terça-feira, 6 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Segundo turno exige comedimento do Judiciário

Por O Globo

TSE e STF precisam ter sensatez nas decisões sobre o pleito, para não interferir na vontade do eleitor

Definido o resultado do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegando à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por diferença de quase 2 pontos percentuais, a disputa ao Palácio do Planalto entra agora numa fase decisiva. Os dois candidatos confrontarão suas ideias por meio de propaganda eleitoral, entrevistas e debates, para dar aos eleitores oportunidade de escolher entre os dois projetos. É fundamental que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) demonstrem sensatez e comedimento em suas decisões relacionadas ao pleito, de modo a não interferir na vontade do eleitor. Devem agir sobretudo nos casos absolutamente necessários, para impedir ou corrigir injustiças.

Direita avança, Congresso muda e estados pesam no segundo turno, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Caiado e Zema sinalizam oposição ao PT; Cury e Renan não orientam eleitores. Flávio busca novas adesões e Lula votos no Sudeste

O primeiro turno deu a Flávio Bolsonaro mais do que a dianteira na disputa presidencial. Entregou ao candidato do PL palanques fortalecidos, a maior bancada da Câmara e um avanço expressivo no Senado. Lula preservou sua fortaleza nordestina, mas precisará ampliar suas fronteiras eleitorais para vencer em 25 de outubro. A eleição também revela uma mudança na composição da classe política: lideranças mais jovens, familiares de políticos tradicionais e personagens projetados pelas redes sociais ganham espaço, combinando renovação geracional e continuidade de correntes ideológicas e oligarquias conservadoras no poder.

‘Há duas questões centrais em jogo: em primeiro lugar, a democracia’, por Sérgio Abranches

Valor Econômico

Há, para mim, duas questões centrais em jogo. Em primeiro lugar, a democracia. O ponto, digamos, mais profundo de risco à democracia é a negação da tentativa de golpe de 2022 por Flávio Bolsonaro.

A crise no STF completou o processo de esgarçamento institucional. O presidencialismo de coalizão está paralisado com o desequilíbrio nas relações Executivo/Legislativo. O resultado das eleições para o Congresso agrava esse quadro com uma bancada expressiva de extrema-direita. E a crise no STF atinge a capacidade de mediação e resolução de conflitos entre os dois Poderes.

Lula revê estratégia para recuperar eleitores

Valor Econômico, por Sofia Aguiar, Lucas Borges Teixeira, Cristiane Agostinee Lu Aiko Otta

Decepcionado com o resultado do primeiro turno, o “day after” da contagem dos votos serviu para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dar início a um freio de arrumação de olho na reeleição. Uma das principais preocupações da campanha é rever as estratégias para recuperar eleitores de São Paulo, Minas Gerais e dos Estados da região Nordeste, com o objetivo de melhorar o desempenho do petista. Em outra frente, a comunicação da campanha é pressionada a mudar e é vista como uma das responsáveis pela performance aquém do esperado nas urnas no domingo (4).

Com o intuito de renovar a estratégia para os próximos 20 dias, Lula realizou, na segunda-feira (5), reuniões com o grupo político de seu governo e candidatos derrotados, vitoriosos e que ainda concorrem ao segundo turno, além de integrantes do núcleo duro da campanha.

Em um dos encontros, o presidente admitiu que precisa falar mais e fazer mais mobilização. Segundo ele, é preciso “fazer mais rádio, mais selfie, conversar mais e arrumar tempo para fazer campanha”. Nesse sentido, afirmou que é importante participar dos debates nesta segunda etapa - o que não fez no primeiro turno - “porque é tête-à-tête”, em referência a um embate direto com o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que conquistou mais votos que o petista nas urnas.

O poder do voto sobre a toga, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Resultado eleitoral no Rio mostra o efeito rebote da intervenção judicial

Nas primeiras falas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e no resultado eleitoral do Rio, há um mapa de 2º turno. O comandante da avalanche do PL nas eleições majoritárias e proporcionais disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso o filho se eleja, será reabilitado para disputar a Presidência da República.

