quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

STF deve cobrar explicações urgentes de Moraes

Por O Globo

Mensagens com apelos de Vorcaro às vésperas de ser preso põem ministro em xeque

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes continua a dever explicações convincentes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master preso por ter comandado a maior fraude bancária da História do Brasil. O relatório da Polícia Federal (PF) revelado nesta terça-feira traz indícios que expõem um grau de proximidade entre Vorcaro e Moraes incompatível com a isenção e a imparcialidade indispensáveis a qualquer magistrado, ainda mais a um ministro da mais alta Corte do país.

No relatório, cujo conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo, a PF atribui a Vorcaro mensagens endereçadas a Moraes, enviadas por um sofisticado mecanismo destinado a proteger a comunicação. Segundo a apuração dos investigadores, é possível afirmar que Moraes é o destinatário dessas mensagens. Suas respostas a Vorcaro não foram encontradas, porém, porque seu celular não foi periciado.

Gasto das famílias empaca, agro e petróleo empurram um PIB cada vez mais devagar, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Consumo privado cresce ao menor ritmo anual desde 2017, afora anos de epidemia

Investimento produtivo vai às mínimas do século e regrediu, no último ano

economia deve crescer perto de 2% neste 2026. É o que dá para depreender do resultado do PIB do segundo trimestre, divulgado nesta terça (1º) pelo IBGE, e do andamento do terceiro trimestre até aqui. No último ano, nos últimos quatro trimestres, o PIB cresceu 1,9%, menor ritmo desde 2019 (excluídos tempos da epidemia). O auge do crescimento anual sob Lula 3 foi o primeiro trimestre de 2025, de 3,6%. Se o crescimento trimestral for zero neste segundo semestre, o PIB aumenta 1,8% em 2026.

Espancamento na UFRJ expõe a intolerância de esquerda, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Caso mostra como agressão, intolerância e virtude podem estar numa mesma justificativa

Fazer do adversário ameaça absoluta é o primeiro passo para converter violência em obrigação moral

violência fascista nunca se apresentou apenas como violência. Precisou de uma embalagem moral que a autorizasse. Em "A Personalidade Autoritária", Adorno e seus colegas identificaram na agressão autoritária uma disposição central: a convicção de que certas pessoas, por violarem valores fundamentais, merecem ser punidas. A agressão deixa então de parecer crueldade e passa a ser experimentada como justiça.

Durante décadas, a esquerda tratou esse mecanismo como propriedade quase exclusiva da direita, mas o episódio da semana passada na UFRJ deveria abalar essa certeza.

Cury é a terceira via que veio para ficar? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Há demanda do eleitorado por candidato fora da polarização

É muito difícil, porém, romper a lógica imposta pelo voto estratégico

O fenômeno Augusto Cury é para valer? O candidato pelo Avante, que em uma semana saltou de 2% das intenções de voto para 11% na pesquisa BTG/Nexus, tem condições de romper a lógica da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro? Como sempre digo aqui, tudo o que não é proibido pelas leis da física pode acontecer. E a tal da terceira via não viola nenhuma das regras da natureza, ainda que suas chances de concretização pareçam diminutas.

Cury sacode a poeira da disputa engessada, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Subida súbita ainda precisa de confirmação sobre ser uma tendência ou mero soluço de ocasião

Seja como for, a foto do momento mostra que há vida indecisa fora das torcidas de Lula e Flávio

A primeira novidade da eleição surgiu de onde menos se esperava. Augusto Cury (Avante), psiquiatra best-seller do ramo da autoajuda, atropela dois ex-governadores e um performático, bom de retórica, para se instalar na liderança do pelotão dos nanicos candidatos a presidente.

O desempenho nas pesquisas BTG/Nexus, Real Big Data e Atlas/Bloomberg impressiona, mas carece de comprovação para saber se significa soluço ou tendência. Seja como for, o retrato do momento mostra que há vida indecisa no ambiente em que Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PLconcentram atenções e intenções.

Entre panfletos e fuzis, 45 anos da manifestação estudantil, na praça de São Sebastião, por Guto Rodrigues

O evento na Aleam, sobre os 45 anos da manifestação estudantil, na praça de São Sebastião, no ano se 1981, é um dos episódios mais brutais da ação da polícia na ditadura militar, acontecido em Manaus.

