segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Parar pente-fino no Bolsa Família foi um equívoco

Por O Globo

Em ano eleitoral, União fechou acordo com defensoria e interrompeu visitas necessárias a coibir fraudes

O governo errou ao fechar acordo com a Defensoria Pública da União (DPU) suspendendo até 1º de julho do ano que vem a obrigatoriedade de visita residencial para concessão ou manutenção do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) a quem afirma morar sozinho. A exigência foi estabelecida em maio do ano passado, diante das evidências de fraudes na classificação de famílias como unipessoais para ampliar a quantidade de benefícios recebidos em uma mesma residência. A DPU entrou com processo contra a União alegando haver suspensão de benefícios sem ter havido visita. Em vez de aceitar o acordo com a DPU que preserva o caminho para as fraudes, o governo deveria ter reforçado o pente-fino por meio da checagem presencial.

Assista à entrevista exclusiva da RECORD com Lula (PT), candidato à Presidência da República

 

Por que o debate da Band foi o pior das eleições presidenciais desde 1989, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes, encontro será lembrado por um vice dormindo enquanto seu candidato falava

Esvaziado pelos ausentes e avacalhado pelos presentes, o debate da Band foi possivelmente o pior encontro de presidenciáveis já transmitido pela TV brasileira.

À frente nas pesquisas, Lula e Flávio Bolsonaro já haviam informado que não compareceriam. No domingo, Romeu Zema surpreendeu ao se juntar ao boicote.

Dos seis convidados, restaram três, que por pouco não se reduziram a dois.

O psiquiatra Augusto Cury já estava na portaria da Band quando deixou repórteres perplexos ao avisar que daria meia-volta para casa. “Vocês não percebem a minha mágoa?”, perguntou.

O desafio de Caiado, Renan Santos e Augusto Cury no debate era se destacar, mas todos falharam miseravelmente, por Vera Magalhães

O Globo

Embate não muda polarização, apesar de ausências

Lula e Flávio Bolsonaro devem ter respirado aliviados ao fim do debate da Band, realizado em pool com outros veículos. O nível da discussão foi tão pobre que o eleitor de ambos teve razões de sobra para trocar uma decepção com a ausência dos favoritos por uma solidariedade com sua decisão.

O desafio de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury era se tornarem conhecidos para, no decorrer da campanha, quem sabe, despontarem como uma terceira via possível diante da polarização bastante consolidada. Nesse sentido, falharam miseravelmente.

O show de Renan para a machosfera, as pílulas de autoajuda lançadas por Cury e uma mal ajambrada coletânea de realizações de seu governo em Goiás produzida por Caiado não chegaram, em nenhum momento, a configurar um debate de fato, em que os candidatos —a presidente da República! — formulassem propostas viáveis para problemas concretos do país e dos eleitores.

Obrigação do cumprimento de cotas contamina a sociedade, por Miguel de Almeida

O Globo

Reparação histórica tem criado conflitos que precisam ser resolvidos, sem paixão

No espaço de três meses, a política de cotas raciais voltou a causar conflitos e processos judiciais. Criada inicialmente em âmbito estadual (Rio e Bahia) em 2001, expandida para a Universidade de Brasília (UnB) em 2004 e nacionalizada por Dilma Rousseff em 2012, ela visava a garantir acesso de Pretos, Pardos e Indígenas (PPIs) aos cursos superiores. Como argumento, a “reparação histórica” aos grupos sacrificados desde a chegada dos europeus ao Brasil.

As esquisitas comparações do ministro Dino, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

O mau jornalismo pode trazer notícias erradas ou ofender. Mesmo assim, na democracia não pode haver censura prévia

Em sessões no STF e nas suas redes sociais, o ministro Flávio Dino produziu uma série de comparações entre o exercício de profissões para relativizar a liberdade de expressão do jornalista e a garantia do sigilo da fonte. Seu objetivo era demonstrar que a prática do jornalismo exige que o profissional tenha um diploma de jornalista.

São comparações, digamos, esquisitas. Disse o ministro em sessão do Supremo:

— O direito de ir e vir implica que qualquer pessoa possa pilotar um avião? Ou o direito à saúde autoriza que qualquer um receite remédios? E o direito de defesa permite que qualquer cidadão exerça a advocacia?

