domingo, 31 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Debate eleitoral deve ir além dos nomes na urna

Por O Globo

É essencial tratar de questões estruturais, como emendas ou representação na Câmara

As eleições de outubro caminham mais uma vez para um quadro marcado pela polarização. A escolha do próximo presidente será novamente ditada pela preferência por este ou aquele nome, no máximo esta ou aquela linha ideológica. Ao mesmo tempo, por mais que lideranças sejam fundamentais, ninguém terá, sozinho, o condão de resolver as mazelas crônicas que afligem o Brasil.

Do caso Collor ao Banco Master, parece não ter fim a sucessão de escândalos políticos. Tal persistência reflete problemas estruturais. São pífios os incentivos para enfrentar questões relevantes como educação, saúde ou segurança. Em vez disso, a classe política parece preocupada exclusivamente em manter o poder e desfrutá-lo em benefício próprio. Nas palavras do colunista do GLOBO e ex-ministro Pedro Parente, o Brasil “tem um sistema doente”.

Visão prejudicada, por Merval Pereira

O Globo

Aprovar que uma lei dessas seja imposta ao Brasil a pedido de brasileiros é abrir mão da soberania nacional, ainda mais baseado em distorções mentirosas.

Pela segunda vez a família Bolsonaro atuou junto ao governo dos Estados Unidos para que o presidente Trump tomasse atitudes contra o governo brasileiro, como se tratasse apenas de uma luta política entre eles e o PT do presidente Lula. Sem uma visão de longo prazo, e com uma política externa atrelada aos interesses americanos, repetindo a velha máxima do então embaixador brasileiro nos Estados Unidos Juracy Magalhães, “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Se a frase em 1965 já chocou, em plena ditadura militar, o conceito, nos dias de hoje, é mais anacrônico ainda, mas norteia o pensamento dos Bolsonaro.

Morando nos Estados Unidos, declarando-se autoexilado por questões políticas, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro utiliza a proximidade ideológica com alguns dos principais assessores do presidente Trump para estimular atitudes hostis ao governo de esquerda do Brasil, como se tudo que fosse ruim para os petistas fosse bom para o Brasil. Numa estreiteza política típica, esquecem os Bolsonaro que algumas decisões autoritárias do governo americano têm o poder de ferir a economia brasileira, como no tarifaço decretado por Trump, enquanto outras, como declarar terroristas as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) ferem a soberania brasileira.

Sucessivos governos brasileiros, de diferentes sotaques políticos, evitaram nos últimos 30 anos enfrentar a questão do crime organizado. Temia-se que a questão, constitucionalmente afeita aos estados, pudesse trazer culpas diretas para o Presidente da República. Em seu primeiro mandato, o presidente Lula criou um Gabinete de Segurança Pública com esse objetivo, e levou o sociólogo Luiz Eduardo Soares para dentro do Palácio do Planalto para executar a nova política. Mais por intrigas palacianas do que por problemas concretos, não chegamos a ter a implantação de medidas contra a bandidagem a nível nacional.

O presidente Michel Temer, anos depois, subiu o patamar da preocupação criando um ministério de Segurança Pública, conduzido com muita competência pelo falecido ministro Raul Jungmann. O ministério, que nasceu com o epíteto de “extraordinário”, teve atuação incipiente e foi abandonado pelo governo Bolsonaro. O problema só fez crescer e tomar conta de diversos territórios, hoje sob o domínio das gangues criminosas. A volta do ministério da Segurança Pública tornou-se tema inevitável, pois a sensação de insegurança domina amplas parcelas da população, mesmo as que não vivem em territórios ocupados. Os assaltos diários de celulares são exemplares dessa situação.

Ser favorável a chamar os Estados Unidos para ajudar nesse combate é uma reação natural de quem sofre com os criminosos impondo suas regras e arrecadação a cada vez mais gente. Mas deveria ser mais estudado por políticos que se consideram aptos a assumir a Presidência da República. O senador Flavio Bolsonaro, seu pai e acólitos, ganharam um bom tema para a campanha eleitoral, mas perderam a chance de mostrarem-se preparados para a tarefa que ambicionam. Os poderes autoritários que o governo de Donald Trump recebe da lei americana para punir autoridades de outros países de acordo com seus pontos de vista são exorbitantes quando se pensa na soberania de cada um.

