quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regras de conduta para Judiciário são bem-vindas

Por O Globo

Fachin faz bem em combater conflitos de interesse nas instâncias inferiores. Deveria levar iniciativa ao Supremo

É oportuna a proposta do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de criar uma política de prevenção e gestão de conflitos de interesses no Judiciário. As regras estabelecidas pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional na década de 1970 e as posteriores, como as determinadas pelo Código de Ética da Magistratura de 2008, já demonstraram ser insuficientes. A imparcialidade dos juízes tem sido manchada com frequência por relações impróprias e conflitos de interesses.

O texto de Fachin prevê diretrizes para identificar potenciais problemas antes que surjam. Disciplina a participação dos magistrados em eventos patrocinados, o recebimento de presentes e o relacionamento profissional de seus familiares com grandes litigantes. Por não estar subordinado ao CNJ, o STF está infelizmente fora do escopo da iniciativa. Por isso mesmo, a formulação do Código de Ética prometido por Fachin para integrantes do Supremo deveria correr em paralelo, sem atrasos.

Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de 2º turno, mas perde pontos de vantagem sobre Flávio, por Júlia Cople

O Globo

Candidato à reeleição possui 44% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 39%; na sondagem anterior, petista aparecia com 45%, contra 37% do filho do ex-presidente

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida ao Planalto, o petista aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

É a oitava pesquisa do instituto no ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa depois das convenções que escolheram os candidatos a presidente, do novo tarifaço de Donald Trump, da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar novas investigações contra Lulinha, filho de Lula.

Pesquisa mostra que a direita começa a se reorganizar e entregas do governo perdem força, por Míriam Leitão

O Globo

A direita começa a se reorganizar, e as entregas do governo Lula deixaram de produzir o mesmo ganho. Esse é o resumo da pesquisa Genial/Quaest que acaba de ser divulgada, na qual a diferença entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro caiu três pontos percentuais. Um dos indicadores que mostram essa reorganização da direita é que perguntados se as pazes públicas entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro foi positivo ou negativo, 88% da direita não bolsonarista considera positivo e 90% da direita bolsonarista.

Fantasma da corrupção abala fase de calmaria de Lula, por Vera Magalhães

O Globo

Depois de negligenciar denúncias de desvios no INSS, presidente vê desdobramentos das investigações atingirem filho e assessor mais próximo

A proximidade do início para valer da campanha eleitoral interrompeu a calmaria que vinha reinando no quartel-general de Lula. O fantasma da corrupção, que já havia reaparecido com o caso Master, ganhou contornos mais assustadores com a entrada do assessor mais próximo ao presidente nas investigações.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, que nunca viu problema em ser conhecido nacionalmente pela alcunha de Marcola, recebeu dinheiro de uma lobista que vem a ser amiga próxima de Lulinha, o filho do presidente conhecido de outros carnavais e casos rumorosos. A explicação dada por ele diante da eclosão do assunto — de que Lula e seu entorno já tinham conhecimento há alguns meses — é um clássico em casos do tipo: ele afirmou ter contraído um empréstimo junto a Roberta Luchsinger, a amiga de Lulinha, e pagado depois, tudo sem contrato.

Presidente desperdiça a campanha, por Elio Gaspari

O Globo

Lula ‘porreta’ atrapalha o candidato

No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco. Anunciou cinco compromissos: “resolver definitivamente o papel da educação”; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras-raras “para os brasileiros”; programas para a transição energética.

É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos cinco compromissos, um — “resolver definitivamente o papel da educação” — não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de “papel” mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada.

Revogação de visto de embaixadora é ato de chantagem dos EUA ao Brasil, por Bernardo Mello Franco.

O Globo

Casa Branca reforça ofensiva para interferir na eleição presidencial

Donald Trump ainda não havia completado dois meses de sua volta ao poder quando decidiu expulsar o embaixador da África do Sul nos EUA. Ao anunciar a medida, o secretário Marco Rubio citou o Breitbart, site de extrema direita conhecido por divulgar notícias falsas e teorias conspiratórias.

O caso de Ebrahim Rasool foi relembrado ontem por diplomatas brasileiros. Eles ainda tentavam digerir a informação de que o Departamento de Estado havia revogado o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.

