domingo, 17 de maio de 2026

Se a pré-campanha está assim, o caso Master vai incendiar 2026, por Ana Dubeux

Correio Braziliense

Vamos assistir a cenas surpreendentes de mais esse capítulo da nossa história democrática. Disso não há dúvidas

A campanha eleitoral começa, oficialmente, em 16 de agosto, exatos três meses adiante do dia em que escrevo este artigo. Desde a Constituição de 1988, conto aqui de cabeça 10 campanhas federais. Em todas elas, eu já estava no front do jornalismo e celebrei participar de cada uma das coberturas eleitorais, em papéis diversos, mas sempre com o entusiasmo imenso que a democracia me provoca. Continuo achando fascinante.

O que não acho graça é o escárnio de alguns políticos com o povo. Preocupa-me ainda a falta de senso crítico de tantas pessoas, que parecem zumbis rolando o scroll infinito das telas, consumindo notícia como se fosse propaganda política e fake news como se fosse notícia. Apavora-me a violência no trato com adversários políticos e o desrespeito à verdade, aos fatos.

As forças do atraso não improvisam, por Roberto Amaral*

“O trabalhador vai ter que escolher: menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego” – capitão Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, em discurso na Câmara dos Deputados

É notável, tanto quanto desprezível, o esforço do pensamento conservador brasileiro militando contra a economia nacional e, principalmente, contra qualquer sorte de progresso social. Tudo o que, mesmo remotamente, possa sugerir melhoria das condições de vida das grandes massas é bloqueado por essa corrente retrógada. Ora se diz que a iniciativa é muito cara (por exemplo, a escola pública e o ensino em tempo integral, ou o saneamento básico), ora se diz que é inflacionária — falácia de que foram acusadas, na sua origem, a introdução das férias anuais, lá atrás, e o 13º salário, em 1962, por iniciativa congressual, em lei sancionada pelo presidente João Goulart. 

Os dados brandidos contra essas conquistas sociais revelaram-se meras aleivosias desmentidas pela história. No entanto, seguem sendo arguidas por economistas formados pela tradição deixada por Eugênio Gudin na FGV, ou pela cartilha do monetarismo da Escola de Chicago, envelhecida pelo curso das transformações — agudas e profundas, em alguns aspectos talvez revolucionárias — que vêm moldando o mundo contemporâneo.

Fenômeno óbvio, do qual, todavia, não se dá conta a direita brasileira.

Flávio Bolsonaro ameaça fazer do Brasil um grande Governo do Rio de Janeiro, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ficha corrida da família Bolsonaro tem paralelos com degradações do estado

Operação da PF mostrou relações de bolsonaristas com crimes da Refit

A decadência do Governo do Rio de Janeiro tem quase a idade de Flávio Bolsonaro ou por aí, 45 anos. "Governo", aqui, inclui Executivo, Legislativo e Judiciário. Mas o comando do Estado vive outra onda aguda de caos e corrupção desde a chegada do bolsonarismo ao poder, em 2018, com a eleição do depois impichado Wilson Witzel, que legou ao monturo da política o seu vice, Claudio Castro, reeleito em 2022. O PL, dos Bolsonaro, e comparsas dominam a política local.

Além disso, a ficha corrida dos Bolsonaro tem paralelos com a governança local: associação com milícias, rachadinha de fundos públicos, funcionários fantasmas, nomeação de perversos e lunáticos para altos cargos, tolerância com o terror do Estado (como o das polícias) etc. Se Flávio Bolsonaro for eleito, o Brasil corre o risco de se tornar um grande Governo do Rio de Janeiro.

Direita se desarruma e abre a cena eleitoral, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Desafio do senador é sobreviver até a convenção do PL sem tornar sua candidatura radioativa

Família Bolsonaro pode ter caído na própria arapuca ao obrigar Tarcísio a deixar passar o cavalo selado

A trombada foi feia, obrigou Flávio Bolsonaro (PL) a sair da inércia, levou o PT a acionar a artilharia antes do previsto, escancarou as divergências na direita e pode mudar o rumo da corrida eleitoral.

