quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ministros devem apoiar Fachin em código de ética

Por O Globo

Relatoria da ministra Cármen Lúcia tem tudo para superar impasses e alcançar os objetivos

Ao discursar na abertura do ano judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu a adoção de um código de ética pela Corte. É uma discussão que já se anunciava e se tornou incontornável. Diante dos líderes dos dois outros Poderes, Fachin anunciou a escolha da ministra Cármen Lúcia como relatora do código. Não se discute a competência de todos os ministros, mas o espírito conciliador de Cármen faz dela uma escolha adequada, capaz de aparar as arestas que eventualmente se apresentem, dada a controvérsia despertada pela iniciativa dentro do próprio tribunal.

Tarcísio perdeu o bonde? Por Vera Magalhães

O Globo

Governador de São Paulo continuará a ser incluído em pesquisas como pré-candidato à Presidência, mas não esconde desânimo por não ter sido ungido candidato por Bolsonaro, como ocorreu em 2022

Uma semana depois do movimento de Gilberto Kassab para anabolizar seu PSD com mais um pré-candidato à Presidência e da reiteração, por parte de Tarcísio de Freitas, do apoio a Flávio Bolsonaro, a sensação entre aliados do governador de São Paulo é que, agora, ele perdeu mesmo o último bonde para a corrida ao Planalto.

Continuará, porém, a ser incluído em pesquisas de intenção de votos, e isso fará com que permaneça a pressão por demonstrações reiteradas de lealdade a Jair Bolsonaro, algo que lhe tem causado constrangimento visível.

Mensagem de Lula pedia palanque. Por Elio Gaspari

O Globo

O ano eleitoral começou com a proposta do fim da escala 6x1 

Mensagem presidencial de 600 páginas é uma demasia. Como ninguém as lê, tanto faz. Pelo cerimonial, um parlamentar é submetido ao suplício da leitura. Pelo ritual, o governo fala mais do que fez, indicando o que pretende fazer no ano legislativo. Na sua mensagem, o governo fala bem de si, mas Lula aproveitou a oportunidade para marcar três objetivos. Dois tratam de assuntos em que, em três anos, ele não fez o que podia. A saber: regulamentação dos direitos de quem trabalha no mercado de aplicativos e um projeto para a segurança pública.

O terceiro tema é inovador e terá reflexos no funcionamento da economia. Trata-se do fim da escala de seis dias de trabalho por um de repouso, o 6x1, substituído pela regra de 5x2, com dois dias de repouso. Ainda não se conhece o texto que será perfilhado pelo governo. Sabe-se, contudo, que a votação ficará para depois do carnaval. (Leia-se, para uma data mais próxima da eleição.)

Maus camaradas. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Para driblar corporativismo da Justiça Militar, procurador afirma que capitão traiu "prática da camaradagem" na caserna

Depois de perder o poder e a liberdade, Jair Bolsonaro pode perder também a patente de capitão. O Superior Tribunal Militar (STM) abriu processo para apurar se o ex-presidente violou as leis castrenses. Se condenado, ele será declarado indigno para o oficialato e expulso das Forças Armadas.

Para o procurador Clauro Roberto de Bortolli, Bolsonaro mostrou descaso pelos “preceitos éticos mais básicos” da vida militar. Ele afirmou que o capitão atentou contra a probidade, a lealdade e a disciplina ao liderar uma tentativa de golpe após a derrota nas urnas.

A acusação sustenta que a gravidade dos atos do ex-presidente é “incontroversa” e ficou comprovada no processo criminal que o levou para a cadeia. É tudo verdade, mas a Justiça Militar está 38 anos atrasada.

Julgamento de Bolsonaro e generais no STM será teste de democracia. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A questão é simples e existencial: a hierarquia e a disciplina, em regime democrático, exigem lealdade constitucional ou podem coexistir com a ruptura planejada?

