quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula manteve postura sóbria nas Nações Unidas

Por O Globo

Havia temor de que transformasse ONU em palanque. Mas, apesar das derrapadas, não foi o que aconteceu

A 12 dias da eleição, havia um temor fundamentado de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transformasse o púlpito das Nações Unidas em palanque. Mas, apesar das previsíveis derrapadas, não foi o que aconteceu. Lula manteve postura sóbria e soube usar o discurso de abertura da Assembleia Geral — o décimo em sua carreira — para cumprir seu papel de chefe de Estado e transmitir aos líderes globais um recado em favor de causas associadas ao Brasil, como multilateralismo, defesa da democracia, do meio ambiente, da regulação digital e da paz mundial.

O Brasil de Zuenir Ventura, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em quase 70 anos de carreira, jornalista percorreu o país "para olhar e depois contar"

Zuenir Ventura estava em Paris em agosto de 1961, quando Jânio Quadros renunciou à Presidência e deixou o Brasil à beira do abismo. Pego de surpresa em viagem à China, o vice João Goulart arrumou as malas para voltar ao país. Ainda não sabia se seria empossado ou preso por militares golpistas.

Em escala na capital francesa, o trabalhista se viu diante de outro impasse. Ele não falava o idioma local, e os jornalistas não entendiam uma palavra de português. Sobrou para o correspondente da Tribuna da Imprensa, que precisou se virar como tradutor.

Recados recíprocos no encontro da ONU ampliam tensão entre Lula e Trump, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Tarifas atingem interesses econômicos, porém, sanções contra autoridades alcançam instituições e ameaças de intervenção militar afetam a segurança regional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump escalaram as tensões entre ambos ao discursar na Assembleia Geral da ONU, ontem, porém, sem citar um ao outro. Sem que ambos se encontrassem nos bastidores, como já era esperado, suas falas compuseram uma troca de recados na qual os Estados Unidos e o Brasil estão em polos opostos. Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”; Trump advertiu que os Estados Unidos usarão seu poder militar para proteger seus interesses no Hemisfério Ocidental.

Entre a defesa da soberania brasileira e a reafirmação da força americana, há uma tensão que vai muito além de uma divergência entre presidentes. Lula chegou a Nova York a menos de duas semanas da eleição. Diante dos demais países, declarou que o pleito brasileiro é “transparente e competitivo”, mas advertiu contra “interesses estrangeiros contrários ao país” que tentariam desvirtuar o debate público. A mensagem ficou ainda mais clara quando afirmou: “A democracia brasileira pertence aos brasileiros.”

Um spoiler do Lula 4 na pauta do segundo turno, por Paulo Fábio Dantas Neto*

Está sendo e será penosa - para candidatos, partidos políticos, sociedade organizada, formadores de opinião e eleitores comuns - a travessia até o segundo turno das eleições deste outubro de 2026. São quase desprezíveis as chances da fortuna nos aliviar, abreviando o processo e consumando-o no dia 4. Os desejos compreensivelmente ansiosos de ver essa batalha concluída em duas semanas, praticamente jazem na ordem do impossível. Serão mais cinco e não duas. Essa constatação básica requer dose adicional de paciência e razoável teimosia para ainda esperar que as três semanas de interregno entre os dois turnos possam dar vida a um processo distinto deste que tanto tem nos custado suportar.

As eleições à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas serão decididas no dia 4. As predições de especialistas convergem em apontar ampla vitória do campo conservador, em seus diversos matizes. Essa é tendência manifestada fortemente no varejo do eleitorado brasileiro há uma década, tanto em eleições legislativas municipais, como estaduais e nacionais. O efeito dessa microfísica de preferências sobre o perfil ideológico da representação política nessas casas legislativas é compreensível e não deve causar estranhamento ou censura. Um fator democrático, que é acompanhado, contudo, de recente aumento artificial de recursos de poder e de campanha disponíveis à atual elite legislativa para a sua reprodução. Aí se pode notar, no perfil da representação, distorções que, interagindo com preferências do eleitor, moldam um conservadorismo legislativo de duas faces, uma ideológica, outra patrimonialista.

