quinta-feira, 30 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Congressistas devem explicações sobre carona em jatinho

Por O Globo

Presidente da Câmara, senador e deputados viajaram para o Caribe em aeronave de empresário

No dia 13 de abril de 2025, o jato com o prefixo PP-OIG, pertencente ao empresário Fernando Oliveira Lima, dono de empresas de apostas on-line conhecido como Fernandin OIG, decolou do São Paulo Catarina, aeroporto exclusivo de aviação executiva em São Roque (SP), a 68 quilômetros da capital paulista. O destino era a ilha caribenha de São Martinho. Fernandin postou imagens da viagem numa rede social, com passeios a bordo de embarcações de luxo pelas águas azuis do Caribe, piscina privativa, serviço de concierge e menu de frios, ostras e lagosta. Uma semana depois, no dia 20, por volta das 21 horas, o mesmo jatinho pousou de volta em São Roque.

Impacto da guerra se espalha na economia, por Míriam Leitão

O Globo

O efeito da guerra na economia vai além do petróleo e já pressiona a produção de chips e o setor de alimentos, com a queda na oferta de fertilizantes

O impacto da guerra na economia vai muito além do petróleo. Está ameaçando a produção de chips e afetando o setor de alimentos ao reduzir a oferta de fertilizantes. A escassez de insumos agrícolas chegou a algumas economias e em dois meses atingirá o Brasil. A inflação reflete este cenário nos preços, todas as projeções subiram, e por isso, o Banco Central tomou a decisão de fazer apenas um corte de 0,25 ponto percentual, mesmo os juros estando tão altos.

Os caronas do bonde do Tigrinho, por Julia Duailibi

O Globo

Ministros do STF, deputados e senadores continuam aceitando caronas em jatinhos de empresários

Dois deputados federais, um senador da República e o presidente da Câmara dos Deputados pegaram carona no jatinho de um empresário do ramo das bets em meio a uma CPI que investigava justamente esse mesmo empresário do ramo das bets. Enquanto colegas trabalhavam em Brasília para tentar descobrir se Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, havia cometido lavagem de dinheiro, dissimulação patrimonial ou evasão de divisas, os quatro parlamentares acharam que tudo bem embarcar no avião dele, que tinha como destino o Caribe.

Derrota de Messias vira o jogo da eleição, por Malu Gaspar

O Globo

Ofensiva contra indicado do presidente teve ajuda de ministros do STF como Alexandre de Moraes

Um dia antes de o Senado Federal derrotar a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) mandou um recado aos senadores da oposição bolsonarista. Se perdessem a oportunidade de derrubar o indicado de Lula no plenário, que não viessem lhe pedir para colocar em pauta um dos cerca de cem pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados. No dia seguinte, o mesmo Alcolumbre, conhecido por nunca atender o celular, passou o tempo todo ao telefone falando com qualquer parlamentar que tivesse condição de ajudá-lo. Nas conversas, variações do mesmo tema — faça seu papel que farei o meu —, terminando sempre com “hoje será um dia histórico”.

Com o primeiro vaticínio confirmado, dois novos passaram a ser ouvidos em Brasília. O primeiro: o governo “acabou”. Outro: o próximo passo é o impeachment de ministros do Supremo. É difícil cravar agora com 100% de certeza se tais previsões se confirmarão.

Nada será como antes para Lula depois da rejeição de Messias, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O resultado abala a liturgia da Presidência e tem impacto na autoridade de Lula. No presidencialismo, nomear ministros de cortes superiores é exercício de poder

A rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado marca um ponto de inflexão na política brasileira e reposiciona a relação entre os Poderes. Mais do que um fracasso do indicado, é uma derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção revelou que o governo perdeu o controle de sua base no Senado. E cometeu graves erros de avaliação e condução das negociações, apesar das advertências do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de Alcolumbre na política do Amapá.

A receita da limonada é a escolha de uma mulher negra ao STF, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Depois de rejeitar um evangélico, Senado teria que arcar com o ônus duplo de negar a vaga também a uma mulher negra

O presidente da República colecionou mais um “nunca antes na história do país” com a derrota da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. As excepcionalidades viraram o novo normal. Nunca, ou, pelo menos, desde a redemocratização, não se via um governo tão minoritário no Executivo. Nem tampouco um presidente do Senado trabalhando tão abertamente contra uma indicação presidencial.

