quinta-feira, 21 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Não é papel do governo financiar carros e táxis novos

Por O Globo

Bondade para taxistas e motoristas de aplicativo é danosa à vida nas cidades, ao meio ambiente e às contas públicas

Na mais recente medida eleitoreira, com o objetivo indisfarçável de melhorar os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo anunciou um programa para beneficiar taxistas e motoristas de aplicativo. Criado por meio de Medida Provisória, ele permitirá financiar em até seis anos a compra de qualquer veículo de até R$ 150 mil com juros camaradas. Os empréstimos serão fornecidos pelo BNDES por meio da rede bancária. A conta para o Tesouro é estimada em R$ 30 bilhões — e será paga integralmente pelo contribuinte.

Em crise, Flávio troca marqueteiro e cria ruido no meio evangélico

Crise de Imagem

Flávio sofre desgaste do agro aos evangélicos e tem primeira baixa com saída de marqueteiro

Por Luísa Marzullo e Letícia Pille - O Globo

A crise instalada na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desencadeada a partir da revelação de sua proximidade com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estremeceu as pontes com segmentos de sustentação do bolsonarismo nas últimas campanhas e derrubou o marqueteiro contratado pelo senador para cuidar de sua imagem. Em meio ao desgaste, o PL já identificou a contrariedade com interlocutores do mercado financeiro, do agronegócio e lideranças evangélicas.

Além disso, a insatisfação de aliados fez a primeira vítima no entorno de Flávio, com a saída do publicitário Marcello Lopes, o Marcellão. Ele estava nos Estados Unidos durante a semana mais crítica para a comunicação do candidato, o que gerou contrariedade entre pessoas próximas ao senador.

Agora, assume a função Eduardo Fischer, que fez a campanha de Alvaro Dias (Podemos) na corrida presidencial em 2018 e conhecido por trabalhos publicitárias fora da política.

Cenários preocupantes, por Merval Pereira

O Globo

Com a fragilidade atual da candidatura de Flávio, e as dificuldades que o governo Lula tem para manter a economia em bom estado pode ser que surja um caminho para um candidato alternativo que supere a polarização política.

Muito além do resultado das urnas em outubro, as consequências da derrota de um ou outro dos favoritos momentâneos nas pesquisas de opinião, ou a vitória de um azarão (dark horse?) que surja, colocarão o futuro do país em nova encruzilhada. O presidente Lula, cuja possibilidade de disputar a reeleição aumenta à medida que se enfraquece a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, dificilmente deixará de estar no segundo turno. Mas pode perder. Aí começa a confusão.

Se desistir, por qualquer motivo, de concorrer, Lula teria no seu vice, Geraldo Alckmin, um candidato perfeito para enfrentar Flávio, agregando o eleitorado de centro-direita. Mas ele é um “tucano do PSB”, e o PT prefere perder com os seus a ganhar com um aliado. Ganhando, Lula encontrará provavelmente um Congresso de oposição mais conservador que o atual, sobretudo no Senado. Isso tornará seu quarto governo no mínimo problemático, se não inviável. O que sairá de um governo sem força política, apoiado por um Supremo Tribunal Federal (STF) acuado politicamente, com probabilidade alta de impeachment de ministro, só saberemos quando acontecer.

Capa de celular e filme B no debate, por Julia Duailibi

O Globo

Decisão sobre manutenção da candidatura de Flávio será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro

Os tentáculos do Master atingiram Flávio Bolsonaro e agora começam a dar voltas pelo seu pescoço, a ponto de integrantes de seu partido, o PL, saírem falando por aí que em 15 dias decidirão se mantêm a candidatura de pé ou não. A cúpula do PL pode até causar nos bastidores, mas pouco tem a fazer diante da decisão que será única e exclusivamente de Jair Bolsonaro, como foi dele o projeto de lançar o primogênito à Presidência, e não Tarcísio de Freitas, nome preferido dos chefões da sigla. Depois da repercussão ruim, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, veio a público dizer que o deadline de 15 dias, estabelecido numa reunião interna, não dizia respeito à manutenção da candidatura do senador, mas sim à retomada de seu crescimento nas pesquisas eleitorais.