O julgamento das representações por indignidade ou incompatibilidade para o oficialato do ex-presidente Jair Bolsonaro e quatro oficiais-generais condenados pela trama golpista, pelo Superior Tribunal Militar, não será apenas o desdobramento da decisão penal do Supremo Tribunal Federal: será um teste de estresse do pacto civil-militar da Constituição de 1988, um teste para a democracia. O STM não revisará culpa, provas ou tipificação criminal — isso já foi afirmado pelo Supremo —, mas se a natureza dos crimes e o papel desempenhado por cada oficial tornam moralmente incompatível a permanência no corpo de oficiais.

A culpa é dele. Por Cristovam Buarque

Correio Braziliense

O governador joga a culpa sobre o povo do DF ao decidir desapropriar seus eleitores e o restante da população para que paguem pelo rombo que ele criou com a maior fraude bancária do Brasil

Faz dois anos que o Brasil assistiu às cenas golpistas do 8 de Janeiro. Naquele domingo de 2023, nem as autoridades do Executivo, do Judiciário ou do Legislativo, nem a imprensa conseguiram localizar o governador do DF; ninguém ouviu sua voz de comando. Quando ressurgiu, foi para aceitar que seus subordinados tivessem suas carreiras profissionais interrompidas e fossem condenados a anos de prisão — sem uma única fala assumindo responsabilidade. Seus subordinados, que sem dúvida dividiam com ele a responsabilidade, estão pagando o preço e ficarão presos e marcados por toda a vida.

Seu secretário de Segurança perdeu a carreira de policial federal e está preso, condenado a 24 anos — um quarto de século. Cinco oficiais superiores, comandantes da Polícia Militar, foram expulsos da corporação e cada um condenado a 16 anos de prisão. Enquanto isso, o governador, poupado de qualquer responsabilidade naqueles atos, participa de fraude bilionária usando o BRB e joga a culpa em novo subordinado.

Master impõe a Lula o problema de Dilma na Lava-Jato. Por Fernando Exman

Valor Econômico

Uma ala do governo intensifica as recomendações para que o presidente tenha cautela na abordagem do caso Master

Enquanto aguarda as primeiras pesquisas de opinião do ano com a expectativa de que os efeitos das mudanças no Imposto de Renda (IR) elevem a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma ala do governo intensifica as recomendações para que ele tenha cautela na abordagem do caso Master. “A Lava-Jato começou assim”, alerta um aliado próximo, “e a postura dele está muito parecida com a de Dilma”.

O cálculo é simples. Há poucos dias, pela primeira vez milhões de trabalhadores receberam seus contracheques de janeiro sem deduções do Imposto de Renda. Um aliado de Lula lista: também serão beneficiados funcionários públicos de todo o país, professores e aposentados.

Mello vê alinhamento entre fiscal e monetário. Por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Nos bastidores do Ministério da Fazenda, cotado para diretoria do BC é apontado como aquele que ajuda a colocar a bola no chão nos momentos de maior pressão

“Aguenta firme o tranco aí. A turma está batendo duro.” Essa foi a recomendação que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez ao seu recém-escolhido secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, no discurso de posse em janeiro de 2023. O contexto hoje é diferente, mas a frase ainda parece válida.

Desde que se soube que Haddad havia sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de Mello para a diretoria do Banco Central, integrantes do mercado têm levantado ressalvas. Ele é doutor em economia pela Unicamp, apontada por críticos como berço da heterodoxia econômica no país. Assessorou Haddad na candidatura à Presidência em 2018 e atuou como porta-voz econômico do PT na campanha de 2022. Um perfil assim dificilmente agradaria à Faria Lima. Vem à tona o receio de uma maior interferência político-ideológica no Comitê de Política Monetária (Copom).

Bolsonaro de novo no banco dos réus. Por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Pela 2.ª vez, o STM vai julgar o capitão, mas agora a tendência é por sua expulsão do Exército

A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo do ex-presidente. Ao escolher o filho Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que dizem, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.

O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o exministro Braga Netto sejam expulsos do Exército. Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu o então capitão, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários.

