quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desempenho do Brasil no Pisa continua frustrante

Por O Globo

Houve recuo em matemática e leitura, e nota média estagnou. Para piorar, educação é desprezada na eleição

Continua decepcionante o desempenho do Brasil no Pisa, o exame de avaliação de jovens de 15 anos realizado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), medida internacional mais usada para comparar o estágio do ensino médio em mais de 90 países. Em áreas críticas para a economia moderna, como matemática e leitura, houve retrocesso de dois pontos desde 2022. Em matemática, a média caiu de 379 para 377. Em leitura, de 410 para 408. Somente em ciências houve avanço, de 403 para 409. Apesar disso, a média geral do país se mantém estagnada desde 2015, uma péssima notícia para um país com graves deficiências na área de educação.

Distopia do STF lembra o realismo fantástico de 'Incidente em Antares', por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Treze ex-ministros do STF classificam o episódio como a 'mais aguda crise' do tribunal; defendem apuração rigorosa dos fatos e respeito ao devido processo legal

Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, é uma supergigante vermelha situada a cerca de 550 anos-luz da Terra. Seu nome vem do grego e significa “rival de Ares”, devido à semelhança de sua coloração com a de Marte, o planeta associado ao deus da guerra. Tem massa estimada entre 11 e 16 vezes a do Sol, raio centenas de vezes maior e luminosidade próxima de 100 mil sóis.

Entretanto, Antares está consumindo rapidamente o combustível que ainda sustenta seu equilíbrio. Quando esse processo terminar, seu núcleo entrará em colapso e a estrela explodirá como uma supernova, provavelmente dentro de alguns milhões de anos. Na literatura brasileira, é o nome da cidade fictícia criada por Erico Verissimo em seu último romance, “Incidente em Antares”, publicado em 1971. O autor recorre ao realismo fantástico, ao humor macabro e à sátira política para fazer a autópsia de uma sociedade dominada pela hipocrisia e pelos acordos entre seus poderosos.

O 7 de Setembro de André Mendonça, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Com Bolsonaro preso, direita verde-amarela encontra novo mito para reverenciar

A primeira a falar foi Sonia Hernandes, pastora, empresária e autoproclamada a “primeira bispa do Brasil”. “Que o Senhor guarde, livre e dê graça ao nosso irmão André Mendonça. Em nome de Jesus!”, glorificou. A líder da Igreja Renascer em Cristo estava no alto de um trio elétrico na Avenida Paulista. A seu lado, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.

Eleição não pode ser mero acerto de contas, por Vera Magalhães

O Globo

Sucessão de crises em pouco mais de uma década e duelo de ministros do STF deixam eleitor entre desdém e asco, e pleito pode resultar em busca por revanche em vez de futuro

O Brasil tem vivido, pelo menos desde 2013, de sobressalto em sobressalto. Depois de uma sucessão de crises em que a mais grave é sempre a próxima, a eleição de 2026 vai ganhando contornos de uma grande DR, com cobranças de promessas não cumpridas, ressentimentos cultivados e desejo de revanche pautando, em caminhos paralelos, o comportamento do eleitor, dos protagonistas e das instituições.

As Jornadas de 2013; a reeleição de Dilma Rousseff por um fio de cabelo e sua rápida queda, menos de dois anos depois; a Lava-Jato; a eleição de Jair Bolsonaro; a pandemia e os abusos autoritários do bolsonarismo no seu curso e depois; a reviravolta que tirou Lula da cadeia e o reconduziu ao Planalto; e condenação e prisão de Bolsonaro compõem um enredo que geraria consequências profundas em qualquer país caso se desenrolasse ao longo de décadas, mas ocorreu em pouco mais de dez anos.

Flávio, o STF e um plano para o fim da reeleição, por Fernando Exman

Valor Econômico

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem projetos para ambos os assuntos, caso suba a rampa do Planalto

Pode se enganar quem acredita que o senador Flávio Bolsonaro deve partir com tudo para cima do Supremo Tribunal Federal (STF), se for eleito, e abandonar a promessa de acabar com a reeleição. Em caso de vitória nas urnas em outubro, dizem aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato do PL à Presidência, Flávio subirá a rampa do Palácio do Planalto com planos sobre ambos os assuntos.

