terça-feira, 28 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Master mostrou fragilidades a corrigir no BC e na CVM

Por Folha de S. Paulo

Banco Central detectou indícios de corrupção, e Comissão mal aparelhada falhou no controle de fundos

É preciso endurecer regulação e promover ação conjunta das duas instituições; BC alocou 40 novos servidores na área de fiscalização

O escândalo do Banco Master revelou, de forma dramática, a obsolescência do arcabouço regulatório do sistema financeiro brasileiro.

Sob a guarda conjunta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, o conglomerado de Daniel Vorcaro montou um sofisticado esquema de pirâmide que se sustentou por anos, explorando brechas normativas, falhas de fiscalização e fragilidades institucionais.

Programa dos endividados, por Míriam Leitão

O Globo

Pacote do governo beneficiará quem tem renda de até cinco salários mínimos

Perto de R$ 100 bilhões são elegíveis para renegociação no novo programa de redução do endividamento das famílias. Será bom para os dois lados, porque os devedores vão resgatar, reduzir e renegociar as contas penduradas, mas os bancos e instituições financeiras de todo o tipo poderão liberar recursos que tiveram que pôr em provisão. Só estarão no pacote as três dívidas mais caras do mercado. O governo terá que fazer um aporte no Fundo de Garantia de Operações (FGO). Como será garantido pelo governo, os juros serão bem mais baixos.

O volume potencial do programa é de R$ 50 bilhões no rotativo do cartão de crédito, R$ 40 bilhões de crédito pessoal não consignado e R$ 6 bilhões de cheque especial. O grupo atendido terá renda de até cinco salários mínimos, com débitos entre 90 dias e dois anos de atraso. Vai ser possível usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e os bancos terão que dar descontos de 40% a 90% sobre os valores devidos. Os mais antigos recebem desconto maior. O que restar será renegociado com juros de 1,99% por quatro anos.

Choque Zema x Gilmar abre campanha, por Fernando Gabeira

O Globo

Se a Polícia Federal for acionada para defender o Supremo de ataques, corre o risco de ser soterrada pela demanda

São evidentes os sinais de que a campanha começou. Lula ironiza Trump porque sabe que o presidente americano será um bom cabo eleitoral para ele e um transtorno para o adversário. No capítulo das polêmicas, o debate Romeu Zema x Gilmar Mendes teve grande destaque. Zema é azarão, a julgar pelas pesquisas. Mas tem um marqueteiro audacioso, que fez animação criticando os ministros do STF. Gilmar saiu para o debate, dando entrevistas a jornalistas, sem escolher os mais camaradas. O resultado foi uma grande exposição do ministro e, provavelmente, um ligeiro avanço de Zema nas pesquisas.

PL da Dosimetria: o entulho autoritário e o canto da sereia, por Rafael dos Reis Aguiar e Lucas Louback*

Correio Braziliense

Quando o sistema político passa a suavizar as consequências de atos que atentaram contra a ordem constitucional, abre-se espaço para uma normalização perigosa com danos colaterais bastante sensíveis

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convocou para 30 de abril uma sessão conjunta do Congresso para analisar o veto integral do presidente Lula ao PL da Dosimetria. A controvérsia em torno da manutenção ou derrubada do veto à dosimetria dos crimes do 8 de Janeiro tem sido apresentada como um debate técnico, quase neutro. Mas essa leitura não se sustenta. O que está em disputa é o próprio sentido da resposta institucional a uma tentativa de ruptura democrática. 

Há um conceito útil para compreender o que está acontecendo: o de legalidade autoritária, desenvolvido por autoras como Katya Kozicki, Heloísa Câmara e Daniela Urtado. A ideia central é simples e incômoda: regimes autoritários, e suas continuidades, não operam apenas fora da lei, mas também por meio dela. O direito, nesse caso, deixa de ser limite ao poder e passa a ser instrumento de sua reorganização. A discussão sobre a dosimetria precisa ser lida nessa chave. 