O embaixador da África do Sul foi alvo de uma campanha de desinformação que acusava o país de ameaçar e perseguir a minoria branca. Influenciado pelo bilionário Elon Musk, Trump chegou a oferecer asilo aos chamados africâneres, sul-africanos de origem holandesa. Rasool criticou a ideia num debate virtual, o que serviu de justificativa para sua expulsão.

Briga por comando do Senado corre nos bastidores, por Fernando Exman

Valor Econômico

Para dirigentes partidários governistas e de oposição, há grandes chances de vingar o projeto bolsonarista de conquistar mais da metade das cadeiras

A revelação de que o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu repasses da lobista que está no centro do escândalo do INSS deu ao senador Flávio Bolsonaro a oportunidade de se reposicionar na disputa presidencial. O pré-candidato do PL reagiu e, horas depois de dizer que batalharia até o dia 15 para atrair o Centrão para a sua chapa, comunicou que anteciparia a definição de quem ocupará a sua Vice para esta quarta-feira (5). O vai e vem sobre o preenchimento da vaga já vinha, nos bastidores, antecipando alguns movimentos da disputa que ocorrerá em fevereiro pela presidência do Senado nos próximos dois anos.

Plano de logística quer investir R$ 1,225 tri até 2050, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Pela primeira vez, previsão de investimentos privados em logística chegará a 60% do total, superando os públicos

Nos próximos 15 anos, a quantidade de carga a ser transportada no país vai aumentar 300%, impulsionada pelas exportações de commodities. “Entendeu o tamanho do problema?”, questionou o ministro dos Transportes, George Santoro. Ele lança no próximo dia 12 o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que prevê investimentos de R$ 1,225 trilhão, conforme cálculos que ainda são refinados e que foram antecipados à coluna.

Pela primeira vez, a previsão de investimentos privados em logística chegará a 60% do total, superando os públicos. Serão R$ 734,4 bilhões ante R$ 490,5 bilhões.

Escândalo do INSS chega ao Planalto e põe campanha de Lula na defensiva, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do rombo do Banco Master

Era pedra cantada que o escândalo do INSS se transformaria numa dor de cabeça para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O que não estava no radar dos gerenciadores de crise do Palácio do Planalto era que, além das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o caso chegaria a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, assessor discreto e poderoso, que atendia as ligações para o celular do presidente da República e entrava no seu gabinete sem se anunciar.

A violência não termina quando a tela se apaga, por Márcia Lopes*

Correio Braziliense

A violência digital contra as mulheres não pode ser tratada como um efeito colateral inevitável da tecnologia. A inovação deve estar a serviço das pessoas, e não transformar suas vidas em matéria-prima para o ódio, a exploração ou a humilhação

Durante muito tempo, aprendemos a identificar a violência contra as mulheres pelas marcas deixadas no corpo. Mas existem violências que não deixam hematomas visíveis e, ainda assim, destroem reputações, relações, oportunidades e projetos de vida. 

Uma fotografia íntima publicada sem consentimento. Uma ameaça enviada de madrugada. Uma mulher perseguida pelas redes sociais. Uma imagem falsa, produzida por inteligência artificial, que coloca seu rosto em uma cena sexual que nunca existiu. Uma campanha organizada para humilhar, silenciar ou expulsar uma mulher do espaço público. 

A campanha ‘porreta’ de Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise

A descoberta de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do PT.

Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça.

Fingindo-se de morto, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O melhor que o Copom tem a fazer hoje é divulgar comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas

A principal missão do Banco Central ao fim da reunião de hoje do Copom será evitar causar – a todo custo – os ruídos da última decisão, quando os argumentos para justificar o corte da taxa Selic pegaram os analistas de surpresa e suscitaram até questionamentos à sua credibilidade. Agora, o melhor é o Copom se fingir de morto e soltar um comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas.

O isolamento de Flávio Bolsonaro na nova podridão do sistema político, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Novo poder do Congresso explica apenas em parte solidão partidária do candidato do PL

Parlamento-centrão começa a institucionalizar novo modo de saque extrativista do Estado

O isolamento partidário de Flávio Bolsonaro (PL) em parte confirma a impressão de que a perda de poder do governo federal para o Congresso diminui a relevância de alianças firmes com presidentes para o objetivo de dominar dinheiros do Estado. É isso, mas não só. Vai além da eleição, é outra história.

