Democracia Política e novo Reformismo
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões
Desmatamento em queda dá motivo para celebração
Por O Globo
Infelizmente devastação florestal continua
por meio de incêndios. Combate às queimadas é essencial
Amazônia e Cerrado registraram no último ano os menores patamares de desmatamento desde o início das medições feitas pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélites (Prodes). Persistem, porém, desafios nada triviais para a conservação do patrimônio ambiental brasileiro. Ao mesmo tempo que o Ministério do Meio Ambiente divulgava os dados sobre desmatamento, a fumaça das queimadas encobria Manaus. Proteger a floresta exige mais que combater a derrubada das árvores. Mesmo assim, é importante celebrar o resultado positivo nessa frente.
O nosso iberismo numa encruzilhada da história que pauta Lula e Flávio, por Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense
Sim, os resultados das nossa democracia são
insuficientes diante da desigualdade brasileira, mas não autorizam tratar a
redemocratização como um grande fracasso
A eleição presidencial brasileira é a mais importante fora dos Estados Unidos
em 2026, avalia Daron Acemoglu, professor do Massachusetts Institute of
Technology (MIT), laureado com o Nobel de Economia. Em entrevista à BBC News
Brasil, o economista compara uma eventual volta da família Bolsonaro ao poder à
decisão dos norte-americanos de reconduzir Donald Trump à Casa Branca. Seu
alerta ultrapassa a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
Flávio Bolsonaro, hoje favorito. Segundo ele, está em jogo o lugar do Brasil na
crise das democracias e na reorganização do poder mundial.
Prosperidade: fácil de vender, difícil de entregar, por Vera Magalhães
O Globo
Flávio capta sentimento do eleitor que quer
empreender, mas o explora com promessas vazias e de implementação duvidosa
A nova rodada da pesquisa Meio/Ideia, a
última antes do segundo turno, traz uma chave para entender o voto em Flávio
Bolsonaro e também um alerta para o dia seguinte caso o candidato do PL
confirme seu favoritismo e vença a eleição: ela reside na promessa de
prosperidade, essa palavra carregada de possibilidades, mas de difícil entrega.
A detalhe aparece numa pergunta nova: o que significa melhorar de vida para você? Para 43,3% dos entrevistados, é ter o próprio negócio, trabalhar por conta própria, enquanto apenas 32% sonham com carteira assinada e direitos trabalhistas. A direita percebeu essa aspiração antes da esquerda, tanto que vem trabalhando promessas para esse público pelo menos desde 2024.
O calvário de um cidadão de bem, por Bernardo Mello Franco
O Globo
Detido
após importunar mulheres e disparar tiro em boate, deputado do PL é crítico do
Bolsa Família, tentou banir pornografia e diz defender a 'moral cristã'
Marcelo
Aguiar é um típico cidadão de bem. Dublê de cantor gospel e deputado estadual
pelo PL de São Paulo, apresenta-se como um político devotado aos “valores
cristãos”, à “defesa da família” e à “proteção das crianças”. “Minha trajetória
é feita de canções, de fé, de luta e de esperança”, pontifica, em sua página
oficial.
Casado e pai de dois filhos, o representante do povo se descreve como guardião dos “princípios da moral cristã”. “Sua atuação parlamentar é pautada por firmeza ética, preparo técnico e sensibilidade social”, assegura, falando de si mesmo na terceira pessoa.
SUS padrão Einstein é mentira de Flávio, por Elio Gaspari
O Globo
Mentir faz parte, mas candidato exagerou
Flávio Bolsonaro anunciou no debate da Band
que no seu governo “o SUS vai ser padrão Einstein”. Nunca na história das
campanhas eleitorais um candidato prometeu semelhante maluquice. Mentira
deliberada, desrespeitosa para quem a ouviu, produto da ignorância de quem não
sabe o que são o Sistema Único de Saúde e o padrão do Hospital Israelita Albert
Einstein, em São Paulo. Ou sabe, o que é pior.
Bolsonaro associa sua patranha ao fato de ter anunciado que o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Einstein, será seu ministro da Saúde. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Esse tipo de associação equivale a prometer prosperidade “padrão BTG” para todos os brasileiros porque o banqueiro André Esteves, cujo patrimônio é estimado em R$ 66 bilhões, será o ministro da Fazenda.