Lula aposta nos endividados, Flávio no agro e Zema nos ataques a Moraes, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O ex-governador mineiro tenta romper sua condição de candidato periférico. Com 4% no primeiro turno, adotou o discurso antissistema mais radical

A semana começou em clima de campanha eleitoral e com pesquisas que confirmam a resiliência da polarização numa disputa sucessória que está aberta. O novo levantamento da Nexus/BTG Pactual, divulgado ontem, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico no segundo turno: 46% a 45% pontos percentuais de intenções de votos, respectivamente. No primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 36% de Flávio, mantendo uma distância estável, porém insuficiente para afastar o risco de derrota no segundo turno.

PT tem diagnóstico, mas falta estratégia, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Comparação entre governos não será vantajosa para Lula sem a disputa de valores

O 8º Congresso do PT mostrou a adoção do diagnóstico feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Barcelona. A esquerda ganha eleições com utopia e entrega austeridade. Torna-se alvo do voto antissistema capturado por uma extrema-direita que capitaliza o mal-estar das promessas não cumpridas.

O que falta - além de matizar a austeridade - é estratégia. O manifesto gastou 3.493 palavras e deixou “corrupção” de fora. Só citou “bets” uma vez para mencionar que foram alvo da reforma tributária deste mandato. Não são dois problemas. É um só, a indicar a falta de ambição na disputa de valores. Só há duas formas de se enriquecer da noite para o dia: roubo e jogo. E precisa de governo pra mostrar que ambas levam a um beco sem saída.

Guerra pode decidir eleição brasileira, por Christopher Garman*

Valor Econômico

O custo dos alimentos é central para a popularidade do presidente Lula

A eleição presidencial deste ano dá sinais de que será apertadíssima — e o fiel da balança pode vir do Oriente Médio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2026 com uma aprovação de 48%, mas viu esse percentual recuar para 44%. Sua vantagem sobre os candidatos de oposição se evaporou, e várias pesquisas agora mostram Flávio Bolsonaro à frente do presidente em simulações de segundo turno por um ponto percentual, dentro da margem de erro.

Especulando sobre o futuro extraordinário do Brasil, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Talvez Friedman esteja enxergando qualidades que não temos, mas em meio a embates internos ferozes, acuados por radicais da austeridade ou do negacionismo, também é possível que estejamos pouco atentos a qualidades que temos

Em meio a inúmeras más notícias diárias, que tal uma especulação otimista a respeito do futuro do Brasil? É difícil abordar esse assunto porque já virou até motivo de chacota. O escritor austríaco Stefan Zweig publicou um livro, em 1941, com o título “Brasil, país do futuro” e, ao longo do tempo, essa expressão passou ser usada ironicamente como se descrevesse um país cujo futuro previsto nunca chega.

A notícia boa, para quem quiser acreditar, é alguém dizendo que esse futuro pode chegar.

O Atlântico Sul como zona de paz e cooperação, por Rubens Barbosa*

O Estado de S. Paulo

Nos próximos três anos, o Brasil estará na presidência dessa importante organização do ponto de vista geopolítico

Nos dias 8 e 9 de abril, o Brasil foi sede da 9.ª Reunião Ministerial e assumiu pela terceira vez a Presidência Pro Tempore da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

A Zopacas foi criada – por iniciativa do Brasil, apoiado pela Argentina – pela Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o intuito de promover a cooperação regional e a manutenção da paz e da segurança no entorno dos 24 países sul-americanos e da costa ocidental da África que aderiram ao projeto. Estabelecida em 27 de outubro de 1986, este fórum se propôs a ser o principal mecanismo de articulação, no Atlântico Sul (área compreendida entre o paralelo 16.° N e a Antártida), buscando promover uma maior cooperação regional para o desenvolvimento econômico e social, a proteção do meio ambiente, a conservação dos recursos vivos e não vivos e a segurança de toda a região, sob a perspectiva da integração multilateral, permeada pelo pano de fundo das iniciativas relacionadas à não proliferação de armas nucleares e de destruição em massa.