Socialismo tributário, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Não estamos diante de uma mera irresponsabilidade fiscal. Trata-se de um projeto de dominação do Estado sobre a sociedade

O Brasil, sob o governo Lula III, vive em um círculo vicioso que parece não ter fim. Embora tenhamos a coloração dinástica do III, procurando repetir a dose num Lula IV, forçoso é reconhecer que ele pouco se parece com Lula I, graças a uma administração competente das finanças públicas sob as batutas de Antonio Palocci e Henrique Meirelles. É como se pertencesse a outra casa monárquica. Todavia, ele parece ser um êmulo de Dilma I e II, que quase levou o País à bancarrota. Aliás, por uma questão de coerência, deveria ser a ex-presidente convidada para ser ministra da Fazenda, pois seus discípulos neste governo, apesar de tentarem, não estão completamente à sua altura.

EUA exigiram subordinação, e o Canadá recusou, por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

Novas tarifas impostas pelo governo Trump ao país vizinho atingem, sobretudo, pequenas e médias empresas

As novas tarifas de Donald Trump foram “feitas para nos machucar e nos dividir…. os EUA estão tentando nos quebrar para poder nos possuir. Isso nunca, jamais, vai acontecer.” disse Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, no sábado, 22 em Ottawa, poucas horas depois de as tarifas estadunidenses de 50% entrarem em vigor sobre uma longa lista de produtos canadenses, que atinge sobretudo pequenas e médias empresas do país.

Carney, ex-presidente do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra, que construiu a carreira inteira sobre a arte de escolher palavras que não movam mercados, adotou um tom mais duro: “Você está em guerra quando é atacado. E nós fomos atacados.”

Por que o número de candidatos caiu? Por Bruno Carazza

Valor Econômico

Redução da demanda por cargos públicos expõe novas dinâmicas do sistema político-eleitoral brasileiro

Iniciada a campanha eleitoral e publicada a relação dos registrados por todos os partidos, um fato chamou a atenção: pela primeira vez desde pelo menos 1998, o número de candidatos caiu.

Em outubro, 20.712 brasileiros tentarão obter um mandato eletivo para os próximos quatro ou, no caso de senador, oito anos. Trata-se de uma redução significativa de 29,2% em relação à eleição passada, que contou com a participação de 29.262 concorrentes.

A conta fiscal do próximo presidente, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Santo Graal entre os economistas é anunciar um ajuste fiscal forte o suficiente para fazer o investidor cobrar um prêmio de risco menor para carregar a dívida pública

Os juros que o governo paga na sua dívida estão muito altos, e é um consenso entre os principais candidatos a presidente da República - incluindo Lula-- de que será preciso um ajuste fiscal. Qual o tamanho do problema? Depende, em grande parte, da opinião de cada um sobre as causas dos juros altos.

Se a visão é de que a taxa de juro está alta sobretudo por questões fiscais, então o tamanho do ajuste nas contas públicas pode ser até menor - por mais estranho que possa parecer - caso seja anunciado um plano forte o suficiente e com credibilidade.

Convenções que já não decidem, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Cada vez mais a escolha dos candidatos tem passado longe das convenções

Decisões antes tomadas por uma instância coletiva ficam nas mãos de um pequeno grupo

Idas e vindas na definição de candidaturas ganharam destaque no noticiário recentemente. Dois exemplos são o senador mineiro Cleitinho, do Republicanos, cuja candidatura ao governo atravessou sucessivas reviravoltas, e o ex-prefeito de Maceió JHC (João Henrique Caldas), do PSDB, que ora concorreria ao Senado, ora ao governo. E as indefinições sobreviveram às convenções partidárias.

As convenções, realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, deveriam ser o momento em que os partidos decidem não apenas se lançarão candidatos, mas quem serão eles.