Vendendo a América. Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Comportamento dos mercados em janeiro mostra que o risco de investir nos EUA preocupa investidores

O desempenho dos mercados globais em janeiro, com uma notável divergência entre os Estados Unidos e o restante do mundo, deixou bastante claro o impacto do chamado “sell America trade”: movimento na alocação das carteiras em que os investidores trocam o dólar e outros ativos americanos (títulos do Tesouro e ações) pelas moedas e Bolsas de valores de vários países, em especial os emergentes.

Está difícil de furar a frente ampla da cara-de-pau no caso Master. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apesar do excesso de indícios e evidências, lideranças do Congresso querem abafar CPI

Política politiqueira e agora todos os Poderes aprimoram sistema de acordão, a velha pizza

Vaza sujeira de cada cano furado dessa rede de finança, empresa e política do caso Master. Puxa-se uma pena, vem não uma galinha, mas um avestruz enlameado. Quase diariamente. Quase semanalmente, há tentativa de abafar o caso.

As lideranças do Congresso começam o ano com a firme intenção de engavetar CPIs, com apoio discreto de partes de Supremo e governo. No caso da política politiqueira, os motivos óbvios são a pressão da bancada do Master e o temor de que apareça mais um contratado de Daniel Vorcaro entre governistas.

Além disso, há uma atitude de prudência geral, por assim dizer, de modo cínico. Isto é, tentativa de não fazer marola enquanto se negociam acertos no Congresso e as complicadas coalizões nacionais e regionais para a eleição. Estão indefinidas as candidaturas presidenciais; é incerto como muito partido vai lidar com elas. Vide o caso do PSD, que ameaça ter candidato e, ao mesmo tempo, sugere que vai liberar políticos estaduais para apoiar quem quiserem.

Indefensável. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Comportamento de ministros do STF erode imagem da corte

Construir credibilidade é bem mais difícil do que destruí-la

discurso de abertura do ano judiciário do presidente do STF, ministro Edson Fachin, foi melhor do que a nota do último dia 22 em que ele tentara limpar a barra do ministro Dias Toffoli. Se, naquela ocasião, o chefe do Poder Judiciário defendeu explicitamente a exuberante atuação do relator do caso Master, desta feita ele afirmou que cada ministro deve responder pelas escolhas que faz. Mais, anunciou ter incumbido a ministra Cármen Lúcia de elaborar um código de conduta para a corte.

Erosão de imagem do STF é obra dos três Poderes. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Executivo e Legislativo contribuem bastante para a queda da credibilidade do Supremo junto ao público

Lula, Alcolumbre e Motta não entenderam a chamada geral de Fachin ao aperfeiçoamento das instituições

Não há dúvida sobre a necessidade de o Supremo Tribunal Federal promover um ajuste na conduta de magistrados que ferem a reputação da corte. Mas também é verdade que seus companheiros no pódio dos Poderes contribuem para a erosão de imagem do tribunal.

O presidente Edson Fachin não deixou margem para adiamentos na reabertura dos trabalhos do Judiciário ao reiterar compromisso com a adoção de um código de ética e entregar a relatoria à ministra Cármen Lúcia, uma inequívoca parceira no propósito.

Governo Lula soltou a mão de Galípolo. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

O recado parece claro: mostrar ao mundo político que o Palácio do Planalto está distante da investigação contra o Master

As apurações das fraudes no Master pelo Banco Central certamente incomodaram muita gente

O Congresso voltou de férias e o governo Lula já fez dois movimentos para mostrar distanciamento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em meio ao avanço das investigações do esquema de fraudes do Banco Master, que já apontam indícios de envolvimento de políticos e altas autoridades.

Essas duas ações foram o apoio à indicação do secretário da Fazenda Guilherme Mello, um emissário do governo, para um vaga diretoria do BC e o respaldo ao requerimento para que Galípolo compareça à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado a fim de falar sobre a atuação do órgão na fiscalização do Master.