Flávio, Lula, Delfim e a ‘Lei do Estelionato Eleitoral’, por Fernando Exman
Valor Econômico
Candidato que se tornará presidente eleito no
domingo (25) tem um encontro marcado com a verdade
Em uma magistral coluna publicada no Valor em fevereiro de 2015, cerca de quatro meses depois da recondução da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao Palácio do Planalto e já com a crise que a levaria ao impeachment no horizonte, o ex-ministro Antonio Delfim Netto lamentou que as eleições exigissem os votos dos cidadãos que, hipnotizados pelo marketing, acabavam induzidos a comprar na véspera uma magnífica piscina azul para, no dia seguinte, acordar com ela vazia.
"Trump, me mate!", por Rodrigo Craveiro
Correio Braziliense
Fico pensando que tipo de patriota pede ao
líder da maior potência do planeta para que realize um ataque nuclear contra o
país onde vive.
Não foi essa frase, mas o sentido era o
mesmo. Durante ato em apoio ao candidato da extrema-direita no Brasil, um
apoiador teve a "ideia" de levar até a Avenida Paulista um míssil
inflável no qual podia se ler a frase "Trump
nuke Brazil". Algo como "Trump, jogue uma bomba nuclear
no Brasil". A imagem me embrulhou o estômago. Fico pensando que tipo de
patriota pede ao líder da maior potência do planeta para que realize um ataque
nuclear contra o país onde vive. Tudo para demonstrar aversão ao presidente
brasileiro.
A oposição logo tratou de culpar um "infiltrado". Fato é que o tal "míssil" deveria ter sido impedido de entrar na Paulista, e seu dono, levado para prestar depoimento na delegacia. Sim, porque aqui existe algo que transgride, viola a fronteira da liberdade de expressão.
Corrida maluca, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Lula e Flávio Bolsonaro prometem mundos e
fundos e sacrificam princípios
Disputa cria gramática de cinismo que
favorece quem tem retórica antissistema
Ainda bem que a campanha do segundo turno presidencial é curta. Não creio que os cofres públicos resistiriam a mais algumas semanas de medidas desesperadas de Lula tentando reverter um quadro eleitoral que lhe é adverso. Do primeiro turno para cá, o petista já anunciou desoneração de combustíveis, expansão do Pé-de-Meia universitário e uma série de benefícios para microempreendedores. Estamos falando de gastos da ordem de algumas dezenas de bilhões de reais neste e no próximo ano.
Tamanho de bancada não assegura hegemonia no Congresso, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Crescimento do PL não é fator de maioria
segura, muito menos dá ao partido o domínio do Parlamento
Centrão encolheu, mas o apetite e a expertise
política das legendas no jogo do poder não diminuíram
Um clima de alarmismo ronda as expectativas a respeito do que será o Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. Antes de nos entregarmos ao catastrofismo por causa do tamanho das bancadas conquistadas pelo PL, convém lembrar de como as coisas funcionam naquele chão de fábrica.
Flávio Bolsonaro não consegue dissipar minhas suspeitas, por Wilson Gomes
Folha de S. Paulo
Defesa da ditadura e promessa de reabilitar o
pai suscitam dúvidas sobre seu compromisso democrático
Divergências políticas são aceitáveis; o
respeito ao Estado de Direito não é negociável
Certamente não são pessoas como eu que Flávio
Bolsonaro tenta convencer por meio de posts, discursos, sabatinas e
debates. De resto, com a minha aversão ao gregarismo ideológico e o meu natural
ceticismo, não devo mesmo ser o público-alvo de qualquer campanha.
Afinal, meu marxismo é mais o de Groucho Marx
("não entro em clubes que aceitem pessoas como eu") que o de Karl, e
minha abordagem dos candidatos sempre foi mais parecida com a de um consumidor
que com a de um militante apaixonado. E, sim, acredito em coisas que causam
repugnância em quem moraliza excessivamente a política, como votar no menos
pior disponível —sem guardar meu voto para o candidato ideal como quem se
guarda para a mulher da sua vida. Política é outro tipo de negócio.
