sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master mostra por que é melhor privatizar BRB

Por O Globo

Banco de Brasília estima rombo por falcatrua em R$ 6,6 bilhões — e ninguém sabe como ele será coberto

A liquidação do Banco Master expôs os problemas enfrentados pelo BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal. No ano passado, a Câmara Legislativa do DF deu sinal verde para o BRB adquirir parte do Master. O negócio foi vetado pelo Banco Central (BC), que já via como irreversível a derrocada do banco de Daniel Vorcaro. Mas o BRB acabou comprando uma carteira fraudulenta de títulos do Master avaliada em R$ 12,2 bilhões. Uma auditoria do BC constatou que os papéis não existiam ou estavam supervalorizados, e a Polícia Federal abriu inquérito para investigar fraudes.

O Congresso é responsável por nosso futuro, por Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

O fortalecimento do Legislativo nos últimos dez anos não produziu uma instituição capaz de gerar uma agenda maior ao país

A eleição presidencial já está na rua e vem a pergunta que não quer calar: qual é o plano de governo dos principais candidatos? Será muito importante cobrar os presidenciáveis para que tenham uma plataforma consistente, centrada nos principais problemas do país e voltada para uma construção de uma agenda congruente com os desafios do século XXI. Porém, de nada adianta construir um bom projeto nacional se o Congresso Nacional não acompanhar esse processo, pois uma enorme frustração virá no dia seguinte ao da posse presidencial. Não há como almejar um futuro com essa dissociação.

Aqui está uma das maiores fissuras do sistema político brasileiro: eleitos de forma muito fragmentada e, em sua maior parte, com propostas localistas ou muito voltadas a grupos de interesses específicos, os congressistas em geral não têm uma visão ampla sobre os problemas e possíveis soluções do país. Pode-se retrucar que isso caberia aos partidos políticos. Só que no atual modelo institucional as legendas partidárias não congregam seus candidatos em torno de um programa coerente que enfrente os principais desafios do Brasil.

Os mais iguais, por José de Souza Martins

Valor Econômico

Privilégios evidenciam a sobrevivência de arcaísmos dos tempos coloniais

“A revolução dos bichos”, de George Orwell, é um desses livros que a gente lê com a estranha sensação de que já o havia lido e até mesmo de que já esteve no lugar ali descrito e até presenciou os acontecimentos ali ocorridos. O livrinho trata do poder das entrelinhas e do avesso na edificação da lógica perversa e oculta da dominação política fora dos marcos da grande herança da Revolução Francesa.

A familiaridade que a leitura nos sugere dá a impressão de que Orwell esteve no Brasil (ou Brazil?). Não só a gente já viu isso, mas ainda está vendo.

Tudo começa com uma insurreição dos bichos da chácara de Mr. Jones. Preguiçoso e bêbado, ele descuidava dos animais e os maltratava. Os animais haviam espalhado que Major, um porco premiado, tinha tido um sonho que gostaria de contar a todos logo que o dono da granja fosse dormir. E começou: “Será esta nossa terra tão pobre que não ofereça condições de vida decente aos seus habitantes?”. Ressaltou as condições adversas em que viviam os animais: “A vida do animal é feita de miséria e escravidão: essa é a verdade nua e crua”.

Alô, alô, eu vou chamar o marqueteiro: Sidônio! Por Andrea Jubé

Valor Econômico

Diferença de 0,1 ponto percentual em pesquisa fez o chão tremer para a ala racional do PT

Ninguém irá passar recibo, mas a sucessão de reveses nos últimos dias dividiu o time lulista entre os sinceramente preocupados, os aflitos e os negacionistas. Estes minimizaram o resultado da pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada na quarta-feira (25), que mostrou pela primeira vez o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na simulação de segundo turno: 46,3% a 46,2%, respectivamente. Uma diferença de 0,1 ponto percentual, que fez o chão tremer para a ala racional do PT.

CPIs têm espetáculo turbinado em anos eleitorais, mas é o STF que surpreende, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Maior escândalo financeiro em ano de eleição hiperpolarizada aumenta a indefinição mas é Mendonça quem mais surpreende governo

CPMI do INSS pautou e aprovou, no atropelo do regimento, a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fábio Lula da Silva, filho do presidente da República. A mesma comissão sequer pautou a convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”. Os dois controlam uma empresa sediada nas ilhas Virgens Britânicas, suspeita de lavagem de dinheiro.

