sábado, 14 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Já vimos esse filme

Por CartaCapital

Como de hábito, a repulsa à corrupção serve a interesses eleitorais e ideológicos

No teatro da indignação calculada, há quem sinta saudades do velho bordão do apresentador Boris Casoy: “É preciso passar o Brasil a limpo”. Nos jornais, sites, tevês e redes sociais, os candidatos a porta-vozes do udenismo continuam, no entanto, disponíveis. Um velho guerrilheiro contra a ditadura propôs o fechamento do Supremo Tribunal Federal. O colunista imortal acordou as vivandeiras dos quartéis. Por ele o País foi informado da “inquietação” nas Forças Armadas, desmoralizadas pela omissão ou conivência com a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto, com o que consideram o êxito da impunidade na Corte. É um truque enfadonho, de tão manjado, as notícias apócrifas na mídia a respeito de um suposto incômodo dos generais em momentos de crise do poder civil, sejam reais ou fabricadas. Quanto ao mal-estar nas casernas e nos clubes militares, recomendam-se gotas de Luftal.

Prioridades a sério, por Flávia Oliveira

O Globo

Segurança pública e corrupção são os temas que os brasileiros escolheram como prioritários na largada da corrida eleitoral

A recém-divulgada pesquisa Quaest não deixa dúvidas. Segurança pública e corrupção são os temas que os brasileiros escolheram como prioritários na largada da corrida eleitoral de 2026. Economia corre por fora. São três variáveis explosivas — e sob medida — para o ambiente político calcificado, como conceituaram o cientista político Felipe Nunes, diretor da empresa de pesquisa, e o jornalista Thomas Traumann, em “Biografia do abismo” (Harper Collins, 2024). Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, a campanha começa em 16 de agosto; de fato, mobiliza há tempos ruas e redes sociais. O desafio aqui é radicalizar a qualidade do debate, em vez de ceder à banalidade das posições de superfície, à moda “se você é sim, eu sou não”.

Sororidade seletiva, por Thaís Oyama

O Globo

Ataques a jornalista são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu

Malu Gaspar é até aqui a jornalista responsável pelas revelações mais relevantes sobre o escândalo do Banco Master. Desde que passou a expor no GLOBO as ligações do ministro do STF Alexandre de Moraes e de sua família com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de ataques abjetos, maciços e incessantes nas redes sociais.

Pelo exercício de seu ofício, vem recebendo ameaças e insultos que tentam constrangê-la e humilhá-la, muitas vezes com base em referências a sua condição de mulher. Tais ataques configuram precisamente o que grupos feministas chamam de “violência política de gênero”. Ainda assim, nenhum desses grupos veio a público defendê-la. Nenhuma nota ou carta aberta — nem mesmo um reles vídeo no TikTok.

D. Norma, a culta, por Eduardo Affonso

O Globo

Se esse menino Vorcaro tivesse estudado comigo, não estaria passando vergonha ao ver expostas suas mensagens

D. Norma foi professora de português a vida inteira. Começou por volta dos 4 anos de idade, corrigindo o irmãozinho caçula, que dizia “gugu dadá” em vez de “Augusta, dê-me a mamadeira”. E não parou mais.

Estudou letras na época em que regência e concordância ficavam no capítulo de sintaxe, não no de opressões linguísticas. Aposentada há décadas, anda horrorizada com os zaps do Vorcaro.

— Se esse menino tivesse estudado comigo, não estaria passando vergonha ao ver expostas suas mensagens. Que semântica bisonha! Que vernáculo comezinho!

É que D. Norma é desconectada do mundo real e apegada a tecnicalidades.