Quando os árbitros entram no jogo: o jantar da desordem institucional, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

STF não responde à crise com autocontenção, mas com uma confusão ainda maior entre jurisdição e política

Moraes assume também o papel de articulador político entre Lula e Alcolumbre, em plena campanha eleitoral

O escândalo do Banco Master pareceu provocar no STF um instinto de autopreservação. A magnitude das revelações e a reação da opinião pública teriam aparentemente convencido seus ministros de que era necessário conter excessos e restaurar a credibilidade da corte. A proposta do presidente Edson Fachin de criar um código de ética foi interpretada como sinal, ainda que tímido, desse movimento.

Os acontecimentos recentes mostram que essa expectativa era ilusória.

Jantar realizado na residência de Alexandre de Moraes reuniu o presidente da República, o presidente do Senado e os ministros Moraes e Cristiano Zanin. A cena, concebida como demonstração de pacificação, é, na realidade, uma representação exemplar da desordem institucional brasileira.

Poesia | Arte Poética, de Mário Dionísio

 

Música | Maria Bethânia e Omara Portuondo - Tal Vez

 

domingo, 23 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tentativa de polir credenciais fiscais de Lula é frustrante

Por O Globo

Na Faria Lima, Durigan insiste que, se reeleito, governo promoverá ajuste. Mas não convence

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi destacado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como interlocutor econômico da campanha pela reeleição. Durigan não tem perdido tempo em circular pela Faria Lima para convencer o mercado financeiro das novas credenciais de Lula no campo fiscal, caso seja reeleito. Tem tentado acalmar bancos e gestoras de fundos e se mostrado aberto às críticas. A julgar, porém, pela ansiedade na flutuação de indicadores como dólar, ações e, principalmente, títulos do governo, o fracasso da iniciativa é patente.

Considerações sobre o ‘interregno’, por Luiz Sérgio Henriques*

O Estado de S. Paulo

A reconstrução da sociedade civil, espaço de mediação entre indivíduo e Estado, é o desafio posto diante das forças democráticas há muito na defensiva

Como tudo na vida, palavras envelhecem, e talvez seja essa a sensação que nos assalta ao depararmos com o uso reiterado de “interregno” para indicar o atual estado das coisas. Na conhecida formulação de Gramsci, a velha ordem está morta e não mais regula corações e mentes, enquanto a nova ainda não consegue se afirmar. No intervalo entre ambas, o mundo se enche de sintomas mórbidos. Provocadora, a imagem parece explicar o caos ao redor, mas há quem nela observe a persistência de uma certeza anacrônica sobre a nova ordem que viria a se impor por meio da revolução.

Admitida a observação, pode-se ainda teimar em que a metáfora ao menos chama a atenção para os riscos próprios de épocas de transição como a nossa. Não por acaso, circulam por aí ideias-zumbis e figuras extravagantes, que recusam comportamentos baseados em regras, ainda que imperfeitas, e proclamam a lei do mais forte. Os sintomas precisam ser pesquisados, assim como buscados os remédios, todos eles políticos, naturalmente. Essa procura incessante, sem prescindir de analogias, não pode se limitar a elas – os adversários da sociedade aberta não são os mesmos de 1930 nem liquidá-los como “fascistas” nos deixa necessariamente em posição mais segura.

Mesmo ausentes, Lula e Flávio são os protagonistas do debate na tevê, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Flávio condicionou sua presença à participação de Lula, porque perderia a oportunidade de confrontar diretamente o principal adversário e seria alvo de Caiado, Zema e Renan

O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, marcado para hoje, às 20h, na Band, terá dois protagonistas invisíveis: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), representante do PL. Os líderes das pesquisas decidiram não comparecer, deixando o palco para Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A ausência expressa o cálculo político de ambos: evitar desgastes, reduzir o risco de surpresas e manter a disputa confinada à polarização que interessa aos dois.