Escândalo embola o jogo da política, por Vera Magalhães

O Globo

Integrantes do Executivo imaginavam que Lula poderia sair incólume, mas percepção difusa de escândalo também atinge o governo e ajuda a explicar nova queda em pesquisas

O rastro de destruição deixado pela fraude do Banco Master em Brasília é tão grande que é difícil, hoje, apontar quem tem algo a ganhar com os desdobramentos do escândalo. Em maior ou menor grau, perdem o governo, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso e os partidos políticos, de A a Z.

Num ambiente marcado por alta tensão, em que um Poder aponta o dedo para o outro para detectar culpas, omissões, relações com o esquema de Daniel Vorcaro e responsabilidade por vazamentos de toda natureza, o rombo provocado pelo banco e a demora em estancá-lo são um trabalho de muitas mãos, que deixará mortos e feridos pelo caminho em todos os campos agora que as investigações acontecem de forma desordenada, tamanho foi o afã de abafá-las.

Juízes sem juízo, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ao defender penduricalhos, magistrados dão novos argumentos para banir pagamentos acima do teto

A causa do fim dos penduricalhos ganhou um impulso inesperado. Na quarta-feira, representantes de associações de juízes foram ao Supremo defender os pagamentos acima do teto. Em vez de justificá-los, deram novos argumentos por sua extinção.

O advogado Alberto Pavie Ribeiro, da Associação dos Magistrados Brasileiros, disse que a carreira não seria mais “atrativa” por causa dos salários pagos aos juízes. No Tribunal de Justiça do Rio, o subsídio inicial de um juiz substituto é de R$ 35,8 mil, fora benefícios.

Cem anos do mesmo argumento, por Pablo Ortellado

O Globo

Se o incômodo para os setores econômicos é pontual e momentâneo, o benefício para os trabalhadores é permanente e duradouro

O jornal Folha de S. Paulo publicou ontem uma entrevista com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, em que o deputado explicou sua oposição ao fim da jornada 6x1. Questionado sobre como via a demanda por mais tempo de lazer e menos tempo de trabalho, o deputado respondeu:

— Acho que, quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais, ócio demais, faz mal. Tem vários casos de pessoas que conheço. Fulano, quando parou de trabalhar, morreu rápido, ficou doente. A gente precisa de atividade. O lazer é importante para a saúde mental. Mas a população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?

Quebra de sigilo do filho de Lula mostra cerco da oposição ao governo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A CPMI do INSS deixou de ser apenas instrumento de apuração e se converteu em arena de desgaste continuado. Opera em dois tempos: o jurídico e o midiático

A quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela CPMI do INSS, somada à decisão judicial que já havia autorizado medidas semelhantes no âmbito da investigação criminal, representaram uma típica “bola nas costas” no Palácio do Planalto. O governo vinha administrando a comissão com relativa folga, amparado por maioria circunstancial e pela capacidade de modular convocações incômodas. A votação que atingiu o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o eixo político da CPMI.

O fato novo não é apenas a deliberação da comissão parlamentar. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia autorizado a quebra de sigilos em investigação conduzida pela Polícia Federal. Agora, Lula está diante de um duplo cerco, um na frente política (CPMI), outro na judicial (STF), que vão se apertar e aumentar o desgaste pessoal do presidente da República e do governo.

Crise para além das eleições, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Serão necessários muita sabedoria e um governo enérgico para enfrentar o caos

Conversando com um amigo sobre o futuro, sem nenhuma pretensão de prevê-lo com rigor, afirmei que, infelizmente, as eleições deste ano não resolvem a crise que a democracia vive no Brasil.

Para começar, uma das instituições mais criticadas, o Congresso, deve emergir da disputa com uma configuração semelhante à que está aí. O mecanismo das emendas parlamentares, que hoje avançam sobre o Orçamento, não é apenas irracional e vulnerável à corrupção. Ele é uma garantia da continuidade de deputados e senadores.

