quinta-feira, 1 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

País pagará o preço do debate eleitoral indigente

Por Folha de S. Paulo

Lula se recusa mais uma vez a participar de confronto televisivo, e Flávio foge à tarefa de ser propositivo

O país está diante de uma escolha difícil entre um duro ajuste dos gastos públicos e o risco de agravamento do estresse financeiro

A decisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não participar do derradeiro debate televisivo da campanha presidencial deste ano —e, assim, de nenhum confronto aberto de ideias antes do primeiro turno— evidencia o descaso com o eleitor. Não se pode dizer, infelizmente, que essa seja a única, ou mesmo a maior, mostra da degradação da disputa política nacional.

Flávio Bolsonaro (PL), que na condição de principal postulante oposicionista teria a obrigação de ser mais propositivo, passou a campanha ora fazendo críticas demagógicas ao custo de vida, como se tivesse o poder de fazer os preços baixarem, ora inventando desculpas esfarrapadas para a revelação de suas relações de afeto com o corruptor Daniel Vorcaro.

A indigência do cotejo de programas é o efeito nefasto de uma corrida em que a estratégia mais relevante de cada um dos candidatos competitivos consiste em explorar a enorme rejeição ao adversário. É fato que, em pleitos passados, temas incômodos já foram tratados à base de platitudes e tergiversações; hoje, porém, são quase ignorados.

As últimas 72 horas da guerra eleitoral, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Quatro em cada dez eleitores não têm Lula ou Flávio na ponta da língua. Quer melhoria de vida, mas, nesse tiroteio, terá que escapar de bala perdida

A 72 horas do início da votação, quatro em cada dez eleitores não têm o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o senador Flávio Bolsonaro na ponta da língua. São brasileiros que não apenas não sabem quem são Daniel Vorcaro ou Roberta Luchsinger, como tampouco têm qualquer interesse nos personagens. A decisão acontece na virada do mês que mal deram conta de fechar, uma grande parte deles, no prejuízo.

O eleitor típico desta escolha derradeira é mulher, católica, do Sudeste e da classe C (renda familiar de R$ 2 mil a R$ 8 mil). Este é um perfil que tem-se repetido ao longo das últimas disputas. Trata-se de um eleitor que é mais dificilmente captado pelas pesquisas, seja porque não para pra responder quando é abordado na rua e não abre sua casa para pesquisador, seja porque desliga quando recebe uma ligação. Dez anos atrás era preciso fazer 15 chamadas para que se conseguisse um questionário completo. Agora são, em média, 300.

Flávio vai; Lula, não. Faltar ao debate da Globo é decisão de alto risco, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

As polêmicas eleitorais foram deslocadas para o terreno institucional e ideológico: a crise do Supremo, o caso Master, as intervenções da Justiça Eleitoral e a exploração da religião

Lula foi mal no debate do segundo turno da TV Bandeirantes nas eleições de 1989, contra Fernando Collor de Mello, na avaliação de muitos dos próprios petistas. Fora surpreendido por uma referência cifrada a um aparelho de som “três em um” — rádio, vitrola e toca-fitas — que teria dado de presente a uma ex-namorada. Segundo o relato, a história chegara ao conhecimento de Marisa Letícia às vésperas do confronto, provocando uma crise doméstica. Lula já havia sido alvejado pela exploração eleitoral de seu relacionamento com Miriam Cordeiro, mãe de sua filha Lurian. Chegou aos estúdios da Bandeirantes cansado e despreparado, segundo Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha.

Lula endurece discurso sobre segurança na reta final para buscar indecisos e desgastar Flávio

Por Victoria Azevedo e Jeniffer Gularte / O Globo

Guinada aparece em materiais que a campanha passou a distribuir, com propostas mais rígidas no enfrentamento à criminalidade

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o discurso sobre segurança pública às vésperas do primeiro turno, numa tentativa de atrair indecisos e o eleitor de centro e de desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do petista na disputa pela Presidência. Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostrou que a violência é a principal preocupação dos eleitores, com 33% de menções.

A guinada aparece em materiais que a campanha passou a distribuir, como uma lista com 13 propostas por "mais firmeza contra o crime". Uma delas endurece regras para a liberação de presos por crimes violentos após audiência de custódia, numa mudança de tom em relação ao que a esquerda defende historicamente. O conteúdo também defende mais câmeras corporais em policiais, ampliação do programa Celular Seguro e construção de novos presídios federais, entre outros pontos.

