segunda-feira, 30 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

O declínio da democracia americana

Por Folha de S. Paulo

Relatório aponta retrocesso sob Trump, com ataques a instituições e a vozes dissidentes

Avanço do autoritarismo é fenômeno global; no Brasil, documento vê sociedade polarizada e poderia dar mais atenção a abusos do Supremo

O voto popular é o que há de mais essencial em uma democracia, mas não é o bastante para atestar o pleno funcionamento do regime. Para tanto é preciso também haver liberdades civis, igualdade de todos perante a lei, freios e contrapesos ao poder dos governantes. Nesse sentido, a democracia americana, uma das mais longevas do mundo, está fragilizada.

Esse fato, perceptível para a opinião pública global, é mensurado no mais recente relatório do respeitado instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia. No levantamento dos diferentes graus de soberania popular e autoritarismo no mundo, o grande abalo no ano passado se deu com o início do novo mandato de Donald Trump.

O STF e os supersalários: eine grosse konfusion, Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Covardia perante o corporativismo legitimou penduricalhos e ressuscitou privilégios extinto

Desde que comecei minha pesquisa para escrever O País dos Privilégios: os novos e velhos donos do poder, eu esperava o dia em que o plenário do Supremo Tribunal Federal iria se pronunciar sobre o descumprimento do teto remuneratório por juízes, desembargadores, promotores e procuradores. E desde a publicação do livro, em 2024, os pagamentos em desrespeito ao limite constitucional só cresceram, situação que expus em diversas colunas no Valor.

Piora o cenário para a inflação de alimentos, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

Alta mais forte dos preços de alimentação no domicílio é má notícia para popularidade do governo, que também sofre o impacto do endividamento das famílias

A inflação de alimentos tende a ganhar força nos próximos meses, um mau sinal para a popularidade do governo. Em março, os preços de alimentação no domicílio já subiram 1,1% no IPCA-15, a prévia do indicador que baliza o regime de metas. Depois de uma variação modesta em 2025, de pouco mais de 1%, o grupo pode ter uma alta próxima de 4,5% neste ano, entre outros motivos pelos efeitos dos combustíveis mais caros sobre fretes e fertilizantes. Não é um aumento explosivo, mas parte de um nível de preços de alimentos já muito alto, devido às elevações observadas desde 2019. Esse fato, aliado ao endividamento das famílias, ajuda a explicar uma aprovação menor do governo do que sugere a força do mercado de trabalho, com desemprego baixo e renda em alta.

O dilema do PSD, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

O partido precisa decidir se deve focar no eleitor anti-Lula ou ir além da polarização

A eleição presidencial de 2026 tende a ocorrer em um ambiente marcado por escândalos, investigação e desgaste institucional – um típico “clima de devassa”. Em contextos assim, a indignação se generaliza, a política passa a ser percebida como estruturalmente corrompida e a competição eleitoral se organiza menos em torno de propostas e mais em torno de rejeições.

De um lado, o incumbente paga o custo da crise. De outro, adversários exploram a narrativa de ruptura. Ainda assim, há um elemento novo: a fadiga crescente com os dois polos. A elevada rejeição tanto de Lula quanto do “Bolsonaro da hora” abre espaço para uma candidatura alternativa – desejada por um contingente expressivo do eleitorado, mas ainda sem uma conexão e narrativa clara.

Ronaldo Caiado será lançado pré-candidato ao Planalto por Kassab

Por Lauriberto Pompeu/O Globo

Anúncio será feito hoje em São Paulo

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será escolhido nesta segunda-feira pelo PSD como candidato à Presidência da República. O presidente do partido, Gilberto Kassab, confirmou ao GLOBO a definição. O anúncio será divulgado em São Paulo.

Além de Caiado, a legenda apresentou o nome do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como opção presidencial. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, também era uma opção, mas ele abriu mão de ser o escolhido na semana passada.

Como mudam as decisões do STF, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Supremo disse que os penduricalhos, agora legalizados, estão aí até que o Congresso aprove legislação nacional sobre o assunto

O Supremo Tribunal Federal, em duas raríssimas reuniões plenárias na semana passada, criou um novo teto salarial para o funcionalismo, por unanimidade, e decidiu que não pode obrigar o Congresso a prorrogar uma CPI, por 8 a 2.