O sequestro do ditador Nicolas Maduro na Venezuela é exemplar dessa possibilidade. Não importa que Maduro seja ditador, nem que seja um abusador dos direitos humanos. Nenhum país, incluindo os Estados Unidos, tem o direito de decidir terminar pela força um governo estrangeiro. Nem mesmo para teoricamente defender a democracia. Aprovar que uma lei dessas seja imposta ao Brasil a pedido de brasileiros é abrir mão da soberania nacional, ainda mais baseado em distorções mentirosas. O governo petista não tem nada a ver com as facções criminosas, e a inação é a mesma de outros governos, inclusive o de Bolsonaro, por motivos que nada têm de cumplicidade. Que os Poderes da República estão contaminados pela infiltração criminosa não há dúvidas. Inventar ligações criminosas para alimentar o embate político é se reduzir a um mero contraventor eleitoral.

Os patriotas pelo avesso, por Míriam Leitão

O Globo

O patriotismo histriônico e estigmatizado não tem nada a ver com o verdadeiro amor à pátria ou o entendimento de quais são os reais interesses do Brasil

Talvez o momento mais verdadeiro do nacionalismo da direita tenha ocorrido quando manifestantes bolsonaristas estenderam a bandeira norte-americana na Avenida Paulista em pleno dia da pátria brasileira. Eles se denominam “patriotas” e se cobrem de verde e amarelo, mas comemoram barreiras contra as exportações brasileiras, pedem intervenção americana nas eleições nacionais e, agora, tratam como uma vitória o que é um evidente risco para o país e suas instituições.

A escala e a urna, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Proposta tirou esquerda da inércia, emparedou Centrão e deixou bolsonarismo sem saída

A proximidade da eleição faz milagres. Na quarta-feira, a Câmara aprovou o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Meses atrás, pouca gente em Brasília acreditava que a proposta iria adiante. Não só foi, como passou com folga: teve apoio de 95% dos deputados presentes.

O placar de 472 a 22 pode dar a impressão de que os parlamentares fizeram uma autocrítica e decidiram se irmanar em defesa da classe trabalhadora. Não foi bem isso. A derrubada da 6x1 é resultado de uma articulação rara, que tirou a esquerda da inércia, emparedou o Centrão e deixou o bolsonarismo sem saída.

Vizinho novo, por Dorrit Harazim

O Globo

Bilionário plurinacional, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril e veio parar na Buenos Aires de Javier Milei

Tem vizinho novo no pedaço. Segundo revelou o New York Times, o bilionário plurinacional Peter Thiel, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril último e veio parar, quem diria, na Buenos Aires de Javier Milei. Instalado com o marido e dois filhos numa mansão de 1.600 metros quadrados e US$ 12 milhões no classudo Barrio Parque, Thiel tem demonstrado gosto pela aculturação. Já disputou um torneio local de xadrez, assistiu a um clássico entre Boca Juniors e River Plate, deu uma esticada a Bariloche e até virou meme comendo uma parrilla.

Imigrado ilustre, teve recepção calorosa do governante argentino. “Foi um anarcocapitalista que conhece outro anarcocapitalista”, resumiu Milei ao relatar o encontro na Casa Rosada. “Todos os bilionários do mundo que queiram fugir de países cada vez mais regulados, com impostos mais altos e governos que perseguem seus cidadãos, são bem-vindos na República Argentina, a nova terra da liberdade”, justificou o chefe de gabinete do presidente perante o Congresso.

Da cooperação à intervenção, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump usa PCC, CV e Seção 301 para mandar no Brasil e dominar o ‘quintal dos Estados Unidos’

A classificação de PCC e CV como organizações terroristas, uma ameaça inaceitável à soberania brasileira, num contexto de intervenção na América Latina, pode não ser a única arma de Donald Trump contra o Brasil. Planalto, Itamaraty e setores alvos já se preparam para uma nova bomba: a conclusão do processo americano com base na Seção 301, que pode fazer grandes estragos na economia. O prazo está vencendo...

Crise na Bolívia: por que nos interessa, por Sergio Fausto*

O Estado de S. Paulo

As sementes da enorme instabilidade que hoje se colhem foram plantadas por Evo, quando tentou se perpetuar no poder a qualquer custo

Pouco se fala, no Brasil, sobre a crise política em que mergulhou a Bolívia nas últimas semanas. A desatenção é um equívoco. Compartimos com o país vizinho a nossa maior fronteira, um gasoduto importante e populações de imigrantes. Além disso, a cooperação bilateral é chave para o combate ao crime organizado. A manutenção da ordem democrática na Bolívia é do interesse do Brasil.