Nenhuma das excepcionalidades, porém, foi mais determinante para o desfecho da noite desta quarta do que aquelas que dominam o STF. Nunca houve um ministro do Supremo cuja esposa firmou contrato de R$ 130 milhões com banqueiro pilantra. Nunca houve togado dono de resort. Nem ministro que chama senador de miliciano, processa outro por um voto e está sentado há cinco meses em cima de liminar sobre as regras para o Senado dar um basta em tudo isso.

Derrota marca rompimento da relação entre Lula e Alcolumbre

Por Sofia AguiarAndrea JubéTiago Angelo e Gabriela Guido / Valor Econômico

Após rejeição de Messias, aliados do presidente da República ainda avaliavam impactos políticos e chances de encaminhamento de novo nome

Com o rompimento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), considerado praticamente consumado, autoridades do governo ainda avaliavam na noite de quarta-feira (29) o impacto político da rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Além de fragilizar o Palácio do Planalto, disseram algumas fontes nos bastidores, o episódio demonstra que a própria Corte passa a ficar ainda mais exposta.

O fato foi considerado um ponto de inflexão. Messias obteve apenas 34 votos a favor, ante os 41 necessários para a sua nomeação, o que indicou ao Executivo que a agenda legislativa do governo pode ficar inviabilizada. Um interlocutor de Lula classificou o placar como “humilhante”. Também havia dúvidas se e quando Lula deveria encaminhar novo nome ao Senado, além do perfil do escolhido.

Duas transparências, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Autoridades que validam penduricalhos, ocultam negociatas e depois saem por aí fazendo pose de sacerdotes da transparência estão nos enganando

A imprensa cumpre seu papel quando dá transparência a paredes que os poderosos gostariam de manter opacas. Manchete de anteontem aqui no Estadão: Fazenda de SP pagou, em 1 mês, R$ 111 milhões em penduricalhos (28/4, A8). A reportagem de Felipe de Paula e Fausto Macedo abriu a planilha para o público, ou seja, tornou transparentes os tapumes que a escondiam. Um auditor sozinho recebeu R$ 513 mil. Líquidos. Num único mês. E este é apenas um dos muitos absurdos que se tornaram visíveis.

Também anteontem, um dos editoriais do jornal, Inação ante os supersalários (A3), deu visibilidade a outro fator deprimente: “Congresso mantém parado desde 2023 projeto que limita abusos no serviço público, enquanto avança com rapidez em propostas que ampliam benefícios e revela resistência a enfrentar privilégios”. As informações, detalhadas e precisas, foram apuradas pela reportagem deste matutino. De novo, ponto para o jornalismo e ponto para a transparência.

A força de Alcolumbre e do sentimento anti-STF, por Ricardo Corrêa *

O Estado de S. Paulo

Pressão no Parlamento vai aumentar e custos de nova derrota podem ser mais pesados para o Planalto

Lula insistiu, bateu o pé, manteve o nome de Jorge Messias, mesmo diante de todos os alertas que recebeu e da pressão que sofria para ir por outro caminho. E perdeu. Perdeu sendo relembrado, da pior forma, da força do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. E da insatisfação do Congresso atual com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula nunca teve base confortável, mas conseguia se virar no Senado, sempre com o auxílio de Alcolumbre. Sem ele, percebeu que não tem nem maioria simples dos parlamentares na Casa. Se, depois de quatro meses empurrando a indicação com a barriga, o presidente do Senado aceitou pautar a indicação do petista, na melhor das hipóteses, não moveu uma palha sequer para ajudar. Lavou as mãos para, agora, poder dizer: “Na próxima, me ouça”.

O pior cego, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Estava claro e só não enxergou quem não quis ver. Especialmente o presidente Lula. Fez mais uma aposta errada, uma das piores na sequência de apostas políticas equivocadas que demonstram um líder político em seu ocaso. As condições para a aprovação do indicado eram difíceis de saída, sobretudo pela proximidade das eleições. Não só a oposição declarada, mas um bom pedaço do centrismo no Senado achava que seria melhor uma indicação depois do 4 de outubro – melhor até para o próprio STF.

Não se sabe quem garantiu a Lula que Messias passaria raspando, mas passaria. Se foi Alcolumbre, foi um conselho diabólico para pular para dentro do abismo. Pois a derrota política é histórica na pura acepção da palavra.