As perspectivas de reabilitação do ex-presidente, as ambições da senadora eleita Michelle Bolsonaro (DF) e a maiúscula votação do deputado federal Nikolas Ferreira (MG) deixam claro que, nem tão cedo, o PL pretende ceder o manche para a direita tradicional. Ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cumpra sua promessa de pôr fim à reeleição, não parecerá disposto, se eleito, a entregar o poder para que outro aventureiro lance mão.

Brasil marcha à direita, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Virada de Lula no segundo turno não é impossível, mas é bem difícil

País se junta a outras nações em onda de ultradireita

A direita fez barba, cabelo e bigode nestas eleições. Se o futuro é contingente, não dá para descartar uma virada de Lula contra Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas ela é improvável. Os menos de dois pontos percentuais que separam o petista de seu adversário podem não parecer muita coisa, mas os eleitores de Renan Santos, Augusto Cury e Ronaldo Caiado, que ficaram órfãos, tendem a ter um perfil mais conservador. Difícil imaginar que migrem para Lula em desproporção tal que compense e supere a diferença.

É claro que o imponderável pode dar as caras. Eleitores sempre podem mudar de ideia. Imagino até que os serviços de "opposition research" do petismo tenham guardado algum vazamento suculento contra Flávio. Tudo é possível, mas nada aponta um caminho muito fácil para a virada.

Difícil, mas Lula pode virar se mudar a rota e souber jogar, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se nunca houve reviravolta entre os dois turnos, nunca a distância do primeiro para o segundo lugar foi tão pequena

A dúvida é se o presidente terá força e discernimento bastantes para corrigir os erros a tempo de ganhar

O desempenho da direita impressionou, mas não o suficiente para consolidar a impressão de que a eleição esteja resolvida, Jair Bolsonaro indultado e os golpistas anistiados.

É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, e é fato também que nunca a distância foi tão estreita.

A derrocada da esquerda é ainda mais dura que a de 2018, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Bolsonaro pai planejou fazer sua volta ao poder usando a força do voto

Filho 01 pensa no acerto de contas e já age como se estivesse no Palácio do Planalto: fim do PT

Preso em novembro de 2025 por tramar um golpe de Estado para impedir a posse de Lula em 2023, Bolsonaro planejou fazer a volta ao poder usando a força do voto. É paradoxal, mas o bolsonarismo é assim.

Até agora está tudo dando certo. O filho Flávio venceu o primeiro turno por uma diferença de 2,4 milhões de votos e, dependendo da reação de Lula, que no momento parece improvável, deverá ser eleito presidente no último domingo de outubro. Ao som do funk, o 01 já age como se estivesse no Palácio do Planalto comandando o acerto de contas: "Está decretado o fim da era PT".

Para entender a euforia do mercado com Flávio Bolsonaro, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mera expectativa de 'ajuste' incerto derruba juros, maior queda em quase 20 anos

Queda de juros revela custo que país paga quando não há nem promessa de ajuste econômico

Dólar e Bolsa são os sinais mais "pop" da euforia de "o mercado" com a possibilidade agora muito maior da vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Presta-se menos atenção ao que se passa no mercado de juros. Isto é, onde grosso modo se definem taxas de empréstimos para o governo federal, em vários prazos, mercado de títulos da dívida pública, em geral o piso das taxas para a economia inteira. Na manhã desta segunda (5), as taxas caíam para todos os prazos, em particular para títulos de prazo de dois anos ou mais. As baixas mereciam aquele clichê jornalístico, "despencam", com quedas de mais de 1 ponto percentual para negócios de cinco anos, uma brutalidade. Caíam tanto que a B3 teve de ampliar limites máximos de variação diária. Estourou a boca do balão.