O dogmatismo continua sendo uma tendência na era atual da humanidade. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Contra os dogmas antigos, coragem; contra os novos, silêncio

O novo moralismo pune quem ousa rediscutir os consensos

Neste país, você não pode dizer impunemente que resultantes da mistura de negros, brancos ou indígenas não são uma subcategoria de negros. Uma jovem mestranda achou que podia transformar isso em agenda de pesquisa em uma universidade pública. Mostraram-lhe a porta da rua, depois de tentativas forçadas de reeducação ideológica. A certo ponto, a estudante já não era tratada como alguém que discutia posições hegemônicas, fazia novas perguntas e queria reexaminar pressupostos, mas como tola, inimiga ou imoral.

Como isso é possível? E, sobretudo, como isso é possível em uma universidade?

Extrema direita e grande imprensa fazem trégua para mentir sobre “rombo fiscal”. Por Miguel do Rosário

O Cafezinho

Com o governo sem muitos flancos vulneráveis na economia, é previsível que a oposição reacionária bata na tecla do “rombo fiscal”. Trata-se de um tema em que ela encontra convergência com a grande mídia, o que para ela é politicamente muito oportuno. A mesma direita que hoje se encontra sob controle de suas franjas extremistas […]

Com o governo sem muitos flancos vulneráveis na economia, é previsível que a oposição reacionária bata na tecla do “rombo fiscal”.

Trata-se de um tema em que ela encontra convergência com a grande mídia, o que para ela é politicamente muito oportuno. A mesma direita que hoje se encontra sob controle de suas franjas extremistas — para as quais a mídia é “inimiga” sempre que não se curva a delírios conspiratórios — tem dificuldade de construir pautas comuns com a imprensa liberal.

Poesia | Joaquim Cardozo - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Caetano Veloso, Gilberto Gil, Ivete Sangalo - Você é linda

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula também semeia dívidas estaduais e municipais

Por Folha de S. Paulo

Desde 2023, governos são autorizados a tomar R$ 206,6 bi em financiamentos, estimulando alta de gastos

Sabe-se o que acontece quando a capacidade de pagamento se esgota: governadores e prefeitos tentarão arrancar mais um socorro da União

Por força de um longo histórico de irresponsabilidade fiscal, as finanças de estados e municípios brasileiros são tuteladas pela União. A tomada de financiamentos por parte de governos regionais, no exemplo mais importante, depende de limites, autorizações ou avais de instâncias como Conselho Monetário Nacional, Senado Federal e Tesouro Nacional.

Quando o governo em Brasília é propenso ao aumento do gasto público, os controles sobre operações de crédito pleiteadas por governadores e prefeitos também são afrouxados, e o expansionismo orçamentário se espalha pela Federação. É o que ocorre neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Momento de autocorreção. Por Merval Pereira

O Globo

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, abriu o ano judiciário com um discurso sereno e firme, sem jactâncias nem dramaticidade

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, abriu o ano judiciário com um discurso sereno e firme, sem jactâncias nem dramaticidade, mas reafirmando posições e necessidades exigidas, segundo ele, por “momentos de adversidade”:

— Fidelidade absoluta à Constituição da República e respeito à liberdade de expressão e de imprensa, que não são concessões, uma vez que estruturam o debate público e oxigenam a democracia. A crítica republicana não é mesmo ameaça à democracia.

Defesa nacional, tema para a eleição. Por Fernando Gabeira

O Globo

No mundo marcado pela lei do mais forte, não seria melhor ter Forças Armadas mais poderosas?

É um privilégio voltar à estrada e percorrer o país. Aqui em Igarapé-Miri, no interior do Pará, capital do açaí, encontramos a cidade em festa. Intensa queima de fogos e uma motociata com mais de duzentos participantes comemoravam o êxito dos estudantes locais no Enem. Agora, vão todos para as faculdades em Belém. É uma pausa nas atribulações de um mundo confuso, marcado por agressividade interna e externa da política de Trump, escândalos como os do banco Master e assassinato do cão Orelha numa praia de Santa Catarina.