Uma aposta perdida, por Elio Gaspari

O Globo

A jogatina faz seu estrago, e só

Está saindo do forno uma Medida Provisória que limita a jogatina liberada pelo governo. Lula gostaria de acabar com ela, mas, como já explicou, não é dono do país. A favor mesmo, só o Ministério da Fazenda. Ele calcula que, se as apostas fossem proibidas, a Viúva deixaria de arrecadar R$ 12 bilhões.

A teia de interesses que gravitam em torno da jogatina fortalece-se a cada dia. Basta dizer que os clubes de futebol ameaçam com o fim do esporte no Brasil caso as apostas sejam proibidas. Como o Brasil ganhou cinco Copas do Mundo sem o patrocínio de casas de apostas, ninguém explica. Também não explicam por que no ano da Copa das Apostas, a seleção voltou para casa depois das oitavas de final.

Que aceno Lula fará ao PIB? por Vera Magalhães

O Globo

Expectativa para jantar do presidente com empresários é de reconhecimento de necessidade de mudança na política fiscal e, se possível, de nome para comandar a economia

Em dezembro, o clima no Planalto e no PT era de “já ganhou”. Jair Bolsonaro, condenado e preso, havia esnobado Tarcísio de Freitas e apontado um dos filhos, Flávio, que não era a primeira escolha nem na prole, como seu candidato a presidente. A reforma do Imposto de Renda havia sido aprovada, Lula havia surfado bem a onda do tarifaço, sua popularidade se recuperava de forma que parecia consistente.

Não demorou três meses para a maré virar. Os ganhos de avaliação obtidos no semestre anterior rapidamente se esvaíram. O bem-estar econômico sumiu das pesquisas. E Flávio, mesmo diretamente envolvido no escândalo do Banco Master, chega à reta finalíssima empatado com Lula no primeiro e no segundo turnos.

Depois de um período de negação da própria dificuldade, o presidente parece ter entendido o risco real de derrota. Tanto que encerrou seu discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU falando que isso representaria uma vitória do autoritarismo contra a democracia.

Um debate decisivo, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Nunca o eleitor esteve tão ansioso para ouvir os candidatos ao Senado Federal

Lá se vão 48 anos. Franco Montoro e Fernando Henrique Cardoso disputavam o voto do eleitor de São Paulo pelo MDB, enquanto Cláudio Lembo era o candidato da Arena. O regime militar estava no fim. Prefeitos das capitais, governadores e o presidente da República eram eleitos de forma indireta, pelo Colégio Eleitoral. Restava ao eleitor apenas um pleito majoritário, em que a oposição e o governo mediam forças: a eleição para o Senado.

Já em 1982, o povo brasileiro pôde eleger pelo voto direto os governadores e, em São Paulo, escolheu Montoro, o senador eleito em 1978. A campanha, então, apresentou uma novidade: um debate eleitoral na TV entre os cinco candidatos ao governo. Ali apareceu pela primeira vez na cédula eleitoral o nome do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Candidato ao Palácio dos Bandeirantes, ele amargou o quarto lugar no pleito.

Lula deverá agir contra as bets, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Em busca de reeleição, presidente adota medidas com apelo popular

Risco é restringir demais e empurrar apostadores para mercado paralelo

Entre as medidas reeleitorais que Lula deve anunciar em breve, devem constar providências contra as bets. Dado que as casas de aposta se tornaram uma unanimidade negativa, podemos esperar ações contundentes. Meu receio é que Lula opte pelo que trará mais votos e não pelo que é melhor.

Sempre defendi e continuo defendendo que não cabe ao Estado proibir o cidadão de fazer o que achar melhor com o seu dinheiro ou seu corpo, incluindo jogar e consumir drogas. O alcoolismo é uma doença de maior prevalência do que a ludopatia e não seria difícil juntar várias histórias tristíssimas de dependentes. Mas ninguém cogita de resolver o problema proibindo o comércio de bebidas. Os EUA tentaram isso e não deu muito certo.

