sábado, 20 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Suspeitas contra Wagner devem ser investigadas a fundo

Por O Globo

Desde já, senador deveria se afastar da liderança do governo para trabalho ser conduzido com serenidade

São graves as suspeitas de corrupção envolvendo o senador Jaques Wagner (BA) e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do notório Daniel Vorcaro, do Banco Master. É obrigação das autoridades aprofundar as investigações — e, desde já, Wagner deveria se afastar da liderança do governo no Senado para que elas possam transcorrer de forma serena.

Em nova fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner, a Lima e a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo da Bahia. Segundo a investigação, Lima comprou um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador (onde moraria a filha de Wagner), e uma companhia vinculada a ele transferiu R$ 3,5 milhões a uma empresa do núcleo familiar de Wagner. A PF ainda encontrou US$ 55 mil e € 33,5 mil em espécie.

Wagner deveria renunciar à liderança do governo, por Sergio Lirio

CartaCapital

A renúncia ao posto não seria admissão de culpa, apenas uma decisão racional ante a crise

Governador por dois mandatos, senador, figura que libertou a Bahia do jugo do coronelismo, Jaques Wagner tem experiência suficiente para entender a gravidade do momento. Renunciar à liderança do governo não significa admissão de culpa, apenas a decisão racional para estancar uma crise cuja escalada só interessa a quem aposta na estratégia do Chacrinha: confundir e não explicar. O caso do Banco Master é majoritariamente um escândalo do bolsonarismo e do Centrão, mas o apego de Wagner ao posto insufla a tese, ou a “narrativa”, para repisar o senso comum do momento, de que são todos “farinha do mesmo saco”. O drama do parlamentar vira um drama do Palácio do Planalto.

Legislativo e desvio de poder, por Pedro Serrano

CartaCapital

Os fins da lei são plausíveis de verificação objetiva e, se destoantes dos fins constitucionais, é dever do Judiciário fulminar seus efeitos

Nas próximas semanas lançarei, pela Editora Contracorrente, a segunda edição da obra O Desvio de Poder na Função Legislativa. Originalmente publicado em 1997, o tema assume grande atualidade após quase 30 anos, o que suscitou a recuperação dos limites constitucionais impostos à realização da atividade legislativa do Estado, bem como à esfera de livre decisão do legislador na produção de leis.

Num momento em que o Legislativo brasileiro tem se mostrado sedento em assumir incomum protagonismo nos rumos da República, inclusive imiscuindo-se em matérias inequivocamente afetas ao exercício da função administrativa do Estado, precisamos rememorar os limites normativos a ele impostos. Mais especificamente, diante do avanço da redefinição dos limites e das confluências entre as funções estatais, urge refletirmos sobre os limites da legítima atuação da atividade legislativa.

Sinais de exaustão do bolsonarismo, por Maria Inês Nassif

CartaCapital

O clã deu vários tiros no pé e o Congresso aliado da família aprova furiosamente leis impopulares

O que mais intriga num processo de fascistização das massas é que uma multidão cega persiga um líder obtuso, construído em torno de mentiras e de ideias tão simplistas e vagas que relativizam a verdade e o bom senso. Assim foi feito o “Mito”, como se autodenominava Jair Bolsonaro. Para um observador da história, todavia, intriga também o fato de existir um ponto de exaustão, além do qual o gênio das Mil e Uma Noites da extrema-direita é recolhido à lâmpada, para lá dormir até que alguém tenha a infeliz ideia de limpá-la e, sem querer, liberar um demônio de ideias pobres que enfeitiça multidões.

A desconexão entre representantes e representados, por Marcus Pestana

Faltam 105 dias para as novas eleições gerais no Brasil. Elegeremos o presidente, governadores, senadores, deputados. A eleição presidencial rouba a cena. A maior parte das atenções e das energias são direcionadas para ela. A eleição dos governadores ainda tem alguma visibilidade. O voto para senador é o último que o eleitor define, até porque há uma baixa compreensão sobre o papel do Senado. É a casa da Federação, representa as unidades federadas. Por isso, independente de sua população, cada estado e o DF têm 3 representantes. Mas, é na Câmara dos Deputados que o povo brasileiro - na sua diversidade, pluralidade e identidade - se faz representar.