Consultando as redes, ouvi um discurso de Lula que me interessou. Ele fala do grande poderio militar dos Estados Unidos e lembrava que, além de tudo, Trump anunciou armas secretas de grande potencial destrutivo. Aqui, disse ele, temos o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, e às vezes até falta bala para seus exercícios.

O Brasil e o seu encontro marcado. Por Míriam Leitão

O Globo

As instituições precisam se aperfeiçoar para assim tornar mais robusta a democracia. O Código anunciado pelo ministro Edson Fachin é um bom passo

O ministro Edson Fachin disse que o Brasil tem um encontro marcado com a melhoria institucional. Ele falou primeiro do próprio Supremo e da necessidade de autocorreção. É prioridade da sua gestão, o Código de Ética. A relatora será a ministra Cármen Lúcia. Mas o presidente do STF propôs algo mais amplo e listou as frentes de aperfeiçoamento. Quando o ano realmente começa e Congresso e o Judiciário retomam seus trabalhos, é hora de pensar que “ainda temos muito a fazer”, disse Fachin.

“Temos um sistema representativo que precisa recuperar sua capacidade de processar as demandas da sociedade. Temos instituições de controle que precisam funcionar melhor. Temos uma cultura política que ainda não consolidou plenamente os valores republicanos. E temos, sobretudo, uma dívida histórica com os excluídos”, disse o ministro em seu discurso.

O levante das IAs que assusta o mundo. Por Pedro Doria

O Globo

Esses robôs são uma loucura. Um desastre está por acontecer — autônomos, tomando decisões sem supervisão

Tem uma rede social nova na praça, já é a que mais cresce no mundo. Mas, prezado leitor, você não será bem-vindo por lá. Pertence à espécie errada e, nessa rede, a espécie humana pode ler, mas não participar. No Moltbook, só entram inteligências artificiais (IAs). Porque, ao longo da semana passada, enquanto estávamos dormindo, a internet foi tomada por inteligências artificiais autônomas. Na segunda, passava pouco de 150 mil a população de agentes de IA. Na sexta, encostavam em 800 mil. Agora, é bem possível que a marca de 1,5 milhão, vagando pela internet, já tenha sido ultrapassada.

Banco Master: moral hazard ou risco sistêmico? Por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

Valor Econômico

Num mundo binário, agora vem a crítica ao FGC por estimular o risco moral, mas deixar o sistema sem proteção também não é a solução

Na história das finanças é comum a imagem de investidores inconformados com os resultados da própria cupidez. Desde a Tulipomania de 1634, passando pelas crises cada vez mais frequentes do século XVIII (como a Bolha dos Mares do Sul, em 1720), e chegando aos desastres financeiros do século XXI, o que mais impressiona o observador é a semelhança entre episódios tão diferentes.

Primeiro é a fantasia do enriquecimento rápido, sem causa, milagroso, fruto de alguma esperteza inata ou habilidade singular; segundo, a formação de um consenso sobre o ineditismo das circunstâncias que parecem justificar a valorização rápida dos papéis (sempre há uma “nova economia”); terceiro, o envolvimento dos bancos na especulação, fornecendo crédito abundante para alimentar a euforia; quarto, o avanço do endividamento dos investidores, disfarçado pelos valores cada vez mais inflados da riqueza financeira ou imobiliária; quinto, a “correção de preços”, decepção e quebradeira.

O dueto de Lula e Fachin na cobrança dos togados. Por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

A campanha de um pelo eleitor e, do outro, pela opinião pública aproximou os presidentes da República e do STF em discursos com mais morde que assopra

Não dá pra dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva roubou a cena, mas, no mínimo, dividiu o palco com o ministro Edson Fachin na abertura do ano judiciário.

Cada um cuidou de uma Corte. Ao presidente do Supremo Tribunal Federal coube dar como consumado o início dos trabalhos do código de conduta. Anunciou até a relatora, a ministra Cármen Lúcia, que vai começar a desempenhar suas funções numa reunião no dia 12 para a discussão de cronograma.