O BC no meio do redemoinho, Por Míriam Leitão

O Globo

O Banco Central vive dias de pressão por causa pelo Banco Master. A situação do BRB é motivo de preocupação e sem solução a curto prazo

O problema do Banco de Brasília (BRB) não está resolvido. Longe disso. O controlador resiste à venda de algum pedaço relevante da instituição que poderia ajudar a enfrentar a crise. Desde o fim de março, o BRB já está pagando multa diária pela não publicação do balanço. A cada solução apresentada, a governadora Celina Leão faz uma pesquisa com a Câmara Distrital e sondagens de opinião pública para ver como a proposta impactaria sua popularidade. Se houver uma queda brusca de liquidez, será difícil evitar o pior.

O governo federal não quer ajudar, porque seria abraçar um desgaste que não foi criado por ele, pelo contrário, foi obra do centrão e do ex-governador bolsonarista, Ibaneis Rocha. O governo do Distrito Federal tem insinuado que, se acontecer algum incidente, terá sido porque a União não ajudou.

Uma eleição refém do sistema, por Malu Gaspar

O Globo

Câmara dos Deputados acaba de aprovar, num acordão que incluiu de lulistas a bolsonaristas, um monstrengo batizado de minirreforma eleitoral, que de mini não tem nada e que, em vez de reformar, promove uma avacalhação nas eleições que vêm aí.

A lista de mudanças é ampla. Uma delas prevê que a multa máxima para partidos que não apresentarem prestações de contas ou cujas contas forem rejeitadas não pode ser de mais de R$ 30 mil (antes poderia chegar a 20% do valor questionado). Considerando que o fundo partidário distribuiu R$ 1 bilhão em 2025 e que o fundo eleitoral entregará mais de R$ 5 bilhões neste ano, caiu a perto de zero o custo de fazer lambança com o dinheiro dos nossos impostos.

Mas tem mais.

Liberadas as armas da batalha campal de outubro, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Congresso se move para diminuir as incertezas abertas pela desidratação de Flávio Bolsonaro

Na mesma semana em que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em redemoinho, o Congresso Nacional municiou-se das armas com as quais pretende enfrentar um ano eleitoral marcado pelo efeito abrasador do escândalo do Master na política nacional. Acossados pelas investigações e pela dissolução das lealdaldes, os parlamentares rumam para um vale-tudo na cata ao eleitor.

O liberou geral é liderado pelo Centrão mas tem o apoio tanto do PL quanto do PT. Vide, por exemplo, a aprovação, na noite de terça, de uma reforma eleitoral. Além de um amplo Refis para os partidos, a reforma atropelou a Constituição ao jogar por terra o princípio da anualidade numa mudança nada cosmética que já valerá para a eleição de outubro, o disparo em massa de mensagens via robôs.

A cinco meses da eleição, surge um acinte na Câmara, por Carlos Alexandre de Souza

Correio Braziliense

No momento em que o país enfrenta situações como a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado, há personalidades no Congresso Nacional dispostas a afrouxar mecanismos de controle.

Câmara dos Deputados volta a protagonizar um espetáculo deprimente a menos de cinco meses das eleições. Em uma votação relâmpago, a casa legislativa aprovou um projeto de lei que pode ser considerado um tiro na Lei da Ficha Limpa e em outros dispositivos da legislação para moralizar o processo eleitoral. Em votação célere e discreta, os deputados aprovaram, na terça-feira, o Projeto de Lei 4.822/25, um compêndio de "liberou geral" para os candidatos.