Lula já venceu? Será? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Outubro terá um candidato com o pai na cadeia e outro com o filho sob investigação

As quebras dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha remetem aos piores momentos da longa carreira política do presidente Lula – mensalão, Lava Jato e prisão – e desabam sobre a campanha da reeleição justamente quando o senador Flávio Bolsonaro se firma e ganha fôlego como o principal candidato da oposição. Quanta poeira, ou lama, pode sair daí?

E, afinal, Lula não estava virtualmente reeleito? A resposta, nua e crua, é não. Se as pesquisas até aqui capturavam o favoritismo do presidente, agora registram que a campanha vai ser ainda mais difícil do que a de 2022, que ele venceu por margem já bem apertada.

Sem antecedentes criminais, Lulinha tem uma relação que vai de mal a pior com a Polícia Federal, após as revelações sobre seus laços com o escândalo do INSS e a quebra dos sigilos, tanto pelo ministro do STF André Mendonça quanto pela CPMI do INSS. Ambos decidiram com base na PF.

Flávio Bolsonaro e um ‘Paulo Guedes de saias’, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Senador está sendo cobrado pela Faria Lima a anunciar o comandante da economia

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está sendo cobrado pela Faria Lima a anunciar o comandante da economia caso vença as eleições em outubro. A expectativa em seu entorno é de que o nome seja divulgado em breve, seguindo o mesmo roteiro adotado por seu pai na campanha de 2018.

À medida que o senador vai subindo nas pesquisas de intenções de voto e se consolidando como o candidato da direita, a ansiedade do mercado aumenta. Enquanto o posto de vice-presidente é barganhado pelos partidos políticos, é o ministro da Fazenda que interessa aos investidores porque ele precifica o “risco” do candidato.

Desarranjo no acordão da impunidade, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Queda de Toffoli, PF, ação da CPI do Crime Organizado e ataque a Lulinha perturbam acerto

Recomeço de investigações e medo de perder proteção incentivam ameaças e retaliações

O acordão para "abafar o caso" está com desarranjo. Balançam os acertos tácitos ou explícitos de proteger amigos e comparsas nos casos do Master, da roubança do INSS e até dos esquecidos fundos secretos da Reag.

As partes envolvidas, sejam investigadores, políticos ou seus aliados, estão atirando mais à vontade e, no caso da política, uns contra os outros. A soberba de Dias Toffoli ajudou. A Polícia Federal mais solta contribui. A barbeiragem dos governistas na CMPI do INSS também. Políticos investigadores em campanha eleitoral põem algum fogo no circo.

STF tenta sair das cordas, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Corte se concentra em casos que possam lhe render pontos junto ao público

Manobra pode aliviar pressão, mas não resolve problemas, que são reais

Acuado pelo escândalo do banco Master, o STF tenta limpar a própria barra, avançando em agendas que lhe rendam pontos junto ao público. O calendário lhe sorriu. A condenação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes já estava precificada, mas calhou de o julgamento acontecer agora, num momento em que o tribunal precisa desesperadamente de fatos positivos. E sempre pegam bem manchetes mostrando que os ministros estão fazendo o que se espera deles.

Eleição será decidida no triângulo das bermudas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Favoritos lutam nos três maiores colégios eleitorais para tirar a diferença da disputa à Presidência

Juntos, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro representam mais de 40% de todo o eleitorado brasileiro

Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm encontro marcado nesta sexta-feira (27) para mais um ato da dança da lealdade no baile da campanha eleitoral antecipada.

O reforço do governador é crucial para o senador. Salvo o imponderável, o gesto põe Tarcísio em definitivo no palanque da reeleição, mas não o afasta da cena nacional, vez que será ativo de peso na corrida da direita pela conquista da Presidência.

Trump usa Estado da União para fazer show de impostor fascista, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Presidente exibe característica histórica de líder autoritário que não é hipócrita, mas 'phony'

Pegadinha para democratas reforçou política estúpida do ICE, a Gestapo contra imigrantes

Donald Trump usou o discurso sobre o Estado da União, na noite de terça (24), para promover mais um espetáculo midiático em torno de suas teses nacionalistas e fascistas. A vocação do presidente norte-americano para o entretenimento é conhecida, já teve programa de rádio, foi comentarista da Fox e comandou o reality "O Aprendiz".