A primeira decisão tinha o objetivo de acabar com a farra dos penduricalhos. E terminou legalizando duas modalidades que, na prática, elevam o teto salarial dos atuais R$ 46 mil, remuneração de um ministro do STF, para R$ 78 mil, em valores arredondados. Para a segunda decisão, o objetivo não estava muito claro. Mas havia uma disposição oculta, digamos assim, de acabar com uma certa farra de investigações.

O Brasil que desafia a política, por Preto Zezé

O Globo

Polarização, embora ainda faça barulho, já não explica tudo. Um grupo crescente de brasileiros começa a escapar dessa lógica

O Brasil chega a 2026 com uma sensação estranha. Os indicadores mostram alguma melhora: desemprego mais baixo e certa estabilidade. Mas a vida cotidiana conta outra história. Nas ruas, o que aparece é desânimo, insegurança e medo. Há descolamento entre os números e o sentimento das pessoas.

Li as últimas pesquisas e as levei para o cotidiano. Cruzei a mais recente do Data Favela, sobre os sonhos das favelas, com outros levantamentos que ajudam a entender o humor do país. Mais que isso, escutei. Conversei com trabalhadores de aplicativos, quem está na ponta da precarização, donos de plataformas e também com gestores públicos. É do encontro de dados e experiência que nasce a leitura desse novo ator social e político.

Trump opera como chefe mafioso, por Demétrio Magnoli

O Globo

Os Estados Unidos tornaram-se um Estado perigoso

"Se o Irã não abrir completamente, sem ameaças, o Estreito de Ormuz, em 48 horas a partir deste momento, os Estados Unidos obliterarão suas várias centrais elétricas, começando pela maior delas." O ultimato de Donald Trump de 21 de março, um blefe como logo se constatou, prova que a maior potência mundial converteu-se à barbárie. Bombardear infraestruturas civis viola as leis de guerra. Estados cometem crimes de guerra, às vezes deliberadamente. Mas nunca prometem cometê-los.

Trump copia Putin, a quem inveja. O autocrata russo nomeou sua guerra de conquista na Ucrânia como “operação militar especial”. O presidente americano batiza sua guerra de escolha no Irã como “excursão”. Seu motivo: circundar as leis dos Estados Unidos que exigem autorização do Congresso para fazer guerra. O governo da potência que patrocinou a criação da ONU e impulsionou a Declaração Universal dos Direitos Humanos coloca-se fora da lei, tanto interna quanto internacional.

Conselho de Segurança ou de Insegurança? Por Luiz Inácio Lula da Silva*

Folha de S. Paulo

Linha que separa o que é permitido do que é proibido foi sendo borrada com a omissão cúmplice da ONU

Quando governos se deixam arrastar para a guerra pela intolerância ou arrogância do poder, plantam a semente do ressentimento que vai germinar mais ódio e violência

Cada situação de descumprimento do direito internacional é um convite para novas violações. Do Afeganistão ao Irã, passando por IraqueLíbiaSíriaUcrâniaGaza e Venezuela, a linha que separa o que é permitido do que é proibido foi sendo borrada com a omissão cúmplice do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Usando o veto ora como escudo, ora como arma, os membros permanentes do órgão agem sem amparo na Carta da ONU. Jogam com o destino de milhões de pessoas, deixando um rastro de morte e destruição.

Até há pouco tempo, tentava-se, pelo menos, conferir às intervenções algum verniz de legitimidade por meio da chancela da ONU. Hoje, o exercício escancarado do poder nem se preocupa em manter as aparências. As balizas das instituições multilaterais estão ficando estreitas demais para conter disputas hegemônicas. Sem o multilateralismo, corremos o risco de trocar um sistema imperfeito de segurança coletiva pela realidade brutal da insegurança generalizada. Quando se eliminam todos os constrangimentos ao uso da força, o caos prevalece.

O TCU, esse desconhecido, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Os juízos de contas com base em auditorias limitadas são, em sua vasta maioria, falsos negativos

Não há similar internacional em termos de seu modelo institucional

Quando Aliomar Baleeiro publicou "O Supremo Tribunal Federal, Esse Outro Desconhecido" (1968), pouco se sabia sobre a instituição. Hoje sabe-se pouco sobre o TCU. Mas ele tem estado nas páginas policiais.