A proposta reúne um conjunto de medidas feitas sob medida para os partidos se lançarem à corrida eleitoral com uma série de garantias. Autoriza, por exemplo, o disparo em massa de mensagens por aplicativo, problema sobre o qual a Justiça Eleitoral já havia estabalecido restrições. O projeto de lei determina, ainda, um teto de no máximo R$ 30 mil para possíveis multas a serem aplicadas a legendas em caso de reprovação na prestação de contas. Pela regra atual, o partido é obrigado a devolver 20% do valor identificado como irregular.

Baixo nível de inteligência política, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Senador Flávio Bolsonaro afunda por culpa própria, mas não é o único a errar

Inteligência política parece ser um bem escasso em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ela nada tem a ver com moral ou ética – em boa medida, serve para escapar disso –, mas, sim, com a identificação exata de riscos e oportunidades.

O senador ungido pelo chefe do clã como candidato da franquia Bolsonaro achou que podia tocar uma campanha sem ser importunado pelo fato de que pediu dinheiro para o banqueiro no centro do maior escândalo da atualidade. Escondeu isso até de seu chefe de campanha, talvez temendo que a candidatura acabasse ali mesmo.

Candidatura sob risco? TSE avalia, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

O escândalo do Banco Master migrou do Supremo Tribunal Federal (STF) para as campanhas eleitorais depois que o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) surgiu nas investigações. As trocas de mensagens com Daniel Vorcaro derrubaram as intenções de voto do filho de Jair Bolsonaro nas pesquisas de opinião e viraram uma arma poderosa para os outros concorrentes.

Nos bastidores, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que, politicamente, a candidatura de Flávio encontrou um entrave difícil de ser superado e pode se traduzir em derrota nas urnas. Juridicamente, porém, atestam que, hoje, não há empecilho para o registro oficial da candidatura.

Agenda do presidente para 1.º de janeiro de 2027, por Felipe Salto

O Estado de S. Paulo

O ajuste fiscal não tem preferência por PT ou PL, por Lula ou Flávio (ou quem venha a substituí-lo). Ele já marcou seu encontro com o próximo presidente da República

Os candidatos (relevantes) à Presidência da República não terão a coragem necessária para defender o rigor com as contas públicas. Ademais, não se quer um maluco com motosserra, vale dizer (aliás, escrevi neste espaço um artigo que envelheceu bem quando da eleição de Milei). Na lógica opaca predominante no meio político, falar em responsabilidade fiscal é coisa de economista, não de candidato. A ver.

Muito embora Mário Covas tenha ensinado, em 1998, que a probidade, a responsabilidade e o rigor com cada centavo de dinheiro público importam, as lideranças atuais, de parte a parte, preferem ver o diabo a assumir que terão de sacar a tesoura em 2027. Para lembrar: Covas foi reeleito e entregou o Estado de São Paulo saneado e com capacidade altíssima de investimento.

Fim do 6x1 e distorções à vista, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

Há mais de 2,4 mil ocupações laborais; não dá para regulamentar a jornada uma a uma

O professor José Pastore, um dos mais respeitados especialistas em Economia do Trabalho, vem advertindo que algumas das propostas do governo que preveem a extinção do regime de jornada 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso) “criam mais problemas do que soluções”. E isso, não só para a macroeconomia e para as empresas, mas também para o interesse dos próprios trabalhadores.

A regra de transição para o novo sistema, em análise no Congresso, que contraria a posição do governo que quer vigência imediata, já aponta para dificuldades. Mais encrencas devem ser produzidas pelo projeto de regulamentação, também defendido pelo governo, para entrar em vigor depois da reforma constitucional.

Os dois Brasis nas eleições, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Oposição crispada é um fenômeno limitado às elites e à opinião pública informada

No segundo turno, candidatos têm de enfatizar as diferenças que os separam

Até parece que são dois países vizinhos chamados Brasil. Em um deles —menos habitado— só se fala em eleições, especialmente as presidenciais. Jornalistas; acadêmicos e intelectuais em geral; lideranças políticas, no governo e na oposição; dirigentes empresariais e ativistas sociais; formadores de opinião; cidadãos interessados na vida pública, tutti quanti acompanham a cada semana o sobe e desce das pesquisas.

