quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Senado precisa cobrar de Messias apoio à reforma do STF

Por Folha de S. Paulo

Parlamentares devem questionar o indicado sobre código de ética de Fachin e o fim dos inquéritos abusivos

Corte passa por crise mais grave desde a redemocratização; em busca de fidelidade, Lula aviltou o processo de escolha dos membros do STF

No arranjo institucional brasileiro, cabe ao Senado o papel de anteparo às escolhas do presidente da República para os cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal, por meio de sabatina e votação dos indicados. Assim se deve evitar que chefes do Executivo detenham o pleno poder, que convida a erros e abusos, na nomeação da cúpula do Judiciário.

Infelizmente, essa tarefa tem sido negligenciada na história republicana. Desde o início do século 20, os senadores trataram invariavelmente o rito como mera formalidade, e todos os indicados foram aprovados. Só houve cinco rejeições, todas no longínquo 1894, durante embate com o governo Floriano Peixoto.

Sabatina é de Messias, mas em jogo está a força de Lula, por Fernando Exman

Valor Econômico

Nesta semana, presidente e sua gestão enfrentam um importante “teste de estresse”

Na engenharia ou na economia, “teste de estresse” é o procedimento extremo realizado para avaliar a resiliência de determinado objeto, empreendimento, sistema ou portfólio. Simulação rigorosa, capaz de identificar possíveis pontos de ruptura ou falhas. Mas o conceito também pode ser usado na política. Nesta semana, Luiz Inácio Lula da Silva e a Presidência da República enfrentam um importante “teste de estresse”.

Traições preocupam tanto o governo quanto a oposição, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Votação secreta e comportamento de Alcolumbre alimentam insegurança do placar

A ordem do dia no Senado, às vésperas da sabatina do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, começou com queixas, da tribuna às conversas ao pé do ouvido, de arbitrariedades no Supremo Tribunal Federal. Minutos antes da abertura da sessão da tarde desta terça, o plenário do Senado registrava 56 senadores. Ainda que houvesse outros oito na Casa, que ainda não haviam registrado presença, outros dez ainda precisavam desembarcar em Brasília até esta quarta para que a sessão que vai deliberar a indicação de Messias para o STF fosse aberta com o quórum de 78 votos que garantiriam uma margem de segurança para a votação.

Agenda evangélica pauta Lula na indicação de mulher à Defensoria Pública, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A DPU virou moeda de troca e palco de disputas ideológicas. Cristãos conservadores contra a esquerda defensora dos indígenas e quilombolas, a favor do aborto e do casamento gay

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indicar a defensora pública Tarcijany Linhares Aguiar Machado, segunda colocada na lista tríplice da categoria, para a chefia da Defensoria Pública da União (DPU), em detrimento do mais votado, Leonardo Magalhães, ganhou contornos de disputa político-ideológico com viés religioso e de gênero. Tarcijany é evangélica e sua indicação entrou no pacote das articulações com senadores para aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Hoje, Messias será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a partir das 9h, depois de longa espera. A incógnita é o posicionamento dos aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem se encontrou discretamente na semana passada, “por acaso”, na casa de um ministro do Supremo que supostamente não os avisou que ambos estariam juntos. Messias pediu apoio formal, mas Alcolumbre desconversou e disse que a aprovação seguirá o rito protocolar.

Quem quer dinheiro? por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

Perguntava um fulgurante Silvio Santos, para ouvir do auditório um sonoro “EU” de maravilhada expectativa, porque o apresentador jogava notas de dinheiro em forma de aviãozinho para a plateia. O programa virava um espaço encantado pelo milagre de ver alguém distribuindo o que deveria ser entesourado, e o público testemunhava um rico capaz de transformar sovinice em generosidade.

Lula abre o cofre para emplacar Messias, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez o que pôde, até hoje, para impedir a aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto é assim que, embora a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado seja hoje, ninguém arrisca o placar da votação.

O Palácio do Planalto avalia que a indicação de Messias será aprovada, mas, pelo sim, pelo não, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou abrir o cofre. Diante de um cenário em que Alcolumbre mede forças com Lula, o governo acelerou a liberação de emendas parlamentares e as negociações de cargos nas duas últimas semanas.

