, ainda quando criança pastoreava ovelhas nas montanhas da sua Sardenha natal, passando meses a fio isolado de tudo e de todos. Aos 20 anos de idade, partiu para a região do Piemonte, destacando-se como articulista em um jornal socialista, até se tornar um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI), ao lado de Palmiro Togliatti e outros companheiros. Participou dos sovietes de Turim, influenciados pelo desenrolar dos acontecimentos que marcaram a Revolução de Outubro de 1917, na velha Rússia. Preso em 1926, quando era secretário-geral do PCI, Gramsci morreu em um hospital militar, após mais de dez anos na prisão. O ditador fascista Benito Mussolini dizia que era preciso fazer com que aquele cérebro parasse de pensar. 

Poesia | Sabedoria é não entender, de Clarice Lispector

 

Música | Caetano Veloso - Reconvexo

 

sábado, 14 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Já vimos esse filme

Por CartaCapital

Como de hábito, a repulsa à corrupção serve a interesses eleitorais e ideológicos

No teatro da indignação calculada, há quem sinta saudades do velho bordão do apresentador Boris Casoy: “É preciso passar o Brasil a limpo”. Nos jornais, sites, tevês e redes sociais, os candidatos a porta-vozes do udenismo continuam, no entanto, disponíveis. Um velho guerrilheiro contra a ditadura propôs o fechamento do Supremo Tribunal Federal. O colunista imortal acordou as vivandeiras dos quartéis. Por ele o País foi informado da “inquietação” nas Forças Armadas, desmoralizadas pela omissão ou conivência com a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto, com o que consideram o êxito da impunidade na Corte. É um truque enfadonho, de tão manjado, as notícias apócrifas na mídia a respeito de um suposto incômodo dos generais em momentos de crise do poder civil, sejam reais ou fabricadas. Quanto ao mal-estar nas casernas e nos clubes militares, recomendam-se gotas de Luftal.

Prioridades a sério, por Flávia Oliveira

O Globo

Segurança pública e corrupção são os temas que os brasileiros escolheram como prioritários na largada da corrida eleitoral

A recém-divulgada pesquisa Quaest não deixa dúvidas. Segurança pública e corrupção são os temas que os brasileiros escolheram como prioritários na largada da corrida eleitoral de 2026. Economia corre por fora. São três variáveis explosivas — e sob medida — para o ambiente político calcificado, como conceituaram o cientista político Felipe Nunes, diretor da empresa de pesquisa, e o jornalista Thomas Traumann, em “Biografia do abismo” (Harper Collins, 2024). Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, a campanha começa em 16 de agosto; de fato, mobiliza há tempos ruas e redes sociais. O desafio aqui é radicalizar a qualidade do debate, em vez de ceder à banalidade das posições de superfície, à moda “se você é sim, eu sou não”.

Sororidade seletiva, por Thaís Oyama

O Globo

Ataques a jornalista são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu

Malu Gaspar é até aqui a jornalista responsável pelas revelações mais relevantes sobre o escândalo do Banco Master. Desde que passou a expor no GLOBO as ligações do ministro do STF Alexandre de Moraes e de sua família com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de ataques abjetos, maciços e incessantes nas redes sociais.

Pelo exercício de seu ofício, vem recebendo ameaças e insultos que tentam constrangê-la e humilhá-la, muitas vezes com base em referências a sua condição de mulher. Tais ataques configuram precisamente o que grupos feministas chamam de “violência política de gênero”. Ainda assim, nenhum desses grupos veio a público defendê-la. Nenhuma nota ou carta aberta — nem mesmo um reles vídeo no TikTok.

D. Norma, a culta, por Eduardo Affonso

O Globo

Se esse menino Vorcaro tivesse estudado comigo, não estaria passando vergonha ao ver expostas suas mensagens

D. Norma foi professora de português a vida inteira. Começou por volta dos 4 anos de idade, corrigindo o irmãozinho caçula, que dizia “gugu dadá” em vez de “Augusta, dê-me a mamadeira”. E não parou mais.

Estudou letras na época em que regência e concordância ficavam no capítulo de sintaxe, não no de opressões linguísticas. Aposentada há décadas, anda horrorizada com os zaps do Vorcaro.

— Se esse menino tivesse estudado comigo, não estaria passando vergonha ao ver expostas suas mensagens. Que semântica bisonha! Que vernáculo comezinho!

É que D. Norma é desconectada do mundo real e apegada a tecnicalidades.