Os indícios de que o ministro do TCU Jhonatan de Jesus agiu em conluio com Daniel Vorcaro para pressionar o Banco Central a cancelar a intervenção no Master são fato gravíssimo. No Rio de Janeiro, cinco ex-conselheiros foram afastados e condenados por receberem propinas; um deles está preso pelo assassinato de Marielle Franco. Em Roraima, terra do ministro, dois conselheiros perderam o cargo e foram condenados a 11 anos atrás das grades.

Por que o Brasil passou à frente dos EUA em ranking global de democracia, por João Gabriel de Lima*

Folha de S. Paulo

Instituto aponta que líderes autoritários pesam mais que escândalos de corrupção na deterioração do regime político

País perdeu status de democracia liberal em relatório do V-Dem, que alertou para a corrosão de instituições sob Trump

[RESUMO] Autor expõe como funcionam e para que servem os rankings que avaliam a qualidade da democracia em todo o mundo. Os relatórios do V-Dem, instituto que produz o levantamento mais utilizado, apontam que líderes com tendências autoritárias como Trump são os grandes responsáveis pela erosão dos regimes democráticos, mais que casos de corrupção e guerra entre Poderes.

A democracia americana está doente. O check-up feito pelo V-Dem apontou disfunção no sistema judicial, falência múltipla de liberdades civis e hipertrofia da Presidência da República, sintomas causados por um vírus chamado Donald Trump.

O instituto rebaixou os Estados Unidos à categoria de democracia eleitoral, uma espécie de segunda divisão dos regimes de liberdade. Na pontuação final, ficou atrás de países como Coreia do Sul, Japão, Portugal e Brasil.

Rankings de democracia como o V-Dem, o mais utilizado em pesquisas acadêmicas na área de ciência política, há muito tempo saltaram o muro das universidades e entraram na corrente sanguínea do debate público. Nas redes sociais brasileiras, nossa colocação à frente dos EUA gerou um questionamento: como podemos ter uma boa pontuação se estamos mergulhados em uma crise institucional, em que um escândalo financeiro abala a credibilidade do Judiciário e joga os Poderes uns contra os outros?

Para responder a essa pergunta, é necessário entender como funcionam os rankings de democracia, para que servem e como, ao longo dos anos, vêm mostrando que nada tem mais peso para a deterioração dos regimes de liberdade que a existência de um líder com tendências autoritárias.

Como a crise de confiança em pessoas e instituições ameaça a democracia no Brasil, por Christian Lynch*

Folha de S. Paulo

Num país em que a desigualdade social e cultural sempre foi a regra, os próprios cidadãos passam a não se perceber mais como parte de uma totalidade

Solidariedade demanda um novo imaginário nacional que reconheça o papel de grupos marginalizados na formação da sociedade

[RESUMO] Autor reflete sobre meios para fortalecer a confiança entre cidadãos no Brasil, país que teve dificuldade em forjar um horizonte comum de pertencimento ao longo da história. Em sua avaliação, é preciso reexaminar o repertório simbólico da construção da nacionalidade brasileira no século 20 e recompor um passado compartilhado que reconheça a pluralidade de origens do país.

Nos últimos anos, se tornou recorrente falar em crise de confiança nas democracias. O tema da confiança ocupa hoje um lugar central na ciência política, porque as democracias dependem não apenas de instituições formais, mas também de expectativas compartilhadas de legitimidade e cooperação entre governantes e cidadãos. Convém, porém, fazer uma distinção.

Alguma dose de desconfiança em relação às instituições não é um problema da democracia, mas uma das suas condições. O povo soberano deve manter vigilância permanente sobre as instituições e aqueles que governam em seu nome.

Memória | Resolução política do CE da Guanabara do PCB (março de 1970)

Caros (as)amigos (as)

Nesta semana, completará 62 anos da instauração, no Brasil, de um regime militar, autoritário, que revogou a Constituição democrática de 1946. Para relembrar, disponibilizo um documento, do qual participei, dos debates, da sua elaboração, como membro da Executiva do Comitê Estadual do PCB, do antigo Estado da Guanabara. O texto foi publicado na revista Temas – de Ciências Humanas, vol. 10, p. 71-91, São Paulo,1981.