Flávio iniciou a disputa decidido a evitar alguns dos erros estratégicos cometidos pelo pai. Montou, por exemplo, um comitê com uma área jurídica bem estruturada para fazer frente à campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Afinal, todos sabiam da relevância que mais uma vez ganhariam as discussões travadas no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Este “departamento” é liderado pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, que foi ministra do TSE em 2022. Já o time jurídico responsável pelas partes civil e penal é coordenado pelo advogado Tracy Reinaldet, que ganhou notoriedade nacional pelas defesas que conduziu durante a Operação Lava-Jato.

Cuidar da nossa Corte constitucional, por Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

É na resposta do STF, e não na atuação passada de seus membros, que reside o futuro da Corte constitucional

Já passamos por diversas crises no Brasil. Mas, na semana passada, sentimos no peito uma dor inédita. Sobreveio um sentimento novo, um receio real – nada teórico – de perdermos nossa Corte constitucional. Não falo de questões processuais ou de arquitetura institucional, mas de uma realidade prévia, desse consenso civilizatório mínimo que é a base do Direito, que é alicerce do regime democrático.

O quadro é delicado, não apenas pela situação em si, mas porque há muita gente com raiva do Supremo Tribunal Federal (STF). Muitos nutrem desprezo por seus integrantes. Como reagir diante de tudo isso? Qual é a nossa melhor resposta possível, a mais fecunda no curto, médio e longo prazos?

Uma coisa é certa. A melhor resposta nunca são linchamentos, lacrações ou afrontas às autoridades. Também nunca é por meio da indiferença, da desesperança ou do distanciamento. Ou seja, a crise insta-nos também a refletir sobre o exercício da nossa própria cidadania.

Joga-se truco no Supremo, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Mendonça repete o que Moraes fez em 2020; resta saber quem o plenário vai referendar

O plenário do STF virou uma mesa de carteado onde os ministros jogam truco? A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, o delegado Andrei Rodrigues, em razão do esdrúxulo relatório de inteligência usado por Alexandre de Moraes para atacá-lo repete práticas que antes se pensavam existir apenas no gabinete de Moraes: gritar seis nesse jogo de cartas na esperança de encerrar a partida com uma vitória fácil.

São tantos os precedentes na Corte criados pela conduta de Moraes que hoje Mendonça se vale de um deles, com a justificativa de que os fins justificam decisões monocráticas, que sempre ficariam melhor se respaldadas pelo colegiado. Decisões que são vistas de um lado e de outro como tomadas por interesses políticos. Deforma-se a gravitas, o sentimento de honra e dever associado à Justiça.

O Brasil foi comprado? Por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Em uma crônica publicada em 13 de maio, eu assinalei que, por um triz, Daniel Vorcaro não teria comprado o Brasil. Infelizmente, o meu palpite se tornou uma obscena realidade. O que vemos hoje, em relação ao Banco Master e ao seu criminoso e malandro presidente, é uma generosidade intencional para alguns personagens dos Poderes Judiciário e Legislativo e, de resto, para uma elite cujo projeto de vida é ficar rica com o uso pervertido de cargos públicos.

O que tachamos de “corrupção” tem como base o abuso da ética que comanda papéis sociais atribuídos, impostos quando nascemos na esfera da casa e do parentesco. Tais papéis contrastam com os papéis adquiridos que fazem parte do espaço público da rua.

Mendonça usa caos como estratégia eleitoral, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

É evidente o modo politizado como decide o ministro do Supremo

Sua forma de agir se parece mais à de Sergio Moro que à de um juiz atuando em nome da lei

O noticiário recente sobre o Supremo se assemelha mais à cobertura esportiva de um ringue de luta livre que à de um tribunal, com todo respeito aos praticantes de luta livre.

André Mendonça emprega o caos institucional como estratégia de impacto eleitoral. Se inocentes fôssemos, poderíamos supor que o ministro o faz de forma a defender prerrogativas judiciais, mas ninguém mais acredita em juízes heróis desde a Lava Jato; Mendonça tem plena consciência de que as condições institucionais dadas o favorecem —a saber, a fragilidade e o ego de Moraes, a opacidade de Fachin e a eleição competitiva do filho do presidente que o nomeou para o cargo.

