sábado, 17 de outubro de 2026

Big Techs e Judiciário estão em campanha? Por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

Independentemente do campo político ao qual pertençamos, é fundamental defender e respeitar a paridade de armas nas eleições, sob pena de deixarmos de viver em uma democracia digna do nome que carrega

Se fosse possível eleger o aspecto mais distintivo das eleições presidenciais de 2026 eu diria que, neste ano, vimos o fim de qualquer fantasia de imparcialidade de dois atores políticos importantes: o Poder Judiciário e as big techs. Os leitores podem estranhar a qualificação de empresas e juízes como atores políticos, mas é exatamente o que são, em sua capacidade de exercer poder, determinando rumos e condições de competição em um pleito.

Fim da escala 6x1 é conquista civilizatória, por Flávia Oliveira

O Globo

É a maior conquista dos trabalhadores brasileiros em mais de uma década

A Constituição de 1988, a dois anos de completar quatro décadas, foi um marco em cidadania, direitos sociais e também trabalhistas. Veio dela a redução da jornada semanal de 48 para 44 horas e a licença-maternidade de 120 dias, entre outros benefícios aos empregados com carteira assinada. Neste século, marcado por reformas que flexibilizaram e precarizaram o mercado laboral, o principal avanço, até esta semana, fora a PEC das Domésticas, aprovada em 2013, regulamentada dois anos depois, que garantiu à categoria os direitos oferecidos aos demais empregados nos anos 1940. O fim da escala 6x1 é, portanto, a maior conquista dos trabalhadores brasileiros em mais de uma década.

Pare, Flávio. Olhe. E pense, por Eduardo Affonso

Por O Globo

Sua anunciada subserviência aos Estados Unidos é tão nefasta quanto a birra petista; não faltam aloprados no seu entorno

Pode haver conselho de mãe nos para-choques de caminhão (“Mantenha distância”), autoajuda nas tampas dos bueiros (“Força e Luz”) e pílulas de sabedoria nas placas de cruzamento com a linha do trem (“Pare. Olhe. Escute.”). Os sinais estão por toda parte, Flávio, é só prestar atenção.

Você disse que é um “Bolsonaro que tomou vacina”. Convenhamos que não tenha feito mais do que qualquer pessoa sensata faria. As vacinas nos salvaram da varíola, da poliomielite, da rubéola; nos salvam de sarampo, tétano, coqueluche, raiva, meningite, tuberculose; hão de nos salvar da mpox, do Ebola e do que vier por aí.

Os ‘quatro anos em um mês’ de Lula, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Lula concebeu o governo “quatro anos em um mês”. Este mês pujante – revisor de tabus e concentrador de muitas realizações e promessas – sendo coincidente com o período de campanha eleitoral. Não será coincidência.

Mês cujo marco disparador do calendário talvez seja o reajuste do Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno. Reajuste ignorado entre janeiro de 2023 e setembro de 2026. Reajuste que Lula – conforme disse a Renata Lo Prete – desconhecia não ter sido dado por seu terceiro governo. Ele não sabia. Ao saber, mandou dar tudo.

Preferiu passar por desinformado sobre sua gestão a admitir o que está fazendo.

O preço de nossas escolhas, por Fabio Gallo

O Estado de S. Paulo

Os dois candidatos prometem transformar as nossas riquezas naturais em prosperidade

O Brasil está prestes a escolher seu próximo presidente num momento em que a economia mundial se reorganiza em torno de grandes interesses estratégicos. A mídia tem colocado o Brasil como peça importante no tabuleiro de Donald Trump. No ambiente em que os choques econômicos devem continuar ocorrendo, tudo indica que viveremos uma ordem internacional na qual as grandes potências seguirão impondo seus interesses.

O Brasil entra nesse jogo com vantagens consideráveis. Possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, uma matriz elétrica renovável e recursos agrícolas, minerais e energéticos cobiçados internacionalmente. São ativos que podem adquirir ainda mais valor com a transição energética e a expansão das novas tecnologias.