Leiam abaixo:

Poesia | A Implosão da Mentira, de Affonso Romano Sant'anna - por André Morais

 

Música | João Gilberto - Pra que discutir com Madame

 

domingo, 29 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Diretas no Rio são a resposta recomendada pela lei e pela jurisprudência

Por O Globo

Fachin tem de marcar logo sessão para referendar liminar de Zanin que suspendeu eleição indireta na Alerj

Fez bem o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em suspender a eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para escolher o governador que exercerá o mandato-tampão até dezembro, após a renúncia de Cláudio Castro ao governo fluminense. Diante da turbulência que tomou conta da política estadual, a eleição tem de ser feita por sufrágio universal, já que a renúncia de Castro não passou de manobra para driblar a cassação e manter no poder seu grupo político.

A guerra sem retórica para disfarçar o horror, por Dorrit Harazim

O Globo

É digno de nota o sucesso do governo de Benjamin Netanyahu em sumir do noticiário

Algumas mentes privilegiadas conseguem produzir ensaios imperecíveis sobre o viver humano. George Orwell foi uma delas. Costumeiramente celebrado pela distopia visionária de “1984”, publicada em 1949, é na coletânea de ensaios e correspondência escritos durante e após a Segunda Guerra Mundial que Orwell brilha pela clareza. O quarto volume dessa coletânea (em parte publicada no Brasil pela Pé da Letra e Edições 70) leva o título “In front of your nose: 1946-1950”. São textos críticos de invejável honestidade intelectual e amplo espectro temático. Como denominador comum, a defesa da verdade contra o totalitarismo. Tome-se um trecho do ensaio “Diante do seu nariz”, em que discute a capacidade humana de se iludir:

Diretas já, por Merval Pereira

O Globo

Está na hora de colocar para fora do poder os políticos que foram cooptados pelo crime organizado.

Como a maioria dos casos que acontecem na política do Rio de Janeiro nas últimas dezenas de anos, o da eleição do governador-tampão para terminar o mandato do governador inelegível Claudio Castro é cheio de contradições e reviravoltas. O que parecia uma questão simples de resolver, pois as provas de corrupção do governador eram irrefutáveis, transformou-se em uma chance política de remover os grupos criminosos que dominam o Estado do Rio antes mesmo da eleição marcada para outubro.

Como se faz um presidente, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Chega nesta semana às livrarias a segunda parte da biografia de Lula escrita por Fernando Morais. O novo volume narra o período entre a campanha das Diretas e a conquista do Planalto. É uma história de persistência. O ex-metalúrgico perdeu três disputas presidenciais até vencer a quarta, em 2002.

A escalada começou em 1989, na primeira eleição direta pós-ditadura. Forjado na luta sindical, o candidato do PT assustou as elites com ideias tachadas de radicais. Falava em reforma agrária, tabelamento de lucros, suspensão do pagamento da dívida externa.

Lula está tonto, por Elio Gaspari

O Globo

Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras:

“Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo.”

Próximos passos do caso Master, por Míriam Leitão

O Globo

PF e MPF juntos vão impedir delação seletiva. BRB pode ter redução do rombo, mas vive dias decisivos. Caso Master entra em nova fase

Há duas dúvidas cruciais neste momento sobre o caso Master. Na política, a pergunta é se a delação de Daniel Vorcaro será enviesada e seletiva. Na economia, é o que vai acontecer com o BRB. Quem acompanha a investigação acha que existem seguros contra o risco de uma delação parcial. Um deles é o fato de a Polícia Federal e o Ministério Público atuarem em conjunto, outro é a abundância de fatos já revelados. Sobre o BRB, momentos decisivos acontecerão nos próximos dias. O governador Ibaneis Rocha tem atrapalhado a busca de soluções. O prazo para a divulgação do balanço se esgota depois de amanhã.

Guerra do Irã, crise do petróleo, o Brasil e a velha “Carreira das Índias”, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Índia e Coreia do Sul ampliaram as compras de petróleo da Petrobras, que renovou e ampliou contratos de venda para as principais estatais indianas

O Brasil está de olho nas oportunidades para exportação de petróleo bruto e etanol para a Ásia, com as mudanças geopolíticas provocadas pela guerra do Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, a imprevisibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os conflitos no Oriente Médio, que atingiram uma escala inimaginável, reposicionam as potências da Ásia. Essas mudanças ficaram evidentes no encontro dos chanceles do G7, grupo de países mais industrializados do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Nós difíceis de desatar nas alianças estaduais

Por Danandra Rocha, Victor Correia e Wal Lima / Correio Braziliense

Imposições, traições, duplos apoios... Tem de tudo no quadro de algumas unidades da Federação, o que não ajuda na construção de palanques para Lula e Flávio Bolsonaro, os dois principais pré-candidatos à Presidência da Republica

A eleição dá os primeiros passos e a confusão das alianças em alguns estados já parece nós difíceis de desatar. Tem desde a imposição de nomes a veteranos da política, e bons de voto, sendo escanteados. Tem candidato caindo de paraquedas para disputar cargo eletivo por um estado onde não tem história política. Tem até presidenciável desistindo da disputa para evitar perder o controle da máquina local.