A barbárie que une García Lorca, Victor Jara e Honestino, por Dorrit Harazim

O Globo

É sempre melhor quando a Justiça redemocratizada se alia à História, claro. Mesmo que tardiamente

Três gerações depois do sombrio 18 de agosto de 1936, ainda é proibido esquecer. Passaram 90 anos desde o fuzilamento do poeta Federico García Lorca por falangistas de Granada. Seu corpo nunca foi encontrado. Segunda-feira passada, dia 17, a homenagem mais vibrante e desempoeirada ocorreu nas ruas de Madri, quando uma ruidosa centena de jovens artistas emergiu do Palácio de Velázquez carregando (com autorização do Ministério da Igualdade) uma pequena estátua de Lorca sorridente. Num misto de “procissão laica” com flashmob a que foram se juntando cidadãos comuns, o cortejo seguiu até a Plaza de Santa Ana, no Barrio de las Letras. Ali, cantaram, declamaram e dançaram aos pés da estátua oficial, em bronze e tamanho natural, do cultuado dramaturgo de “La Casa de Bernarda Alba”.

Contradições do STF, por Merval Pereira

O Globo

A essa altura, não é mais possível levantar qualquer tipo de dúvida de que Lulinha estava fazendo negócios em nome de sua posição familiar.

A mais recente pesquisa de opinião do DataFolha, divulgada neste fim de semana, indica que a disputa presidencial está virtualmente empatada, com um detalhe realçado pela própria empresa: ela não pegou a reação dos eleitores sobre as suspeitas que atingem o filho do presidente Lula. A essa altura, não é mais possível levantar qualquer tipo de dúvida de que Lulinha estava fazendo negócios em nome de sua posição familiar, e que a lobista Robert Luchsinger era sua representante – ela mesmo disse “eu sou o Lulinha” em uma conversa que a PF obteve. Também surgiram nos últimos dias diálogos sobre pagamentos para Lulinha. Portanto, não há mais dúvida de que havia negócios através do chefe de gabinete do presidente, o Marcola, que até teve que sair do governo, e de pessoas instaladas no Ministério da Saúde.

André Mendonça será o novo Sergio Moro? Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Relator dos casos Master e Lulinha, ministro do STF promete imparcialidade, mas vazamentos já influem na eleição

Em abril de 2020, Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça atirando. Acusou o então presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal para blindar o filho Flávio, investigado no escândalo da rachadinha. Para o lugar de Moro, o capitão escalou um auxiliar mais discreto, que chefiava a Advocacia-Geral da União. Era André Mendonça, que se notabilizaria por usar o cargo para abrir inquéritos contra críticos e opositores do chefe.

Em seis anos, Moro reatou com o bolsonarismo, virou senador e agora disputa o governo do Paraná pelo PL. Seu substituto na Justiça foi alçado a ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje é relator de dois casos com potencial para influir no resultado da eleição.

O fator Lulinha na reta final, por Elio Gaspari

O Globo

Lulinha vive na Espanha, depois de mais de um ano de trabalho na sua blindagem, a defesa do primogênito do presidente admitiu que ele venha ao Brasil para prestar os devidos esclarecimentos

Em janeiro de 2024, a J&F dos irmãos Batista contratou um parecer de Ricardo Lewandowski, magistrado aposentado do STF e futuro ministro da Justiça, para seu litígio em torno da Eldorado Celulose. Em fevereiro, o banqueiro Daniel Vorcaro contratou a banca de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes com remuneração de R$ 3,6 milhões mensais por três anos. Já o ministro Dias Toffoli suspendeu no dia 2 os pagamentos das multas devidas pela empreiteira Odebrecht, decorrentes do acordo de leniência firmado com o juízo da Lava-Jato. Dias depois, o ministro mandou investigar a ONG Transparência Brasil. Tudo normal e legal.

Nesse cenário, a advogada Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, conceberam um negócio de fornecer ao governo federal, sem licitação, 1,2 milhão de frascos de 36 tipos diferentes de remédios com base em canabidiol. Seria um negócio de 626 milhões.

Era motivo de euforia para Luchsinger: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”.

Urgência ignorada, por Míriam Leitão

O Globo

O El Niño pode atingir o Brasil em plena campanha eleitoral, mas candidatos tratam a questão ambiental de forma superficial

A campanha eleitoral ignora o problema mais urgente da humanidade: a mudança do clima. A emergência climática atinge o mundo, ondas de calor rondam a Europa, o rio Danúbio seca, o Brasil é vulnerável em inúmeros pontos. E deve ser atingido nos próximos meses por eventos extremos do super El Niño. No entanto, tudo se passa como se esse fosse um tema lateral. O candidato Flávio Bolsonaro repete a mesma ideia fixa do pai e ameaça as entidades ambientalistas, alimentando a ideia da conspiração. O presidente Lula apresentou o plano mais robusto dos candidatos, mas fala vagamente sobre o mapa do caminho para a eliminação do combustível fóssil que defendeu na COP30. Também pudera.