A briga pelas expectativas, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A desancoragem das expectativas de inflação é ameaça que paira sobre a decisão do Copom

Paira uma ameaça iminente sobre a decisão do Copom de hoje: a desancoragem das expectativas de inflação. A esmagadora maioria dos analistas aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, para 14,50%, mas o que está em jogo é o que o Banco Central irá sinalizar no comunicado sobre os próximos passos da política monetária. O tom da mensagem será decisivo para interromper ou não a piora recente nas projeções de inflação para 2026 e 2027.

Para Lula, é ‘vencer ou vencer’ com Messias, por Vera Magalhães

O Globo

Aprovação no Senado passará à opinião pública a imagem de um governo que ainda mantém controle de sua articulação política

Lula enfrenta nesta quarta-feira um dos testes mais importantes de seu terceiro mandato. Uma derrota no Senado na votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) o fragilizaria de maneira até aqui inédita perante o Congresso e um eleitorado já bastante ressabiado. Para o petista, hoje é vencer ou vencer.

As contas pré-sabatina e votação no plenário mostram que será “com emoção”, mas a maioria dos prognósticos aponta uma vitória por pequena margem do ex-advogado-geral da União, cuja indicação foi feita no ano passado, segurada, confirmada neste ano e contrariou frontalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A votação acontece num momento de extrema tensão entre STF e Senado, com ecos na pré-campanha eleitoral e endosso de parcela crescente da sociedade, medida por pesquisas. Messias dificilmente escapará de uma inquirição dura, que refletirá esse cenário. Seu desafio será responder de forma a não se queimar com os dez ministros da Corte nem contrariar seus “eleitores” em potencial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário — lembrando que as duas rodadas de votação são secretas, para aumentar o suspense.

O dia D de Messias, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Indicado ao Supremo pode pagar por fatores alheios à sua biografia, como apetite de Alcolumbre e proximidade da eleição

Depois de cinco meses de espera, Jorge Messias enfrenta hoje seu dia D no Senado. O indicado de Lula ao Supremo foi avisado de que a sabatina será dura. Aliados projetam um placar apertado, com poucos votos a mais que os 41 necessários para aprová-lo.

Ontem à noite, governistas ainda admitiam o risco de uma zebra na votação secreta. Seria uma derrota histórica para o Planalto. Desde 1894, na República da Espada, o Senado não barra uma nomeação para a Suprema Corte.

Servidor de carreira, Messias ascendeu como quadro do petismo. Foi secretário de Assuntos Jurídicos de Dilma, quando ganhou fama involuntária ao ser chamado de “Bessias” num grampo da Lava-Jato. No governo Bolsonaro, refugiou-se no Senado como assessor de Jaques Wagner.

O Times Square de São Paulo, por Elio Gaspari

O Globo

Revitalização é uma coisa, macaquice é outra

De uma hora para outra, São Paulo foi levada a crer que a esquina das avenidas Ipiranga e São João pode virar uma Times Square, aquele magnífico pedaço de Manhattan. Tomara, mas a iniciativa está com forte cheiro de macaquice, supondo que foram os luminosos que revitalizaram a região.

Até o fim do século passado, o entorno da esquina da Broadway com a Rua 42 passou por uma inédita decadência, tomado por cinemas pornô, drogas, prostituição e batedores de carteira. O cartão-postal da cidade parecia irremediavelmente perdido. Comparada à Times Square de então, a esquina de Ipiranga com São João era um brinco.

Então surgiu o prefeito Edward Koch. Vitriólico e incansável, ele criou um escritório para revitalizar a região. Pensou-se nos grandes letreiros, mas esse foi apenas um asterisco. O Estado de Nova York assumiu casas de espetáculos, a prefeitura deu incentivos e, acima de tudo, o coração do pedaço foi presenteado aos pedestres.

A quem interessa o enfraquecimento do Supremo? Georges Abboud*

Folha de S. Paulo

Cada vez que ecoa uma crítica vazia à corte, a Folha se posiciona ao lado dos segmentos mais nefastos da sociedade

Boa parte das críticas ao STF é ressentimento e lobbies político-econômicos poderosos

Qualquer leitor que se informe pela mídia neste ano de 2026 terá uma certeza: o problema do Brasil é o Supremo Tribunal Federal (STF). O culpado único pela existência do crime organizado, pelo escândalo do banco Master e pela crise miliciana do Rio de Janeiro.

