quarta-feira, 10 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Censura de Flávio e Kassio a pesquisa merece repúdio

Por Folha de S. Paulo

Aspirante do PL tenta calar críticas, e presidente do TSE arbitra aspectos técnicos de sondagem eleitoral

Praga da tutela estatal se acentua nas eleições, quando ataques duros e conteúdos incômodos dão ensejo a interditos do Judiciário

Liberdade de expressão para os amigos e as notícias favoráveis. Para os adversários e os fatos desabonadores, a censura. Flávio Bolsonaro, senador do Rio aspirante ao Planalto pelo PL, incidiu nesse clássico da hipocrisia política, coadjuvado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o que é perturbador.

O partido chefiado pelo notório Valdemar Costa Neto achou por bem requisitar ao órgão regulador das eleições o veto à divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel que detectou queda do seu pré-candidato presidencial após a revelação das escandalosas relações entre Flávio e o capo da máfia do Banco MasterDaniel Vorcaro.

Genial/Quaest: Lula lidera no segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Zema, Caiado e Renan Santos; veja os números

Por Luiz Felipe Azevedo e Júlia Cople – O Globo

No cenário com o senador, o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista

 — Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de segundo turno testados pela pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira. No cenário com o senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista tem 44% das intenções de voto contra 38% do bolsonarista.

Veja os cenários:

Faltam ideias e coragem a Caiado e Zema, por Vera Magalhães

O Globo

Partidos, analistas políticos e candidatos se acostumaram a uma dinâmica pré-eleitoral que suprimiu de forma dramática, até aqui, qualquer discussão de fôlego sobre diferentes projetos estratégicos para o Brasil. Esse ritual mecanizado consiste em aguardar sempre a próxima pesquisa para, a partir de dados que têm oscilado pouco e confirmado a tendência a uma eleição polarizada, ditar o próximo post, a frase de efeito, a conclusão apressada e a estratégia de tiro curtíssimo. A ausência de aprofundamento e de consistência fica ainda mais gritante quando se olha para os postulantes a quebrar a tendência a que a eleição se decida entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Governo Trump humilha visitantes, e Fifa se cala sobre xenofobia na Copa, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Entidade lavou as mãos após deportação de árbitro somali e humilhações à seleção do Irã

A bola ainda não rolou, mas o governo de Donald Trump já criou os primeiros embaraços para a Copa do Mundo. Na segunda-feira, o árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos. Ontem o Irã informou que os ingressos destinados a seus torcedores foram cancelados.

Artan era um dos três árbitros africanos escalados para apitar na Copa. Eleito o melhor do continente em 2025, viu seu “maior sonho” ruir no aeroporto de Miami. Detido por 11 horas, foi obrigado a embarcar de volta para a Turquia, onde havia retirado o visto.

Quem ganharia com sigilo para a jogatina? Por Elio Gaspari

O Globo

No domingo, o repórter Vinícius Valfré revelou que o Ministério da Fazenda impôs um sigilo de até cem anos aos documentos que tratam da autorização para o funcionamento de casas de apostas no Brasil. A mordaça excluiu até a hipótese de liberar somente os trechos que não contivessem informações sensíveis.

Na segunda-feira, o ministro Dario Durigan informou que a medida foi revogada, e será criado um grupo de trabalho para examinar o caso, dando “ampla transparência” aos processos. Tudo bem, mas mordaça, como jabuti, não sobe em árvore, alguém a colocou lá. Para atender a que finalidade? Falta saber.

Motta abre caminho para a regulação da IA, por Fernando Exman

Valor Econômico

Presidente da Câmara colocou o tema como uma prioridade de sua gestão

Há fartos sinais vindos do exterior que embasam a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de dar novo impulso às discussões sobre a regulação da Inteligência Artificial. Governos e empresas de tecnologia empreendem uma arriscada “corrida de IA”, cujas potenciais consequências já começam a sair das projeções de mais longo prazo de especialistas em futurismo para aparecer nos alertas do presente.