Em livro que está por lançar em breve, o professor e filósofo Vladimir Safatle, da Universidade de São Paulo, chama a atenção para o traço "phony" de líderes populistas autoritários. O filósofo Theodor Adorno já observara que lideranças fascistas não eram propriamente hipócritas, mas "phonies", ou seja, mobilizavam humor e impostura em suas performances. Nas palavras de Safatle —o entrevistado do podcast Ilustríssima Conversa no sábado (28)—, é preciso lembrar que "a ironia é um elemento constituinte do autoritarismo".

Quebrado ao meio, Ivan Alves Filho

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que tanto marcou o pensamento moderno, afirmou certa vez desejar “quebrar ao meio a História da Humanidade”.

Talvez ele não tenha logrado seu intento. Mas pelo menos uma certeza podemos ter: Friedrich Nietzsche quebrou ao meio a sua própria história.

Explico: o filósofo passaria os últimos onze anos de sua existência internado em um asilo de alienados. Morreu em 1900, logo após completar 56 anos. Teve pouco tempo para produzir, como se vê, mas o fez intensamente. Provavelmente por vislumbrar a tragédia, Nietzsche não seria o primeiro na história do pensamento. 

Poesia | Coração numeroso, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Xande canta Caetano - Gente

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Aprovação de Lei Antifacção é avanço contra o crime

Por O Globo

Medidas para enfrentar organizações criminosas resultam de diálogo saudável entre governo e oposição

Depois das idas e vindas, a Câmara enfim aprovou em votação simbólica o Projeto de Lei (PL) Antifacção. Embora a proposta original do governo tenha sido bastante modificada ao longo da tramitação, o PL, que seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representa um passo importante no combate ao crime organizado. Ele dá ao Estado instrumentos mais consistentes para enfrentar as organizações criminosas que convulsionam o país.

É certo que o relator do projeto, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), poderia ter aproveitado melhor as contribuições do Senado, onde a relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) obteve raro consenso entre governo e oposição. Derrite preferiu restabelecer quase integralmente a versão anterior da Câmara. Mesmo assim, o resultado foi satisfatório. O próprio governo afirmou que ele reflete a “essência” da proposta enviada pelo Planalto.

Comércio multilateral e o jogo errático de Trump, por Eduardo Belo

Valor Econômico

A prioridade estratégica brasileira é clara, continuar diversificando, sem ilusões e com pragmatismo

Por volta de 300 a.C., Dâmocles era um bajulador do tirano Dionísio, de Siracusa, o qual era alvo de uma mal disfarçada inveja, devido a seu poder. Dionísio o convidou para um banquete. Dâmocles ocuparia o lugar do governante. Sentado à mesa, diante de uma quantidade formidável de iguarias, o jovem olhou para cima e viu que pendia sobre sua cabeça afiadíssima espada sustentada apenas por um fio de cabelo. Reza a lenda que, diante da cena, Dionísio indagou: “Perdeste o apetite?”.

A metáfora não soa tão perfeita para a ocasião - a não ser pelo que tem de ameaça -, mas é lembrada por Carlos Primo Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor de Política Econômica do Banco Mundial, para retratar a situação do Brasil em relação à imposição de tarifas pelo presidente americano, Donald Trump.

Com a PF desatada, Senado avança sobre o Master, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

CPI reage ao avanço das investigações franqueado pela troca de relator do caso no STF

Foi uma aprovação de baciada a da CPI do crime organizado: 21 convocações, sete convites, sete quebras de sigilo e quatro pedidos de informação. O resultado foi um Fla x Flu entre governistas e bolsonaristas com um Centrão ausente.

A cereja foi o convite a dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli Alexandre de Moraes, e à esposa deste, Viviane Barci de Moraes, todas da lavra do senador Eduardo Girão (Novo-CE), mas é nas convocações e quebras de sigilo, que são mandatórias, que está o recheio do bolo.

Lá estão todas as estrelas do Master: Vorcaro, Augusto Lima, Luiz Antonio Bull, Angelo Silva, João Carlos Mansur e Fabiano Zettel. Mas também Paulo Henrique Costa (BRB), os irmãos Toffoli, o advogado da JBS que comprou o Tayayá, os alvos da Carbono Oculto e até os operadores das compras fraudulentas de vacinas da covid-19, que voltaram a dar as caras no escândalo da hora.