Uma semana, duas derrotas de Lula? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula corre risco com Messias e PL da Dosimetria; seu aliado é o feriadão

O maior adversário da derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, feito sob encomenda para favorecer Jair Bolsonaro, não é político, eleitoral ou ideológico, é simplesmente o calendário: quórum no Congresso numa quinta-feira, véspera do feriado de Primeiro de Maio? A questão é explosiva e a tendência é contra Lula, a favor de Bolsonaro. Mas nesta semana?

O caso Master e o fator Zema, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Romeu Zema testa-desafia o projeto-fachada de moderação de Flávio Bolsonaro, ou lhe oferece-amplia as condições para que se venda como moderado? Seria jogo combinado, Zema avançando para que Flávio pudesse exibir reforçar a imagem de “Bolsonaro ponderado”? Esse Zema de texto radicalizado, que denuncia-enfrenta ministros do Supremo, forçará-obrigará “o Bolsonaro que não é louco” a se mexer e expor a própria natureza; ou, situando-se à direita do “Bolsonaro que come de garfo e faca”, empurraria-ajudaria Flávio a se mover para o centro?

A universidade só muda quando o custo de não mudar se torna insustentável, por João Pereira Coutinho*

Folha de S. Paulo

Universidade Yale fez diagnóstico sombrio sobre o estado da instituição.

Não é de admirar que 70% afirmem que a universidade está "no caminho errado".

Houve um tempo em que o mundo olhava com admiração para a universidade. Esse mundo está desaparecendo.

Um relatório recente da Universidade Yale faz um diagnóstico sombrio sobre o estado da instituição. As conclusões do estudo podem ser aplicadas, sem esforço, a outros países que enfrentam problemas semelhantes.

Basicamente, há uma queda de confiança dos americanos no ensino superior. Em 2014, 57% confiavam no sistema; em 2024, o número desceu para 36% —um mínimo histórico. Não é de admirar que 70% afirmem que a universidade está "no caminho errado".

Violência política é constante na história dos EUA, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Trump sobrevive a terceiro atentado em menos de dois anos

Fim precípuo da democracia é prevenir episódios de violência

Em menos de dois anos, Donald Trump já sobreviveu a três tentativas de assassinato. Nas duas mais recentes, a da Flórida em setembro de 2024 e a deste fim de semana em Washington, os serviços de segurança conseguiram impedir o perpetrador de disparar contra o republicano, mas, na da Pensilvânia em julho de 2024, foram as forças do acaso que salvaram Trump. A bala de fuzil passou raspando por sua cabeça.

Crise institucional no Rio complica Flávio Bolsonaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 inverte a realidade e culpa STF por crimes cometidos por bolsonaristas

Contra o governador interino, Alerj quer quadruplicar as despesas com emendas

A presença do desembargador Ricardo Couto no Palácio Guanabara, com ações para moralizar a máquina pública e impedir que ela continue a ser usada para fins eleitorais, é uma espinha na garganta do grupo bolsonarista que desde 2019 domina o Rio de Janeiro e um entrave inesperado para as pretensões presidenciais do filho 01.

Terras raras não são farelo de soja, Por Roberto Amaral*

A ciência política, na sociedade globalizada pelo capitalismo monopolista, nos fala de uma soberania nacional relativa, fragmentada. O conceito cobra a revisitação da ciência política, tal sua fragilidade e imprecisão no quadro da ordem internacional em crise, quando as forças que contam — e são as potências nucleares — ferem de morte o multilateralismo, abandonam as mesas de negociações e adotam o baraço e cutelo — a guerra tour court — como ponto de partida e ponto de chegada do diálogo de uma só voz. Como o diálogo do cordeiro com o lobo, consagrado por Jean de La Fontaine.

Poesia | Tecendo a Manhã, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | João Gilberto - Menino do Rio (Caetano Veloso) - França, 1989

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Terrabras e outras más ideias do PT para minerais críticos

Por Folha de S. Paulo

Bancada petista quer criar nova estatal, apenas o dispositivo mais caricato de um projeto intervencionista

Governos de fato atuam no setor, mas cumpre avaliar custos e benefícios; falta, ainda, mais investimento em pesquisa e pessoal qualificado

Parece piada, mas a bancada do PT na Câmara dos Deputados pretende criar uma nova estatal, de nome Terrabras —hoje já existem 44 empresas sob controle direto do Tesouro, fora mais de 70 subsidiárias.