Vamos aos fatos. No começo de maio, partindo de distintos pontos do país, colunas de manifestantes convocadas pela Central Obrera Boliviana, sindicatos e movimentos ligados a trabalhadores mineiros e agricultores indígenas puseram-se a marchar em direção a La Paz. Pouco a pouco, a capital boliviana se viu cercada por bloqueios que impedem o acesso terrestre à cidade. Seguiram-se confrontos entre manifestantes e tropas da polícia e do Exército, que buscam desobstruir as estradas, com um saldo de quatro mortos, dezenas de feridos, centenas de presos e prédios públicos apedrejados. Agrava-se a cada dia o risco de desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustível na capital boliviana. Há bloqueios também em outras regiões do país.

Nova designação de CV e PCC traz riscos ao Brasil, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo 

A designação do PCC e do CV como grupos terroristas beneficia o crime organizado, Flávio Bolsonaro e Donald Trump, e cria riscos para os brasileiros, as Forças Armadas, a polícia, o Ministério Público, a economia, a soberania e a democracia. O regime adotado pelos EUA no combate ao terrorismo aumenta o sigilo e diminui o compartilhamento das informações com as polícias e o MP estaduais e federais.

O FBI investiga o terrorismo doméstico. Já os grupos designados terroristas fora do território americano são objeto da CIA e das forças armadas.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, as ações antiterroristas passaram a tramitar em tribunais secretos, que suspendem os direitos dos cidadãos estrangeiros.

Para que serve a política? Por Ana Dubeux

Correio Braziliense

A tragédia que se abateu sobre o BRB traz lições relevantes. Ajuda a distinguir aqueles que estão comprometidos com o futuro do Distrito Federal daqueles que buscam o poder a qualquer custo.

A verdadeira política sobrevive ao proselitismo. Ela deve estar além de alinhamento partidário-ideológico e existir para o seu fim: trazer benefícios reais às pessoas. O acordo firmado, na última quinta-feira, entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União, que permite ao BRB adquirir um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mostra mais do que costumamos ver na política: uma prova de que o governo federal existe também para socorrer os entes federativos, independentemente da relação entre o presidente da República e as forças que elegeram e sustentaram a chapa Ibaneis Rocha-Celina Leão.

Quando o PCC vira terrorista, o seu Pix pode ser o problema, por Guilherme Frizzera*

Correio Braziliense

A partir da entrada em vigor dessa designação, qualquer transação financeira que tenha nexo americano e possa ser associada a essas organizações passa a ser território de risco legal para quem a realizou

A designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, anunciada no último dia 28 pelo secretário Marco Rubio e prevista para entrar em vigor em 5 de junho, chegou ao Brasil embalada no tom de sempre: operações militares, extradições, a linguagem dura da guerra ao narcotráfico. Mas o risco mais concreto e cotidiano não está nos hipotéticos fuzis americanos em uma operação militar no Brasil. Está no seu aplicativo de banco.

A legislação americana antiterrorismo não foi construída para guerras convencionais. Ela foi construída para seguir o dinheiro. O arcabouço do OFAC (Office of Foreign Assets Control, ou Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), a agência do Tesouro americano responsável por sanções contra entidades ligadas ao terror, opera de forma administrativa e com padrão probatório baixo. Não precisa de júri nem de processo criminal para colocar um nome numa lista. E, a partir da entrada em vigor dessa designação, qualquer transação financeira que tenha nexo americano e possa ser associada a essas organizações passa a ser território de risco legal para quem a realizou.

A pressa que atropela o verso, por Sérgio C. Buarque*

Revista Será?

A redução da jornada de trabalho é um avanço muito importante para a melhoria da qualidade de vida da população trabalhadora e tem total consistência com as mudanças no mercado de trabalho. Em várias partes do mundo, a média de trabalho já está abaixo das 40 horas semanais e, mesmo, no Brasil, em alguns setores da economia, a jornada contempla dois dias de descanso por semana (cerca de 30% dos trabalhadores formais brasileiros já têm carga horária de 40 horas semanais). Estas mudanças no mercado de trabalho estão relacionadas a dois processos relativamente independentes: 1. a revolução científica e tecnológica, que viabiliza o aumento da produtividade de trabalho (permite produzir mais, com menos tempo de trabalho); 2. o movimento de declínio da População em Idade Ativa, que define o contingente de trabalhadores disponíveis no mercado.