A despeito de termos um presidencialismo desconfigurado; um Congresso Nacional que movimenta sem controle dezenas de bilhões em emendas impositivas; redes sociais disseminando fake news e misoginia sem regulação; do endividamento de praticamente todos os estados da Federação e das famílias brasileiras; do aumento do crime organizado e das milícias —nada disso interessa: só importa criticar o STF.

Queria crer que esta Folha não entrou nessa empreitada, embora três editoriais recentes tenham me deixado perplexo.

Desejo de país melhor é antídoto contra medo, por Rui Tavares*

Folha de S. Paulo

Anseio por sociedade mais feliz motiva mobilização, luta por mudança e memória coletiva

Eleitores votam em quem é mais vocal contra 'wokismo' e politicamente correto, mesmo sem acreditar em soluções

A ciência política tem uma tese clássica sobre as oscilações da opinião pública: a do termóstato, cunhada assim por Christopher Wlezien em 1995. Se um governo põe a temperatura demasiado quente, o ciclo seguinte da opinião pública baixa a temperatura.

Na fase seguinte, acontece ao contrário, e a opinião pública age de novo, tendendo ao equilíbrio. É um modelo dos anos noventa, tempo de ingenuidade, e não chega para descrever o que estamos vivendo.

Uma outra proposta, de Pippa Norris e Ronald Inglehart, é a do ricochete cultural: cada ciclo não repõe a temperatura no equilíbrio, reage como corretivo em relação ao ciclo anterior. Nascendo da observação do choque de gerações dos anos 1960 e seguintes, está mais perto da nossa atualidade. Mas ainda não basta.

À espera de Messias, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Indicado por Lula para o STF será sabatinado por senadores, que desde o século 19 não rejeitam nenhum candidato

Ministros terem uma filiação espiritual não é problema, mas é ruim para o sistema deixar-se pautar pela lógica religiosa

Está marcada para esta quarta (29) a sabatina de Jorge Messias no Senado. Ele foi indicado por Lula para a vaga aberta de ministro do STF. Não tenho acesso especial àquele que tudo sabe, mas imagino que Messias será ungido. Valho-me do princípio da indução. O último presidente que não emplacou seus candidatos foi o infeliz do Floriano Peixoto ainda no século 19.

A guerra esquecida do Irã aparece em inflação e juros maiores e turva 2027, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Em vez de terminar o ano em horríveis 12%, Selic deve ficar acima de terríveis 13%

Pessoas e empresas vão ficar com a corda financeira no pescoço por mais tempo

Os preços voltaram a aumentar, grosso modo por causa de alimentos que por vezes apanham do tempo desfavorável nesta época e por causa de combustíveis —é guerra. A gente esqueceu a guerra, mas a guerra ainda vai nos lembrar de que ela existe.

Logo antes da guerra, previa-se que a taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Banco Central, cairia para 12% no final do ano, ainda horrível. Agora, a mediana dessas projeções de economistas compiladas pelo BC (Boletim Focus) está em 13%. Os colegas desses economistas, os que lidam com dinheiro grande, ora negociam a Selic a uns 13,5% no final do ano. Juros reais além de 6% até 2029.

Brasil registra recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025; caminhoneiros lideram óbitos

Por Rayane Moura / G1

Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), o Brasil soma mais de 6,4 milhões de acidentes e 27 mil mortes em dez anos. Em 2025, foram 806 mil casos e 3.644 óbitos — o maior número da série.

O Brasil registrou recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025, com 806 mil casos e 3.644 óbitos. Em dez anos, foram 6,4 milhões de ocorrências e 27 mil mortes.

Após a pandemia, os dados mostram que o aumento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias na segurança.

Saúde lidera acidentes; transporte rodoviário concentra mortes, com destaque para motoristas de caminhão.

Sul e Sudeste concentram casos, mas Norte e Nordeste têm maior letalidade, indicando acidentes mais graves.