O mundo de Lula na ONU, por Gunther Rudzit*

Correio Braziliense

A visão de mundo que organiza o discurso de Lula reconhece a erosão da ordem internacional, mas ainda busca respostas na gramática criada durante sua expansão

O discurso do presidente Luíz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral da ONU contém uma das manifestações mais claras do governo brasileiro sobre a transformação do sistema internacional. A novidade não está na defesa da paz, do multilateralismo ou da reforma do Conselho de Segurança. Está na descrição de um mundo em que as instituições perderam capacidade de conter as grandes potências.

Lula afirmou não desconhecer as realidades do poder. E o restante do pronunciamento mostra o alcance dessa constatação. A ONU vive seu momento mais crítico, o Conselho de Segurança está imobilizado, a OMC respira por aparelhos e as tarifas se transformaram em instrumentos de coerção e chantagem. Uma nova corrida armamentista está em curso, enquanto zonas de influência e investidas por recursos estratégicos voltam a organizar o comportamento das potências.

Não é uma mudança pequena. Durante as últimas décadas, o Brasil interpretou crises internacionais como desvios que poderiam ser administrados pela cooperação, pela reforma das instituições e pela inclusão dos países emergentes. O discurso vai além: reconhece que a própria arquitetura construída depois da Segunda Guerra Mundial perdeu capacidade de proteger os mais vulneráveis.

O Bolsonaro mais perigoso pode ser o mais moderado, por Diogo Cunha*

Folha de S. Paulo

Flávio pode ter aprendido que, para esvaziar uma democracia, é melhor não declarar guerra contra ela

Ele parece mais disciplinado, integrado ao sistema partidário e capaz de negociar com aqueles que Jair preferia ameaça

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, é mais perigoso para a democracia do que o pai, Jair. Não por ser mais radical, mas por parecer mais moderado.

O pai tentou dar um golpe seguindo uma cartilha ultrapassada, um tanto demodê, e fracassou. Jair é impulsivo, errático e dado ao confronto. Flávio parece mais disciplinado, mais integrado ao sistema partidário e mais capaz de negociar com aqueles que o pai preferia ameaçar. Em determinados contextos, contudo, a moderação pode tornar mais eficaz o radicalismo dos objetivos. Não há entre eles diferença de convicções —basta olhar a trajetória do 01—, mas uma diferença de método: confronto, no caso do pai; acomodação, no caso do filho. Diferentemente de 2018, em 2026 estão dadas as condições para que Flávio possa subverter a democracia por dentro.

Lula aposta tarde contra desgraça das 'bets' e da vida cara para o povo miúdo, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente deve tentar limitar cassino virtual, com pouco efeito prático imediato

Governo parecia alheio a dívidas e nível de preços; gestão econômica piorou problemas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve editar medida provisória a fim de limitar apostas nas "bets". De prático, talvez renda uns votos para Lula 4. Talvez. Parte do eleitorado indeciso ou "nem-nem" pode reclamar do gesto tardio ou considerá-lo oportunista.

Questão interessante, a esta altura talvez acadêmica, é entender a reação tardia do governo e da campanha ao mal-estar do eleitorado em tantos assuntos. Além disso, a mera prudência, pois reflexão profunda não houve, consideraria o risco econômico, político e eleitoral de certas atitudes que Lula 3 adotou desde o início.

No fantasioso discurso de Trump na ONU, EUA vivem era de ouro, país derrotou Teerã e há paz de fato em Gaza, por Eduardo Graça

O Globo

Série de mentiras elencadas por presidente, que amarga recorde de insatisfação nas pesquisas, não moverá votos a 42 dias das eleições de meio de mandato

No mundo fantasioso de Donald Trump, os Estados Unidos vivem de fato a era de ouro que ele prometeu em sua posse, em janeiro de 2025. O país não entrou, por decisão própria, no atoleiro da guerra ao Irã. E há paz em Gaza, não um frágil cessar-fogo com ações militares rotineiras de Israel no enclave e a persistência do horror humanitário na ocupação.