Escala 6x1 é a reforma da vida das pessoas, por Hugo Motta*

Folha de S. Paulo

Desenvolvimento econômico e dignidade humana não são objetivos concorrentes, mas complementares

Redução da jornada não é a vilã da produtividade; empresas já relatam ganhos, melhora do ambiente e redução da rotatividade

Mais de 15 milhões de brasileiros vivem hoje sob a escala 6x1. Homens e mulheres que, durante seis dias da semana, acordam antes do amanhecer e atravessam cidades inteiras para trabalhar. E, ao retornarem para casa, encontram outras tarefas à espera. Essa realidade pesa ainda mais sobre as mulheres, que acumulam jornadas múltiplas e chefiam mais da metade dos lares brasileiros.

São milhões de pessoas que não conseguem usufruir do convívio com os filhos, de lazer, estudos, cuidados com a saúde e do próprio descanso. Trabalhadores que comprimem em apenas um dia de folga uma vida inteira de obrigações pessoais e familiares.

Cachorro do meme do incêndio analisa o crescimento do PIB do Brasil, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Economia melhora no primeiro trimestre, mas desacelera faz mais de ano, em sinal de exaustão

Investimento é muito baixo, país depende de poucos setores e produtividade rasteja

Escrever sobre o PIB do Brasil dá um pouco a sensação de estar no meme do cachorro que bebe café enquanto um incêndio toma conta do ambiente. Sim, seria mais do que exagero dizer que a casa pega fogo. Mas a ilusão quase otimista com números ainda medianos nubla o fato de que, por ora, evitamos apenas queda abaixo da mediocridade e de que a casa precisa de reforma grande, que não está à vista.

"Estou bem com o que está acontecendo no momento", diz Question Hound, o cão, quando as labaredas chegam perto. "Tudo bem, vai ficar tudo bem", insiste, logo antes de sua cara derreter no fogaréu. O quadrinho, publicado em 2013, de K.C. Green, tornou-se meme para a desconsideração de situações que vão do perigo ao desastre.

Flávio Bolsonaro é terrorista? Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Senador é aliado de Bacellar, apontado como chefe do núcleo político do CV, e se declarou irmão de Vorcaro

Discordo de quem acha que Flávio, CV e PCC são terroristas, mas respeito os argumentos

Flávio Bolsonaro é aliado de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A Polícia Federal considera Bacellar "o chefe do núcleo político do Comando Vermelho".

Ou seja: se o Departamento de Estado americano estiver certo, Flávio é aliado de um importante líder terrorista.

Flávio Bolsonaro também já se declarou "irmão" de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O Master tinha relações tão próximas com a Reag Investimentos, acusada de lavar dinheiro do PCC, que, segundo matéria desta Folha de 28 de agosto de 2025, administrava o fundo que era dono da casa de Daniel Vorcaro.

Ou seja, se o Departamento de Estado americano estiver certo, Flávio Bolsonaro ganhou R$ 60 milhões inexplicáveis de um sócio da turma que lavava dinheiro do grupo terrorista PCC.

A mão pesada de Washington, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Não por inocência nem coincidência governo Trump permitiu o uso político/eleitoral da decisão sobre facções

O gesto mostra que a química entre Trump e Lula tem limite e esbarra na preferência ideológica da Casa Branca

É inegável: o governo Donald Trump pôs um trunfo nas mãos de Flávio Bolsonaro (PL) e acrescentou um fato à foto no salão oval da Casa Branca. Ajudou o senador a mudar o rumo da prosa do caso Master, permitindo que ele ligasse o pedido feito dois dias antes à decisão de definir PCC e CV como organizações terroristas.

Não há como separar o gesto do contexto eleitoral nem fugir da constatação de que o Departamento de Estado sinalizou que a química entre Trump e o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) tem limite. O debate não foi gratuitamente capturado pelos políticos porque, dado o momento e a forma, a política está no centro da questão.

A recriação ultraprocessada do mundo, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

A modelagem teológico-mercantil do banal consumo cotidiano, grotescos que sejam os seus aspectos, é um primeiro passo corrosivo

Claro já estava que, na pátria celestina dos crentes, o paraíso celestial tinha dado lugar ao paraíso fiscal dos pastores

A mercantilização da existência em bases neoliberais, a forma-empresa, não se dá apenas nos níveis da economia, da inteligência artificial e da política, também na administração de crenças religiosas. Talvez a maior ameaça à mística de um todo-poderoso esteja na IA-2028 anunciada pela Anthropic que, suplantando a inteligência humana, poderá curar doenças terríveis, senão mandar paralítico levantar-se da cadeira. Mas a modelagem teológico-mercantil do banal consumo cotidiano, grotescos que sejam os seus aspectos, é um primeiro passo corrosivo.

