sexta-feira, 7 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Resultado do Ideb revela progresso desigual no ensino

Por O Globo

País deve aprender com desempenho dos estados mais bem colocados, como Ceará, Paraná e Goiás

Anunciado nesta semana, o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade do ensino brasileiro, revela avanços na comparação com a última medição em 2023. Apesar de o dado geral ser positivo, porém, o progresso é desigual e insuficiente diante da urgência do país em área tão fundamental para a economia e o desenvolvimento.

Nos anos iniciais de ensino (1º ao 5º), a média nacional da rede pública subiu de 5,7 para 6,1; nos anos finais (6º ao 9º), foi de 4,7 para 5; no ensino médio, de 4,1 para 4,3. O índice tem dois componentes: taxa de aprovação e resultados em testes de língua portuguesa e matemática (conhecidos pela sigla Saeb). Analisando somente o desempenho nas duas áreas do conhecimento, também houve evolução.

Poderes precisam de novo pacto, por Fernando Luiz Abrucio

Valor Econômico

Precisamos sair do varejo ininterrupto que tomou conta da política nos últimos anos, com decisões que fortaleceram a oligarquização do poder em todos os seus fronts institucionais

O início da corrida presidencial está mais para um jogo de acusações do que uma disputa por projetos. É verdade que há necessidade de se debater e investigar todas as denúncias contra os candidatos e seus aliados, do mesmo modo que é provável que com o decorrer da eleição apareçam as ideias e as diferenciações entre os presidenciáveis. Porém, a realidade nua e crua do dia seguinte do voto não é a prioridade no discurso dos concorrentes. O problema é que o ano de 2027 vai exigir muitas medidas para evitar uma crise política e econômica. E isso só será possível com um novo pacto entre os Poderes.

Reclama-se muito, eleição após eleição, que os candidatos não apresentam um plano de governo baseado num conjunto estruturado e crível de políticas públicas. Sem dúvida isso é fundamental e precisa ser cobrado dos atuais presidenciáveis. Mas o cenário de 2027 exige algo mais: uma estratégia de governabilidade que reconstrua as relações entre os Poderes, que ao final do governo Lula III estão em frangalhos.

Não que o atual mandato tenha iniciado esse problema. Na verdade, ele é um ponto mais alto de um processo crescente iniciado no final do primeiro governo Dilma. Trata-se de um fenômeno de deterioração de muitas das bases do presidencialismo de coalizão que vigorou de forma mais estável entre o período FHC e o segundo período do presidente Lula, quando os conflitos, naturais num sistema de divisão de Poderes, não geravam grandes anomalias decisórias e de alocação de recursos públicos, nem o sentimento de revanche entre os Poderes.

A milonga eleitoral, por José de Souza Martins

Valor Econômico

O presidente da Argentina, Javier Milei, não falou em nome próprio, mas como protagonista de empréstimo do ex-presidente e chefe do clã que está preso 

Uma visita insólita aos palcos da política brasileira ocorreu há poucos dias. Foi quando da convenção do PL que oficializou a candidatura de um filho de Jair Messias à confirmação da família na Presidência da República.

Família, na lei brasileira, republicana e não monárquica, não é sujeito de direito eleitoral. Tecnicamente, político não é nem tem família. Só na vida privada. No entanto, mesmo quem do “clã” está condenado e na prisão comporta-se aqui como se não estivesse. Manda por trás das grades.

A visita insólita foi a do presidente da Argentina, que tirou uma folga para uma visita não oficial, uma escapada para socorrer um colega brasileiro de ideologia política, em crise de sobrevivência eleitoral.

O evento da convenção mencionada foi feito para legalizar fora da lei o protagonismo eleitoral do que vem sendo identificado pela mídia como “clã Bolsonaro”. Uma prática de despistamento exposta pelo ministro do Meio Ambiente, na reunião do governo Bolsonaro de 22 de abril de 2020. Aproveitar a distração da mídia com a pandemia para fazer “passar a boiada” de mudanças nas leis de proteção ambiental com base nas regras e textos normativos infralegais. Um Brasil infralegalmente paralelo é o Brasil da direita, e é nele que vivemos.