De jurídico, os atos de Mendonça têm apenas a forma: determina, de ofício, o afastamento da alta cúpula da PF –a mesma que efetivamente melou o esquema de roubo do Vorcaro, por suposto monitoramento de Mendonça pela PF.

AGU pede a Fachin que suspenda afastamento de diretor-geral da PF decidido por Mendonça, por Mônica Bergamo

Folha de S. Paulo

Órgão salta instâncias e aciona diretamente a Presidência do STF, evitando fazer o pedido ao próprio ministro que deu a decisão

Iniciativa ocorre depois de reunião do advogado-geral da União, Jorge Messias, com o presidente da Corte

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu nesta terça (8), "em caráter de urgência", que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, suspenda liminarmente decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, do cargo.

O pedido, assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção do órgão, sustenta que houve "grave lesão à ordem pública e administrativa" na decisão de Mendonça.

Messias se reuniu com Fachin nesta terça (8) antes de apresentar o pedido.

Nele, o advogado-geral argumenta ainda que o afastamento cautelar "viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal". E afirma que a "descontinuidade abrupta" na gestão da PF "compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional".

Excesso de política torna STF disfuncional, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Decisão de Mendonça de afastar diretor da PF marca escalada na disputa com Moraes

Lula é tragado para o meio do turbilhão, que cada vez mais ganha contornos eleitorais

STF é, por desenho constitucional, um tribunal político. É a única das altas cortes do país para as quais o presidente da República, um agente político, pode indicar quem bem entender.

Não há listas, quinto constitucional e, a rigor, o sujeito não precisa nem sequer ter diploma de direito. Para que a nomeação se efetive, o indicado precisa apenas ser aprovado pelo Senado, que, mais do que um órgão político, é a casa das raposas políticas. E faz sentido que seja assim. Todas as grandes questões que vão ao STF têm uma dimensão política, com potenciais implicações sociais e econômicas, que não seria prudente ignorar.

Crise no STF exige cartas na mesa, ou será guerra sem fim, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Momento requer liderança, papel que no sistema presidencialista concentra atenções em Lula, o chefe da nação

Avançamos para um ponto de não retorno à racionalidade? Pode ser que sim, mas escalada dos conflitos não é opção

Proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas entre altas autoridades da República fazem desta uma crise de governo, englobando os três Poderes no conceito de administração federal.

Daí que a solução não está "nas costas" do ministro Edson Fachin, como quis o presidente Luiz Inácio da Silva em uma das várias tentativas de se desvencilhar da conflagração instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) e que alcança também o Executivo e o Legislativo.

Crise não para de atropelar Fachin, Lula está sem ação, Flávio e Vorcaro surfam na lama, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente do STF não tem poder legal nem força política, por ora, de conter desastre

Eleição é jogada de vez ao porão das disputas de poder políticas e judiciárias

Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ora não tem controle sobre o duelo de morte entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, também disputa de grupos de poder no Supremo e suas articulações na Polícia Federal e na política partidária. A eleição já seria disputada na delegacia, no porão do sistema de Justiça. Agora, é disputada na lama excrementícia que inunda o porão.

Ainda que pretenda pegar o touro à unha, Fachin não pode decretar o fim ou o controle de investigações (em curso ou por serem abertas). Também não tem poder político de controlar o tiroteio. Pelo menos 6 de 9 ministros estão envolvidos na disputa (o décimo ministro é Fachin).

Mendonça traz Lula para o centro da crise no STF, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Presidente já sofria impacto pela associação com Alexandre de Moraes, mas agora é obrigado a agir

Tensão estimula sugestões pouco ortodoxas e de alto risco, como convocar Conselho da República

A inaudita decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de inteligência do órgão, Leandro Almada, trouxe o governo Lula (PT) de vez para a crise do Supremo Tribunal Federal.

Se o presidente já vinha sendo fustigado pela escalada do embate entre Mendonça e o colega Alexandre de Moraes, agora a confusão envolve diretamente seu governo. A Advocacia-Geral de Lula deverá defender Andrei.