O brasileiro é preguiçoso? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Nas entrelinhas da objetividade econométrica, encontra-se escondido o reavivamento acrítico do mito colonial da preguiça

Quando deixamos os números falarem sem contexto, o que nos resta é o mito e não a verdade

Eu li a matéria nesta Folha intitulada "Brasileiro trabalha menos que a média mundial" na voz manhosa de Macunaíma lamentando "Ai! Que preguiça!". Para o estudo que fundamenta a reportagem, o que explicaria o "desvio brasileiro" por menos trabalho seria, nota-se, uma "questão cultural", isto é, "uma preferência por mais quantidade de lazer". Imaginei Macunaíma, o preguiçoso herói sem nenhum caráter de Mario de Andrade, lendo isso sentado numa rede entre dois cajueiros onde dorme por dias a fio. Ai! Que preguiça!

CPI do Crime dribla cúpula do Congresso e improvisa CPI do Master, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

CPI dedicada mais a facções e milícias pode tirar outros crimes do armário, mas tem limite

A quarta teve ainda prisão para a gangue que matou Marielle e mais rolo com fintech e emendas

Os senadores da CPI contra o Crime Organizado tentam improvisar uma CPI do Master, que vem sendo abafada pelos presidentes do SenadoDavi Alcolumbre (UB-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), entre outros interessados graúdos no assunto. No mínimo, pode ser uma investigação parcial dos rolos do Master. Se bem-sucedida, pode enfraquecer o acordão para abafar o caso, que vem sofrendo derrotas. Se conseguir depoimentos e documentos relevantes, pode desmoralizar elos da cadeia do pacto de silêncio, que é político e tem conexões empresariais relevantes. Mas tem empecilhos —mais sobre isso mais adiante.

Ibaneis está de pires na mão para salvar o BRB, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Tempo é o maior inimigo, mas é a política que está impedindo governador de enfrentar o problema de frente

Emedebista, que quer se candidatar ao Senado, tenta empurrar a solução com a barriga

Sem apresentar até agora uma proposta consistente para salvar o BRB, o governador da oposição Ibaneis Rocha (MDB) vai ficar de pires na mão e terá que pedir socorro ao governo Lula após o envolvimento do banco público no escândalo de fraudes do Master.

O tempo é o maior inimigo do BRB, mas é a política que está impedindo Ibaneis de enfrentar o problema de frente. O governador quer se candidatar e ganhar uma vaga no Senado e tenta empurrar a solução com a barriga.

A agonia de Cuba socialista, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

É equívoco atribuir o desastre ao desumano embargo de Donald Trump

Na ilha só resta o aparato repressor que sustenta o governo

No magnífico romance "O Homem que Amava os Cachorros", de 2009, o escritor cubano Leonardo Padura traça um grande afresco do fracasso do socialismo real, por meio das histórias entrelaçadas de três personagens: Leon Trótski, dirigente da Revolução de 1917, forçado ao exílio pela implacável perseguição de Josef Stálin; o espanhol Ramon Mercader, militante comunista que penetra no refúgio do líder revolucionário russo no México para assassiná-lo; e o escritor cubano Ivan Cárdenas, personagem de ficção, que nos conta a história dos dois primeiros.

Momento decisivo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Lula tem só decisões difíceis pela frente em matéria de eleições. E a inação, sua postura favorita em crises, não é uma opção.

Em boa parte a situação em que se encontra foi criada por ele mesmo. É a de julgar que ferramentas que funcionaram antes vão funcionar sempre. Os sinais de que as coisas não são mais como há 20 anos se acumularam, mas Lula insistiu em mais do mesmo.

A gênese da crise atual do STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

A coisa fugiu do controle há sete anos, quando foi aberto o inquérito das fake news

A coisa fugiu do controle quando o Supremo Tribunal Federal (STF) escolheu usar o fim para justificar os meios. Mais precisamente há sete anos, quando foi aberto o inquérito das fake news para investigar crimes dos quais as vítimas tinham direito ao foro especial, não o investigado.