O Congresso-centrão institucionaliza um outro modo de extração de recursos estatais, em parte concatenada com crimes diversos, corrupção entre eles. Emendas são parte disso. De modo legal ou ilegal, servem para valorizar o capital político e o capital privado de políticos (e de associados).

Note-se também o caso Vorcaro, o mais explícito dos sintomas pornopolíticos do favorecimento empresarial extrativista no Parlamento e de associação da política com fundos da finança bandida. É ingenuidade chamar o aumento do poder do Congresso de "semiparlamentarismo", mesmo de modo provisório.

Quanto à eleição, o mais importante, se diz do centrão ao direitão, é fazer bancadas grandes de modo a ter mais controle sobre emendas, fundos partidários e eleitorais e sobre poucos cargos ainda rendosos (em termos de dinheiro e prestígio) ou que facilitam negócios com empresas e finança.

Lulinha é problema para Lula? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Investigações sobre filho do presidente, mesmo que avancem, não devem mudar muito panorama das pesquisas eleitorais

Revelação de conexão entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não fez candidatura murchar, como deveria ocorrer em mundo racional

As investigações da PF contra Lulinha estão avançando. O Lulão deve se preocupar com isso? Um pouco. Seria obviamente preferível iniciar o período oficial de campanha sem carregar um filho contra o qual pesam suspeitas, mas é improvável que o cerco policial, mesmo que revele coisas mais concretas do que o que apareceu até aqui, mude muito o panorama eleitoral.

Eleitorado neste ano vai às urnas ressentido, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Há menos uma guerra ideológica que um embate de sentimentos negativos mutuamente alimentados

Favoritos alimentam esse ambiente de mal-estar geral, na falta de terem algo melhor a dizer à população

Eleições são ganhas com apoio popular, respaldo político-partidário e expertise para se valer de erros do campo adversário. Foi assim que Tancredo Neves chegou vitorioso ao colégio eleitoral de 1985, marco fundador da transição democrática.

O mineiro administrou a frustração com a derrota da emenda Dante de Oliveira, atraiu o capital da movimentação nacional em prol das diretas-já, aproveitou-se da desorganizada divisão do governo em torno dos nomes de Paulo Maluf, Mário Andreazza, Aureliano Chaves e do desejo do que seria o último ditador em prorrogar o próprio mandato.

Milei pode ter sido um erro na largada de Flávio Bolsonaro, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Ao entregar palco ao argentino, candidato agradou aos convertidos e pode ter afastado eleitores de que precisa

Convidado do PL proclamou a liberdade no Brasil e voltou ao seu país para policiar mensagens de torcedores

Talvez Flávio Bolsonaro ainda não tenha calculado o tamanho do erro cometido na largada de sua campanha. Para devolver à base bolsonarista o prazer de ouvir Lula e Alexandre de Moraes sendo xingados, trouxe a São Paulo Javier Milei, entregou-lhe o palco da convenção do PL e deixou que o argentino fizesse o serviço.

Milei chamou o presidente da República de ladrão e presidiário e tratou um ministro do Supremo como "lixo careca". A plateia vibrou. Resta saber quem, além dela, foi conquistado.

A eleição presidencial tem tudo para ser um campeonato de rejeição, vencido não pelo candidato mais amado, mas por quem provocar menos aversão. Flávio e Lula lideram a lista daqueles em quem os eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum.

Como a grande mídia tenta reconfigurar a disputa de 2026, por Chico Cavalcante

Revista Fórum

O que se viu na semana que antecedeu a pesquisa foi uma operação clássica de Agenda Setting, orquestrada pela grande imprensa com a precisão de quem conhece o poder de pautar o debate público.

A oitava rodada da pesquisa Nexus, contratada pelo BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira, traz números que merecem mais do que uma leitura superficial. O levantamento, realizado entre 31 de julho e 2 de agosto com 2.002 eleitores, aponta Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno contra 37% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o empate técnico se confirma, 46% a 45%. Mas o dado mais relevante não está na margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Está na inflexão detectada pelo instituto e no que provocou tal inflexão.