Podemos rir disso? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro analisa humor em tempos conflagrados

Autor teme volta de leis de blasfêmia para evitar ofensas

"Can We Laugh at That?", de Jacques Berlinerblau, analisa o humor nos tempos conflagrados em que vivemos. É um livro interessante e paradoxal. Como não poderia deixar de ser, ele traz várias piadas, mas muitos as considerarão ofensivas e não rirão delas. Pelo contrário, ficarão indignados. O autor, porém, não teria como se abster de reproduzir essas anedotas, que são o objeto mesmo de que trata a obra.

Não estou entre os indignados. Devo ser o sonho de consumo dos comediantes, já que rio de tudo, incluindo piadas de judeu e que troçam de outras categorias a que eu possa pertencer. Devo ser um dos últimos, mas introjetei a ideia básica de que o humor não é para ser levado a sério.

Esculpindo palavras, por Ivan Alves Filho*

Jane Austen, Albert Camus, Franz Kafka, Machado de Assis, Tolstói e Jack London são autores celebrados não só pela qualidade de seus escritos como também pela maneira pela qual os iniciam. Impactantes, saborosas. Com esses escritores, aprendemos que as palavras, sem as frases, nada significam de fato. Ou seja, cabe às frases dar um sentido a elas. As frases, esses coletivos das palavras. E o escritor sempre se apresenta como alguém que se vale dessas ferramentas todas, como um artesão das letras. 

Os gramáticos nos ensinam que as frases nada mais são do que "um conceito da camada morfossintática de análise". Certamente estão imbuídos de razão. Mas, há uma certa frieza nesta definição, convenhamos. Daí eu preferir me valer de frases que escapam a qualquer explicação lógica, digamos assim, mas que falam diretamente ao coração de cada um de nós. Um exemplo: "Amai-vos uns aos outros". Outro: "Proletários de todos os países, uni-vos!". Mais um: "Eu tenho um sonho."

Poesia | Elegia para a adolescência, de Carlos Pena Filho

 

Música | Entre a Lua e o Pandeiro — O Samba que nasceu na madrugada e tocou milhões de corações | Samba Raiz

 

sábado, 30 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Classificar PCC e CV como terroristas tem efeito incerto

Por O  Globo

Apesar da medida arbitrária, Brasil terá de lidar com consequências. Será melhor se aprofundar a cooperação

O Departamento de Estado americano anunciou que, a partir de 5 de junho, as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passarão a ser consideradas organizações terroristas, como os cartéis do narcotráfico e grupos como Al-Qaeda, Estado Islâmico, Hamas ou Hezbollah. Não foi exatamente uma surpresa, o movimento já vinha sendo gestado. No anúncio, porém, os Estados Unidos não apresentaram nenhuma evidência contundente de atuação terrorista dessas facções, cuja atividade criminosa e violenta tem motivação sobretudo financeira, não política, ideológica ou religiosa. Ao contrário dos cartéis mexicanos, os grupos brasileiros nem sequer têm o mercado americano como alvo principal. Apesar da arbitrariedade da medida, o Brasil será obrigado a lidar com as consequências.

O desafio de pensar o futuro, por Marco Aurélio Nogueira*

O Estado de S. Paulo

O futuro depende de projetos bem concatenados e da gestação, nas sociedades, de ‘blocos históricos’

Sempre pedimos ao passado para nos ajudar a entender as agruras do presente. O passado determina muitas coisas. Modela experiências, individualidades e relacionamentos. Forma estruturas difíceis de serem modificadas. Condiciona não pela transmissão de “heranças malditas”, mas pelo que contém de tradições, valores e percursos reiterados. Carrega cultura no ventre. A história é sempre permanência e mudança, continuidade e descontinuidade.

O passado não nos domina. “Eu não vivo no passado, o passado vive em mim”, cantou Paulinho da Viola. Sua herança nos chega sem um testamento ou um roteiro a ser seguido. Não guia nossos passos, não diz o que devemos fazer com ele. A falta de clareza sobre o futuro é que nos leva a buscar explicações no passado.

Fraternidade fratricida, por Marcelo de Azevedo Granato*

O Estado de S. Paulo

Uma política erguida sobre sentimentos inibe a construção de projetos comuns e pode conduzir à dessensibilização diante do adversário político

Pesquisas eleitorais indicam a consolidação da disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de outubro. Os números reafirmam a tendência de uma disputa equilibrada, mas o panorama político brasileiro não se resume a eles. Para além das conclusões das pesquisas sobre a divisão do eleitorado, verifica-se também um padrão de insulamento e de desqualificação recíproca entre os grupos de eleitores de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro, com efeitos negativos para a sociedade e a democracia brasileira.