Exatamente como fez na Convenção de Meio de Mandato do Partido Republicano, no início do mês, o presidente americano elencou em seu discurso na ONU uma série de inverdades e exageros autocongratulatórios. A gravidade, no entanto, é muito maior por ter sido feita no palco mais nobre do multilateralismo global. De suas muitas declarações infelizes, assombrou mais com a ameaça reiterada, feita do púlpito, de "aniquilar" um país-membro das Nações Unidas, se Teerã não aceitar um acordo com Washington. A tentativa de demonstração de força incluiu ainda o aviso de que novas ações militares podem ocorrer se adversários peitarem os EUA nas Américas, em um recado direto para Cuba.

Crítica à interferência externa em eleições, combate ao crime organizado e comparação com governo Bolsonaro: os recados de Lula na ONU, Por Sérgio Roxo, Jeniffer Gularte e Bruna Lessa

O Globo

Presidente brasileiro abriu Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York

Em discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma série de recados sobre temas relacionados à relação do Brasil com os Estados Unidos e de questões internas. Sem citar o líder americano Donald Trump diretamente, Lula criticou a interferência externa em eleições de outros países.

A 12 dias da eleição, Lula também defendeu medidas do seu governo, como a aprovação da Lei Antifacção.

Conselho de Segurança da ONU

O presidente Lula iniciou seu discurso com críticas ao Conselho de Segurança da ONU e à organização. O brasileiro adotou um tom ainda mais duro do que o de costuma ao tratar do tema.

— Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.

Na ONU, Lula protesta contra projeção de poder de Trump na América Latina, por Lourival Sant'Anna

O Estado de S. Paulo

Em discurso de abertura da Assembleia-Geral da ONU, Lula disse que ‘o Brasil não cabe no quintal de ninguém’

O presidente Lula aproveitou seu discurso de abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para protestar contra a projeção de poder dos Estados Unidos de Donald Trump na América Latina.

Lula denunciou “tentações hegemônicas”, afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e garantiu estar comprometido com o combate ao crime organizado, mas sem aceitar ingerências externas.

O presidente disse que os venezuelanos devem decidir seu próprio destino, formulação que pode ser lida tanto contra o autoritarismo chavista quanto contra a intervenção americana.

Lula pôs em xeque na ONU sua insurgência triunfante sobre a extrema-direita, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Presidente que subiu à tribuna das Nações Unidas nesta terça-feira parecia menos candidato do que o de 2025

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas vai gerar uma infinidade de cortes para as redes sociais e programas eleitorais de sua campanha à reeleição. Foi carimbado pelos temas de sua campanha como a defesa da soberania, da jornada 6x1, do combate à lavagem de dinheiro do crime organizado. Era o esperado para um discurso a 11 dias do primeiro turno.

A despeito disso, o Lula que subiu à tribuna da ONU nesta terça-feira (22) parecia menos candidato do que o de 2025. A indignação deste ano estava mais no discurso do que na motivação. No ano passado, o Brasil tinha acabado de emergir do julgamento da tentativa de golpe, inspirada pelo trumpismo que acabara de ser empossado nos EUA, com tarifaço no mundo inteiro e bombardeio sobre o Irã.

Trump faz discurso de chefe do mundo no plenário símbolo do multilateralismo, por Fernanda Godoy

Valor Econômico

Discurso no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas foi uma afirmação cabal de sua visão como líder, ou melhor, chefe global, em detrimento do sistema multilateral

O discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas foi uma afirmação cabal de sua visão como líder, ou melhor, chefe global, em detrimento do sistema multilateral erguido com esforço diplomático do mundo inteiro após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Trump ameaçou os iranianos com aniquilação e inferno. Também se autocongratulou pelo sucesso da operação das tropas de elite das Forças Armadas dos EUA que resultou na deposição do “ditador fora da lei e criminoso”, o então presidente (e ditador) Nicolás Maduro. Resta uma dúvida: existe ditador que não seja ou esteja fora da lei, que não possa ser considerado autoritário, ilegítimo, que não desrespeite as leis de seu país e as regras internacionais e a Carta das Nações Unidas?