CPMI do INSS acaba de forma melancólica

Por Alícia Bernardes e Fabio Grecchi / Correio Braziliense

Comissão fecha sem relatório, rejeitado por 19 x 12. Nos bastidores, críticas eram de que sessões tornaram-se palanque e que investigações de fraudes ficaram em segundo plano

Depois de sete meses de funcionamento, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS encerrou os trabalhos na madrugada de ontem de forma melancólica — sem a aprovação de um relatório final. O parecer apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), foi rejeitado por 19 x 12. Sem consenso e sem a designação de um novo relator, o colegiado presidido pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG) deu por concluída sua tarefa.

Flávio se define como "Bolsonaro 2.0" durante evento de direita nos EUA

Por Correio Braziliense*

Senador e presidenciável participou da CPAC e fez um discurso mais agressivo

O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou neste sábado (28/3) da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, em inglês), nos Estados Unidos. Na prática, o evento é uma espécie de convenção conservadora e de direita. Diferente do tom moderado que tem adotado em discursos no Brasil, Flávio Bolsonaro praticou um discurso mais agressivo e até se definiu como um "Bolsonaro 2.0" durante o painel que apresentou.

Triste fim de mais uma CPI, sem choro nem vela, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O único troféu da CPMI do INSS foi jogar Lulinha no colo de Lula na campanha eleitoral

ACPMI do INSS morreu de madrugada, sem choro nem vela, e só teve um resultado prático: empurrar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para o centro da campanha eleitoral, atingindo o presidente Lula no seu ponto mais fraco e deixando em segundo plano as culpas de Jair Bolsonaro, agora doente, em prisão domiciliar e fora de combate. Lulinha é o único troféu do triste fim de mais uma CPI.

Trump tem de fazer uma escolha no Irã, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O emprego de militares americanos em território iraniano se tornou bastante provável. O anúncio da mobilização dos fuzileiros navais, paraquedistas e tropas terrestres aponta para dois objetivos possíveis: pressionar o Irã a aceitar as condições americanas ou intervir para pôr fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz.

Por definição, uma tática dissuasória só tem o efeito de modelar o comportamento do adversário se prenunciar um cenário que ele considera mais prejudicial do que a concessão exigida. Esse não parece ser o caso do Irã.

O regime não tem motivos para abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz e de suas exigências, como a manutenção de seu arsenal de mísseis e de um programa nuclear para fins pacíficos, bem como o compromisso de não voltar a ser atacado, em troca de evitar o desembarque do inimigo.

A Previdência, rumo ao colapso, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

É como rompimento de barragem. O rombo da Previdência Social vai crescendo inexoravelmente. Se nada se fizer para estancar o vazamento, até mesmo antes de 2030 faltarão recursos para pagamento das aposentadorias.

Em uma década, o déficit anual, que era de R$ 272 bi em 2015, passou a R$ 442 bi em 2025, crescimento de 62,5%.

Kant, uma revolução no pensamento, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro que transita entre comentário e biografia consegue tornar claras ideias do filósofo

Embora seja um autor do século 18, Kant segue sendo referência em temas como ética e direitos humanos

É difícil dizer se "Kant: a Revolution in Thinking", de Marcus Willaschek, deve ser classificado como um comentário da obra do filósofo ou como uma biografia. Qualquer que seja o veredicto, Willaschek faz as duas coisas muito bem.

É impressionante como o livro consegue tornar claras as ideias de Kant, uma tarefa em que muitas vezes o próprio filósofo prussiano fracassava. E não porque Willaschek fuja dos pontos mais desafiadores. "Kant..." cobre praticamente toda a obra, sem nos poupar das passagens mais abstratas e difíceis da "Crítica da Razão Pura". É claro que especialistas poderão apontar lacunas, mas o livro resolve bem os problemas de leitores comuns, movidos só pelo "sapere aude!" (ouse saber) e sem pretensão de escrever uma monografia sobre o filósofo de Königsberg.

