Folha de S. Paulo
Legitimação que cada um dá a si próprio para
essa atitude política é superficial
É, também, suficientemente rasa para que o
regime não se instaure ou não perdure
A personalidade
autoritária é um tema que há muito me interessa como problema de
teoria política relacionada com a psiquiatria e a psicanálise. Até hoje, porém,
não encontrei sobre o tema um texto que me satisfizesse, que abrisse novas
perspectivas sobre a questão.
Confesso que fiquei decepcionado quando li o
livro de Theodore
Adorno (1950) "Estudos sobre a Personalidade Autoritária".
Esperava uma análise psicológica e político-filosófica e o que encontrei foi
antes uma análise político-jurídica sobre o fascismo, dado que se baseou em uma
pesquisa na qual Adorno contou com cientistas políticos e juristas americanos
da Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA).
A personalidade autoritária é uma questão que deveria ser estudada pela psicologia e suas diversas ramificações como a psicanálise e a medicina psiquiátrica. Estou convencido de que ela é um dos impulsos psíquicos mais profundos do ser humano –o impulso para o poder. Todos os homens e mulheres são atraídos pelo poder, pela capacidade de impor sua vontade aos demais.



















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