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano, segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Juros elevados mantêm pressão sobre endividamento das famílias, por Agência Brasil

As Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), indicam que as famílias seguem pressionadas por crédito caro e recorrem ao uso de modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito.

Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p).

Com o brasileiro pagando juros tão altos, a inadimplência do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,3% da carteira em março, com queda de 0,1 p.p. no

Entre as famílias, a taxa chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 p.p. em um ano.

De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro (aumento de 0,1 p.p. no mês, e de 1,3 p.p. em 12 meses), enquanto o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7% (alta de 0,2 p.p. no mês e de 1,9 p.p. na comparação anual).

Las bases históricas del bolsonarismo, por Fernando de la Cuadra

Clarín (Chile)

Las últimas encuestas de intención de voto para las próximas elecciones presidenciales arrojan una leve ventaja para el presidente Lula -que va a la reelección- en primera vuelta. Según los estudios de la empresa Nexus/BTG, el actual gobernante obtendría en primera vuelta el 41% de los sufragios seguido por el senador Flavio Bolsonaro con el 36% de las preferencias. Distantes de ellos se encuentran los ex gobernadores Romeu Zema (Partido Novo) y Ronaldo Caiado (PSD), con el 4% y el 3% de las intenciones de voto, respectivamente.

En relación a una probable segunda vuelta, el presidente Lula aparece con una muy pequeña ventaja -prácticamente en un empate técnico- entre él (46%) y el hijo mayor de Jair Bolsonaro (45%), porcentajes muy parecidos a los obtenidos en las encuestas realizadas en febrero y marzo.

Uma biografia na História, por Ivan Alves Filho*

Nascido em Bruxelas, filho de um refugiado russo perseguido pelo czarismo, ele foi aprendiz de fotógrafo e, desde muito jovem, se envolveu com o movimento anarquista. 

Em Paris, atuou em jornais anarquistas, sendo condenado a cinco anos de prisão na França, em 1913. Uma vez solto, ganha a Espanha, participando de uma insurreição operária, quando começa a revelar suas simpatias pela Revolução Russa. Ao passar pela França, com o intuito de partir depois para a Rússia bolchevique, é novamente encarcerado, desta feita por dois anos. 

Poesia | "Eu sei, mas não devia" de Marina Colasanti recitado por Antônio Abujamra

 

Música | Arlindo Cruz & Zeca Pagodinho - Meu Poeta

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Master mostrou fragilidades a corrigir no BC e na CVM

Por Folha de S. Paulo

Banco Central detectou indícios de corrupção, e Comissão mal aparelhada falhou no controle de fundos

É preciso endurecer regulação e promover ação conjunta das duas instituições; BC alocou 40 novos servidores na área de fiscalização

O escândalo do Banco Master revelou, de forma dramática, a obsolescência do arcabouço regulatório do sistema financeiro brasileiro.

Sob a guarda conjunta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, o conglomerado de Daniel Vorcaro montou um sofisticado esquema de pirâmide que se sustentou por anos, explorando brechas normativas, falhas de fiscalização e fragilidades institucionais.

Programa dos endividados, por Míriam Leitão

O Globo

Pacote do governo beneficiará quem tem renda de até cinco salários mínimos

Perto de R$ 100 bilhões são elegíveis para renegociação no novo programa de redução do endividamento das famílias. Será bom para os dois lados, porque os devedores vão resgatar, reduzir e renegociar as contas penduradas, mas os bancos e instituições financeiras de todo o tipo poderão liberar recursos que tiveram que pôr em provisão. Só estarão no pacote as três dívidas mais caras do mercado. O governo terá que fazer um aporte no Fundo de Garantia de Operações (FGO). Como será garantido pelo governo, os juros serão bem mais baixos.

O volume potencial do programa é de R$ 50 bilhões no rotativo do cartão de crédito, R$ 40 bilhões de crédito pessoal não consignado e R$ 6 bilhões de cheque especial. O grupo atendido terá renda de até cinco salários mínimos, com débitos entre 90 dias e dois anos de atraso. Vai ser possível usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e os bancos terão que dar descontos de 40% a 90% sobre os valores devidos. Os mais antigos recebem desconto maior. O que restar será renegociado com juros de 1,99% por quatro anos.