Em qual direção, ainda não sabemos. Depende do quão perigosas se mostrem as ligações do senador com o esquema de Daniel Vorcaro.

Decerto, temos apenas a comprovação de que sabem muito bem do que vêm falando olheiros qualificados do humor do eleitorado como Felipe Nunes (Quaest), Renato Meireles (Locomotiva), Antônio Lavareda (Ipespe) Murilo Hidalgo (Paraná) e Maurício Moura (Ideia).

Flávio Bolsonaro, irmão de Vorcaro, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Valor de R$ 134 milhões é troco de padaria comparado aos bilhões de dinheiro público que o bolsonarismo deu ao Master

Palavra de ordem 'bolsomaster' peca por excluir o resto da direita do escândalo

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dizia: "Irmão, eu estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente, só preciso que me dê uma luz". A luz, no caso, eram R$ 134 milhões que Vorcaro daria para a realização de "Dark Horse", a cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Vorcaro prometia essa fortuna para Flávio um dia antes de perguntar a Alexandre de Moraes: "Consegue bloquear?"; um dia antes de ser preso tentando fugir do Brasil. Dois dias antes de o Banco Central liquidar o Banco Master.

A revelação foi feita pelo The Intercept Brasil.

O Master prometeu a Flávio Bolsonaro mais do que prometeu ao escritório de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. No caso de Xandão, a suspeita é de suborno para livrar Vorcaro da cadeia. Por que a suspeita seria diferente no caso de Flávio Bolsonaro?

Perda de vida dos espaços sociais, por Muniz Sodré*

Folha de S. Paulo

A maior ameaça à vitalidade da cidadania está hoje no caos criminogênico dos clãs cuja tendência é a desvitalização

Com a proximidade das eleições, agudiza-se a preocupação com a saúde da democracia entre nós

Daniel Vorcaro: "Fala irmãozão ro (sic) na igreja, terminando te chamo". Flávio Bolsonaro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!" Nesta troca de mensagens entre o maior fraudador financeiro da história do país e o candidato da ultradireita à Presidência, "luz" tem novo sentido: dinheiro. Mais precisamente, R$ 134 milhões; destes, R$ 61 milhões já haviam sido destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro e que, pelo visto, sumiram no caminho. Agora, o rachadão, farisaico: "O que tem demais?"

O Espírito do Tempo, por Elimar Nascimento*

Revista Será?

Os alemães, entre o final do século do Iluminismo e o início do XIX, usavam a expressão zeitgeist[1] para indicar os valores, ideias, sentimentos e percepções dominantes de uma época. O termo refere-se a um contexto específico, com características próprias. Algo próximo ao conceito de episteme, no qual Foucault define o que é pensável e dizível naquele contexto.

O espírito da época ou do tempo não é o resultado de nenhuma decisão particular, nem de um plano de uma organização qualquer, menos ainda de uma intervenção externa; antes, é o resultado de fluxos e dinâmicas que se configuram de forma singular em um determinado momento, em um território povoado por humanos.

As mudanças do espírito do tempo refletem-se nas modificações das linguagens, dos costumes e das leis, nas alterações dos padrões técnicos e econômicos, assim como no conteúdo e nas formas de consumo. São transformações que ocorrem em dimensões distintas, mas todas regidas por uma lógica comum. Elas fazem parte de um sistema único, autoinfluenciam-se e retroalimentam-se. Apontam em uma direção em meio a resistências, pois todo sistema humano é formado por tendências e contratendências. Todo futuro nasce da articulação particular de continuidades e descontinuidades. O rumo dominante não está predefinido; sua regência reside na incerteza, pois todo sistema complexo, como as sociedades humanas, é portador de emergências[2], do surgimento do novo, de disrupções ou “cisnes negros”, como diz Taleb [3].

Há um sentimento de que vivemos um espírito do tempo distinto daquele que imperou durante a segunda metade do século XX. Naquele momento, imaginava-se que o desenvolvimento econômico não tinha limites; que a ciência era a expressão suprema de nosso cérebro; que os direitos humanos eram uma aquisição civilizacional inquestionável; que o Estado de direito era a manifestação mais acabada da sabedoria política e de que o futuro estava ali, à espera de ser moldado por nossas mãos.