Amizade à brasileira, por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

A amizade é uma instituição social com enorme poder no campo jurídico-político. No Brasil e nas sociedades de raiz ibérica, a amizade que contraria filiações ideológicas e éticas talvez seja uma instituição básica, e sua ausência das análises poderia ser um traço de sua importância.

Não há melhor comprovação desse palpite do que a cínica racionalização de Daniel Vorcaro de que tudo foi feito por amizade. Como se a suposta inocência das simpatias pessoais não tivesse a carga de fraude que permeia a “política” dos políticos certos de que seguir a lei é caretice.

A estratégia de Lula para queimar Flávio, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Campanha petista escala time de influenciadores e diz ter vídeo de senador com Vorcaro

Diante do sucesso da hashtag “Tariflávio” nas redes sociais, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai aproveitar o período de Copa do Mundo para ampliar a estratégia de desconstruir a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

A partir de agora, grupos de influenciadores digitais e líderes políticos, intitulados “Porta-Vozes do Lula”, entrarão em cena nas redes para espalhar notícias positivas sobre o governo e o presidente, desfazer o que a campanha classifica de fake news e comparar a gestão do PT com a de Jair Bolsonaro (PL).

A virada global dos juros, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Sem um recuo maior no preço do petróleo, vem aí uma era de aperto global dos juros

A aceleração dos índices de preços ao consumidor e a piora das expectativas de inflação, desde o início da guerra no Irã, estão forçando uma mudança de postura nos principais bancos centrais do mundo: alguns deles se anteciparam e elevaram os juros preventivamente; outros até tentaram esperar passar o choque de oferta do petróleo e de outras matérias-primas, mas devem embarcar em breve num ciclo de aperto monetário; e os que já haviam começado a cortar os juros estão sob pressão crescente para pausar, como é o caso do Brasil.

As lições do "terroraço", por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Com a ilusão de que isso reduzirá a violência dos batedores de carteira das esquinas e dos corredores do Estado, o povo aceita a vergonha de sermos um país associado ao terrorismo e, consequentemente, perdermos parte de nossa soberania

Além da vergonha nacional, a inclusão do Brasil entre os países que abrigam grupos terroristas nos impõe algumas lições.A primeira é reconhecer que fracassamos na luta contra o crime. Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e outras facções são apenas a face mais ostensiva da violência que caracteriza a sociedade brasileira: desigualdade, pobreza, analfabetismo, batedores de carteira nas esquinas, assaltantes nos corredores do Estado por meio de supersalários, penduricalhos, desperdícios, privilégios e ostentação.

A régua moral dos EUA, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

Episódios recentes reforçam o antiamericanismo mundo afora e expõem a arrogância de um governo que perdeu a mínima noção do que é régua moral e conduta ética

Três incidentes envolvendo os Estados Unidos e nações africanas chamaram a atenção. Mais do que isso: causaram repulsa, indignação, ojeriza. Para não ter que receber um cidadão americano infectado com o vírus ebola, os EUA planejam criar instalações de quarentena no Quênia. Detalhe 1: os centros de isolamento contemplarão tão somente aquelas pessoas nascidas nos Estados Unidos que apresentem sintomas da doença. Detalhe 2: com 58 milhões de habitantes, o Quênia não tem um caso sequer de infecção pelo ebola.

País ainda vai tomar taxa venenosa de juros por um tempo assustador, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Custo do dinheiro e pagamentos de credores estão em níveis recordes no século

Anabolizante do capital externo ajudou a disfarçar problemas no curto prazo

As taxas de juros não vão cair tão cedo. No máximo, o Banco Central talvez dê uma gorjeta pequena na reunião da semana que vem, quando decide a Selic: corte mínimo e basta. No mais, o caldo entornou, em uma situação já muito grave. O país não parece ligar muito.

O Desenrola 2 vai enxugar mais gelo. Empresas continuam no caminho de renegociação de dívidas e recuperação judicial ou gastam o que ganham em juros ou, aquelas em situação melhor, deixam de investir por causa do custo de capital. A taxa de investimento, sempre longe do necessário nos últimos 40 anos, vai minguando para níveis dos anos da economia deprimida.