Jogo de alto risco, por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

Governo federal faz jogo perigoso ao apostar em crescimento econômico sem sustentabilidade

Não há mágica nem milagre, mas o governo brasileiro continua apostando em crescimento econômico sem investimento produtivo, isto é, sem suficiente aplicação de capital em máquinas, equipamentos e infraestrutura. Não tem faltado investimento financeiro, mas dinheiro aplicado em papéis, especialmente em títulos de um governo gastador, é muito menos importante – e muitas vezes inútil – para dinamizar a economia.

Nos primeiros três meses deste ano, os setores público e privado aplicaram em meios físicos de produção apenas 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo números oficiais. Em nove dos últimos dez anos, o valor investido nesse trimestre ficou abaixo de 18%. A taxa mais alta, 18,4%, foi anotada em 2021. A mais baixa, 14,5%, em 2017, no final de uma crise econômica.

Com Lulinha, chance de Flávio é ‘zero’? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

PSD e Caiado têm moeda de troca no segundo turno, mas tudo depende dos escândalos

Numa eleição apertada, a ser disputada até o último minuto, qualquer pontinho faz diferença e é aí que entram Gilberto Kassab e o PSD, que têm Ronaldo Caiado, o terceiro mais votado no 1.º turno, com 5% dos votos, que são uma boa moeda de troca para o segundo. Mas tudo depende dos escândalos.

Kassab, vice de Caiado, já declarou que Flávio Bolsonaro tem “chance zero” e que a “neutralidade” de PP, Republicanos e União Brasil favorece Lula. Como o PSD é, na prática, do Centrão, não seria estranho reforçar o apoio a Lula no 2.º turno.

Pelo Datafolha, Caiado tem 40% e Flávio, 43%, ante 47% de Lula no 2.º turno. Logo, Caiado já carrega os votos da direita e o que pesa para as negociações do PSD são os 5% do 1.º turno, que podem ir para Lula, Flávio ou nada.

A estratégia acertada de Lula com Trump, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O telefonema entre Lula e Donald Trump na sexta-feira confirma o que minhas fontes no governo americano sempre me dizem: não existe animosidade pessoal do presidente americano para com o brasileiro. E abre oportunidade no momento em que Trump precisa de boas notícias na política externa.

Um presidente americano não dedica 1h20 de seu tempo, perto de eleições cruciais para o Congresso, se não tiver interesse em cultivar o relacionamento com um governante estrangeiro. A iniciativa da conversa foi de Lula, e parece ter sido em ambiente de cordialidade.

Bolsonarinho, Lulinha e o efeito do prestígio de Lula na eleição, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Cenário eleitoral está quase parado desde março; campanha quente mal começou

Caso de filho de Lula comove mais elites do poder que caso de filho de Bolsonaro

Datafolha frustrou quem esperava aperto da diferença de votação entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na sexta passada, centrais de boatos e "análises" de gentes dos mercados animavam-se com essa hipótese, baseada em rumores de pesquisas de partidos ("trackings"), de confiabilidade inverificável.

Em eleição apertada, escândalos ou manipulações podem mudar o jogo. A julgar pelas pesquisas, uns 3% do eleitorado tem se movido por causa disso, até agora. Mas há números maiores sendo esquecidos.

Desde maio a votação de Lula e Flávio no segundo turno quase não se moveu; desde março, o movimento foi mínimo. No segundo turno, um antilula continua a ter uns 40% dos votos. Em votos válidos de segundo turno, Lula tem 52%, Flávio 48%.

Os filhos picaretas dos presidentes, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Tanto o primogênito do Bolsonaro quanto o do Lula têm contra si acusações sérias

Os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos diferentes, e um deles não é candidato a presidente

Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS.

Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

Credencial de lobista era o nome de Lulinha, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Defesa alega que Fábio Luís é perseguido por carregar o sobrenome do presidente da República

Mas é a condição de filho de Lula que dá a ele trânsito livre e acesso a negócios governamentais

Antônio Carlos Camilo Antunes está preso preventivamente sob suspeita de comandar fraudes de bilhões em aposentadorias e pensões na Previdência Social. É também investigado por presumido tráfico de influência na busca de contratos comerciais para venda de produtos e serviços na máquina estatal.

Interesses, ao que diz a Polícia Federal, ampliados para além do setor que lhe conferiu o apelido de Careca do INSS. Para auxiliá-lo, contratou consultoria de Roberta Luchsinger, amiga e autodeclarada sócia de Fábio Luís da Silva, filho do presidente da República, em nome de quem se apresentava.

Advogado de Lulinha

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Um pacto nacional contra o crime, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Emergência brutal do crime organizado assume proporções de mudança social disruptiva

Falta ao pensamento progressista atual capacidade de perceber tamanho da ameaça ao equilíbrio social

Transparece no noticiário um crescimento da violência urbana em estados governados pelo PT. Mas inferências generalizantes por números de ocorrências ainda fornecem uma imagem desfocada da criminalidade vivida em todo o país. É sem dúvida insuportável a proliferação dos assaltos armados, balas perdidas, até drones explosivos nas metrópoles brasileiras. Entretanto, apenas estatísticas de mortes violentas não caracterizam insegurança maior numa região. Organizado, o crime altera o paradigma de abordagem do fenômeno.

O que não tem resposta, nem nunca terá, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A IA em breve nos permitirá fazer as perguntas mais indiscretas às nossas heroínas da literatura

'Diadorim, você fazia xixi em pé com os jagunços?' ou 'Capitu, o que você viu no Escobar?'

A IA (ou dona Iaiá, como a batizou o poeta e acadêmico Antonio Carlos Secchin) nos oferece uma nova oportunidade de nos metermos onde não fomos chamados. Segundo li, em breve poderemos "conversar" por meio dela com personagens da literatura e ouvir deles respostas a questões que seus autores deixaram em suspenso ao criá-los. Eis algumas possibilidades.

Os EUA e as eleições brasileiras, por Roberto Amaral*

“Os EUA anunciam que são potência imperial com domínio incontestável sobre a região, cobiçada pela China. Com isso, tratam a América Latina não como parceira, mas como vassala.” (O Estado de SP, 17/08/2026)
 
O jornalão da oligarquia paulista, diário oficial do segmento mais atrasado da classe dominante brasileira, levou nada menos de 151 anos para descobrir que o imperialismo é uma realidade objetiva e ousou nomeá-lo como presente na América Latina. O escorregão ideológico ajuda a explicar — se ainda é necessário —, a natureza desse império que vem, de longa data, marcadamente a partir da proclamação da Doutrina Monroe (1823), que reduzia nosso Continente a mera extensão de sua soberania. Na sequência sobreveio (1904) o Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe  (“fale suavemente e carregue um grande porrete” ) e agora nos chega o Corolário Trump, uma atualização imperial do big stick :“Os Estados Unidos reafirmarão e imporão a Doutrina Monroe para restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental".

Lula no Rio de Janeiro: o Brasil Pronto Pra Mais

 

Poesia | Para viver um grande amor, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Mariana Aydar e Jazz Sinfônica - Espumas ao Vento (Encontros Históricos)

 

sábado, 22 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Nossas escolhas

Por CartaCapita

CartaCapital aponta suas preferências eleitorais

Desde 1994, quando a edição número 1 chegou às bancas, esta publicação tem por hábito indicar os candidatos que considera mais habilitados a conduzir os rumos do País. CartaCapital fia-se, em primeiro lugar, na tradição das mais prestigiosas publicações do mundo. Há 174 anos, em todo ciclo eleitoral, The New York Times informa aos leitores as razões de seu “voto”. A partir dos anos 1960, o principal jornal dos Estados Unidos passou a apoiar de forma sistemática os presidenciáveis do Partido Democrata. O costume havia se solidificado na mídia norte-americana ao longo do século XX, mas sofreu um revés na última eleição, quando alguns novos magnatas dos meios de comunicação, oriundos do Vale do Silício, decidiram trocar a opinião dos editoriais pela fila do gargarejo na posse de Donald Trump. Qualquer semelhança com repúblicas de banana não é mera coincidência.