Reforma em vez de ruptura, por Hubert Alquéres*

Revista Será?    

São sobejamente conhecidas as mazelas do sistema brasileiro: crise de representação política, baixo crescimento econômico há décadas, serviços públicos de baixa qualidade, corrupção acompanhada de impunidade e persistente incapacidade do Estado de responder com eficiência às demandas da sociedade.

Esse cenário alimenta, há anos, o discurso antissistema, segundo o qual a saída para o país passaria por uma espécie de “refundação” institucional, frequentemente apresentada como superação do arranjo democrático consolidado pela Constituição de 1988.

Comunismo: Uma Metáfora da Ignorância, por Johnny Jara Jaramillo*

Revista Será?

No debate público, certas palavras funcionam como insultos automáticos. Não descrevem nada, não explicam nada, mas servem para encerrar conversas. “Comunismo” é uma delas. Basta pronunciá-la para que alguém faça o sinal da cruz, olhe ao redor procurando fantasmas e comece a falar de Cuba, da Venezuela ou de um primo distante de quem “tiraram tudo”. O comunismo, nesse registro, não é uma teoria nem um horizonte histórico: é uma metáfora do medo e, sobretudo, da ignorância.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crime Organizado e a Política no Brasil

Por Revista Será?

Quando se fala em crime organizado, a primeira imagem costuma estar associada aos dois poderosos grupos criminosos — o PCC e o Comando Vermelho — que controlam cerca de 20% do território nacional, como quase Estados paralelos tomados do Estado brasileiro. Esta é a face mais visível do crime organizado no Brasil, marcada pela escala da violência e pelo domínio territorial.

Mas o Estado brasileiro está contaminado por dentro por diversos grupos criminosos que nem sempre precisam de armas, combinando corrupção, fraudes, troca de favores, lavagem de dinheiro, coerção, extorsão e ameaças. A atuação desses grupos penetra em praticamente todas as instituições da República — na política, no Judiciário e no sistema financeiro — irradiando poder e influência nos núcleos duros do Estado brasileiro.

Poesia | O Correr da Vida, de Guimarães Rosa

 

Música | Moacyr Luz - Vai Passar (Chico Buarque)

 

sábado, 16 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Denúncias da PF contra Castro são consistentes

Por O Globo

Defesa nega irregularidades, mas é essencial esclarecer até que ponto ele se envolveu com grupo de Magro

São graves as acusações contra o ex-governador fluminense Cláudio Castro trazidas à tona pela Operação Sem Refino, que investiga fraudes no setor de combustíveis. De acordo com a Polícia Federal (PF), Castro atuou de forma decisiva para blindar e favorecer interesses do grupo Refit, do empresário Ricardo Magro. A PF diz ainda que ele promoveu trocas estratégicas no alto escalão, sancionou leis sob medida e incentivou órgãos estaduais a trabalhar em benefício do grupo de Magro, dono da Refinaria de Manguinhos. “O Rio direcionou todos os esforços de sua máquina pública num engajamento multiorgânico em prol do conglomerado de Ricardo Magro”, afirma relatório da PF. A secretaria estadual de Fazenda, prossegue o texto, “virou extensão da estrutura empresarial do grupo Refit”. A operação representa mais um revés para Castro, menos de dois meses depois de ele renunciar ao cargo e ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A gargalhada de Flávio eleva a mentira a um novo patamar de cinismo, por Thaís Oyama

O Globo

A mentira não triunfa só quando convence, mas quando as pessoas já não se dão ao trabalho de separá-la da verdade

A gargalhada que Flávio Bolsonaro deu diante da pergunta do repórter do site Intercept Brasil é daquelas cenas destinadas aos anais da política — evidentemente, não por engrandecê-la.

— Mentira. De onde você tirou isso? — disse o senador quando confrontado pelo jornalista com a informação de que o filme sobre Jair Bolsonaro havia sido financiado por Daniel Vorcaro.

Nas imagens, à disposição na internet, Flávio lança uma rápida olhada para as câmeras simulando incredulidade, então solta a risada de ator canastrão.

