sábado, 21 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula e Alcolumbre têm de acelerar sabatina de Messias

Por O Globo

Presidente precisa enviar mensagem oficial, e inquirição deve ser logo. STF não pode ficar com ministro a menos

Não é razoável o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuar procrastinando a formalização da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, à vaga aberta em outubro pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Logo em novembro, Lula anunciou que seu escolhido era Messias. O indicado se disse “honrado”, e tudo parecia seguir o rito habitual. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para 10 de dezembro, prazo que não daria a Messias tempo de se apresentar aos senadores. Em seguida desentendimentos emperraram o andamento. O governo, receoso de não contar com os 41 votos necessários para a aprovação, segurou o envio da mensagem presidencial ao Senado com o nome de Messias — e Alcolumbre cancelou a sabatina. Desde então, o Supremo tem funcionado com apenas dez ministros.

A queda de confiança no Supremo, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Corte está tendo dificuldade para se defender das ameaças internas

Crise não se limita à erosão reputacional dos envolvidos ou da instituição

Temos assistido a um acentuado declínio na confiança da população no Supremo Tribunal Federal, como demonstra a recente pesquisa publicada pelo Datafolha.

Parte dessa desconfiança decorre de um ambiente altamente polarizado, mas sobretudo de eleitores mais conservadores indignados com a postura assumida pelo Supremo no julgamento dos que atentaram contra a democracia. Há, porém, um crescente mal-estar entre aqueles que apoiaram o Supremo naquele episódio. Esse crescente mal-estar está diretamente associado ao comportamento incompatível com as exigências do cargo por parte de alguns ministros.

Bolsonaro foi de ex-atleta imorrível a idoso frágil, por Hélio Schwartsman

Por Folha de S. Paulo

Mortalidade um ano após pneumonia aspirativa chega a 49%

Domiciliar se justifica, mas teria de valer para todos os presos com doença grave

Se você se frustrou (ou ficou feliz) com a recuperação de Jair Bolsonaro, saiba que a situação ainda está longe de resolvida. Os números falam por si. Um estudo sul-coreano de 2019 com 550 pacientes de pneumonia aspirativa, a moléstia que levou o ex-presidente à UTI, mostra que a mortalidade um ano após o evento atinge 49% e vai a 76,9% após cinco anos.

Cláudio Castro teme ser descartado pelo filho 01, por Alvaro Costa e Silva

Por Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro quer evitar que a sujeira na segurança pública do Rio respingue na campanha

No julgamento do TSE, governador depende dos votos de Kássio Nunes e André Mendonça

Cláudio Castro é acusado de gastar R$ 1 bilhão de recursos obtidos com a privatização da companhia de água e esgoto –privatização aprovada com o objetivo de tirar o Rio de Janeiro da falência– para a compra de cabos eleitorais na campanha da reeleição em 2022.

A investigação do Ministério Público aponta abuso de poder econômico, com saques na boca do caixa feitos por funcionários fantasmas. Após pedido de vista do ministro Nunes Marques, o caso volta ao Tribunal Superior Eleitoral na terça-feira (24). No placar, dois votos pela cassação e a declaração de inelegibilidade do governador.

O Brasil deseja a paz, mas está despreparado para a guerra, por Roberto Amaral*

“Não podemos confiar no fato de que, por sermos um país pacífico ninguém vai nos atacar” - Celso Amorim (Carta Capital, 19/02/2026)

Maior país da América do Sul, com território de 8.510 km², partilhando fronteira com dez países, quinta maior população do mundo (215 milhões de habitantes), 80% urbana, 50% metropolitana, uma costa de 7.401 km (8.500 km se considerarmos as baías e suas reentrâncias), décima economia do planeta, o Brasil é, no entanto, incapaz de se proteger da cobiça internacional. 