Além disso, foi divulgado um vídeo que apresenta tom mais duro no combate à criminalidade, ao mostrar quatro homens atrás das grades e falar em "quatro inimigos" que precisam ser vencidos: "Os traficantes, os agressores de mulheres, os ladrões de celular e os magnatas do crime". Outra peça no horário eleitoral mostra uma mulher caminhando pela rua acompanhada do filho, desviando de munições e exibindo a frase "a família Bolsonaro deixou o Brasil mais violento" para criticar a flexibilização da política armamentista implementada no governo passado.

O fato novo, por Merval Pereira

O Globo

O sentimento do presidente é mais de soberba que de receio. Ele acha um absurdo estar empatado com Flávio e expor-se a ser criticado por todos os outros candidatos que têm hoje quase traço nas pesquisas.

O presidente Lula já teve a experiência, em outra encarnação presidencial, de faltar a um debate da Globo às vésperas da eleição presidencial. Foi em 2006, quando o escândalo do mensalão pôs em risco sua reeleição. Sua cadeira ficou vazia pela primeira vez, e o efeito visual foi grande. Além disso, os demais candidatos, especialmente o hoje seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, na época um dos líderes tucanos, aproveitaram-se da situação para criticá-lo. A resposta do eleitorado foi imediata: Alckmin obteve surpreendentes 40% dos votos no primeiro turno, deixando tontos os petistas.

STF na eleição mostra Brasil disfuncional, por Julia Duailibi

O Globo

Supremo apareceu não porque foi provocado a agir. Entrou de maneira deliberada, para tentar garantir a sobrevivência

Na terça-feira, o presidente Lula telefonou de cima de um palanque para o ministro Flávio Dino em plena campanha eleitoral. Estava em Belém e queria parabenizá-lo por um projeto criado por Dino, enquanto senador, que prevê controle de qualidade dos serviços prestados pelos hospitais privados. A iniciativa do ministro, sancionada por Lula, ocorreu depois da trágica morte do filho dele, de 13 anos, durante atendimento num hospital privado de Brasília.

Para além da importância da matéria sancionada, a imagem sintetiza o que foi a campanha de 2026. Uma confusão entre política, candidatos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Tudo junto e misturado. Uma disputa eleitoral em que se falou muito pouco sobre o que aflige os eleitores ou o que é fundamental para um projeto de país. Mas foi dominada pelo STF, que entrou com os dois pés na eleição.

O que houve com a dívida pública, por Míriam Leitão

O Globo

A explicação para o crescimento da dívida pública não pode ser política ou simplista. Não dá para apenas culpar o governo ou os altos juros

A dívida pública subiu e ronda o país. Mas para entender direito o que tem acontecido é preciso se desligar das paixões políticas. A dívida subiu 11 pontos percentuais no governo Lula e chegou a 83% do PIB. No período Bolsonaro, chegou ao recorde de 87,66% e caiu no fim do governo para 71,7%. A queda naquela época foi o resultado de um truque contábil e dois fatores conjunturais favoráveis. O mandato Lula tem ampliado os gastos nesta reta final da campanha e isso é ruim. Porém, não é a despesa que explica toda a alta da dívida pública.

A eleição dos desafetos, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo.

Muita gente aí do seu lado celebra por antecipação o vislumbre de que ‘aquilo a que odeia’ será destruído

A frase foi escrita por Baruch Espinosa (ou, se você preferir, Benedictus de Spinoza), no livro Ética: “Quem imagina que aquilo a que odeia é destruído, se alegrará”. É a proposição de número 20 da parte terceira desse clássico essencial. Isso mesmo: o ódio alegra os viventes.

Espinosa nasceu no dia 24 de novembro (data boa) de 1632, em Amsterdã, numa família de origem judaico-portuguesa (falava o nosso idioma), e morreu em Haia, aos 44 anos. Esse tempo lhe bastou. Ninguém, como ele, escrutinou as afecções do espírito que nos aprisiona. Ninguém, como ele, ensinou que o ódio é inimigo do pensamento e da felicidade. Ninguém, como ele, foi tão incompreendido.

‘Quem ganhar a eleição leva’, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Salvo o imprevisível a 48 horas das eleições, o que parece pesar mais são fatores amplos e fora do controle. A saber: abstenção e a “temperatura”, ou “percepção”, ou “sentimento” em relação à economia.

Sim, a definição da situação de empate ocorrerá dentro do que se previa. Junto a uma pequena parcela do eleitorado concentrada no Sudeste. Como Lula sai mais prejudicado (em termos relativos) pela taxa de abstenção no Nordeste, a diferença que ele precisa buscar está no eleitorado mais “sensível”, digamos assim, ao famoso “feel good factor”.