A foto ofusca o filme, por Cristovam Buarque

Revista Veja  

É preciso enxergar o país para além do retrato do momento

Vista como foto, a violência parece diminuir com a redução da maioridade penal; vista como filme, ela pode se agravar. Com base no momento, explica-se a opinião favorável à redução da maioridade penal; mas, vista como filme, sabe-se que essa redução tende a aumentar a criminalidade, porque muitos adolescentes presos cairão nas garras do crime organizado. No longo prazo, o aumento no tempo de permanência na escola tem melhor efeito na segurança pública do que a redução da maioridade penal. Há sessenta anos, Darcy Ribeiro dizia que “se não fizermos escolas hoje, vamos precisar fazer cadeias no futuro”; na época, preferimos a foto ao filme e, agora, repetimos o erro, construindo mais cadeias para novos condenados adolescentes.

O caleidoscópio do caso Vorcaro, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Não há um enredo único, mas vários malfeitos entrelaçados

A segunda tentativa de delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob o argumento de que faltariam novidades além do que os investigadores já sabem. A recusa, porém, não encerra o jogo — apenas revela qual é ele. O objetivo de Vorcaro nunca foi confessar tudo, e sim entregar o suficiente: uma delação “meio barro, meio tijolo”, sólida o bastante para ser aceita e frágil o suficiente para não comprometer quem realmente importa. Tudo na base do “vai que cola”.

Tratando-se do Brasil, a aposta tem lógica. Há muita gente importante torcendo para que tudo termine em pizza — talvez meia calabresa, queimando alguns, e meia mussarela, poupando outros. É a chamada delação seletiva, do tipo que, segundo o ministro André Mendonça, já lhe teria sido proposta.

Poesia | Pátria Minha - Vinicius de Moraes

 

Música | Canta, Canta Minha Gente - Varios Artistas (Sambabook Martinho da Vila)

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Irresponsabilidade fiscal de Alcolumbre nada deve à de Lula

Por O Globo

Aposentadoria especial a agentes de saúde e outros itens de pauta-bomba põem Brasil no rumo da bancarrota

Não bastasse a incúria fiscal do Executivo, o Brasil paga o preço de um Legislativo irresponsável. O protagonista da última leva de pautas-bomba, cuja explosão poderá levar o país à bancarrota, é o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). No afã de dar uma demonstração de poder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem não se entende desde antes de o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo, Alcolumbre resolveu apertar o botão vermelho da irresponsabilidade fiscal — e lançar às favas o Brasil.

Desencontro entre partidos e sociedade, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

Sem reduzir essa barreira, será muito difícil melhorar a democracia brasileira

Desde a redemocratização, nunca houve um momento em que o desencontro entre os partidos e a sociedade fosse tão evidente e amplo como atualmente. As legendas partidárias não eram perfeitas, mas tiveram um papel muito importante desde a campanha das Diretas Já até as eleições de 2014. Depois disso, o corporativismo dos parlamentares e a construção de castas partidárias endinheiradas geraram um muro imenso que os separa dos cidadãos. Sem reduzir essa barreira, será muito difícil melhorar a democracia brasileira.

Ação da PF areja relação de Lula com Centrão, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro revelaram que a Polícia Federal parece não ter partido político de estimação

No princípio era o Verbo. Desde a Bíblia, as palavras movem o mundo. Por isso, “quem tiver uma história e souber narrá-la, estará no poder”. A afirmação é da escritora Olga Tokarczuk, no discurso com o qual recebeu o Prêmio Nobel de Literatura relativo a 2018.

Pois a Operação Compliance da Polícia Federal (PF), que investiga as fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master, e assombra o mundo político, desafia advogados e investigados a emplacar a melhor defesa, ou mais do que isso, a melhor narrativa.

Na quinta-feira (18), após a operação que teve como alvo o líder do governo e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, senador Jaques Wagner (PT-BA), as principais lideranças trocaram análises, informações e versões sobre o episódio que atingiu o Palácio do Planalto e a pré-campanha do petista à reeleição.