Em um mundo em guerra, apresenta-se indefeso, apesar de sua posição estratégica no hemisfério. Indefeso quando é a maior costa do Atlântico Sul, largo corredor de rotas comerciais que levam  ao continente africano. Somos país e território militarmente indefeso, apesar de sermos um dos maiores produtores de alimentos de um mundo que conhece a fome. Ainda indefeso apesar da posse de recursos minerais estratégicos, entre os quais a segunda ou terceira reserva mundial de terras raras, cobiçada por todas as potências guerreiras, a começar, evidentemente, pelos EUA. Chama-se “terras raras” o conjunto de 17 elementos químicos, base de toda a moderna tecnologia, inclusive militar; delas carecem desde reatores de submarinos nucleares a baterias para veículos elétricos. Nosso país é indefeso porque ignora seu destino: sem projeto de ser, sem projeto de nação, sem projeto de país — o trágico mal de origem.

Depois das bets, agora tudo é aposta, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Os ‘prediction markets’ criam incentivos para a ocorrência de eventos negativos

O mercado de apostas no Brasil e em outros países tem crescido sistematicamente. Dados recentes mostram que estamos entre os maiores mercados globais das bets, com um volume de apostas entre R$ 120 bilhões e R$ 150 bilhões anuais. Nos Estados Unidos, as apostas digitais movimentaram US$ 167 bilhões em 2025. Algo que fere a racionalidade, porque todos os dados mostram de forma consistente que em torno de 95% dos apostadores perdem dinheiro. Não se trata de jogo de azar, os números sorteados não são aleatórios, mas estruturais, sendo as chances ajustadas e a margem das casas de apostas garantidas.

O escudo Gilmar, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O acordo sério que se urde não é o de delação. É o de empastelamento. Para que nunca saibamos o que se comprou quando comprada aquela parte do hotel. Para que nunca saibamos o que se contratou quando contratado aquele escritório de advocacia. (Ou aquela consultoria.) Para que nunca saibamos do que tratavam quando tratavam sobre bloquear algo.

Esqueceram a Brigitte Bardot, por Eduardo Affonso

O Globo

Ela fez mais pelo cinema do que faria uma atriz. Foi um ícone, quando a palavra ainda queria dizer alguma coisa

Bastava uma consulta à IA — ou, como faziam os antigos millennials, ao Google: “Personalidades do cinema mundial que morreram em 2025”. Em segundos, a lista estaria na tela. Completa. Incluindo diretores malianos e malaios, designers de som e de produção.

Seria enorme, claro — morrem muito mais celebridades do que nascem; não sei como elas ainda não se extinguiram. E haveria que separar quem entraria como camarote, no vídeo exibido durante a cerimônia de entrega do Oscar, e quem teria de se conformar a ir de pipoca, só no site da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Brigitte Bardot, acredite, ficou no segundo escalão.

O fator Ratinho, por Thaís Oyama

O Globo

Com paranaense na eleição, a demanda eleitoral encontrará uma nova oferta na política

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, deverá anunciar o governador do Paraná, Ratinho Jr., pré-candidato do partido à Presidência na semana que vem. Trata-se de uma má notícia para Flávio Bolsonaro, que bem buscou evitá-la ao convidar o paranaense para ser seu vice.

Malograda a tentativa, Flávio, que sonhava com um aliado, acabou ganhando um concorrente e, com ele, o dilema clássico que costuma se abater sobre os favoritos para chegar ao segundo turno. Não pode permitir que Ratinho Jr. cresça a ponto de ameaçar a sua posição nas pesquisas, mas tampouco pode hostilizá-lo de modo a provocar uma reação na mesma intensidade que arrisque fragilizar sua candidatura — agora e no futuro.

Ratinho será candidato do PSD, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

As expectativas são grandes em torno do candidato do PSD, que tem 44 anos, dois mandatos de governador no Paraná muito bem avaliados pela população e carrega ideias novas para a política e administração brasileiras. É o fato novo no cenário nacional

Carlos Massa, o Ratinho Júnior, será o candidato do PSD à Presidência da República. Há duas semanas, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reuniu, em discreto restaurante na cidade de São Paulo, os três possíveis candidatos do partido e alguns dos principais consultores para organizar a participação da legenda nas próximas eleições presidenciais. O objetivo do encontro foi destacar a necessidade de manter a unidade partidária e evitar o surgimento de eventual dissidência. O exemplo utilizado para manter a unidade foi o de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Os dois disputavam, dentro do mesmo partido, a Presidência da República. Tancredo Neves chegou lá e ganhou inteiro apoio de Ulysses, apoio verdadeiro, profundo, sem mágoas. 

