quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Suspeitas justificam investigar filho e ex-assessor de Lula

Por O Globo

Acusações contra Lulinha e ex-chefe de gabinete de presidente não podem ser atribuídas a motivação eleitoral

É preciso esclarecer a fundo as suspeitas de tráfico de influência e corrupção que rondam o Palácio do Planalto. Elas envolvem personagens como o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou o governo para atuar na coordenação da campanha à reeleição de Lula, depois se viu constrangido a deixar a própria campanha diante das denúncias.

O ajuste fiscal e a pergunta que o Brasil precisa fazer, por Giovanni Bevilaqua*

Correio Braziliense

Quando as decisões sobre as prioridades do orçamento passam a dar mais peso às expectativas de quem empresta dinheiro ao governo do que as necessidades de quem depende da aposentadoria, da saúde e dos outros serviços públicos, a democracia perde seu equilíbrio

Toda vez que o tema volta à mesa, a receita já vem pronta. Desindexar o salário mínimo do crescimento do PIB. Afrouxar os pisos constitucionais de saúde e educação. A justificativa é sempre a mesma: não há alternativa, o país precisa escolher entre o ajuste e o abismo. Há, de fato, um problema real. As despesas obrigatórias crescem mais rápido que a receita, e a trajetória da dívida pública preocupa quem acompanha o tema com seriedade.

O que incomoda não é o diagnóstico. É a certeza com que se encerra o debate antes mesmo de ele começar, como se existisse apenas um caminho possível e ele passasse, inevitavelmente, pelo bolso de quem tem menos margem para reclamar. Setenta por cento dos benefícios do INSS seguem o salário mínimo. O SUS depende de seu piso constitucional para manter o atendimento onde ele é mais necessário. Quando a sustentabilidade fiscal escolhe justamente esses dois alvos como prioridade, cabe perguntar: por que o ajuste começa sempre por quem mais depende do Estado? E, afinal, quem deve pagar essa conta?

Com tarifaço e interferência nas nossas eleições, Trump pode dar um tiro pela culatra, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Conflito fortalece a narrativa de que existe uma frente internacional empenhada em derrotar o governo brasileiro, mas alimenta críticas da oposição à diplomacia de Lula

“O Brasil não é para principiantes”, atribuída ao compositor e maestro Tom Jobim, a frase serve como uma luva para Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano e principal arquiteto da mudança de orientação dos Estados Unidos para a América Latina. A política de pressão concebida em Washington que pretende enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser um tiro pela culatra.

Até agora, deu a Lula a oportunidade de transformar a crise diplomática numa disputa em defesa da soberania nacional. O tarifaço contra produtos brasileiros, os contatos de integrantes do governo Trump com aliados de Flávio Bolsonaro, a tentativa de enviar funcionários do Departamento de Estado para discutir a integridade das urnas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti são iniciativas consideradas ingerências nas eleições deste ano pelo Palácio do Planalto. Washington condiciona a restauração do visto de Viotti à aprovação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos.

O efeito bumerangue da escolha de Gaspar, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Escolha de vice mostra Flávio Bolsonaro de costas para as mulheres e agarrado na pauta da corrupção que também pode ricochetear em sua candidatura

“Na maior parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são justamente as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso, quando eu ficar velhinho quem vai tomar conta de mim são elas”.

O candidato do PL à Presidência fez este preâmbulo ao anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. A visão tacanha sobre o papel da mulher é uma das explicações sobre o risco tomado por Flávio Bolsonaro com a escolha.

No último dia da CPMI do INSS, depois de o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) irromper a sessão acusando-o de estuprador, Gaspar, que foi o relator da comissão, negou a acusação. Atribuiu o protagonismo a um primo e fez exame de DNA que, disse, não comprovaria a paternidade da criança. Em vídeo, a filha em questão confirmou sua versão.

Como o crime de “estupro de vulnerável” pressupõe apenas a existência de uma relação sexual com um menor de 14 anos, o deputado e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal que é relatada pelo ministro Gilmar Mendes, em segredo de justiça.