Denúncias do Master tornam insustentável Wagner ficar na liderança, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A responsabilização do líder do governo depende de provas, contraditório e sentença judicial, mas sua permanência no cargo abala a imagem de Lula e a credibilidade das instituições

A operação da Polícia Federal (PF), em Brasília e Salvador, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), gerou mais instabilidade entre os Poderes no rastro do escândalo do Banco Master. O líder do governo no Senado não foi denunciado, não é réu e nega as acusações, mas sua inclusão entre os investigados arrasta o governo Lula para o centro do caso Master e produz efeitos políticos que transcendem os aspectos penais. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a questão central não é apenas saber se houve ou não prática criminosa, mas avaliar o impacto das suspeitas e a escala das suas consequências eleitorais.

Sob o signo do Master, por Vera Magalhães

O Globo

Entrada de Jaques Wagner na investigação tira de Lula discurso de que governo e PT não têm nada a ver com o escândalo

Os novos capítulos da Operação Compliance Zero espalham o rastro de desgaste do escândalo do Banco Master para praticamente todo o sistema político brasileiro, tornando difícil quantificar em que medida as candidaturas, sobretudo as presidenciais, serão abaladas pelas revelações, que continuam se sucedendo em base diária.

Já era esperado que o caso atingisse o PT da Bahia, graças aos negócios da instituição comandada por Daniel Vorcaro com o governo do estado. O que não estava no radar com a força que emergiu nesta quinta-feira era a centralidade que seria conferida ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner, um dos petistas mais próximos a Lula.

Amizade de Vorcaro com políticos era movida por festas, jatinhos e mesadas, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Operação contra Jaques Wagner mostra que turma do Master não tinha restrição ideológica

Amizade não tem preço, diz a música de Tim Maia. Na política, há controvérsias. Daniel Vorcaro desfilava como amigo do peito de figurões da República. Retribuía o afeto com festas, mesadas, voos de jatinho e outras benesses.

A ternura transbordava da relação entre o banqueiro e Ciro Nogueira. Em conversa com a namorada, Vorcaro descreveu o senador como um de seus “grandes amigos de vida”. Os dois viajaram juntos para Paris, Nova York, Lisboa e Courchevel. Quando o dono do Master sumia, o presidente do PP se dizia com saudade.

Escândalo do Master chegou à esquerda, por Pablo Ortellado

O Globo

A máquina de Vorcaro parece ter operado onde havia poder a capturar, sem qualquer preconceito de natureza ideológica. Essa é a razão pela qual o caso ameaça tantos atores diferentes ao mesmo tempo

A última fase da Operação Compliance Zero mostrou que o escândalo do Master também atinge a esquerda. Por um tempo, parte desse campo político se iludiu com a crença de que o escândalo era da direita e que o impacto na esquerda seria, quando muito, acidental. Mas as revelações da PF mostram que a máquina de corrupção de Vorcaro não tinha coloração política.

Antes de a PF encontrar meio milhão de reais em dólares e euros na casa de Jaques Wagner, já havia bons motivos para pensar que o escândalo do Master não afetava apenas a direita.

Hora de jogar com a cabeça na Copa, por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

O futebol brasileiro perdeu um pouco de sua magia e da capacidade de ser uma dimensão do nosso ‘soft power’

De um ponto de vista geopolítico, esta Copa do Mundo é um projeto frustrado. A Fifa optou por um caminho, a propósito, ampliando de 32 para 48 o número de participantes. Estados Unidos, México e Canadá, quando resolveram hospedar o torneio, pensavam em projetar a imagem de uma América do Norte unida, próspera e, até certo ponto, aberta para o mundo. Mas, no meio do caminho, havia a rígida política migratória de Donald Trump.

Três indícios de ‘acordão’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O ‘fator Wagner’ reforça as tentativas de um ‘acordão’ para replicar o fim da Lava Jato

Há três indícios de uma tentativa de “acordão” no ar, para livrar a cara dos alvos do escândalo Master: a resistência de Daniel Vorcaro em assumir uma real delação premiada, o voto do ministro Gilmar Mendes contra a prisão de chefões da quadrilha e o envolvimento de integrantes dos três Poderes e do Centrão, do bolsonarismo e, agora, da cúpula do PT, com as provas aterradoras contra Jaques Wagner.

O bolsonarismo usa Wagner para empurrar o Master para o colo do presidente Lula, já o PT contra-ataca com o áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 130 milhões para Daniel Vorcaro.