Carmen Lúcia e a esperança às mulheres, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

A sua proposição "parem de nos matar, porque nós não vamos morrer" traduz de forma didática uma reflexão filosófica muito profunda: a de que é impossível negar a liberdade de uma mulher ou de qualquer ser humano

É difícil para uma mulher bem informada se manter confiante e esperançosa nos tempos que vivemos. As razões são múltiplas, e cito algumas só para ilustrar o quão grave é o nosso problema. Falo da evidência cotidiana da violência generalizada que vitimiza tantas mulheres; da deficiência do Estado em proteger e promover mudanças estruturais; do déficit de representação política que dificulta uma transformação mais profunda da sociedade; do empobrecimento econômico que atua como obstáculo substancial para a autonomia e desenvolvimento feminino.

Calmaria antes da tempestade, por Murillo de Aragão

Veja

Os escândalos podem se transformar num incêndio institucional

O clima político é de calmaria tensa, entremeada por rumores, boatos e suposições que atiçam a curiosidade dos observadores da política nacional. Brasília é hoje uma espécie de parque temático de escândalos. São eles: a questão do INSS e o roubo dos aposentados, as investigações — que alcançam dezenas de parlamentares — sobre desvios na execução de emendas orçamentárias e o indefectível e profundo escândalo do Banco Master, que ainda tem como subtema a potencial intervenção ou federalização do banco estatal de Brasília.

Faroeste político, por José Casado

Veja

Orçamento secreto tem até ameaça de morte em disputa de propina: ‘Bala na cara!’

Dois deputados federais e um suplente condenados por unanimidade a mais de cinco anos de cadeia por corrupção no repasse de verbas do Orçamento a prefeituras, via emendas parlamentares. E, também, uma deputada algemada à tornozeleira eletrônica, acusada de ladroar aposentados e pensionistas do INSS. Assim terminou o verão na Câmara dos Deputados.

Vai ter mais nas próximas estações, à margem do calendário eleitoral. Há “dezenas” de políticos, nas palavras do juiz Flávio Dino, na fila de inquéritos e ações penais para julgamento no Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de desvio bilionário de verbas públicas.

Estratégias de desenvolvimento, pobreza e desigualdade, por Marcus Pestana

Há razoável consenso sobre ser a melhoria do padrão e da qualidade de vida da população o objetivo final das políticas públicas. No entanto, os caminhos e as estratégias para atingi-lo não são pacíficos. Há diversas concepções sobre o papel do Estado e o modelo de desenvolvimento a perseguir.

 Fato é que, em 1980, o Brasil estava entre os 50 países de maior renda per capita, e hoje estamos em 87º. lugar, a nove posições da metade mais pobre do mundo.  Fomos ultrapassados, em 45 anos, por Coréia do Sul, China, Chile e Uruguai, entre outros. Por que escolher como marco o ano de 1980? Foi aí que se esgotou o ciclo de industrialização e urbanização, iniciado em 1930 e acentuado após a 2ª. Grande Guerra, e sucessivas crises inflacionárias e de Balanço de Pagamentos se abateram sobre o País, superadas pelo Plano Real (1994) e pelo boom das comodities (2003/2010).

O paradoxo do STF, Cláudio Couto

CartaCapital

O mesmo tribunal tão fundamental para defender a democracia agora semeia condições para que ela seja solapada

E indubitável que o Supremo Tribunal Federal foi crucial na defesa da democracia durante o governo de Jair Bolsonaro e depois dele. No primeiro período, foi bastião de resistência a ataques perpetrados contra o regime democrático, o Estado de Direito e a ordem federativa. Isso ficou claro no combate à disseminação de desinformação (fake news), na investigação sobre os atos antidemocráticos e na atuação durante a pandemia. Associado à Corte Suprema, à qual se sobrepõe, o Tribunal Superior Eleitoral zelou pela integridade das eleições e pela defesa do voto.