Dito isso, Flávio Bolsonaro tem fracassado completamente em dissipar uma inquietação essencial sobre os anos da sua eventual Presidência: seu compromisso com a ordem liberal-democrática. Não se trata do vago apelo a "salvar a democracia", de que o lulismo tanto abusou, confundindo frequentemente a defesa da democracia com a defesa da sua própria agenda política, como se não pudesse haver democracia fora da esquerda.
A Internacional Autoritária é a maior ameaça dos nossos tempos, por Rui Tavares
Folha de S. Paulo
Perigo do autoritarismo ainda é subestimado
Minha gratidão a todos os que fazem a luta
gloriosa, sempre insatisfeitos, de coração nas mãos, com medo pela democracia
Tem já mais de uma década o debate entre
aqueles que alertam para o perigo de uma deriva
autoritária nas nossas democracias e quem considera que esse perigo está
sendo exagerado. A minha posição nesse debate é clara: acho que o perigo do
autoritarismo ainda é subestimado.
Uma coisa é o debate (interessante, mas em boa medida acadêmico) sobre se o novo autoritarismo pode ser comparado com o fascismo do século passado. Alguns puristas consideram que, enquanto não estiverem preenchidas todas as características do fascismo original, não se pode usar a palavra para a sua variante.
Depois da anistia, o acordo? Por Marcelo Godoy
O Estado de S. Paulo
Proposta de perdão aos condenados se renova sob o signo do oportunismo em vez da Justiça
Como seria uma “política da justa memória”?
Essa preocupação moveu o filósofo Paul Ricoeur a uma reflexão sobre o saber
histórico, as manifestações da memória e o esquecimento, ou seja, como
representamos o passado. Eis um tema indissociável do presente: como recordar o
que se passou na última década?
Os erros e abusos da Operação Lava Jato criaram impunidade, mas não apagaram os crimes. O esquecimento e o abuso da memória levaram a Daniel Vorcaro, quando o caráter pedagógico da pena se transferiu à impunidade. Mudaram os personagens, mas a corrupção continua. E as suspeitas também: antes, tudo era dinheiro para campanha eleitoral; agora, é para filme.
A liberdade de resistir, por Nicolau da Rocha Cavalcanti
O Estado de S. Paulo
Para enfrentar seus desafios ao longo dos próximos quatro anos, o País irá demandar seriedade e previsibilidade
Seja qual for o vencedor das eleições presidenciais de 2026, a sociedade brasileira terá uma tarefa fundamental pela frente: exercer uma resistência democrática efetiva. Não nos iludamos pensando que basta a vitória de um candidato específico para solucionar nosso imbróglio civilizatório. O País vive circunstâncias sociais, políticas e institucionais que, seja quem estiver no Palácio do Planalto nos próximos quatro anos, haverá não pequenos desafios para o bom funcionamento do Estado Democrático de Direito.
A outra eleição, por Fábio Alves
O Estado de S. Paulo
As eleições de meio de mandato nos EUA, daqui a duas semanas, deverão ter impacto nos mercados globais
Daqui a duas semanas, outra eleição terá importante repercussão para os mercados globais, com impacto político até no Brasil: a de “midterms” (ou “meio de mandato”) nos Estados Unidos, para a renovação da Câmara de Deputados e do Senado. Muitos analistas estão dizendo que o desfecho desse pleito será desastroso para o Partido Republicano e tornará o presidente Donald Trump um “pato manco”, jargão para descrever um governante que, rumo ao final de governo, tem a sua autoridade bastante enfraquecida e quase nenhuma capacidade de aprovar leis no Congresso.
terça-feira, 20 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões
Protestos na França expõem incúria fiscal
Por O Globo
Como Brasil, país enfrenta dificuldade de
implementar reformas após anos de descaso com a falência do Estado
Da Queda da Bastilha à Comuna de Paris, de Maio de 1968 aos coletes amarelos já neste século, a História da França está repleta de momentos em que a população vai às ruas na tentativa de mudar o curso dos eventos. Desta vez, mais de 500 mil tomaram conta de praças e avenidas em 110 cidades francesas no último sábado, auge da onda de protestos que começou em setembro como movimento estudantil, mas depois se expandiu para abarcar um sem-número de reivindicações difusas contra o atual governo. A violência resultou em vandalismo e incêndios (como o que destruiu a Prefeitura de Limoges), na depredação de mais de 3 mil estabelecimentos comerciais e na prisão de 2,4 mil pessoas. A raiz dos protestos está na dificuldade da sociedade francesa de lidar com uma crise fiscal crônica — problema em tudo similar ao brasileiro.