Os dois lados, porém, não têm interesse em ir a fundo nas investigações e na punição dos culpados. Como no próprio Congresso, quando os interesses são comuns, ou para se safar, todo mundo se une.

Muito dinheiro, muitas frentes, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Joesley e Odebrecht financiavam campanha; Daniel Vorcaro distribui apartamentos

Doze anos depois do início da Lava Jato, Daniel Vorcaro, do banco Master, substituiu Marcelo Odebrecht, da antiga Odebrecht, e Joesley Batista, da JBS, no noticiário dos escândalos de corrupção do Brasil.

Assim como naquela época, as investigações não poupam nenhum lado do espectro político. Atingiram o senador Jaques Wagner (PT-BA), que é amigo próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Ciro Nogueira (PPPI), que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

As suspeitas bateram no senador Flávio Bolsonaro (PLRJ), pré-candidato à Presidência. Chegaram à cúpula do Congresso, respingando no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Uma Copa do medo: 2006, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

A privatização da festa, com o pavilhão da cerveja e a intervenção da polícia criminalizara os moradores de rua preventivamente. São Paulo e o Brasil estavam se tornando a sociedade do medo

A crise política e social brasileira se manifesta de modo documental em acontecimentos como a Copa do Mundo. Os que mobilizam multidões, que são o refúgio e o disfarce da solidão de cada um numa sociedade em que o cidadão do contrato social é mera ficção e pressuposto.

Diversamente do que ocorre nos países civilizados, a multidão tem sido no Brasil a forma da visibilidade e da identidade social dos brasileiros como povo. Somos povo de vez em quando. Mesmo sendo ela manifestação das irracionalidades que escondem nossos defeitos e insuficiências: caso da covardia da afirmação violenta apenas quando ninguém está vendo, como no caso dos linchamentos noturnos.

PF: Jaques Wagner teria atuado em temas de interesse do Master no Senado, Por Giullia Colombo e Mateus Coutinho

Valor Econômico

Líder do governo no Senado foi alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta-feira

Líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (BA), teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF). Ele foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

As ações estão destalhadas na decisão do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da investigação do Master e que autorizou as medidas de busca e apreensão da PF.

Governo discute saída de Jaques Wagner da liderança no Senado, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

Decisão final depende de uma definição do presidente Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute a saída do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), do cargo, e parte do Palácio do Planalto defende essa posição. A decisão final, no entanto, espera uma definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que ainda não aconteceu.

A discussão ocorre após o líder do governo ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje. De acordo com as investigações, Wagner teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF).

Caso Wagner fragiliza Lula mais pelo impacto político do que pelo eleitoral, por Cesar Felicio

Valor Econômico

Senador petista, líder do governo no Senado, foi alvo da 9º fase da Operação Compliance Zero, sobre caso Master

operação policial contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), dentro das investigações do escândalo do Banco Master, se assemelha tanto na forma quanto no impacto de opinião pública ao caso do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Wagner representa para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o mesmo nível de desgaste na opinião pública do que representou Nogueira para a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário na corrida presidencial. Não são tiros letais nem para um, nem para outro.

Ciro e Wagner são lideranças políticas com peso regional, do Nordeste, com muita articulação de bastidores em Brasília e pouco conhecidas nacionalmente. Parecem no estilo: são moderados em suas essências e convergem para o centro. Ciro está à esquerda da direita e Wagner à direita da esquerda. Ambos convergem também para Daniel Vorcaro, a favor de quem teriam atuado no Senado, de acordo com a linha de investigação do inquérito.

Operação contra Jaques Wagner cria dois problemas para campanha de Lula, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Na mira da PF, senador leva governo para centro do escândalo do Banco Master

A operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner cria dois problemas para a campanha de Lula à reeleição.

O primeiro é o desgaste do governo, que vê seu líder no Senado, homem de confiança do presidente, diretamente envolvido na teia do Banco Master.

O dano de imagem é inevitável, ainda que as suspeitas digam respeito à atuação de Wagner no governo da Bahia, e não no governo federal.

O segundo, correlato, diz respeito ao embate de Lula com o principal candidato da direita, Flávio Bolsonaro.

O presidente abriu vantagem nas pesquisas quando veio à tona que Flávio pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, a pretexto de financiar um filme sobre o pai.