Flávio Dino, o republicano, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

O ministro enfrenta os privilégios no Judiciário e a farra das emendas

As notícias sobre supersalários, penduricalhos, privilégios e abusos de juízes fazem lembrar o diálogo entre Alexandre, o Grande e o pirata Diomedes, relatado por Plutarco e disseminado por Santo Agostinho e pelo Padre Antônio Vieira. Em um ponto da conversa, Alexandre questiona o capturado pirata da seguinte forma: “Quem te dá o direito de navegar pelos mares, tomando à força coisas que não lhe pertencem?” Ao que o pirata responde: “Com o mesmo direito que tu tens de molestar o mundo inteiro. Eu tenho apenas um pequeno barco e por isso sou chamado de ladrão. Tu tens uma grande armada, e por isso és chamado de imperador”.

A hermenêutica do ornitorrinco, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Cláudio Balieiro Jr.

CartaCapital

O capital financeiro, ao subordinar o valor presente da riqueza aos rendimentos, se conserva, se nega e se supera

A Economia Capitalista Monetária da Produção só pode ser compreendida como um processo histórico, no qual produção, circulação e valorização se articulam desde o início sob a mediação do dinheiro. Não se trata, portanto, de uma teoria do valor tomada em sua forma pura ou abstrata, mas de relações inerentes e socialmente fetichizadas, nas quais a valorização do valor se impõe como princípio organizador da vida social.

Manhã alvissareira, por Guto Rodrigues

Meu avô me dizia que no tempo da guerra dormia, sonhando que a manhã alvissareira traria a notícia do fim de Hitler e Mussolini.

Houve festa, multidões tomaram as ruas.

Hitler roto, derrotado se suicidou no bunker, Mussolini foi malhado e decapitado em praça pública.

Montou-se palanque, meu avô subiu e aprovou o fim do nazifascismo e exaltou a vitória do socialismo.

Morreu feliz no século passado, com a certeza de que o nazifascismo foi sepultado, pra sempre.

"Não passarão! Enquanto todos dormem. Tem alguém acordado no Kremlin, cuidando da paz".

Mas o século passado foi breve, nele mesmo, tudo foi desconstruído. Como dizia Marx, afirmado por Engels: "tudo que é sólido desmancha no ar".

O Kremlin do meu avô evaporou-se e o nazifascismo ressurgiu

Nesse novo século. Trump encarna Hitler, Netanyahu encarna Mussolini e são os flagelos da guerra, que eles mesmo inventaram.

Matam as crianças, roubam riquezas dos países pobres, bombardeiam cidades.

Matam líderes e não respeitam as leis da paz e o mundo assiste perplexo.

Ontem, achei guardado, o pijama que meu avô dormia pra sonhar, no tempo da guerra. Hoje à noite vou dormir com o seu pijama. Tomara que venha uma manhã alvissareira, por aí.

Poesia | Memória declamado, por Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Sidney Miller - Botequim Nº1

 

sexta-feira, 20 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desafio do ECA Digital está na implementação

Por O Globo

Nova legislação é avanço indiscutível, mas seu êxito dependerá da adesão das plataformas

É sem dúvida um avanço a entrada em vigor da lei conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital. O simples fato de começar a vigorar uma legislação de proteção aos menores de idade na internet é auspicioso. A dúvida, como em qualquer nova lei, é se as novas regras funcionarão na prática — e até que ponto as plataformas digitais contribuirão para evitar seu esvaziamento.

A partir de agora, as redes sociais e qualquer outro fornecedor de conteúdo ou serviço para menores deverão oferecer aos pais ferramentas de controle. Será preciso também manter mecanismos confiáveis de aferição de idade, para coibir o acesso dos menores a ambientes e conteúdos inapropriados — não basta mais a simples autodeclaração. Todas as plataformas terão de oferecê-los, mesmo que não sejam identificadas explicitamente como espaço infantojuvenil — caso de bancos, sites de entretenimento ou comércio eletrônico.