Sob a onda conservadora, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

O segundo turno é uma nova eleição, que está apenas começando. Como surpreendeu no primeiro turno, Flávio Bolsonaro pode ser surpreendido no segundo

Além de surpreendente, pois até a véspera a maioria das pesquisas de intenção de voto não a indicava, a vitória numérica do candidato Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais mostra de modo eloquente a consolidação do prestígio da direita. É preciso observar, porém, que, mesmo expressiva, a vantagem de 2,2 milhões de votos que Bolsonaro obteve sobre seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é garantia antecipada de vitória no segundo turno. Em 2022, nas quatro semanas entre o primeiro e o segundo turnos, o pai de Flávio, o hoje preso expresidente Jair Bolsonaro, conseguiu reduzir em 4,1 milhões de votos, de 6,2 milhões para 2,1 milhões, a diferença que o separava do mesmo candidato que o filho enfrenta neste ano. Mas Flávio começa a campanha do segundo turno com vantagem.

Todas as condições contra Lula, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Os ventos são contra Lula, mas ele parece não entender que o problema não é Flávio, é a onda da direita

A onda é a favor de Flávio Bolsonaro e contra Lula, que encontra condições de tempo e temperatura bastante desfavoráveis para atravessar o segundo turno com chance de vitória. Hoje, já se pode fazer o que não foi possível no fim do primeiro turno: apontar um favorito, que é Flávio.

A Flávio, basta não cometer erros. Para Lula ter chance de mais um mandato, é preciso acertar nas estratégias e nos aliados e alvos num ambiente hostil – e com o tempo correndo contra. Imagine-se o clima na campanha de Lula, envolvida em decepção, desânimo e troca de acusações.

A eleição do nariz tapado, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Não estará no gibi – o Supremo como grande eleitor – o quanto de 22 nas urnas Gilmar Mendes e Flávio Dino deram a Flávio Bolsonaro. Podem lhe dar ainda mais, os interventores. Só Nossa Senhora sabe. (Desaparecido Xandão, por ora.) (Sossegado Eduardo Bolsonaro, por ora.). Só Tarcísio poderia lhe dar mais votos; o resultado – a liderança ao fim do primeiro turno – sendo desestimulante para qualquer corpo mole. E já se achegam os donos do Centrão para oferecer o apoio negado três meses atrás. Chama-se perspectiva de poder.

O risco extremo da democracia, por Míriam Leitão

O Globo

Se ganhar, Lula terá uma oposição com força inédita, já Flávio terá maioria para completar o projeto autoritário

Para o Brasil, não há cenários fáceis à frente. Se o presidente Lula for eleito, pode enfrentar crises de governabilidade, a menos que tenha a capacidade de formar uma coalizão diante da direita fortalecida no Congresso. Se o eleito for Flávio Bolsonaro, ele terá nas mãos mais instrumentos para realizar o projeto autoritário do pai: bancadas robustas na Câmara e no Senado, o Supremo Tribunal Federal enfraquecido e o apoio do governo Donald Trump. A ciência política sabe que é no segundo mandato que o projeto autocrata dobra a aposta. Veja-se o caso de Donald Trump. O risco não é de o filho repetir o pai, é de superá-lo.

Ventos de direita: crise anunciada, por Fernando Gabeira

O Globo

Bolsonarismo se valeu da ideia de perseguição política e cresceu na condição de vítima

Aconteceu. Independentemente do resultado do segundo turno, o grande fato político é a vitória da direita no Senado, que, desde já, anuncia um ano de crises institucionais com o STF.

Aconteceu, e não creio que se possam culpar apenas os erros de campanha. A performance do governo teve peso. A frente que venceu em 2022 não foi capaz de crescer após as eleições, não soube se expandir para setores ainda não conquistados.

Escrevi alguns artigos mencionando minhas dúvidas aqui e ali. Mas às vezes as críticas são muito mal recebidas, e o velho argumento de que criticar é favorecer o adversário continua sendo dominante.

Orgulho e preconceito, por Merval Pereira

O Globo

Dirigentes do PT têm a pretensão de ser os donos da verdade, os que sabem guiar o povo para sua redenção.