Não importa tanto a camada social, esse sentimento é contrário ao incumbente, tal como captado em sucessivas pesquisas. Ele sugere um estado de espírito disseminado segundo o qual tudo é difícil e caro. Os economistas constatam que a renda aumentou, mas a renda disponível, não.

A sala de lanches e a guerra fria no STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministros do tribunal se encontram antes das sessões para tomar café em ambiente tenso

Nos dias de sessão, antes de entrarem no plenário, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se encontram em uma espécie de antessala. Um biombo de madeira confere alguma privacidade às conversas diante de uma grande mesa redonda. São servidos café e petiscos. A crise na Corte alcançou esse espaço e mudou a forma como os ministros interagem nele.

Se na sessão do dia 15 os ministros trocaram acusações aos gritos; longe das câmeras da TV Justiça, a atmosfera também está ruim, mas de um jeito diferente. A sala de lanches, de onde era possível ouvir gargalhadas, ficou mais silenciosa e menos frequentada. Cármen Lúcia, por exemplo, evita encontrar os colegas no ambiente. Na semana passada, o clima estava “ameno”, segundo um dos presentes. Edson Fachin, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se encontraram na antessala.

O dever cristão de se manter informado, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Voto que ignora tudo de mais cruel e sinistro no país também ofende a Cristo

Mas tenho direito à ignorância e sou livre para renunciar à minha liberdade

Eu posso ignorar que Flávio Bolsonaro alimenta uma perigosa semente de guerra religiosa ao anunciar que seu primeiro ato, se eleito, será decretar "Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Guerra dentro do próprio cristianismo.

Posso ignorar que o pastor JB Carvalho, fundador da igreja onde Flávio foi batizado em 2023, acusa prostituição religiosa da Igreja Católica, e que o pastor Victório Galli, ex-deputado e assessor de Jair, apresentou projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Posso ignorar o ataque a bispos da CNBB e os riscos à liberdade religiosa.

Posso ignorar o desprezo de Flávio por mulheres, sua rejeição à Lei Maria da Penha, seu orgulho de "não ser feministo" e de lutar apenas por "mulheres de verdade". Posso ignorar correntes bolsonaristas que se opõem ao voto feminino, que ganham tração nos porões extremistas do Brasil e dos Estados Unidos.

Bolsonaros propõem caça às bruxas no Itamaraty, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Eduardo diz que haverá 'faxina' no órgão se irmão for eleito

E há o risco de a promessa se alastrar para outros órgãos, como PF e BC

Duas reportagens de Patrícia Campos Mello publicadas nesta quarta (30) na Folha detalham como seria a política externa de Flávio Bolsonaro, se eleito.

Depois do isolacionismo implementado durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, a equipe de Flávio buscará, se bem-sucedida nas eleições, intensificar o alinhamento aos EUA, no estilo e na condução da política externa. O projeto possui um codinome: "reforma do Marco Rubio", referência ao belicoso secretário de Estado americano.

Guerra santa é apenas sintoma do vale-tudo da política de um país sob ameaça de golpes, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Campanha de 2010 também teve questão religiosa oportunista; 2026 é muito pior

Selvageria que tira carne e medula do osso das instituições é a nova regra do jogo

A eleição para presidente de 2010 teve "guerra santa". Era um indício de que o caldo político começava a azedar. A gente não sabia então que se tratava do começo do caminho para o fim da picada.

Uma campanha odienta, início de desarranjo econômico, mudança institucional quase parando e corrupções eram problemas, mas talvez transitórios —até para um pessimista. A "guerra santa" de 2026 é aspecto menor do buraco em que nos metemos.

A última eleição da Nova República, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Direitas optaram por entregar liderança à sua facção mais autoritária

Esquerdas têm que oferecer tradução renovada de seus compromissos

O presidente Lula, seu vice, Geraldo Alckmin, e o ex-governador de Goiás e candidato, Ronaldo Caiado, são os três últimos políticos de projeção nacional que participaram da Constituinte de 1987-88. Todos os seus contemporâneos já saíram de cena. Esta será, por assim dizer, a última eleição da Nova República.

As direitas, em transição geracional, optaram por entregar a liderança à sua facção mais autoritária e mais descomprometida com a democracia e as conquistas sociais dos últimos 40 anos. Tendo, enfim, produzido um líder popular, capaz de transferir votos a seu filho, o direitismo prefere correr com ele o risco de levar o país a parte alguma.