Acusado de passar pano para o ministro Dias Toffoli na nota que soltou em nome da Corte, Fachin, desta vez, não amaciou e falou por sua conta e risco.

Desgastar instituições é a forma mais cara de governar. Por Luiz Schymura

Valor Econômico

Estabilidade institucional do banco central dos EUA vem sendo colocada à prova

Em um contexto internacional de fragilidade fiscal persistente e inflação resistente, a credibilidade das instituições econômicas voltou a ter preço - e elevado, refletido em juros mais altos, inflação mais perseverante e deterioração da dinâmica da dívida pública. Após décadas em que a estabilidade monetária foi tratada como um problema superado nas economias avançadas, pressões políticas recentes reacendem um debate que parecia encerrado: os custos econômicos, financeiros e institucionais da interferência na condução da política monetária, mesmo em democracias consolidadas.

Troca de recados pauta abertura dos trabalhos no Supremo e no Congresso. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A abertura dos trabalhos de 2026 no Legislativo e no Judiciário foi um ensaio geral do conflito entre Poderes que antecederá a campanha eleitoral

O que não faltou foi troca de recados entre os chefes de Poderes, ontem, na abertura dos trabalhos do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de protocolares, os discursos do presidente STF, ministro Édson Fachin, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Supremo, e dos presidentes do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no plenário da Câmara, deram o tom do que vai acontecer nos próximos meses, que antecedem a campanha eleitoral. Politicamente, o destaque foi o anúncio de que a ministra Carmem Lúcia será a relatora do projeto de Código de Ética do Supremo, o que sinalizou a disposição de Fachin de enfrentar a resistência de seus pares a adoção de medidas para “autocontrolar” o Judiciário.

O problema dos juros no Brasil. Por José Luís Oreiro

Correio Braziliense

A posse de Galípolo como presidente do Banco Central havia produzido a expectativa de uma política monetária mais propensa a reduzir os juros com vistas a estimular o crescimento econômico via redução do custo do capital. Não se realizou

Na última reunião do Copom, a meta da taxa de juros Selic foi mantida em 15%, apesar do processo sustentado de queda da inflação acumulada em 12 meses; a qual passou de um pico de 5,53% em abril de 2025 para 4,26% em dezembro do mesmo ano. A meta da Taxa Selic que havia começado o ano de 2025 em 12,25% ao ano (a.a), foi sendo sucessivamente aumentada ao longo do primeiro semestre, com dois aumentos de 1 ponto percentual (p.p) entre o final de janeiro e o início de maio e um aumento de 0,75 p.p na reunião de maio. O efeito combinado da elevação da meta da Selic ao longo do primeiro semestre de 2025 e da queda da inflação acumulada em 12 meses a partir de maio resultou numa elevação brutal da taxa real de juros. Se em janeiro de 2025 a taxa Selic real se encontrava em 7,35% a.a, em dezembro ela havia aumentado para 10,29%.

Sem a presença do presidente Lula, Legislativo inicia trabalhos de 2026

Por Alícia Bernardes e Letícia Correa / Correio Braziliense

Chefe do Planalto mandou mensagem por meio do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ausência ocorrre em momento crucial da relação entre os Poderes

O Congresso Nacional reabriu, ontem, trabalhos legislativos para 2026. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), conduziu a sessão solene e, em discurso, ressaltou o papel institucional das Casas como um dos pilares da estabilidade política do país, defendendo o diálogo entre os Poderes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia, e foi representado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. O chefe do Planalto encaminhou aos parlamentares uma mensagem na qual fez um balanço das principais conquistas do ano passado e apresentou os desafios e prioridades do governo federal.