Esse é apenas o dispositivo mais caricato de um projeto que prevê intervenção estatal ampla em exploração, produção e exportação de minerais críticos, entre eles, terras raras. Além da criação da estatal, o texto petista institui o sistema de partilha da produção entre setor público e empresas concessionárias, prevê conteúdo nacional para insumos e restringe a exportação.

Manifesto Eleitoral: PT tira reforma no sistema financeiro de texto que cita ‘autocorreção’ do judiciário e freio a emendas

Por Jeniffer Gularte / O Globo

Documento também faz acenos a partidos de centro e cita a necessidade de uma 'concertação social' em torno do candidato petista à Presidência da República

Em busca de apoio para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT aprovou no domingo, durante congresso em Brasília, um manifesto em que propõe uma série de reformas no país — incluindo a do Poder Judiciário, com “mecanismos de autocorreção”, e do sistema político, propondo mudanças no atual modelo de execução das emendas parlamentares, foco constante de desgastes entre Legislativo e Executivo. O documento também faz acenos a partidos de centro e cita a necessidade de uma “concertação social” em torno do candidato petista à Presidência da República.

Jornada menor, baixa produtividade: é nó da economia, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

É muito bom trabalhar menos. Mas continuaremos no baixo crescimento. Tirando o agro e sua intensa tecnologia

Começando pelo óbvio: a redução da jornada de trabalho, sem redução do salário, aumenta o custo da mão de obra. Quanto? Depende do perfil da empresa. Numa fábrica automatizada, o impacto será pequeno. Num hospital ou data center, o custo do trabalho terá peso significativo na rentabilidade. Em resumo, quanto mais empregados tiver uma empresa, maior será o aumento de custos com a redução da jornada.

Considerando as propostas em andamento no Congresso, parece que o resultado mais provável será o seguinte: jornada máxima de 40 horas semanais, com escala de cinco dias trabalhados por dois de descanso. Hoje, são 44 horas semanais (desde a Constituição de 1988), admitindo a escala 6x1.

Redistribuir horizonte, por Preto Zezé

O Globo

Parte do eleitorado já não fala do lugar clássico da exclusão, mas da sensação de bloqueio: melhorou sem consolidar

A queda recente da popularidade do presidente Lula costuma ser atribuída a problemas de comunicação, desgaste ou insatisfação econômica. Tudo isso pesa, mas talvez não explique o essencial. Há sinais de descompasso mais profundo entre a linguagem política forjada no ciclo da inclusão social e uma sociedade marcada por precarização, endividamento e novas aspirações.

Por décadas, o lulismo respondeu a uma demanda concreta de acesso — a consumo, universidade, crédito e direitos — e produziu mudanças reais. Mas parte do país passou a organizar suas expectativas em outro registro. Muitos que ascenderam não encontraram estabilidade: o diploma não garantiu inserção compatível, o trabalho se fragmentou, e a vida passou a ser administrada entre informalidade, aplicativos, múltiplas rendas e insegurança.

A ignorância da norma, por Demétrio Magnoli

O Globo

Notificação extrajudicial às plataformas de rede exigem a derrubada de postagens contrárias ao PL da Misoginia

A notificação extrajudicial de Jorge Messias às plataformas de rede exigindo a derrubada de postagens contrárias ao PL da Misoginia configura gesto oficioso de censura e tem todas as características de um ato ilegal. O texto reformulado, excluindo da censura postagens de jornalistas, envereda pela violação do princípio da igualdade perante a lei. Contudo, mesmo que se pudesse amparar a iniciativa num álibi jurídico qualquer, ainda configuraria grave cisão com a norma: segundo a regra, a Advocacia-Geral da União apela ao Judiciário, não recorre à coação.