O aviso da derrota de Messias, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Supremo vê revés no Senado como um aviso sobre impeachment de ministros

A rejeição histórica do Senado ao nome de Jorge Messias foi interpretada de duas formas por integrantes do Supremo Tribunal Federal. A primeira é a desmoralização do governo Lula perante o Congresso. A segunda é que o Senado enviou à Corte um recado: se hoje a Casa tem maioria para descartar um candidato a ministro, amanhã terá poder suficiente para afastar quem já compõe o tribunal.

O PT e seu programa sem futuro, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Documento apresentado pelo PT em seu congresso não faz jus ao partido real

Não se sabe bem de onde veio a inspiração que animou os autores

O Partido dos Trabalhadores acaba de realizar seu 8° Congresso Nacional, no qual aprovou o documento "Construindo o futuro: manifesto do PT para seguir transformando o país". Trata-se de peça programática com a ambição de apresentar um mapa das mudanças que a maior agremiação de esquerda propõe ao Brasil. Em princípio, deveria também nortear as campanhas eleitorais deste ano.

O texto tem três partes. A primeira é uma diatribe contra o capitalismo neoliberal. Os quatro longos parágrafos iniciais descrevem os malefícios que o sistema produziu. Mas não é clara a alternativa proposta ao capitalismo destrutivo. Seria alguma forma de capitalismo domesticado, à semelhança do praticado pelas social-democracias? Ou um tipo ainda desconhecido de socialismo compatível com a democracia e as liberdades individuais?

Desastrosa para Lula, derrota gera dúvida sobre capacidade de reação do governo, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Messias enfrentou sentimento anti-STF, calendário eleitoral e hostilidade de Alcolumbre

Ao presidente, resta agora tentar alguma medida de impacto antes da eleição, como fim da escala 6x1

A derrota por larga margem na indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) deixa dúvidas sobre a capacidade de reação do governo Lula e abre perspectivas sombrias para a campanha eleitoral que se avizinha.

Messias foi vítima do fato de ter sido escolhido na hora errada. Como mostrou a sabatina para lá de cortês na Comissão de Constituição e Justiça, o indicado não desperta resistências de caráter pessoal. É educado, afável e tem jogo de cintura política.

Por diversas vezes na longa sessão, buscou estabelecer relação de empatia, mesmo com os mais barulhentos opositores. Não se abalou nem com as provocações do verborrágico Magno Malta (PL-ES).

Uma noite de derrotas graves de Lula, na política e na economia, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Enterro da nomeação de Messias também anima forças da direita que querem dominar o STF

Imprevidência e conversa velha na política e na economia prejudicam projeto Lula 4

atropelamento do governo no Senado foi tamanho e tão cheio de significados que o destino cinzento das taxas de juros no Brasil ficou parecendo um assunto acadêmico ou menor. Se alguém ainda se lembra, nesta quarta (29) o Banco Central diminuiu a Selic de 14,75% para 14,5%, mas deu indícios de que o gato dos cortes de juros está subindo no telhado.

Taxa de juros não é assunto acadêmico ou menor, claro, embora seja conversa muito mais tediosa. Os dois assuntos, porém, são derrotas sérias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sinais de mais riscos, político-institucionais e econômicos.

Rejeição de Messias é vitória da baixa política, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Davi marcou a sabatina de indicado de Lula para 'matar'

Presidente do Senado esperava acordo para indicar Rodrigo Pacheco ao STF

Festa na oposição bolsonarista e frustração na base governista. A derrota histórica que o presidente do SenadoDavi Alcolumbre, impôs ao presidente Lula é um divisor de águas.

Davi acreditava que tinha um acordo de bastidores com Lula para indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para o Supremo Tribunal Federal após a indicação e aprovação do ex-ministro da Justiça Flávio Dino —hoje, o caçador de emendas parlamentares.

Davi nunca mudou de posição. Sempre foi contra Messias e avisou que tinha marcado a sabatina para "matar".

Poderá o STF ter um ministro ateu? Por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Messias foi crucificado por briga entre o Planalto e o Senado

Suas afirmações sobre religião e STF parecem contraditórias; e são

Jorge Messias é um jurista competente. Foi um erro o Senado tê-lo rejeitado, numa derrota que tem o peso histórico de 132 anos.