No balcão de compra e venda, o que se quer da República é uma fachada conveniente, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Escândalo do Master levanta a suspeita de que um outro Brasil tenha nascido e se alojado nas vísceras federais

Movimentos suscitam interrogações relevantes sobre as relações do poder com a sociedade

Há algo de salutar no escândalo do Banco Master, pois toda grande crise (do grego "krinein", descriminar, ver nas fissuras) revela aspectos despercebidos da realidade. No caso do Master, mais do que revelar, trata-se de expor: quando não se conhecem detalhes, ao menos se sente o peso do poder paralelo de entidades corruptivas na dinâmica nacional. Na exposição, incrementada nas redes por mobilização neural, o argumento dá lugar à cenografia, como num conto moral. As massas veem o que sentem de coração.

O powerpoint certo do Banco Master, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Gráfico precisa mostrar quem é suspeito de roubar com o Master, quem tentou salvar o Master e quem ganhou dinheiro

Powerpoint terá que ser atualizado com o conteúdo dos celulares de Vorcaro

Um programa da GloboNews mostrou um gráfico que colocava Lula e a esquerda no centro do escândalo do Master. Estava errado. A emissora pediu desculpas. Mas como seria o Powerpoint certo?

No centro, coloque Daniel Vorcaro como símbolo do ecossistema Master (que tem também Fictor, Will Bank, Reag, etc.).

Em volta, desenhe um primeiro círculo com o título "suspeitos de roubar com o Master". São os três governadores (todos de direita) e 15 prefeitos (14 de direita) que investiram dinheiro de aposentados no banco. A administração do PT da Bahia é suspeita de coisa diferente, mas pode ser colocada aqui –como um dos 19 casos. Se algum caso merece destaque é Cláudio Castro, do PL, que queimou R$ 1 bilhão dos aposentados do Rio no Master.

Enquanto esquerda debate o sexo dos anjos, direita se prepara para invadir o paraíso, por Angela Alonso

Folha de S. Paulo

Erika Hilton foi engolfada em briga fratricida, e o pessoal de Damares Alves nem precisou entrar em campo

Corrupção será prato cheio na eleição, mas há fosso entre a obsessão moral das elites e as preocupações da população

A culpa é de Eva. Foi ela quem se deixou aliciar pela serpente e induziu Adão a comer a fruta proibida. Se fosse hoje, Adão tentaria a delação premiada para voltar ao paraíso. Mas as punições do Velho Testamento eram bem diferentes das do Judiciário moderno e, em vez de prender, Deus soltou os corrompidos no mundo. Desde o Éden, pecado e corrupção andam de mãos dadas e assim chegaram ao bacanal Daniel Vorcaro, em Trancoso.

A versão tupiniquim da ilha de Jeffrey Epstein era igualmente regada a dinheiro, sexo e poder. Ali, códigos profanos e divinos estavam suspensos, mas apenas após a queda de Vorcaro é que a categoria bíblica "corrupção" passou a descrever esse paraíso de pecadores.

O dedo em riste para os transgressores da moralidade pública gerou um famigerado PowerPoint, que lembrou outro. A diferença é que o original saiu do cérebro abençoado de Deltan Dallagnol e a cópia, de uma cabeça que já deve ter rolado na Redação da GloboNews.

Eduardo Leite reluta em apoiar Caiado e quer a vaga, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Leite pediu a Kassab tempo para tentar se viabilizar interna e externamente como candidato a presidente

PSD adiou o anúncio da candidatura para aplacar as divergências em torno dos nomes dos dois governadores

A saída de Ratinho Júnior da cena presidencial embolou o jogo e tensionou o ambiente no PSD. Dada como certa num primeiro momento, a candidatura de Ronaldo Caiado deslocou-se para o terreno da incerteza.

O anúncio, antes previsto para o final da semana, foi adiado para segunda ou terça-feira, podendo se estender para 3 de abril, a depender das tratativas. É que Eduardo Leite decidiu reivindicar a vaga. Pior: poderia não apoiar o colega. Pediu a Gilberto Kassab o adiamento porque se Caiado fosse anunciado de imediato, daria a impressão de que o papel dele, Leite, fora desde sempre decorativo.