Gostando ou não, parecem acreditar que vivem em um país maior e inapelavelmente cindido entre partidários da centro-esquerda, dominada pela figura do presidente Lula, e os defensores da direita, reunidos em torno do herdeiro de Jair Bolsonaro.

No outro Brasil, vive o imenso contingente das pessoas comuns, para as quais as eleições de outubro ainda estão muito longe e não concorrem com as premências do dia a dia.

Flávio Bolsonaro tem uma ficção de programa para elite fingir que é liberal, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Candidato não tem ideias, história, conexões sociais ou políticas para sustentar planos

Filho de Jair diz que é inspirado pelo governo do pai e não se compromete com reformas

Cinismo é a primeira reação ao se ouvir que Bolsonaros tenham programa de governo. Eles têm planos, decerto, além daquela atração pelo dinheiro vivo e pela mumunha. No mais, querem o fim da esquerda, um ataque reacionário ao que se chama de "costumes" e reviver a ditadura. O sentido do bolsonarismo, a política e a sociedade que o levam adiante, é assunto mais complexo. Trata-se aqui de ações de governo ou no governo.

Naquele vídeo escabroso da reunião ministerial de abril de 2020, Jair Bolsonaro explicitou suas preocupações: livrar sua família da polícia, espionar, melar eleições ou impedi-las. Pouco depois, entregou a maior parte do comando do seu governo de trevas ao centrão direitão, o semipresidencialismo de avacalhação, de resto incentivando a degradação terminal das emendas.

É erro histórico aprovar Lobo para a CVM e rejeitar a PEC do BC, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Galípolo alertou sobre risco da falta de recursos para o regulador

Senador petista pede rejeição da PEC e proposta é dada como morta no Congresso

É um erro histórico para Lula e para o Senado aprovar o nome de Otto Lobo para a presidência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e rejeitar a PEC da autonomia financeira do BC (Banco Central). Os dois assuntos estão umbilicalmente vinculados ao escândalo do Banco Master.

Ex-diretor da CVM até o fim de 2025, Lobo deu decisões favoráveis a Vorcaro assim que assumiu a presidência interina do órgão fiscalizador do mercado de capitais com a saída de João Pedro Nascimento, o JP, dois anos antes do fim do mandato.

Curriculum Vitae, 01, por Conrado Hübner Mendes

Folha de S. Paulo

Ativista do direito de mentir, luta contra o direito universal de não acreditar

Chama de 'narrativa' o que lhe desabona; de 'fato' o que lhe favorece

Filho de pai preso. Segue carreira do pai e se elege por ser filho do pai. Obedece ideias do pai, copia métodos do pai. Tem os aliados do pai. Trilha o curriculum do pai. Em casa, o pai o chama pelo número de antiguidade 01. Amor filial supera o paterno.

Sua sagacidade não alcança a do pai, porém mais afiada que a dos irmãos. Nunca disse "ditadura devia ter matado mais", mas vê em 1964 "contrarrevolução democrática". Não gostaria de filho "entrando em casa e apresentando seu namorado". Definiu as medidas do governo do pai na pandemia, e o superávit de mortes evitáveis da ordem dos seis dígitos, como o que "se espera de um estadista".

Os primeiros a morrer, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem foram as primeiras vítimas da Covid, da tragédia de Brumadinho e da ditadura militar?

Se o Brasil tende a ignorar os vivos, por que não cria mais dias de memória por seus mortos?

Doze de março acaba de ser instituído como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 no Brasil. A data se refere à morte no dia 12 de março de 2020, em São Paulo, da diarista Rosa Aparecida Urbano, 57 anos, a primeira vítima registrada da pandemia no país. Não há um de nós sem a perda de um ente querido, próximo ou remoto, entre os 700 mil que se foram sob o negacionismo de Jair Bolsonaro. Talvez, ao lembrar Rosa, o país se recorde do que era ser governado por um irresponsável.