É possível argumentar que isso é o dever da Presidência, admitindo aí que Mendonça tenha extrapolado na sua decisão, como sugere a PF. Mas Lula, que vinha manobrando para tentar se manter olímpico no caso, terá de tomar um lado de forma mais óbvia.

Isso agrava a situação do presidente, que já é alvo de campanha pela associação tática que promoveu ao longo de seu mandato com Moraes, o homem que mandou Jair Bolsonaro para a cadeia.

Onde mora o perigo à democracia? Por Ricardo Marinho

Para evitar que nos perdemos em discussões semânticas, digamos apenas que a disputa eleitoral em 2026 é composta por várias candidaturas de partidos que deveriam compor o sistema político, cujos oficialmente são, mas quase sempre se imiscuem dessa posição, e na prática às vezes parecem ser e às vezes não.

Esse desenho gelatinoso é constituído por uma miríade de setores da geografia política aos quais pertencem todos que estão na disputa eleitoral de 2026. Estes setores, pela própria natureza das coisas num país presidencialista, formaram o “grupo governante”.

Um segundo componente é a coligação de vários partidos que percorrem juntos o já longo processo de consolidação democrática e suas vicissitudes. Na coligação predominam aqueles que adotaram uma valorização do sistema democrático e tendem a moderar os impulsos autoritários que aparecem, de tempos em tempos, em grupos ideológicos ou não de linha dura.

Poesia | Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Antônio Carlos Jobim, Toquinho - Samba de uma nota só

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congresso dá passo correto rumo à economia do futuro

Por O Globo

Leis com incentivos a data centers e regras para minerais críticos são fundamentais para modernizar país

Depois de muita protelação, o Congresso enfim aprovou na semana passada duas leis essenciais para preparar o Brasil aos desafios econômicos do futuro. Na terça-feira, os senadores chancelaram um Projeto de Lei restabelecendo estímulos fiscais à instalação de data centers. No dia seguinte, referendaram o Projeto de Lei dos Minerais Críticos, com regras e incentivos para exploração e beneficiamento de diversos minérios, entre eles as terras-raras.

Com matriz enérgica limpa, o Brasil tem potencial para se tornar um expoente em data centers, o dínamo que armazena e processa informação no mundo digital. Sem eles, não há como acessar aplicativos de banco, chamar carros, ver filmes no streaming, entrar em redes sociais e, sobretudo, usar inteligência artificial (IA). Grandes consumidores de eletricidade e água, os data centers têm sido alvo de protestos em comunidades rurais americanas, sobretudo em razão do aumento do custo da energia. O Brasil tem uma enorme vantagem comparativa no fornecimento de energia e água — e pode atrair para cá o investimento rechaçado por lá.

Lula paga o pato do Master porque erra o alvo, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Presidente é pressionado contra André Mendonça, mas alvo a ser desconstruído é Flavio Bolsonaro

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, ascendeu para o empate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na simulação de 2º turno da Quaest num momento em que cresce a preocupação com o endividamento e com a corrupção. A resposta do governo à primeira deverá ser uma tardia medida provisória restringindo apostas online.

A resposta à segunda passa pela inclusão, igualmente tardia, no programa de governo lulista, de uma reforma do Judiciário que passe pela ampliação da transparência e do controle social. Vai ser suficiente para conter a curva ascendente da candidatura bolsonarista? Uma parte da resposta está nos sinais da manifestação bolsonarista deste 7 de Setembro na Avenida Paulista, recorte do eleitorado do Sudeste em que, assim como em 2022, a eleição está mais aberta.

Impacto de crise no STF tira força de Lula sem fortalecer Flávio, por César Felício

Valor Econômico

Tema da corrupção cresceu de 14% para 20% entre as preocupações do eleitorado em um intervalo de apenas cinco dias

pesquisa Quaest sobre a eleição presidencial divulgada neste feriado de 7 de Setembro colheu em seu período de entrevistas o pico da reverberação das denúncias contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes, cujas relações suspeitas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram expostas pelo colega de Corte, André Mendonça. Não há outro fato relevante entre esta rodada e a anterior, de 2 de setembro. O impacto, como era previsível, foi negativo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele fica patente na medida divulgada pelo instituto sobre a aprovação do governo. Ela caiu dois pontos percentuais (45% para 43%), enquanto a desaprovação subiu dois pontos (48% para 50%) . Este “gap” de sete pontos percentuais só é comparável ao quadro de abril, quando a desaprovação superava a aprovação em nove pontos.