Fachin indica Cármen Lúcia relatar Código de Ética do Supremo

Por Francisco Artur de Lima e Iago Mac Cord / Correio Braziliense

Presidente do STF ressalta, na abertura do Ano Judiciário, a necessidade da adoção de um conjunto de regras, devido às críticas relacionadas ao Banco Master. E afirma que cada magistrado é responsável por suas ações individuais

Na abertura do Ano do Judiciário de 2026, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, anunciou, ontem, que levará adiante a adoção de um Código de Ética a ser adotado pela Corte. A fim de fechar o conteúdo do documento, indicou a ministra Cármen Lúcia para relatá-lo, que vai submetê-lo ao plenário. O conjunto de regras chega no momento em que o STF tem sido alvo de duras críticas por causa da atuação dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no caso do Banco Master.

Para Lula, Executivo e Judiciário se uniram para derrotar ação golpista

Gabriel Hirabahasi, Lavínia Kaucz, Gabriel de Sousa / O Estado de S. Paulo

Em ato considerado incomum, presidente da República discursa na sessão inaugural do Supremo e sai em defesa da Corte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que os avanços econômicos do governo foram possíveis porque o Executivo e o Judiciário se uniram para “derrotar” os envolvidos na tentativa de golpe após as eleições de 2022. Durante a abertura do Ano Judiciário, no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula afirmou que a condenação de acusados de tentativa de golpe foi necessária e deixou uma mensagem clara de punição a tentativas de ruptura democrática.

“Todos esses avanços só foram possíveis porque nos unimos e derrotamos aqueles que tentaram destruir a democracia. Porque temos instituições fortes, independentes e comprometidas com a manutenção do estado democrático de direito”, disse Lula.

Fachin às ‘criaturas sobre-humanas’. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Em dupla com Fachin, Cármen Lúcia cobra ‘rigor e intransigência com qualquer desvio ético’

Ao abrir o ano do Judiciário, o presidente do Supremo, Edson Fachin, pediu emprestado ao jurista italiano Piero Calamandrei (1989/1956) o seu recado mais duro e direto a ministros que consideram “a magistratura superior a qualquer crítica e qualquer suspeita, como se fossem criaturas sobre-humanas”.

Quem quiser que vista a carapuça. Fachin disse que chegou o momento de o STF abdicar do protagonismo em todas as áreas e pregou – atenção! – “autocorreção”, mas não citou nenhum colega togado, nem mesmo Dias Toffoli, o relator do escândalo Master, que está no meio do furacão, ou melhor, das “críticas e suspeitas”.

O incontrolável. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Tratemos da possibilidade de o caso Master ter vindo para ficar e condicionar o debate público, suas entranhas mostradas como capítulos de um folhetim, hipótese em que o fato novo e imprevisível se tornaria agente gerador de instabilidades no chão sobre o qual se desenrolará a disputa eleitoral.

Há motivos para considerar razoáveis as chances de o vulcão permanecer ativo, se, analisadas as informações, analisarmos também suas possíveis origens. A quem interessaria vazar que ministro do STF fumava charutos na casa de Vorcaro? A quem interessaria dar ciência a Brasília de que sabe gerir o tempo da distribuição das informações? A semana passada foi dedicada a lembrar que Lula recebeu o banqueiro fora da agenda, quando a pirâmide do banco já derretia, lembrado também que a história de construção desse castelo de cera passa pelos governos petistas na Bahia. Tudo verdade.

Flávio pode não ir ao segundo turno e implodir o bolsonarismo? Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Parte do eleitorado evangélico pode ser atraída para o candidato do PSD

Flávio Bolsonaro quer demonstrar que seu clã é ainda o principal rosto da direita

A aposta da candidatura de Flávio Bolsonaro é seguir os passos do PT em 2018: chegar ao segundo turno e demonstrar que o clã segue como o principal rosto da direita no país. Mas e se ele falhar já no primeiro turno?

Na semana passada, aumentaram as chances de a direita ter ao menos dois candidatos presidenciais neste ciclo. O PSD escolherá o nome para 2026 entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Jr., do Paraná.

Diante desse cenário, o que o grupo político de Flávio fez para capitalizar o sucesso da caminhada do deputado Nikolas Ferreira, que terminou com um evento público em Brasília? Aparentemente, nada —ao contrário.