Com aparato militar, a manifestação estudantil foi sufocada pelas botas, cacetetes e tiros dentro da igreja, resultando no espancamento e prisões de estudantes nos carros camburões da Polícia.

"Foi a luta heroica dos estudantes amazonenses que conquistou a meia passagem, nada se conquista sem luta", discursou o camarada Eron, como também, Maciel, Carril, Irailde e Lúcia Antony, que também fizeram uso da palavra. O auditório senador João Bosco transformou-se num tribunal e os homenageados, estudantes que estiveram no ato,45 anos depois, com seus depoimentos, cantaram com ênfase o hino nacional e condenaram a brutalidade com frase: DITADURA NUNCA MAIS.

Poesia | Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, de Luís de Camões

 

Música | MPB4 - Vira Virou

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Adiar privatização dos Correios custa cada dia mais caro

Por O Globo

Governo prevê aporte de R$ 6 bilhões na estatal que fechou primeiro semestre com prejuízo recorde

Em abril de 2023, menos de quatro meses depois de assumir a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva retirou os Correios da lista de privatizações preparada pelo governo anterior. Na visão do PT, a empresa deveria cumprir sua “função social”. De lá para cá, a sangria da estatal só fez aumentar. No primeiro ano do mandato, o prejuízo foi de R$ 597 milhões. No ano seguinte, pulou para R$ 2,6 bilhões. No ano passado, chegou a R$ 8,5 bilhões e, tendo fechado o primeiro semestre deste ano em R$ 5,5 bilhões, deverá bater novo recorde até dezembro. Os Correios não sabem o que é um resultado trimestral no azul desde setembro de 2022. Para completar, a proposta de Orçamento para 2027 enviada pelo governo ao Congresso prevê um aporte de R$ 6 bilhões do Tesouro na estatal. Toda essa cegueira ideológica custa a cada dia mais caro ao país.

O problema da dívida pública, por Míriam Leitão

O Globo

O cenário de incerteza é menos pelo tamanho da dívida e mais pela falta de sinalização de um ajuste fiscal do presidente e do principal concorrente

A dívida pública brasileira não caminha para bater no muro. Mas parece, pelos números da dívida bruta e pela intensidade do debate em torno do tema. O Tesouro tem como rolar sua dívida, apesar de o total ter chegado a 82,5% do PIB em julho, o maior nível desde abril de 2021. Há erros técnicos que podem ser corrigidos tornando mais barata a rolagem dos títulos. E é fundamental dar ao investidor alguma perspectiva de que o próximo governo fará um ajuste nas contas públicas.

O que gera este cenário de incerteza no mercado é menos o tamanho da dívida ou sua trajetória recente, e mais a percepção de que nada será feito para conter a continuidade da alta. O atual presidente não se compromete com um ajuste, nem seu principal concorrente. A boa notícia é que não é um problema impossível de ser resolvido, porém, é preciso passar um sinal na direção correta.

Por que se fala tanto em terras-raras? Por Fernando Gabeira

O Globo

Elas são uma promessa para o Brasil, desde que se invista na tecnologia e haja rigor no respeito ao meio ambiente

Afinal, o que são essas terras-raras que os americanos querem, os chineses refinam, e os brasileiros veem como recurso para a economia futura?

Para começar, não são tão raras assim. Existem em abundância na China e no Brasil. Nem são propriamente terras. Esse nome era dado, nos séculos XVIII e XIX, a qualquer óxido metálico insolúvel em água.

Foram chamadas de raras quando descobertas num mineral em Ytterby, na Suécia. Elas ocorriam em minerais incomuns e eram consideradas raras porque era difícil a separação dos 17 elementos químicos que compõem o grupo. O nome desses elementos é meio curioso: cério, neodímio, disprósio, praseodímio, európio e por aí vai.

Perfis de fofoca turbinam crescimento de Augusto Cury nas redes, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Páginas de humor e entretenimento passaram a veicular mensagens favoráveis a candidato, que fala em 'movimento incontrolável'

Não foram só os chamados influenciadores que turbinaram o crescimento de Augusto Cury nas redes sociais.

Na última semana, perfis especializados em fofocas também passaram a difundir mensagens favoráveis ao candidato do Avante.

Páginas como Tricotei (4,2 milhões de seguidores no Instagram) e Futrikei (2,5 milhões de seguidores) transformaram Cury em tema de debate.