As mentiras que os ministros do Supremo contam, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Falta de transparência na sua conduta e argumentos de retórica para preservar privilégios alimentam fama de “intocáveis”

Na entrevista que Gilmar Mendes concedeu ao Jornal da Globo, na quarta passada, o ministro foi perguntado sobre a necessidade de um código de ética para os membros do Supremo Tribunal Federal, a fim de recuperar a credibilidade do órgão. Na resposta, o decano da Corte afirmou que não seria necessário regular questões como a divulgação de seus compromissos e as participações em palestras e eventos, porque isso já ocorre na prática. Sem dar detalhes, tratou de fugir da pergunta, passando a destacar a crise de confiança da imprensa, que na sua visão seria pior do que a do STF.

Por que o STF ‘dobra a aposta’? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Em um sistema fragmentado, ameaças à Corte fazem barulho, mas não viram ação

O STF tem sido alvo recorrente de críticas. Parlamentares defendem o indiciamento de ministros. Políticos de oposição acusam a Corte de ser “intocável”. O tom do debate público subiu — e a pressão política, ao menos no discurso, parece crescente.

Mas o comportamento recente do STF aponta em outra direção. Em vez de recuar, a Corte avança. Diante das críticas, ministros não apenas reafirmam suas posições, como ampliam o escopo de suas decisões — como evidenciado pela solicitação de inclusão de novos atores políticos no inquérito das fake news e pela continuidade de investigações sensíveis.

Manifesto do PT omite casos Master e INSS; partido quer atrair centro

Gabriel Hirabahasi, Danielle Brant Alvaro Gribel / O Estado de S. Paulo

Congresso Nacional da legenda de Lula abandona defesa de reforma do sistema financeiro e inclui proposta de reformas agrária e da comunicação, em aceno à esquerda

Versão final, desidratada a pedido do Planalto, exclui citações diretas a Bolsonaro e recua em defesa de reforma do sistema financeiro.

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou ontem seu manifesto com diretrizes do partido para este ano. A versão final do texto foi desidratada a pedido do Palácio do Planalto, como revelou o Estadão, excluindo mais de dez citações diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e também retirando um parágrafo que fazia a defesa da reforma do sistema financeiro e mencionava o caso do Banco Master.

"Lula vai concorrer com Bolsonarinho", diz Haddad

Por Vanilson Oliveira / Correio Braziliense

Ministro afirma que país foi "reconstruído grão a grão" e diz que eleições serão decisivas para o futuro

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad afirmou neste domingo (26/4) que o Brasil vive um processo de reconstrução baseado na retomada de políticas públicas e na mobilização coletiva. Em discurso no 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, ele criticou os retrocessos do governo anterior e disse que “Lula vai concorrer com o Bolsonarinho, o filho de Jair Bolsonaro. Uma família que só entregou caos”.

O ex-ministro criticou adversários, afirmando que “não podemos, de maneira nenhuma, considerar a hipótese de retrocesso”. Para Haddad, o momento exige avançar além da reconstrução e apresentar novas propostas. “Nós não podemos ficar só na reconquista. Temos que oferecer ao povo brasileiro um programa que vá além”.

Lula reforça agendas em SP e disputa ‘paternidade’ de projetos com Tarcísio

Por Cristiane Agostine e Marcello Corrêa / Valor Econômico

Presidente intensifica eventos no Estado após lançamento da pré-candidatura de Haddad

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou neste ano sua presença em São Paulo e dobrou a participação em eventos no Estado após lançar a pré-candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) ao governo paulista, há pouco mais de um mês. Lula tenta reforçar bandeiras do governo federal no Estado e disputa a “paternidade” de obras com o governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As campanhas de Lula e Haddad serão “casadas”, segundo o PT, e o desempenho eleitoral do presidente em São Paulo será fundamental para sua tentativa de reeleição. O presidente busca construir um palanque forte em São Paulo e tenta atrair apoio para Haddad, sobretudo no interior, que resiste à centro-esquerda.

Lula faria na segunda-feira (27) sua sétima viagem oficial ao Estado neste ano, para visitar duas cidades do interior, Presidente Prudente e Andradina. Por recomendação médica, depois de tratar um câncer de pele no couro cabeludo, na sexta-feira (24), a viagem foi cancelada e o presidente será representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O presidente, no entanto, insistiu para participar dos eventos nas duas cidades e deve falar remotamente, segundo a Presidência.