Messias foi crucificado na disputa entre o presidente do Senado e o presidente da República, como uma demonstração de força de Alcolumbre de que, um, a eleição já começou e ela não está ganha e, dois, o impeachment dos ministros do STF –que requer apoio de 54 senadores– não está fora de questão.

Poesia | Antônio Abujamra declama Mário Quintana

 

Música | Luiza Lara - O que será (Chico Buarque) -

 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Senado precisa cobrar de Messias apoio à reforma do STF

Por Folha de S. Paulo

Parlamentares devem questionar o indicado sobre código de ética de Fachin e o fim dos inquéritos abusivos

Corte passa por crise mais grave desde a redemocratização; em busca de fidelidade, Lula aviltou o processo de escolha dos membros do STF

No arranjo institucional brasileiro, cabe ao Senado o papel de anteparo às escolhas do presidente da República para os cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal, por meio de sabatina e votação dos indicados. Assim se deve evitar que chefes do Executivo detenham o pleno poder, que convida a erros e abusos, na nomeação da cúpula do Judiciário.

Infelizmente, essa tarefa tem sido negligenciada na história republicana. Desde o início do século 20, os senadores trataram invariavelmente o rito como mera formalidade, e todos os indicados foram aprovados. Só houve cinco rejeições, todas no longínquo 1894, durante embate com o governo Floriano Peixoto.

Sabatina é de Messias, mas em jogo está a força de Lula, por Fernando Exman

Valor Econômico

Nesta semana, presidente e sua gestão enfrentam um importante “teste de estresse”

Na engenharia ou na economia, “teste de estresse” é o procedimento extremo realizado para avaliar a resiliência de determinado objeto, empreendimento, sistema ou portfólio. Simulação rigorosa, capaz de identificar possíveis pontos de ruptura ou falhas. Mas o conceito também pode ser usado na política. Nesta semana, Luiz Inácio Lula da Silva e a Presidência da República enfrentam um importante “teste de estresse”.

Traições preocupam tanto o governo quanto a oposição, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Votação secreta e comportamento de Alcolumbre alimentam insegurança do placar

A ordem do dia no Senado, às vésperas da sabatina do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, começou com queixas, da tribuna às conversas ao pé do ouvido, de arbitrariedades no Supremo Tribunal Federal. Minutos antes da abertura da sessão da tarde desta terça, o plenário do Senado registrava 56 senadores. Ainda que houvesse outros oito na Casa, que ainda não haviam registrado presença, outros dez ainda precisavam desembarcar em Brasília até esta quarta para que a sessão que vai deliberar a indicação de Messias para o STF fosse aberta com o quórum de 78 votos que garantiriam uma margem de segurança para a votação.

Agenda evangélica pauta Lula na indicação de mulher à Defensoria Pública, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A DPU virou moeda de troca e palco de disputas ideológicas. Cristãos conservadores contra a esquerda defensora dos indígenas e quilombolas, a favor do aborto e do casamento gay

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indicar a defensora pública Tarcijany Linhares Aguiar Machado, segunda colocada na lista tríplice da categoria, para a chefia da Defensoria Pública da União (DPU), em detrimento do mais votado, Leonardo Magalhães, ganhou contornos de disputa político-ideológico com viés religioso e de gênero. Tarcijany é evangélica e sua indicação entrou no pacote das articulações com senadores para aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Hoje, Messias será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a partir das 9h, depois de longa espera. A incógnita é o posicionamento dos aliados do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com quem se encontrou discretamente na semana passada, “por acaso”, na casa de um ministro do Supremo que supostamente não os avisou que ambos estariam juntos. Messias pediu apoio formal, mas Alcolumbre desconversou e disse que a aprovação seguirá o rito protocolar.

Quem quer dinheiro? por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

Perguntava um fulgurante Silvio Santos, para ouvir do auditório um sonoro “EU” de maravilhada expectativa, porque o apresentador jogava notas de dinheiro em forma de aviãozinho para a plateia. O programa virava um espaço encantado pelo milagre de ver alguém distribuindo o que deveria ser entesourado, e o público testemunhava um rico capaz de transformar sovinice em generosidade.

Lula abre o cofre para emplacar Messias, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fez o que pôde, até hoje, para impedir a aprovação do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Tanto é assim que, embora a sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado seja hoje, ninguém arrisca o placar da votação.