Desde que tomou posse como presidente da Corte, no ano passado, Edson Fachin tem recebido de colegas apelos para encerrar o inquérito. “Já passou da hora”, disse um ministro à Coluna em caráter reservado. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entregou um ofício a Fachin com esse pedido, mas é pouco provável que ele seja atendido.

Uma saída para os supersalários, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

Não devemos cair na esparrela de demonizar o serviço público. Mas é chegada a hora de combater os excessos, sob pena de desmontarmos o arcabouço institucional erigido a duras penas pela Constituição

O teto remuneratório do serviço público é de R$ 46.366,19. Um valor alto, sim, se cotejado com a renda média do brasileiro, de R$ 3.613, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua). Contudo, não é correto, simplesmente, comparar a renda de grupos de trabalhadores do setor privado e/ou do setor público sem qualificações. É preciso levar em conta responsabilidades, riscos, importância das funções exercidas, função social e resultados esperados de cada trabalhador/servidor.

O acordo com a União Europeia: hora da verdade, por José Serra

O Estado de S. Paulo

O acordo poderá ser muito favorável ao Brasil se o País conseguir transformar o ambiente econômico interno

O acordo firmado com a União Europeia (UE) representa um passo estratégico de grande relevância para o Brasil, pois possibilita a ampliação de mercados, o fortalecimento das relações comerciais e o acesso a novos investimentos. O acordo dá ao País a chance de aumentar sua competitividade internacional, estimulando a inovação e o desenvolvimento econômico.

A oportunidade de inserção nos marcos da economia internacional é evidente. No entanto, o avanço só poderá se concretizar se a economia brasileira encontrar formas de funcionamento minimamente compatíveis com a realidade europeia. Não há como uma economia submetida a fortes tensões internas sustentar um padrão de desenvolvimento colaborativo com um parceiro externo que desfruta de melhores condições competitivas.

Lula perde favoritismo e Flávio consolida a candidatura da oposição, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Cenários reforçam essa percepção. Em três simulações contra Flávio Bolsonaro, Lula oscila entre 45% e 45,3%, enquanto o senador varia entre 39,1% e 39,5%

A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (25), confirma aquilo que já vinha se desenhando nos levantamentos mais recentes: a eleição presidencial de 2026 está aberta, o favoritismo de Luiz Inácio Lula da Silva deixou de ser confortável e Flávio Bolsonaro consolida-se como o polo da direita na disputa, cristalizando novamente uma polarização dura, de alta rejeição dos dois lados.

Os números falam por si. No principal cenário testado, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 37,9% de Flávio. O importante é o movimento: em relação à rodada anterior, Lula perdeu 3,8 pontos percentuais, enquanto Flávio cresceu 2,9. No segundo turno, Flávio Bolsonaro alcança 46,3% das intenções de voto, e Lula registra 46,2%, dentro da margem de erro de um ponto percentual. Em comparação ao levantamento anterior, o presidente recuou três pontos, enquanto o senador avançou 1,4 ponto.

Informação e eleições: a questão da credibilidade, por Dulce Baptista

Correio Braziliense

A perspectiva das próximas eleições no Brasil coloca a população votante diante de opções ainda condicionadas pela polarização político-ideológica que se instalou no país e pela influência do mundo virtual sobre o mundo real

Na perspectiva das eleições deste ano e diante da avalanche de notícias e informações que circulam em todas as direções — inclusive com invasão das fake news —, cai por terra a afirmação de que uma imagem vale mais do que mil palavras. Atribuída a Confúcio e muito popularizada no século passado, principalmente nos meios publicitários, a dita afirmação sofre hoje o impacto avassalador das ferramentas de inteligência artificial (IA), que, sob qualquer pretexto, criam situações e flagrantes inverossímeis.

Interpretações perigosas, por Merval Pereira

O Globo

Há no Brasil uma tendência de flexibilizar a lei que pode comprometer a própria ideia do Estado de Direito

Quando o papel da Justiça é questionado em diversos países, como o Brasil, a Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão fundamental para proteger a democracia americana dos arroubos do presidente Donald Trump. O poder de taxação sobre produtos importados, uma das bases de sua política externa coatora, tem de ser referendado pelo Congresso, não bastando decisão pessoal do presidente.