Sempre se soube que o Brasil é um país conservador, mesmo que seja governado pela quinta vez por um presidente de esquerda (três vezes Lula e duas vezes Dilma). A supremacia surpreendente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, não quer dizer, porém, que a maioria dos cidadãos seja de extrema direita. Assim como as vitórias de Lula não comprovam que a maioria daqueles momentos era de esquerda, agora também a extrema direita não define a maioria dos que votaram em Flávio.

Aquilo que aconteceu, por Pedro Doria

O Globo

Ela gosta do brasileiro pobre que imagina, despreza o que existe

A única classe social em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu no primeiro turno foi a E. Nacionalmente, recebeu 54,4% dos votos dos brasileiros mais pobres. Mas aquela em que apresentou a menor distância para Flávio foi a classe A: 40,1% ante 48,7% do senador. Em nenhuma região a distância entre os dois, na classe A, foi tão estreita quanto no Sudeste. O filho de Bolsonaro ganhou, mas por 4 pontos percentuais. Na cidade do Rio, Lula venceu na classe A por 46% a 44%. Em São Paulo, foi Flávio quem levou vantagem — 44% a 42%. Lula ganhou entre os 27% mais pobres e foi extremamente competitivo entre os 3% mais ricos. Perdeu no resto.

Sobre “pós-tudo”: o que já está posto e o que está por vir, por Paulo Fábio Dantas Neto*

Achei boa a fala de Lula após a apuração dos votos do primeiro turno. Penso que foi o melhor possível como reação serena, no calor da hora, num momento em que ele está diante, talvez, da competição mais fatal da sua vida pública.  Admitir, como admitiu, que tomou uma lição de democracia insinua um bom recomeço. Logo saberemos se essas palavras se sustentarão ou se a força da inércia do seu campo ou da sua personalidade o manterá na busca de uma “bala de prata”, ou, ainda se, além disso, deslizará para ceder a tentações como a de usar a AGU pra espalhar suspeitas sobre a eleição. Mas o arriar de malas para o segundo turno foi um gesto de experiente profissional. Bem melhor do que o da criatura imprudente que está vencendo a eleição e decretou o “fim da era do PT” antes da batalha decisiva.

Brasil: La urgencia de remontar esta nueva batalla electoral, por Fernando de la Cuadra

Clarin Chile

Antes del pleito de este domingo, la casi totalidad de las encuestan daban como ganador al presidente Lula da Silva -aunque por un estrecho margen-, en torno de dos o cuatro puntos porcentuales. Con el 100 por ciento de los cómputos escrutados ya en la madrugada, esta situación se invirtió y aparece Flavio Bolsonaro con un 47,03 por ciento de los votos, frente al actual mandatario que obtuvo un 45,16 por ciento, es decir, poco menos de 2 puntos de diferencia.

Um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém, por Pablo Spinelli

Escrito no calor da hora, pode-se errar na análise quanto ao tom, mas urge uma reflexão para que se possa relacionar ciência com política. Parafraseando uma famosa frase da escrita do escritor Mario Vargas Llosa, “quando esse governo se deu mal?”

A começar pela subida da rampa quando a simbologia daqueles personagens – que não se sabe se subiram novamente – já dificultava o entendimento do que foi prometido: um governo de pacificação e união nacional e a governabilidade com a Frente Democrática. Nem um gesto para a construção do “ministério do amor” e do “vamos namorar”, palavras ditas em tom de gracejo do então candidato Lula. Como os jovens poderiam namorar com dívidas? Sem ir ao cinema, tomar um sorvete, nada. As políticas de entrega de dinheiro à sociedade já foram internalizadas como direitos ou como uma prática de compra do voto, das mentes e dos corações que seriam respondidas pela traição na urna. A péssima política educacional ficou resumida ao “pé-de-meia”, uma política tão neoliberal quanto os vouchers de Paulo Guedes. Há de ser feita uma pesquisa para os “pés-de-meia” quanto aos seus votos.