Poesia | Mauro Mota - Circuito da Poesia do Recife

Música | Zé Renato - Filosofia (Noel Rosa)

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão do STF agravou crise dos ‘penduricalhos’

Por O Globo

Categorias aproveitam brechas para criar novas regalias — a última delas é o quinquênio em dose dupla

Têm sido impressionantes as artimanhas usadas na tentativa de driblar as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para disciplinar o pagamento de verbas que ultrapassam o teto constitucional do serviço público, conhecidas como “penduricalhos”. Depois que o Supremo ressuscitou com sua decisão os aumentos automáticos a cada cinco anos para juízes e procuradores (até o limite de 35% do teto), os profissionais das duas categorias que mantinham direito a outra regalia semelhante extinta há duas décadas — o reajuste automático de 5% a cada cinco anos, conhecido como quinquênio — querem acumular as duas. Isso mesmo: querem dois aumentos automáticos a cada cinco anos, sem nenhuma relação com mérito ou desempenho, apenas por antiguidade.

Sob pressão, Flávio admite visita a Vorcaro após prisão


Por Luísa Marzullo, Letícia Pille e Lauriberto Pompeu / O Globo

Desconfiados das versões apresentadas pelo senador e com medo de novos fatos, ala do partido já defende a busca por opções ao Planalto

Pressionado pelo próprio partido a explicar sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, admitiu ontem mais um fato que havia sido omitido dos próprios aliados. Além de pedir dinheiro ao banqueiro para uma cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador confirmou que fez uma visita ao dono do Banco Master depois de ele ser preso, no fim do ano passado. À época, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar São Paulo. A nova revelação abalou as bancadas do partido no Congresso e consolidou o entendimento, para parte dos colegas, de que um acontecimento novo pode sepultar a candidatura do senador.

Até onde a elite vai com os Bolsonaro? Por Vera Magalhães

O Globo

Condescendência com acusações e instabilidades ligadas ao clã não se explica nem por dados econômicos e fiscais do governo de Jair

A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio Bolsonaro fica de pé diante das evidências quase diárias de uma relação constante com Daniel Vorcaro escancara um fenômeno conhecido, mas que se renova a despeito dos fatos: a enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político.

A eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, se deu a despeito da profusão de evidências de evolução patrimonial do patriarca e dos filhos incompatível com a atividade parlamentar de todos eles, do histórico antiliberal do “capitão” recém-associado a Paulo Guedes e de outras inconsistências.

Um Neymar de capa preta, por Bernardo Mello Franco

O Globo

"Nada ficou provado contra mim", diz João Caldas, barrado pela Lei da Ficha Limpa em 2022; ex-deputado compara novo pré-candidato a Neymar

Morreu por falta de votos a candidatura de Aldo Rebelo ao Planalto. Sem alcançar 1% nas pesquisas, o ex-comunista foi rifado pelo Democracia Cristã. O presidente da sigla, João Caldas, recorre ao futebol para explicar a decisão: “Seu time está perdendo e tem um perna de pau em campo. Você deixa ele lá ou chama o Neymar, que está no banco?”.

O Neymar do DC é Joaquim Barbosa, o ex-ministro do Supremo. A exemplo do atacante do Santos, seu maior trunfo é o passado. O auge da popularidade foi em 2012, no julgamento do mensalão.

Flávio Bolsonaro não para de mentir, PL finge que acredita e centrão faz cara de paisagem, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Direita diz que vai esperar um mês de pesquisas antes de pensar em alianças

Gente do PL diz que candidatura está no lucro, pois cresceu cedo e tem gordura

A candidatura de Flávio Bolsonaro está no "lucro", diz gente do PL, partido do senador fluminense. O que quer dizer? Que o pré-candidato teve um desempenho melhor do que o esperado no início da pré-campanha, que empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas "muito precocemente" e, por isso, "está muito bem-posicionado".