Na ONU, Lula apresenta eleição como embate entre democracia e autoritarismo e faz vacina contra Trump, por Patrícia Campos Mello

Folha de S. Paulo

Mandatário gabaritou lista de críticas a americano, mencionando desde Irã e Israel até América Latina e IA

Presidente brasileiro usa pronunciamento para reforçar discurso de soberania e enfatizar plataforma de campanha

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da Assembleia Geral da ONU combinou vacinas contra interferências americanas na eleição brasileira com uma apresentação do pleito ao mundo como embate entre autoritarismo e democracia.

Na fala de quase 22 minutos, diante dos 18 minutos do ano passado, Lula caracterizou a eleição brasileira como uma luta entre o retrocesso autoritário simbolizado pela volta da família Bolsonaro ao poder e o aprofundamento de um projeto progressista que ainda não entregou resultados suficientes para parte da população. E, como esperado, o tema da soberania permeou o pronunciamento.

"No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo."

O discurso foi recheado de recados eleitorais e alfinetadas em Donald Trump.

"A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", disse Lula. "Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano."

Presidente Lula discursa na 81º Assembleia Geral da ONU

 

Poesia | minha terra, de Ascenso Ferreira por Chico Anysio

 

Música | Chico Buarque - Minha Embaixada Chegou & Mambembe

 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crise fiscal é causa do esvaziamento da Bolsa de Valores

Por O Globo

Com juros nas alturas, os papéis de renda fixa se tornam, aos olhos do investidor, mais atraentes que as ações

Persiste o esvaziamento da Bolsa de Valores brasileira, a B3. Entre o início de 2022 e novembro do ano passado, 36 empresas saíram dela. No momento, estão previstas seis novas ofertas públicas para compra das próprias ações por companhias abertas que desejam fechar seu capital. Não há muito mistério sobre a principal causa desse esvaziamento. A taxa de juros elevadíssima, necessária para o Estado brasileiro tomar dinheiro emprestado no mercado de modo a financiar o desequilíbrio nas contas públicas, torna os papéis de renda fixa um investimento muito mais atraente que as ações.

Juros altos são letais para mercados acionários. A capitalização por meio do lançamento de ações costuma ter custo mais baixo que empréstimos bancários, ainda mais num país em que o juro básico, mesmo tendo sido cortado pelo Banco Central para 13,75% ao ano, pode significar um rendimento real de quase 10% ante uma inflação na faixa de 4,2%. Mas ela se torna inviável se não houver investidores interessados.

Os moderados decidirão as eleições no segundo turno entre Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

E quem são os que decidirão as eleições? O eleitor urbano do Sudeste e Norte/Centro-Oeste, de renda entre dois e cinco salários-mínimos e, predominantemente, com ensino médio

Há duas semanas, em Brasília, o movimento Direito Já organizou uma reunião em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estavam lá diferentes lideranças da sociedade civil, a esmagadora maioria já engajada na reeleição de lula, a começar pelo anfitrião, o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Não houve nenhuma grande adesão no encontro, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães.

Alckmin foi absolutamente enfático na sua intervenção quanto à necessidade de disputar os votos do centro, melhor dizendo, dos eleitores que ainda não estão engajados no pleito e que se pautam pela moderação. Foi um discurso no qual fez comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e reconheceu que não existe uma percepção de que a economia melhorou na atual administração, apesar de os indicadores dizerem o contrário. Mas foi enfático ao apontar a defesa do Estado Democrático de Direito como um grande divisor de águas para a conquista desses eleitores.

Lula reage, mas avaliação de governo ainda claudica, por César Felício

Valor Econômico

Crise do STF não afeta corrida eleitoral e votos de Cury migram para Flávio no Sudeste

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou 33% de intenção de voto no primeiro turno na pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, o mesmo percentual que ele havia atingido na fase pré-“Dark Horse”. O impacto provocado pela divulgação do áudio em que o candidato bolsonarista pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, está encerrado, na ausência de fatos novos. Ele está agora a quatro pontos percentuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, a menor diferença registrada pelo instituto. Tecnicamente empate no limite da margem de erro. Cresce, de modo contínuo, dois pontos percentuais por semana desde o início de setembro.