Insana corrida para salvar o BRB, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Na ponta do lápis, as contas não fecham, a menos que escolas, postos de saúde e outros serviços prestados à população do DF deixem de funcionar

Há muito tempo não se via uma movimentação política tão intensa para salvar um banco quebrado. Desde que assumiu carteiras de créditos podres em negociação suspeita com o banco Master, o Banco de Brasília (BRB) se arrasta aos trancos e barrancos, com problemas de liquidez e de patrimônio. Como não há publicação de balanço (o último data do segundo trimestre de 2025) não se sabe ao certo o tamanho do buraco. Sabe-se, sim, que é expressivo, qualquer que seja a indicação de prejuízo que se queira considerar.

Em nome do pai, por Merval Pereira

O Globo

O tempo é curto para uma virada de posições tão radical quanto a necessária para retirar Flávio do segundo turno

Os números se movem nas pesquisas eleitorais para presidente da República. Os dois candidatos mais bem cotados se aproximam e se distanciam à medida que as notícias vão se desenrolando, mas o que trava a corrida de cada um são os escândalos de corrupção envolvendo os dois. O que muda menos é o índice de rejeição de cada, e partimos para uma disputa entre quem é menos corrupto que o outro.

“Em nome do pai” é o slogan da campanha de Flávio Bolsonaro, uma admissão de que está concorrendo por ser filho de Jair. A escolha do relator da CPI do INSS para vice na chapa de Flávio revela que o tema será objeto direto da campanha da oposição, e o relatório da comissão, que não foi aprovado por trabalho do governo e pedia até mesmo o indiciamento de Lulinha, filho do presidente, deve ser ressuscitado como se fosse a verdade encoberta pelo poder do pai.

Flávio conta com mãozinha do PT, por Julia Duailibi

O Globo

Nesta semana, os mais lúcidos aliados de Lula lamentavam a entrega de munição ao adversário

O PT prestou um serviço para Flávio Bolsonaro. O candidato do PL estava em baixa, sem conseguir nenhuma aliança e passando o chapéu pelo Centrão em busca de um vice. Até que o Q.G. de Lula colocou a bola no pé do adversário. À moda Vorcaro, uma lobista do INSS conseguiu chegar com seus tentáculos à antessala do gabinete presidencial — isso depois de já ter alcançado a família do presidente. Flávio, tóxico para os mais versados na arte da política depois do caso “Dark Horse”, viu que daquele limão dava para fazer uma limonada.

Mesmo com interferência estrangeira, disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro cheira a mofo, por Malu Gaspar

O Globo

Pode-se dizer que a corrida presidencial começou para valer com a oficialização dos candidatos e suas chapas e com a definição do quinhão de tempo de TV e rádio de cada um. Como sempre, os discursos nas convenções, as escolhas de vices e a formação (ou não) de coligações movimentaram o noticiário. Olhando bem, porém, à exceção das tentativas de Argentina e Estados Unidos de se enfronhar no processo eleitoral, que ainda podem ter consequências, todo o resto cheira a mofo.

O tumulto na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), inaugurado com as revelações do caso “Dark Horse” e agravado pela briga pública com Michelle Bolsonaro, teve uma trégua com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice. Os números da pesquisa Genial/Quaest divulgados ontem mostram que a relativa calmaria na campanha ajudou o candidato do PL a recuperar um pouco do terreno perdido para Lula.

Tensão nos casos Master e INSS, por Míriam Leitão

O Globo

A maneira como estão sendo conduzidos os vários inquéritos nas mãos de André Mendonça provoca uma distorção institucional

A tensão entre o relator dos processos do INSS e do Caso Master, ministro André Mendonça, e a Polícia Federal é maior do que a que houve entre a PF e o ministro Dias Toffoli. O ministro Mendonça está exigindo despachar diretamente com os delegados e agentes, sem passar pela direção da Polícia e, pior, requereu todo o material bruto e indexado. E esse indexado não é um detalhe. É o que permite fazer busca específica. Basta colocar um nome que será possível encontrar todas as citações àquela pessoa. É possível direcionar a investigação.