Agora ficará mais difícil usar o escândalo do Master na propaganda do PT.

As diferenças entre as dúvidas sobre Hugo Motta e indícios contra Jaques Wagner e Ciro Nogueira Por Míriam Leitão

O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta, admitiu que viajou para Lisboa em um jatinho particular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Embora esse tipo de deslocamento não seja incomum entre autoridades e empresários, é uma prática que naturalmente levanta questionamentos, pelo alto padrão de gastos.

Além da viagem em aeronave privada, chamam atenção a hospedagem em um hotel de alto padrão e a informação, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que ele teria solicitado um empréstimo de R$ 24 milhões para a empresa da cunhada. Motta argumentou que a viagem estava vinculada a um evento corporativo e que, por isso, não faria sentido arcar pessoalmente com os custos de hospedagem. A explicação pode ser considerada plausível, mas não elimina o debate sobre a razoabilidade de gastos dessa magnitude por parte de agentes públicos.

Suja até a medula, extrema direita se anima outra vez com corrupções da esquerda, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Caso de Jaques Wagner não se compara ao de Ciro Nogueira, mas é um desastre

Quem sobra para criticar Estado tomado por corruptos, facções e orcrims empresariais?

As corrupções da política ainda vão ser tema relevante da campanha para presidente? A imundície está tão espalhada que dificilmente haverá flagrante grandioso o suficiente para tirar o país da resignação com a sujeira.

Não se trata de dizer que todo mundo é corrupto ou que todas as turmas políticas contem com corruptos de igual grandeza. Mas há rolo bastante para que candidaturas relevantes se joguem imundícies umas nas outras, em particular pelas redes. Sendo assim, as campanhas talvez deixem o assunto para lá. Será o consenso da podridão.

O lamento não é udenismo, lavajatismo ou demagogia picareta que o valha. Governos do país apodrecem rapidamente, o crime chegou ao poder em alguns estados, entramos na rota de sermos um Estado fracassado.

Influente no PT e amigo de Lula, Wagner se torna alvo fácil para adversários do presidente, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Senador é caso raro de petista com poder interno e relação pessoal com chefe do Executivo

Wagner sobrevive com oxigênio fornecido por Lula, mas relação o deixa mais exposto 

PT de 2026 é composto, em linhas gerais, por dirigentes que ditam os rumos do partido, mas têm uma relação apenas política com Lula, e uma velha guarda que segue próxima do presidente, embora sem tanto poder interno.

O senador Jaques Wagner é um caso raro de petista na intersecção entre esses dois grupos, e é por isso que a ação contra ele, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18), tem o potencial de causar tanto estrago eleitoral.

Líder do governo no Senado, Wagner é figura das mais poderosas dentro do PT e um dos grandes confidentes do presidente há décadas.

Nem o fato de ter sido próximo de Marisa Letícia, primeira-dama morta em 2017, o afastou do convívio com Lula, ao contrário de outras figuras que eram ligadas a ela e que acabaram se distanciando do presidente por causa de Janja.

Soberba é o motor da história, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Polícia Federal avança em investigações sobre o Master por causa de celulares apreendidos

Por excesso de confiança, criminosos juntam eles mesmos as provas que poderão condená-los

Apesar de não haver ainda nenhuma delação premiada envolvendo o caso Master, a PF vem avançando a passos largos nas investigações. O senador Jaques Wagner, petista de escol e ex-governador da Bahia, foi tragado para o centro do escândalo. Um pouco antes, descobrimos que Hugo Motta, o presidente da Câmara, também foi paparicado por Daniel Vorcaro, tendo usufruído de uma daquelas viagens nababescas bancadas pelo ex-banqueiro.

O singelo assassino, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

O psicopata condenado a 43 anos de prisão foi chamado pela imprensa de Dr. Jairinho

Seria como se os assassinos da menina Isabella Nardoni fossem tratados por Aninha e Alex

Há dias, terminou no Rio o julgamento do assassinato do menino Henry Borel, torturado e morto aos quatro anos em 2021 por seu padrasto, o ex-vereador e médico Jairo Souza Santos, sob a omissão de sua própria mãe, Monique Medeiros. Ele pegou 43 anos de prisão; ela, a quem se devia a proteção do filho, 1 ano e quatro meses, e mesmo assim a juíza a mandou para casa. É quase intolerável saber a que essa criança foi submetida durante um mês inteiro até sua morte. Apesar disso, durante todo o processo, Jairo Souza Santos foi chamado pela imprensa por seu meigo apelido de "Dr. Jairinho". Tal tratamento provoca revolta ou asco?