A crise histórica e o aparecimento dos “monstros”, por Roberto Amaral*
Lula escorrega na casca de banana, mas no final do debate desafia Flávio, por Luiz Carlos Azedo
O Correio Braziliense
As duas campanhas cantam vitória e tentam
capitalizar o debate nas redes sociais. Isso não conquista de votos. Para o
indeciso, o debate criou mais confusão do que esclarecimento
O primeiro confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro,
domingo, na TV Bandeirantes, terminou com duas vitórias proclamadas pelas
respectivas torcidas e uma derrota evidente: a do debate público. Diante de um
país preocupado com violência, custo de vida, saúde e emprego, Flávio trabalhou
para nivelar a discussão por baixo, provocando o adversário; Lula escorregou na
casca de banana e foi para um confronto pessoal com acusações recíprocas de
corrupção. O indeciso que esperava esclarecer o voto no debate encontrou mais
motivos para hesitar.
Mentiras do bolsonarismo na economia, por Míriam Leitão
O Globo
Flávio Bolsonaro copia propostas de Lula e
diz que fará muito mais. Mas nas reuniões com a Faria Lima, promete tudo o
oposto
Na economia, essa campanha virou uma disputa de quem faz mais populismo fiscal. Flávio Bolsonaro copia as proposta de Lula e aumenta ainda mais as despesas. Lula prometeu que o Tesouro compraria dívidas velhas dos endividados exigindo dos credores um desconto. Flávio pegou carona na proposta e disse que vai comprar também, mas vai congelar a dívida restante das pessoas físicas por seis meses, e, das pessoas jurídicas, por um ano. Qual a diferença entre os dois caminhos econômicos? Lula está fazendo propostas elaboradas por sua equipe, depois de estudos. Pode-se discordar, mas tem lógica. Flávio Bolsonaro está copiando tudo o que Lula anuncia, elevando as ofertas numa espécie de leilão de populismo.
Depois da emoção da campanha, uma grande tarefa nos espera, por Fernando Gabeira
O Globo
O ano que vem será difícil para qualquer
vencedor. Os economistas acham que faltará dinheiro, e o El Niño vem pesado com
seus eventos extremos
Minha menina: o Brasil vive sua última semana
de campanha. Só agora, no segundo turno, assume os traços interessantes do
passado.
Há gente na rua, gente fazendo o L, dizendo “vamos virar”, manifestações estudantis, shows. Para dizer a verdade, a animação envolve os dois lados. Vi uma espécie de comício em Capelinha, com milhares de pessoas. É uma cidade de Minas na entrada do Vale do Jequitinhonha, onde estive recentemente. Enfim, há luta eleitoral em toda parte.
Fundo do poço, por Merval Pereira
O Globo
Foi um debate de nível muito baixo um show de
horrores. Não é à toa que os dois têm os mais altos níveis de rejeição
Desde que a ditadura militar acabou com os partidos políticos que já tinham história no Brasil, como PTB, PSD, UDN, e criou Arena e MDB, os eleitores brasileiros perderam a vinculação com as legendas e passaram a votar mais em pessoas do que em partidos. PT e PSDB, junto com o PDT de Leonel Brizola, nasceram nesse vácuo, inclusive porque o PTB foi transferido, num golpe judicial, para Ivete Vargas, para que Brizola não tivesse uma legenda forte. A partir desse desmonte histórico, deu-se a desconexão entre eleitor e partido, reforçada com a descoberta dos partidos de que seria fácil arrecadar votos com a filiação de nomes populares na música, no futebol, no rádio e na televisão.