Um nome feio e exato para a crise: ‘aporia’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Palavrinha em desuso mas que se encaixa como luva na crise atual, em que os escândalos Master e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) arrastaram quase tudo e quase todos

Na literatura, é conhecida a obsessão do escritor francês Gustave Flaubert pelo “mot juste”, ou seja, a “palavra exata”. O autor de Madame Bovary era famoso pela caderneta que levava no bolso para anotar a cirúrgica palavra que surgiria a qualquer momento. No Brasil, igual obsessão era atribuída a Guimarães Rosa, que também mantinha à mão papel e caneta para anotações repentinas. Mas para o autor de Sagarana, foi Carlos Drummond de Andrade quem associou com maestria a palavra à trama.

A guerra do Irã pode virar uma tempestade política perfeita nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, tende a explorar o aumento do custo de vida como narrativa central, independentemente de sua origem externa

O impacto da guerra do Irã na conjuntura política brasileira pode provocar uma tempestade perfeita nas eleições e alterar profundamente o cenário atual de polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro, seu principal oponente. Embora favorito, Lula enfrenta um candidato em ascensão, e não é possível prever o impacto da alta dos combustíveis na inflação geral e na popularidade do governo. Acrescente-se a isso a grande insatisfação popular com a violência e o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além do distanciamento do Congresso em relação a medidas que possam mitigar os efeitos da guerra.

Revoada no Rio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Paes descumpre promessa de concluir mandato, e Castro tenta escapar de condenação

Num intervalo de poucos dias, o Rio deve assistir à debandada do governador e do prefeito da capital. O primeiro a renunciar será Eduardo Paes. Ele deixa o cargo hoje para concorrer ao Palácio Guanabara pela terceira vez.

Paes foi reeleito há menos de dois anos, com a promessa de cumprir o mandato até o fim. Gaiato, jurou pelo Vasco e pela Portela que não abandonaria a prefeitura. A lorota talvez explique os infortúnios que afligem o clube e a escola de samba.

É preciso defender a democracia, não o Supremo, por Pablo Ortellado

O Globo

A missão democrática hoje é sustentar que apesar dos muitos erros da Corte, as condenações dos golpistas foi justa e precisa ser mantida

A crise gerada pelo envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com Daniel Vorcaro pode comprometer o pouco apoio público que resta ao Supremo, lançando o país em crise institucional grave. Num futuro não distante, isso poderia levar à revisão das punições às mobilizações antidemocráticas, produzindo impunidade, fragilidade democrática e a liberação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em alta, endividamento, inadimplência e recuperação, por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

Mesmo vindo a redução de juros, é preciso resolver a falta de educação financeira, que é estrutural e de difícil solução no curto prazo

Nos últimos dias, os jornais publicaram notícias sobre esses temas. E notícias fortes, como a de que o endividamento das famílias bateu recorde em fevereiro, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em números, 80,2% das famílias entrevistadas declararam possuir alguma dívida, e esse é o maior nível de endividamento da série histórica mensal, que começou em 2010. A pesquisa revelou também que a inadimplência é alta, com 29,6% das famílias declarando ter dívidas em atraso e 12,6% delas dizendo não ter condições de pagar as dívidas vencidas. Por que, então, as tomaram?

A delação aceitável de Vorcaro, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Chegamos a tal nível de desconfiança sobre as relações dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro que é inaceitável uma delação premiada do ex-banqueiro que não esclareça o que realmente aconteceu. A cobrança não é apenas da opinião pública, mas da legislação. Qualquer seletividade de Vorcaro, caso tolerada pelas autoridades competentes, corre o risco de desmoralizar de vez o instrumento de colaboração premiada no Brasil.

Toffoli só abriu a fila... por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Com citação a filho de Kassio Nunes Marques, só 50% do STF passa ao largo do Master

Brasília está lotada de craques, e não é de hoje. O presidente Lula já comparava o filho Lulinha a Ronaldo Fenômeno nos primeiros mandatos e os filhos e parentes de um ministro atrás do outro do Supremo Tribunal Federal (STF) parecem não ficar atrás. Timaço, regiamente tratado pelo agora liquidado Banco Master e a já famosa JBS.