Brasil enfrentado a sus fantasmas, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Faltan apenas dos meses para que las elecciones de octubre sean realizadas y la mayoría de los candidatos está en campaña, pese a que el inicio de la corrida electoral solo comienza oficialmente el 16 de agosto. Casi todas las coaliciones ya escogieron sus candidatos a presidente y vicepresidente, siendo que la Federación Brasil de la Esperanza, el pacto entre el PT y otros dos partidos (PV y PC do B) junto al PSB, PSOL, Rede y PDT ya confirmaron al actual presidente Lula da Silva y a su vice Geraldo Alckmin como los representantes de ese conglomerado de centro izquierda para la próxima contienda.

A Sociedade em Rede no Século XXI: uma Perspectiva Retrospectiva, por Manuel Castells

 

Poesia | Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | MPB4 - Vira Virou

 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Faltar a debates é desrespeito ao eleitor

Por O Globo

Lula e Flávio não deveriam fugir ao questionamento a suas propostas dentro de ambiente jornalístico

Os debates entre candidatos servem de guia ao eleitor antes de depositar o voto na urna. Postulantes aos mais altos cargos da República deveriam se empenhar em participar desses eventos para apresentar suas propostas e compará-las às dos adversários, sem receios de se expor a perguntas ou situações incômodas. Infelizmente não é o que se vê. São frustrantes os sinais dados até agora pelos candidatos à Presidência pelo PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, líderes nas pesquisas de intenção de voto.

Disputa pela Presidência está aberta e polarizada na largada eleitoral, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, embora já não tenham o mesmo peso de outras eleições, será um instrumento de projeção nacional de candidaturas regionais

A realização das convenções eleitorais foi marcada pela polarização nas eleições à Presidência de República, que está aberta, com pequena vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pleiteia a reeleição, em relação a Flávio Bolsonaro (PL). Esse cenário provavelmente se manterá até o início da campanha eleitoral no horário gratuito de rádio e televisão, em 28 de agosto. Essa data é importante para os demais candidatos que aspiram um lugar no segundo turno e estão embolados em torno de 3% ou 4% dos votos.

Acontece que os ex-governadores de Goiás Ronaldo Caiado (União) e de Minas Romeu Zema (Novo), por serem menos conhecidos fora de seus estados, até agora não conseguiram nacionalizar suas candidaturas. O horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, embora já não tenham o mesmo peso de antes nas eleições, será um instrumento de projeção de suas candidaturas para fora dos dois estados. O raciocínio vale também para o candidato do Missão, Renan Santos, mais conhecido em São Paulo.

Os sem-sem, por Merval Pereira

O Globo

A eleição presidencial dentro de dois meses parece mais uma etapa da travessia política para 2030 do que a possibilidade de renovação

A eleição presidencial dentro de dois meses parece mais uma etapa da travessia política para 2030 do que a possibilidade de renovação que dê ao brasileiro esperança de quatro anos iniciais de uma retomada do crescimento econômico e melhoria social. Nada de “50 anos em 5”, como o slogan de JK em 1955. Nada parecido com o Plano Real de 1994. Nada comparável à vitória de Lula em 2002, depois de três derrotas seguidas. Nessas e noutras ocasiões, a maioria votou com o olho no futuro imediato, com a sensação de que as coisas melhorariam. Agora, vota-se para impedir a continuação de Lula ou Bolsonaro.

Baixarias na Casa Branca ajudam a tornar o mundo estranho, por Fernando Gabeira

O Globo

Quando não está bombardeando o distante Irã, Trump está insultando os repórteres que cobrem o governo americano

A gente vive dizendo que o mundo anda estranho. Não pretendo dissecar toda a estranheza do mundo, apenas afirmar que parte dela vem do norte, onde vive o homem mais poderoso do mundo, Donald Trump. Quando não está bombardeando o distante Irã, está insultando os repórteres que cobrem a Casa Branca. É nossa ração quase diária de amargor.