Esse tipo de perfil costuma ser usado por empresas de marketing digital para gerar engajamento em torno dos anunciantes.

Sintoma e diagnóstico, por Merval Pereira

O Globo

Cury diz ser de direita na cabeça, mas de esquerda no coração e tira no momento votos de vários candidatos, um pouco de Lula e Renan, a maior parte de Flávio.

O sonho de Ronaldo Caiado, o candidato a presidente da República do PSD, era chegar a esta altura da campanha com dois dígitos nas pesquisas de opinião. Achava que, a partir daí, subiria para enfrentar Lula no segundo turno. Quem chegou lá, pelo menos pelas pesquisas digitais e telefônicas de opinião, foi o escritor Augusto Cury, candidato do Avante, um azarão verdadeiro — não confundir com o filme “Dark Horse”. Pelo menos até agora, não há indicação de que Cury tenha alguma ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas, como ele acaba de entrar no jogo, sua vida será revirada pelo avesso.

Cury chega a dois dígitos na pesquisa e se coloca como terceira via, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A novidade é a velocidade com que o candidato do Avante assumiu o terceiro lugar na disputa. Cury passou a ser lembrado como opção presidencial

Nas primeiras rodadas de debates e entrevistas, marcadas pelas dificuldades de Lula e Flávio Bolsonaro para explicar seus passivos políticos, Augusto Cury se projetou como candidato menos interessado em prolongar a guerra entre os dois campos e mais empenhado em associar tecnologia, eficiência administrativa e cuidado com as pessoas. A pesquisa BTG/Nexus divulgada nessa segunda-feira mostra que sua estratégia deu certo. No cenário estimulado sem Pablo Marçal, Cury saltou de 2% para 11% em uma semana. Lula oscilou de 41% para 39%, enquanto Flávio recuou de 37% para 33%. Ronaldo Caiado permaneceu com 5%; Renan Santos, com 3%; e Romeu Zema passou de 3% para 1%.

De que valem os votos da Faria Lima, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Aval é carimbo para formação de equipe capaz de confirmar ou dissipar o medo do eleitor de mudar

Ainda que votasse unida, a avenida Faria Lima teria dificuldade de eleger um vereador na capital. A atenção de um punhado de seus eleitores mobilizou a cúpula das duas principais campanhas por um único motivo. Este é o momento em que o eleitor olha para o lado, se dá conta de que tem uma eleição e faz o cálculo se a mudança vale a pena ou pode piorar o que está aí. O apoio naquela avenida serve de aval para o desafiante atrair uma equipe capaz de minorar a desconfiança do eleitor em relação a uma mudança para pior. Simples assim.

Há um mês, no auge da repercussão do “Dark Horse”, o senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguia ser recebido pela banca. Nunca houve muita dúvida da maior proximidade da pauta econômica, mas o custo institucional de um retorno do bolsonarismo mantinha a cancela fechada. Com a entrada da dupla Fabio Luís/Marco Aurélio Ribeiro nas paradas de sucesso dos vazamentos da PF, a diferença se estreitou, a perspectiva de poder se tornou real, e, em uma semana, Flávio teve três encontros importantes.

A válvula de escape mudou de lugar, por Luiz Schymura

Valor Econômico

Talvez esteja na hora de ampliar o campo de visão da regra, reconhecendo os efeitos fiscais das operações financeiras e tornando mais visíveis os canais para os quais o estímulo migra

A relação entre finanças públicas e ciclos eleitorais é conhecida: o gasto público tende a subir em anos de eleição, na tentativa de gerar sensação de bem-estar e sustentar a popularidade do governo. O ciclo de 2026 não foge à regra: os gastos primários federais partiram com força bem maior que em pleitos anteriores. O impulso do gasto público, federal mais estadual, superou a própria variação do PIB tanto em 2022 quanto no primeiro trimestre deste ano. Mas há uma regularidade adicional, menos discutida: regras fiscais não eliminam a pressão política pelo gasto, apenas ajudam a determinar por onde ela vai escapar. Sob o teto de gastos, uma das válvulas foi a desoneração tributária, que funcionou como um expediente para conceder benefícios a setores sem violar formalmente o limite de despesas. Sob o Novo Arcabouço Fiscal, em vigor desde 2024, o canal mudou: são as despesas financeiras.