A escalada do choque do petróleo, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

A escalada dos preços do petróleo é o impacto produzido por outra escalada, a da guerra do Irã. Nesta quinta-feira, as cotações chegaram a ultrapassar os US$ 119 por barril e só voltaram a ceder depois que os países ricos anunciaram a liberação de suas reservas.

Se Israel se dispôs a atacar o campo de gás de South Pars, um dos maiores do Irã, é porque não está interessado em conter a alta do petróleo e todos os seus desdobramentos para a economia mundial. Isso mostra, também, que, ao respaldar o bombardeio produzido por Israel sobre a infraestrutura do petróleo da região, o presidente Trump não se limita a restringir os efeitos do fechamento do Estreito de Ormuz. Permite a escalada da guerra e o aprofundamento do choque da energia. Destruição da infraestrutura do petróleo da região é de reparo mais difícil e mais demorado do que simplesmente o de reabrir o Estreito. Produz distorções mais prolongadas e mais dolorosas para a economia mundial.

Eleição Presidencial: decisão no primeiro turno? Por André Régis*

Folha de Pernambuco

Diante da leitura das últimas pesquisas, no contexto dos escândalos do INSS e do Banco Master, a eleição presidencial de 2026 já admite uma hipótese antes remota: desfecho no primeiro turno. Todas indicam erosão do favoritismo de Lula e mostram que a direita passou a ter incentivos claros para trocar dispersão por coordenação. Nelas, o centro volta a dar sinais de inclinação à direita, enquanto Flávio Bolsonaro busca ampliar sua aceitação com gestos nessa direção.

A cautela histórica continua necessária. Desde a redemocratização, apenas Fernando Henrique Cardoso venceu a Presidência no primeiro turno, em 1994 e 1998. Basta esse registro como advertência: trata-se de desfecho raro, que exige condições políticas muito específicas.

Ocaso da democracia dos EUA sob Trump é má notícia para o Brasil, por Ana Luiza Albuquerque

Folha de S. Paulo

Pela primeira vez, Brasil supera EUA nos índices do instituto V-Dem, que produz ranking da democracia global

Acentuada aceleração da crise na nação americana pode atrapalhar recuperação da democracia brasileira

Novo relatório anual do instituto sueco V-Dem, maior referência no monitoramento da democracia global, chancela o diagnóstico a respeito da acelerada deterioração da democracia nos Estados Unidos sob o governo Donald Trump.

O documento reconhece a manutenção da recuperação democrática no Brasil, após um episódio de autocratização liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Desde o fracasso da tentativa de golpe de 2022, o país é tratado por acadêmicos, políticos e pela imprensa internacional como um caso de sucesso na resistência ao autoritarismo.

Os riscos de faltar diesel e de paulada nos preços no Brasil, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com base em referências internacionais, Petrobras teria de fazer reajuste de mais de 30%

Segundo gente do setor, haveria combustível até meados de maio, mesmo sem importação extra

Há boatos, alarmismos e mentiras a respeito do risco de faltar diesel no Brasil. Foi assim também na alta do petróleo nos meses seguintes ao do início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, em 2022.

A diferença agora é que há restrição muito grande de oferta de petróleo e derivados —em países da Ásia, há medidas drásticas de redução de consumo. A semelhança com o problema de 2022 é o preço do diesel no Brasil, que precisa de reajuste bastante para atenuar a ameaça de escassez. No limite, aumento de 30%. Improvável.

Deputados condenados vão se dividir entre a Câmara e a cadeia, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A punição pode ter efeito didático sobre a conduta de parlamentares que abusam do Orçamento

Mas pode ser que suas excelências os protejam de olho nos inquéritos sobre emendas em curso no Supremo

Dois deputados, um suplente e mais quatro condenados por corrupção no uso das emendas é algo a ter algum efeito didático sobre o comportamento dos parlamentares que avançam sem cerimônia sobre o Orçamento da União.