O motim das máquinas, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Não está descartada a possibilidade de hora dessas, passarmos por uma hecatombe pavorosa, um Chernobyl digital

Há coisa de duas semanas, circulou a notícia de que dois modelos de inteligência artificial, desenvolvidos pela OpenAI, saíram de controle e invadiram arquivos de uma empresa concorrente. Como o desvio foi rapidamente identificado e não sucedeu nada de mais sério, ninguém parece ter ficado muito preocupado. O fato foi recebido como “parte da rotina”, num cenário de improvisos que lembra o velho samba de Billy Blanco, Piston de Gafieira. Quase deu para ouvir, na gafieira digital, o pistão que “tira a surdina e põe as coisas no lugar”. Nas big techs animadas, os mandachuvas (outra palavra do vocabulário de antigamente) deram de ombros e tocaram adiante.

A marcha dos encrencados, por William Waack

O Estado de S. Paulo

As próximas eleições provocam angústia não só em políticos. Mas também entre integrantes do STF, que enxergam na permanência do atual governo sua melhor chance de sobrevivência. São os encrencados em escândalos, que temem perder a condição atual de intocáveis. Eles manobram em dois eixos de atuação que, no fundo, são uma coisa só. Operam sob um sentido de urgência.

O primeiro é exercer o que puderem de controle sobre as investigações da Polícia Federal. Isso se dá por laços pessoais, mas também institucionais, como se viu recentemente na tentativa do diretor-geral da PF de acionar a AGU contra um dos ministros do Supremo, André Mendonça, o principal alvo dos encrencados.

Fachin e a guerra do código, de ética, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministro tem chance de vencer no CNJ, mas deve comprar briga no STF e com juízes de todo o País

Edson Fachin começou pela batalha menos difícil para tentar vencer a guerra do código de ética. Na terça-feira, apresentou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) propostas para reduzir conflitos de interesse na magistratura. Deixou para depois o desafio maior: propor ao Supremo Tribunal Federal (STF) outro documento, para orientar a conduta dos ministros.

Fachin deve sair vitorioso da batalha no CNJ, especialmente porque integrantes do órgão consideraram respeitosa a forma como o presidente agiu. Ele deu prazo de dois meses para os conselheiros sugerirem mudanças antes de votar o texto.

O risco de uma eleição decidida na delegacia, no medo e na raiva, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Escândalos definem diferenças de votos; falta novidade política e até mentiras são velhas

Cresce fosso entre partidos e elites programáticas, reformistas ou forças sociais inovadoras

A eleição presidencial de 2026 será decidida na delegacia, influenciada por rolos policiais e judiciais que afetam em maior ou menor grau as candidaturas principais?

Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva. No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores "nem-nem" (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?

Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do "recado das urnas". Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

Flávio joga parado na economia e não é cobrado, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Presidenciável do PL tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente e pelo baixo nível de cobrança de diversos atores

A conta de suas promessas não fecha; não precisa ser economista para chegar a essa conclusão

O presidenciável Flávio Bolsonaro joga parado nas promessas que faz para a economia durante a campanha eleitoral.

Ele tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente, diferentemente do presidente Lula, e pelo baixo nível de cobrança dos analistas do mercado financeiro, dos eleitores e também da mídia que acompanha seu périplo diário na disputa pelo Palácio do Planalto.

Instado a falar sobre medidas econômicas que adotará caso ganhe as eleições, o candidato do PL fala de "tesouraço" nas despesas do Orçamento, gatilhos para contenção de gastos, redução de ministérios, corte de cargos comissionados e mudanças na reforma tributária.

Tarcísio passa recibo e piora a imagem das privatizações, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Governador acusou greve de política, mas é o que faz com as concessões apressadas

Caso dos trens foi atestado de políticas mal planejadas, que também atingem parques

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acusou a greve de ferroviários em seu estado, já encerrada, de política. Greves são políticas em sentido amplo e essa característica pode se acentuar em períodos eleitorais. Na disputa, acusações sempre aparecem.

O fato é que o movimento teve uma dimensão trabalhista. Por outro lado, não há dúvida de que certas concessões e privatizações em curso em São Paulo se enquadram bem no rótulo de políticas —ainda que mal feitas.