Deus, cabo eleitoral com exclusividade, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Por suas declarações em palanques, é como se Flávio Bolsonaro estivesse fazendo negócios com Deus

Um deles é o de que vai terceirizar seu mandato, entregando-o às mãos de Jesus; pode isso, Arnaldo?

Vivendo e aprendendo. Sempre ouvimos dizer que cargos políticos eram laicos e que Deus nunca se rebaixaria a se misturar com gente que pede votos a quem no fundo despreza. Mas, pelo visto, não é mais assim. Flávio Bolsonaro contratou Deus como cabo eleitoral e usa seu santo nome em comícios, passeatas e sabe-se mais por onde anda como candidato à Presidência. E, ao que parece, é um contrato de exclusividade. Só ele pode invocar Deus e, se quiser, até prometer-lhe um ministério. Eis alguns exemplos.

"Deus está me preparando há 24 anos para ser presidente do Brasil." É um de seus motes favoritos. Significa que foi Deus quem o ensinou a extorquir servidores, condecorar milicianos, mentir como quem respira e suplicar dinheiro a Daniel Vorcaro. "Acredito que Deus colocou uma ‘missão’ em minha vida." Deixa implícito que sua candidatura atende a um chamado de ordem espiritual e que Deus viu nele um novo Cristo, quem sabe até com uma midiática crucificação.

Donald Trump é um ser humano horrível que viraliza das piores formas, por Thomas L. Friedman

The New York Times / Folha de S. Paulo

Imaginação pútrida do presidente deixa os EUA expostos a vírus perigosos: digitais, biológicos e diplomáticos

Algo ruim vai nos acontecer como resultado disso

Donald Trump é um ser humano tão horrível que até escrever sobre ele parece degradante. Que presidente menosprezaria seu antecessor diante do líder da China da maneira como Trump zombou de Joe Biden, que agora sofre de câncer, ao apontar que um quadro com a imagem de uma caneta automática estava pendurado na Casa Branca no lugar do retrato de Biden?

Infelizmente, porém, quando alguém tão moralmente deformado quanto Trump —cujo primeiro secretário de Estado o chamou de "idiota"— assume tanto poder sem qualquer controle no alvorecer da Era da Inteligência Artificial, não se pode ignorá-lo.

Porque, neste momento, Trump está deixando os Estados Unidos expostos a vírus perigosos: digitais, biológicos e diplomáticos. Algo ruim vai nos acontecer como resultado disso. Nós e nossos filhos pagaremos por isso, e não apenas na hora de abastecer o carro.

Piketty prevê fim do dólar como moeda global: 'Muito em breve', por Vinícius Mendes

BBC Brasil

Cinco anos atrás, uma percepção do economista francês Thomas Piketty, 55 anos, rodou o planeta. Ela defendia que o mundo estava em condições parecidas às que desaguaram na Revolução Francesa, no fim do século 18: uma desigualdade extrema em que elites riquíssimas (a nobreza daquela França) viviam às custas de uma multidão de pessoas em situações precárias.

Era mais um alerta do que uma comparação, porque, sempre que isso aconteceu na história, o resultado foi uma grave crise política capaz de mudar o rumo das coisas.

"Em muitos sentidos, [a situação] piorou" nesse intervalo de meia década, sentencia ele agora à BBC News Brasil.

"Estamos em um período repleto de distopias. Os tecnobilionários, os tecnonacionalistas estão elaborando visões malucas sobre o futuro", diz ele, alertando para "uma visão trumpista do futuro que não está funcionando, que não resolve problemas de desenvolvimento, de meio ambiente, que precisamos resolver".

Piketty retornou à cena global em junho com um conjunto audacioso de propostas reunidas no Relatório de Justiça Global. É o resultado do esforço conjunto de uma equipe liderada por ele, no World Inequality Lab, da Paris School of Economics, na capital francesa, que se debruçou sobre dados sociais e econômicos de vários países ao longo dos últimos anos.

No total, cerca de 50 pessoas trabalharam no estudo, que elaborou propostas como criar uma moeda única internacional, gerida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em substituição ao dólar, e impulsionar políticas globais que nivelem a renda per capita global em 5 mil euros (cerca de R$ 29 mil, na cotação do final de setembro) até 2100.

O relatório também propõe que, até lá, o total de horas de trabalho, na média internacional, cairia para menos da metade, com um deslocamento das funções ligadas à produção de alimentos para os setores de educação e saúde.