A boca do jacaré, por Merval Pereira

O Globo

A sorte de Lula, se é possível falar assim, é que seu principal adversário é Flavio Bolsonaro, também envolvido com Vorcaro no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre seu pai

Mais importante do que o empate numérico entre o presidente Lula e o senador Flavio Bolsonaro no segundo turno da eleição, é a tendência que a nova pesquisa Quaest exibe: a chamada “boca do jacaré” fechando em favor da oposição. Essa gíria estatística acontece quando os índices a favor de um candidato vão se aproximando do antigo favorito, desenhando no gráfico uma “boca de jacaré” se fechando. Quando isso acontece, muito mais agora, em que estamos a menos de um mês das urnas, é sinal de que o eleitorado está tendendo para um lado.

Podemos esperar algo das eleições? Por Fernando Gabeira

O Globo

Será preciso reformar o Supremo, a começar pela prática daninha de presidentes indicarem amigos

E essas eleições aí? Nas ruas, já começam a perguntar pelo processo eleitoral e confesso que não tenho resposta fácil. O Brasil anda muito complicado, temos de fazer um esforço permanente para ligar os fios, preencher lacunas, enfim, entender o que se passa.

A historiadora e psicanalista Élisabeth Roudinesco fez uma palestra interessante no Brasil com o título “Ainda podemos sonhar com outra vida?”. Sinto que as pessoas na rua me fazem precisamente esta pergunta:

— Ainda podemos sonhar com outro país?

Roudinesco faz uma digressão sobre uma famosa ideia popularizada por Gramsci: é preciso aliar o pessimismo da inteligência ao otimismo da vontade. Segundo ela, a inteligência anda junto ao pessimismo porque pressupõe uma distância crítica da realidade para que a gente não se iluda. Parar por aí, porém, pode significar um mergulho na nostalgia, uma recusa a mudar o curso da história.

O silêncio das Forças Armadas, por Míriam Leitão

O Globo

Sete de setembro mostrou o afastamento das Forças Armadas das eleições, enquanto templos religiosos ainda são usados como currais eleitorais

Não se ouve mais barulho vindo dos quartéis, ao contrário do que ocorreu nas eleições de 2018 e de 2022. Não é por acaso. Nos últimos quatro anos comandantes militares fizeram um trabalho silencioso, mas determinado, para corrigir a rota na qual Jair Bolsonaro havia colocado as Forças Armadas. Algumas decisões foram públicas, como a de proibir manifestação do pessoal da ativa em redes sociais. Outras foram bem mais discretas e exigiram dos comandantes muitas conversas internas e viagens pelos estabelecimentos militares em todo o Brasil.

Jair Bolsonaro havia feito uma mobilização deliberada para envolver as tropas na disputa eleitoral brasileira. Começou anos antes de sua eleição e foi escancarada durante seu mandato. Oficiais voltaram a participar da disputa de poder no Brasil, depois de terem estado alheios durante todos os outros governos após a redemocratização.

É hora de refundar a República, por Pedro Doria

O Globo

O próximo presidente, no uso de sua autoridade, pode convocar um conselho de notáveis

Os regimes, na História da República brasileira, duram uma média de 20 a 30 anos. Entre 1889 e 1930, a Primeira República ficou de pé por 41. A ditadura Vargas, até 1945, durou 15, seguida da Segunda República, encerrada pelo golpe de 1964. Ao todo, 19 anos. Somem-se 21 anos da ditadura militar. Todos ruíram porque entraram numa espiral de autodestruição, incapazes de gerir os conflitos internos por controle de poder. Cada um foi encerrado da mesma forma: por um golpe militar. Todos, menos um. A Nova República, que agora tem 41 anos, nasceu de uma restauração democrática sem generais. Precisamos considerar a possibilidade de que o sistema político tenha perdido a capacidade de gerir seus conflitos e levá-los a uma solução. Novamente.