Ao menos assim se espera que ocorra diante do indicativo do ministro Flávio Dino de que outras punições severas virão, no âmbito das dezenas de inquéritos sobre o tema que tramitam ainda em sigilo no Supremo Tribunal Federal.

Com o apoio de 71%, fim da escala 6x1 é civilizatório, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Suporte da maioria, revelado pelo Datafolha, contraria discurso reacionário

Não há motivo para deixar de aprovar pelo menos a jornada de 40 horas

Uma consistente maioria de 71% dos brasileiros apoia o fim da escala 6x1, de acordo com recente pesquisa Datafolha. Por esse modelo, o trabalhador é submetido a seis dias de trabalho e um de folga por semana. O resultado é positivo no momento em que vozes reacionárias levantam-se para defender um tipo de arranjo trabalhista retrógrado, que deveria envergonhar o país.

É o caso do deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos, partido do bolsonarista Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.

Leitura comparativa ajuda a entender semelhanças e diferenças entre autores, por Juliana de Albuquerque

Folha de S. Paulo

Fiz duas listas para avaliar a relação entre literatura e filosofia nas obras de Hannah Arendt e Simone de Beauvoir

Não é mais fácil, como eu pensava, escrever sobre o tema a partir dos romances de Beauvoir

Concluí, no último sábado, a redação de mais um artigo acadêmico sobre a relação entre literatura e filosofia na obra de Simone de Beauvoir. Essa será a minha quarta publicação sobre o tema.

Em trabalhos anteriores, ocupei-me dos romances "Todos os Homens São Mortais" (1946) e "Os Mandarins" (1954). Desta vez, no entanto, dediquei-me à análise de "O Sangue dos Outros" (1945) e examinei sua relação com algumas das ideias propostas por Beauvoir em "Por uma Moral da Ambiguidade" (1947), que, no próximo ano, completa 80 anos de publicação.

Parte das questões que abordei no artigo também foi objeto de algumas das minhas colunas mais recentes para a Folha.

'1984' versão hoje, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

No livro de Orwell, a verdade é a mentira, e o povo acredita em tudo que lhe injetam

O país da trama é a URSS de Stálin. Mas os bolsonaristas viveriam muito bem nele

Certos livros deveriam ser lidos todo ano. Exemplo: "1984", de George Orwell. Sei de gente que faz isso. Desde sua publicação, em 1949, já vendeu 30 milhões de exemplares –eu próprio comprei vários, inclusive, num leilão, a primeira edição, da Secker & Warburg, de Londres. Pois, seguindo meu próprio conselho, acabo de relê-lo de novo e fiquei ainda mais assustado que da última vez. Com razão –"1984" nunca foi tão atual. Ou Orwell adivinhou tudo ou está sendo seguido à risca.

Uma pequena pausa para a cerveja, por Ivan Alves Filho

Construído em 1283, o antigo Refeitório do Convento dos Frades Trinos foi inteiramente destruído durante o terremoto que abalou Lisboa, em 1755.

Mas Deus sabe o que faz: sob as ruínas do convento, alguém teve a luminosa ideia de edificar a Fábrica de Cerveja da Trindade, inaugurada em 1836. Louvado seja. A cervejaria em questão está situada no tradicional bairro do Chiado, frequentado por escritores do porte de Eça de Queiroz e Fernando Pessoa. Ali se localiza também o café A Brasileira do Chiado, casa fundada por Adriano Telles, em 1905.

Poesia | O anel de vidro, de Manuel Bandeira

 

Música | Sueli Costa - Jura Secreta (Original da Autora)

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Copom tenta mitigar reflexos da guerra na inflação

Por O Globo

Diante de sinais ambíguos, autoridade monetária toma decisão menos conservadora do que seria possível

Ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) transmitiu ao mercado um sinal de cautela diante do cenário inflacionário incerto descortinado pela guerra no Oriente Médio. Diante dos sinais ambíguos dentro e fora do país, a autoridade monetária tomou uma decisão menos conservadora do que teria sido possível com a manutenção da taxa.