— Pelo amor de Deus — desdenha, virando as costas.

Campanha à espreita, por Flávia Oliveira

O Globo

Levantamentos recentes dão pistas sobre o interesse dos brasileiros no escândalo do Banco Master

É certo que o furacão que varreu figuras da direita brasileira neste maio influenciará a posição do eleitorado em consultas vindouras sobre o pleito de outubro. Afinal, não é todo dia que um mandachuva do Centrão é alvo de operação da Polícia Federal, por suspeita de pôr o mandato de senador a serviço do protagonista da maior fraude bancária da História. Tampouco é sempre que um senador içado pelo pai a presidenciável é descoberto em relações financeiras e amistosas com o mesmo ex-banqueiro. Nem que um ex-governador tornado inelegível por fraudar o processo eleitoral sofre busca e apreensão por favorecimento ao maior sonegador de impostos da República.

O crepúsculo dos prefixos, por Eduardo Affonso

O Globo

Critique algum exagero progressista e prepare-se para ser catapultado, sem escalas, à ultradireita

Há dois prefixos de origem latina que, depois de séculos de excelentes serviços prestados ao idioma, encaram um fim melancólico.

Ultra era, na juventude, um exagerado, um extremista. Onde quer que se encostasse, passava do limite. Se “super” indicava algo acima do normal (vide supermercado, superlativo) e “hiper” levava tudo a um nível ainda mais elevado ou mais intenso (hipermercado, hipertensão), “ultra” era outro patamar — ao infinito e além (tanto que nunca existiram ultramercado nem ultratireoidismo).

Sem meia conversa entre Flávio e Vorcaro, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Flávio Bolsonaro primeiro disse que era mentira, confrontado com a informação verídica de que pedira – e levara – dinheiros de Daniel Vorcaro para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois, ante a exposição de suas mensagens, teve de admitir a verdade; isso após seis meses de omissões e mentiras sobre suas relações com o miliciano comprador de burocratas e autoridades. Comportamento idêntico ao de Dias Toffoli: o ministro que, tendo sido sócio da rede vorcárica no tal hotel, ocultou a sociedade e permaneceu como relator do caso no STF.

Um mundo sem roteiro, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Se antes as empresas eram premiadas pela eficiência, agora elas são homenageadas pela resiliência

Nas últimas décadas, as empresas aprenderam a tomar decisões em um mundo muito competitivo, mas com um script relativamente previsível. Tínhamos globalização crescente, capital barato, cadeias eficientes, tecnologia avançando, porém de forma incremental.

O problema do mundo atual não é apenas o risco, mas agora é preciso decidir em um mundo imprevisível – acima do que poderíamos admitir como normalidade. E o custo da incerteza não aparece no balanço como despesa operacional. Mas está em toda parte: investimentos adiados, contratações suspensas, caixa parado e decisões que nunca saem do PowerPoint.

China, EUA e Brasil, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Trump e Xi Jinping conversam em Pequim. O dólar nunca esteve tão baixo. O ouro conseguiu extraordinária valorização nos mercados globais. E as consequências são percebidas no interior da Amazônia, com o garimpo ilegal

Donald Trump e Xi Jinping conversam em Pequim, e os brasileiros tentam antecipar o que será combinado entre os dois grandes da economia mundial. Juntos, eles significam 40% do comércio internacional. Desde Barack Obama, o governo dos Estados Unidos age no sentido de conter o veloz desenvolvimento econômico dos chineses. Na era Trump, os norte-americanos aumentaram muito suas tarifas específicas para produtos daquele país. Pequim respondeu na mesma medida. Também elevou tarifas. 

As fragilidades de Flávio Bolsonaro, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

Flávio é visto com desconfiança, não só por sua tentativa de parecer menos radical, mas pelo passivo de escândalos envolvendo seu nome. A revelação sobre o Master prejudica muito Flávio Bolsonaro e reforça o peso de Michelle

A divulgação do áudio com a voz do pré-candidato Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro foi o fato político mais importante da semana, não só pelo conteúdo das mensagens em si, mas pelos desdobramentos após a notícia ser veiculada. As manifestações constrangidas ou forçosamente indignadas dos aliados são reveladoras de um aspecto evidente da candidatura: sua fragilidade.