A principal novidade da pesquisa Quaest, encomendada pela Globo e pelo jornal O Globo, contudo, não é essa. O lulismo começou a reagir com o fim do inverno. Foi quebrada a sequência de queda na intenção de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na simulação de segundo turno. Ele subiu de 40% para 41% e agora está a um ponto percentual de Flávio, com 42%. No primeiro turno, Lula oscilou para cima, de 36% para 37%, o que não acontecia desde julho.

Se os debates eleitorais fossem sérios..., por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Alckmin recolocou a política industrial na agenda econômica e lançou um programa com foco em inovação, produtividade, descarbonização e agregação de valor, mas terá prosseguimento?

Na coluna de 15 dias atrás, comentamos aqui a questão da industrialização. Há um debate acadêmico sobre melhor maneira de alcançar o desenvolvimento econômico nos países de renda média, como o Brasil. Alguns economistas estão de olho no setor de serviços, que é responsável pelo acelerado crescimento da economia da Índia, por exemplo. E há outros que ainda consideram a indústria de manufaturados como essencial para criar empregos e desenvolver as nações.

Se os debates da campanha eleitoral fossem sérios, candidatos deveriam se manifestar sobre temas como esse e seus desdobramentos em programas de governo. Mas esses assuntos passam longe das campanhas ou são citados genericamente, como é o caso das terras raras - por incrível que pareça, alguns tentam desenterrar enferrujadas propostas de privatização.

Lenta e ampla degradação institucional, por Christopher Garman

Valor Econômico

Apesar de tudo, as instituições brasileiras são robustas em comparação com os padrões globais

O Supremo Tribunal Federal está mergulhado em uma crise institucional sem precedentes. Por trabalhar em uma empresa de risco global, frequentemente recebo perguntas sobre os efeitos desse escândalo na confiança dos investidores internacionais. A resposta não é fácil. No curto prazo, a principal questão é como essa crise pode afetar o resultado da eleição presidencial e, consequentemente, as perspectivas para uma reforma fiscal em 2027 que crie condições para a queda das taxas de juros, que vêm estrangulando as empresas e as famílias.

Chama o VAR, por Merval Pereira

O Globo

O aumento do Bolsa Família, anunciado antes da coleta dos dados pela Quaest, ainda não apresenta resultados

A eleição brasileira parece que será decidida pelo VAR, ou no fotochart, como se dizia antigamente. Empate técnico no primeiro turno com a menor distância, pela primeira vez na série, e vitória numérica de Flávio Bolsonaro no segundo mostram a tendência a favor do bolsonarista na pesquisa Quaest divulgada ontem, mas sem a confirmação, cultivada na campanha da oposição, de que ficasse clara sua supremacia na disputa presidencial. A eleição continua acirrada. O aumento do Bolsa Família, que parecia uma tacada eleitoral decisiva para Lula, anunciado antes da coleta dos dados pela Quaest, ainda não apresenta resultados.

STF chega ao fim de um ciclo, por Fernando Gabeira

O Globo

Nosso sistema judiciário é uma construção humana. Isso significa que nós podemos mudá-lo

“Uma coisa é um país, outra um ajuntamento.” Os versos do poema “Que país é este?”, de Affonso Romano de Sant’Anna, ecoaram nas redes. Apesar da ressaca cívica, é bom constatar que o querido poeta sobrevive: Uma coisa é um país, outra um fingimento.

As ruas estavam tristes durante a semana. Muita gente reclamava e no final dizia:

— Desculpa o desabafo.

Não dá para queimar etapas. O momento é de raiva. Mas será preciso canalizá-la para alguma coisa. Se ficamos apenas com a raiva, ela pode nos envenenar. Nosso sistema judiciário é uma construção humana. Isso significa que podemos mudá-lo. Podemos considerar que o STF chegou ao fim da linha, encerrou um ciclo. O que fazer para iniciar outro?