Lula e os endividados, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A Quaest é ruim para Lula, não porque Flávio Bolsonaro avança, mas porque ele anda para trás

A pesquisa Quaest deste 7 de setembro, a 24 dias das eleições, é importante e traz dados ruins para o presidente Lula, que deixa de ser o favorito e vai de empate técnico para empate numérico com Flávio Bolsonaro no segundo turno, 41% a 41%, com tendência de queda. Ou seja, a possibilidade de ser ultrapassado por Flávio nas próximas rodadas, ou semanas, é real.

Lula tinha 45% em julho, vem perdendo um ponto porcentual a cada nova Quaest e chega na reta final da campanha beirando os 40% no segundo turno, com um outro dado que não apenas explica o sufoco, como é o principal empecilho para o seu quarto mandato: a desaprovação do governo.

Fraturas e atalhos, por Jorge J. Okubaro


O Estado de S. Paulo

O Supremo precisa olhar para dentro de si, e alguns de seus membros precisam abandonar objetivos políticos

Raras vezes se viu fratura tão nítida na imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte vive, talvez, sua maior crise de credibilidade desde o fim da ditadura militar. Por ação de alguns de seus integrantes ou por omissão coletiva, sua respeitabilidade está em risco. Neste momento, no entanto, diminuir o Supremo, enfraquecê-lo e questionar suas competências só interessam aos inconformados com as regras democráticas e aos que almejam soluções fora das instituições. O STF demonstrou seu papel essencial na defesa das garantias democráticas quando teve de decidir sobre a tentativa de golpe de Estado praticada em 8 de janeiro de 2023 pelos derrotados nas urnas no ano anterior. Não interessa aos que defendem o Estado Democrático de Direito que este papel seja abandonado ou fragilizado. Mas, para preservá-lo com dignidade, autoridade e credibilidade, o Supremo precisa olhar para dentro de si, e alguns de seus membros precisam abandonar objetivos políticos.

Sobre independência, tradição diplomática e nova Guerra Fria, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Apesar das diferenças, prevaleceu a noção de que a política externa deveria servir aos interesses permanentes do Brasil. Hoje, essa política está sendo posta em xeque

A política externa brasileira não nasceu com a Independência, cujos 204 anos comemoramos ontem, com o tradicional desfile do Sete de Setembro, desta vez em meio a uma campanha eleitoral e radicalizada polarização política. Sua gênese antecede a criação do Estado nacional e remonta às negociações que definiram o próprio território. Antes de o Brasil se tornar soberano, nossa diplomacia já começara a construí-lo, como destaca o embaixador Rubens Ricupero, no seu livro A diplomacia na construção do Brasil: 1750-2016 (Versal).

Lula pega carona na limpa de Ricardo Couto no Rio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Versão de que o desembargador seria indicado serve para o presidente se distanciar da crise no STF

Interessa ao governo se associar à boa imagem do governador interino livre de compromissos políticos

Governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto faz uma limpa na administração estadual porque não tem compromissos políticos a serem atendidos.

Couto não é do ramo, mas isso em tese não o impediria de perceber que está sendo usado na versão de que é cogitado para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.

Alexandre de Moraes acordou evangélicos de direita para a eleição, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Mensagens pedindo orações por André Mendonça são código para mobilização

Ao atacar Mendonça, Moraes ameaça também a reputação de evangélicos

Igrejas evangélicas por todo o país saíram do estado de torpor para o de ebulição. Seus núcleos bolsonaristas estavam apáticos, por rejeitarem Flávio ou por entenderem que ele perderia a eleição. A guerra no STF os reenergizou.

Os sinais indiretos que circulam são, principalmente, mensagens que dizem "vamos orar por André Mendonça" —o que significa, na verdade: vamos atuar nesta eleição, vamos apoiá-lo.

A divulgação dos diálogos de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocou essa mobilização. Há o entendimento de que defender o impeachment desse ministro levará à vitória contra o PT.