Choque Zema x Gilmar abre campanha, por Fernando Gabeira

O Globo

Se a Polícia Federal for acionada para defender o Supremo de ataques, corre o risco de ser soterrada pela demanda

São evidentes os sinais de que a campanha começou. Lula ironiza Trump porque sabe que o presidente americano será um bom cabo eleitoral para ele e um transtorno para o adversário. No capítulo das polêmicas, o debate Romeu Zema x Gilmar Mendes teve grande destaque. Zema é azarão, a julgar pelas pesquisas. Mas tem um marqueteiro audacioso, que fez animação criticando os ministros do STF. Gilmar saiu para o debate, dando entrevistas a jornalistas, sem escolher os mais camaradas. O resultado foi uma grande exposição do ministro e, provavelmente, um ligeiro avanço de Zema nas pesquisas.

PL da Dosimetria: o entulho autoritário e o canto da sereia, por Rafael dos Reis Aguiar e Lucas Louback*

Correio Braziliense

Quando o sistema político passa a suavizar as consequências de atos que atentaram contra a ordem constitucional, abre-se espaço para uma normalização perigosa com danos colaterais bastante sensíveis

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convocou para 30 de abril uma sessão conjunta do Congresso para analisar o veto integral do presidente Lula ao PL da Dosimetria. A controvérsia em torno da manutenção ou derrubada do veto à dosimetria dos crimes do 8 de Janeiro tem sido apresentada como um debate técnico, quase neutro. Mas essa leitura não se sustenta. O que está em disputa é o próprio sentido da resposta institucional a uma tentativa de ruptura democrática. 

Há um conceito útil para compreender o que está acontecendo: o de legalidade autoritária, desenvolvido por autoras como Katya Kozicki, Heloísa Câmara e Daniela Urtado. A ideia central é simples e incômoda: regimes autoritários, e suas continuidades, não operam apenas fora da lei, mas também por meio dela. O direito, nesse caso, deixa de ser limite ao poder e passa a ser instrumento de sua reorganização. A discussão sobre a dosimetria precisa ser lida nessa chave. 

Lula aposta nos endividados, Flávio no agro e Zema nos ataques a Moraes, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O ex-governador mineiro tenta romper sua condição de candidato periférico. Com 4% no primeiro turno, adotou o discurso antissistema mais radical

A semana começou em clima de campanha eleitoral e com pesquisas que confirmam a resiliência da polarização numa disputa sucessória que está aberta. O novo levantamento da Nexus/BTG Pactual, divulgado ontem, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico no segundo turno: 46% a 45% pontos percentuais de intenções de votos, respectivamente. No primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 36% de Flávio, mantendo uma distância estável, porém insuficiente para afastar o risco de derrota no segundo turno.

PT tem diagnóstico, mas falta estratégia, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Comparação entre governos não será vantajosa para Lula sem a disputa de valores

O 8º Congresso do PT mostrou a adoção do diagnóstico feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Barcelona. A esquerda ganha eleições com utopia e entrega austeridade. Torna-se alvo do voto antissistema capturado por uma extrema-direita que capitaliza o mal-estar das promessas não cumpridas.

O que falta - além de matizar a austeridade - é estratégia. O manifesto gastou 3.493 palavras e deixou “corrupção” de fora. Só citou “bets” uma vez para mencionar que foram alvo da reforma tributária deste mandato. Não são dois problemas. É um só, a indicar a falta de ambição na disputa de valores. Só há duas formas de se enriquecer da noite para o dia: roubo e jogo. E precisa de governo pra mostrar que ambas levam a um beco sem saída.

Guerra pode decidir eleição brasileira, por Christopher Garman*

Valor Econômico

O custo dos alimentos é central para a popularidade do presidente Lula

A eleição presidencial deste ano dá sinais de que será apertadíssima — e o fiel da balança pode vir do Oriente Médio. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou 2026 com uma aprovação de 48%, mas viu esse percentual recuar para 44%. Sua vantagem sobre os candidatos de oposição se evaporou, e várias pesquisas agora mostram Flávio Bolsonaro à frente do presidente em simulações de segundo turno por um ponto percentual, dentro da margem de erro.