Trump tem problemas cognitivos. Mas talvez essa seja a parte mais amena de seu embate com a imprensa. Está ficando gagá, e sua sobrinha, Mary Trump, psicóloga, acha que é Alzheimer, escorando-se no histórico familiar, com base na doença do avô. É impossível diagnosticar dessa forma, mesmo porque os escorregões de Trump não têm um padrão. Podem ser influenciados pela agenda intensa.

Socialistas e conservadores terão de aprender a conviver, por Pedro Doria

O Globo

Cultivamos dois grupos intolerantes na sociedade

Falsa equivalência. Dentre os muitos vocábulos e expressões que entraram em nosso cotidiano político nestes últimos dez anos desde o impeachment, essa é uma das mais perigosas. Quando gente de esquerda saca a frase do bolso, quer dizer, na verdade, que não vem de seu campo a ameaça de golpe de Estado. E é verdade, não vem mesmo. Mas quem resume a crise da democracia brasileira ao golpismo do ex-presidente Jair Bolsonaro não entendeu o tamanho do buraco.

Democracia não se resume a instituições de pé. Deputados batendo ponto na Câmara de terça a quinta, o presidente aparecendo no Planalto de segunda a sexta, e ministros do Supremo Tribunal Federal decidindo processos semanalmente não tornam uma democracia plena. O que faz uma democracia funcionar é a capacidade de a sociedade acreditar nela. E nós, coletivamente, não acreditamos na nossa. Afinal, acreditar numa democracia quer dizer confiar que a maior parte das pessoas, numa sociedade, vota de boa-fé. Vota com as melhores intenções. Vota partindo de valores legítimos, mesmo quando distintos dos nossos. Mais: tem plena capacidade de avaliar as melhores escolhas de acordo com sua leitura de prioridades.

O dilema fiscal do próximo governo, por Míriam Leitão

O Globo

Campanhas evitam detalhar cortes de gastos, mas o fato é que o próximo presidente terá de lidar com o desequilíbrio das contas públicas

O governo tem discutido internamente que, se for reeleito, terá que fazer no próximo mandato um ajuste nas despesas de 2 pontos percentuais do PIB. O projeto de Orçamento, já enviado, prevê um superávit primário crescente de 0,5% no ano que vem, 1% em 2028, e 1,5% em 2029. O atual governo não reajustou o Bolsa Família, que continua com o mesmo valor de R$ 600 desde 2022. Além disso, ele aprovou um gatilho que limita o gasto de pessoal. É isso que explicam as autoridades da área econômica quando se pergunta o que será feito diante do aumento do déficit e da dívida pública. Dizem que têm trabalhado pela consolidação fiscal e que vão continuar melhorando as contas.

Economia e Política, por Luiz Gonzaga Belluzzo

Valor Econômico

O verdadeiro poder, aquele capaz de determinar o alcance das opções práticas dos países e dos cidadãos, tornou-se virtualmente global

Peço licença ao caro leitor de nosso Valor para invocar Carl Schmitt, cientista político alemão, ideólogo do nazismo, em seu livro “O Nomos da Terra”, publicado em 1950.

Schmitt demonstra que a dominância dos Estados Unidos consolidaria, nas relações internacionais, a hegemonia econômica. Isto implica necessariamente o surgimento de uma forte tendência a ultrapassar e a negar as barreiras territoriais e políticas impostas pela existência dos Estados Nacionais. Ele diz: “A soberania territorial se transforma num espaço vazio, aberto aos processos socioeconômicos. O espaço da potência econômica determina o campo de ação do direito das gentes”.

Schmitt vira pelo avesso a ideologia da globalização: o predomínio do econômico, ou seja, a lógica da expansão mercantil-capitalista, exige uma enorme concentração e centralização do poder e, por isso, políticas permanentemente agressivas em relação às pretensões de autodeterminação dos povos, às suas formas de vida e aos seus costumes.

