sexta-feira, 3 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão sobre ‘penduricalhos’ ampliou incerteza

Por O Globo

Depois de STF ressuscitar quinquênio para juízes e procuradores, demais servidores também querem a regalia

Era previsível: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tentou disciplinar os supersalários no serviço público surtiria efeito contrário, abrindo caminho para outras categorias reivindicarem as mesmas bondades concedidas ao Judiciário e ao Ministério Público (MP). Pois não deu outra. Levou uma semana para o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate) reivindicar ao Ministério da Gestão e Inovação a retomada da discussão sobre o adicional por tempo de serviço para servidores públicos — a promoção automática conhecida como quinquênio —, com base na decisão que o ressuscitou para juízes e integrantes do MP. O quinquênio havia sido extinto por Emenda Constitucional em 2003.

Enquadrar Fachin é inversão, por Vera Magalhães

O Globo

Aqueles que deveriam ser instados a dar explicações e adotar a transparência sobre suas ações isolam o presidente e tentam evitar medidas mínimas de transparência

O problema da formação de panelas em colegiados com poucos assentos, como o Supremo Tribunal Federal (STF), é que os alinhamentos produzem distorções que acabam por agravar os vícios e impedir sua correção. Edson Fachin nunca foi integrante dos grupos, mais ou menos fluidos a depender da época e das circunstâncias políticas, que se formam no STF. Tímido, menos empavonado que os colegas e não tão afeito às costuras como muitos de seus pares, tem alternado momentos de adesão e outros de isolamento ao longo dos anos em que está na Corte.

Nas asas de Vorcaro, Por Bernardo Mello Franco

O Globo  

Dois ministros do Supremo viajaram em jatinhos de Daniel Vorcaro. A revelação deveria apressar a Corte a aprovar um código de conduta. Nos últimos dias, ocorreu outra coisa: cresceu a resistência às regras propostas pelo presidente Edson Fachin.

A notícia das caronas aéreas criou novos problemas para Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Os ministros já estavam ligados ao caso Master por repasses milionários — um via resort, outro pelo escritório de advocacia da família. Agora precisam explicar por que embarcaram em aeronaves do banqueiro preso.

Patriotas de vermelho, azul e branco, por Pablo Ortellado

O Globo

Declarações e atos da família subordinam interesses brasileiros à aliança com os Estados Unidos

Flávio Bolsonaro fez uma palestra na CPAC, principal conferência conservadora dos Estados Unidos, no último sábado. Como era de esperar, em seu discurso atacou as elites globalistas, o ambientalismo, a agenda woke e o Estado profundo; protestou contra a prisão do pai e acusou o presidente Lula de se alinhar com a China — propondo, em contrapartida, alinhar-se aos Estados Unidos se eleito presidente.

Em busca de narrativa eleitoral, Lula defende Pix sob ataque dos EUA, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A adoção de um discurso mais combativo indica que o presidente compreendeu a necessidade de recompor sua base eleitoral e melhorar a avaliação do governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram nesta quinta-feira a um relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio exterior. A posição da Casa Branca não é nova, mas a divulgação do relatório deu oportunidade para que Lula tente politizar ao máximo a questão e transformar a defesa do Pix numa bandeira eleitoral com popularidade. É a busca de uma narrativa convincente sobre o bom desempenho de seu governo para tentar aumentar sua aprovação.

Lula reage aos EUA: Pix não vai mudar

Por Francisco Artur de Lima / Correio Braziliense

Presidente diz que sistema de pagamento instantâneo é brasileiro e ninguém fará o país modificá-lo. Declaração ocorre após relatório apontar que o mercanismo é uma das principais barreiras impostas pelo Brasil aos interesses comerciais americanos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram, nessa quinta-feira, ao relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio norte-americano.

Lula enfatizou que nenhum país nem "ninguém" vai alterar o funcionamento do método de pagamento instantâneo criado pelo país. "Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix, e eles disseram que distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", enfatizou. "O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país."

STF atua pela liberdade de expressão, diz Fachin

Por Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF rebate relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA que acusa a Corte de censura. Ministro ressalta que o Supremo preza pelos direitos fundamentais, reconhecidos pela Constituição

O Supremo Tribunal Federal (STF) saiu em defesa das instituições brasileiras após a repercussão de um relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. O documento, que aponta supostas violações à liberdade de expressão no Brasil com efeitos extraterritoriais, foi classificado pela Corte como uma peça baseada em "caracterizações distorcidas". Em resposta, o tribunal prepara esclarecimentos diplomáticos para restituir a "leitura objetiva dos fatos" junto ao Congresso americano.