Direita chegou a um impasse com candidatura de Flávio Bolsonaro, por Wilson Gomes*

Folha de S. Paulo

Presença do senador impede outros nomes de crescer

Nenhum candidato avança sem passar pelo bolsonarismo

A direita brasileira tem hoje um candidato que gostaria de abandonar e um eleitorado do qual não pode abrir mão.

Esse é o seu dilema na corrida presidencial de 2026. Flávio Bolsonaro atrapalha os planos, mas o bolsonarismo continua sendo a única direita com piso eleitoral relevante e base mobilizada. A direita chega à disputa com uma vantagem: a rejeição a Lula é enorme e o antipetismo continua em alta. O problema é que isso só será força real se passar pelo eleitorado bolsonarista.

A direita tradicional adoraria se livrar o quanto antes da candidatura de Flávio Bolsonaro. Não lhe faltam candidatos, ambições ou projetos alternativos, mas Ronaldo CaiadoRomeu Zema e Renan sabem que Flávio ocupa um espaço que os impede de crescer. O senador larga na frente graças ao sobrenome e torna a direita refém das próprias vulnerabilidades.

Campanhas põem o Pix nos palanques, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

PT e PL enganam o eleitor ao tomar para si uma ferramenta que não pertence a Lula nem a Bolsonaro

Melhor defesa do Pix seria o apoio à emenda que amplia a autonomia do Banco Central

Nesta campanha eleitoral, o Pix foi posto no palanque e assumiu o lugar que já foi do Bolsa Família e, antes disso, da caderneta de poupança como objetos de disputa e terrenos férteis à plantação de mentiras entre partidos e políticos adversários. A característica em comum entre eles é o caráter de unanimidade nacional.

No século passado, a moda era acusar o oponente de planejar o sequestro do dinheiro da poupança dos brasileiros. Foi assim na primeira eleição presidencial direta, quando Fernando Collor pregou a suspeição em Luiz Inácio da Silva, ganhou a parada e no dia seguinte à posse confiscou praticamente tudo de todos.

Transparência vacinal, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Mortes e efeitos adversos graves relacionados ao imunizante do Butantan contra a dengue precisam ser investigados

Sucesso da vacinação na redução de óbitos no planeta depende de confiança do público em cientistas e autoridades

Até que se saiba melhor o que acontece com a vacina contra a dengue produzida pelo Butantan, é preciso mesmo seguir os protocolos, suspender a imunização e investigar os casos de efeitos adversos graves e óbitos. É exatamente isso que as autoridades estão fazendo. Ponto para elas. A pior coisa que poderiam fazer seria varrer o problema para debaixo do tapete.

Cidadão do mundo, por Ivan Alves Filho*

Autor de um dos livros mais impressionantes que li na vida, A invasão da América Latina, editado pela Civilização Brasileira, do saudoso Ênio Silveira, o jornalista e professor John Gerassi já nasceu como cidadão do mundo. 

Eu explico. Seu pai era um judeu sefardita, natural de Istambul, e tinha o espanhol como língua materna. Era pintor de profissão, e ninguém menos do que Pablo Picasso o tinha em alta consideração profissional. Fernando Gerassi, este o seu nome, lutou na Guerra Civil espanhola, pelas Brigadas Internacionais comandadas pelo comunista italiano Palmiro Togliatti, chegando a ser um dos generais do Exército Republicano. Sua mulher, a escritora Stephania Awdykowicz, nasceu na Ucrânia. Quanto ao filho, John, este veio ao mundo em Paris, e se consagrou como correspondente internacional do prestigioso New York Times. Foi um profundo conhecedor não só da realidade latino-americana e estadunidense, como também da cultura francesa: John Gerassi herdou do pai a amizade de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. 