Poesia | Manuel Bandeira por Manuel Bandeira - Vou me embora pra Pasárgada

 

Música | Chico Buarque - "Bye Bye Brasil

 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Permanência de Ciro Nogueira no Senado ficou insustentável

Por O Globo

Se parlamentares continuarem inertes ante novas evidências da relação com Vorcaro, serão cúmplices

São estarrecedoras as novas revelações da Polícia Federal (PF) sobre a relação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e artífice de fraudes multibilionárias, com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP). É inaceitável a promiscuidade de líderes graduados do Congresso com um corruptor contumaz. À medida que o inquérito sobre corrupção e lavagem de dinheiro se aprofunda, acumulam-se evidências contra Nogueira. Torna-se a cada dia mais insustentável sua permanência no Senado. O que se sabe até o momento já é suficiente para abertura de processo de cassação por quebra de decoro, independentemente de decisão da Procuradoria-Geral da República sobre denunciá-lo.

Bancos centrais, juros e guerra, por Míriam Leitão

O Globo

A incerteza sobre os desdobramentos de um acordo no Oriente Médio e os efeitos do El Niño mantêm a economia em um cenário imprevisível

A economia apelidou de superquarta o dia em que Brasil e Estados Unidos decidem a taxa de juros. Engana-se quem pensa que o tema não tem emoção. Lá, na terra de Donald Trump, o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, foi escolhido para baixar os juros. Teve que mantê-los e avisar que pode até subi-los no ano. Aqui, Gabriel Galípolo conduziu mais uma decisão unânime por um cortezinho, a terceira vez de uma queda de metade de meio ponto. De 0,25 em 0,25, a Selic foi para 14,25%. A guerra de Trump foi um tiro no pé dele e no nosso. Os juros poderiam ter caído muito mais este ano, não fosse o conflito no Oriente Médio.

Interpretação atrapalha, por Merval Pereira

O Globo

Divergências entre ministros, do STF, além de patéticas, ficam cada dia mais expressivas à medida que temas delicados, como o caso Master, entram na pauta

O excesso de subjetividades e interpretações constitucionais pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em suas decisões faz com que seus votos sejam com muita frequência incongruentes com a jurisprudência da própria Corte ou com decisões dos próprios magistrados. Houve um debate recente entre os ministros Dias Toffoli e André Mendonça em que o primeiro acusava seu colega de ter atribuído a ele, relator do caso, uma decisão que dizia não ter tomado. “O senhor está colocando no meu relatório palavras que eu nunca disse”, reclamou Toffoli. Mendonça rebateu: “Não estou não, estou lendo aqui”. Disse estar interpretando o voto. Toffoli reclamou que o voto era dele, e não fora aquilo que decidira. E fechou o debate: “Vossa Excelência interpreta meu voto, e eu interpreto o seu”.

Disputa eleitoral se dá em deserto de ideias, por Maria Hermínia Tavares*

Folha de S. Paulo

Sem visão de futuro, pré-candidatos carecem de propostas inovadoras

A discussão programática faz diferença para a qualidade dos governos

A disputa presidencial rasteja em um verdadeiro Saara tropical.

Em entrevista a Pedro Doria, do Canal Meio, questionado qual político lhe servia de inspiração, o ex-governador Ratinho Jr, então pré-candidato à Presidência, citou ninguém menos que dom Pedro 2º (!).

Ronaldo Caiado, pretendente ao Palácio do Planalto pelo PSD, embora sua carreira política remonte aos anos 1980, com passagens pelas duas Casas do Congresso, só consegue falar de Goiás, que governou por dois mandatos.

O mineiro Romeu Zema, talvez por não se dar propriamente bem com o idioma, até agora foi incapaz de articular qualquer proposta que justifique sua ambição presidencial.