Na Europa, o britânico The Guardian nasceu alinhado aos trabalhistas, enquanto The Daily Telegraph integra as fileiras dos conservadores. Os liberais da revista The Economist ultrapassam fronteiras: escolhem seus preferidos não só no Reino Unido, dão pitacos nas disputas em países considerados fundamentais para o triunfo dos valores capitalistas defendidos pela redação.

Captura de precedentes, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Advocacia de compadrio e múltiplas outras formas de aproximação indevida entre magistrados e partes interessadas têm se tornado cada dia mais efetivas

A transferência de poderes e prerrogativas aos tribunais brasileiros não veio acompanhada dos devidos cuidados

A batalha pela conformação de precedentes judiciais não chega a ser uma novidade, especialmente em países de common law, onde os precedentes sempre constituíram uma fonte essencial do direito, com enorme relevância na organização e uniformização do sistema de justiça. Precedentes são decisões judiciais que não se limitam a resolver um caso concreto, mas que projetam as regras estabelecidas no caso concreto para a solução de novos casos no futuro.

Jogos de poder, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pela lei e pela lógica, inquéritos contra Lulinha deveriam estar na primeira instância

A tendência, porém, é ministros do STF manterem as investigações sob sua guarda

Pelo que foi vazado até aqui, as suspeitas contra Fábio Luís Lula da Silva, o popular Lulinha, ganharam embaraçosa materialidade. Não acho que o caso levará muitos petistas a desistir de votar em Lula, mas poderá custar votos entre eleitores desalinhados, que tendem a ser decisivos num eventual segundo turno. O que serve de consolo para a campanha de Lula é que seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, também está envolvido em suspeitas e muito mais diretas —não é mesmo, irmão Vorcaro?

Sem o clamor das ruas, campanha do filho 01 se reduz às redes, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Fiasco do ato inaugural em Copacabana reforça estratégia no digital

Primeira tentativa deu errado: sunga branca de Flávio B foi desaprovada por seguidores

Flávio Bolsonaro soma aproximadamente 17,6 milhões de seguidores em suas redes sociais. Mesmo sem postar há 13 meses, o pai tem 67,2 milhões; a prisão quase não alterou o número. No mundo digital o filho do peixe continua a ser um peixinho.

Daí que a campanha bolsonarista, tentando repetir o terremoto que abalou as redes em 2018 e afastar o incômodo com o desempenho tímido do senador, se esforça para fazer com que a tropa de aliados replique os posts. O primeiro a ser intimado a participar do esquema foi o deputado Nikolas Ferreira (44,2 milhões de seguidores).

Lula liga para Trump e diz que tarifaço contra Brasil é baseado em alegações infundadas

Folha de S. Paulo, por Isadora Albernaz , Ricardo Della Coletta , Caio Spechoto e Mônica Bergamo

Presidentes do Brasil e dos Estados Unidos conversaram por telefone nesta sexta (21)

Americanos impuseram tarifas que chegam a 37,5%

Brasília e São Paulo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou na manhã desta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, e disse que o mais recente tarifaço aplicado contra o Brasil é baseado em "alegações infundadas" envolvendo o Pix, o etanol brasileiro e importações com trabalho forçado.

Segundo o comunicado do Planalto, a ligação durou 1 hora e 20 minutos e ocorreu "em tom amistoso e cordial" entre Lula e Trump, que teria sugerido que os negociadores dos dois países voltassem a se reunir "o mais brevemente possível" —sem detalhar uma data.

A conversa se deu em um momento em que autoridades do governo Lula, que é candidato à reeleição, têm repetido que temem interferência estrangeira dos EUA nas eleições brasileiras. A gestão Trump é próxima do principal rival do petista, o candidato do PLFlávio Bolsonaro.