Perdeu sete pontos no cenário em que vai para o segundo turno contra Lula e caiu para segundo lugar, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça, mas isso seria efeito passageiro de "espuma de narrativa" e "volatilidade normal de campanha". Os partidos que seriam aliados de Flávio Bolsonaro compartilham da opinião do PL? "Muita água vai passar por baixo da ponte" diz um chefe do PL.

Insistência de Lula em Messias é ensaio com balão furado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

É improvável que senadores aceitassem mudar uma regra para dar vitória ao governo que acabaram de derrotar

O presidente se expõe a um enfrentamento que não tem capital político nem amparo jurídico para bancar

Chama-se balão de ensaio a ideia plantada no noticiário político de que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) cogita reapresentar ao Senado o nome de Jorge Messias para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal.

No caso, um balão com muitos furos. O maior deles esbarra na impossibilidade de os senadores examinarem duas vezes uma indicação na mesma legislatura. Ato normativo da Mesa da Casa, em tese poderia ser revogado mediante negociação entre as presidências da República e do Congresso.

Os salários e a eleição nos EUA, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Os americanos estão irritados com a alta dos preços, e isso afetou a popularidade de Donald Trump

A insatisfação dos americanos com a guerra no Irã e, em particular, com a alta no custo de vida levou a taxa de aprovação do presidente Donald Trump para o menor nível nos seus dois mandatos à frente da Casa Branca, deixando o Partido Republicano em sério risco de perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, previstas para novembro. E é muito provável que Trump acabe aprendendo a amarga lição de que, talvez, não tenha mais tempo até o pleito para reverter a perda no poder de compra dos eleitores.

Próteses, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Meu velho professor de Ciências Ocultas e Letras Apagadas, o dr. Roberval Flores, admitiu sua surdez quando, numa aula sobre malandragem e desfaçatez no Brasil, ouviu “titica”, mas a aluna dizia “política”. Depois de um teste no qual os sons se ocultavam para o mestre do oculto, o professor comprou uma caríssima prótese de ouvido. Agora, os sons antes ocultos brotam com a mesma nudez da corrupção sem polarização na elite política nacional.

Antigamente, o roubo era uma prótese de meliantes, devidamente ocultada. Hoje, foi-se o segredo dos conchavos entre compadres (hoje irmãos) seguros de que as dádivas trocadas entre eles jamais seriam gravadas e televisionadas. Hoje, porém, é possível ser generoso misturando a casa com a rua para receber as devoluções implícitas na velha lei da troca, desvendada por Marcel Mauss. Pois a regra do dar, receber e retribuir tem óbvios limites, sem os quais não há igualdade democrática. O problema é a força do favor que anula as exigências de imparcialidade. Aí está o centro da crise.

A origem do dinheiro do Zero Um, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Flávio justifica tudo como um negócio entre particulares, mas ele é senador e o eleitor não é ingênuo

Quando a Lava Jato descobriu um mar de dinheiro irrigando contas de partidos políticos, a saída da maioria dos que foram apanhados nas planilhas das empreiteiras foi dizer que tudo não passava de doações não contabilizadas para suas campanhas, o chamado caixa 2. Muitos assumiam o que pensavam ser um pecado menor, sem se dar conta de que a explicação para os pagamentos ilícitos não respondia à pergunta que qualquer eleitor honesto faria: afinal, qual a origem daquele dinheiro e por que um empresário se disporia a entregar tanto em troca de nada?