Sem querer, querendo, Banco Central não diz o que vai fazer dos juros altos, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Apesar de conjuntura e expectativas ruins para a inflação, BC corta Selic outra vez

Em texto nebuloso, BC parece indicar que IPCA pode estar na meta no início de 2028

Banco Central torturou o português para dizer que não dá para saber o que será da próxima reunião em que vai decidir o nível da Selic. Nesta quarta (17), cortou a taxa básica de juros de 14,5% para 14,25%, um quase nada no que diz respeito aos custos de financiamento na economia.

Quanto ao mais importante, o BC parecia querer criar névoa suficiente para ninguém achar que a Selic pode ficar na mesma na próxima reunião. Sem querer, querendo, também poderia estar dizendo que a Selic pode continuar caindo, pois pode ser que a inflação esteja na meta no início de 2028.

Trump gagá, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Não será surpresa se, numa dessas em que cochila em eventos, ele cair da cadeira

Que sua influência sobre nós se dilua antes de ele vestir a cueca por cima das calças

Donald Trump completou 80 anos neste domingo (14), anunciando em tom imperial o fim de uma guerra interesseira que ele próprio começou e perdeu. Os observadores viram nisso mais um sintoma da iminente gagaíce de Trump, manifesta em seu comportamento abilolado, marcado por atitudes sem nexo, declarações que faz e desfaz em questão de horas e sintomas de que já não é quem ele simula ser. O fato de ter sido fotografado cochilando em recentes eventos públicos preocupa a Casa Branca –temem que, numa dessas, ele caia da cadeira.

Trump volta a criticar o Brasil, e Lula pede que não se meta nas eleições, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O episódio do G7 talvez seja apenas o primeiro capítulo de uma campanha eleitoral em que Washington terá presença muito maior do que em pleitos anteriores

O choque político e ideológico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no contexto das eleições brasileiras, estava escrito nas estrelas. Não é um episódio isolado, provocado apenas pelas recentes declarações de Trump sobre a política brasileira ou pela reação de Lula durante a reunião do G7. O conflito tem raízes mais profundas: a estreita ligação política e ideológica entre o bolsonarismo e a atual administração republicana, o novo posicionamento internacional do Brasil sob o governo Lula e a própria complexidade histórica das relações entre Brasília e Washington. A disputa pode reavivar uma polarização que marcou a vida política nacional nas décadas de 1950 e 1960: o confronto entre nacionalistas e “entreguistas”, sob novas circunstâncias e narrativas.

Ciclos políticos eleitorais no Brasil, por Benito Salomão*

Correio Braziliense

Conhecer as posições dos candidatos quanto aos temas parece ainda mais fundamental no presente contexto em que a inflação descolou novamente da meta e a dívida pública atinge patamares preocupantes

O ciclo econômico entendido como uma flutuação no produto e no emprego é um fenômeno "natural" nas economias capitalistas. Nas últimas décadas, houve um grande progresso no tocante à sua identificação. Se a mensuração dos ciclos se tornou algo factível aos economistas, a identificação de suas causas ainda é um ponto de grande controvérsia. Keynes foi o precursor de uma teoria do ciclo causado por flutuações na demanda efetiva. Para os economistas novo-clássicos, da tradição dos ciclos reais, esse é um fenômeno do lado da oferta, causado, entre outras coisas, por choques tecnológicos.

Reprise das nulidades no Master terá resistência, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Processo mais cauteloso, robustez de provas e plateia vacinada contra conchavos diferencia inquérito daquele da Lavajato

Cotejadas, as duas sessões ocorridas em lados opostos na Praça dos Três Poderes, na tarde desta terça, antecipam os desdobramentos daquele que o relator denominou de maior escândalo financeiro da história do país. A insistência com a qual, tanto na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal quanto no plenário do Senado, se fizeram remissões entre a Lava-Jato e o Master demonstra o tamanho da aposta na repetição das nulidades, a começar por aqueles que foram alavancados na vida pública pelo lavajatismo.

Abalroado por uma reportagem da Veja, que o coloca no centro de uma suposta delação de Daniel Vorcaro, o presidente do Senado promoveu uma sessão pública destinada ao desagravo a si mesmo. Davi Alcolumbre (União-AP), que estreou no comando da Mesa surfando o lavajatismo bolsonarista, agora é atropelado pelas investigações do Master.