Presidente Lula faz reunião de coordenação - Olhe o vídeo

 

Poesia | Soneto do Amigo, de Vinicius de Moraes

 

Música | MPB4 e Verônica Sabino - Gota d'Água (Chico Buarque)

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Segundo turno impõe debate maduro de ideias

Por O Globo

Direita deu demonstração de força; agora Flávio e Lula têm obrigação de trocar ataques estéreis por propostas exequíveis

O eleitor brasileiro ainda não escolheu o presidente da República ontem. Haverá segundo turno no próximo dia 25 entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio obteve 47% dos votos, ante 45% de Lula. A abstenção foi de 21%, aproximadamente o mesmo patamar de 2022. Os votos nulos e brancos cresceram em relação à última eleição — 4,7% ante 4,4%. Como em 2018 e 2022, as urnas refletiram o cenário político polarizado, e os demais candidatos não chegaram nem perto de ameaçar a hegemonia das duas maiores forças políticas do país. Mas o recado mais nítido das urnas foi o avanço de candidatos e partidos de direita.

Favoritismo de Flávio obriga Lula a adotar uma estratégia de resistência, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A Constituição de 1988 produziu quatro décadas de eleições livres, alternância de poder e ampliação de direitos. Entretanto, o Brasil que construiu aquele sistema mudou radicalmente

A eleição deste domingo vai muito além da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva. Com mais de 99% das seções totalizadas, Flávio tinha cerca de 47% dos votos válidos, contra aproximadamente 45% de Lula, resultado que confirmou o segundo turno no próximo dia 25. O candidato do PL não apenas superou as pesquisas da véspera como demonstrou que a onda conservadora, iniciada em 2018, será longa e que o centro político está sendo, mais uma vez, capturado pela extrema-direita.

A apuração chegou a mostrar Flávio acima dos 50% até quase dois terços das urnas contabilizadas. A vantagem diminuiu à medida que avançava a totalização dos estados mais favoráveis a Lula, mas permaneceu suficiente para inverter a expectativa criada pelas últimas pesquisas, nas quais os dois apareciam empatados ou com pequena vantagem do petista. A Quaest, por exemplo, apontava 46% a 45% dos votos válidos para Lula; o Atlas, 47% a 44,1%.

Lula tem desafio de ‘reinvenção’ no segundo turno, por Sofia Aguiar e Cristiane Agostine

Valor Econômico

Avaliação é que Flávio Bolsonaro captou sentimento de mudança dos eleitores e que Lula terá dificuldade para ampliar arco de aliados

A campanha do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao segundo turno pressionada a se reinventar nos próximos dias, para tentar garantir um novo mandato petista, depois de terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em sua primeira fala após o resultado, Lula admitiu surpresa e desapontamento, mas desafiou o parlamentar e disse ser “bom no mata-mata”. Segundo ele, o pilar da próxima etapa da campanha será investir na “biografia tenebrosa e de ligação com milicianos” da família Bolsonaro.

“A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha. Campanha que vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”, afirmou Lula em um hotel em São Paulo, de onde acompanhou a apuração.

“O jogo vai começar, estamos na prorrogação. Vamos convencer o povo brasileiro da importância de continuarmos nosso projeto”, disse.

O dique contra avalanche da direita fica por um triz, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Resultados mostram que eleição de Lula em 2022 não foi alicerçada em bases nacionais

O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou ao 2º turno da eleição presidencial na liderança de uma disputa em que a direita avançou em todo o país, nos governos estaduais e no Congresso. Impôs, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mesma diferença de votos (2,3 milhões) com a qual o pai foi derrotado em 2022. É como se a barreira erguida por Lula contra o avanço da direita iniciado em 2018 não tivesse se alicerçado no conjunto do país e agora esteja prestes a romper.

Não se registra, nas histórias de 2º turno das disputas presidenciais, uma reversão de vantagem, ainda que a diferença tenha sido estreita como a deste domingo. As chances de Flávio consolidar sua vantagem estão na maior afinidade com o eleitorado da terceira via. Somados, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) tiveram 7,5% dos votos, patamar equivalente ao de 2022.