A herdeira, o banqueiro e a PF no caminho da eleição, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Roberta Luchsinger retornou, recentemente, ao centro dos holofotes para dividir a cena, mais uma vez, com os mesmos personagens

Atribui-se a Friedrich Hegel a afirmação de que fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem duas vezes. A primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

A história contemporânea brasileira se encaixa na máxima de Hegel, formulada no século 19. A personagem Roberta Luchsinger retornou, recentemente, ao centro dos holofotes para dividir a cena, mais uma vez, com a Polícia Federal (PF), banqueiros e políticos do alto escalão.

Ela ressurgiu em novo papel, porém, em trama com ar de reprise envolvendo policiais, políticos e banqueiros encurralados. Com a empresária em papel principal ou lateral, transitamos entre a Satiagraha e a Compliance Zero, o Opportunity e o Master, entre os dois “Daniel” - Dantas e Vorcaro -, o ex-prefeito de São Paulo, e o filho e o assessor do presidente da República.

Autossuficiência dos 'superpartidos' deturpa relação entre Poderes, por Vera Magalhães

O Globo

Verbas de emendas e de fundos turbinam legendas, que não precisam mais de alianças para prosperar, e evitam se comprometer com candidatos a presidente

A autossuficiência da maioria dos partidos — demonstrada até pelo indisfarçado desinteresse de siglas robustas e tradicionais na campanha presidencial — é a prova até aqui mais eloquente de que o mecanismo irrigado por emendas a rodo e fundos partidário e eleitoral bilionários empoderou as legendas de forma inédita na História do Brasil, com consequências que já começam a aparecer, mas que podem ter extensão muito maior.

Os partidos, que já têm dado de ombros ao Executivo pelo menos desde o governo Jair Bolsonaro, agora também esnobam os principais candidatos a presidente. Dizem na cara dos favoritos saber que mandarão e estarão no governo quem quer que vença, que as emendas praticamente asseguram previsibilidade sobre o tamanho que terão no Parlamento depois de outubro e que, portanto, é mais jogo cuidarem da própria vida, e os candidatos que lutem na lama da polarização encarniçada para ver quem leva a melhor.

Renan Santos, o candidato tigrinho, é a versão 2026 de Pablo Marçal, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Sem TV, presidenciável aposta em insultos e propostas mirabolantes para viralizar nas redes

A eleição presidencial deu palco a um novo aspirante a outsider. É Renan Santos, chefe da tropa do MBL. Sem tempo de TV, o candidato do Missão aposta em vídeos provocativos e propostas mirabolantes para chamar a atenção nas redes. É a versão 2026 do coach Pablo Marçal.

Renan defende uma típica plataforma de extrema direita. Prega a extinção de benefícios sociais, o fim de políticas para minorias e o sinal verde para a matança policial.

Cientistas deveriam ter feito esforço de persuasão na pandemia, por Pablo Ortellado

O Globo

A descrença populista não será vencida exigindo confiança cega — precisaremos conquistá-la com respeito democrático

Na semana passada, o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos Anthony Fauci foi chamado ao Senado americano para depor sobre as políticas que implementou durante a pandemia de Covid-19. Senadores de direita o acusaram de ter escondido do público informações sobre a doença, de ter financiado o laboratório onde afirmam que o vírus foi criado e de ter imposto, sem necessidade, lockdowns e fechamento de escolas. Por orientação de seus advogados, Fauci invocou a Quinta Emenda e, repetindo sempre a mesma frase, recusou-se a responder a mais de cem perguntas.

E ainda é agosto..., por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio recuperou fôlego e Lula não é imbatível, mas muita água (suja) ainda vai rolar

Quando o governo Trump anunciou a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, um sagaz diplomata ironizou, ou efetivamente previu: “E ainda estamos em agosto...” Sim, as várias tensões só vão piorar até outubro, e não só na política externa, mas, principalmente, nas campanhas e nas eleições.

A conclusão da pesquisa Quaest desta semana é clara: Flávio Bolsonaro recuperou fôlego e Lula não é imbatível. Apesar do favoritismo do presidente, as margens são apertadas, se movem de acordo com fatos, novidades e versões. Logo, muita água (suja) vai rolar.