Governo diz que seu pacote para combustível evitou os erros dos governos Bolsonaro, Temer e Dilma, por Míriam Leitão

O Globo

Com o pacote anunciado nesta quinta-feira, o governo não pretende congelar os preços da Petrobras. O que o governo não quer, me explicou uma fonte, é um repasse automático das variações internacionais, como ocorria na gestão de Pedro Parente, que presidiu a Petrobras durante o governo de Michel Temer. Mas também não se trata de congelamento ou de segurar preços artificialmente como aconteceu no governo Dilma Rousseff. Nem quer criar um rombo nas contas, como fez Jair Bolsonaro. A ideia é ir repassando os aumentos de forma gradual — criando uma espécie de “colchão” de amortecimento e ajustando os preços aos poucos. O pacote é para atenuar a alta.

Brasil pode virar peça-chave na crise, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

O Brasil é um dos poucos produtores capazes de aumentar a oferta de petróleo fora da zona de conflito

O Estreito de Ormuz é hoje o ponto de estrangulamento energético mais importante do planeta. Sua relevância resulta de uma combinação rara de geografia, concentração de petróleo e ausência de rotas alternativas eficientes. Uma região estratégica como rota comercial há milênios.

Segundo dados da International Energy Agency (IEA), cerca de 20 milhões de barris de petróleo passam pelo estreito por dia – 20% do comércio global. Também é crítico para 20% do comércio mundial de gás.

Apertou? Chame Xandão, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O ministro Flávio Dino é líder de um grupo político no Maranhão; e usa o poder do STF para acertar contas e se impor no Estado. Ministro do STF líder de grupo político; que perverte a condição de juiz de Corte constitucional para investir contra o sigilo da fonte.

Apertou? Chame o Xandão bloqueador. É o que faz poderoso com medo ou apenas pressionado. Recorre ao gestor do inquérito infinito e onipresente que corrompeu o sentido das palavras ataque, perseguição etc. Foi o que fez, em 2019, o ex-sócio de Fabiano Zettel (cunhado de Daniel “conseguiu bloquear?” Vorcaro), o ministro Dias Toffoli: sentindo-se desonrado com reportagem que o identificara como “amigo do amigo do meu pai”, ganharia de Moraes uma censura à revista Crusoé.

Tirando o melhor de nosso fracasso, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Demografia já passou a jogar contra o enriquecimento do Brasil

Ainda assim, tecnologias e avanços isolados poderão melhorar qualidade de vida

Já me conformei a ver o Brasil como um suave fracasso (a ótima expressão é do embaixador Rubens Ricupero). O adjetivo "suave" é importante. É pouco provável que o país se torne um Estado falido, a exemplo de Sudão, Haiti ou mesmo da Venezuela, mas também me parece difícil que venhamos a dar o tão almejado salto para o grupo de nações mais desenvolvidas. Esse é um bonde que já perdemos. Se tivéssemos tomado decisões melhores algumas décadas atrás, talvez tivéssemos conseguido, mas, agora, a demografia passa a jogar contra. Envelhecemos antes de enriquecer.

Pedido de arquivamento do caso das joias de Bolsonaro é absurdo histórico, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Causa estranheza que solicitação de Gonet tenha sido divulgada quando veio à tona esquema mafioso do Master

O pedido foi entregue ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, um dos personagens do escândalo

É um absurdo histórico a decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, de pedir ao STF o arquivamento da investigação sobre as joias árabes recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Gonet resolveu que não havia nada e pronto. Ignorou tudo o que a Polícia Federal comprovou. A fuga com as joias, as negociatas.

Lula assume riscos ao retomar a briga com Trump, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Veto a enviado remete ao melhor momento do petista neste mandato, mas arrisca jogar créditos de 2025 fora

Temor de ingerência política no pleito é válido, mas medida ocorre em meio ao debate sobre segurança regional

O imbróglio em torno da visita do enviado de Donald Trump ao Brasil está inserido no contexto da corrida eleitoral deste ano. O presidente Lula (PT) parece disposto a ressuscitar a briga com o americano, mas tal aposta encerra riscos.

Recapitulando, após deixar o Brasil fora de seu radar no começo do segundo mandato na Casa Branca, Trump irrompeu no cenário local às vésperas do julgamento que levou seu aliado Jair Bolsonaro (PL) à cadeia por golpismo.