Além disso, há propostas historicamente ligadas às pesquisas de Piketty — que se tornou famoso, nos anos 2010, com seu O capital no século XXI (Intrínseca, 2013) – como a criação de um imposto global sobre a riqueza e, especialmente, sobre fortunas dos bilionários.

E aí que, para ele, o Brasil exerce um papel central. Em 2024, durante a reunião do G20, no Rio de Janeiro, o país conseguiu incluir uma menção inédita à importância de tributar os super-ricos no comunicado final da Cúpula, apesar da dura resistência argentina.

Nos fóruns que se seguiram, a diplomacia brasileira seguiu reforçando o projeto, como nas rodadas de negociação, no âmbito da ONU, por um sistema tributário internacional. A próxima reunião do grupo será realizada entre novembro e dezembro, no Quênia.

"Será muito triste para o próprio país tanto quanto para o mundo se o Brasil seguir na direção desse nacionalismo trumpista em algumas semanas [nas eleições]. Precisamos do Brasil contribuindo para reconstruir o sistema monetário, econômico internacional em um sentido mais inclusivo, igualitário, democrático e consciente sobre o clima", diz.

A seguir, trechos da entrevista que Thomas Piketty concedeu à BBC News Brasil alguns dias antes do primeiro turno da eleição presidencial brasileira.

Poesia | O operário em construção, de Vinicius de Moraes

 

Música | Xande Canta Caetano - Muito Romântico

 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Alta no custo do BPC exige revisão de critérios

Por O Globo

Tornar mais racional gasto com o benefício não significa deixar quem precisa sem assistência — ao contrário

A trajetória do gasto com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo a brasileiros com mais de 65 anos ou com deficiência e baixa renda, ressalta a urgência de reformular os programas sociais. Entre 2016 e 2025, o BPC foi a despesa com maior aumento médio real entre os gastos não financeiros do governo. Pelos cálculos otimistas da equipe econômica, custará R$ 153,3 bilhões aos cofres públicos em 2027, alta de 7,2% na comparação com 2026. Computando o reajuste recente do Bolsa Família, os dois principais benefícios assistenciais consumirão mais de 10% das despesas primárias da União no ano que vem.

O discípulo do Conde Koma, as eleições e a dimensão da crise do Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A poucos dias da eleição, a impressão de que ministros estão à beira do pugilato encobre os fundamentos das decisões. Não há risco de fraude eleitoral, mas há uma crise de confiança

Mitsuyo Maeda, o Conde Koma, nasceu no Japão em 1878 e fez da luta uma profissão itinerante. Formado no judô de Jigoro Kano, percorreu países demonstrando técnicas e enfrentando adversários de diferentes modalidades. Chegou ao Brasil em 1914 e passou por Manaus em dezembro de 1915, com apresentações no Teatro Polytheama. Seus desafios ajudavam a divulgar uma arte marcial na qual técnica, equilíbrio e alavancas permitiam superar a força bruta.

Cenas finais de um 1º turno estéril em propostas, por Fernando Exman

Valor Econômico

Primeiro turno se aproxima sem que os principais candidatos tenham detalhado o que farão em caso de vitória

A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu nos últimos dias estancar os problemas que vinham se acumulando e, após semanas na defensiva, reequilibrou o jogo. Para aliados do petista, o freio de arrumação precisa continuar. E deve ser ainda mais intenso, se a direita repetir a arrancada final que costuma dar nas disputas presidenciais e o senador Flávio Bolsonaro (PL) passar para o segundo turno na dianteira.

Como dizem no mundo do futebol, Lula estava “encaixotado” pelo adversário. Em outras palavras, estava bloqueado por uma marcação tática que o impedia de trocar passes, avançar pelo campo e criar novas jogadas. Flávio tinha maior posse de bola, dominando a pauta da campanha e neutralizando as investidas do presidente.

Os estrategistas de Flávio sabiam que o plano do Palácio do Planalto era insistir no discurso de que Lula recebeu do ex-presidente Jair Bolsonaro um país destruído, com a máquina federal aos pedaços, e ao longo dos últimos anos conseguiu restabelecer as políticas públicas que haviam sido abandonadas. Com a casa arrumada, a reeleição então serviria como ponto de virada para um país melhor, com mais qualidade de vida e poder de compra para a população.

Quando a Igreja entra na mira, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Documento cita ameaças e intimidações a bispos católicos; início da ofensiva coincide com ano em que o clã chegou ao poder

No último domingo, a cúpula da Igreja Católica se viu arrastada para a guerra eleitoral. O candidato do PL ao Planalto acusou integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de propagar mentiras para prejudicá-lo.