EUA ameaçam escalar crise com o Brasil, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Governo americano quer que Brasil conceda anuência para receber Daniel Perez

Empresários brasileiros acreditam que a crise entre Brasil e Estados Unidos ainda não chegou ao ápice e estão preocupados. Fontes do setor privado contaram à coluna que receberam um alerta de funcionários do Departamento de Estado do governo americano. Em conversas reservadas, diplomatas americanos confidenciaram aos empresários que a ordem é escalar se o Brasil não conceder em breve a anuência para receber Daniel Perez, que foi indicado por Donald Trump para ocupar a embaixada em Brasília.

Nesta semana, o governo americano revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. Ela não foi expulsa, mas perdeu o direito de entrar e sair do país. A justificativa americana é que o Brasil estaria segurando o “agrément” (termo em francês para o aval para a entrada de um embaixador) de Perez.

STJ mostra que é capaz de purgar seus males e punir os próprios pares, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Dos ministros presentes ao julgamento, 24 votaram pela disponibilidade e pela perda do cargo de Buzzi. Somente quatro defenderam a aposentadoria compulsória

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de aplicar ao ministro Marco Buzzi a pena de disponibilidade, com encaminhamento para a perda definitiva do cargo, representa uma mudança de paradigma no combate ao corporativismo no Poder Judiciário. Ao punir um de seus próprios integrantes, por unanimidade quanto à existência de infrações disciplinares e por ampla maioria quanto à sanção, a Corte demonstrou disposição de purgar seus próprios males. As garantias da magistratura não podem ser confundidas com imunidade ética ou licença para abusos.

A conversa fiada que candidatos contam à elite privilegiada por informação exclusiva, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Emissários dos presidenciáveis falam mais com ricos do que com o eleitorado, e falam mal

PT e PL apresentam ideias vagas ou tortas, mas Lula 4 tem pouco crédito de reformista

Os candidatos principais à Presidência da República mandam seus economistas contarem seus "planos para a economia" a gente da elite econômica, em especial da finança. Faz semanas é assim, vai ser assim nas próximas, antes e depois da eleição.

Ainda assim, a elite agraciada com o privilégio nada republicano dessas visitas de esclarecimento não se diz esclarecida nem sobre os assuntos mais rudimentares dos "planos para a economia", que são o tamanho do gasto federal, dívida pública e taxas de juros.

"Planos para a economia" vai entre aspas porque nessas conversas se trata mal e vagamente de problemas fiscais, apenas parte dos nossos problemas econômicos extensos e variados (ciência, pesquisa, infraestrutura, crédito subsidiado, agências reguladoras, plano para energia, eficiência administrativa do Estado, modos de incentivar fronteira produtiva nova etc.).

Manipulando o sistema, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Ideb do ensino médio registrou avanço, mas não necessariamente porque alunos aprenderam mais

Toda tentativa de mensuração já traz os elementos que levarão à sua própria perversão

Nós só conhecemos aquilo que conseguimos medir e toda medida carrega as sementes de sua própria perversão. Os recém-divulgados dados do Ideb, o sistema nacional de avaliação da educação básica, ilustram bem esse dilema.

Numa primeira leitura, o Brasil avançou. A nota do ensino médio público passou de 4,1 em 2023 para 4,3 em 2025 —melhor marca desde que o indicador foi criado. Mas é cedo para soltar rojões. Numa leitura mais atenta, percebe-se que foi puxada pela elevação da taxa de aprovação, não porque os alunos aprenderam mais, como um observador ingênuo poderia esperar.

Mercado de influências bate à porta do Palácio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Alguém que tenha a chave da agenda e do acesso ao presidente não pode fazer transações duvidosas

Muito menos possui autorização para explicar seus atos como de natureza 'estritamente privada'

Uma pessoa que tem a chave da agenda e do acesso ao gabinete do presidente da República não pode ter transações financeiras que requeiram explicação. Em circunstância alguma estaria autorizada a explicar seus atos como de natureza "estritamente privada".