As bobagens de Lula e a eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Presidente diz que povo e 'mulheres' gastam demais e culpam o governo pelo problema

Melhora econômica será escassa, se tanto, em 2026 e conversa do governo é muito velha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a não dizer coisa com coisa na semana passada. Disse que novos costumes e tecnologias (celular, Pix, acesso a cartão de crédito) facilitam despesas, que acabam por levar o salário inteiro (e as bets?). Contou que sabe disso porque "tem mulher" e "tem filha". Sem dinheiro por causa de maus hábitos, o povo fica "zangado", mas "xinga" o governo.

Sem gastar nada, a direita ganhou "cortes", trechinhos de vídeos, para usar na campanha. O eleitor vai ficar mais "zangado" quando souber que Lula o culpa pela dureza.

O governo diz que vai baixar medidas a fim de atenuar o efeito dos juros altos. Não vai nem conseguir tapar o sol com a peneira. Considere-se o que vem pela frente.

A barata americana, por José Eduardo Agualusa

O Globo

O atual presidente americano pode ser um inimigo temível, sim, não por causa da sua intuição, mas por sua estupidez. A estupidez é imprevisível

Donald Trump anuncia o completo esmagamento do Irã. Logo a seguir surpreende-se com a resistência. Admite ter proposto um cessar-fogo. Diz que foram os iranianos a iniciar as conversações. Reivindica a vitória total. Na frase seguinte proclama, com a ingenuidade de um anjo recém-saído das mãos de Deus, que ninguém poderia prever o encerramento do Estreito de Ormuz. Escreve que o Irã tem 48 horas para reabrir a passagem, caso contrário, aniquilará várias usinas de energia. Anuncia que suspende por cinco dias os ataques às infraestruturas energéticas. Diz-se disposto a abandonar o cenário de guerra. Os europeus que resolvam o problema. Irrita-se com o alheamento dos europeus. Implora ajuda aos europeus. Grita que não precisa dos europeus. Confessa que os israelenses o forçaram a iniciar o conflito. Volta, ainda na mesma frase, a proclamar vitória. Diz que não se importa que os aiatolás se mantenham no poder desde que lhe entreguem o petróleo. Noticia o levantamento do embargo petrolífero ao inimigo mortal. Acrescenta que nunca os americanos foram tão vitoriosos. É uma vitória a seguir à outra. Tantas vitórias já cansam.

Poesia | Testamento - Manuel Bandeira

 

Música | Zeca Pagodinho - Sem Compromisso

 

sábado, 28 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão do Supremo sobre ‘penduricalhos’ foi frustrante

Por O Globo

Apesar de criar regra objetiva, Corte agiu corporativamente, preservou distorções e recriou regalia extinta

É até possível enxergar méritos na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tenta disciplinar as verbas indenizatórias que inflam os supersalários de juízes e procuradores, popularmente conhecidas como “penduricalhos”. Ao menos, ela estabelece critérios objetivos para regular os auxílios que proliferam sem controle e extingue algumas barbaridades. Mas é evidente que o resultado, a pretexto de corrigir as distorções, preserva um sistema de remuneração iníquo e injusto.

Perguntas aos candidatos, por Marco Aurélio Nogueira

O Estado de S. Paulo

A indignação é um combustível enigmático e volúvel. Pode levar à construção ou à destruição

O que esperar da temporada eleitoral de 2026? Teremos barulho, emoção e atrito. Mas e em termos de ideias e diretrizes de governo?

A polarização Lula-Bolsonaro permanece. Seus candidatos têm altos índices de rejeição. No atual formato, a polarização é mau negócio para quem deseja um projeto democrático e inclusivo para o País. Ganhe um polo ou ganhe o outro, o Brasil seguirá engessado. O ritmo do avanço não será dado pela política, mas pelos “fatos”, como costumava dizer o saudoso Luiz Werneck Viana.

Governo derrota oposição na CPI do INSS e rejeita relatório

Por Augusto Tenório e Laura Scofield / Folha de S. Paulo

Comissão que apurou descontos indevidos em benefícios deve terminar sem conclusão de investigação

A base do governo derrotou a oposição na CPI Mista do INSS ao rejeitar o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) na madrugada deste sábado (28). O texto sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Apesar da oposição deter os cargos chaves da CPI, que é presidida por Carlos Viana (Podemos-MG), o governo obteve maioria e o relatório foi rejeitado por 19 votos a 12. A sessão começou por volta das 9h30 de sexta (27) e seguiu até 1h de sábado, data-limite para a conclusão dos trabalhos. O texto analisado foi apresentado minutos antes do início da sessão.