Entrevista | Lula tem histórico de mudança e é antissistema, diz presidente do PT, por Sofia Aguiar e Lucas Borges Teixeira
Valor Econômico
Edinho Silva diz que Flávio captou desejo por mudança e negou que adversário tenha sido subestimado no primeiro turno
A cinco dias do segundo turno, o
coordenador-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT), Edinho Silva, fez uma autocrítica, assumiu erros cometidos durante
a disputa, mas também realçou acertos, como a neutralidade do Centrão no
primeiro turno. Em entrevista ao Valor, ele negou que
a campanha tenha subestimado a força política do senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), mas reconheceu que o parlamentar soube catalisar o desejo de mudança
do eleitor. Ele disse acreditar, entretanto, que será possível associar esse
sentimento à imagem de Lula, porque o petista “tem histórico de mudança”.
O Valor também pediu entrevistas ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e ao coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN). Ambos adiaram a conversa para depois do segundo turno.
Para eventual quarto mandato, o
presidente nacional do PT citou um “remanejamento orçamentário” para acomodar
promessas como o “Pix MEI”, o novo Pé-de-Meia e o aumento do Bolsa Família.
“Não é aumentar gasto. É fazer remanejamento dentro do Orçamento”, argumentou.
Conforme antecipou o Valor nesta segunda-feira (19), o
governo terá que remanejar cerca de R$ 20 bilhões na Lei Orçamentária de 2027
para acomodar as propostas mais recentes de Lula, como o “Pix MEI”, sem
aumentar o limite total de despesas.
Edinho afirmou que a principal cobrança de Lula até aqui foi a falta de material de campanha nas ruas, problema que, segundo ele, foi corrigido. Ele negou que Lula ou o PT deixassem a atuação nas redes sociais em segundo plano, mas admitiu a guinada do candidato à reeleição depois que ele adotou as “vídeo selfies”. Agora, a primeira agenda das manhãs são as gravações de Lula para as plataformas digitais.
A seguir os principais pontos da entrevista ao Valor:
Sangue, suor e lágrimas na reta final, por Maria Cristina Fernandes
Valor Econômico
Se a subestimativa do voto de direita favorece Flávio Bolsonaro, a quebra de sigilo é a bala de prata de Lula
O debate da Band deu o tom da dramaticidade da última semana de campanha que se iniciou com a rodada da BTG/Nexus em que a diferença entre os finalistas se estreitou para 0,6 ponto. Equivaleria a uma vantagem inferior a um milhão de votos do senador Flávio Bolsonaro, não fosse a subestimativa histórica do voto da direita, em média, de 1,4 ponto. Caso se repita, o “voto envergonhado” do eleitor que se omite ou mente para ser melhor aceito no seu meio social, deixaria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa desvantagem um pouco acima de 2 milhões, a mesma do 1º turno. Tudo isso se a eleição fosse hoje, mas, até domingo, cada dia vai ser um round. A bala de prata de Lula passou a ser a quebra do sigilo dos candidatos e suas famílias.
Flávio venceu na linguagem da fé, mas pode ter perdido o crente indeciso, por Juliano Spyer
Folha de S. Paulo
Apesar da postura arrogante, Flávio sai do
debate com cortes para evangélicos
Campanha do bolsonarista conseguiu mais
material para usar nas redes sociais
O Brasil tem pelo menos 40 milhões de
evangélicos, e esse número cresce se incluirmos os católicos conservadores. Mas
a fé apareceu só de raspão nas falas dos dois candidatos no debate da Band, no
domingo (18). Qual deles se comunicou melhor com os cristãos indecisos?
Flávio Bolsonaro se apresentou como crente em apenas dois momentos. No primeiro bloco, quando Lula afirmou que venceria a disputa, Flávio respondeu: "Tá repreendido em nome de Jesus". E completou: "Só o Senhor é Deus. Está repreendido".
O fetiche dos debates, por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Embates televisivos raramente têm efeito
decisivo sobre o resultado de eleições
Oferecem, porém, uma brecha para avaliar
candidatos fora de ambiente por eles controlado
Sim, o debate de domingo (18) foi muito ruim, mas o que dava para esperar? O homem, e, por conseguinte, o candidato, é um produto de seu meio. Uma campanha presidencial marcada pela polarização afetiva, por escândalos de corrupção e por uma ausência de propostas e ideias ainda mais intensa que o normal só poderia mesmo produzir um debate como o que vimos, em que sobressaíram agressividade, pegadinhas e evasivas. O surpreendente seria se, dadas as condições objetivas de campanha, os candidatos tivessem discutido seriamente projetos e programas.