Dois homens unidos pela luta e pelo dia 20 de novembro, por Ivan Alves Filho*

Nascido no distrito de Rio dos Índios, pertencente a Rio Bonito, no atual Estado do Rio de Janeiro, ele deixou a escola aos 15 anos de idade e foi trabalhar como operário gráfico. 

Sua família tinha uma condição financeira razoável, mas ele queria abrir seu próprio caminho. Um dos seus objetivos era aprender por conta própria. E este autodidata, aos 17 anos de idade, já devorava as obras de Machado de Assis, a quem fez uma visita poucas horas antes de morrer, deslocando-se de Niterói até a casa do grande escritor, no Cosme Velho, aprazível bairro do Rio de Janeiro. Euclides da Cunha, comovido pela atitude do jovem, publicou dias depois um artigo, intitulado A última visita, onde apontava que o coração daquele menino batera por “toda uma nacionalidade”. 

Depois, o garoto correu mundo: esteve por seis meses na Europa aos 20 anos de idade e, sem recursos, acabou sendo deportado para o Brasil. Isso se deu por volta de 1910. Vivendo as lutas sociais do seu século, tornou-se anarquista e secretário-geral da Confederação Operária Brasileira. Não tinha completado ainda 23 anos de idade quando isso ocorreu.

Por um pacto democrático pelo não-retrocesso nacional, por Julio Aurelio Lopes*

O resultado eleitoral do primeiro turno presidencial tornou incontestável quão espraiados e intensos são valores preconceituosos no Brasil, à medida que mesmo políticas governamentais distributivas e redistributivas, de evidentes benefícios nacionais (como “pé de meia” estudantil para ensino médio público e isenção tributária até 5 mil reais de renda, dentre outras promoções sociais), não têm sido tanto ou mais valorizadas pela população brasileira do que seu conservadorismo moral, radicalizado à direita nos últimos anos. Desde a emergência do bolsonarismo – confluência carismática historicamente inédita de todas as tendências reacionárias brasileiras tradicionais e novas (latifundiárias, militares, policiais, cristãs, heteronormativas e supremacistas da branquitude e da masculinidade sobre as respectivas feminilidade e negritude, em geral) através de Jair Bolsonaro – conservadores habituais se aproximaram de orientações reacionárias à direita.

Campanha e dívida dos estados: o caso de Minas (I), por Marcus Pestana

Quem acompanhou a campanha eleitoral em Minas Gerais viu o tema da dívida pública estadual ganhar centralidade e ser aventada uma possível renegociação como saída para o grave estrangulamento fiscal e alternativa para o financiamento dos investimentos e das políticas públicas. Decidida a eleição e iniciada a transição governamental, é hora de refinar o diagnóstico, entender melhor o assunto e identificar quais são os verdadeiros gargalos que obstruem a participação mais intensa do governo estadual no processo de desenvolvimento econômico e social de Minas.

A mídia sufoca a liberdade, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

O vírus da intolerância midiática se desenvolve rapidamente na estufa da autocomplacência

Os poderosos da Grande Mídia nativa não cobriram, mas encobriram, por todos os meios e modos, a manifestação pró-Lula na Avenida Paulista. Nas tevês, durante a programação noticiosa, o telespectador ficou à mercê do excesso de gesticulação de âncoras e quetais, contorcionismos que denunciavam o mal-estar com a negação dos fatos que ocupavam as ruas. Não raro, os diálogos entre apresentadores e repórteres se encerravam com ataques ao vernáculo: “brigado”.

TSE usurpador, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Kassio Nunes Marques, mergulhado até a cabeça no escândalo Vorcaro, se esforça para transformar o tribunal eleitoral num subcomitê da campanha de Flávio Bolsonaro

O Judiciário brasileiro vive a noite mais trevosa da sua existência. Eivado de denúncias de corrupção, mergulhado em práticas parciais, tomado por vieses político-partidários, enlameado por privilégios e penduricalhos, extraviado em seus procedimentos, incompetente e lerdo nas efetivações processuais, tendencioso contra pobres e negros, tem perdido credibilidade e confiança da sociedade. O envolvimento de ministros do STF com o Master foi a pedra de toque do desprestígio.