A pesquisa Polarização afetiva, confiança e adesão à democracia no Brasil, realizada no ano passado pelo ConnectLab, Centro de Estudos da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), entrevistou pessoas da esquerda à direita do espectro político, inclusive aquelas autodeclaradas petistas e bolsonaristas.

O jogo de Flávio Bolsonaro, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Não desfazendo da obstinação do bolsonarismo eduardista por estabelecer relações na Casa Branca, a conta do acesso de Flávio Bolsonaro ao primeiro escalão da administração Trump – sobretudo a Marco Rubio e J.D. Vance – não fechará sem a variável lobby-de-algum-grupo-econômico-pesado.

Isto parece ser condição fundamental para se chegar ao presidente dos EUA: ter o apoio de bilionários de cujos investimentos o governo, donde o projeto de poder trumpista, dependa. Lula tem os seus empresários abridores de portas em Washington. Está explícito. Nem sempre será, talvez porque os de Flávio – o cronista especula – sejam financiadores do Partido Republicano e do movimento MAGA. Atenção a isso.

O vale-tudo do projeto de poder bolsonarista, por Flávia Oliveira

O Globo

À espreita do Brasil, estão o risco de intervenção, inclusive militar, dos Estados Unidos e sanções econômico-financeiras

Não há limite para o projeto de poder do bolsonarismo. Vale duvidar das urnas eletrônicas, minar a credibilidade de autoridades e do sistema eleitoral, confrontar Legislativo, Judiciário e até a ciência. Vale tramar golpe de Estado e assassinato de presidente e vice eleitos, bem como de ministro do Supremo Tribunal Federal. Vale incitar nação estrangeira a aplicar tarifas, abrir investigação contra o Brasil por concorrência desleal e impor sanções a personalidades da República. Agora, vale também buscar classificação de organizações criminosas, caso de PCC e Comando Vermelho, como terroristas e sujeitar o país a graves retaliações econômicas e financeiras pela maior economia do planeta, segundo maior parceiro comercial brasileiro.

Não sou sócio do Master, por Eduardo Affonso

O Globo

O Banco Master está liquidado — e liquidando a carreira de muita gente —, mas os sócios devem estar bem

Mesmo morando em Minas, onde a energia elétrica era fornecida pela Cemig, passei a infância ouvindo minha mãe dizer que não era sócia da Light. Uma lâmpada esquecida acesa, a porta da geladeira mantida aberta enquanto se brigava com a alavanca da forminha de gelo, e lá vinha ela:

— Não sou sócia da Light!

O sonho de toda mãe dos anos 1960 devia ser a oportunidade de comprar ações da companhia e, assim, deixar de se preocupar com a televisão ligada sem ninguém assistindo, o chuveiro elétrico em uso por mais de cinco minutos — ou com a erfráier e o ar-condicionado, se esses avanços tecnológicos existissem naquela época.

A força da verdade, por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

A realidade costuma prevalecer sobre as fantasias dogmáticas, sejam de caráter político, ideológico ou simples modismos de última hora

Sou remanescente dos melhores momentos do jornalismo no Brasil, época em que os repórteres dos jornais diários não eram obrigados a competir com as notícias 24 horas da tevê a cabo. Os jornalistas tinham a possibilidade de viajar para qualquer lugar em que houvesse chance de uma boa reportagem. No meu tempo de Veja, por exemplo, anos setenta, fui de avião pequeno, teco-teco alugado, ao encontro dos indígenas gigantes nas margens do Rio Peixoto de Azevedo, na divisa dos estados do Amazonas e Mato Grosso. 

Quem ganha com um Brasil mais frágil? Por Juliana Diniz*

O Povo (CE)

O que verificamos é que, para o núcleo familiar central do bolsonarismo, o interesse nacional não é mais importante que seu projeto pessoal do poder. Vale tudo para derrotar seu adversário político, inclusive ignorar a soberania do Brasil

O reconhecimento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos deve inspirar muita preocupação em todos nós. O potencial de intervenção americana no território brasileiro é, agora, uma ameaça real. Para além da preocupação com a integridade territorial, há um risco para os cidadãos nacionais, que ficam vulneráveis à captura e encarceramento sem qualquer possibilidade de controle do excesso pelo estado brasileiro.