Faltou conteúdo e sobrou despreparo no debate, por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Lula e Flávio mostraram que lhes falta
exatamente a matéria-prima para um bom embate: as ideias
Os dois foram pintados para uma guerra de
insultos que não serviu para estimular o eleitorado a votar
Se era para fornecer ao país um show de
grosserias e despreparo no trato de questões substantivas, teria sido melhor
que Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio
Bolsonaro (PL)
mais uma vez fugissem de um confronto de ideias. No debate deste
domingo (18), mostraram que lhes falta exatamente essa
matéria-prima.
Nenhum dos dois compareceu munido de argumentos para discorrer sobre temas do interesse coletivo e cobrar do adversário provas de conhecimento e capacidade para presidir o Brasil. Foram pintados para uma guerra de insultos mútuos que resultou em lamentável empate no quesito ausência de conteúdo.
Big techs e Nunes Marques capturam a cena eleitoral, por Alvaro Costa e Silva
Folha de S. Paulo
Presidente do TSE, indicado por Bolsonaro ao
STF, parece um torcedor de toga
Na reta final do pleito, manipulação dos
algoritmos atinge o ponto máximo
Depois de funcionários da Meta admitirem um segredo de polichinelo —restrições que prejudicam as contas da campanha de Lula—, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a empresa adote medidas de tratamento igualitário no segundo turno. Quem espera que Mark Zuckerberg cumpra a decisão pode esperar sentado. Ele vai enrolar, como sempre.
Ajuste fiscal e embuste político, por Jorge J. Okubaro
O Estado de S. Paulo
Prometer cortes de gastos públicos e preservar programas sociais de alto custo é engambelar o eleitor
Num palco propício a embuste político, uma motosserra como a empunhada pelo presidente argentino Javier Milei para simbolizar seu projeto de redução do Estado tem forte impacto visual. Se levado à prática, um projeto desses tem consequências igualmente fortes: desemprego, aumento da pobreza e fechamento de empresas. Milhões de argentinos estão vendo isso. Não se sabe se por prudência ou criatividade, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, esforçado imitador de Milei, adotou um símbolo mais modesto, a tesoura, mas empregado de forma superlativa. Prometeu um tesouraço. Chegou a falar em corte de R$ 200 bilhões de gastos.
A ‘herança maldita’ em 2027, por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Populismo de campanha vira tesouraço depois, mas Lula e Flávio escondem o jogo
Depois de confirmar que debate não é seu
forte, como mostrou desde 1989 em todas as sete campanhas presidenciais que
disputou, o presidente Lula manteve sua aposta nos anúncios populistas para
tentar virar a eleição até o próximo domingo. O “vale-tudo” corre solto na sua
campanha.
O desafio para que ele e Flávio Bolsonaro
abram suas contas bancárias e a promessa de entregar os seus dados e de seus
filhos ao TSE, ainda hoje, fazem parte do jogo. Mas antecipar o pagamento do
Bolsa Família, a dias da eleição, não faz.
É o que se chama de “forçação de barra”, o uso da Presidência e dos recursos públicos para, inequivocamente, comprar votos e minimizar a abstenção, empurrando eleitores de baixa renda para as urnas no domingo.
O debate eleitoral e a miséria exposta, por Carlos Andreazza
O Estado de S. Paulo
A atividade política havida no Brasil é
rasteira. A campanha eleitoral, rasteira. Rasteiros a serem os próximos quatro
anos. Causalidade. Uma condenação. Serão anos de depressão aguda; de exaustão
terminal, talvez com alguma chance de termos chances em 2030. (O esquema
vigente, o tal polarizado, dá sinais de esgotamento na sociedade, embora
sejamos mestres em desaproveitar chances.)
Será necessário sobreviver – andar de lado – até lá, qualquer que seja o produto das urnas. (O cronista não compara os candidatos, problemas diferentes, carregadores individuais para crises específicas.) Sobre o presente projetado no amanhã: o que pauta o debate hoje condiciona o porvir. O debate está num lugar distante daquelas que seriam as prioridades deste País.