O Palácio do Planalto avalia que a indicação de Messias será aprovada, mas, pelo sim, pelo não, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou abrir o cofre. Diante de um cenário em que Alcolumbre mede forças com Lula, o governo acelerou a liberação de emendas parlamentares e as negociações de cargos nas duas últimas semanas.

A briga pelas expectativas, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A desancoragem das expectativas de inflação é ameaça que paira sobre a decisão do Copom

Paira uma ameaça iminente sobre a decisão do Copom de hoje: a desancoragem das expectativas de inflação. A esmagadora maioria dos analistas aposta em um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, para 14,50%, mas o que está em jogo é o que o Banco Central irá sinalizar no comunicado sobre os próximos passos da política monetária. O tom da mensagem será decisivo para interromper ou não a piora recente nas projeções de inflação para 2026 e 2027.

Para Lula, é ‘vencer ou vencer’ com Messias, por Vera Magalhães

O Globo

Aprovação no Senado passará à opinião pública a imagem de um governo que ainda mantém controle de sua articulação política

Lula enfrenta nesta quarta-feira um dos testes mais importantes de seu terceiro mandato. Uma derrota no Senado na votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) o fragilizaria de maneira até aqui inédita perante o Congresso e um eleitorado já bastante ressabiado. Para o petista, hoje é vencer ou vencer.

As contas pré-sabatina e votação no plenário mostram que será “com emoção”, mas a maioria dos prognósticos aponta uma vitória por pequena margem do ex-advogado-geral da União, cuja indicação foi feita no ano passado, segurada, confirmada neste ano e contrariou frontalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

A votação acontece num momento de extrema tensão entre STF e Senado, com ecos na pré-campanha eleitoral e endosso de parcela crescente da sociedade, medida por pesquisas. Messias dificilmente escapará de uma inquirição dura, que refletirá esse cenário. Seu desafio será responder de forma a não se queimar com os dez ministros da Corte nem contrariar seus “eleitores” em potencial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário — lembrando que as duas rodadas de votação são secretas, para aumentar o suspense.

O dia D de Messias, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Indicado ao Supremo pode pagar por fatores alheios à sua biografia, como apetite de Alcolumbre e proximidade da eleição

Depois de cinco meses de espera, Jorge Messias enfrenta hoje seu dia D no Senado. O indicado de Lula ao Supremo foi avisado de que a sabatina será dura. Aliados projetam um placar apertado, com poucos votos a mais que os 41 necessários para aprová-lo.

Ontem à noite, governistas ainda admitiam o risco de uma zebra na votação secreta. Seria uma derrota histórica para o Planalto. Desde 1894, na República da Espada, o Senado não barra uma nomeação para a Suprema Corte.

Servidor de carreira, Messias ascendeu como quadro do petismo. Foi secretário de Assuntos Jurídicos de Dilma, quando ganhou fama involuntária ao ser chamado de “Bessias” num grampo da Lava-Jato. No governo Bolsonaro, refugiou-se no Senado como assessor de Jaques Wagner.

O Times Square de São Paulo, por Elio Gaspari

O Globo

Revitalização é uma coisa, macaquice é outra

De uma hora para outra, São Paulo foi levada a crer que a esquina das avenidas Ipiranga e São João pode virar uma Times Square, aquele magnífico pedaço de Manhattan. Tomara, mas a iniciativa está com forte cheiro de macaquice, supondo que foram os luminosos que revitalizaram a região.

Até o fim do século passado, o entorno da esquina da Broadway com a Rua 42 passou por uma inédita decadência, tomado por cinemas pornô, drogas, prostituição e batedores de carteira. O cartão-postal da cidade parecia irremediavelmente perdido. Comparada à Times Square de então, a esquina de Ipiranga com São João era um brinco.

Então surgiu o prefeito Edward Koch. Vitriólico e incansável, ele criou um escritório para revitalizar a região. Pensou-se nos grandes letreiros, mas esse foi apenas um asterisco. O Estado de Nova York assumiu casas de espetáculos, a prefeitura deu incentivos e, acima de tudo, o coração do pedaço foi presenteado aos pedestres.

A quem interessa o enfraquecimento do Supremo? Georges Abboud*

Folha de S. Paulo

Cada vez que ecoa uma crítica vazia à corte, a Folha se posiciona ao lado dos segmentos mais nefastos da sociedade

Boa parte das críticas ao STF é ressentimento e lobbies político-econômicos poderosos

Qualquer leitor que se informe pela mídia neste ano de 2026 terá uma certeza: o problema do Brasil é o Supremo Tribunal Federal (STF). O culpado único pela existência do crime organizado, pelo escândalo do banco Master e pela crise miliciana do Rio de Janeiro.