O resgate da confiança, por Oscar Vilhena Vieira*

Folha de S. Paulo

Em matéria judicial, não apenas as ações, mas também as aparências importam

Quando o Judiciário deixa de ser percebido como árbitro imparcial, o Estado democrático de Direito ingressa em um processo silencioso de erosão

A autoridade do Poder Judiciário, em uma democracia constitucional, depende da confiança dos cidadãos. Sem a percepção de imparcialidade, independência e integridade dos tribunais, até decisões juridicamente corretas passam a ser vistas como expressões de interesses políticos ou influências privadas. Quando isso ocorre, a própria estabilidade democrática se fragiliza.

Esse entendimento levou democracias contemporâneas a tratar a ética judicial como questão estrutural. Os Princípios de Bangalore, organizados em 2001 sob os auspícios das Nações Unidas, consolidaram a ideia de que a legitimidade do Judiciário depende não apenas da integridade efetiva dos magistrados, mas também da confiança social em sua conduta. Em matéria judicial, portanto, não apenas as ações, mas também as aparências importam.

A relação íntima entre os Bolsonaros e Vorcaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 e empresário trambiqueiro tinham um pacto: 'Estarei contigo sempre'

03 pode ter usado dinheiro sujo do Master para tramar contra o Brasil nos EUA

No fim de abril, com as duas derrotas impostas a Lula no Congresso em menos de 24 horas —rejeição de Jorge Messias ao STF e derrubada do veto ao projeto de lei da dosimetria—, Flávio Bolsonaro subiu nas tamancas. "O governo acabou", disse.

O otimismo não era um reflexo das pesquisas —que apontavam o bolsonarista e o petista tecnicamente empatados no segundo turno—, mas sim de um acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, carregando a certeza de que os fisiológicos do centrão iriam abraçar a candidatura do filho 01. Logo depois, num discurso a empresários de Santa Catarina, Flávio garantiu que ficaria no poder no mínimo por dois mandatos e que, com sua ascensão, a esquerda seria insignificante durante 40 anos.

A partidarização da bactéria, por Cláudio Couto

CartaCapital

Na visão dos bolsonaristas, a Pseudomonas aeruginosa é um micro-organismo de esquerda

Durante os últimos anos, nos acostumamos a testemunhar repetidos factoides criados pela ultradireita, seja o bolsonarismo, sejam outros grupos extremistas, como o MBL. Por vezes tais episódios ocorrem no âmbito de interações humanas diretas, como em provocações e assédios a desafetos ideológicos, sempre registrados em vídeos que possam ser replicados no mundo virtual. Assim, provocadores e assediadores se apresentam como justiceiros em defesa da moralidade pública e vítimas do que seria a intolerância de seus alvos, pegos em armadilhas quando reagem a agressões sofridas. O esculacho no mundo real torna-se lacração no virtual, excitando seguidores, que podem dar vazão a seus instintos mais primitivos.

Mr. Magoo e os economistas, Manfred Back e Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Ortodoxos ou heterodoxos, os arautos da economia de manual se recusam a enxergar a realidade

Mr. Magoo, personagem de desenho animado nos bons tempos da televisão. Um velhinho bem de vida, teimoso e com deficiência visual, se recusava a usar óculos. Sua péssima visão, causada pela miopia, o colocava sempre em situações perigosas e engraçadas. Onde sempre escapava ileso. Nossos ­Magoos da macroeconomia de manual também se recusam a usar óculos. Sua deficiência não é visual, é uma miopia em relação à realidade e às relações econômicas. A deficiência visual é democrática, essa miopia se estende aos ortodoxos e heterodoxos. Ambos têm seus campos de visão estreitos e dividem a economia, enxergando-a em blocos. O sistema financeiro e o rentismo são vistos como anomalias do sistema, um tumor, uma metástase disfuncional.