No afã de cunhar uma marca eleitoral e ganhar pontos com o empresariado e a opinião pública antipetista, Tarcísio —recente anfitrião do presidente da Argentina, o libertário Javier Milei— vem contribuindo para o questionamento do dogma liberal que afirma ser sempre preferível privatizar, pois aquilo que a iniciativa privada for capaz de fazer, fará melhor do que o setor público.

O admirável mundo novo de Mr. Musk, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Quando o presente é o assunto, o visionário vira fascista

A conversa fica tensa e a amabilidade dá lugar à crítica agressiva à imprensa profissional

Durante 1 hora e 24 minutos, o homem mais rico do planeta expôs à editora-chefe da revista The Economist suas ideias sobre o futuro e o presente. Criador do sistema de pagamentos eletrônico Paypal, Elon Musk é proprietário da Tesla, que fabrica carros elétricos; do aplicativo de mensagens X (antigo Twitter) —além de fundador da empresa SpaceX, que pretende revolucionar a tecnologia espacial para fazer dos seres humanos uma espécie interplanetária, capaz de colonizar Marte.

Durante os primeiros sete meses desta segunda administração Trump, Musk chefiou o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) —o qual, a pretexto de reduzir desperdícios, fechou agências estatais, cortou recursos e destruiu muitos órgãos federais importantes. A entrevista pode ser vista em The Insider, publicação digital exclusiva para os assinantes do semanário britânico.

EUA ignoram vias legais e escolhem o método do caos, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Ao revogar visto de embaixadora brasileira, os EUA decidem reverter a ordem prevista na lei internacional

Governo Trump usa alavanca para que a direita ganhe as próximas eleições no Brasil

A única explicação plausível para que o governo Trump tenha decidido revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington é a aposta no caos como alavanca para que a direita ganhe as próximas eleições no Brasil e, assim, a onda neotrumpista latina possa inundar o Planalto Central. Este, ao menos, é o sonho de Marco Rubio, secretário de Estado americano.

Poesia | Mensagem à Poesia, de Vinicius de Moraes

 

Música | Beth Carvalho - Vai Passar, de Francis Hime e Chico Buarque

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regras de conduta para Judiciário são bem-vindas

Por O Globo

Fachin faz bem em combater conflitos de interesse nas instâncias inferiores. Deveria levar iniciativa ao Supremo

É oportuna a proposta do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de criar uma política de prevenção e gestão de conflitos de interesses no Judiciário. As regras estabelecidas pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional na década de 1970 e as posteriores, como as determinadas pelo Código de Ética da Magistratura de 2008, já demonstraram ser insuficientes. A imparcialidade dos juízes tem sido manchada com frequência por relações impróprias e conflitos de interesses.

O texto de Fachin prevê diretrizes para identificar potenciais problemas antes que surjam. Disciplina a participação dos magistrados em eventos patrocinados, o recebimento de presentes e o relacionamento profissional de seus familiares com grandes litigantes. Por não estar subordinado ao CNJ, o STF está infelizmente fora do escopo da iniciativa. Por isso mesmo, a formulação do Código de Ética prometido por Fachin para integrantes do Supremo deveria correr em paralelo, sem atrasos.

Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de 2º turno, mas perde pontos de vantagem sobre Flávio, por Júlia Cople

O Globo

Candidato à reeleição possui 44% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 39%; na sondagem anterior, petista aparecia com 45%, contra 37% do filho do ex-presidente

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida ao Planalto, o petista aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

É a oitava pesquisa do instituto no ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa depois das convenções que escolheram os candidatos a presidente, do novo tarifaço de Donald Trump, da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar novas investigações contra Lulinha, filho de Lula.

Pesquisa mostra que a direita começa a se reorganizar e entregas do governo perdem força, por Míriam Leitão

O Globo

A direita começa a se reorganizar, e as entregas do governo Lula deixaram de produzir o mesmo ganho. Esse é o resumo da pesquisa Genial/Quaest que acaba de ser divulgada, na qual a diferença entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro caiu três pontos percentuais. Um dos indicadores que mostram essa reorganização da direita é que perguntados se as pazes públicas entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro foi positivo ou negativo, 88% da direita não bolsonarista considera positivo e 90% da direita bolsonarista.