Especulando sobre o futuro extraordinário do Brasil, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Talvez Friedman esteja enxergando qualidades que não temos, mas em meio a embates internos ferozes, acuados por radicais da austeridade ou do negacionismo, também é possível que estejamos pouco atentos a qualidades que temos

Em meio a inúmeras más notícias diárias, que tal uma especulação otimista a respeito do futuro do Brasil? É difícil abordar esse assunto porque já virou até motivo de chacota. O escritor austríaco Stefan Zweig publicou um livro, em 1941, com o título “Brasil, país do futuro” e, ao longo do tempo, essa expressão passou ser usada ironicamente como se descrevesse um país cujo futuro previsto nunca chega.

A notícia boa, para quem quiser acreditar, é alguém dizendo que esse futuro pode chegar.

O Atlântico Sul como zona de paz e cooperação, por Rubens Barbosa*

O Estado de S. Paulo

Nos próximos três anos, o Brasil estará na presidência dessa importante organização do ponto de vista geopolítico

Nos dias 8 e 9 de abril, o Brasil foi sede da 9.ª Reunião Ministerial e assumiu pela terceira vez a Presidência Pro Tempore da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

A Zopacas foi criada – por iniciativa do Brasil, apoiado pela Argentina – pela Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o intuito de promover a cooperação regional e a manutenção da paz e da segurança no entorno dos 24 países sul-americanos e da costa ocidental da África que aderiram ao projeto. Estabelecida em 27 de outubro de 1986, este fórum se propôs a ser o principal mecanismo de articulação, no Atlântico Sul (área compreendida entre o paralelo 16.° N e a Antártida), buscando promover uma maior cooperação regional para o desenvolvimento econômico e social, a proteção do meio ambiente, a conservação dos recursos vivos e não vivos e a segurança de toda a região, sob a perspectiva da integração multilateral, permeada pelo pano de fundo das iniciativas relacionadas à não proliferação de armas nucleares e de destruição em massa.

Uma semana, duas derrotas de Lula? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula corre risco com Messias e PL da Dosimetria; seu aliado é o feriadão

O maior adversário da derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, feito sob encomenda para favorecer Jair Bolsonaro, não é político, eleitoral ou ideológico, é simplesmente o calendário: quórum no Congresso numa quinta-feira, véspera do feriado de Primeiro de Maio? A questão é explosiva e a tendência é contra Lula, a favor de Bolsonaro. Mas nesta semana?

O caso Master e o fator Zema, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Romeu Zema testa-desafia o projeto-fachada de moderação de Flávio Bolsonaro, ou lhe oferece-amplia as condições para que se venda como moderado? Seria jogo combinado, Zema avançando para que Flávio pudesse exibir reforçar a imagem de “Bolsonaro ponderado”? Esse Zema de texto radicalizado, que denuncia-enfrenta ministros do Supremo, forçará-obrigará “o Bolsonaro que não é louco” a se mexer e expor a própria natureza; ou, situando-se à direita do “Bolsonaro que come de garfo e faca”, empurraria-ajudaria Flávio a se mover para o centro?

A universidade só muda quando o custo de não mudar se torna insustentável, por João Pereira Coutinho*

Folha de S. Paulo

Universidade Yale fez diagnóstico sombrio sobre o estado da instituição.

Não é de admirar que 70% afirmem que a universidade está "no caminho errado".

Houve um tempo em que o mundo olhava com admiração para a universidade. Esse mundo está desaparecendo.

Um relatório recente da Universidade Yale faz um diagnóstico sombrio sobre o estado da instituição. As conclusões do estudo podem ser aplicadas, sem esforço, a outros países que enfrentam problemas semelhantes.

Basicamente, há uma queda de confiança dos americanos no ensino superior. Em 2014, 57% confiavam no sistema; em 2024, o número desceu para 36% —um mínimo histórico. Não é de admirar que 70% afirmem que a universidade está "no caminho errado".