Tal recurso fica com jeito de tentativa de blindagem a fim de evitar os indispensáveis detalhamentos.

'Bellini, levanta a taça!' Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Quem gritou isso para o capitão do Brasil na Suécia em 1958 e, daí, nasceu um gesto universal?

Foi Luiz Carlos Barreto, do Cruzeiro, ou Jader Neves, da Manchete? Ou ambos e os outros?

Trilado o apito final de Brasil 5 x 2 Suécia, decisão da Copa do Mundo de 1958, Brasil campeão pela primeira vez, Bellini, capitão do time, subiu a um palanque para receber o caneco. Gustavo Adolfo, rei da Suécia, entregou-lhe o troféu e afastou-se educadamente para que Bellini o mostrasse ao mundo. Bellini levou a taça à altura do peito e sorriu para as dezenas de fotógrafos lá embaixo. De repente, ouviu-se o grito: "Bellini, levanta a taça! Não dá pra ver!". Vinha dos fotógrafos brasileiros, os únicos que podiam ser entendidos pelo capitão. Bellini levantou a taça acima da cabeça. As câmeras dispararam e, até hoje, todas as taças de todos os esportes são levantadas acima da cabeça.

Poesia | Um chamado João, de Carlos Drummond de Andrade, em homenagem a Guimarães Rosa

 

Música | Roberta Sá - Água Doce

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Suspeitas justificam investigar filho e ex-assessor de Lula

Por O Globo

Acusações contra Lulinha e ex-chefe de gabinete de presidente não podem ser atribuídas a motivação eleitoral

É preciso esclarecer a fundo as suspeitas de tráfico de influência e corrupção que rondam o Palácio do Planalto. Elas envolvem personagens como o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que deixou o governo para atuar na coordenação da campanha à reeleição de Lula, depois se viu constrangido a deixar a própria campanha diante das denúncias.

O ajuste fiscal e a pergunta que o Brasil precisa fazer, por Giovanni Bevilaqua*

Correio Braziliense

Quando as decisões sobre as prioridades do orçamento passam a dar mais peso às expectativas de quem empresta dinheiro ao governo do que as necessidades de quem depende da aposentadoria, da saúde e dos outros serviços públicos, a democracia perde seu equilíbrio

Toda vez que o tema volta à mesa, a receita já vem pronta. Desindexar o salário mínimo do crescimento do PIB. Afrouxar os pisos constitucionais de saúde e educação. A justificativa é sempre a mesma: não há alternativa, o país precisa escolher entre o ajuste e o abismo. Há, de fato, um problema real. As despesas obrigatórias crescem mais rápido que a receita, e a trajetória da dívida pública preocupa quem acompanha o tema com seriedade.

O que incomoda não é o diagnóstico. É a certeza com que se encerra o debate antes mesmo de ele começar, como se existisse apenas um caminho possível e ele passasse, inevitavelmente, pelo bolso de quem tem menos margem para reclamar. Setenta por cento dos benefícios do INSS seguem o salário mínimo. O SUS depende de seu piso constitucional para manter o atendimento onde ele é mais necessário. Quando a sustentabilidade fiscal escolhe justamente esses dois alvos como prioridade, cabe perguntar: por que o ajuste começa sempre por quem mais depende do Estado? E, afinal, quem deve pagar essa conta?

Com tarifaço e interferência nas nossas eleições, Trump pode dar um tiro pela culatra, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Conflito fortalece a narrativa de que existe uma frente internacional empenhada em derrotar o governo brasileiro, mas alimenta críticas da oposição à diplomacia de Lula

“O Brasil não é para principiantes”, atribuída ao compositor e maestro Tom Jobim, a frase serve como uma luva para Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano e principal arquiteto da mudança de orientação dos Estados Unidos para a América Latina. A política de pressão concebida em Washington que pretende enfraquecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser um tiro pela culatra.