O Tempo e a Lógica, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

O primeiro implica a incerteza, o segundo demanda um sistema de axiomas, envolvendo tudo o que é relevante

No livro “Epistemics and Economics”, George Shackle aborda a questão da racionalidade, tão cara aos economistas. “O tempo e a lógica”, comenta Shackle, “são estranhos um ao outro. O primeiro implica a incerteza, o segundo demanda um sistema de axiomas, um sistema envolvendo tudo o que é relevante. Mas, infelizmente, o vazio do futuro compromete a possibilidade da lógica”.

George Shackle afirma que a economia é uma área do conhecimento submetida às incertezas da vida humana em sociedade. Ela procura estudar o comportamento dos agentes privados em busca da riqueza, nos marcos de um quadro social e político determinado temporalmente, isto é, cada nova decisão de acumular riqueza tem um caráter crucial, porquanto tem o poder de reconfigurar as circunstâncias em que foi concebida.

Lula e empresários debatem cenário fiscal, Trump e dívida pública, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, na noite desta segunda-feira (31), com empresários e banqueiros para debater o panorama fiscal do país, de olho em atrair o setor a pouco mais de um mês das eleições. De acordo com fontes, o foco principal do jantar foi o diálogo sobre a economia brasileira, mas houve citações ao compromisso fiscal da gestão, à dívida pública e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os convidados começaram a chegar ao Palácio da Alvorada, onde foi o jantar, por volta das 19h30, e deixaram o local cerca de três horas depois, a partir das 22h30. Foram 16 empresários e banqueiros convidados, além de integrantes do governo e do presidente do PT, Edinho Silva.

A dívida que se pode conversar, por Giovanni Bevilaqua*

Correio Braziliense

Não são números que se escondem atrás de eufemismo. É gente que abre a loja de manhã sabendo que uma parcela vai vencer antes do fechamento de caixa

Nos últimos dados do Banco Central, a inadimplência das empresas voltou a subir: 3,2% na carteira ampliada, um pouco mais entre as menores. Em pesquisas aplicadas trimestralmente com pequenos negócios em todo o país, 28% já declaram ter alguma dívida em atraso, e mais da metade de quem tem compromisso em aberto vê o pagamento consumir 30% ou mais dos custos mensais do negócio. Não são números que se escondem atrás de eufemismo. É gente que abre a loja de manhã sabendo que uma parcela vai vencer antes do fechamento de caixa.

Dito isso, sem meio-termo: esse retrato não é sinônimo de fracasso pessoal. É sinônimo de um sistema que ainda trata o pequeno empreendedor como um risco a ser precificado, quando deveria tratá-lo como um agente a ser conhecido.

Renan sai, Cury sobe. E daí? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Toffoli assumiu um poder que não tem e embaralha a eleição para nada. A polarização continua

Renan Santos sai, Augusto Cury sobe, e os dois movimentos excitam as campanhas, a opinião pública e os especialistas, provocando debates, confrontos e as mais diferentes suposições, mas o fato real, que não é nada excitante, é que nada muda na polarização acirrada entre os favoritos Lula e Flávio Bolsonaro. Nem Renan nem Cury têm força para mudar a eleição.

Há duas questões em relação à decisão que praticamente cassou a candidatura de Renan Santos, que já não tinha acesso à propaganda eleitoral na TV e agora fica impedido de fazer campanha digital – que é o seu forte –, de receber fundo eleitoral e de participar de debates e entrevistas. O que sobra?

Luta na lama, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Vazamento para todos! Vazamento para todos já! Só vazam informações sigilosas sobre um lado, seletivamente. Tem de equilibrar essa balança de ilegalidades. Justiça, ministro André Mendonça! Se vaza contra Lulinha, há que vazar contra Flávio Bolsonaro. Alô, Dino! Igualdade!

E então proliferam as plantações na imprensa – feitas por colegas togados – sobre Mendonça estar influenciado por delegados da Polícia Federal lotados em seu gabinete, que seriam lavajatistas-bolsonaristas adversários de Andrei Rodrigues, aquele que bebeu o uísque de Vorcaro com Xandão e Gonet. Na última sexta, Rodrigues reafirmou que a corporação, órgão de Estado, atua de forma independente e sem viés político.