Poesia | André Morais | A Implosão da Mentira, de Affonso Romano Sant'anna

 

Música | MPB4, Zeca Pagodinho - Olé, Olá (Chico Buarque)

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Gastança dos estados piora crise fiscal

Por O Globo

Governadores não ficam atrás do governo federal em ‘bondades’ eleitoreiras

Anos de eleição já foram diferentes no Brasil: ruas cobertas de panfletos, brindes e showmícios eram comuns. Uma característica infelizmente parece imutável: a propensão dos governos a gastar de forma irresponsável. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido pródigo na distribuição de “bondades” eleitoreiras, mas os governadores não ficam atrás. A gastança extra já contratada terá impacto nas contas públicas estimado em torno de 2% do PIB. Desse total, o governo federal deverá ficar com uma fatia de 0,9 ponto percentual e os governos estaduais com nada desprezível 0,6 (o restante 0,5 serão gastos realizados por fora das metas fiscais).

Copa vai testar reformas do bilionário e conservador futebol, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

É justo reconhecer que o futebol se tornou o esporte mais popular do mundo com controvérsias e regras conservadoras, mas, na era da IA, elas cansam e enfurecem jogadores e torcedores

A dois dias do início da Copa do Mundo, pedindo licença aos colegas do Esporte, o colunista aproveita a oportunidade e utiliza este espaço, normalmente ocupado com temas econômicos, para falar de futebol.

Entre parêntesis, vale lembrar que só os 20 clubes da série A do Campeonato Brasileiro faturam quase R$ 15 bilhões por ano. E que o futebol, apesar das condições financeiras catastróficas de muitos clubes grandes, movimenta estimados R$ 90 bilhões anualmente no país, gerando 370 mil empregos diretos e indiretos. Na indústria global do futebol giram US$ 300 bilhões anuais. Os EUA preveem injetar US$ 17 bilhões na economia com a Copa.

As mulheres que aplaudem Flávio Bolsonaro, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Pré-candidato do PL reúne 184 mulheres num hotel de luxo em São Paulo

“Pra ser petista, das duas uma, ou faltou proteína ou falta caráter”. A médica Claudia Leite estava entre amigas que aguardavam a abertura do salão para o encontro “Brasil de Ideias Mulher - Eleições”, o primeiro de uma série com os candidatos à Presidência, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no hotel Tangará, zona sul de São Paulo.

A zanga se dirigia a duas pessoas que ocuparam uma mesa do restaurante Quattrino, nos Jardins, durante um show, no sábado, do comentarista de direita argentino Gustavo Segré, autor da canção “Janjo e Janja”. A dupla protestou, destoando da maior parte da audiência que os pôs para correr. “Foi um sinal de que ele [Segré] está incomodando”, comentou Vera Renzo, empresária de turismo, arriscando um palpite sobre o potencial destrutivo do comentarista argentino, titular de um quadro “Faroeste à Brasileira”, na Revista Oeste.

Ano com El Niño, guerra e tarifas, por Míriam Leitão

O Globo

Conflito no Oriente Médio, restrições à exportação da carne e questão climática compõem cenário de tensão para a economia brasileira

O fechamento do mercado da União Europeia para a carne brasileira é um golpe a mais no setor agropecuário e na economia do país, em um ano cheio de complicações. No fim de junho ou de julho, a exportação de carne para os chineses completará a cota, e as vendas terão que ser suspensas. As novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos sobre o Brasil já estão postas. A guerra com o Irã se transformou em um choque de oferta de energia. As sombras do El Niño forte rondam o país e assustam o agronegócio.

Conversei com o professor José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), para saber se a ameaça climática é mesmo forte. Ele disse que o El Niño já se formou no Oceano Pacífico. A intensidade dos efeitos no clima, contudo, ainda não está certa. Tudo indica que será forte.

Interesses do Brasil devem prevalecer sobre amizade com Trump, por Fernando Gabeira

O Globo

Tanto a fidelidade canina da família Bolsonaro como a química que uniu Lula ao presidente dos EUA enfraquecem uma análise mais fria sobre objetivos dos dois países

Nunca me senti confortável com a importância que a imprensa dá à proximidade dos candidatos com Trump. Tanto a fidelidade canina da família Bolsonaro como a química que o uniu a Lula enfraquecem uma análise mais fria sobre interesses dos dois países.