Para que serve a 'terceira via'? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo  

Brasil tem muitos governadores muito bem avaliados e que têm conquistas a mostrar

O problema é que o perfil menos chamativo e mais eficaz, que busca moderação e diálogo, falha em capturar a atenção

O poder de Lula sobre a esquerda brasileira é maior do que o de Bolsonaro sobre a direita. É possível vislumbrar uma direita não bolsonarista; um sonho distante, é verdade, mas os nomes estão aí. Já na esquerda, o pós-Lula encontra apenas o silêncio total.

Dito isso, por mais nomes de direita ou centro-direita que apareçam, Flávio Bolsonaro parece seguro em seu trono. Até agora, segue firme a premissa de que o candidato que disputará o segundo turno contra Lula será aquele apoiado por Jair Bolsonaro. Jair escolheu seu filho Flávio. Será ele, portanto, que irá para o segundo turno. É o que as pesquisas têm mostrado.

A mágica de Kassab. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

PSD passou a concentrar pré-candidatos presidenciais do campo da direita e da centro-direita

Acredito que legenda até pode entrar na corrida, mas só se puder preservar sua elasticidade ideológica

PSD de Gilberto Kassab vai mesmo lançar candidato presidencial? Kassab é um operador político competente. Ele praticamente monopolizou o campo dos potenciais postulantes de direita e centro-direita. Estão sob as asas de sua agremiação Ratinho JúniorEduardo Leite e Ronaldo Caiado. Só Romeu Zema corre por fora pelo Novo.

Bolsonaro usa Lula como exemplo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ex-presidente repete o sucessor ao buscar se manter relevante no processo eleitoral mesmo de dentro da prisão

O presidente também imita o antecessor ao levantar a bandeira antissistema com sinal trocado

Quando Jair Bolsonaro (PL) pede à Justiça autorização para receber políticos de destaque em sua morada prisional está na clara intenção de se manter influente no processo eleitoral.

Nisso imita o oponente Luiz Inácio da Silva (PT), que em 2018 foi o artífice da candidatura do correligionário Fernando Haddad de dentro da prisão, assim como agora o ex-presidente impõe apoios à empreitada do filho Flávio. Há, contudo, diferenças nesse jogo da imitação. Lula manteve acesa até setembro daquele ano a falsa chama de que poderia se candidatar. Quanto a Bolsonaro, as circunstâncias o obrigaram a não insistir na mística da candidatura impossível.

Na novilíngua da extrema direita, matar é 'neutralizar'. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Questionada pelo STF, gratificação faroeste remete aos cartazes de 'vivo ou morto'

'Narcoterroristas' é a senha para quem espera uma intervenção de Trump no país

As romarias ao presídio de El Salvador —custeadas com dinheiro público, a última contagem estava em R$ 400 mil— são a principal diversão de deputados, senadores e governadores da extrema direita. Com encarcerados no segundo plano, o registro fotográfico é indispensável à lacração nas redes. Alguns deles aparecem de braços cruzados e camisetas justas no melhor estilo "mamãe, sou forte".

O trôpego pedestal da soberba humana. Por Paulo César Nascimento*

Algumas décadas atrás – talvez cinco ou mais – houve uma matança de uma colônia de gatos no Passeio Público do Rio de Janeiro, por um grupo de adolescentes, armados de pedaços de paus. À época a única pessoa que veio a público lamentar o episódio foi o jornalista e escritor Paulo Alberto de Barros, o Arthur da Távola, em sua coluna em um jornal do Rio de Janeiro. Ressaltou que os bichanos não mereciam isso porque “o gato é um bicho zen”. Mais ou menos uma década depois, o programa Fantástico mostrou uma reportagem acrítica sobre um homem no interior do Amazonas que costumava colocar armadilhas para prender uma das patas das onças, e daí eliminá-las a pauladas. Nenhum destes dois casos causou indignação, passando despercebidos pela sociedade brasileira.