Alexandre de Moraes: admiração e indignação - que a Justiça seja feita, por Elias Gomes*

É inegável o papel desempenhado pelo ministro Alexandre de Moraes na investigação e responsabilização daqueles que atentaram contra a democracia brasileira. Com firmeza e rigor, conduziu processos que expuseram uma articulação política e institucional que buscava romper a ordem democrática conquistada com tanto sacrifício pela sociedade brasileira.

O processo chegou a um momento histórico: a condenação de generais e integrantes do alto oficialato das Forças Armadas. Um fato inédito que demonstra que, em uma democracia, farda, cargo, mandato ou poder não podem colocar ninguém acima da Constituição.

Mas existe sempre um “mas”. Se ninguém está acima da lei, ninguém pode estar acima dela - absolutamente ninguém. Nem presidente da República, nem parlamentar, nem empresário, nem general e, muito menos, ministro do Supremo Tribunal Federal.

O perigo da anomia: eles estão de volta... por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Seria assim um Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aparentemente rigoroso, se não houvesse tanta conveniência jurisprudencial entre juízes, governantes e políticos. As eleições no Brasil, depois de apuradas, resultaram quase sempre em questionamentos sobre os resultados oficiais.  E o que está acontecendo nesta de 2026? Para concorrer nas eleições de outubro, os partidos políticos estão desobrigados de pagar previamente multas por transgressões eleitorais cometidas nos pleitos anteriores e os políticos condenados na Justiça por corrupção, cumprida a pena, estão livre para candidatar-se.  As Leis Complementares nº 135, de 2010, conhecida, como "Lei da Ficha Limpa", emendada pela Lei Complementar nº 64/1990 ("Lei das Inelegibilidades") parecem ter perdido a validade, à luz desse imbroglio que envolve, hoje, o Judiciário e, individualmente, o histórico e as relações entre ministros que o compõem. 

Poesia | Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Milton Nascimento - Travessia

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Uso militar da IA exige atenção de todo o planeta

Por O Globo

Mortes causadas por drone autônomo na Ucrânia expõem dilemas similares aos trazidos pela bomba atômica

É provável que o dia 6 de julho de 2026 entre para a História como o primeiro registro de morte provocada por inteligência artificial (IA) numa guerra. Naquele dia, um drone russo controlado desceu sobre a cidade de Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, em direção a um posto de gasolina, explodiu num muro, e seus estilhaços mataram três pessoas. Peritos concluíram que o drone estava programado para voar até o local e escolheu explodir perto do provável alvo: um tanque de combustível. Não devido a erro, mas porque decidiu fazer aquilo, sem qualquer controle humano. Foi guiado por IA.

Foi o primeiro caso documentado com morte de civis por drone do tipo, de acordo com análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. A perícia foi confirmada pelo resgate, dentre os destroços, de um pequeno processador da Nvidia, principal fornecedora de chips para IA. O drone foi considerado arma autônoma.

Depois da Independência: quem decide o futuro do Brasil? Por Sami Sternberg

Correio Braziliense

O objetivo oculto da interferência externa sobre o Brasil é impactar diretamente a maneira como a população enxerga as próprias instituições e a capacidade do país de lidar com seus desafios internos

Enquanto o Brasil passa por mais um 7 de setembro que simboliza sua autonomia e soberania, o país convive com ações de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro que saíram da esfera especulativa e se tornaram realidade. Não há dúvidas de que as sucessivas medidas econômicas, políticas e diplomáticas tomadas pelo atual governo dos Estados Unidos e seus aliados geram impactos diretos na corrida eleitoral do país. Mas a maior vítima dessa engrenagem de ingerência e desinformação é algo que transcende os diferentes espectros ideológicos: a integridade da democracia brasileira.

De espancamentos e chacinas, por Miguel de Almeida

O Globo

Só faltou acrescentar que deveria ter o destino do ciclista de Copacabana, morto a pauladas por seguranças

Um recorte de 1978: em “Um homem chamado Opinião”, de Márcio Pinheiro, sobre o publisher Fernando Gasparian, criador do jornal “Opinião”, célebre órgão de oposição à ditadura, há a inauguração de sua Livraria Argumento, na paulistana Rua Oscar Freire. Impressiona a lista de presentes: entre eles, Fernando Henrique Cardoso, Paul Singer, José Arthur Giannotti, Florestan Fernandes, Antônio Cândido e Francisco Weffort. Todos professores universitários, intelectuais que participavam do debate público. Sofreram todos sob o regime militar — cassados ou exilados —, mas buscaram vencer o arbítrio. Cada um, a seu jeito, esteve na base da formação do PSDB ou do PT.