Sem apresentar provas, Flávio Bolsonaro disse que “gente de dentro da CNBB” teria ajudado a disseminar o que ele chamou de fake news sobre Nossa Senhora Aparecida. A fala viralizou nas redes e deu início a uma série de ataques à entidade. Não foi a primeira vez.

Um estudo feito pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz lista 61 investidas contra a CNBB e seus bispos desde 2018. O início da ofensiva coincide com o ano em que Jair Bolsonaro chegou ao poder.

Entre os detratores citados no relatório, estão influenciadores bolsonaristas, uma produtora de vídeos de extrema direita e políticos do PL, como Paulo Bilynskyj, Gil Diniz e Eduardo Bolsonaro. O documento deixa claro que os ataques ultrapassam a disputa de opiniões. Há casos de ameaças, intimidações e ofensas.

Eleição descamba para temas aleatórios, por Vera Magalhães

O Globo

Captura da campanha por assuntos inflados artificialmente, como guerra religiosa que foi parar no STF, mostra falência da política e esgotamento da atual polarização

Quando parecia que a eleição deste ano não tinha como ficar mais distante dos problemas reais do país, ela foi dragada por uma escalada sem pé nem cabeça que começou num boato sobre Nossa Senhora Aparecida e terminou, como sempre e como tudo, no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

A guerra santa se fundiu à guerra aberta entre ministros da Corte, num epílogo que nem as mentes mais criativas poderiam imaginar para uma campanha em que as atenções estiveram muito mais voltadas à lista de favorecidos por um banqueiro preso por fraude financeira que às propostas para o futuro do Brasil.

Ideia de Lula de faltar a debate é arriscada, por Elio Gaspari

O Globo

Como não há ideias nem propostas, Nossa Senhora Aparecida ocupou o espaço vazio

Lula tende a não ir ao debate de quinta-feira na TV Globo. Com isso, o primeiro turno ficará sem debate entre os candidatos competitivos. É pena, mas os nomes de uma terceira via tiveram meses para romper a barreira de um dígito e não conseguiram. Essa monotonia fez da eleição presidencial um evento burocrático, sem ideias, plataformas ou desafios. Lula 4.0 seria uma continuação de Lula 3.0, que nada foi além dos Lulas passados. Há um candidato do PT, outro contra o PT, e estamos conversados.

A ideia de faltar a mais esse debate é arriscada. Numa eleição apertada como esta, a imagem da cadeira vazia pode ter um efeito desastroso mesmo para o segundo turno.

Nossa Senhora Aparecida que se cuide, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

A guerra santa promovida após vir à tona uma notícia falsa de que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pretendia tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil ressuscitou a batalha entre duas alas do STF, às vésperas das eleições.

Não bastasse a campanha do primeiro turno estar chegando ao fim sem que os eleitores saibam as propostas dos candidatos para comandar o País pelos próximos quatro anos, agora os dois principais postulantes à Presidência têm um juiz para chamar de seu. Na prática, a agenda sobre o que precisa ser feito para impulsionar o desenvolvimento do Brasil foi sequestrada pelo escândalo do Banco Master e pela crise do STF.

O gênio das eleições, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Na reta final do primeiro turno, Lula parte para o vale-tudo do populismo

Medidas testam limites do eleitor moderado, que não tem tantas alternativas

O eventual eleitor institucionalista em busca de argumentos para não votar em Lula deparou-se com vários no último par de semanas. Como a lista é longa, concentro-me nos dois casos mais gritantes de populismo eleitoreiro.

O primeiro foi o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família, decretado a apenas 17 dias do primeiro turno. O problema aqui não é o conteúdo, mas o timing. Compensar o programa pelas perdas inflacionárias dos últimos anos sempre teve sentido, mas o governo Lula, por boas ou más razões, havia preferido não fazê-lo. O reajuste não constava da proposta de Orçamento para 2027 enviada ao Congresso pouco antes. Mas bastaram as pesquisas o colocarem num quadro eleitoralmente desafiador para ele agir.