Compreendo que Lula tenha certo orgulho da simpatia de Trump. Afinal, o poder de sedução atravessou barreiras ideológicas confirmando seu prestígio internacional. Na hora do vamos ver, a situação se revela com toda a crueza. Ao apresentar sua política para o continente, os Estados Unidos fizeram uma grande reunião na Flórida. Foi lançado o Escudo das Américas, aliança contra o crime organizado e imigração ilegal. O Brasil ficou de fora, assim como Colômbia e México. Em discurso no Congresso, Marco Rubio nomeou os países que não se alinhavam com a política americana. Entre eles estava o Brasil.

À espera da cavalaria, por Merval Pereira

O Globo

Se, como se teme, a segunda delação for tão vazia quanto a primeira, é sinal de que quer ganhar tempo à espera de uma decisão que o beneficie.

O comportamento de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro em atividade, na feliz definição de Arthur Dapieve, deixa clara sua esperança de que alguma coisa, ou alguém, virá em seu socorro a qualquer momento. Foi por isso, afinal, que ele investiu tanto tempo e dinheiro com autoridades de todos os quilates. E ainda há, em postos-chave da estrutura estatal, quem não quer que sua delação se concretize. Enquanto isso, vai enrolando as delações premiadas que negocia com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Vorcaro tem razão em esperar uma solução para seu caso, pois historicamente isso sempre aconteceu nos processos criminais brasileiros envolvendo empresários importantes, líderes políticos, autoridades do alto escalão dos Poderes da República.

Flávio e TSE censuraram uma pesquisa, por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

A decisão talvez tenha um impacto ao mostrar que Flávio não defende a liberdade de expressão quando a informação lhe desagrada

Ter acesso a diferentes pesquisas é mais relevante hoje em dia quando a confiabilidade delas está em discussão

O presidente do TSEKassio Nunes Marques, atendeu a pedido de Flávio Bolsonaro e suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel. Mas isso não deve ajudar Flávio. A pesquisa foi divulgada em 19 de maio; o impacto dela já passou. Ninguém nem lembrava mais. A decisão talvez tenha, aí, sim, um impacto negativo, ao mostrar que Flávio não defende a liberdade de expressão; quando a pesquisa lhe desagrada, ele é o primeiro a pedir censura.

Decisões na mesma linha que vierem no tempo certo, contudo, podem, sim, ter impacto. Isso porque as pesquisas eleitorais não só retratam a intenção de voto num determinado momento; elas podem influenciar essa intenção. O efeito é modesto, mas consistente. Por algum motivo, as pessoas não gostam de votar em quem elas acham que vai perder. Isso cria um "efeito manada", positivo ou negativo: um candidato visto como em ascensão tende a ganhar mais votos, já aquele visto como em queda tende a perder ainda mais. Numa eleição polarizada em que os candidatos estão muito próximos, o efeito modesto pode ser decisivo.

O partido Missão é o PT da direita ou o PSDB 2.0? Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Com mentalidade de startup, ele mistura social-democracia, Vale do Silício e Bope

Guerra aberta do MBL com o bolsonarismo explicitou a existência de dois polos na direita

Como bom malufista que foi, o pai de Renan Santos odiava o PT. No caso de seu filho, hoje pré-candidato a presidente, a resposta é complicada.

Para Renan, legendas como PL e PSD são de aluguel, enquanto o PT é partido no sentido clássico. Tem teses compartilhadas, produção intelectual, atividade política e militância.

Renan se inspirou na energia da política estudantil da Faculdade de Direito da USP para fundar o MBL. Uma paixão similar marca a militância emebelista nas redes sociais —ela que bagunça a monocromia do debate político atual. Intelectualizado e mais à vontade nos bastidores, Renan pode ser comparado a Zé Dirceu. Como o ex-ministro, sobrevivente da ditadura, ele coleciona batalhas.