PT aprova manifesto ameno e que não toca em ‘feridas’

Por /Andrea Jubé, Sofia Aguiar e Érica Ribeiro / Valor Econômico

Sem a presença de Lula, documento não trata de segurança pública ou atuação nas redes sociais nem do descontentamento da população

Num momento em que mais da metade dos brasileiros desaprova a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou o seu 8º congresso nacional com a aprovação de um manifesto em tom ameno, sem menção ao descontentamento da população. Enquanto Lula cobrou do partido promessas factíveis para o futuro e a defesa de seu governo, a abordagem crítica coube aos discursos finais do presidente da sigla, Edinho Silva, e do ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.

Lideranças petistas ouvidas pelo Valor lamentaram que o documento não tocou em “feridas” do partido, como as dificuldades ainda não superadas com o debate sobre segurança pública e a atuação nas redes sociais, áreas de domínio da direita, bem como o diálogo com o segmento evangélico.

Discurso de Alckmin no Congresso do PT

 

PT aprova manifesto para 2026 com foco em reeleição do presidente

Por Felipe Matoso, Guilherme Balza, Mariana Laboisiere, g1 e GloboNews

Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.

O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste domingo (26), durante Congresso Nacional do partido, um manifesto com foco nas eleições de outubro, além de futuras diretrizes partidárias.

Em sua oitava edição, o evento, que ocorre em Brasília desde a última sexta-feira (24) e termina neste domingo (26), reuniu representantes escolhidos pela legenda, que analisaram e debateram o documento.

O texto aprovado, intitulado "Construindo o futuro", estabelece a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026 como o eixo central da tática política do PT para o próximo período.

Lula, contudo, não estava presente. Ele ainda se recuperava de dois procedimentos médicos realizados em São Paulo e tem previsão de voltar para Brasília ainda neste domingo.

Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país

Leia na íntegra o Manifesto aprovado no 8º Congresso Nacional do PT

Vivemos uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das instituições democráticas.

O que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.

A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.

PT suaviza propostas em manifesto para tentar atrair apoio do centro à reeleição de Lula, por Caio Spechoto

Folha de S. Paulo

Texto poupa Banco Central e diminui tom sobre Judiciário em comparação com outras peças da sigla

Documento foi aprovado em congresso do partido, que buscou evitar polêmicas para preservar presidente

O PT aprovou três documentos em seu congresso partidário, em votações concluídas neste domingo (26), incluindo um manifesto que reduz o tom de crítica ao Judiciário e que faz acenos ao centro político para atrair apoio à reeleição de Lula.

Além do sistema de Justiça, as manifestações tocam em temas como a política econômica. O partido também prega, nesses documentos, mais verba para assistência social, aumento dos tributos para bets e tarifa zero no transporte público.

O primeiro dos documentos contém as linhas gerais da tática eleitoral do partido. O segundo traz sugestões de diretrizes para o programa de governo que o presidente Lula apresentará em sua campanha de reeleição. O terceiro, tido como o mais importante pela cúpula da legenda, é um manifesto. O texto suaviza algumas propostas contidas nas demais manifestações.

Gilmar e a derrota autoinfligida, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Quanto mais o ministro intervém, maior o dano reputacional à corte

A escala do impacto reputacional é consistente com a natureza dos malfeitos

Entrevistas recentes do ministro Gilmar Mendes têm causado perplexidade pelo tom defensivo e pelos ataques desferidos. Em vários momentos, não fica claro se suas falas constituem narrativas retóricas em reação à onda de críticas ao Supremo, avaliações efetivas dos fatos ou simplesmente atos falhos.

Dentre estes últimos, sua afirmação que o Supremo é parlamentarista deixa entrever uma visão da corte como governo ou estado dentro do estado, no qual ele próprio seria uma espécie de primeiro ministro que já teria iniciado démarches com chefes do poder executivo e das casas do legislativo para um "pacto republicano".