O caso Master e a encruzilhada do STF, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

A autoridade de uma instituição republicana é mais frágil do que se pensa. Depende menos da força da lei do que do reconhecimento público da dignidade, da relevância democrática e da integridade da atuação institucional. O Supremo Tribunal Federal tem nos dado um exemplo muito melancólico do efeito devastador, para uma democracia, da erosão da autoridade de uma suprema corte. Refém de seus próprios equívocos, o tribunal vive uma encruzilhada.

Uma indigestão institucional, por Murillo de Aragão

Veja

Na espera do imponderável, o Brasil fica em suspenso

Não há dúvida de que o sistema institucional brasileiro está sofrendo de oclusão, pois não consegue dar curso digestivo às tensões, episódios e escândalos nos últimos tempos. Vale relembrar a incrível sequência de eventos desde o mensalão, passando pela Lava-Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, a eleição de Jair Bolsonaro, o interminável “inquérito do fim do mundo”, os atos golpistas do 8 de Janeiro, a judicialização da política promovida por partidos e governo e o ativismo, algumas vezes desenfreado, do próprio Judiciário. Mais adiante tivemos os escândalos do INSS e do Banco Master. Não é fácil para nenhum sistema político do mundo, ainda menos para a nossa capenga democracia, que claudica a cada episódio mais grave.

Os fins e os meios, por Pedro Serrano

CartaCapital

As quebras de sigilo não podem servir de pretexto para a destruição de imagem

E interessante observar como a sociedade do espetáculo evidencia uma de suas facetas mais perversas em episódios de extrema complexidade e que exigem rigor legal e ético em sua condução. A espetacularização tem dado as caras ao longo das investigações do caso Master, marcadas pelo vazamento de informações sigilosas, de forma criminosa, por agentes públicos.

Mais do mesmo, por Leonardo Avritzer e Rômulo Paes de Sousa

CartaCapital

Os vazamentos reabrem a lógica lavajatista e tensionam o cenário eleitoral

Os intensos vazamentos referentes aos escândalos do Banco Master e do INSS têm produzido notícias capazes de modificar a conjuntura política do País. Em 4 de março, foi divulgado pelo site Metrópoles o sigilo bancário do filho do presidente Lula, solicitado pela CPMI do INSS. No dia seguinte, também saíram no mesmo Metrópoles e no jornal O Globo o registro de supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula: líder, mas sem paz, por Renato Meirelles

CartaCapital

A força eleitoral do presidente convive com um desejo relevante de mudança

pesquisa Meio/Ideia de março traz um retrato incômodo para quem torce por respostas simples. Lula lidera, segue competitivo e continua como o nome mais forte do campo governista. Mas isso não significa que tenha convencido o País de que sua permanência é a escolha natural. Ao contrário. A força eleitoral do presidente convive com um desejo relevante de mudança. E exatamente dessa tensão nasce o paradoxo do momento.

Fracking de liquidez, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Em meio a crédito privado duvidoso, bolha de IA e medo crescente, fundos restringem resgates nos EUA

Uncle Sam tem seus dias de desconfiança no crédito privado, lá como cá.

Uma decisão da Black­Rock suscitou nossa ousadia de recorrer à analogia entre o ­fracking e a química dos mercados financeiros. O fracking quebra a rocha para liberar gás de xisto. Os três ingredientes-chave – água, areia e produtos químicos – são misturados e bombeados para o poço sob pressão extremamente alta, por meio de grandes motores a diesel.

O quintal sob vigilância, por Jamil Chade

CartaCapital

Trump dá curso à ofensiva pela militarização da América Latina

O governo de Donald Trump deu os primeiros passos para implementar uma estratégia deliberada de militarização do continente, incentivado pelo êxito do sequestro de ­Nicolás Maduro e o controle do governo venezuelano. O anúncio da ofensiva regional não poderia ter ocorrido em outro lugar a não ser na Flórida, bunker da extrema-direita latino-americana e foco da busca dos republicanos pelo voto latino.