Brasília busca pactos por medo dos escândalos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Acordos entre instituições de Estado têm sido prática recorrente entre autoridades dos três Poderes

No empenho de contornar atritos está a intenção de controlar investigações para evitar o risco político

Não é de hoje, nem de ontem, que Brasília vive uma fase de acordos inusitados, fora do desenho constitucional de harmonia autônoma entre os Poderes. Foi o caso do acerto entre os presidentes da República, do Senado e da Câmara com mediação do vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Avizinha-se agora uma tentativa de conciliação entre o ministro André Mendonça, do STF, e o diretor-geral da Polícia FederalAndrei Rodrigues, patrocinada pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT), a fim de dirimir divergências na condução dos inquéritos sobre as fraudes no INSS e as trapaças financeiras de Daniel Vorcaro à frente do liquidado banco Master.

Crescimento de Cury entre cristãos atrapalha Flávio e Renan, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Autor ocupa a terceira posição segundo BTG/ Nexus

Influenciadores apoiam campanha propositiva e de pacificação

Inicialmente tratada como piada por analistas, a campanha do escritor Augusto Cury parece ter atendido a uma demanda reprimida: o desejo de pacificar a discussão política no país. Ele ocupa o terceiro lugar isolado, com 11% de intenções segundo a pesquisa BTG/Nexus.

Após o debate presidencial na Band, no domingo retrasado (23), o psiquiatra e autor foi quem mais ampliou sua base de seguidores. E o volume de buscas por seu nome aumentou 900% durante a semana, segundo levantamento da Vox Radar citado pela CNN Brasil.

O colunista do PlatôBR Diego Amorim associou o crescimento à atuação do influenciador Pablo Marçal. Se mantiver o ritmo, o avanço de Cury deve atrapalhar sobretudo Renan Santos, candidato da Missão/MBL, e Flávio Bolsonaro, do PL.

Golpes do impeachment, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Afastamento definitivo de Dilma Rousseff completa dez anos

Iniciativa acirrou polarização e facilitou eleição de Jair Bolsonaro

Há dez anos, em 31 de agosto de 2016, Dilma Rousseff (PT) era definitivamente afastada da Presidência da República, depois de ser julgada culpada de crime de responsabilidade pelo Senado. O evento deixou marcas na história do país, algumas das quais ainda se fazem sentir.

Para o PT, o impeachment foi um golpe. A palavra "golpe" é suficientemente polissêmica para permitir essa interpretação. Um de seus múltiplos significados é o de "revés", como na expressão "golpe do destino". E não há muita dúvida de que o afastamento representou um revés para a petista. Já a tentativa de imprimir ao termo "golpe" o sentido mais técnico de "ruptura constitucional ilícita" é mais problemática.

Intervenção no Rio é aprovada pela população, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Pela primeira vez em décadas há um plano de governo sendo realizado

Exonerações de cargos comissionados ultrapassaram a marca de 6.000

O Supremo Tribunal Federal adiou mais uma vez o julgamento que trata do mandato-tampão no Rio de Janeiro. Há divergências sobre o tema: eleição direta, indireta ou a manutenção do desembargador Ricardo Couto no comando do estado até a posse do novo governador. Com a proximidade das eleições, esta última corrente deverá prevalecer.

É uma intervenção velada, pois a letra fria da Constituição estadual determina que, em caso de dupla vacância (Cláudio Castro renunciou em março e o cargo de vice estava vago desde o ano passado), a escolha do novo governador deve ser realizada pela Assembleia Legislativa.

Poesia | Ternura, de Vinicius de Moraes

 

Música | Samba pra Vinicius -Toquinho, Quarteto em Cy e Chico Buarque

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Candidatos decepcionam ao desprezar educação

Por O Globo

Brasil não atingirá outro patamar de desenvolvimento sem população preparada para a economia moderna

O período eleitoral traz a eleitores e candidatos a oportunidade de expor sua visão para o futuro do país. É auspicioso que temas importantes como terras-raras, o tarifaço americano, o petróleo na Margem Equatorial, as emendas parlamentares, as altas taxas de juros ou a corrupção tenham entrado na agenda. São assuntos da maior relevância. Infelizmente, o tema mais estratégico para o desenvolvimento do país continua ausente ou em segundo plano: a educação. Nenhuma política industrial, monetária, comercial ou redistributiva tem chance de levar o país a outro patamar de desenvolvimento se a população continuar despreparada para a economia moderna. E a distância para isso continua gigantesca.