Eleições com IA, sim! Por Irapuã Santana

O Globo

A simples proibição de um instrumento não é o melhor caminho para a sociedade. Parece ser um esforço para impedir o inevitável

Na última terça-feira, o TSE definiu os critérios para caracterizar um deepfake nas eleições de 2026. Estabeleceu que é o conteúdo sintético produzido por inteligência artificial (IA) que apresente grau de realismo com potencial de induzir o eleitor a erro. Esse é um exemplo do grande desafio diante da nossa Justiça Eleitoral para regular o uso da tecnologia em 2026.

A fim de proteger o pleito, o tribunal se aprofundou bastante no tema e, como não poderia ser diferente, isso produziu alguns efeitos negativos sobre a própria democracia. “Numa democracia, em que rege a ideia de autogoverno, nós usamos os processos democráticos para que o Estado consiga captar corretamente a vontade das pessoas, as preferências em geral do eleitorado, através do voto, da escolha dos seus representantes”, diz o desembargador eleitoral do TRE-RJ Bruno Bodart.

Não há empate entre Mendonça e Moraes, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

O pessoal do abafa, a longa fileira de autoridades que se beneficiaram do dinheiro de Vorcaro, já está em campo

Muitos analistas sugeriram que Alexandre de Moraes deveria renunciar ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da revelação dos fortes indícios de relações impróprias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Afastado, Moraes contrataria um bom advogado e se dedicaria a sua defesa. Seria, de fato, uma atitude republicana, levando em conta os interesses do país — dado o tamanho do caso — e preservando o próprio STF.

Se fizesse isso, Moraes se despiria da couraça que o protege — o poder do cargo — e perderia o foro privilegiado. Voltaria a ser um brasileiro comum, embora rico. Especulando: que condições deveriam estar presentes para que Moraes tomasse tal decisão? Duas: a convicção pessoal de que é inocente e a certeza de que teria um julgamento justo.

Dois juízes ‘heróis’: tudo que não precisamos, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Tudo o que o Brasil não precisava era de 2 juízes ‘heróis’ para energizar torcidas políticas

A crise do Supremo Tribunal Federal é fruto de um mal: a existência de ministros que tudo podem e, como deuses intocáveis, acreditam estar acima das leis. Esses juízes supremos não surgiram do nada. Eles foram gerados pela carência da população brasileira por heróis e cresceram (em poder, em número, em ousadia nas decisões monocráticas) porque as instituições, entre as quais o próprio STF, falharam em contê-los.

Decepcionados com os políticos, os brasileiros passaram a olhar para certos juízes como salvadores imbuídos da missão de varrer a corrupção do País ou de fazer justiça social. A tentação de encontrar tais heróis nos tribunais se nutre do desejo de acreditar que só um homem forte, sem precisar prestar contas a ninguém, pode consertar as coisas e fazer “o que precisa ser feito”.

Crise institucional, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Se o STF optar pela Justiça, poderá recuperar o seu prestígio e ganhar o reconhecimento da sociedade

O Supremo é um trem descarrilhado chocando-se com a República. Não poderá ela resistir se nada for feito, pois o que se tem visto é uma instituição na qual alguns de seus membros, além de exorbitarem de suas funções e prerrogativas, defendem prioritariamente interesses privados e corporativos. As relações promíscuas, esse é o termo mais apropriado, entre o mafioso – impropriamente denominado de banqueiro – Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, são estarrecedoras. A mulher do ministro faz um contrato de R$ 131 milhões com o mafioso, contrato esse por ele próprio revisado. Fica-se com a impressão de que o trata como um funcionário seu. A República não pode conviver com cenas desse tipo, a menos que abdique de ser a “coisa pública” para ser a “coisa privada” de alguns.