Direita consegue o melhor resultado em eleições presidenciais desde 1989, por César Felício

Valor Econômico

Flávio Bolsonaro fecha primeiro turno com desempenho melhor que o pai; lulistas levam só 5 Estados

A direita conseguiu no primeiro turno da eleição presidencial o seu melhor resultado desde a redemocratização em 1989. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou 47% dos votos válidos, indo para o segundo turno em primeiro lugar contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou com 45,2 % do total, excluindo votos brancos e nulos. O percentual atingido por Flávio é 3,8 pontos percentuais acima do obtido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e um ponto superior ao desempenho do bolsonarismo em 2018, e não veio isoladamente.

O PL garante no momento uma bancada de 28 senadores, a maior da casa legislativa, e bolsonaristas ou aliados táticos de Flávio venceram em primeiro turno a disputa de catorze governos estaduais. Esta conta pode subir para 15 a depender da decisão da Justiça eleitoral a respeito da votação no Rio de Janeiro. Caso os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) sejam considerados anulados, o governador eleito será Douglas Ruas (PL).

Bolsonarismo avança e empurra o Brasil para um novo, e perigoso, ciclo histórico, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Eleição de Sérgio Moro para o governo do Paraná, em primeiro turno, é uma síntese do que aconteceu neste domingo: os vitoriosos de 2018 tinham sido derrotados e voltam a ser vitoriosos

O Brasil vive o fim de uma era e entra num novo ciclo histórico, com a derrota do PT e da esquerda e a vitória, não da direita tradicional, mas do bolsonarismo e tudo o que ele representa. O que se viu neste domingo, 4 de outubro de 2026, foi um tsunami bolsonarista que faz estragos em avanços duramente conquistados e joga o País numa incógnita.

Os “aliados” do presidente Lula no Supremo Tribunal Federal contribuíram decisivamente para o susto de Lula e o sucesso de Flávio. Começa com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes metidos na lama do Master e desaba nas decisões heterodoxas de Flávio Dino e Gilmar Mendes a favor de Lula. Quantos eleitores se rebelaram contra isso?

A volta a um passado que nunca existiu, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A extrema direita transforma em glórias os crimes que se cometeram para garanti-las

E é um passado ainda mais perigoso, porque promete um futuro que também nunca existirá

Em sessão recente na Academia Brasileira de Letras, meu colega, o escritor João Almino, levantou uma importante questão: a estratégia da extrema direita, que, "sob uma capa superficial de defesa da liberdade, da família, dos costumes, da tradição, da ordem, da religião, da nação, da civilização ou da própria democracia, adota um discurso de regresso ao passado". E que passado é esse? Um que nunca existiu e muito menos foi vivido por aqueles que o defendem.

Erros em sequência e onda bolsonarista emparedam Lula, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Ultrapassagem de Flávio e desempenho de seus aliados projetam dificuldades enormes para o presidente

PT sofre derrota nacional maiúscula e, mesmo que retenha o Planalto, viverá cenário de pressão contínua

A cavalgada dos bolsonaristas no primeiro turno das eleições gerais neste domingo (4) é um evento político de ampla repercussão. Pelo avanço das forças de Flávio Bolsonaro (PL) e por seus próprios erros, o presidente Lula (PT) vai para a segunda rodada emparedado.

Se havia o temor entre petistas de que um empate ou uma superioridade mais leve do filho de Jair Bolsonaro no primeiro turno tornaria o tira-teima difícil, a situação do presidente tornou-se dramática, ainda que não irreversível.

Em seu favor, há a possibilidade de que a migração dos nanicos à direita que desidrataram no dia do pleito tenha chegado ao limite. Mas é incerto de onde Lula poderá tirar votos, salvo intercorrências imprevisíveis. A aposta sugerida em sua primeira fala é a comparação de biografias, algo insondável.