Duas velocidades da reforma institucional, por Luiz Schymura

Valor Econômico

Algumas instituições sabem se reformar sozinhas, outras transformam qualquer tentativa em mais uma peça do próprio mecanismo que as protege

Em busca de uma gestão mais eficaz da política monetária, os bancos centrais vêm passando por um processo constante de aprimoramento institucional. Não por acaso, Kevin Warsh já chega ao Federal Reserve seguindo essa lógica: em vez de anunciar mudanças, criou cinco forças-tarefas para estudar os pontos mais sensíveis da política monetária americana antes de decidir o que fazer. Os grupos reúnem ex-banqueiros centrais, acadêmicos e executivos financeiros, gente de fora do círculo mais estreito do próprio Fed, e os resultados só devem aparecer daqui a alguns meses. Warsh tem opiniões fortes sobre quase todos esses temas, mas não as impôs de saída. Escolheu primeiro construir, com evidência e deliberação coletiva, o consenso técnico que lhe permitirá convencer o resto do Fomc. É um caso de livro-texto de reforma institucional bem conduzida: o ritmo é lento, mas a legitimidade do resultado tende a ser maior. Contudo, nem toda instituição consegue se reformar dessa maneira.

Na era da IA, MG opta pela degradação natural, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Nem a inteligência artificial seria capaz de reproduzir o capítulo final da novela da candidatura Cleitinho

A inteligência artificial tem sido a geni desta reta final de campanha, com peças como o avatar do ex-presidente Jair Bolsonaro na convenção do PL, mas não se pode atribuir aos seus predicados o capítulo final da novela da candidatura ao governo de Minas do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). O vídeo divulgado na tarde desta segunda-feira pelo presidente do Republicanos e deputado federal Marcos Pereira (SP), ao lado do senador e do presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen, é fruto da degeneração natural da política brasileira.

Favorito à disputa estadual, o senador, que foi eleito em 2022 nas asas do bolsonarismo, manteve suspense até a semana passada. Faltou à convenção de 25 de julho, mas publicou um vídeo de inteligência artificial em que aparecia com dois parentes já falecidos, o pai e o irmão. Recebia, do primeiro, um incentivo e, do outro, a bandeira de Minas.

Na cronologia dos fatos exposta por Marcos Pereira, o partido esperou uma decisão de Cleitinho até a noite de terça-feira. Como esta decisão não aconteceu, o Republicanos divulgou, em nota, que ele não seria candidato. Na quarta-feira, Cleitinho deu uma entrevista em que, exaltado, diz ter 40% nas pesquisas e reitera a candidatura: “a voz do povo é a voz de Deus”.

Minas e o Brasil choram, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Ao chorar, encerrar uma novela enfadonha e dizer, finalmente, que não vai disputar o governo do Estado, o senador Cleitinho produziu uma imagem bastante adequada ao desmantelamento da política em Minas Gerais, que, além de ser uma síntese do Brasil e do eleitorado nacional, passou a ser também o retrato da balbúrdia da disputa presidencial de 2026.

Assim como Cleitinho, campeão de votos, passou a campanha no vai não vai e chorou ao deixar Flávio Bolsonaro na mão, acontece de tudo nesta eleição pelo País afora. O distinto público, massacrado por escândalos de todo lado e pelas versões das redes sociais, não sabe se é para rir, chorar – ou votar.

Melhor evitar, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

É abismante a hipótese de que os donos de partidos do que se chama de Centrão resistam a se aliar a Flávio Bolsonaro “por medo” do Supremo. Para além do já paralelamente constituído Tribunal Xandônico Eleitoral, seria o “fator STF” interferindo na eleição por meio de “recomendações”: juízes da Corte constitucional que usariam o poder togado para fazer carga sobre agentes políticos que têm foro por prerrogativa de função naquela mesma Corte constitucional.

“Recomendações” prudentes de quem controla a informação e a caneta para materializá-las em decisão serão “recomendações” autoritárias. “Recomendações” autoritárias daqueles que são os gestores dos tempos de inquéritos não serão recomendações.

Otoni de Paula desafia bolsonarismo ao defender voto em Lula, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Deputado é sintoma das desconfianças e decepções de evangélicos com a campanha de Flávio

Rompimento aconteceu em 2024, quando ex-presidente não o apoiou para concorrer à Prefeitura do Rio

O principal adversário de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos é um ex-bolsonarista. Na semana passada, o pastor e deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) anunciou uma proposta ousada: que a direita apoie Lula contra Flávio, caso os dois se enfrentem no segundo turno.