Os CPFs versus o CNPJ do Supremo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O mundo está caindo na cabeça de Moraes, mas ele e o STF fingem que não é com eles

Ou o ministro Alexandre de Moraes admite que gastou R$ 1 milhão com aluguel de jatinhos, o que, convenhamos, não é trivial, ou vai ter de assumir sua proximidade, até intimidade, com o então banqueiro Daniel Vorcaro, o que é menos trivial ainda, em se tratando de um ministro do Supremo – justamente o que capitaneou a resistência a um golpe de Estado.

Moraes age e decide como se nada tivesse acontecido e como se a delação premiada de Vorcaro não estivesse no horizonte. Está, deve vir logo e espera-se que seja corroborada por seu cunhado e braço direito, o pastor esquisitão e supertatuado Fabiano Zettel.

Suprema blindagem, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

As notícias sobre as relações próximas entre ministros do Supremo Tribunal Federal e o exbanqueiro Daniel Vorcaro se sucedem e nada acontece. Nem mesmo a gritaria de sempre no Congresso Nacional.

É um sinal grave do aparelhamento dos órgãos de investigação e do sistema de pesos e contrapesos que deveria reger a República.

Graças ao trabalho investigativo da imprensa, as revelações se avolumam.

Contra o ministro Alexandre de Moraes pesam o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa com o Master, as trocas de mensagens no dia da primeira prisão de Vorcaro e, agora, as viagens no avião de uma empresa do ex-banqueiro.

Trump afunda em contradições, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O pronunciamento do presidente Donald Trump perante a nação, na quarta-feira, veio carregado de contradições. Foi o primeiro depois do início da guerra, feito por meio de texto previamente preparado, apresentado via teleprompter, e não por tiradas improvisadas em “quebra-queixos” diários aos repórteres reunidos em cada ocasião.

Ele disse que o Irã está militarmente aniquilado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. Mas, em seguida, afirmou que a guerra prosseguiria por pelo menos “duas ou três semanas”. Não ficou claro o que seriam essas operações destinadas a “completar o trabalho”. Em outras declarações, Trump já afirmara que a guerra não duraria mais do que duas ou três semanas, prazo que acabaria sucessivamente dilatado.

Apequenando a América, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Políticas de Donald Trump minam os pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder

Liderança internacional, predominância científica e apetite global pelo dólar estão sob risco

Donald Trump procura "tornar a América grande de novo" exercitando o músculo militar do país, hostilizando imigrantes e impondo tarifas a outras nações, entre outras políticas erráticas. Na prática, o que ele está conseguindo é erodir três pilares a partir dos quais os EUA exerciam seu poder.

Recursos bélicos importam, mas o que realmente dava aos EUA um lugar único na ordem global era seu papel de liderança sobre o que os próprios americanos chamavam meio pretensiosamente de "mundo livre". Não era uma liderança que se impunha só pela força, mas principalmente pela adesão voluntária a um sistema internacional baseado em regras. O Agente Laranja já dinamitou esse sistema. Até os mais tradicionais aliados dos EUA já buscam alternativas. Mesmo que a Otan sobreviva a Trump, não será a mesma organização. Isso vale para todas as instituições multilaterais, da OMC à ONU.

Do paraíso de Darcy ao inferno de Lula no Senado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A frase do antropólogo sobre o céu dos senadores hoje não reflete o ambiente de hostilidade reinante na Casa

Alcolumbre pressiona, ameaça, mas terá de arcar com o ônus de deixar o STF desfalcado até quando durar a pirraça

Darcy Ribeiro (1922-1997) criou a frase célebre de comparação do Senado ao paraíso, na qual ressaltava a vantagem de se chegar ao Congresso sem o pré-requisito da morte. Celebrava o próprio mandato, conquistado em 1990 pelo Rio de Janeiro.

Luiz Inácio da Silva (PT) pareceu ecoar o conceito ao dizer que os senadores, "com mandato de oito anos", se veem como deuses. Talvez a intenção tenha sido fazer a referência, mas a diferença entre o antropólogo e o presidente vai além das três décadas que separam os respectivos ditos. Há as circunstâncias.

Vorcaro para principiantes, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem é o homem por trás desse currículo de dar inveja aos seus colegas da Faria Lima?

Como foi sua infância? Jogava pelada, matava aula, levava a Playboy para o banheiro?