Congresso promulga PEC que dá fim à escala 6×1, por Vinícius Nunes

CartaCapital

O presidente Lula, que busca a reeleição, participou da cerimônia

O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira 16 a emenda constitucional que acaba com a escala 6×1. O texto, que já tinha passado pela Câmara dos Deputados, foi aprovado pelo Senado na quarta-feira 14.

Durante a cerimônia de promulgação, o presidente Lula (PT) defendeu a mudança como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. “Ninguém quer que uma empresa quebre, mas ninguém quer que o trabalhador morra de tanto trabalhar”, afirmou.

Lula argumentou que o descanso é parte fundamental da dignidade dos trabalhadores e questionou as resistências históricas à ampliação de direitos trabalhistas. “Quanto vale mais tempo para descanso? Quanto vale mais tempo com a família? Quanto vale mais tempo para cuidar de si e de quem se ama?”, perguntou.

Kassio veste a camisa, por André Barrocal

CartaCapital

Por razões pessoais e ideológicas, o ministro faz do TSE um puxadinho da campanha de Flávio Bolsonaro

Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, tem sido parcial a favor de Flávio Bolsonaro, e o caso do canal de WhatsApp “Exército do Lula” é o capítulo mais gritante dos últimos dias. Por que age assim? Um colega de Supremo Tribunal Federal apontava, há meses, a boa e velha ânsia de poder. A vitória do senador dará a Nunes Marques uma influência na nomea­ção para cargos no Judiciário que ele não tem com Lula. Pode até assumir as rédeas do STF antes do previsto, em setembro do próximo ano. Alexandre de Moraes está com a cabeça a prêmio, graças à bancada bolsonarista eleita para o Senado, a casa legislativa autorizada a cassar juízes. O comandante do Supremo é escolhido por rodízio entre seus integrantes, em ordem de antiguidade. Indicado à Corte em 2017 por Michel Temer, Moraes é o próximo da fila, após Edson Fachin, atual timoneiro. Depois vem Nunes Marques, alçado ao tribunal em 2020 pelo pai de Flávio. “Ele está sendo leal a quem o nomeou. Sua atuação é partidarizada e desequilibra a eleição”, diz o senador petista Randolfe Rodrigues, líder de Lula no Congresso.

Levante estudantil, por João Victor Sampaio e Kamille Soumaili

CartaCapital

Universitários de todo o País se unem contra a ameaça bolsonarista e comandam a onda vermelha

Depois de um primeiro turno apático e do susto causado pela vitória de Flávio Bolsonaro no domingo 4, a esquerda brasileira iniciou uma mobilização urgente e intensa em busca da virada de Lula puxada principalmente pela juventude e pelo movimento estudantil. Enquanto a campanha do presidente apostava nas redes sociais se aproximando de figuras jovens recém-eleitas, como Guilherme Cortez, do PSOL, e as petistas Ana Elisa e Luna ­Zarattini, os estudantes já tomavam as ruas. Na segunda-feira à noite, alunos da Universidade Federal Fluminense saíram do campus de Gragoatá e atravessaram Niterói com faixas, cartazes e palavras de ordem a favor do presidente. Na terça, foi a vez de a União Nacional dos Estudantes lançar a campanha “Estudantes com Lula”, em que convocava as entidades estudantis a se organizar e construir focos de mobilização pela reeleição dentro e fora das universidades. No mesmo dia, já circulava a confirmação de 40 atos em 14 estados e no Distrito Federal. Em nota, a instituição relembrou os esforços dos universitários no enfrentamento à ditadura empresarial-militar e ressaltou ainda que Flávio Bolsonaro “representa um campo político que, quando no poder, exterminou as perspectivas de futuro e mudança do povo brasileiro”. Em entrevista a CartaCapital, a presidenta da UNE, Bianca Borges, reforça a importância histórica da mobilização: “Quando lembramos que a nossa sede foi incendiada depois do golpe de 1964, que a entidade foi colocada na ilegalidade, que estudantes foram presos, torturados e assassinados, e que, mesmo assim, o movimento estudantil continuou se organizando, estamos falando sobre escolhas feitas por jovens que tinham praticamente a mesma idade dos estudantes que hoje estão dentro das universidades”.