'Voto não tem preço, tem consequência', por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Em ano eleitoral, é fundamental combater o aliciamento e a compra de votos

É imperioso proteger a verdade, a integridade do debate público e a legitimidade do processo eleitoral

Não é segredo que a igreja católica foi conivente e se beneficiou da escravização negra. Embora tenha havido vozes que se manifestaram contra o tratamento desumano dado aos africanos escravizados (a exemplo do Papa Pio II, que em 1462 instruiu os bispos a condenarem o tráfico como um "crime terrível"), foi só no século 19 que os católicos se posicionaram de maneira enfática em defesa dos direitos humanos.

Poesia | Minha Terra, de Ascenso Ferreira por Chico Anysio

 

Música | João Gilberto - Samba da minha terra (Dorival Caymmi) - Alemanha, 1967

 

domingo, 26 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crescem riscos do controle de preços dos combustíveis

Por Folha de S. Paulo

Governo Lula quer usar receita adicional com alta do petróleo para compensar desoneração dos derivados

Alguma mitigação do choque gerado pela guerra no Irã faz sentido, mas subsídios custosos não podem se prolongar indefinidamente

Há preocupações eleitorais, sobretudo, na proposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reduzir tributos sobre a gasolina e o etanol com recursos oriundos da arrecadação adicional a ser obtida pela União com as cotações mais altas do petróleo.

Desde o início da guerra no Irã, os preços internacionais dispararam —o barril Brent saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, com picos próximos a US$ 110. Até agora, porém, a alta dos preços da gasolina se limitou a 7,5% aqui, enquanto nos Estados Unidos já se aproxima de 50%.

A dupla asfixia de Cuba, por Luiz Sérgio Henriques

O Estado de S. Paulo

O caso cubano é daqueles que exigem capacidade de lidar com verdades antagônicas e até inconciliáveis

Cuba parece estar em suspensão, à espera de acontecimentos que remodelarão sua fisionomia em futuro mais ou menos próximo. Vive uma drôle de guerre, dir-se-ia, assemelhada à que acometeu os franceses em 1940, antes da guerra propriamente dita.

Bem verdade que as diferenças também são cruciais. Agora, prevalecendo minimamente a lógica, não se espera invasão por terra ou chuva de bombas aéreas. Em compensação, os sofrimentos humanos já são reais e não podem ser dissimulados, como se a vida pudesse seguir com a aparência de sempre. A crueldade de Donald Trump não só afeta a economia da ilha, mas irrompe na emergência dos hospitais, nos cortes de água, na escassez de alimentos e remédios.

EUA lutam sem vitórias, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

A guerra no Irã contribuiu para reduzir a vantagem comparativa dos EUA perante a China no campo da defesa, num cenário de esfacelamento das alianças americanas, e ampliar o alcance do sistema financeiro chinês.

Dados do Departamento de Defesa e do Congresso americano revelam que a guerra custa quase US$ 1 bilhão por dia. Os EUA consumiram cerca de 1,1 mil mísseis de cruzeiro furtivos de longo alcance – metade do estoque –, projetados para uma guerra contra a China.

As forças armadas dispararam mais de mil mísseis de cruzeiro Tomahawk, e compram apenas 100 por ano. Entre 1,5 mil e 2 mil mísseis críticos para a defesa antiaérea, como Thaad, Patriot e Atacms, foram usados. A reposição dessa munição pode levar seis anos.

Crise global dá recado de prudência a Lula, por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Com ou sem crise internacional, as falhas da política interna são suficientes para manter desarranjada e insegura a economia do Brasil

As aventuras guerreiras de Donald Trump e de seu companheiro Benjamin Netanyahu foram insuficientes, até agora, para causar perdas – ou perdas visíveis – às exportações brasileiras. Com superávit de US$ 7,54 bilhões nas três primeiras semanas de abril e de US$ 21,72 bilhões desde o começo do ano, o comércio exterior do Brasil parece ter sido pouco afetado, por enquanto, pelo conflito no Oriente Médio e pela navegação restrita no Estreito de Ormuz. Desde janeiro, o País exportou US$ 103,58 bilhões, 7,6% mais que um ano antes. Para 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior projeta vendas externas de US$ 364,20 bilhões e superávit de US$ 72,1 bilhões.