Até agora, deu a Lula a oportunidade de transformar a crise diplomática numa disputa em defesa da soberania nacional. O tarifaço contra produtos brasileiros, os contatos de integrantes do governo Trump com aliados de Flávio Bolsonaro, a tentativa de enviar funcionários do Departamento de Estado para discutir a integridade das urnas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti são iniciativas consideradas ingerências nas eleições deste ano pelo Palácio do Planalto. Washington condiciona a restauração do visto de Viotti à aprovação de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos.

O efeito bumerangue da escolha de Gaspar, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Escolha de vice mostra Flávio Bolsonaro de costas para as mulheres e agarrado na pauta da corrupção que também pode ricochetear em sua candidatura

“Na maior parte das vezes, quem tem que tomar conta dos idosos são justamente as mulheres. Eu fiz duas filhas exatamente para isso, quando eu ficar velhinho quem vai tomar conta de mim são elas”.

O candidato do PL à Presidência fez este preâmbulo ao anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice. A visão tacanha sobre o papel da mulher é uma das explicações sobre o risco tomado por Flávio Bolsonaro com a escolha.

No último dia da CPMI do INSS, depois de o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) irromper a sessão acusando-o de estuprador, Gaspar, que foi o relator da comissão, negou a acusação. Atribuiu o protagonismo a um primo e fez exame de DNA que, disse, não comprovaria a paternidade da criança. Em vídeo, a filha em questão confirmou sua versão.

Como o crime de “estupro de vulnerável” pressupõe apenas a existência de uma relação sexual com um menor de 14 anos, o deputado e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) protocolaram uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal que é relatada pelo ministro Gilmar Mendes, em segredo de justiça.

Insana corrida para salvar o BRB, por Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

Na ponta do lápis, as contas não fecham, a menos que escolas, postos de saúde e outros serviços prestados à população do DF deixem de funcionar

Há muito tempo não se via uma movimentação política tão intensa para salvar um banco quebrado. Desde que assumiu carteiras de créditos podres em negociação suspeita com o banco Master, o Banco de Brasília (BRB) se arrasta aos trancos e barrancos, com problemas de liquidez e de patrimônio. Como não há publicação de balanço (o último data do segundo trimestre de 2025) não se sabe ao certo o tamanho do buraco. Sabe-se, sim, que é expressivo, qualquer que seja a indicação de prejuízo que se queira considerar.

Em nome do pai, por Merval Pereira

O Globo

O tempo é curto para uma virada de posições tão radical quanto a necessária para retirar Flávio do segundo turno

Os números se movem nas pesquisas eleitorais para presidente da República. Os dois candidatos mais bem cotados se aproximam e se distanciam à medida que as notícias vão se desenrolando, mas o que trava a corrida de cada um são os escândalos de corrupção envolvendo os dois. O que muda menos é o índice de rejeição de cada, e partimos para uma disputa entre quem é menos corrupto que o outro.

“Em nome do pai” é o slogan da campanha de Flávio Bolsonaro, uma admissão de que está concorrendo por ser filho de Jair. A escolha do relator da CPI do INSS para vice na chapa de Flávio revela que o tema será objeto direto da campanha da oposição, e o relatório da comissão, que não foi aprovado por trabalho do governo e pedia até mesmo o indiciamento de Lulinha, filho do presidente, deve ser ressuscitado como se fosse a verdade encoberta pelo poder do pai.

Flávio conta com mãozinha do PT, por Julia Duailibi

O Globo

Nesta semana, os mais lúcidos aliados de Lula lamentavam a entrega de munição ao adversário

O PT prestou um serviço para Flávio Bolsonaro. O candidato do PL estava em baixa, sem conseguir nenhuma aliança e passando o chapéu pelo Centrão em busca de um vice. Até que o Q.G. de Lula colocou a bola no pé do adversário. À moda Vorcaro, uma lobista do INSS conseguiu chegar com seus tentáculos à antessala do gabinete presidencial — isso depois de já ter alcançado a família do presidente. Flávio, tóxico para os mais versados na arte da política depois do caso “Dark Horse”, viu que daquele limão dava para fazer uma limonada.