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

O futuro nas ruas

Por CartaCapital

Um movimento alentador, independentemente do resultado 

Dominadas por zumbis verde-amarelos desde 2013, as ruas brasileiras estão novamente em disputa. O susto das urnas no primeiro turno teve o efeito positivo de tirar da letargia milhões de cidadãos, atraídos pela disposição dos mais jovens. “Os ideais estão se organizando de maneira espontânea”, resume Gabriel de Oliveira, coordenador do DCE na Universidade Federal de Pernambuco, em entrevista à página 20 a João Victor Sampaio e Kamille Soumaili, ambos universitários como o entrevistado e movidos pela crença no jornalismo, fragilizado e imprescindível. Se o miasma de 1964 exala dos esgotos do bolsonarismo, excitado com a possibilidade de vitória, e se transforma em múltiplas agressões, como se depreende da reportagem de Maurício Thuswohl à página 14, o neutralizador tem sido irradiado por um movimento que, à revelia do apparatchik petista e dos doutos marqueteiros, deu outro vigor e sentido à campanha à reeleição do presidente Lula. Protagonistas da resistência ao golpe do século passado, à custa de vidas e expurgos, os estudantes assumem, de novo, a tarefa de servir de anteparo aos beleguins que se arvoram no direito de sufocar os direitos civis em nome da “liberdade”, caso Flávio Bolsonaro venha a ser eleito em 25 de outubro.

Poesia | Orquídea Negra, de Paulo Campos por Paula Campos

 

Lígia - Tom Jobim

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Oportunismo de Flávio se une ao de Lula contra a 6x1

Por Folha de S. Paulo

PEC tem votação acachapante no Senado sem consenso político; pressa eleitoreira prejudicou debate

Não é segredo que o PL, que ampliou sua bancada no pleito deste ano, articula um projeto alternativo, que permitiria uma jornada flexível

A proposta de emenda constitucional que elimina a escala de trabalho 6x1 foi aprovada pelo Senado com votação acachapante de 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O placar, no entanto, está longe de espelhar um consenso político em torno da medida.

O que sobrou no plenário foi oportunismo eleitoreiro —e ao do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), patrocinador da PEC no último ano do mandato presidencial, somou-se o da oposição temerosa de perder apoios, a começar por Flávio Bolsonaro (PL).

Lula toma a iniciativa na segurança, mas a disputa é na praia de Flávio, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, mais de 110 por dia. A queda em relação ao ano anterior é relevante, mas não elimina a gravidade desse cenário

Desde a Constituinte de 1988, o Brasil tem dificuldade para resolver uma equação central da segurança pública: como assegurar a coordenação nacional do combate ao crime sem atropelar a autonomia dos estados, responsáveis pelo policiamento cotidiano. Devido ao trauma do regime militar, a Constituição consagrou direitos e garantias, mas preservou uma estrutura policial fragmentada. A democratização avançou mais na definição dos limites do poder do que na construção de uma capacidade integrada de enfrentar a criminalidade.

Fortalecer, e não reduzir a democracia, por Fernando Luiz Abrucio*

Valor Econômico

Os resultados das eleições presidenciais de 2026 vão ser decisivos para ver quem defende o espírito democrático estabelecido pela Constituição de 1988 e quem aposta na destruição de seu legado

Um paradoxo marca a disputa presidencial de 2026: no primeiro turno, predominou um clima de insatisfação e desânimo entre os eleitores, o que agora é contrabalançado no segundo turno pela enorme mobilização nas ruas e nas redes sociais. Ambos os sentimentos são expressão dos avanços democráticos do país e seus limites. O voto e a participação popular continuam muito relevantes, mas há pontos problemáticos nas instituições e um medo de retrocesso democrático. O que está em jogo é como fortalecer e melhorar a democracia brasileira.