A indefinição ainda predomina, por Murillo de Aragão

Veja

O acaso vai continuar no comando do processo eleitoral

A expectativa sobre o resultado das eleições é uma constante no mundo econômico. Em sucessivos eventos promovidos em torno da premiação do Person of the Year, em Nova York, o tema era as pesquisas eleitorais e as tendências. Todos queriam saber para onde o Brasil irá com o novo presidente. O recente desempenho de Lula surpreendeu alguns em Wall Street, mas não todos. Outros se mostravam decepcionados com as últimas notícias. De fato, nos últimos tempos, parte expressiva dos analistas de mercado começou a considerar a eleição presidencial praticamente decidida em favor de Flávio Bolsonaro. Essa leitura, contudo, padece de um vício recorrente: tenta projetar de forma linear um processo que, por natureza, é descontínuo, contingente e sensível a circunstâncias. Enfim, a campanha ainda está em seu estágio inicial. As eleições serão submetidas aos fatos novos. O vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o filme que conta a história de Jair Bolsonaro, por exemplo, já repercute nas preferências eleitorais e prova a letalidade de certas novidades para os candidatos. O que se observa agora é um instantâneo, construído a partir de pesquisas preliminares, movimentos incipientes de aliança e, sobretudo, expectativas. Ainda não é um filme.

Brasil 2070: que legado queremos deixar? Por Marcus Pestana

O Brasil, de 1980 a 2025, prisioneiro da armadilha de renda média, viu o PIB per capita global ultrapassar o PIB per capita brasileiro. Em 1980, a riqueza brasileira gerada por nossa economia em um ano, dividida pela população, era de US$ 4.427. Em 2025, foi de US$ 23. 381. Ou seja, teve um crescimento de apenas 428%. Enquanto isso, o PIB per capita global foi de US$ 3.380 para US$ 26.189. Um incremento de 675%. No mesmo período os países que já eram ricos tiveram um crescimento de 625% e os países emergentes avançaram 1.128%.

Mannheim e a questão dos intelectuais, por Ivan Alves Filho*

Prefácio de Ivan Alves Filho para a obra Mannheim e a questão dos intelectuais, de André Malina, Rio de Janeiro, Autografia Editora, 2026. 

Uma questão sempre me acompanhou e ela tem que ver com a influência das ideias marxistas na construção da cultura contemporânea. Pensadores, estrategistas políticos, artistas plásticos, escritores, cineastas, pesquisadores das ciências – foram muitos os homens da intelligentsia atraídos pelas propostas que Karl Marx e Friedrich Engels começaram a esboçar no célebre Manifesto do Partido Comunista, de 1848. E que, posteriormente, Marx aprimoraria, no tocante à sua concepção do desenvolvimento das ideias, no seu livro Teses sobre Feuerbach, quando estabelece os vínculos entre teoria e prática – a práxis, justamente.

Poesia | Soneto do Amigo, de Vinicius de Moraes

 

Música | Ze Keti - Opinião

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PF tem o dever de investigar a fundo elo Flávio-Vorcaro

Por O Globo

Mensagens revelam proximidade do senador e pré-candidato do PL com o pivô do escândalo Master

Depois dos fatos revelados nos últimos dias, é dever das autoridades aprofundar as investigações sobre os elos entre o senador fluminense Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master. Mensagens demonstram uma proximidade incomum entre o senador da República e o banqueiro conhecido pela generosidade financeira com que promovia seus interesses em Brasília.

Em áudio, Flávio pede a Vorcaro dinheiro para financiar “Dark Horse” (Azarão), filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Há indícios de que as remessas tenham começado em 2025. Entre fevereiro e maio, foram transferidos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) de um total de US$ 24 milhões, segundo reportagem do Intercept Brasil. Nas mensagens em que discutem pagamentos, os dois se tratam por “irmão”.

Era vidro e se quebrou? Por Vera Magalhães

O Globo

Senador apresenta versões conflitantes, expõe fragilidade e evidencia amadorismo de seu entorno diante de revelação de pedido de milhões a Vorcaro

Em pouco mais de 24 horas, Flávio Bolsonaro já apresentou três versões diferentes para explicar as conversas em que, em tom para lá de camarada e subserviente, pede a bagatela de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, já enrolado com as investigações sobre o que até então eram muitos indícios de fraudes cometidas pelo Banco Master.