Mesmo com interferência estrangeira, disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro cheira a mofo, por Malu Gaspar

O Globo

Pode-se dizer que a corrida presidencial começou para valer com a oficialização dos candidatos e suas chapas e com a definição do quinhão de tempo de TV e rádio de cada um. Como sempre, os discursos nas convenções, as escolhas de vices e a formação (ou não) de coligações movimentaram o noticiário. Olhando bem, porém, à exceção das tentativas de Argentina e Estados Unidos de se enfronhar no processo eleitoral, que ainda podem ter consequências, todo o resto cheira a mofo.

O tumulto na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), inaugurado com as revelações do caso “Dark Horse” e agravado pela briga pública com Michelle Bolsonaro, teve uma trégua com a escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice. Os números da pesquisa Genial/Quaest divulgados ontem mostram que a relativa calmaria na campanha ajudou o candidato do PL a recuperar um pouco do terreno perdido para Lula.

Tensão nos casos Master e INSS, por Míriam Leitão

O Globo

A maneira como estão sendo conduzidos os vários inquéritos nas mãos de André Mendonça provoca uma distorção institucional

A tensão entre o relator dos processos do INSS e do Caso Master, ministro André Mendonça, e a Polícia Federal é maior do que a que houve entre a PF e o ministro Dias Toffoli. O ministro Mendonça está exigindo despachar diretamente com os delegados e agentes, sem passar pela direção da Polícia e, pior, requereu todo o material bruto e indexado. E esse indexado não é um detalhe. É o que permite fazer busca específica. Basta colocar um nome que será possível encontrar todas as citações àquela pessoa. É possível direcionar a investigação.

O motim das máquinas, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Não está descartada a possibilidade de hora dessas, passarmos por uma hecatombe pavorosa, um Chernobyl digital

Há coisa de duas semanas, circulou a notícia de que dois modelos de inteligência artificial, desenvolvidos pela OpenAI, saíram de controle e invadiram arquivos de uma empresa concorrente. Como o desvio foi rapidamente identificado e não sucedeu nada de mais sério, ninguém parece ter ficado muito preocupado. O fato foi recebido como “parte da rotina”, num cenário de improvisos que lembra o velho samba de Billy Blanco, Piston de Gafieira. Quase deu para ouvir, na gafieira digital, o pistão que “tira a surdina e põe as coisas no lugar”. Nas big techs animadas, os mandachuvas (outra palavra do vocabulário de antigamente) deram de ombros e tocaram adiante.

A marcha dos encrencados, por William Waack

O Estado de S. Paulo

As próximas eleições provocam angústia não só em políticos. Mas também entre integrantes do STF, que enxergam na permanência do atual governo sua melhor chance de sobrevivência. São os encrencados em escândalos, que temem perder a condição atual de intocáveis. Eles manobram em dois eixos de atuação que, no fundo, são uma coisa só. Operam sob um sentido de urgência.

O primeiro é exercer o que puderem de controle sobre as investigações da Polícia Federal. Isso se dá por laços pessoais, mas também institucionais, como se viu recentemente na tentativa do diretor-geral da PF de acionar a AGU contra um dos ministros do Supremo, André Mendonça, o principal alvo dos encrencados.

Fachin e a guerra do código, de ética, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministro tem chance de vencer no CNJ, mas deve comprar briga no STF e com juízes de todo o País

Edson Fachin começou pela batalha menos difícil para tentar vencer a guerra do código de ética. Na terça-feira, apresentou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) propostas para reduzir conflitos de interesse na magistratura. Deixou para depois o desafio maior: propor ao Supremo Tribunal Federal (STF) outro documento, para orientar a conduta dos ministros.

Fachin deve sair vitorioso da batalha no CNJ, especialmente porque integrantes do órgão consideraram respeitosa a forma como o presidente agiu. Ele deu prazo de dois meses para os conselheiros sugerirem mudanças antes de votar o texto.

O risco de uma eleição decidida na delegacia, no medo e na raiva, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Escândalos definem diferenças de votos; falta novidade política e até mentiras são velhas

Cresce fosso entre partidos e elites programáticas, reformistas ou forças sociais inovadoras

A eleição presidencial de 2026 será decidida na delegacia, influenciada por rolos policiais e judiciais que afetam em maior ou menor grau as candidaturas principais?