Quando a eleição vai engrenar? Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Só uma notícia bombástica ou a possibilidade de vitória em primeiro turno de um dos candidatos podem despertar o eleitor da apatia desta campanha

No sábado (29) começou o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV dos candidatos à Presidência da República. Numa campanha que parece ter começado há meses, mas que ao mesmo tempo não engrenou, a propaganda eleitoral é o ato que faltava para sentirmos o clima de eleição. Será?

Além de atingir dezenas de milhões de pessoas que assistem à TV aberta e ouvem rádio, o horário eleitoral também serve para gerar conteúdo para as redes sociais dos candidatos. Mas, pelo visto, a repercussão continua limitada.

Ajuste exige reconstruir arquitetura fiscal do país, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

O problema já não é apenas produzir um resultado primário melhor, mas limitar o crescimento automático do gasto, reduzir os estímulos parafiscais, baixar o prêmio de risco e devolver eficácia à política monetária

A situação das contas públicas do Brasil exige uma mudança significativa na política fiscal a partir de 2027, num ambiente econômico e político extremamente complexo. Há resistência a novos aumentos de impostos, o cenário externo é mais adverso, com juros globais mais altos, e as taxas internas na casa de 10% acima da inflação elevam os gastos financeiros do setor público e prejudicam famílias e empresas endividadas. O ajuste precisa ser amplo, focado nos gastos e liderado pelo Executivo, mas tem de contar com o Congresso e com o Judiciário. Visto de hoje, porém, parece improvável que uma agenda fiscal ambiciosa seja adotada pelo próximo presidente.

Diversidade perde força no mundo corporativo, por Preto Zezé

O Globo

Empresa não existe para fazer justiça, mas para dar lucro, e convicção moral é terreno que nunca foi dela

A ideia de diversidade dos defensores da causa entrou numa encruzilhada. Empresa não existe para fazer justiça, mas para dar lucro, e convicção moral é terreno que nunca foi dela. Não é acusação, é constatação. Nos conselhos de empresas e marcas de que participo, sempre busquei outro caminho: diversidade na prateleira do investimento. E, se render, parte do lucro volta para reinvestir.

Em 2025, 53% das companhias do S&P 100, as cem maiores da Bolsa americana, mudaram a forma de registrar a diversidade nos relatórios. Poucas encerraram as ações. Levaram a supervisão para a governança e baixaram a visibilidade quando virou custo político. Ninguém tira do relatório o que dá lucro.

Ano que vem será de crise ou estelionato eleitoral, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Lula e Flávio Bolsonaro não apresentaram propostas para atacar o maior problema da economia brasileira hoje

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro não apresentaram propostas para atacar o maior problema da economia brasileira hoje, o crescimento constante da dívida pública, equivalente a R$ 10,8 trilhões, ou 82% do PIB. Na entrevista da Globo, escaparam dos números, mas deixaram alguns sinais do que podem fazer.

Lula assegurou, com ênfase:

— Meu compromisso é com o crescimento.

A ideia: com o país crescendo, tudo o mais se resolve.

Brasil garante o hambúrguer subsidiado às vésperas da eleição nos EUA, por Demétrio Magnoli

O Globo

A carne ilumina a servidão voluntária brasileira

O Canadá conta uma história; o Brasil, o reverso dela. Na partida, os dois engajaram-se em negociações comerciais com os Estados Unidos, que implodiram de encontro às exigências imperiais da Casa Branca. Então, um escolheu a via da resistência, ajustando seus atos às palavras, enquanto o outro optou por um servilismo suplicante mascarado por discursos palanqueiros.

As exportações representam quase um terço do PIB canadense — e mais de 70% delas têm os Estados Unidos como destino. O Canadá perde muito, no curto prazo, com a decisão de enfrentar a guerra comercial deflagrada por Trump. Mas, na defesa de seus interesses de longo prazo, a sociedade canadense uniu-se ao redor da estratégia de retaliação, que conta com respaldo de 76% da população.

O pensamento determinista sempre encontra uma justificativa para o poder de quem o formula, por Leandro Karnal

O Estado de S. Paulo

Resta-nos a velha pergunta, agora vestida de geografia: somos livres?