A última atualização da justificativa foi feita na entrevista ao vivo que concedeu aos jornalistas Malu Gaspar, Julia Duailibi e Octavio Guedes ontem na GloboNews. Os dois eixos principais foram: 1) negar que o dinheiro efetivamente repassado por Vorcaro tenha sido usado para custear a estadia de seu irmão Eduardo nos Estados Unidos; e 2) dizer que não revelou antes ter mantido contato com Vorcaro em razão de um contrato de confidencialidade.

Sem meia conversa, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Próximas pesquisas medirão impacto de diálogos e pedido de dinheiro a Vorcaro

Com a palavra, Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente pelo PL: “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”. O irmão era Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e pivô do maior escândalo de fraude bancária do país. A luz que o senador pedia era dinheiro: uma bolada de R$ 134 milhões, a pretexto de financiar um filme sobre o pai.

As mensagens reveladas pelo Intercept Brasil mostram mais do que uma negociação entre um parlamentar e um banqueiro acostumado a comprar autoridades. Evidenciam uma relação próxima, embalada por juras de afeto e fidelidade. Os dois se tratavam como amigos, combinavam encontros e trocavam imagens de visualização única. Sabiam que o teor dos diálogos precisava ser guardado em segredo.

Flávio Bolsonaro, o candidato Ypê, por Pablo Ortellado

O Globo

A explicação não colou muito — ainda —, mas acredito que seja apenas questão de tempo

A quarta-feira foi marcada pelo terremoto da revelação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para realizar um filme sobre o pai. Em tempos normais, uma revelação dessa magnitude teria o poder de destruir uma candidatura presidencial. Um candidato recebe dezenas de milhões de um banqueiro que fraudou o sistema financeiro e corrompeu todo o sistema político brasileiro. Seria devastador.

Mas não vivemos tempos normais. Vivemos tempos em que uma fiscalização da Anvisa encontra contaminação em produtos domésticos de limpeza e gera uma reação de solidariedade porque os proprietários da empresa são bolsonaristas — e uma fiscalização que autua a empresa só poderia ser perseguição política.

Gravação gera crise na campanha de Flávio. Michelle é alternativa, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Houve reação em cadeia sobre as relações do pré-candidato do PL com o banqueiro Daniel Vorcaro e há controvérsias sobre a real destinação dos recursos do Master

Os áudios de Flávio Bolsonaro (RJ) pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre o pai, Jair Bolsonaro, instalaram uma séria crise na campanha do candidato a presidente do PL. Segundo a colunista Ana Maria Campos, da coluna CB.Poder, colega aqui do Correio, abertamente ou nos bastidores, até mesmo aliados retomam a discussão sobre a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) assumir o seu lugar na disputa pela Presidência.

As gravações que vieram a público após reportagem do site The Intercept Brasil revelaram conversas em que Flávio cobra Vorcaro por repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente. E provocaram uma reação em cadeia sobre suas relações com o ex-banqueiro, além de informações desencontradas sobre a destinação de recursos para a produção do filme.

O peso eleitoral dos áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, por Roberto Fonseca

Correio Braziliense

O tom de "súplica" em mensagens e a proximidade com o Banco Master colocam o discurso moral do bolsonarismo à prova 

Faltam 142 dias para o primeiro turno das eleições. São 20 semanas pela frente. Em um ambiente político marcado pela radicalização, é razoável imaginar que este seja apenas o começo de uma temporada de denúncias, vazamentos, operações policiais e guerras de narrativa. O que vimos nos últimos dias, com a repercussão do caso Ypê e, principalmente, das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, parece funcionar como um prenúncio do que estará no centro da disputa eleitoral até outubro.

Conversa de chefes de Estado, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Lula e sua equipe não foram a Washington em nome da Guerra Fria. Mas em nome de uma concepção de desenvolvimento econômico com desenvolvimento social

O encontro do presidente Donald Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ponto de vista sociológico, tem especial importância porque foi claramente um encontro de chefes de Estado.