Lembremos dos episódios em que barcos foram abatidos na Costa do Caribe e no Oceano Pacífico. Foram mais de 145 mortos, numa ofensiva militar sobre a qual se sabe muito pouco. A comunidade internacional levanta o questionamento sobre a ocorrência de verdadeiras execuções extrajudiciais, sem acusação, sem processo, sem identificação clara dos alvos: apenas o abatimento, a longa distância, de embarcações tidas por suspeitas.

A escala 6x1 e a estratégia dos que nada querem mudar, por Oscar Vilhena Vieira*

Folha de S. Paulo

Desde a Revolução Francesa diz-se que reformas emancipatórias podem gerar efeitos perversos

No Brasil, quem tem escala 5x2 ganha em média R$ 6.211; na 6x1 o valor é R$ 2.627

"Atraso", "desastre" e "retrocesso" são alguns dos adjetivos empregados por aqueles que se contrapõem à PEC 221, que propõe reduzir para 40 horas a jornada de trabalho, estabelecendo uma escala de 5 dias trabalhados para 2 de descanso remunerado, sem perda salarial.

Para os mais críticos, a aprovação da PEC não apenas gerará maiores custos aos empregadores —que seriam repassados a toda a sociedade, por meio do aumento dos preços— como, sobretudo, imporá perdas aos próprios empregados, que serão demitidos ou obrigados a migrar para a informalidade. Trata-se, para esses críticos, não apenas de uma medida economicamente contraproducente mas de uma proposta perversa para aqueles que almeja beneficiar.

O Brasil à mercê do vorcarismo, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Trata-se da doutrina pela qual os seus praticantes acham que nunca serão pegos por atos ilícitos e irresponsáveis

Daniel Vorcaro, dono do Master, é o guru máximo desse sistema de crenças que se espalha pelo país

O vorcarismo está com tudo no Brasil. É uma doutrina pela qual os seus praticantes acham que nunca serão pegos por atos ilícitos e irresponsáveis. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, é o guru desse sistema de crenças.

Mesmo sendo causador do maior escândalo financeiro da história do país com perdas que podem superar R$ 60 bilhões, Vorcaro quer assumir de volta o banco para controlar a venda de ativos da instituição quebrada, pagar as dívidas e ficar com o saldo remanescente, como mostrou a colunista Mônica Bergamo.

A proposta foi parar nas negociações da sua delação premiada. Desde sempre, antes mesmo da liquidação do Master pelo Banco Central, ficar com o "troco" sempre foi o plano do ex-banqueiro.

Terrorismo ao gosto do freguês, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Inexistência de definição universalmente aceita permite múltiplas classificações

Lei americana abusa de tipos abertos e a brasileira exige motivação ultraespecífica

PCC e CV são organizações terroristas, como acaba de decretar Donald TrumpNão existe definição universalmente aceita de terrorismo, o que dá ampla margem de manobra a quem faz a classificação.

Os americanos se valem de conceituações relativamente abertas. Qualquer ação que envolva violência e tenha o objetivo de intimidar a população civil ou forçar o governo a alterar políticas pode ser categorizada como terrorista (US Code, Title 18). Se você tiver uma treta com as autoridades locais, elas não precisarão se esforçar muito para acusá-lo de terrorismo.

Escala 5x2 anula efeito da foto de Flávio Bolsonaro com Trump, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Contrária à redução da jornada de trabalho, direita não consegue evitar vitória de Lula

Momento eleitoral decide a sorte da PEC, que precisa passar no Senado

Foi o espetáculo de sempre no mafuá da Câmara dos Deputados. Em mais de 12 horas de sessão, vaias, comemorações, bate-bocas ensaiados para alimentar as redes sociais. O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) roubou a cena ao dizer que o fim da escala 6x1 vai permitir mais tempo para o sexo.

Em defesa da aprovação do texto, Otoni de Paula (PSD-RJ) voltou à década de 60 do século passado, aos polarizados festivais da canção, puxando o coro de "Pra Não Dizer que não Falei das Flores (Caminhando)", de Geraldo Vandré. Uma cena constrangedora, mas quem estava ligando?

Um país em depressão, por Murillo de Aragão

Revista Veja

Quando a política e o estresse psicológico se encontram

A coincidência cronológica é demasiado precisa para ser fortuita. Em 2013, ano em que as “jornadas de junho” inauguraram o ciclo de polarização permanente no Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde registrava prevalência de 7,6% de depressão diagnosticada entre adultos. Em 2019, o índice foi a 10,2% — 16,3 milhões de pessoas. Em 2022, no inquérito Covitel, da UFPel, chegou a 13,5%. Em seis anos, alta de 34%. Em uma década, quase dobrou. Nesse período, o país atravessou Lava-Jato, impeachment, recessão histórica, eleição de 2018, pandemia, eleição de 2022 e o 8 de Janeiro.