A despeito de termos um presidencialismo desconfigurado; um Congresso Nacional que movimenta sem controle dezenas de bilhões em emendas impositivas; redes sociais disseminando fake news e misoginia sem regulação; do endividamento de praticamente todos os estados da Federação e das famílias brasileiras; do aumento do crime organizado e das milícias —nada disso interessa: só importa criticar o STF.

Queria crer que esta Folha não entrou nessa empreitada, embora três editoriais recentes tenham me deixado perplexo.

Desejo de país melhor é antídoto contra medo, por Rui Tavares*

Folha de S. Paulo

Anseio por sociedade mais feliz motiva mobilização, luta por mudança e memória coletiva

Eleitores votam em quem é mais vocal contra 'wokismo' e politicamente correto, mesmo sem acreditar em soluções

A ciência política tem uma tese clássica sobre as oscilações da opinião pública: a do termóstato, cunhada assim por Christopher Wlezien em 1995. Se um governo põe a temperatura demasiado quente, o ciclo seguinte da opinião pública baixa a temperatura.

Na fase seguinte, acontece ao contrário, e a opinião pública age de novo, tendendo ao equilíbrio. É um modelo dos anos noventa, tempo de ingenuidade, e não chega para descrever o que estamos vivendo.

Uma outra proposta, de Pippa Norris e Ronald Inglehart, é a do ricochete cultural: cada ciclo não repõe a temperatura no equilíbrio, reage como corretivo em relação ao ciclo anterior. Nascendo da observação do choque de gerações dos anos 1960 e seguintes, está mais perto da nossa atualidade. Mas ainda não basta.

À espera de Messias, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Indicado por Lula para o STF será sabatinado por senadores, que desde o século 19 não rejeitam nenhum candidato

Ministros terem uma filiação espiritual não é problema, mas é ruim para o sistema deixar-se pautar pela lógica religiosa

Está marcada para esta quarta (29) a sabatina de Jorge Messias no Senado. Ele foi indicado por Lula para a vaga aberta de ministro do STF. Não tenho acesso especial àquele que tudo sabe, mas imagino que Messias será ungido. Valho-me do princípio da indução. O último presidente que não emplacou seus candidatos foi o infeliz do Floriano Peixoto ainda no século 19.

A guerra esquecida do Irã aparece em inflação e juros maiores e turva 2027, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Em vez de terminar o ano em horríveis 12%, Selic deve ficar acima de terríveis 13%

Pessoas e empresas vão ficar com a corda financeira no pescoço por mais tempo

Os preços voltaram a aumentar, grosso modo por causa de alimentos que por vezes apanham do tempo desfavorável nesta época e por causa de combustíveis —é guerra. A gente esqueceu a guerra, mas a guerra ainda vai nos lembrar de que ela existe.

Logo antes da guerra, previa-se que a taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Banco Central, cairia para 12% no final do ano, ainda horrível. Agora, a mediana dessas projeções de economistas compiladas pelo BC (Boletim Focus) está em 13%. Os colegas desses economistas, os que lidam com dinheiro grande, ora negociam a Selic a uns 13,5% no final do ano. Juros reais além de 6% até 2029.

Brasil registra recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025; caminhoneiros lideram óbitos

Por Rayane Moura / G1

Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), o Brasil soma mais de 6,4 milhões de acidentes e 27 mil mortes em dez anos. Em 2025, foram 806 mil casos e 3.644 óbitos — o maior número da série.

O Brasil registrou recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025, com 806 mil casos e 3.644 óbitos. Em dez anos, foram 6,4 milhões de ocorrências e 27 mil mortes.

Após a pandemia, os dados mostram que o aumento do emprego formal não foi acompanhado por melhorias na segurança.

Saúde lidera acidentes; transporte rodoviário concentra mortes, com destaque para motoristas de caminhão.

Sul e Sudeste concentram casos, mas Norte e Nordeste têm maior letalidade, indicando acidentes mais graves.