Flávio admite que foi à casa de Vorcaro após prisão; pesquisa aponta desgaste

Pedro Augusto Figueiredo, Gabriel de Sousa, Guilherme Caetano e Naomi Matsui / O Estado de S. Paulo

Senador disse que procurou dono do Master para pôr ‘ponto final’ em negociação; segundo a Atlas, intenções de voto caíram

Pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (RJ) admitiu ter ido à casa de Daniel Vorcaro no final de 2025, após a primeira prisão do dono do Banco Master. Depois que a informação foi divulgada, Flávio fez pronunciamento à imprensa. Ele alegou que foi à casa do banqueiro, em SP, para “pôr ponto final nessa história”, em referência à negociação para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador não respondeu a perguntas dos jornalistas. As revelações contradizem declarações anteriores de Flávio de que não conhecia e de que sua família não tinha “contato pessoal” com Vorcaro. O novo fato surgiu no dia em que pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou que a vinculação do senador com o caso Master após a divulgação de mensagens de texto e áudio com pedido de dinheiro a Vorcaro teve reflexo em suas intenções de voto. Num eventual segundo turno, a perda seria de 6 pontos porcentuais.

Joaquim Barbosa pré-candidato ontem e hoje, por Fernando Exman

Valor Econômico

Dado o histórico, o anúncio da pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo partido Democracia Cristã demanda cautela. Cautela do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), do eleitor e, também, do próprio DC.

Há uma sensação de “déjà vu”. Não é a primeira vez que o nome dele emerge a esta altura de um ano eleitoral. Tampouco é a primeira vez que Aldo Rebelo pode ficar pelo caminho em razão da movimentação política do ex-magistrado. Mais do que isso, pode-se identificar hoje novamente algumas das condições que levaram Barbosa a se aventurar na política, no PSB, em 2018.

Exibição do trailer de 'Dark Horse' mostra bolsonarismo descolado da realidade, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Divulgação de diálogos de Flávio com Vorcaro tem efeito tóxico para pré-campanha e deve afastar partidos do Centrão

A exibição do trailer do filme financiado por Daniel Vorcaro na reunião do PL que discutiu a crise da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (RJ) mostrou o descolamento da realidade em que a família do ex-presidente vive. “Dark Horse” hoje é um tema tóxico. Só o bolsonarismo não viu.

A divulgação da AtlasIntel com a boca do jacaré abrindo favoravelmente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva potencializou o efeito da revelação de um encontro de Flávio com um Vorcaro já portador de uma tornozeleira eletrônica.

Pesquisa quebra favoritismo de Flávio e mostra azarões na corrida presidencial, por César Felício

Valor Econômico

Não é mais certo que em um segundo turno o senador do PL agregue todos os votos do antipetismo

A pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, a primeira a medir o impacto do caso “Dark Horse” na campanha presidencial, mostrou que há um, talvez dois, candidatos a azarões na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na esteira da queda de 5,3 pontos percentuais de intenção de voto de Flávio Bolsonaro (PL), que caiu de 39,7% para 34,3%, cresceram Renan Santos (Missão), de 5,3% para 6,9%; e Romeu Zema (Novo) de 3,1% para 5,2%.

Cuba libre hasta siempre, por Rodrigo Craveiro

Correio Braziliense

O destino da ilha socialista não pode estar ligado a planos espúrios e gananciosos de um gigante à espreita, faminto para abocanhar tudo o que acha lhe ser de direito.

Mais de 10 milhões de cubanos são castigados todos os dias pela sanha imperialista dos Estados Unidos, pela tentativa de impor o capitalismo e a força bruta(l) do lucro para obter vantagens. É quase uma relação parasitária. Não bastasse o embargo às exportações de Havana e às transações financeiras, iniciado por Washington há 66 anos, agora Cuba amarga um bloqueio energético que mergulha a ilha caribenha nas trevas até 20 horas por dia e ameaça pulverizar a frágil economia.

Desprovido de qualquer senso de humanidade, o presidente Donald Trump parece não se importar em tornar a vida ainda mais penosa para a população cubana. Tudo para forçar um regime. Animado com a captura do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, o presidente republicano acredita que possa fazer algo parecido na ilha caribenha.