Fantasma da corrupção abala fase de calmaria de Lula, por Vera Magalhães

O Globo

Depois de negligenciar denúncias de desvios no INSS, presidente vê desdobramentos das investigações atingirem filho e assessor mais próximo

A proximidade do início para valer da campanha eleitoral interrompeu a calmaria que vinha reinando no quartel-general de Lula. O fantasma da corrupção, que já havia reaparecido com o caso Master, ganhou contornos mais assustadores com a entrada do assessor mais próximo ao presidente nas investigações.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, que nunca viu problema em ser conhecido nacionalmente pela alcunha de Marcola, recebeu dinheiro de uma lobista que vem a ser amiga próxima de Lulinha, o filho do presidente conhecido de outros carnavais e casos rumorosos. A explicação dada por ele diante da eclosão do assunto — de que Lula e seu entorno já tinham conhecimento há alguns meses — é um clássico em casos do tipo: ele afirmou ter contraído um empréstimo junto a Roberta Luchsinger, a amiga de Lulinha, e pagado depois, tudo sem contrato.

Presidente desperdiça a campanha, por Elio Gaspari

O Globo

Lula ‘porreta’ atrapalha o candidato

No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco. Anunciou cinco compromissos: “resolver definitivamente o papel da educação”; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras-raras “para os brasileiros”; programas para a transição energética.

É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos cinco compromissos, um — “resolver definitivamente o papel da educação” — não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de “papel” mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada.

Revogação de visto de embaixadora é ato de chantagem dos EUA ao Brasil, por Bernardo Mello Franco.

O Globo

Casa Branca reforça ofensiva para interferir na eleição presidencial

Donald Trump ainda não havia completado dois meses de sua volta ao poder quando decidiu expulsar o embaixador da África do Sul nos EUA. Ao anunciar a medida, o secretário Marco Rubio citou o Breitbart, site de extrema direita conhecido por divulgar notícias falsas e teorias conspiratórias.

O caso de Ebrahim Rasool foi relembrado ontem por diplomatas brasileiros. Eles ainda tentavam digerir a informação de que o Departamento de Estado havia revogado o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.

O embaixador da África do Sul foi alvo de uma campanha de desinformação que acusava o país de ameaçar e perseguir a minoria branca. Influenciado pelo bilionário Elon Musk, Trump chegou a oferecer asilo aos chamados africâneres, sul-africanos de origem holandesa. Rasool criticou a ideia num debate virtual, o que serviu de justificativa para sua expulsão.

Briga por comando do Senado corre nos bastidores, por Fernando Exman

Valor Econômico

Para dirigentes partidários governistas e de oposição, há grandes chances de vingar o projeto bolsonarista de conquistar mais da metade das cadeiras

A revelação de que o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu repasses da lobista que está no centro do escândalo do INSS deu ao senador Flávio Bolsonaro a oportunidade de se reposicionar na disputa presidencial. O pré-candidato do PL reagiu e, horas depois de dizer que batalharia até o dia 15 para atrair o Centrão para a sua chapa, comunicou que anteciparia a definição de quem ocupará a sua Vice para esta quarta-feira (5). O vai e vem sobre o preenchimento da vaga já vinha, nos bastidores, antecipando alguns movimentos da disputa que ocorrerá em fevereiro pela presidência do Senado nos próximos dois anos.

Plano de logística quer investir R$ 1,225 tri até 2050, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Pela primeira vez, previsão de investimentos privados em logística chegará a 60% do total, superando os públicos

Nos próximos 15 anos, a quantidade de carga a ser transportada no país vai aumentar 300%, impulsionada pelas exportações de commodities. “Entendeu o tamanho do problema?”, questionou o ministro dos Transportes, George Santoro. Ele lança no próximo dia 12 o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que prevê investimentos de R$ 1,225 trilhão, conforme cálculos que ainda são refinados e que foram antecipados à coluna.