Há uma pergunta que atravessa os séculos e se disfarça em muitas roupagens. Os gregos a conceberam sob o nome de destino. Os medievais a reformularam como Divina Providência. Montesquieu, no século 18, em O Espírito das Leis (1748), já sugeria que o clima determinava as instituições: povos do Sul seriam preguiçosos, os do Norte, vigorosos. No fim do século 19, a tese ganhou sotaque alemão e rosto acadêmico: Friedrich Ratzel, em sua Antropogeografia (dois volumes, 1882 e 1891), sustentou que solo, clima e relevo moldam a história dos povos. Traduzindo para linguagem brutal: diga-me onde você nasceu e eu lhe direi quem você é. Há algo profundamente perturbador nessa afirmação. O mais inquietante é perceber a longevidade da ideia.

O risco Bolsonaro 2.0? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Legado institucional e multipartidarismo no Brasil limitam aventuras autoritárias

Voltou a ganhar força a ideia de que a democracia brasileira estaria novamente em perigo diante de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. O argumento é conhecido: em 2022, teríamos escapado por pouco porque alguns militares se recusaram a embarcar numa aventura golpista. Agora haveria um agravante: diferentemente do pai, Flávio encontraria Donald Trump na Casa Branca.

O risco representado por líderes com inclinações iliberais nunca deve ser desprezado. Berlucchi e Kellam, analisando governos democráticos desde 1970, mostram que populistas no poder estão associados a maior erosão democrática. Mas mostram também que a Presidência, por si só, não basta. A capacidade de transformar intenção em erosão depende dos recursos e constrangimentos encontrados pelo governante.

O bobo da corte e o freio nos dentes, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

No 'modo sobrevivência', a relação com a base parlamentar e com o judiciário engendra erosão institucional disruptiva

Não nos depararemos com a morte da democracia, mas com sua crescente degradação institucional

Na sabatina da TV Globo, durante a campanha presidencial de 2022, Lula acusou Bolsonaro de ter capitulado: "Bolsonaro não manda em nada. Ele é refém do centrão". Arrematando: "Bolsonaro parece um bobo da corte, não controla o Orçamento".

A frase retornou como um bumerangue. Hoje, é o próprio Lula quem se vitimiza como refém de um Congresso que capturou o Orçamento. O que, sob Bolsonaro, era descrito como incapacidade pessoal passou, sob Lula, a ser apresentado como patologia institucional.

O avanço da educação étnico-racial, por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Sei bem que a educação para equidade racial sempre foi um 'não assunto' nas nossas escola

Bastou o Estado agir com propósito para que essa situação começasse a mudar

Agir com propósito impacta diretamente os resultados alcançados em tudo o que se faz na vida. Quando se trata de políticas públicas, não é diferente. Isso fica evidente ao observar o recente avanço na implementação da Lei 10.639/2003, criada para incluir a história e cultura afro-brasileira no currículo oficial da rede nacional de ensino.

Analisando o cenário atual, a constatação óbvia é que a implementação de políticas para educação das relações étnico-raciais no Brasil só foi pra frente por conta da ação dos movimentos sociais negros, o que levou o Ministério da Educação a assumir as rédeas do processo —passados 21 anos da promulgação da lei, é bom lembrar. Mas é aí que entra o propósito.

Socos e canivetes em sala, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A maioria dos professores brasileiros já sofreu violência física ou verbal no ambiente escolar

'Nós cuidamos de quase o Brasil inteiro, mas quem cuida de nós?', pergunta uma das agredidas

Se quisermos fazer uma ideia do que espera o Brasil no futuro, basta perguntar aos professores do ensino público e particular. Ninguém como eles tem tantas informações de primeira mão —não raro, na forma de uma arma portada por aquela mão ou de um punho assestado contra o seu rosto. Eis alguns relatos recentes.

Em Planaltina (DF), um professor pediu a dois alunos de 17 anos que entregassem os celulares durante a aula. Os garotos se negaram e tiveram seus aparelhos recolhidos. Terminada a aula, seguiram o professor até o ponto de ônibus e o espancaram. Em Cuiabá, um professor idoso levou rasteiras e pescoções de dois alunos que se negavam a se sentar em seus lugares. Em João Pessoa, um professor foi agredido por um aluno com um martelo por ter-lhe dado nota baixa em um exame.

Poesia | Tabacaria, de Fernando Pessoa

 

Música | Jorge Ben e Gal Costa - Que Pena