Daniel Vorcaro é um contêiner de surpresas. Não há dia em que não se abra um arquivo sem encontrar uma façanha de sua lavra. E, como todas, da ordem de milhões, bilhões de reais, capaz de quebrar bancos, envolver figurões da República e atolar os Poderes num lamaçal histórico. É um dos dois ou três nomes mais citados do noticiário, e o espantoso é que, até há pouco, ninguém ouvira falar dele. Mesmo hoje, não sei de ninguém que responda a perguntas simples, tipo: Como Vorcaro juntou tanto dinheiro e tão rápido? De onde tirou o know how? Quais foram seus mestres?

Lula entre a aflição e o tiro no pé, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Até ultraliberal alucinado Milei manda tabelar preço da petroleira estatal na Argentina

Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve

O governo começa a dar sinais de aflição desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.

O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.

Dinheiro e religião, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo

A frequência de notícias de pastores e missionários de igrejas evangélicas em casos de anomalias envolvendo formas não convencionais de ganhar dinheiro, apuradas pela polícia e pela Justiça, indica que o problema passou dos limites da “normalidade”. Entre as mais recentes estão casos ligados a algumas igrejas evangélicas neopentecostais.

O que significa uma igreja manter um banco no seu interior e no mesmo endereço? Igreja como mero ramo de negócio lucrativo. Em vez de sacrário, um gasofilácio sem fundo. Por que o dinheiro nas mãos dessa gente torna-se isento de suspeita? Supostamente porque esses religiosos falam e agem em nome de Deus. Mas fomentar essa crença transforma esse negócio de falar em nome de Deus em negócio suspeito.

Poesia | Os três mal amados (Trecho), de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Anjo da Velha Guarda com Teresa Cristina

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alcolumbre tem de ser ágil ao marcar sabatina de Messias

Por O Globo

Lula enviou enfim ao Senado mensagem indicando chefe da AGU a vaga no Supremo

Depois de mais de quatro meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou enfim ao Senado a mensagem oficializando a escolha do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso. A escolha de Messias foi publicada em novembro no Diário Oficial. Nunca o chefe do Executivo protelou tanto o envio da mensagem, mera formalidade.

As ideias do novo ministro da Fazenda, por Míriam Leitão

O Globo

À frente da Fazenda, Durigan afirma que cumprirá as regras fiscais do país e que o Brasil dará exemplo de democracia na eleição

das famílias incluirá desconto na dívida, garantia do governo e será mais simples do que foi o Desenrola. “Neste ciclo do governo do presidente Lula, mais de 15 milhões de pessoas foram bancarizadas”. É o que conta o ministro Dario Durigan em entrevista que me concedeu na GloboNews, na qual falou também de política. O novo titular da Fazenda se espanta ao ver lideranças jovens no país com “um discurso pouco republicano”. Ele se define como um técnico que tem respeito pela política. “Vamos cumprir as regras fiscais do país e vamos ter uma eleição sem negacionismo, uma eleição livre com reconhecimento do resultado. O ciclo democrático ocorrerá de maneira bonita”.

A República do autoengano, por Malu Gaspar

O Globo

Aquecendo os motores para a campanha pela reeleição, Lula fez uma reunião para se despedir dos ministros que disputarão algum mandato em outubro. Na fala transmitida pelo YouTube, o presidente convocou seu time para “ir pra cima” de Flávio Bolsonaro, mostrando que seu governo fez “infinitamente mais” que o anterior. Rui Costa, da Casa Civil, fez uma apresentação comparando Lula e Jair Bolsonaro, classificando o resultado de “mudança da água para o vinho”. E sugeriu que o colega da Comunicação, Sidônio Palmeira, não estava fazendo seu trabalho direito.

Política no STF, Por Merval Pereira

O Globo

A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Não é porque não tem “notório saber jurídico” que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, não poderia ser indicado para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Esse requisito há muito não é levado em conta na escolha do candidato, e, na verdade, são poucos os que o têm. O problema é que, mais uma vez, o presidente Lula escolheu um ministro do Supremo por suas qualidades pessoais, não jurídicas. A lealdade a quem indica é o principal fator para a escolha, seja de que linha ideológica for o presidente, e isso desvirtua o sentido do ritual de aprovação.