A direita ocupa os estados, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Fim da fragmentação concentra disputas estaduais e amplia o espaço de PL, PSD, PP e Republicanos

Número de partidos competitivos encolhe; em 2018, 13 legendas elegeram governadores; agora, 9 lideram apuração

Esta coluna foi fechada com a apuração das eleições em andamento, com base nos dados parciais do TSE das 20h50 (de Brasília) e nos resultados de pleitos anteriores. Os números indicam que a lógica da disputa presidencial, organizada em dois polos, desceu para os estados.

A medida mais simples é somar os votos válidos dos dois primeiros colocados em cada unidade da Federação. Na apuração parcial, a mediana dessa soma era de 89%. Foi de 76% em 2018 e de 81% em 2022. Em 12 estados os dois líderes concentravam 90% ou mais dos votos válidos; eram dois em 2018 e sete em 2022.

Eleições e a guarda do entusiasmo, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A forte competitividade convive com um profundo cinismo cívico; há polarização e desencanto

Brasil recuperou a incerteza eleitoral característica das democracias

Há exatamente um século, um presidente era eleito em nosso país com 99,7% dos votos. Sim, Washington Luís recebeu 688.528 votos, equivalentes a 99,70% dos votos nominais válidos —aproximadamente 98,1% do total de votos depositados, incluindo brancos e nulos. Seu adversário, Assis Brasil, recebeu apenas 1.116 votos, ou 0,16% dos votos nominais. Hoje, escrevo esta coluna sem saber o resultado das urnas. O resultado é incerto. Não sabemos se haverá segundo turno. Temos uma única certeza: o resultado será muito acirrado.

Flávio agora tem tudo para jogar parado, por Marco Antonio Carvalho Teixeira

Folha de S. Paulo

Se não houver um debate efetivo de propostas, senador deve ser eleito em razão do antipetismo enraizado

Caso Lulinha trouxe novamente o tema da corrupção para o governo e o PT e foi importante elemento de desgaste

As eleições de 2026 ganharam características próprias quando comparadas aos dois pleitos anteriores entre o petismo e o bolsonarismo.

Em 2018, com Lula preso, a retórica bolsonarista trazia um tom missionário ao exaltar pautas como o combate à corrupção e a defesa de valores morais e religiosos como prioridades, deixando o petismo, recém-saído da Lava Jato, na defensiva. Em 2022, após sucessivos conflitos do governo Jair Bolsonaro com o STF, que desencadearam o receio de uma ruptura institucional, os petistas investiram na construção de uma frente ampla em defesa da democracia, o que parecia enfraquecer o bolsonarismo enquanto grupo político —sobretudo após o episódio de 8 de janeiro.

Tsunami da direita nos estados tem método, por Vanessa Elias de Oliveira

Folha de S. Paulo

Discurso antissistema de outrora se contrapõe aos vencedores, com larga experiência administrativa

Questão da segurança pública se mostrou decisiva nas escolhas do eleitorado, além da atuação política do Judiciário

Pesquisa Datafolha mostrou que 73% dos entrevistados consideram a democracia melhor do que outras formas de governo. Esse dado deve ser observado ao analisarmos o resultado das eleições estaduais, sobretudo sob dois aspectos.

O primeiro é um paradoxo. O discurso antissistema, ainda presente no debate público, se contrapõe ao que saiu das urnas: o eleitor recompensou justamente os políticos mais experientes, "do sistema". Do Executivo, 11 governadores em exercício e 5 ex-prefeitos foram eleitos. Entre os políticos com experiência legislativa, foram 3 senadores, 1 deputado federal e 1 deputado estadual. Juntos, somam os 21 governadores eleitos em primeiro turno.

Eleição de 2026 contará história de desastre político-institucional, por Carlos Melo

O Globo

Há um potencial de confusão que virá do Congresso. Com a nova composição do Senado, a crise com o STF está contratada

Cada eleição conta uma história. A de 2026 contará a história de um desastre político-institucional. Seu legado pesará sobre a vida nacional. A esperança não compareceu ao debate, e o desejo de mudança se escorou na antipolítica. Atarantada, a opinião pública fracassou em influenciar políticos a olhar o horizonte e indicar as saídas do labirinto. Com a crise, os três Poderes estão prostrados. Não bastasse isso, o sagrado e as paixões religiosas foram arrastados para o conflito.