O que muda de Jair Bolsonaro em 2018 para Flávio em 2026? Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

STF enfraquecido, Trump e aprendizado institucional tornam diferente um eventual novo ciclo bolsonarista

Em 2026, o projeto é mais legível e as condições para executá-lo podem ser mais favoráveis

Em 2018, a rejeição ao PT, a ojeriza aos partidos e grupos que dominavam a política nacional, a sensação de que a vida havia parado de melhorar, os ventos internacionais favoráveis a um populismo radical de direita e, como decorrência disso tudo, uma vontade quase desesperada de mudança de rumo político levaram milhões de eleitores a conceder praticamente um cheque em branco a Jair Bolsonaro. Um candidato que, sabia-se então como se sabe hoje, exibia poucas, se alguma, das qualidades que normalmente se procuram em alguém a quem se pretende entregar o governo do país.

Um Inverno prolongado na política brasileira, por Vagner Gomes*

Em 1986, nas eleições legislativas para a Constituinte, o sociólogo Luiz Werneck Vianna foi candidato a Deputado Federal pelo PMDB do Rio de Janeiro. Aqueles que gostam de fazer o exercício da memória das antigas campanhas eleitorais deveriam resgatar as imagens dessa campanha eleitoral, que foi a primeira após o prolongado período de autoritarismo no Brasil. O partido mencionado fazia um “círculo” de candidaturas ao legislativo, debatendo propostas no horário da propaganda eleitoral gratuita. Muito distante da competição individualizada nas eleições atuais.

Foi naquele ano que o PMDB se tornou vitorioso em todo o país ao ponto da imprensa o comparar ao PRI do México (uma comparação que demonstrava o temor dos meios de comunicação de uma hegemonia em favor de um Estado de Bem Estar Social). A comparação se apresentou como equivocada, pois o Partido de Ulisses era uma grande frente de diversificadas tendências que tinham em comum a luta pela derrota política do atraso ao qual o país se entregou após 1964.

Poesia | Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Xande - Gente (Caetano Veloso)

 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Dino faz uso político da Justiça

Por O Globo

Autorização para fake news sobre Nossa Senhora e decisão de Gilmar sobre Bolsa Família atropelam TSE

Tem sido preocupante a politização das decisões eleitorais da Justiça. Na semana passada, espalhou-se a notícia falsa de que Flávio Bolsonaro, se eleito, tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Era uma especulação descabida, que Flávio desmentiu de imediato. Ele entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, no mesmo dia, o ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte, determinou a remoção de conteúdos das redes sociais. O ator e humorista Antonio Tabet recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), quando o caminho institucional correto teria sido acionar o plenário do TSE. Já no domingo, o ministro Flávio Dino anulou decisão de Mendonça e, por motivação nitidamente política, liberou as publicações com a mentira, favorecendo a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Polêmicas entre Lula e Flávio têm limites nos votos consolidados, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Até domingo, a tendência mais consistente é a de Lula preservar a dianteira no primeiro turno, com Flávio buscando reduzi-la pelo voto útil. Mas precisa combinar com o eleitor.

Depois de semanas dominadas pela crise do Supremo, pelo caso Banco Master e pelo confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre corrupção e democracia, as pesquisas Quaest e a Nexus divulgadas nesta segunda-feira, 28, mostram que, ao menos em parte, as duas controvérsias mais recentes, a medida provisória que proibiu as bets e o boato sobre Nossa Senhora Aparecida, favoreceram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista manteve a vantagem no primeiro turno e empata no segundo com Flávio Bolsonaro.

Na Quaest, Lula passou de 37% para 39%, e Flávio, de 33% para 34%. A Nexus registrou 42% para o presidente e 37% para o senador, ante 40% e 37% na rodada anterior. Os dois levantamentos indicam uma ampliação numérica da dianteira de Lula no primeiro turno. As mudanças individuais, contudo, são pequenas diante das margens de erro e não demonstram que uma polêmica específica tenha produzido o movimento. Num eventual segundo turno, a Quaest mostra 42% para cada candidato; a Nexus, 46% para Lula e 44% para Flávio, também em empate técnico.

O destino do país vai às urnas, por Roberto Amaral*

Em artigo-ensaio recente (“O golpe continuado”), o professor e historiador Lincoln de Abreu Penna estuda como um só fenômeno a tragédia que se abateu sobre nós em 1º de abril de 1964 e que, pelos seus efeitos, todos danosos, chega até nossos dias, justificando as apreensões que medram em setores significativos do pensamento democrático brasileiro.

Lincoln ressalta que o golpe militar “não foi [só] contra um governo constitucional, eleito pelo povo, mas contra o Brasil como nação que aos trancos e barrancos se estruturava para promover o arranco desenvolvimentista conjugado com as Reformas de Base”. Foi tudo isso, mas foi ainda mais: para além dessa tragédia, fez por terra um processo democrático então caracterizado pela crescente ascensão das forças populares e pelo esforço coletivo para dar fim à miséria.