A República de Vorcaro, por Míriam Leitão

O Globo

O Caso Master é uma bomba cujos fragmentos atingiram diversas instituições da República. O STF tem agora que investigar os próprios erros

A semana começou com notícias e imagens com potencial impacto nas campanhas. O vídeo de Alexandre de Moraes saindo do avião de Daniel Vorcaro, com sua mulher Viviane, é eloquente demais para ser ignorado pelo ministro. Ele se soma às 52 mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro e ao contrato entre Vorcaro e o escritório Barci de Moraes. Outros casos estão surgindo, como os que mostram o julgamento favorável às usinas de cana-de-açúcar na segunda turma em processo conduzido pelo ministro Kassio Nunes Marques. A União perdeu uma causa na qual tinha completa razão.

IA rebelada é uma ameaça, por Pedro Doria

O Globo

O tema mais importante do mundo segue sendo, três semanas depois da explosão de uma crise, o avanço ou não da inteligência artificial

O tema mais importante do mundo segue sendo, três semanas depois da explosão de uma crise, o avanço ou não da inteligência artificial (IA). Os homens que criam a tecnologia continuam afirmando estar num caminho muito perigoso, que pode levar à extinção da humanidade. Segue sendo, igualmente, um assunto ausente no debate público brasileiro. O país se dividiu entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro e, empacado na indecisão, tornou-se incapaz de dar atenção a qualquer outra coisa. Mas há novidades, e importantes.

Um Congresso responsável, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

É extensa a lista de candidatos ao Senado por São Paulo. Ao eleitor cabe avaliar e escolher aqueles que possam representar com dignidade o Estado e a sociedade brasileira

O apoio explícito de certos candidatos (ou de certo candidato) sem compromisso com as liberdades democráticas às ameaças externas à normalidade do processo eleitoral brasileiro é preocupante. A internacionalização das operações destinadas a impor governos de aparência democrática, mas de natureza autocrática, tem alcançado resultados em alguns países. Publicada há pouco pelo Center for Global Democracy da Universidade de Vanderbilt, em parceria com o Kellogg Institute da Universidade de Notre Dame, a pesquisa 2026 Pulse of Democracy apresenta um quadro aparentemente contraditório, em que o apoio formal à democracia como a melhor forma de governo é ensombrecido pela tolerância ao enfraquecimento dos Poderes Judiciário e Legislativo. A pesquisa abrange os países americanos.

A importância da política externa na eleição, por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

O próximo governo terá de enfrentar de imediato após as eleições temas sensíveis de política externa

Política externa nunca foi tema relevante nas campanhas para eleições presidenciais. Os temas sociais e econômicos, a violência e a corrupção sempre estiveram em primeiro plano nos programas de governo, na publicidade midiática e nos debates públicos. Agora, pela primeira vez, os temas externos, relacionados a questões internas, fazem parte das preocupações dos candidatos e dos eleitores.

A diplomacia no século 21, a partir de um mundo em grande transformação, deixou de ter uma função de superação de dificuldades e de conflitos. Os princípios e valores que informaram as preocupações diplomáticas nas últimas décadas foram substituídos, na principal potência global, por seus interesses econômicos e políticos e são representados por pessoas que não fazem parte do governo e algumas que nem são funcionárias de Estado. Poder por meio da força é a palavra de ordem.

Na República das mentiras, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Nessa novíssima República, em que todos chamam Vorcaro de ‘irmão’, tudo virou espetáculo

Fernando Collor caiu sob pretexto de um Fiat Elba, Sergio Cabral foi desmoralizado pela imagem de uma festança de amigos na Europa com guardanapos na cabeça, Aécio Neves afundou, levando junto o PSDB e o centro democrático, por um pedido de empréstimo aos donos da JBS, na época, de R$ 2 milhões.

Nenhum deles é santo, mas o fato é que as coisas mudaram e continuam mudando, principalmente em valores, presentes e generosidade de “amigos” complicados, mas também na cara de pau. Na República da mentira e dos “irmãos”, tudo ficou mais fantástico, espetacular.

Sem a mudança de condutas, reformas no STF serão inúteis, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Novas regras não terão efeito enquanto não houver disposição de obediência ao que dizem as normas em vigor

No momento, a pregação por mudanças é puro exercício de retórica populista para surfar na onda da ocasião

A defesa de reformas faz parte do roteiro habitual em momentos de conturbação como o atual.