Em 2003, após uma decepção na política estudantil, Renan trocou a vida de universitário e aspirante a músico pelo negócio familiar de recuperação de empresas falidas. Foram dez anos de jogo bruto: ganhar dinheiro via fórceps, demissões, cortes de gastos, briga com sindicatos e pressão de credores.

Partidos custam bilhões por prestação de mau serviço, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Financiamento público cria uma relação desigual entre o país contratante e os políticos contratados

Eleitor é obrigado a votar, mas os eleitos não se obrigam a cumprir seus deveres para com a sociedade

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou na semana passada os dados sobre a divisão do dinheiro do fundo eleitoral, e isso não traz notícia nova.

Os números são conhecidos, mas a divulgação repõe na agenda o tema desse tipo de financiamento adotado desde a eleição de 2018. Oportunidade para renovar questionamentos sobre como partidos se tornaram sorvedouros de dinheiro público sem que, em contrapartida, prestem bons serviços ao país que os contrata.

Palanque do filho 01 não desabou, mas está balançando, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Além do caso 'Dark Horse' e do tarifaço, PL enfrenta péssimo momento no Rio

Preso por envolvimento com o CV, bolsonarista Rodrigo Bacellar prepara delação

Não bastassem os percalços da pré-campanha presidencial —o caso "Dark Horse", o tarifaço de Trump com ameaça ao Pix, o tombo do filho 01 nas pesquisas aliado ao efeito fariseu que passou a pesar sobre ele entre alguns segmentos evangélicos, o desbunde do 03 com a extrema direita norte-americana, a incômoda sombra da ex-primeira-dama Michelle e uma certa neutralidade do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo—, o PL enfrenta um péssimo momento no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país.

Flávio Bolsonaro e as pesquisas, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Nunes Marques é aliado dos Bolsonaros, mas a AtlasIntel precisa se explicar

Ao suspender a última pesquisa AtlasIntel sobre a eleição presidencial, o ministro do Supremo Nunes Marques, atual presidente do TSE, nos deixa entre uma tese, ou princípio, e uma questão direta, pontual. Em tese, a ingerência numa pesquisa legal e registrada é condenável. No caso em foco, há margem para dúvidas.

A família Bolsonaro ataca pesquisas e institutos desde as eleições de 2018 e 2022, quando também fez dura campanha contra as urnas eletrônicas e, por fim, negou os próprios resultados. Aliás, Jair Bolsonaro acusa de fraude a eleição que ele próprio venceu. É inédito, incompreensível.

A suspeição de Moraes, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Suspeito pedindo contra suspeito. Flávio Bolsonaro pedindo ao Supremo que declare a suspeição de Alexandre de Moraes para julgar sobre Daniel Vorcaro e o Master. Alguém, cujas relações com Vorcaro exigem investigações, pedindo ao Supremo que declare a suspeição de ministro para julgar – no caso concreto – sobre os repasses do banqueiro ao filme Dark Horse. As relações de Moraes com Vorcaro a também exigirem investigações.

Relações Brasil–EUA: decifra-me ou devoro-te, por Rubens Barbosa*

O Estado de S. Paulo

A questão crítica em jogo para o País, neste momento, não é eleitoral, mas geopolítica

Os EUA estão cada vez mais presentes na política interna e externa do Brasil. Quatro recentes decisões impactaram o governo brasileiro e agitaram o cenário pré-eleitoral. São elas: a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas; a designação do novo embaixador norte-americano; os anúncios das recomendações das investigações contra o Brasil no âmbito da seção 301 da Lei de Comércio exterior de 1974 por práticas desleais e contrárias aos interesses dos EUA; e sobre trabalho forçado em produtos importados.

É um erro político grave – só explicável em função da política interna – considerar essas medidas como resultado de pressão por parte da família Bolsonaro sobre o governo em Washington. As medidas têm a ver com a nova visão global dos EUA, refletida na Estratégia de Segurança Nacional, cujo foco principal de interesse norte-americano é a América Latina.