Até aqui, o grosso das preferências está definido pela aversão a Bolsonaros ou a Luiz Inácio Lula da Silva. No grupo menor de eleitores oscilantes, o escândalo da vez parece levar uns três pontos percentuais de votos para lá ou para cá. A eleição vai ser isso, o balanço da aversão dos eleitores "nem-nem" (bolsonarista ou lulista) a imundícies ou à propaganda mais ou menos falsa da imundície adversária?

Quase sempre sabemos do sentido da eleição depois de encerradas as apurações, o clichê do "recado das urnas". Isto é, sabemos de algo novo da opinião pública por meio dos tamanhos das votações. Parece obviedade, mas não prestamos atenção a essa afirmação acaciana enquanto tentamos prognosticar o que vai sair das urnas.

Flávio joga parado na economia e não é cobrado, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Presidenciável do PL tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente e pelo baixo nível de cobrança de diversos atores

A conta de suas promessas não fecha; não precisa ser economista para chegar a essa conclusão

O presidenciável Flávio Bolsonaro joga parado nas promessas que faz para a economia durante a campanha eleitoral.

Ele tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente, diferentemente do presidente Lula, e pelo baixo nível de cobrança dos analistas do mercado financeiro, dos eleitores e também da mídia que acompanha seu périplo diário na disputa pelo Palácio do Planalto.

Instado a falar sobre medidas econômicas que adotará caso ganhe as eleições, o candidato do PL fala de "tesouraço" nas despesas do Orçamento, gatilhos para contenção de gastos, redução de ministérios, corte de cargos comissionados e mudanças na reforma tributária.

Tarcísio passa recibo e piora a imagem das privatizações, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Governador acusou greve de política, mas é o que faz com as concessões apressadas

Caso dos trens foi atestado de políticas mal planejadas, que também atingem parques

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acusou a greve de ferroviários em seu estado, já encerrada, de política. Greves são políticas em sentido amplo e essa característica pode se acentuar em períodos eleitorais. Na disputa, acusações sempre aparecem.

O fato é que o movimento teve uma dimensão trabalhista. Por outro lado, não há dúvida de que certas concessões e privatizações em curso em São Paulo se enquadram bem no rótulo de políticas —ainda que mal feitas.

No afã de cunhar uma marca eleitoral e ganhar pontos com o empresariado e a opinião pública antipetista, Tarcísio —recente anfitrião do presidente da Argentina, o libertário Javier Milei— vem contribuindo para o questionamento do dogma liberal que afirma ser sempre preferível privatizar, pois aquilo que a iniciativa privada for capaz de fazer, fará melhor do que o setor público.

O admirável mundo novo de Mr. Musk, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Quando o presente é o assunto, o visionário vira fascista

A conversa fica tensa e a amabilidade dá lugar à crítica agressiva à imprensa profissional

Durante 1 hora e 24 minutos, o homem mais rico do planeta expôs à editora-chefe da revista The Economist suas ideias sobre o futuro e o presente. Criador do sistema de pagamentos eletrônico Paypal, Elon Musk é proprietário da Tesla, que fabrica carros elétricos; do aplicativo de mensagens X (antigo Twitter) —além de fundador da empresa SpaceX, que pretende revolucionar a tecnologia espacial para fazer dos seres humanos uma espécie interplanetária, capaz de colonizar Marte.

Durante os primeiros sete meses desta segunda administração Trump, Musk chefiou o Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês) —o qual, a pretexto de reduzir desperdícios, fechou agências estatais, cortou recursos e destruiu muitos órgãos federais importantes. A entrevista pode ser vista em The Insider, publicação digital exclusiva para os assinantes do semanário britânico.

EUA ignoram vias legais e escolhem o método do caos, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Ao revogar visto de embaixadora brasileira, os EUA decidem reverter a ordem prevista na lei internacional

Governo Trump usa alavanca para que a direita ganhe as próximas eleições no Brasil

A única explicação plausível para que o governo Trump tenha decidido revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington é a aposta no caos como alavanca para que a direita ganhe as próximas eleições no Brasil e, assim, a onda neotrumpista latina possa inundar o Planalto Central. Este, ao menos, é o sonho de Marco Rubio, secretário de Estado americano.