A política como vocação, por Marcus Pestana

Volta e meia, há uma forte onda antipolítica que ameaça contaminar a alma da sociedade brasileira. Tivemos as decepções no afastamento de Collor e Dilma e as manifestações de rua difusas de insatisfação em 2013. A eleição disruptiva de 2018, fruto das revelações da Lava Jato e da criminalização da política, patrocinou um vendaval de contestação, com a ascensão de outsiders que encarnaram o repúdio ao que foi apelidado de “velha política”. E aí, uma nova safra de frustrações veio ao se constatar que o novo não era tão novo e que tudo que é novo não necessariamente é bom, unicamente por ser novo.

Poesia | Um chamado João, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Maria Martha - Flor Amorosa

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Segunda Turma do STF tem de manter Vorcaro preso

Por O Globo

Investigações demonstraram que ele representa ameaça ao andamento das investigações e à sociedade

Não faltam motivos para a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, determinada pelo ministro André Mendonça no começo do mês. Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado em novembro pelo Banco Central, representa ameaça ao bom andamento das investigações e à própria sociedade, como comprova a apuração da Polícia Federal (PF). Há evidência de aliciamento de agentes públicos, monitoramento de “adversários”, invasão de sistemas digitais do Estado e planejamento de ações violentas para tentar calar notícias desfavoráveis.

Como semear valores contra a barbárie, por Fernando Luiz Abrucio

Por Valor Econômico

A escola deve semear o ideal de uma sociedade justa e tolerante, gerando indivíduos que não excluam o diferente nem admitam a desigualdade

Acompanhar o noticiário nas últimas semanas tem sido desanimador. O ataque ao Irã mostra como o mundo se tornou incerto e perigoso sob as novas regras estabelecidas por Trump e seus aliados, gerando um cenário sombrio no curto prazo. No Brasil a situação não é muito melhor: a epidemia de feminicídios tomou conta do país e as instituições políticas estão sob suspeita desde a eclosão do caso Master. É muito difícil lutar contra o imperialismo trumpista, mas é possível, em alguma medida, atuar sobre os valores que alimentam a barbárie brasileira. Para isso, uma via essencial é a educação, tomada como instrumento formador das pessoas desde a tenra idade.

Polarização aumentou mais entre grupos menos propensos a usar redes sociais, diz sociólogo Manuel Castells

Por Marcus Lopes / Valor Econômico

Em “Sociedade digital”, o pensador espanhol mostra que a comunicação digital transformou para sempre o modo de viver e conviver em sociedade

Em 1986, menos de 1% da informação mediada no planeta estava armazenada em formato digital, índice que hoje supera os 99,5%. O número de usuários de internet ao redor do globo terrestre saltou de 2,6 milhões, em 1990, para 5,3 bilhões em 2022. Já a quantidade de contas de telefonia celular passou de 23.500, em 1980, para mais de 8 bilhões em 2020, segundo dados do Banco Mundial.

Em poucas décadas, as populações que vivem nas mais diferentes partes do planeta presenciaram a transformação de uma realidade analógica para a digital, com reflexos em todos os setores da sociedade. Da organização espacial das cidades aos conflitos geopolíticos entre nações, a comunicação digital transformou para sempre o modo de viver e conviver em sociedade, conforme demonstra o sociólogo espanhol Manuel Castells em “Sociedade digital”.

Um dos maiores estudiosos da internet e mobilizações sociais da atualidade, Castells analisa a rede e os seus efeitos na comunicação e nas relações entre as pessoas, desde a década de 90. Efeitos que, conforme demonstra no livro, foram potencializados com o lançamento do iPhone, em 2007, pela Apple. O aparelho desenvolvido pela equipe de Steve Jobs é considerado como a tecnologia-chave para uma nova esfera da interação entre as pessoas e a comunicação em massa.

Brasília convida à ópera: ‘Nessun dorma’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

“Ninguém dorme, ninguém dorme”, é o estado de nervos na capital federal

Um político experiente, que circula entre Brasília e São Paulo, com trânsito nos três Poderes e no setor produtivo, depois de ouvir muito, resumiu assim o estado de nervos na capital federal: “Ninguém dorme, ninguém dorme”.