Visão do passado arrisca reeleição, por Julia Duailibi

O Globo

As pessoas conhecem os programas do governo e os veem, hoje, não como favor, mas como obrigação

Diagnóstico errado; remédio também errado. Essa máxima serve para a política. O presidente Lula avalia que a baixa aprovação da sua gestão, na reta final do mandato, tem a ver com uma falha na comunicação sobre as entregas do governo. A falta de informação na praça seria a principal explicação para a desaprovação, que atinge mais da metade da população. Lula culpa não só a imprensa, reeditando a visão equivocada de que jornais e TVs deveriam funcionar como linhas auxiliares dos Diários Oficiais, mas também os canais formais da Presidência.

Os bônus e ônus para Lula da indicação de Messias ao STF, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O indicado carrega no passivo de imagem o episódio de 2016, quando seu nome apareceu em interceptações telefônicas no contexto da crise do impeachment de Dilma Rousseff

A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas da campanha eleitoral, tem bônus e ônus. Ocorre num cenário político-institucional delicado, com a Corte muito desgastada por causa do envolvimento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Banco Master, e dividida quanto à condução desse processo pelo novo relator do caso, ministro André Mendonça — sem falar no racha entre os ministros quanto à aprovação de um Código de Ética para a magistratura. A eventual aprovação do nome de Messias reforçará a associação da imagem da Corte à de Lula, que passaria a ter três ministros, com Cristiano Zanin e Flávio Dino, fortemente ligados ao seu governo. Isso produz efeitos ambíguos, com ganhos políticos na relação com os demais poderes, porém, sob desgastes eleitorais imprevisíveis.

Sem anistia, por Cida Barbosa

Correio Braziliense

Fingir que nada aconteceu, passar uma borracha, "esquecer" — como querem pré-candidatos, no vale-tudo pela Presidência — é permitir que ocorram novas ofensivas

É lastimável que pré-candidatos à Presidência da República apresentem como cartão de visitas a promessa de anistia ampla, geral e irrestrita a golpistas condenados. Postulantes ao comando do país não têm pudor de enfatizar que o principal contemplado com o perdão será o chefe da organização criminosa que atentou contra a democracia. Chefe este, diga-se, que desfruta de prisão domiciliar humanitária — benefício possível apenas no Estado de Direito que ele tentou derrubar.

O argumento acintoso desses pré-candidatos é que a pacificação do país passa pela anistia. Livrar da cadeia os que planejaram assassinato de autoridades? Os que depredaram os prédios dos Três Poderes? Os que bradaram por intervenção militar e queriam mergulhar o Brasil novamente num período de trevas?

Fraudes trabalhistas, extinção de direitos e o julgamento no STF, por Luiz Marinho*

Correio Braziliense

É possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Questão será julgada pelo STF

Aproxima-se, no Supremo Tribunal Federal (STF), o julgamento de uma questão essencial: é possível validar a prática de transformar artificialmente um empregado em uma pessoa jurídica mesmo estando presentes todos os requisitos de um emprego? Se não for possível, por se tratar de uma fraude, qual ramo do Judiciário deve ser indicado para impedi-la? 

Governadores fogem da raia na eleição para o Senado, por César Felício

Valor Econômico

Apenas 8 dos eleitos em 2022 devem concorrer às 54 cadeiras de senador em disputa

A lista de governadores candidatos a outros cargos nesta eleição encolheu nos últimos dias. Até sábado, último dia da desincompatibilização, dez governadores eleitos em 2022 deverão ter deixado o cargo para buscar outros desafios.

Dez ou onze. O gaúcho Eduardo Leite (PSD) foi o último a engrossar a lista dos desistentes. No caso, o partido desistiu dele, ao preteri-lo para a presidência da República em favor do goiano Ronaldo Caiado. Leite contudo deu mostras de inconformismo e começaram a circular apelos de personalidades ligadas ao PSDB para que ele retorne ao ninho tucano e tente viabilizar a sua candidatura por lá. Pouquíssimo provável, já que a base de Leite na Assembleia Legislativa migrou para o PSD por orientação do governador, mas o governador gaúcho tem precedente de decisões surpreendentes.

Entrevista | Alckmin prevê ajuste fiscal em 2027 em caso de reeleição de Lula

Por Lu Aiko Otta, Giordanna Neves e Estevão Taiar / Valor Econômico

Vice vê melhora, mas defende avanços; tema será estudado pelo presidente

O atual governo melhorou a situação das contas públicas, mas é preciso avançar mais, defendeu o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin em entrevista ao Valor. Segundo ele, se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, será necessário fazer um ajuste fiscal já em 2027. “Eu entendo que ajuste se faz no primeiro ano”, afirmou.

O tema será discutido na elaboração do programa de governo. A questão fiscal fará parte de “um conjunto” de propostas. “A questão mais premente é juros, a política monetária, que me parece totalmente descalibrada”, acrescentou.