Nuvens pesadas na economia em meio à eleição, por Carlos Alexandre de Souza

Correio Braziliense

O cenário econômico nacional já seria complexo por si só, não fossem dois complicadores adicionais. O primeiro são os fatores externos, como as ações do governo Trump e a guerra no Oriente Médio. O segundo fator é a disputa eleitoral

O boletim Focus, divulgado nessa segunda-feira, anuncia nuvens cada vez mais carregadas no cenário econômico brasileiro. Pela 13ª semana consecutiva, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 registrou alta. Subiu de 5,09% para 5,11%, ampliando a distância em relação ao teto da meta de inflação, definido em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional. As projeções também são pessimistas em relação à taxa de juros. Segundo o relatório Focus, a expectativa em torno da Selic passou 13,25% para 13,50% ao ano. Até o mês passado, a estimativa era de 13% para a taxa referencial.

Hora de sancionar a lei da Caatinga, por Sergio Leitão e Rafael Giovanelli *

Correio Braziliense

O que está em jogo é a construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento para o semiárido, baseada em segurança hídrica, produção sustentável de alimentos, geração de empregos, adaptação às mudanças climáticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viveu na pele os desafios da seca no sertão nordestino, tem diante de si a oportunidade de corrigir uma omissão histórica e transformar a recuperação da Caatinga em um compromisso permanente do Estado. A sanção do Projeto de Lei (PL) 1990/2024, aprovado pelo Congresso Nacional, instituirá a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, criando o primeiro marco legal brasileiro voltado especificamente à recuperação de um bioma.

A importância dessa decisão vai muito além do ambientalismo. O que está em jogo é a construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento para o semiárido, baseada em segurança hídrica, produção sustentável de alimentos, geração de empregos, adaptação às mudanças climáticas e combate à desertificação.

PIX novamente sob ataque, por Dão Real Pereira dos Santos*

Correio Braziliense

Em um país em que a renda média da população é de pouco mais de R$ 3 mil mensais, faz todo o sentido priorizar a redução de custos referente aos meios de pagamento

Há cerca de um ano e meio, o Pix sofria seu primeiro ataque massivo. Uma enxurrada de fake news, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), fez milhares de brasileiros acreditarem que seriam tributados em suas movimentações financeiras. As consequências desse episódio tiveram reflexo imediato na economia real, impulsionando o governo federal a adiar em sete meses a implementação de uma Instrução Normativa da Receita Federal essencial no combate ao crime organizado e que nada tinha a ver com qualquer taxação do Pix. Essa normativa apenas amplia para fintechs obrigações de prestação de informações que já tem sido exigida dos bancos tradicionais e que fortalece mecanismos de rastreamento de operações utilizadas em esquemas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. 

Agora, o governo norte-americano, por meio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), afirma que o Banco Central do Brasil teria criado uma situação de concorrência desleal ao desenvolver, operar e regular o sistema, supostamente prejudicando empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos. Ou seja, um governo estrangeiro ataca de forma explícita o Pix para proteger interesses privados de seu país.  

O futuro não está na polarização, por Eduardo Pedrosa*

Correio Braziliense

O futuro não está na polarização. Está na capacidade de formar uma sociedade intelectualmente livre, capaz de debater sem cancelar, discordar sem destruir e competir sem transformar adversários em inimigos

Existe um erro histórico que a centro-direita brasileira precisa ter a coragem de reconhecer. Durante décadas, enquanto a esquerda disputava universidades, movimentos estudantis, sindicatos, produção cultural, editoras e espaços de formação intelectual, a direita concentrou seus esforços nas eleições, na economia e na gestão pública. A esquerda pensava em décadas. A direita pensava em governos. E, talvez, seja impossível compreender o Brasil de hoje sem entender essa diferença.