Nada mais apropriado para descrever Brasília em tempos de crise do Banco Master do que uma frase que remete à ópera “Turandot”, de Giacomo Puccini. No ato final, o príncipe Calaf canta a ária “Nessun dorma” - “Que ninguém durma”, em livre tradução. A princesa Turandot proíbe que os súditos durmam naquela noite enquanto não descobrirem o nome do príncipe. Do contrário, todos morrerão e ela teria de se casar com ele.

Lula está com a caixa de ferramentas vazia, por Vera Magalhães

O Globo

Ao apostar tudo no 'nós contra eles', presidente não colheu resultado esperado, e, com essa e outras escolhas, abriu mão do eleitor de centro, que garantiu sua eleição em 2022

Ao abrir mão paulatinamente do eleitor da chamada frente ampla, que, na prática, assegurou sua vitória apertada em 2022, Lula plantou a dificuldade que enfrenta agora na largada oficial de sua campanha à reeleição.

Na disputa de quatro anos atrás, o então candidato Lula admitiu em entrevista ao Jornal Nacional a ocorrência de corrupção na Petrobras. Naquela mesma jornada, disse que não disputaria a reeleição em 2026. Fez um aceno ao centro escolhendo o antigo adversário Geraldo Alckmin como vice e se esforçando para atrair o apoio de Marina Silva, no primeiro turno, e o de Simone Tebet, no segundo.

A Sexta-Feira 13 do Supremo, Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Julgamento de habeas corpus de Vorcaro pode assombrar o STF por bastante tempo

A Segunda Turma do Supremo começa a julgar hoje o pedido de habeas corpus de Daniel Vorcaro. A votação terá início numa sexta-feira 13, e suas consequências podem assombrar o tribunal por bastante tempo.

O ministro Dias Toffoli, que negava proximidade com o banqueiro, agora declarou-se suspeito e não participará do julgamento. Pode parecer má notícia para Vorcaro, mas não é. Com um ministro a menos, ele passa a precisar de apenas dois votos para sair da cadeia.

10 mil ou 10 milhões de misóginos? Por Pablo Ortellado

O Globo

Dez mil ou 10 milhões de misóginos? A resposta importa, e os dados disponíveis sugerem que estamos mais próximos do número menor

Após conhecermos os detalhes do brutal estupro coletivo em Copacabana, descobrimos nesta semana que os estupradores parecem estar ligados a grupos radicais masculinistas on-line (um dos jovens se entregou à polícia com uma camiseta com frase do influenciador Andrew Tate). Descobrimos também que, nesta semana, uma trend no TikTok, “Caso ela diga não”, viralizou ensinando meninos a responder com violência física a mulheres que rejeitam suas abordagens amorosas. Descobrimos também que essa trend faz parte de um conjunto muito mais amplo de conteúdos misóginos on-line que registram mais de 3,9 bilhões de visualizações no YouTube. O estupro coletivo é, assim, visto como fruto de campanhas de misoginia politicamente organizadas que atingem público alarmante na internet.

Biruta de aeroporto, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A ‘biruta’ de Trump sopra como as pesquisas e os fatos, a favor de Flávio Bolsonaro

Tanto quanto como Quaest, Datafolha e Atlas, os últimos movimentos de Donald Trump apontam uma reversão de expectativas a favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula, que atravessou 2025 como favorito, mas chegou a 2026 sob dúvidas que evoluíram para temores no Planalto. Enquanto Flávio cresce, Lula não só estacionou como enfrenta um turbilhão de notícias negativas.

Flávio é hoje candidato praticamente único da direita e tem empate numérico com Lula num 2.º turno. Tornou-se “novidade” contra um candidato manjado, que sofre desgaste pelas peraltices de Lulinha, os vexames de Dias Toffoli e a queda do pedestal de Alexandre de Moraes.