Violência política é constante na história dos EUA, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Trump sobrevive a terceiro atentado em menos de dois anos

Fim precípuo da democracia é prevenir episódios de violência

Em menos de dois anos, Donald Trump já sobreviveu a três tentativas de assassinato. Nas duas mais recentes, a da Flórida em setembro de 2024 e a deste fim de semana em Washington, os serviços de segurança conseguiram impedir o perpetrador de disparar contra o republicano, mas, na da Pensilvânia em julho de 2024, foram as forças do acaso que salvaram Trump. A bala de fuzil passou raspando por sua cabeça.

Crise institucional no Rio complica Flávio Bolsonaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 inverte a realidade e culpa STF por crimes cometidos por bolsonaristas

Contra o governador interino, Alerj quer quadruplicar as despesas com emendas

A presença do desembargador Ricardo Couto no Palácio Guanabara, com ações para moralizar a máquina pública e impedir que ela continue a ser usada para fins eleitorais, é uma espinha na garganta do grupo bolsonarista que desde 2019 domina o Rio de Janeiro e um entrave inesperado para as pretensões presidenciais do filho 01.

Terras raras não são farelo de soja, Por Roberto Amaral*

A ciência política, na sociedade globalizada pelo capitalismo monopolista, nos fala de uma soberania nacional relativa, fragmentada. O conceito cobra a revisitação da ciência política, tal sua fragilidade e imprecisão no quadro da ordem internacional em crise, quando as forças que contam — e são as potências nucleares — ferem de morte o multilateralismo, abandonam as mesas de negociações e adotam o baraço e cutelo — a guerra tour court — como ponto de partida e ponto de chegada do diálogo de uma só voz. Como o diálogo do cordeiro com o lobo, consagrado por Jean de La Fontaine.

Poesia | Tecendo a Manhã, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | João Gilberto - Menino do Rio (Caetano Veloso) - França, 1989

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Terrabras e outras más ideias do PT para minerais críticos

Por Folha de S. Paulo

Bancada petista quer criar nova estatal, apenas o dispositivo mais caricato de um projeto intervencionista

Governos de fato atuam no setor, mas cumpre avaliar custos e benefícios; falta, ainda, mais investimento em pesquisa e pessoal qualificado

Parece piada, mas a bancada do PT na Câmara dos Deputados pretende criar uma nova estatal, de nome Terrabras —hoje já existem 44 empresas sob controle direto do Tesouro, fora mais de 70 subsidiárias.

Esse é apenas o dispositivo mais caricato de um projeto que prevê intervenção estatal ampla em exploração, produção e exportação de minerais críticos, entre eles, terras raras. Além da criação da estatal, o texto petista institui o sistema de partilha da produção entre setor público e empresas concessionárias, prevê conteúdo nacional para insumos e restringe a exportação.

Manifesto Eleitoral: PT tira reforma no sistema financeiro de texto que cita ‘autocorreção’ do judiciário e freio a emendas

Por Jeniffer Gularte / O Globo

Documento também faz acenos a partidos de centro e cita a necessidade de uma 'concertação social' em torno do candidato petista à Presidência da República

Em busca de apoio para reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT aprovou no domingo, durante congresso em Brasília, um manifesto em que propõe uma série de reformas no país — incluindo a do Poder Judiciário, com “mecanismos de autocorreção”, e do sistema político, propondo mudanças no atual modelo de execução das emendas parlamentares, foco constante de desgastes entre Legislativo e Executivo. O documento também faz acenos a partidos de centro e cita a necessidade de uma “concertação social” em torno do candidato petista à Presidência da República.

Jornada menor, baixa produtividade: é nó da economia, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

É muito bom trabalhar menos. Mas continuaremos no baixo crescimento. Tirando o agro e sua intensa tecnologia

Começando pelo óbvio: a redução da jornada de trabalho, sem redução do salário, aumenta o custo da mão de obra. Quanto? Depende do perfil da empresa. Numa fábrica automatizada, o impacto será pequeno. Num hospital ou data center, o custo do trabalho terá peso significativo na rentabilidade. Em resumo, quanto mais empregados tiver uma empresa, maior será o aumento de custos com a redução da jornada.

Considerando as propostas em andamento no Congresso, parece que o resultado mais provável será o seguinte: jornada máxima de 40 horas semanais, com escala de cinco dias trabalhados por dois de descanso. Hoje, são 44 horas semanais (desde a Constituição de 1988), admitindo a escala 6x1.