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões
A França em chamas
Por Correio Braziliense
Uma França alinhada ao trumpismo, hostil ao
multilateralismo e com simpatias declaradas por Putin seria uma ruptura sem
precedente no projeto da União Europeia
Berço de uma revolução que redesenhou a história
do Ocidente, a França está novamente às voltas com uma insurreição. A escalada
da violência urbana e o isolamento do presidente Emmanuel Macron expõem o
esgotamento do modelo tecnocrata e arrastam a Europa para uma perigosa
incerteza geopolítica, que pode acabar mudando o mapa do poder mundial.
O que começou em meados de setembro com estudantes do ensino médio bloqueando escolas na periferia de Paris se transformou, em cinco semanas, na maior mobilização de rua do país em anos. A alta dos combustíveis desde o início do conflito no Oriente Médio, o custo de vida fora do alcance de boa parte da população e anos de acúmulo de insatisfação convergiram num movimento que une ex-coletes amarelos, sindicalistas, ativistas climáticos e estudantes.
Polarização política corrói o tecido social e tem custo econômico, por Humberto Saccomandi
Valor Econômico
Os extremos pouco se toleram, pouco se falam,
pouco colaboram. Isso produz efeitos deletérios, sociais e econômicos
A política no Ocidente foi capturada pela
polarização. O centro está encolhendo, quando não sumindo, na maioria dos
países. Os extremos pouco se toleram, pouco se falam, pouco colaboram. Isso
produz efeitos deletérios, sociais e econômicos, ao reduzir a confiança entre
as pessoas, nos governos, nas instituições e ao estimular políticas de curto
prazo e menos eficazes. Às vésperas das eleições brasileiras, é bom refletir
sobre isso.
Primeiro é preciso definir polarização, que não é uma simples divergência. A política moderna no Ocidente já nasceu dividida, entre direita e esquerda. Para o pensador italiano Norberto Bobbio, o cerne dessa divisão é o conceito de igualdade. A esquerda dá maior importância à igualdade, tende a considerar que muitas desigualdades são produzidas pela organização social e, portanto, podem ser reduzidas pela ação política. A direita, sugere Bobbio, tende a considerar um conjunto maior de desigualdades como naturais, inevitáveis ou legítimas e até a valorizá-las. O centro transita num amplo espectro de posições intermediárias.
Duelo de rejeições deixa de lado propostas para o país, por Fernando Exman
Valor Econômico
Debate rendeu farto material negativo sobre ambos os candidatos, a ser explorado nas redes sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e
o senador Flávio Bolsonaro (PL) transformaram o debate realizado pela Band na
noite deste domingo (18) em um duelo de rejeições. É de se lamentar, diante das
urgências de um país com tantos desafios. Mas alguns dados podem ajudar a
explicar a estratégia.
Segundo a mais recente pesquisa Quaest, Flávio Bolsonaro tem 54% de rejeição, um ponto percentual maior em relação ao petista, com 53%. Na intenção de votos, os dois estão tecnicamente empatados, com o senador numericamente à frente (46% a 44%). Votos em branco, nulos e eleitores que afirmaram não votar em nenhum dos dois somaram 9%, enquanto 1% não soube ou não respondeu. Entre os assuntos que mais preocupam o eleitor, de acordo com o instituto, são citados violência, corrupção, economia, saúde, problemas sociais e educação.
Candidatos disputam as ruas na reta final da campanha, por Gabriela Guido e Fábio Couto
Valor Econômico
Manifestação em São Paulo, teve a presença de Flávio; movimentos pró-Lula foram às ruas no Rio, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre
A uma semana do segundo turno das eleições
presidenciais, apoiadores dos dois candidatos foram às ruas para manifestações.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) reuniu
apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de lideranças
bolsonaristas da direita e da extrema-direita. No Rio, foram organizados dois
atos por apoiadores da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em São Paulo, no ato pró-Flávio, acompanharam
o candidato o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a senadora Tereza Cristina
(PP-MS), o senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Marcel Van Hattem
(Novo-RS). Também estavam presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o
vereador e deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP) e a porta-voz do plano
econômico do presidenciável, a economista Daniella Marques.
O movimento faz parte de uma tentativa da campanha de fazer um contraponto às manifestações públicas de apoio à reeleição de Lula.







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