Jogando com o extermínio, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

A possibilidade de uma chuva de artefatos mais destrutivos do que aqueles que a Casa Branca despejou em Hiroshima e Nagasaki pode não ser grande, mas é real

Segundo uma crença liberal do século passado, as guerras arrefeceriam à medida que as sociedades de mercado prevalecessem e os regimes democráticos, minimamente estáveis, perdurassem. Pois bem, o que se deu foi o contrário, três vezes o contrário.

Primeiro revertério: os regimes democráticos começaram a periclitar e agora claudicam. O relatório anual do Instituto V-Dem, o principal ranking da democracia no mundo, rebaixou os Estados Unidos (até os Estados Unidos). De “democracia liberal”, o país caiu para “democracia eleitoral”. Na terra do tio Trump (o Tio Sam foi deportado), os indicadores de liberdade apodrecem como detritos burocráticos que o caminhão de lixo se esqueceu de recolher.

Vergonha, fake news e carta na manga, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Uma das armas de Edson Fachin para tirar o Supremo da crise é o constrangimento

Edson Fachin aposta no constrangimento para tirar o Supremo Tribunal Federal (STF) do atoleiro no qual está mergulhado. Ele quer aprovar um código de ética para a Corte ainda neste ano. Os ministros estão abertos à ideia – desde que não sejam punidos por eventual desvio de conduta.

Para serem sancionados, os ministros precisariam criar uma comissão de ética nos moldes da que existe no Palácio do Planalto. No caso do STF, os ministros têm resistência a escolher integrantes para esse colegiado. Ou seja: nomear quem teria o direito de julgar o comportamento deles.

Custo eleitoral da guerra, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Desgaste de imagem forçará o presidente Lula a mudar sua postura cautelosa por causa da eleição

A guerra no Oriente Médio virou um problemão eleitoral para Lula em duas dimensões: custos e endividamento. É possível tentar mitigar os efeitos de cada um desses fatores negativos. Mas não dá para controlá-los. A questão de custos é bastante óbvia, mas nem um pouco até onde vai o encarecimento de energia e fertilizantes. O custo imediato para evitar desabastecimento e picos de preços é estimado em R$ 20 bilhões – para um horizonte de ainda 4 meses de guerra.

Abastecendo no posto de combustível do crime organizado, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Operação Carbono Oculto mostrou que crime organizado criou dinâmica de paraíso fiscal dentro do Estado brasileiro

As descobertas dos investigadores vão muito além dos setores de combustíveis, padarias e fintechs que atuam no mercado financeiro

O escândalo do Banco Master colocou em segundo plano no noticiário os desdobramentos da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para desarticular a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal no país.

A boa notícia é que as investigações estão avançando com a identificação de novos setores, que vivem de perto a penetração de organizações criminosas com esquemas cada vez mais sofisticados. A má notícia é que a polarização política em ano eleitoral pode atrapalhar.

Flávio Bolsonaro perdido no mundo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Em Dallas, o herdeiro afirmou ser sua a agenda internacional extremista

Desafio do país é lidar com transformações na hierarquia de poder e no sistema multilateral vigente desde o final da Segunda Guerra

Flávio, o primeiro filho de Jair Bolsonaro, acaba de fazer sua estreia internacional. O palco foi a reunião da Conservative Political Action Conference (CPAC), em Dallas, no Texas. Perante a fina flor do reacionarismo, disse coisas reveladoras, além de desfilar como herdeiro político do pai. Afirmou que sua agenda é dos que veem o mundo como campo de batalha entre conservadorismo e "globalismo", termo sob o qual a extrema-direita amontoa as "elites internacionalizadas", o "ambientalismo" e os "movimentos identitários", culpados pela dissolução da família e de seus valores tradicionais. Todas, ideias da turma extremista já trombeteadas em 2019 por Ernesto Araújo —o chanceler afamado por levar a política externa brasileira ao ridículo.

'Flávio' descobriu que 'Bolsonaro' é palavrão, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Chamar um Bolsonaro pelo prenome é um suspeito sinal de simpatia, quase amor

E tratá-los por 'Zero Um', 'Zero Dois' ou 'Zero Três' é uma ofensa ao número zero

Alexandra Moraes, nossa ombudsman, chamou a atenção (14/3) para a familiaridade com que, de repente, a imprensa passou a se referir a Flávio Bolsonaro. Assim que ungido presidenciável, o oleoso senador, portador de um sobrenome sinônimo de violência, insenbilidade e golpismo, tornou-se nas reportagens apenas "Flávio", algo assim como um afável vizinho de porta. Isso em veículos que, para manter a objetividade ou evitar repetições, costumam chamar, digamos, Camila Pitanga de "Pitanga" e Ratinho Junior de "Junior".