Para onde vai o caso Master, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Em caso de investigação, que seja séria e fundamentada; em caso de delação premiada, que seja examinada com lupa

Temos muitos temas estratégicos para discutir. E outros urgentes, como o impacto da guerra e do fechamento do Estreito de Ormuz em nossa economia. No entanto, será difícil avançar em algo enquanto a atenção nacional estiver concentrada no escândalo do Banco Master.

Escândalos financeiros de maior volume, como foi o caso de Bernie Madoff nos EUA, foram muito discutidos, mas não conseguiram monopolizar o debate político. O caso brasileiro é crucial, porque envolve autoridades políticas, financeiras e judiciárias. Mais especificamente, algo inédito na História: dois ministros do Supremo Tribunal Federal.

Por que Vorcaro deveria continuar preso? Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Se Vorcaro for liberado para ir para casa, muita gente em Brasília respira aliviada

Caberá aos ministros André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux decidirem se mantêm ou revogam a prisão preventiva de Daniel Vorcaro do Banco Master.

Criminalistas ouvidos pela coluna afirmam que sobram motivos para ele continuar sob a custódia da Justiça. A defesa argumenta o contrário. A votação começa hoje e segue por uma semana em plenário virtual.

Intervenção no mercado de petróleo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

O governo Lula tenta atacar as distorções que atingem o mercado interno de derivados do petróleo com decisões que provocam novas distorções.

Ontem, os preços internacionais do petróleo tipo Brent voltaram a ultrapassar os US$ 100 por barril. Como a Petrobras não reajusta os preços internos dos derivados há quase um ano e, no caso do diesel, estão com uma “defasagem” em torno de 41%, ficou inevitável o desabastecimento em vários Estados do País.

A primeira causa desse desabastecimento é o aumento da estocagem. Como os consumidores sabem que, mais cedo ou mais tarde, a Petrobras terá de corrigir os preços internos, passaram a recorrer ao armazenamento aos preços atuais, subsidiados, não só para garantir o abastecimento, mas também para ganhar com a diferença de preços.

Alta da inflação e endividamento das famílias tiram o sono de Lula, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Palácio do Planalto teme que o choque do petróleo frustre uma das principais apostas políticas de Lula para sua campanha de reeleição: a “economia do afeto”

A guerra no Oriente Médio introduziu uma variável externa que pode alterar significativamente o cenário político brasileiro em pleno ano eleitoral, sobretudo a estratégia de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escalada do conflito e o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz provocaram a disparada do preço do barril, que chegou a ultrapassar a casa dos US$ 120 antes de recuar para a faixa de US$ 90. Governos do mundo inteiro estão diante da ameaça de inflação doméstica e desgaste político.

Lula está certo de limitar o estrago da guerra nos combustíveis, no curto prazo, Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo vai jogar a conta do subsídio na Petrobras e em outros exportadores de petróleo

União Europeia estuda que medidas tomar para conter o impacto da alta de preços

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vai usar dinheiro dos impostos a fim de evitar alta maior do preço do diesel. Por ora, não se fez nada em relação à gasolina. O economista-padrão não deve gostar da medida. Mas, no curto prazo, faz sentido. Por falar nisso, a União Europeia estuda fazer algo parecido. Na Ásia, já se toma providência na mesma linha.

O governo vai compensar a perda de receita ou o gasto com subsídios cobrando imposto sobre exportação de petróleo. No ano passado, o Brasil exportou petróleo no valor de US$ 44,7 bilhões (dados da Agência Nacional do Petróleo, a ANP). A Petrobras registra que exportou US$ 25,6 bilhões, mais de 50% do total (a proporção é imprecisa, pois os produtos que entram na conta desses dois valores exportados são um pouco diferentes). Os acionistas da petroleira, governo inclusive, e suas irmãs privadas vão pagar a conta.