A política não começa na urna. Ela começa muito antes, nos lugares onde uma geração aprende a interpretar o mundo. Foi isso que Antonio Gramsci percebeu ao desenvolver o conceito de hegemonia cultural. Quem influencia a educação, a cultura e os formadores de opinião influencia a forma como a sociedade pensa. E quem influencia a forma como a sociedade pensa acaba, inevitavelmente, influenciando a política.

Poesia | O cão sem plumas, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Teresa Cristina - Com que roupa (Noel Rosa)

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Nota sobre relações de força, por Antonio Gramsci *

As notas escritas a propósito do estudo das situações e do que se deve entender por “relações de força”.  O estudo sobre como se devem analisar as “situações”, isto é, sobre como se devem estabelecer os diversos níveis de relação de forças, pode servir para uma exposição elementar de ciência e arte política, entendida como um conjunto de regras práticas de pesquisa e de observações particulares úteis para despertar o interesse pela realidade efetiva e suscitar intuições políticas mais rigorosas e vigorosas.  Ao mesmo tempo, é preciso expor o que se deve entender em política por estratégia e tática, por “plano” estratégico, por propaganda e agitação, por “orgânica” ou ciência da organização e da administração em política.  Os elementos de observação empírica que habitualmente são apresentados de modo desordenado nos tratados de ciência política (pode-se tomar como exemplar a obra de G. Mosca: Elementi di scienza politica) deveriam, na medida em que não são questões abstratas ou sem fundamento, ser situados nos vários níveis da relação de forças, a começar pela relação das forças internacionais (onde se localizariam as notas escritas sobre o que é uma grande potência, sobre os agrupamentos de Estados em sistemas hegemônicos e, por conseguinte, sobre o conceito de independência e soberania no que se refere às pequenas e médias potências), passando em seguida às relações objetivas sociais, ou seja, ao grau de desenvolvimento das forças produtivas, às relações de força política e de partido (sistemas hegemônicos no interior do Estado) e às relações políticas imediatas (ou seja, potencialmente militares).

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Fundo eleitoral e emendas distorcem a competição política

Por Folha de S. Paulo

Partidos, que receberão R$ 4,9 bi em dinheiro do contribuinte, deveriam buscar na sociedade seu sustento

Volta de doações de empresas seria um primeiro passo; parlamentares decidem cada vez mais o destino dos impostos, mas de forma degradada

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou a divisão de recursos do fundo eleitoral entre os partidos políticos. Como já era sabido, vultosos R$ 4,9 bilhões foram destinados no Orçamento para financiar campanhas neste ano.

Agremiações com desempenho eleitoral melhor na disputa mais recente por vagas no Congresso Nacional levam as maiores fatias desse Fundo Especial de Financiamento de Campanha. O PL, de Jair Bolsonaro, ficou com a maior parcela, R$ 881,6 milhões, seguido pelo PT, de Luiz Inácio Lula da Silva, com R$ 615,3 milhões.

Entrevista: Lula vai ter mais de um palanque em vários estados para aproximar o centro, diz Wellington Dias

Por Victoria Azevedo – O Globo

Futuro integrante da coordenação da campanha, ministro do Desenvolvimento Social diz que erro do primeiro mandato foi não consolidar maioria no Congresso e prevê aproximação de partidos a partir de alianças aos governos locais

— BRASÍLIA - O ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) afirma que a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser acompanhada por uma articulação voltada ao centro político. Em entrevista ao GLOBO, o ministro avalia que o principal erro do terceiro mandato foi não consolidar uma maioria simples na Câmara e no Senado, diz que faltou cuidado e atenção na relação com os aliados, e defende a construção de palanques estaduais capazes de assegurar governabilidade em um eventual novo mandato.

Dias atuará na coordenação de campanha da reeleição ao petista, com foco na região Nordeste. Ex-governador do Piauí e senador licenciado, o ministro afirma que é preciso retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defende a prerrogativa de Lula em reenviar o nome de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e diz que a atuação de Flávio Bolsonaro (PL) junto ao governo Donald Trump que resultou na classificação do PCC e do CV como organizações terroristas é para “abafar o escândalo do Master”.