O Brasil não tem tradição democrática forte em sua história. Ao contrário, foram predominantes o autoritarismo e formas oligárquicas, com exclusão de muitos atores da participação política plena e acesso privilegiado ao poder para determinadas elites. Somente a partir da redemocratização que depôs o regime militar e, mais ainda, com a promulgação da Constituição de 1988 é que a democracia se tornou o eixo central da política brasileira.

A dupla cara do futuro, por José de Souza Martins*

Valor Econômico

Na política, as duplas personalidades se desconstroem reciprocamente. Esse processo manifestou-se tardiamente durante a campanha eleitoral

De repente, o surpreendente resultado das eleições do chamado primeiro turno revela aquilo que o bolsonarismo e a direita não são nem aquilo que as esquerdas e o PT tampouco são. O processo político brasileiro, há muito, se desenrola fora do âmbito do racional e do compreensível e longe do que é propriamente político e a política.

Sem substância teórica e doutrinária e, portanto, sem competência para se propor como protagonista legítima do processo histórico brasileiro, a direita finge. Tanto finge o que é quanto o que não é.

Utilizando os meios técnicos abundantes e fáceis de manipulação das vontades, a direita conseguiu resultados espetaculares do ponto de vista numérico. Pessoas inexpressivas e até desconhecidas do eleitor tradicional obtiveram votações muito acima do que é numericamente normal num país como o Brasil.

Triunfalismo levou disputa a empate, por César Felício

Valor Econômico

Jamais houve viradas no segundo turno, mas pesquisa se assemelha a virada de Dilma sobre Aécio em 2014

A diminuição do volume de campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última semana, ocupado em sentar em uma cadeira que ainda não é sua, cobrou seu preço. A candidatura bolsonarista perdeu fôlego de acordo com o levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo Datafolha, recuando de 49% para 47%.

Esta oscilação para baixo não migrou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permaneceu em 45% de intenção de voto, com desaprovação de governo e avaliação negativa da administração em alta de um ponto percentual. Mas ainda não decantou a maré de anúncios impactantes gerados pelo Palácio do Planalto, como a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 e o pacote de bondades para microempreendedores individuais.

Voto distrital para barrar influencers entra em pauta, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Uma postagem recente do candidato derrotado à Presidência Renan Santos, do Missão, surpreendeu quem acompanha a política nacional de perto. Na publicação, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), conhecido pelo perfil combativo, convidou os brasileiros a uma volta ao passado, aos tempos em que o debate político era baseado em propostas, e adversários não eram tratados como inimigos.

O mote foi o encontro amigável entre Renan e a deputada estadual do PT eleita por São Paulo, Duda Hidalgo, na noite paulistana, após uma apresentação da banda dele, e cujo registro circulou nas redes sociais. “Muita gente chocada com a interação pacífica e bem-humorada entre a gente que pensa diferente”, observou. “Há 20 anos atrás, este era o mundo em que a gente vivia”, completou. “Mas desde que surgiram os algoritmos de redes sociais, a gente começou a se radicalizar, ao ponto de um passar a odiar o outro, e odiar o outro virou uma profissão”, criticou sobre a polarização entre bolsonarismo e petismo.

Jogo empatado, juiz engajado, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Apito amigo de Kassio Nunes Marques faz senador vencer batalha jurídica de goleada

O Datafolha informa: Flávio Bolsonaro e Lula estão tecnicamente empatados na corrida ao Planalto. A distância numérica entre os candidatos caiu de 4 para 2 pontos percentuais. Depois de um primeiro turno morno, a reta final da campanha promete fortes emoções.