É preciso lembrar e relembrar a herança de 21 anos de uma ditadura luciferina, que não só desterrou as liberdades civis e políticas, não só fechou o Congresso e aviltou o Poder Judiciário, como impôs o terror, tanto o terror cultural a que se referia Alceu Amoroso Lima quanto o terror das prisões, da tortura e dos assassinatos ainda sem conta fechada.

As dúvidas da reta final, por Míriam Leitão

O Globo

A pouco dias da eleição, as pesquisas mostram dois candidatos à presidência empatados, mas com os blocos de eleitores se movendo

Dentro de cinco dias estaremos diante da urna eletrônica e o que a democracia nos oferece é uma enorme avenida. Escolher o próximo presidente, renovar dois terços do Senado, eleger os deputados da Câmara Federal, das assembleias legislativas e os governadores. Com a campanha curta, e drenada por temas estranhos à natureza da escolha, as pesquisas nos mostram um país em que dois candidatos ao Planalto estão empatados, mas com blocos de eleitores se movendo. A pesquisa Quaest, encomendada por este jornal, traz informações relevantes, só que ainda há muitas dúvidas.

A sondagem foi melhor para Lula do que para Flávio Bolsonaro em dois pontos cruciais. Aumentou de 5 para 11 pontos percentuais a vantagem de Lula sobre Flávio no eleitorado feminino. Eu disse aqui, colunas atrás, que o presidente estava perdendo essa dianteira no eleitorado feminino, e as mulheres foram decisivas na vitória de Lula em 2022. Isso se reverteu. Outra boa notícia para Lula é a redução da distância que ele estava de Flávio Bolsonaro na região Sudeste, que concentra 42% do eleitorado brasileiro e tem os três maiores colégios eleitorais do Brasil, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. A diferença há uma semana era de seis pontos, agora caiu para dois: 35% para o candidato do PL, 33% para o petista.

Dias finais, por Merval Pereira

O Globo

O maior perigo que corremos, como nação laica, é cairmos na guerra religiosa, que nunca foi parte das campanhas políticas.

Os últimos dias de campanha trazem novas discussões, mais debates estéreis, mas nada de propostas para o futuro do país. Discute-se se o voto útil funcionará para evitar um segundo turno — parece improvável — ou se Nossa Senhora Aparecida deixará de ser a padroeira do Brasil. Perde-se tempo numa guerra religiosa que não deveria nem ser cogitada, quanto mais disputada. O maior perigo que corremos, como nação laica, é cairmos nesse tipo de embate, que nunca foi parte das campanhas políticas, a não ser em casos pontuais e não institucionais.

A grande aposta de Lula, por Fernando Gabeira

O Globo

Apesar dos grandes julgamentos e de todas as críticas midiáticas, o bolsonarismo resistiu

Ao proibir as bets nove dias antes do primeiro turno, Lula fez sua maior aposta. Muitos observadores consideram grandes suas chances de êxito. As pesquisas mostram que a maioria condena apostas on-line. Grande número de mulheres pode decidir o voto a partir dessa medida.

É impossível cravar cientificamente qual será o resultado das eleições de domingo. O universo do futebol foi atingido. Lula fez menção ao Flamengo; a torcida não gostou. Enfim, há muitos fatores a analisar.

O lobo, por Pedro Doria

O Globo

O regime parece ter perdido a capacidade de se regenerar. De se aperfeiçoar

Entre novembro e dezembro de 2022, o pai do senador Flávio Bolsonaro (PL) dedicou boa parte de seu tempo a convencer os comandantes do Exército e da Aeronáutica a dar um golpe militar em seu nome. Não é uma hipótese. É um fato histórico documentado. Foi o que disseram em depoimento à Polícia Federal e ao Supremo o general Marco Antônio Freire Gomes, que estava no topo da hierarquia do Exército, e o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, seu par na Força Aérea. Baptista Junior é autor do livro “Eu disse não”, que conta justamente os detalhes daqueles dias, publicado neste mês pela Autêntica. E, no entanto, quando a pesquisa Meio/Ideia perguntou aos brasileiros em março sobre o tema, 39% disseram acreditar que o golpe fora tentado por Jair Bolsonaro; 54% falaram que não acreditam. Foi a última vez em que uma pesquisa nacional tratou do tema. Nesta semana, à medida que entramos na reta final do primeiro turno destas eleições, as pesquisas mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no que, essencialmente, é um empate com Flávio. Pode dar qualquer coisa.