Poesia | A Alma do Vinho, de Charles Baudelaire

 

Música | Elizeth Cardoso & João Nogueira - Mulata Faceira

 

terça-feira, 19 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Finanças dos Correios têm de ser investigadas

Por O Globo

TCU viu indícios de irregularidade na operação de salvamento da estatal armada pelo governo

Com sucessivos prejuízos que somaram R$ 8,5 bilhões em 2025, os Correios dependiam de um empréstimo para fechar as contas. Mesmo com a garantia do Tesouro Nacional, a primeira tentativa de captação fracassou. Ante os riscos, os juros cobrados pelos bancos eram altos demais. Somente na segunda rodada, já em dezembro, foi fechado empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos. Agora, uma análise da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra indícios fortes de irregularidade. As suspeitas de avaliação incorreta da situação financeira da estatal e de sua capacidade de pagamento devem ser investigadas.

Lula surfa em desgaste de Flávio e pacote de bondades, por Andrea Jubé

Valor Econômico

PT aposta em desgaste de adversário e pacote de bondades para melhorar avaliação

O time da pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou o escândalo ligando o pré-candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, contando com o desgaste do principal adversário. Ao mesmo tempo, a equipe lulista também aposta na reação do mandatário nas pesquisas, com um pacote de bondades e entregas em várias áreas do governo, com a intensificação das agendas em São Paulo e no Nordeste.

Flávio procura bancadas e mercado para 'se explicar' e afastar rumores sobre candidatura

Por Joelmir Tavares e Beatriz Roscoe / Valor Econômico

Senador terá reuniões com colegas do PL no Congresso e com setor financeiro em SP para amenizar crise após mensagens com ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Em meio à crise pela revelação de sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro marcou conversas com as bancadas do PL no Congresso Nacional e com representantes do mercado financeiro em São Paulo. Os encontros têm como pano de fundo a tentativa de explicar o elo com o fundador do Banco Master, acalmar aliados e reafirmar a candidatura, afastando os rumores de desistência.

O senador deve se reunir com as bancadas de seu partido na Câmara e no Senado nesta terça-feira (19). O objetivo, segundo fontes do partido, é que o senador “se explique” sobre as ligações com o ex-banqueiro. A reunião também terá como intuito repassar a estratégia de discurso para combater os ataques governistas - que aproveitaram o episódio para amplificar a campanha nas redes sociais com o mote “BolsoMaster”, que busca atrelar o caso à família Bolsonaro.

AltasIntel: Flávio perde pontos e Lula amplia vantagem após diálogos do senador com Vorcaro

Por Lilian Venturini e Cristiane Agostine / Valor Econômico 

Pesquisa é a primeira depois da revelação do áudio em que pré-candidato pede dinheiro a ex-banqueiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-MG) e reassumiu a liderança no segundo turno, de acordo com pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19). É o primeiro levantamento realizado após a revelação de diálogos entre o pré-candidato PL e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Master. A rejeição a Flávio também aumentou.

Na pesquisa de abril, Flávio estava à frente de Lula por 47,8% das intenções de voto ante 47,5%. Agora, o petista aparece com 48,9% contra 41,8% do senador, uma queda de seis pontos percentuais em pouco menos de um mês. Os indecisos e que declaram intenção de anular ou votar em branco aumentaram de 4,7% para 9,3%.

A capa que o eleitor quer colocar em Joaquim, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Pesquisas qualitativas indicam que eleitores querem ver Joaquim Barbosa com a capa de “herói antissistema”

No dia 8 de maio, o publicitário Adriano Gehres e o presidente do Democracia Cristã, o ex-deputado João Caldas (AL), levaram a Joaquim Barbosa o resultado de pesquisas qualitativas feitas em 11 capitais. Apresentados a vídeos com a trajetória do ex-ministro e submetidos a uma saraivada de perguntas, os participantes, egressos das classes C e B e de variados matizes ideológicos, lhe estenderam tapete vermelho. “Ele apareceu como o homem com coragem para enfrentar o sistema”, diz Gehres. Foi nesse momento que ambos ouviram, pela primeira vez, de Joaquim Barbosa, um aceite condicionado a estrutura de campanha.