Na semana passada, o vento parecia soprar a favor de Flávio. Além de largar com 2,2 milhões de votos de vantagem, ele comemorou o avanço da direita no Congresso e nas eleições para os governos estaduais. Em seguida, recebeu a adesão de caciques do Centrão e dos ex-rivais Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Só não conseguiu o apoio de Renan Santos, que escolheu ficar em cima do muro.

Lula roda, roda, mas pouco se mexe, por Vera Magalhães

O Globo

Até aqui, pesquisas mostram que aproximação entre petista e Flávio Bolsonaro se dá mais por desgaste do candidato do PL na margem de erro

Os jovens tomaram as ruas, os influenciadores de esquerda tomaram as redes, o presidente e o vice aprenderam a fazer vídeo selfie, a caneta sem tinta foi trocada por um carregamento de outras novinhas em folha do primeiro para o segundo turno, mas Lula pouco ou nada se moveu nas pesquisas.

A aproximação registrada da semana passada para esta se deveu, antes à perda de fôlego de Flávio Bolsonaro, na margem de erro, que a uma lufada de otimismo com o governo e com a perspectiva de um quarto mandato para o petista, e esses são aspectos cruciais para a virada inédita que ele precisa alcançar.

Para uma nova esquerda – II, por Pablo Ortellado

O Globo

Não souberam ouvir a classe trabalhadora que, pragmaticamente, reivindicava flexibilidade para montar a jornada

Na coluna da semana passada, argumentei que a esquerda precisa abandonar o progressismo moral: a estratégia de tratar temas ainda controversos como direitos humanos inegociáveis e punir quem diverge com estigmas morais, censura nas redes sociais e ameaça de prisão. Hoje, trato de outro terreno em que a esquerda tem tido dificuldade de ouvir aqueles que pretende defender: o desejo dos trabalhadores por mais autonomia.

A esquerda sindical tem feito um enfrentamento ideológico aos trabalhadores que experimentaram e aprovaram formas mais modernas de trabalho que começaram a se difundir com a flexibilização e a uberização. Eles consideraram esse tipo de trabalho menos opressivo, pois permitia distribuir as horas em serviço e evitar a supervisão direta dos chefes.

Ainda tem jogo, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio recua, diferença para Lula cai a dois pontos e o Centrão sente cheiro de virada

Os líderes do Centrão já tinham dado apoio a Flávio Bolsonaro, mas não são bobos nem nada, têm faro político e fazem uma pausa para pensar, ou repensar sua posição, movidos pela indefinição do segundo turno e a hipótese, que consideram real, de vitória do presidente Lula. Os dois fatores decisivos para o bloco são as pesquisas e o temor de ficar a reboque do PL no Congresso.

O PSD teve 9,4 milhões de votos para a Câmara no primeiro turno e o encontro de quinta-feira entre Gilberto Kassab e o petista Rafael Fonteles, reeleito para o governo do Piauí e capturado para a linha de frente da campanha de Lula, não foi um chá das cinco. Kassab, que sempre tem um pé em cada canoa, já tinha mais simpatia por Lula e avalia que ele passou a ser favorito.

Debates decisivos para a democracia, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Em eleição polarizada, a oportunidade de atrair a simpatia de quem anulou voto pode fazer a diferença

Com participação confirmada de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, os debates previstos para ocorrerem no segundo turno serão fundamentais para a democracia brasileira e podem ajudar a decidir a eleição. Até agora, Lula e Flávio não se enfrentaram frente a frente, recusando os confrontos e contando até com decisões jurídicas favoráveis para não participarem.

O primeiro debate deste segundo turno acontece no domingo, dia 18 de outubro, e será promovido pela Band e pelo Estadão. Pesquisas qualitativas demonstram que os eleitores já não acreditam mais em propaganda eleitoral gratuita e percebem o “truque” por trás dos discursos dos candidatos. Tanto que as redes sociais viraram o verdadeiro campo de batalha.