Um autodidata sem mistérios, por Ivan Alves Filho*

Autodidata, começou a trabalhar em jornal logo que completou 16 anos de idade, em Liège, na Bélgica. Foi quando sentiu a força dos chamados faits divers, ou acontecimentos do cotidiano, como crimes e acidentes. Ele costumava dizer que “a vida de cada homem é um romance”. Conheceu gente de peso por essa época, como Poincaré e Churchill.

Poesia | Soneto Sonhado, de Manuel Bandeira

 

Música | Arlindo Cruz & Beth Carvalho - Malandro sou eu / Sonhando eu sou feliz

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

República do Supremo que pode tudo

Por Folha de S. Paulo

Regime em que ministros atingem qualquer tema sem provocação nem distanciamento precisa de correção

Contrapeso do colegiado esbarrou no corporativismo quando dois de seus membros passaram a ter condutas questionadas no caso Master

Para um ministro do Supremo Tribunal Federal, tudo. Para os demais cidadãos, a lei —tal como amplamente interpretada por um ministro do Supremo. Cristaliza-se no Brasil um regime anômalo de prevalência de dez indivíduos sobre o restante da sociedade.

Como se vê pelas decisões de Alexandre de Moraes, a latitude de um juiz da corte quando os seus próprios interesses estão em jogo é máxima. Fulmina-se a regra que exige do magistrado afastamento de casos em que ele conste como vítima potencial.

Lula tenta apagar fogo com caneca, por Vera Magalhães

O Globo

Tentar melhorar popularidade do presidente com anúncios pontuais ignora o fato de que razões para rejeição ao petista são mais cristalizadas

O balanço feito por Lula na reunião ministerial “saideira” de boa parte do time titular dos ministérios evidenciou a preocupação com o ponteiro da popularidade, que, depois de mais de um ano na mudança na diretriz da comunicação do governo, voltou a indicar o tanque vazio.

Acontece que nem o problema de fundo do petista e de sua gestão reside na comunicação, nem as medidas pontuais anunciadas ou em gestação no Planalto parecem eficazes para mudar a pior notícia trazida pelas recentes pesquisas ao presidente: a maioria dos eleitores considera pior reelegê-lo do que trazer de volta ao comando do país alguém da família Bolsonaro. A determinação de Lula de passar a traçar comparações entre seu governo e o de Jair Bolsonaro visa a atacar justamente essa percepção, que, se persistir, põe em xeque a viabilidade de um quarto mandato.

O rei do gado, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Caiado promete indulto a Bolsonaro, mas quer disputar rebanho que já tem dono

Gilberto Kassab apresentou seu novo candidato ao Planalto. É Ronaldo Caiado, o patriarca da direita ruralista. O escolhido já tem experiência em eleições presidenciais. Terminou a de 1989 em décimo lugar, com 0,7% dos votos.

Ao se lançar na disputa, Caiado anunciou que seu primeiro ato no poder seria um indulto a Jair Bolsonaro. No mesmo discurso, prometeu “desativar a polarização”.

Difícil entender como uma coisa levaria à outra. A história mostra que dar impunidade a golpistas não pacifica o país. Ao contrário: aprofunda divisões e serve de incentivo para novas tentativas de ruptura.

Caiado entrou na disputa, por Elio Gaspari

O Globo

Ao oferecer a anistia para os condenados pela trama golpista de 2022-2023, Ronaldo Caiado saltou atrás das linhas de Flávio Bolsonaro. É lá que estão os votos capazes de viabilizar uma terceira via. Os próximos meses dirão se esse caminho existe. Coberto de razão, o atual governador de Goiás disse que “você só alimenta um projeto político da polarização quando você se beneficia dele”.

Com 88% de aprovação em seu estado e fala mansa, Caiado é uma esperança para quem não quer Lula ou um Bolsonaro no Palácio do Planalto. Pelas pesquisas, ele patina com um só dígito. Faltam seis meses para a eleição, e nada impede que tente chegar ao segundo turno. Afinal, ao seu lado está o clarividente Gilberto Kassab.

Caiado critica o PT, mas seu alvo é Flávio Bolsonaro. Oferece um passado de democrata, gestor com militância conservadora e mais de 80% de aprovação.