O reiterado empenho de diferentes agentes de conspiração contra a democracia, lá e aqui, pela banalização tanto da figura de Trump quando da figura de Lula, está ficando cansativa. É claramente uma forma golpista de esvaziamento do processo político, de modo a reduzi-lo à alternativa do único. No fim das contas, os envolvidos nessa atividade golpista têm atuado no sentido de minimizar e usurpar as funções próprias do Estado.

Em cartaz: Corra que a Polícia Federal vem aí! Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Cúpula do PL sabe que a revelação dos laços de Flávio com Vorcaro coloca em xeque o projeto presidencial, mas decide testar resiliência do pré-candidato

E por falar em cinema, outro sucesso de bilheteria é o sugestivo “Corra que a Polícia vem aí!”, comédia pastelão que, entretanto, ao invés de risos, vem provocando lágrimas em parte do público de Brasília. Nas telas ou nas ruas, a história recente mostra que a Polícia Federal (PF) em ação tem força para abalar ou, até mesmo, sepultar candidaturas.

Um dos personagens mais populares desse roteiro foi o “Japonês da Federal”, o temido agente Newton Ishii, que ganhou fama, nos tempos da Lava-Jato, ao escoltar presos célebres da investigação, como o empresário Marcelo Odebrecht, o ex-deputado Pedro Corrêa, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Ele chegou a virar máscara e inspirar marchinhas no Carnaval de 2016: “Ai meu Deus, me dei mal, bateu na minha porta o Japonês da Federal”.

Prisão eleva pressão por delação ampla, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Até agora, Daniel Vorcaro ofereceu menos do que os investigadores da PF já sabem

Com a prisão preventiva do pai, Henrique Vorcaro, aumentou muito a pressão sobre Daniel Vorcaro. Se quiser livrá-lo da cadeia, o ex-dono do banco Master vai ter de oferecer muito mais do que tem colocado até agora na mesa.

Preso desde novembro do ano passado, Vorcaro vem negociando com as autoridades uma delação premiada – sem sucesso. Até agora, ofereceu menos do que os investigadores da Polícia Federal já sabem.

A legislação brasileira veda a prisão de parentes para forçar alguém a delatar. O problema para Vorcaro é que esse está longe de ser o caso. O pai ficou tão envolvido quanto ele na trama criminosa.

Mais um subsídio à gasolina, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Esse truque eleitoral estimula o consumo de gasolina, em vez do uso racional, e ainda cria distorções

A nova subvenção aos preços da gasolina e do óleo diesel tem o já conhecido objetivo eleitoral. Destina-se a evitar que a alta de preços se transfira para o custo de vida e, daí, para o estado de espírito do consumidor. Mas produz consequências e algumas distorções.

A liberação de até R$ 0,89 por litro de gasolina é uma boa mesada para quem usa automóvel. Como utiliza recursos públicos, não deixa de ser uma conta a pagar, que é transferida para o resto da população, principalmente para os mais pobres, o que contraria a política propalada pelo governo Lula.

Conversa com Vorcaro encerra lua de mel de Flávio e pode ser fatal para campanha, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Senador perde a carta do combate à corrupção, que vinha usando contra Lula

Crise ocorre em meio a vitórias políticas do presidente

Os diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcarorevelados pelo site Intercept Brasil, jogaram a campanha do senador em uma crise que pode ser fatal.

Publicamente ninguém admite, mas nos bastidores muitos dos aliados do senador têm dúvidas de que ele conseguirá se manter na disputa presidencial.

O nome de Michelle Bolsonaro começou a ser mencionado como uma possível substituta. Alguns acham até que o PL não deveria ter candidato e apoiar Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.

Por enquanto, Flávio se mantém no jogo, mas o impacto das mensagens é desastroso, e por vários motivos.

Primeiro, acabou a fase de Flávio nadar de braçada, apenas explorando os erros de Lula, que era o que vinha acontecendo até aqui. Essas revelações ocorrem num momento em que o presidente começa a sair das cordas, com uma série de notícias positivas. Ele teve um bom encontro com Trumpanunciou o novo Desenrola e o fim da taxa das blusinhas, por exemplo.