Constituintes de 1988 lançam abaixo-assinado em defesa da Carta, por Fábio Zanini

Folha de S. Paulo

Ex-deputados alertam para riscos de mudanças em eventual governo Flávio Bolsonaro

Petição busca ampliar apoio e resgata frases de Ulysses Guimarães

Um grupo de 20 constituintes de 1988 lançou, nesta quinta-feira (15), uma carta aberta e um abaixo-assinado nacional em defesa da Carta e da democracia. A petição está disponível na plataforma Change.org.

Entre os autores estão Olívio Dutra (PT-RS), Benedita da Silva (PT-RJ), Rita Camata (MDB-ES), Vitor Buaiz (ex-PT-ES), Renan Calheiros (MDB-AL) e Lídice da Mata (PSB-BA).

Vitória ou derrota de Flávio ou Lula depende de 1,2 milhão de votos e 2 debates, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Efeito de medidas do governo ainda pode se espalhar; deslize na TV será grave

Candidaturas da extrema direita têm ganhado votos na reta final desde 2018

Em dez dias, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa tirar ao menos 1,2 milhão de votos de Flávio Bolsonaro (PL) a fim de ter chance de vitória. Essa aritmética elementar leva em conta que a diferença de Flávio para Lula está em dois pontos percentuais, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (15). Supõe que a quantidade de brancos, nulos e abstenções será a mesma do primeiro turno; que Lula não perderá votos.

Qual lance espetacular ou político pode ainda pesar?

Antes de mais nada, recorde-se que a votação da extrema direita aumentou nas vésperas da eleição e na boca da urna de 2018, 2022 e no primeiro turno de 2026. Não é lei da natureza dos votos, mas aconteceu.

Por eleição, Lula e Flávio assumem causas que renegaram, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Vencedor e perdedor têm encontro marcado com a revisão de convicções ou com o estelionato eleitoral

O populismo tem lá suas vantagens para angariar votos, mas impõe dificuldades à tarefa de bem governar

Visto que a vida continua depois da eleição, qualquer um dos dois finalistas que vença o torneio terá necessariamente um encontro marcado com a revisão das próprias convicções.

São tantas as incoerências e tão improvisadas as mudanças de posição que o outro caminho do vencedor será o confronto com o estelionato eleitoral. Aquele que ficar no papel de líder da oposição tampouco escapará de precisar dar o dito pelo não dito.

Coluna com opinião, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Meus leitores bolsonaristas se queixam de que não respeito a imparcialidade do bom jornalismo

Eles têm razão; em 60 anos de profissão, nunca falei bem de nenhum presidente ou político

Meus fiéis leitores bolsonaristas, que me honram com sua atenção quatro vezes por semana, se queixam do que consideram minha parcialidade. Acham que eu devia poupar os Bolsonaros de críticas e falar também dos defeitos de seus adversários. Segundo esses leitores, é o que rezam as normas do bom jornalismo. Eu deveria saber —porque, em 2027, completarei 60 anos de jornalismo profissional.

Elogio ao ócio, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Garantir mais tempo livre para as pessoas é uma ideia inatacável

Teria feito mais sentido avançar por setor em vez de PEC de tamanho único

Foi aprovada a PEC que põe fim à escala 6x1. A ideia de dar mais tempo livre para as pessoas me parece inatacável.

É uma ideia com "pedigree". O termo grego "scholé" significa primariamente "ócio", "tempo livre", mas também "estudo", "aula" e, finalmente, "escola". Para os gregos, o ócio era o valor positivo. Não deve ser entendido como mera inatividade, mas sim como o tempo que alguém gasta em seu próprio interesse. Na "Política" (1337b), Aristóteles, rejeitando a noção de uma educação voltada só a coisas práticas, escreveu: "O primeiro princípio de toda ação é o ócio. Ambos (ação e ócio) são necessários, mas o ócio é melhor que a ocupação e é o fim em razão do qual ela existe". O ócio fundamenta o autoaprimoramento e a própria reflexão. Foi só depois que vieram os chatos dos estoicos e dos cristãos que ganhou tração a ideia de que "a ociosidade é a mãe de todos os vícios".

Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 49% dos votos válidos, um empate técnico, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Distância neste quesito, que exclui brancos, nulos e indecisos, era de quatro pontos na semana passada

A dez dias dias da decisão da disputa presidencial, senador marca 47% nos totais, ante 45% do petista

A dez dias do segundo turno da eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) tem 51% das intenções de votos válidos, ante 49% de Lula (PT), configurando assim um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais do levantamento.

Há uma semana, a diferença entre eles era de quatro pontos no quesito, com o senador marcando 52% e o incumbente, 48%. A Justiça Eleitoral usa o voto válido, que exclui brancos e nulos, para a contagem final no dia da eleição. No caso de levantamentos de intenção, são retirados da conta também os indecisos.

PL é antiliberal, e dianteira de Flávio reflete insatisfação, diz autor de 'Como as Democracias Morrem', por Bárbara Blum

Folha de S. Paulo

Steven Levitsky diz que senador, se eleito, também precisará negociar com partidos para governar

Professor de Harvard vê ironia em apoio de países da América Latina a Trump, que passa por onda de impopularidade

O sucesso de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas do primeiro turno das eleições presidenciais não surpreendeu o cientista político americano Steven Levitsky. Um dos autores do best-seller "Como as Democracias Morrem", publicado em 2018, ele já esperava que o candidato que desafia o atual status fosse bem-sucedido.

Um levantamento feito por ele havia mostrado que, desde a pandemia, 74% dos governos incumbentes perderam as eleições nas democracias ocidentais analisadas. Foram 40 de 54. Foi o caso do Brasil, que não reelegeu Jair Bolsonaro (PL) em 2022.

Para o cientista político e professor de Harvard, essa insatisfação é a chave para ler os resultados das urnas do primeiro turno. O resultado positivo nas urnas para Flávio indica, segundo Levitsky, que o país continua insatisfeito com o status quo que o PT de Lula representa. "Não é que essa maioria dos brasileiros seja autoritária. Parte desse eleitorado está votando contra o status quo", afirma.

Frequência \ Eleitores do Blog

*Blog Democracia Política e novo Reformismo*

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OLHA COMO FOI A ENTREVISTA DO LULA NA GLOBO! 15/10/2026

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Poesia | Amar é ser amado, de Castro Alves -

 

Música | Ligia França - Pela decima vez (Noel Rosa)

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais \ Opiniões

Passou da hora de acabar com o inquérito das fake News

Por Folha de S. Paulo

Fachin repete intenção de arquivar investigação anômala que deu plenos poderes a Alexandre de Moraes

Criou-se a situação em que a corte poderia atuar como vítima, polícia e juiz; presidente do STF precisa percorrer caminho entre palavras e atos

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, indicou na semana passada que pretende "promover o arquivamento definitivo" do interminável inquérito das fake news. Louve-se a intenção, sem dúvida, mas com a ressalva de que não se trata da primeira vez que o ministro a enuncia.

No começo de setembro, quando o escândalo do Banco Master envenenou a convivência entre ministros do STF, Fachin esgrimiu duas propostas contra a crise sem precedentes: o fim do famigerado inquérito e a aprovação de um código de ética para a corte.

Voto de assalariados e empreendedores acirra a disputa do segundo turno, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Lula oferece medidas populistas a assalariados e empreendedores; Flávio procura preservar a identificação com quem considera insuficientes essas respostas do governo

A dez dias da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro disputam os corações e os bolsos de assalariados e empreendedores. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra Flávio com 46% das intenções de voto e Lula com 44%, um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. Outros 9% declaram voto branco, nulo ou disposição de não votar; apenas 1% está indeciso. A eleição continua aberta, mas não há eleitores disponíveis em grandes proporções. Convencer alguém a trocar de candidato ou a comparecer às urnas exige mais do que reafirmar as convicções dos convertidos.