A nova abolição, por André Barrocal

CartaCapital

A despeito da pressão empresarial, a Câmara aprova o fim da escala 6×1. O Senado tende a corroborar

O fim do trabalho escravo no Brasil, último país a abolir a prática, foi seguido por cerca de quatro décadas de expedientes laborais inclementes: 12 horas diárias, 14 horas, 16 horas. Getúlio Vargas, nos anos 1930 e 1940, impôs limites: 8 horas por dia e 48 por semana. Era o início da chamada escala 6 por 1. Passaram-se mais quatro, cinco décadas e a Constituição que enterrou a ditadura reduziu a carga semanal para 44 horas. E agora, 38 anos depois, o Brasil está à beira de outro passo histórico para dar mais tempo livre àqueles que o carregam nas costas. Os deputados acabam de aprovar a jornada de 40 horas por semana, realidade na Europa desde o século passado, sem corte de salário. Basta o endosso dos senadores, e as pistas indicam que eles não vão nadar contra a maré, para a mudança constitucional entrar em vigor de forma escalonada: 42 horas em 60 dias e 40 horas, em um ano. Será a abolição da escala 6 por 1.

A revolução da IA e o futuro da humanidade, por Marcus Pestana

A trajetória humana é a história de sucessivos desequilíbrios, provocados pela constante inovação, fruto da inquietação humana e da busca permanente de desenvolvimento e da melhoria da qualidade de vida. O mundo nunca deu razão àqueles que acreditavam numa utopia estacionária, onde, em certo momento, estabilizaríamos a vida, alcançando tranquilidade e a conservação do status quo, sem as tormentas causados pelas mudanças disruptivas e inovações revolucionárias.

O pecado da escravidão, por Jamil Chade

CartaCapital

A primeira encíclica de Leão XIV une-se à posição da ONU na crítica ao neocolonialismo

Sem o carisma e a vitalidade de Francisco, o antecessor, o papa Leão XIV finalmente saiu da sombra e deu sentido ao seu pontificado. Na segunda-feira 25, o norte-americano ­Robert Prevost lançou a encíclica Magnifica ­Humanitas, que trata da salvaguarda dos seres humanos na era da Inteligência Artificial. O papa aproveitou a oportunidade para uma reparação histórica. “Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão”, declarou, em referência à chancela da Santa Sé a séculos de escravidão. O reconhecimento papal deu-se dois meses depois de a Assembleia-Geral das Nações Unidas ter aprovado uma resolução na qual declara a escravatura como o maior crime contra a humanidade de todos os tempos.

A síndrome de Babel, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Na encíclica Magnifica Humanitas, Leão XIV alerta para os perigos da tecnologia

Cometo a ousadia de abrir este modesto artigo com um trecho da encíclica Magnifica Humanitas do papa Leão XIV. “A tecnologia”, diz o texto, “pode curar, conectar, educar, cuidar da casa comum; mas também pode dividir, descartar, gerar novas injustiças. Na teoria, em si mesma, ela não é uma solução para os problemas da humanidade, assim como não é, em si mesma, um mal; todavia, na prática, não é neutra, pois tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam. Por isso, a primeira escolha não é entre um ‘sim’ ou um ‘não’ à tecnologia, mas entre edificar Babel ou reconstruir Jerusalém: entre um poder que pretende dominar o céu e um povo que, unido na presença de Deus, começa o trabalho de reerguer os muros da convivência fraterna.”

Depois das facções, acusação de terrorismo de Trump pode alcançar qualquer brasileiro, por Thiago Rodrigues*

CartaCapital

Ao incluir PCC e CV no aparato jurídico da guerra ao terror, Washington amplia sua capacidade de impor sanções, abrir processos e exercer pressão política sobre o País

No dia 26 de maio, Flávio Bolsonaro foi recebido na Casa Branca por Donald Trump. O senador, agora pré-candidato à Presidência, disse ter pedido ao americano que incluísse o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, as principais facções criminosas brasileiras, na lista de organizações terroristas estrangeiras do Departamento de Estado dos EUA, conhecida pela sigla FTO, de Foreign Terrorist Organizations.

Dois dias após a visita, o secretário de Estado Marco Rubio anunciou a inclusão imediata do CV e do PCC como terroristas, mas em outra categoria: a de Specially Designated Global Terrorists, ou SDGTs, “terroristas globais especialmente designados”. Rubio prometeu porém, para 5 de junho, incluí-los também na lista de FTOs.