Há uma série de indicativos na decisão que nos remetem à relação do Executivo com o Supremo também entre nós. O jurista Gustavo Binenbojm afirma que, do ponto de vista do mérito, é a reafirmação de que a Suprema Corte, apesar de majoritariamente conservadora, composta por seis ministros indicados por presidentes republicanos, é independente. Essa maioria não significa que venha a tomar partido automaticamente a favor do governo.

Marielle ainda nos ensina, por Míriam Leitão

O Globo

O assassinato de Marielle desnudou o Brasil do racismo, do machismo, da misoginia, da homofobia e dos feudos sob domínio do crime

Quem chorou há oito anos pela morte de Marielle Franco e Anderson Gomes chorou ontem de novo. Nada aplaca a dor, mas o Brasil fez justiça unânime e pesada contra os mandantes do crime. No dia anterior ao julgamento, Luyara disse que sabia da importância da mãe, mas que nos últimos anos foi tendo a consciência da sua enorme dimensão. Sempre ficará contudo o vazio do que não foi, do que não pôde ter sido, e nunca poderá. O assassinato matou uma mulher negra que alçava voo e ela iria muito alto, por merecimento e determinação. É esse vazio impreenchível que está nos corações dos que a amaram e a entenderam.

STJ passa pano para estuprador, por Julia Duailibi

O Globo

Senhores do Direito começaram a achar ok não punir homens que estupram crianças de 10, 11 ou 12 anos

Os tribunais passaram a tratar o intolerável como razoável. Senhores do Direito começaram a achar ok não punir homens que estupram crianças de 10, 11 ou 12 anos. Em diferentes decisões, passaram a entender que o estupro de meninas, principalmente quando engravidam, pode levar à formação de um “relacionamento amoroso” e que, muitas vezes, os homens nem sabiam ter cometido crime. Mandá-los, agora, para a prisão, dizem, seria “estragar a família”.

Marielle e a cegueira da política, por Malu Gaspar

O Globo

Vivemos nesta semana um combo de fatos ao mesmo tempo históricos e simbólicos da tragédia brasileira.

Depois de uma novela criminal e jurídica que muitas vezes pareceu destinada a terminar sem solução, o caso Marielle Franco finalmente chegou ao fim, com a condenação dos acusados de envolvimento no assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes. Um ex-deputado federal e um conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro foram condenados a 76 anos de prisão por planejar e encomendar o crime. Um ex-chefe de polícia foi sentenciado a 18 anos por ajudar a acobertá-lo.

Poesia | Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade, por Paulo Autran

 

Música | Evaldo Gouveia - Garota Moderna

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra da Ucrânia faz quatro anos sob o signo do cansaço

Por Folha de S. Paulo

Pior conflito europeu desde 1945 se arrasta e pode ser trocado pelo Irã na lista de prioridades de Trump

Estudos indicam ao menos 500 mil óbitos militares e 15 mil civis; gasto militar da Europa subiu de 17% em 2022 para 21,4% em 2025

A Guerra da Ucrânia, um conflito que tanto a Rússia quanto o Ocidente acreditavam que estaria resolvido rapidamente, entrou nesta terça-feira (24) em seu quinto ano sob o signo da exaustão.

Cansados estão os ucranianos, submetidos a um regime de blecautes devido à degradação de seu sistema energético sob forte frio. Cansados estão os russos, isolados do Ocidente e pagando um preço altíssimo em sangue.

Pós-Lula tem Senado como possível campo de batalha, por Fernando Exman

Valor Econômico

Para integrantes do governo, a base na Casa foi prejudicada pela nomeação de lideranças de peso para ministérios

Em Minas Gerais, existe um ditado popular que pode ser usado para explicar o potencial interesse do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em disputar uma cadeira no Senado. “Político sem mandato é igual padre sem paróquia e general sem tropa”, diz a máxima. Faz sentido: se tudo correr como desejam os petistas em relação à eleição para o Senado, o carpete azul royal que decora o plenário da Casa Alta do Congresso Nacional se tornará o campo de batalha dos potenciais sucessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dentro do partido, com vistas à eleição de 2030.