Dessa costumeira toada discursiva dão notícias as propostas de mudanças no Judiciário, nas regras de indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e até no rito de processo de impeachment de magistrados da corte.

Quando as pessoas não sabem direito o que fazer nem o que dizer, mas precisam se posicionar de alguma forma, costumam sugerir pactos e reformas.

Candidato bolsonarista finge que Cláudio Castro não existe, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Campanha de Douglas Ruas aposta na omissão do passado e na memória curta do eleitor

Infiltração do crime organizado nas estruturas de poder é resistente no Rio de Janeiro

Desvincular-se ou esconder antigos aliados e chefes políticos é um truque das campanhas eleitorais que apostam na omissão do passado. No Rio de Janeiro, a amnésia é geral.

Candidato bolsonarista ao Palácio Guanabara, Douglas Ruas praticamente apagou do currículo os dois anos à frente da Secretaria de Cidades, investigada pelo aumento de R$ 45 milhões no valor de um contrato, o dobro do limite legal. Ruas dá a impressão de sequer ter conhecido Cláudio Castro, que renunciou para não ser cassado e enfrenta acusações de corrupção e desvio de dinheiro, com a Polícia Federal batendo à sua porta quase toda semana.

Mark Carney, San Tiago Dantas e o mote do “outro Ocidente”, por Paulo Fábio Dantas Neto*

Demorou um pouco até que uma voz mais firme e positiva surgisse de um país ocidental, reconhecendo com realismo a extensão e profundidade radicais da ofensiva de Donald Trump para decretar, nas relações internacionais, o retorno do império da competição sem regras entre grandes potências. O primeiro ministro Mark Carney, do Canadá, em pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos, além de fazer isso, lançou um facho de luz num mundo que, diante da fera, tem oscilado entre a perplexidade, o medo, a retórica oca e a indignação impotente. Ao reconhecer a falência da ordem mundial do pós-guerra e a impossibilidade de sua refundação, exortou o que chama de potências médias (dentre as quais vê o seu país incluído) a agirem em bloco, política, comercial e diplomaticamente para resistirem à ação das potências hegemonistas e contraporem, ao mundo sem regras que elas estão consagrando na esteira da blitz trumpista, um processo de construção de uma nova ordem, na qual possam ser preservados tanto os interesses soberanos dos países, como valores civilizatórios supranacionais, com destaque aos direitos humanos, à democracia e o pluralismo político.

Poesia | Te Amo, de Pablo Neruda

 

Música | Joyce Moreno e MPB4 - Falando de Amor (Tom Jobim)

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Mendonça também deve explicações

Por O Globo

E a razão para isso não tem nada a ver com o pedido para investigar Moraes

O Brasil não tem mais dúvidas de que o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado. Há contra ele mais de cinco dezenas de mensagens em que Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, pede ajuda e conselhos. Justamente a ele, cuja mulher assinou um contrato, editado pelo próprio ministro, de R$ 130 milhões para “consultoria estratégica” diante de órgãos públicos fiscalizadores. Ainda não se sabe se Moraes é culpado, mas apenas uma investigação poderá levar a um processo judicial e, eventualmente, a julgamento. Para se defender, ele terá a seu dispor todas as garantias que nosso ordenamento jurídico prevê.

Lula articula neutralidade do Centrão em eventual 2º turno, por Sofia Aguiar e Lucas Borges Teixeira

Valor Econômico

Petistas avaliam que PSD, União Brasil e Republicanos devem liberar diretórios

De olho em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula para manter a neutralidade dos principais partidos do Centrão na disputa pelo Palácio do Planalto. Nas últimas semanas, coordenadores petistas vêm conversando com diferentes legendas e trabalham com a avaliação de que PSD, União Brasil e Republicanos não devem declarar apoio nacional ao candidato do PL, deixando diretórios e filiados livres para se posicionar de acordo com as alianças locais.

Republicanos e União já anunciaram neutralidade no primeiro turno. Para o PT, evitar uma adesão formal dessas siglas a Flávio representaria uma vantagem política, porque ajudaria a preservar a disputa aberta pelos votos dos eleitores que escolherem outros candidatos no primeiro turno.