Pela primeira vez, a previsão de investimentos privados em logística chegará a 60% do total, superando os públicos. Serão R$ 734,4 bilhões ante R$ 490,5 bilhões.

Escândalo do INSS chega ao Planalto e põe campanha de Lula na defensiva, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O caso equaliza os desgastes de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do rombo do Banco Master

Era pedra cantada que o escândalo do INSS se transformaria numa dor de cabeça para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O que não estava no radar dos gerenciadores de crise do Palácio do Planalto era que, além das investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o caso chegaria a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente, assessor discreto e poderoso, que atendia as ligações para o celular do presidente da República e entrava no seu gabinete sem se anunciar.

A violência não termina quando a tela se apaga, por Márcia Lopes*

Correio Braziliense

A violência digital contra as mulheres não pode ser tratada como um efeito colateral inevitável da tecnologia. A inovação deve estar a serviço das pessoas, e não transformar suas vidas em matéria-prima para o ódio, a exploração ou a humilhação

Durante muito tempo, aprendemos a identificar a violência contra as mulheres pelas marcas deixadas no corpo. Mas existem violências que não deixam hematomas visíveis e, ainda assim, destroem reputações, relações, oportunidades e projetos de vida. 

Uma fotografia íntima publicada sem consentimento. Uma ameaça enviada de madrugada. Uma mulher perseguida pelas redes sociais. Uma imagem falsa, produzida por inteligência artificial, que coloca seu rosto em uma cena sexual que nunca existiu. Uma campanha organizada para humilhar, silenciar ou expulsar uma mulher do espaço público. 

A campanha ‘porreta’ de Lula, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Marcola recebe pagamento de lobista que é amiga de Lulinha e PT culpa PF por crise

A descoberta de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, recebeu pagamento da empresária Roberta Luchsinger serviu para escancarar os atritos que têm marcado as relações entre a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do PT.

Não é de hoje que o ministro do STF André Mendonça reclama do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A portas fechadas, Mendonça chegou a dizer que a cúpula da PF segurava investigações contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente e amigo de Roberta, por causa das eleições. Além disso, avisou que se todas as apurações não fossem enviadas a seu gabinete, o diretor-geral da PF responderia por obstrução de Justiça.

Fingindo-se de morto, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O melhor que o Copom tem a fazer hoje é divulgar comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas

A principal missão do Banco Central ao fim da reunião de hoje do Copom será evitar causar – a todo custo – os ruídos da última decisão, quando os argumentos para justificar o corte da taxa Selic pegaram os analistas de surpresa e suscitaram até questionamentos à sua credibilidade. Agora, o melhor é o Copom se fingir de morto e soltar um comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas.

O isolamento de Flávio Bolsonaro na nova podridão do sistema político, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Novo poder do Congresso explica apenas em parte solidão partidária do candidato do PL

Parlamento-centrão começa a institucionalizar novo modo de saque extrativista do Estado

O isolamento partidário de Flávio Bolsonaro (PL) em parte confirma a impressão de que a perda de poder do governo federal para o Congresso diminui a relevância de alianças firmes com presidentes para o objetivo de dominar dinheiros do Estado. É isso, mas não só. Vai além da eleição, é outra história.

O Congresso-centrão institucionaliza um outro modo de extração de recursos estatais, em parte concatenada com crimes diversos, corrupção entre eles. Emendas são parte disso. De modo legal ou ilegal, servem para valorizar o capital político e o capital privado de políticos (e de associados).

Note-se também o caso Vorcaro, o mais explícito dos sintomas pornopolíticos do favorecimento empresarial extrativista no Parlamento e de associação da política com fundos da finança bandida. É ingenuidade chamar o aumento do poder do Congresso de "semiparlamentarismo", mesmo de modo provisório.

Quanto à eleição, o mais importante, se diz do centrão ao direitão, é fazer bancadas grandes de modo a ter mais controle sobre emendas, fundos partidários e eleitorais e sobre poucos cargos ainda rendosos (em termos de dinheiro e prestígio) ou que facilitam negócios com empresas e finança.