Estratégia de comunicação dos partidos, uma vitória no primeiro turno era improvável. A disputa ficará mais tensa e agressiva: o segundo turno não se presta à construção de unidade, mas à guerra de rejeições. Vota-se contra. Mais que fazer crer em Deus, o objetivo é aguçar o medo do diabo. Independentemente de quem será eleito, dividido o país entrou na eleição e dividido permanecerá.

Vorcaro é o intérprete da elite do Brasil que votou ontem, por Miguel de Almeida

O Globo

Nas oferendas do ex-banqueiro, não há cor ideológica. Ele fareja quem pode fraquejar

‘Numa terra radiosa vive um povo triste’, escreveu meu herói Paulo Prado na página inicial de “Retrato do Brasil — ensaio sobre a tristeza brasileira”, em 1928. Fazendeiro de café, rico e sofisticado, ele foi um dos patrocinadores da Semana de Arte de 1922. Sua tese: a luxúria e a cobiça dos colonizadores haviam produzido nossa tristeza. Quase um século depois, numa festa em Trancoso, litoral sul baiano, Daniel Vorcaro trouxe as provas. O tema era a Amazônia, os convidados usavam adereços indígenas e, segundo a Polícia Federal (PF), a bagunça vinha com garotas de programa. O regabofe destinava-se a amolecer autoridades federais.

O que esperar do segundo turno? Por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

A pauta básica de Flávio é política e vingativa. Planeja indultar seu pai e anistiar todos os condenados pelo 8 de Janeiro

Recomeça a campanha presidencial. Foi dada uma segunda chance aos candidatos, já que a primeira parte passou com um vazio de ideias e propostas. Não por falta de problemas.

O Brasil passa por um momento singular. A economia cresce, mas pouco e em desaceleração. A inflação está fora da meta, mas não é explosiva. Houve ganhos de renda ao longo dos últimos anos, mas as famílias não se sentem confortáveis. Estão endividadas e percebem que o custo de vida permanece alto. É muito baixa a produtividade, consequência de décadas de educação de má qualidade.

Tudo isso exige programas de longo prazo, requer uma visão de país. Além disso, há questões imediatas que ocuparão o presidente eleito desde seu primeiro dia. É como se o vencedor fosse receber um envelope que ninguém quis abrir na campanha.

Lula só ganha de Flávio; contra o antipetismo, perde de lavada, por Renato Meirelles

O Globo

Petista precisa falar sobre temas que afetam a vida do eleitor

O primeiro turno deu uma notícia ruim e uma boa para Lula. A ruim é que o antipetismo está vivo, organizado e chegou às urnas com muito mais força do que o governo gostaria. A boa é que, no segundo turno, Lula não precisa disputar contra o antipetismo. Precisa disputar contra Flávio Bolsonaro.

Parece a mesma coisa. Não é.

Se a pergunta da eleição continuar sendo “você quer mais quatro anos de PT?”, Lula corre enorme risco de perder. O antipetismo é maior do que Flávio. Reúne desde o bolsonarista convicto até aquele eleitor que não suporta Bolsonaro, mas olha para o governo e pensa: “Chega”.

O tombo de Lula, a reação bolsonarista e a soberba que mudou de lado, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Presidente subestimou adversário e estava convencido de que venceria no 1º turno; Flávio se apressa em decretar 'fim da era do PT'

Em setembro de 2025, o Supremo condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Em outubro de 2026, seu filho mais velho vai largar na frente no segundo turno da disputa presidencial.

Em pouco mais de um ano, o bolsonarismo saiu das cordas, ampliou sua bancada no Congresso e voltou a botar um pé na rampa do Planalto. A reação foi impulsionada pela autocombustão do Supremo e por erros do petismo, que subestimou o rival e demorou a admitir que o eleitor tinha motivo para cobrar mudanças.

Lula discursa ao vivo após apuração das urnas no 1º turno das eleições; assista