O Brasil deveria gastar mais em defesa? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ministro usa guerra no Irã como pretexto para pedir mais verbas

Reunir poderio bélico para dissuadir EUA de ataque não é meta realista

O ministro da Defesa, José Mucio, se valeu da guerra no Irã para pedir mais recursos para as Forças Armadas. Na visão de Mucio, a escalada bélica no Oriente Médio mostra que o Brasil precisa ampliar seu poder de dissuasão militar. Investimos hoje 1% do PIB em defesa e, no entender do ministro, precisaríamos aplicar no mínimo 2%. Ele diz que há países gastando até 7% nessa rubrica.

Cony aos incríveis 100, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Ele via a morte como uma pândega. O homem que se dizia terminal parecia cada vez mais inaugural

Ativo até o fim, aos 92 anos, Cony seria o primeiro a desmoralizar o seu próprio centenário

Já contei esta história. Em 2012, coordenando um ciclo no Sesi, em São Paulo, sobre o centenário de Nelson Rodrigues, convidei Carlos Heitor Cony a participar de um dos debates. Cony, com 86 anos, tinha um câncer linfático crônico, cujo tratamento lhe provocava um enfraquecimento que o obrigava à cadeira de rodas. Mas sua cabeça continuava atilada, surpreendente e com a molecagem intacta. Aceitou e tomou o avião no Santos-Dumont.

Governo anuncia pacote de medidas e zera PIS/Cofins do diesel para conter impacto da alta do petróleo

Por Sofia AguiarMarlla SabinoGabriel Shinohara e Mariana Andrade / Valor Econômico

Brasília - O governo federal anunciou nesta quinta-feira (12) um pacote de medidas para conter o impacto nos preços dos combustíveis diante da pressão internacional no preço do petróleo, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Entre as medidas, o Executivo irá zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização para conter a alta do combustível.

Na prática, segundo o governo, isso elimina os únicos dois impostos federais atualmente cobrados sobre o combustível e representa uma redução de R$ 0,32 por litro.

O pacote foi anunciado durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto, convocada para anunciar medidas do governo em meio a alta do petróleo no mercado internacional pela escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Lula zera tributo sobre diesel e cria imposto de exportação para conter preços com guerra no Irã

Caio Spechoto, Marcos Hermanson e Mariana Brasil  / Folha de S. Paulo

Governo afirma que redução de tributos, com impacto de R$ 30 bi, será compensada por taxa sobre vendas ao exterior.

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta quinta-feira (12), medida provisória que zera o PIS e a Cofins do óleo diesel, estabelece o pagamento de subvenção a produtores e importadores e institui um imposto de exportação de petróleo.

O anúncio foi feito como uma resposta ao aumento de preços dos combustíveis causado pela guerra no Irã, que pressiona as cotações do petróleo. Com as medidas, válidas até 31 de dezembro, o governo estima redução de R$ 0,64 no litro do diesel vendido na bomba.

Lula fala com jornalistas sobre medidas para reduzir impacto da oscilação do preço do petróleo

 

Um ciclo esgotado, por Ivan Alves Filho

Há alguns meses, antes mesmo de eclodir o escândalo do banco Master, eu publiquei um texto intitulado Eu gostaria de saber o que está acontecendo com o Brasil. 

E acontece que, de lá para cá, a nossa crise só vem se aprofundando. Endividamento crescente das pessoas, aumento no número de dependentes inscritos no bolsa família, avanços escabrosos no crime organizado, casos chocantes de corrupção, feminicídio e estupros com frequência quase avassaladora; enfim, problemas de todo o tipo não saem mais das páginas dos jornais e do noticiário em geral. Tudo isso deixa a impressão de fim de um ciclo, senão de fundo do poço, tamanho os impasses que vivemos. Creio que estamos de volta aos tempos da República Velha, do Estado Novo e da ditadura militar. Um fechamento de época, pedindo urgentemente uma mudança de rumos. Caso contrário, a Democracia correrá sérios riscos, a descrença popular nas instituições da República se aprofundando cada vez mais. E esta descrença engloba igualmente os partidos políticos e boa parte de suas lideranças. 

Poesia | Os Vagabundos, de Afonso Schmidt