Lulinha é problema para Lula? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Investigações sobre filho do presidente, mesmo que avancem, não devem mudar muito panorama das pesquisas eleitorais

Revelação de conexão entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro não fez candidatura murchar, como deveria ocorrer em mundo racional

As investigações da PF contra Lulinha estão avançando. O Lulão deve se preocupar com isso? Um pouco. Seria obviamente preferível iniciar o período oficial de campanha sem carregar um filho contra o qual pesam suspeitas, mas é improvável que o cerco policial, mesmo que revele coisas mais concretas do que o que apareceu até aqui, mude muito o panorama eleitoral.

Eleitorado neste ano vai às urnas ressentido, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Há menos uma guerra ideológica que um embate de sentimentos negativos mutuamente alimentados

Favoritos alimentam esse ambiente de mal-estar geral, na falta de terem algo melhor a dizer à população

Eleições são ganhas com apoio popular, respaldo político-partidário e expertise para se valer de erros do campo adversário. Foi assim que Tancredo Neves chegou vitorioso ao colégio eleitoral de 1985, marco fundador da transição democrática.

O mineiro administrou a frustração com a derrota da emenda Dante de Oliveira, atraiu o capital da movimentação nacional em prol das diretas-já, aproveitou-se da desorganizada divisão do governo em torno dos nomes de Paulo Maluf, Mário Andreazza, Aureliano Chaves e do desejo do que seria o último ditador em prorrogar o próprio mandato.

Milei pode ter sido um erro na largada de Flávio Bolsonaro, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Ao entregar palco ao argentino, candidato agradou aos convertidos e pode ter afastado eleitores de que precisa

Convidado do PL proclamou a liberdade no Brasil e voltou ao seu país para policiar mensagens de torcedores

Talvez Flávio Bolsonaro ainda não tenha calculado o tamanho do erro cometido na largada de sua campanha. Para devolver à base bolsonarista o prazer de ouvir Lula e Alexandre de Moraes sendo xingados, trouxe a São Paulo Javier Milei, entregou-lhe o palco da convenção do PL e deixou que o argentino fizesse o serviço.

Milei chamou o presidente da República de ladrão e presidiário e tratou um ministro do Supremo como "lixo careca". A plateia vibrou. Resta saber quem, além dela, foi conquistado.

A eleição presidencial tem tudo para ser um campeonato de rejeição, vencido não pelo candidato mais amado, mas por quem provocar menos aversão. Flávio e Lula lideram a lista daqueles em quem os eleitores afirmam que não votariam de jeito nenhum.

Como a grande mídia tenta reconfigurar a disputa de 2026, por Chico Cavalcante

Revista Fórum

O que se viu na semana que antecedeu a pesquisa foi uma operação clássica de Agenda Setting, orquestrada pela grande imprensa com a precisão de quem conhece o poder de pautar o debate público.

A oitava rodada da pesquisa Nexus, contratada pelo BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira, traz números que merecem mais do que uma leitura superficial. O levantamento, realizado entre 31 de julho e 2 de agosto com 2.002 eleitores, aponta Lula com 41% das intenções de voto no primeiro turno contra 37% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, o empate técnico se confirma, 46% a 45%. Mas o dado mais relevante não está na margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Está na inflexão detectada pelo instituto e no que provocou tal inflexão.

Brasil enfrentado a sus fantasmas, por Fernando de la Cuadra

El Clarin (Chile)

Faltan apenas dos meses para que las elecciones de octubre sean realizadas y la mayoría de los candidatos está en campaña, pese a que el inicio de la corrida electoral solo comienza oficialmente el 16 de agosto. Casi todas las coaliciones ya escogieron sus candidatos a presidente y vicepresidente, siendo que la Federación Brasil de la Esperanza, el pacto entre el PT y otros dos partidos (PV y PC do B) junto al PSB, PSOL, Rede y PDT ya confirmaron al actual presidente Lula da Silva y a su vice Geraldo Alckmin como los representantes de ese conglomerado de centro izquierda para la próxima contienda.

A Sociedade em Rede no Século XXI: uma Perspectiva Retrospectiva, por Manuel Castells

 

Poesia | Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | MPB4 - Vira Virou