O Globo
Ao dizer que 'mulher vota mal pra c...', neto
de ditador escancarou o que a turma pensa
No dia em que Michelle Bolsonaro assumiu a
presidência do PL Mulher, os homens é que dominaram o microfone. O primeiro a
discursar foi Jair Bolsonaro. Depois falaram mais quatro engravatados: Valdemar
Costa Neto, Altineu Côrtes, Jorginho Mello e Magno Malta.
Em participação por vídeo, o capitão exaltou
o crescimento do partido, mas ignorou os temas femininos. Valdemar leu uma
longa nominata, e Côrtes cometeu uma gafe ao apresentar a mulher de um deputado
gaúcho como sua filha.
Sem medo de soar machista, Jorginho se
queixou do “sacrifício” e do “sofrimento” de ter que encontrar nomes para
preencher a cota de 30% de candidaturas femininas. “Nós precisamos aumentar
essa chorumela de que sempre falta mulher para disputarem” (sic), afirmou.
Dublê de pastor e senador, Malta aproveitou o
evento para provocar a comunidade trans. “Mulher é mais forte porque nasceu com
uma peça a mais. Mulher tem útero”, bradou, antes de dizer que a distinção não
poderia ser superada “nem com cirurgia nem com ideologia”.