O PT nunca precisou tanto de apoio para intermediar sua relação com evangélicos. Otoni cumpre essa tarefa melhor do que um pastor de esquerda: por se identificar como conservador de direita, suas falas chegam à massa de pentecostais pobres, que têm se distanciado do PT pelas pautas morais.

Gente ou passarinho? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Banco Central Europeu lança consulta pública para ajudar a definir desenho de cédulas de euro

É preciso escolher entre personagens históricos ou figuras de aves para estampar a frente das notas

O Banco Central Europeu (BCE) lançou consulta pública para ajudar a definir o desenho das futuras cédulas de euro. A questão mais premente é determinar se o anverso (frente) das notas será ilustrado por personalidades históricas ou por figuras de aves. O convite para votar foi feito a cidadãos europeus, mas qualquer um pode opinar. A consulta não tem efeito vinculante. A decisão final caberá ao BCE.

A metamorfose ambulante troca de pele, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O candidato que já foi vários personagens agora se lança nas vestes do sujeito 'porreta'

O presidente precisa convencer o eleitor de que desta vez fará o que não fez em governos passados

O candidato Luiz Inácio da Silva tem dois meses daqui até a eleição para convencer os brasileiros indecisos a aderir às fileiras dos convertidos, para os quais apresentou um esboço de plano de governo na convenção petista de domingo último (2).

O presidente Lula, por sua vez, tem a difícil tarefa de, no mesmo espaço de tempo, explicar ao público em geral por que nos 18 anos de governo que o PT está prestes a completar já não se fez o prometido para adiante, quando o partido fizer 22 anos de poder.

Desastres climáticos: falta prevenção, sobra desculpa, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

No vendaval da semana passada houve falhas no sistema de informação

Agenda do Congresso a favor do agro fragiliza proteção à natureza

As explicações meteorológicas que se seguem a um evento climático extremo não podem funcionar como desculpa ou álibi para a falta de prevenção aos desastres cada vez mais rotineiros e intensos.

O vendaval que atingiu o litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro na semana passada, causando destruição e mortes, ganhou um nome chique: "bore ondular". O fenômeno se dá quando uma massa de ar frio avança sobre o ar excepcionalmente quente. Sua magnitude foi inédita para padrões brasileiros. Ok.

Poesia | Para viver um grande amor, de Vinicius de Moraes

 

Música | Chico Buarque: eu te amo (DVD Anos Dourados)

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ilusão estatística pode mascarar violência maior

Por O Globo

Homicídios caíram 21%, mas houve salto de 26,5% em desaparecimentos, despertando suspeita sobre os dados

É muito provável que as estatísticas sobre violência no Brasil estejam subestimadas. O alerta foi dado pelo aumento na quantidade de “desaparecidos”. Há cinco anos vive-se um período auspicioso de queda nos homicídios. De 2021 a 2025, houve redução de 20,2%, para 31.448, segundo o Sinesp, plataforma de dados de segurança pública do Ministério da Justiça. A taxa de assassinatos por 100 mil habitantes caiu de 18,7 para 14,7. No mesmo período, aumentou o contingente de desaparecidos. Os dados do Sinesp mostram que eles passaram de 67.362 para 85.233, ou 234 por dia, um salto de 26,5%. A taxa por 100 mil habitantes subiu de 32 para quase 40. O dado levanta a suspeita de que muitos assassinatos sejam classificados como desaparecimentos, provocando uma ilusão estatística nas taxas de homicídio.

Moderação mira nos indefinidos por 1º turno, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Em 1h13 min de discurso Lula não menciona “soberania” uma única vez e diz que idade favorece reconhecimento de erros e omissões

Ao ser oficializado como candidato à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terceirizou o discurso da soberania para o vice, Geraldo Alckmin (“a urna é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”). Não foi por falta de tempo. Lula falou, sem teleprompter, apenas com pontos de um roteiro anotados em uma folha de papel, durante uma hora e 13 minutos.

Preferiu focar na defesa das mulheres (“homem que bate em mulher não precisa votar em mim”), na comparação com Pelé (“ele disputou quatro copas e esta é minha sétima”) e no reconhecimento de seus erros e omissões (“Peço desculpas pelos erros que cometi e pelo que deixei de fazer”).