O Brasil registrou, em 2025, o maior número de acidentes e mortes no trabalho. Foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos no ano, segundo estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Juros elevados mantêm pressão sobre endividamento das famílias, por Agência Brasil

As Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC), indicam que as famílias seguem pressionadas por crédito caro e recorrem ao uso de modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito.

Em março, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada, em 61,5% ao ano, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual (p.p).

Com o brasileiro pagando juros tão altos, a inadimplência do crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 4,3% da carteira em março, com queda de 0,1 p.p. no

Entre as famílias, a taxa chegou a 5,3%, com avanço de 1,4 p.p. em um ano.

De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito do BC, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro (aumento de 0,1 p.p. no mês, e de 1,3 p.p. em 12 meses), enquanto o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,7% (alta de 0,2 p.p. no mês e de 1,9 p.p. na comparação anual).

Las bases históricas del bolsonarismo, por Fernando de la Cuadra

Clarín (Chile)

Las últimas encuestas de intención de voto para las próximas elecciones presidenciales arrojan una leve ventaja para el presidente Lula -que va a la reelección- en primera vuelta. Según los estudios de la empresa Nexus/BTG, el actual gobernante obtendría en primera vuelta el 41% de los sufragios seguido por el senador Flavio Bolsonaro con el 36% de las preferencias. Distantes de ellos se encuentran los ex gobernadores Romeu Zema (Partido Novo) y Ronaldo Caiado (PSD), con el 4% y el 3% de las intenciones de voto, respectivamente.

En relación a una probable segunda vuelta, el presidente Lula aparece con una muy pequeña ventaja -prácticamente en un empate técnico- entre él (46%) y el hijo mayor de Jair Bolsonaro (45%), porcentajes muy parecidos a los obtenidos en las encuestas realizadas en febrero y marzo.

Uma biografia na História, por Ivan Alves Filho*

Nascido em Bruxelas, filho de um refugiado russo perseguido pelo czarismo, ele foi aprendiz de fotógrafo e, desde muito jovem, se envolveu com o movimento anarquista. 

Em Paris, atuou em jornais anarquistas, sendo condenado a cinco anos de prisão na França, em 1913. Uma vez solto, ganha a Espanha, participando de uma insurreição operária, quando começa a revelar suas simpatias pela Revolução Russa. Ao passar pela França, com o intuito de partir depois para a Rússia bolchevique, é novamente encarcerado, desta feita por dois anos. 

Poesia | "Eu sei, mas não devia" de Marina Colasanti recitado por Antônio Abujamra

 

Música | Arlindo Cruz & Zeca Pagodinho - Meu Poeta

 

terça-feira, 28 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Master mostrou fragilidades a corrigir no BC e na CVM

Por Folha de S. Paulo

Banco Central detectou indícios de corrupção, e Comissão mal aparelhada falhou no controle de fundos

É preciso endurecer regulação e promover ação conjunta das duas instituições; BC alocou 40 novos servidores na área de fiscalização

O escândalo do Banco Master revelou, de forma dramática, a obsolescência do arcabouço regulatório do sistema financeiro brasileiro.

Sob a guarda conjunta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central, o conglomerado de Daniel Vorcaro montou um sofisticado esquema de pirâmide que se sustentou por anos, explorando brechas normativas, falhas de fiscalização e fragilidades institucionais.

Programa dos endividados, por Míriam Leitão

O Globo

Pacote do governo beneficiará quem tem renda de até cinco salários mínimos

Perto de R$ 100 bilhões são elegíveis para renegociação no novo programa de redução do endividamento das famílias. Será bom para os dois lados, porque os devedores vão resgatar, reduzir e renegociar as contas penduradas, mas os bancos e instituições financeiras de todo o tipo poderão liberar recursos que tiveram que pôr em provisão. Só estarão no pacote as três dívidas mais caras do mercado. O governo terá que fazer um aporte no Fundo de Garantia de Operações (FGO). Como será garantido pelo governo, os juros serão bem mais baixos.

O volume potencial do programa é de R$ 50 bilhões no rotativo do cartão de crédito, R$ 40 bilhões de crédito pessoal não consignado e R$ 6 bilhões de cheque especial. O grupo atendido terá renda de até cinco salários mínimos, com débitos entre 90 dias e dois anos de atraso. Vai ser possível usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), e os bancos terão que dar descontos de 40% a 90% sobre os valores devidos. Os mais antigos recebem desconto maior. O que restar será renegociado com juros de 1,99% por quatro anos.