Poesia | Mensagem à Poesia, de Vinicius de Moraes

 

Música | Beth Carvalho - Vai Passar, de Francis Hime e Chico Buarque

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regras de conduta para Judiciário são bem-vindas

Por O Globo

Fachin faz bem em combater conflitos de interesse nas instâncias inferiores. Deveria levar iniciativa ao Supremo

É oportuna a proposta do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de criar uma política de prevenção e gestão de conflitos de interesses no Judiciário. As regras estabelecidas pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional na década de 1970 e as posteriores, como as determinadas pelo Código de Ética da Magistratura de 2008, já demonstraram ser insuficientes. A imparcialidade dos juízes tem sido manchada com frequência por relações impróprias e conflitos de interesses.

O texto de Fachin prevê diretrizes para identificar potenciais problemas antes que surjam. Disciplina a participação dos magistrados em eventos patrocinados, o recebimento de presentes e o relacionamento profissional de seus familiares com grandes litigantes. Por não estar subordinado ao CNJ, o STF está infelizmente fora do escopo da iniciativa. Por isso mesmo, a formulação do Código de Ética prometido por Fachin para integrantes do Supremo deveria correr em paralelo, sem atrasos.

Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de 2º turno, mas perde pontos de vantagem sobre Flávio, por Júlia Cople

O Globo

Candidato à reeleição possui 44% das intenções de voto em disputa contra o senador, que marca 39%; na sondagem anterior, petista aparecia com 45%, contra 37% do filho do ex-presidente

Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida ao Planalto, o petista aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

É a oitava pesquisa do instituto no ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa depois das convenções que escolheram os candidatos a presidente, do novo tarifaço de Donald Trump, da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar novas investigações contra Lulinha, filho de Lula.

Pesquisa mostra que a direita começa a se reorganizar e entregas do governo perdem força, por Míriam Leitão

O Globo

A direita começa a se reorganizar, e as entregas do governo Lula deixaram de produzir o mesmo ganho. Esse é o resumo da pesquisa Genial/Quaest que acaba de ser divulgada, na qual a diferença entre os candidatos Lula e Flávio Bolsonaro caiu três pontos percentuais. Um dos indicadores que mostram essa reorganização da direita é que perguntados se as pazes públicas entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro foi positivo ou negativo, 88% da direita não bolsonarista considera positivo e 90% da direita bolsonarista.

Fantasma da corrupção abala fase de calmaria de Lula, por Vera Magalhães

O Globo

Depois de negligenciar denúncias de desvios no INSS, presidente vê desdobramentos das investigações atingirem filho e assessor mais próximo

A proximidade do início para valer da campanha eleitoral interrompeu a calmaria que vinha reinando no quartel-general de Lula. O fantasma da corrupção, que já havia reaparecido com o caso Master, ganhou contornos mais assustadores com a entrada do assessor mais próximo ao presidente nas investigações.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, que nunca viu problema em ser conhecido nacionalmente pela alcunha de Marcola, recebeu dinheiro de uma lobista que vem a ser amiga próxima de Lulinha, o filho do presidente conhecido de outros carnavais e casos rumorosos. A explicação dada por ele diante da eclosão do assunto — de que Lula e seu entorno já tinham conhecimento há alguns meses — é um clássico em casos do tipo: ele afirmou ter contraído um empréstimo junto a Roberta Luchsinger, a amiga de Lulinha, e pagado depois, tudo sem contrato.

Presidente desperdiça a campanha, por Elio Gaspari

O Globo

Lula ‘porreta’ atrapalha o candidato

No ocaso de um governo sem marca, Lula falou demais (62 minutos numa reunião do PT) e disse pouco. Anunciou cinco compromissos: “resolver definitivamente o papel da educação”; criar um programa para idosos; fortalecer a indústria militar; manter a riqueza das terras-raras “para os brasileiros”; programas para a transição energética.

É muito mais do que Flávio Bolsonaro defende, mas é fala de palanque. Dos cinco compromissos, um — “resolver definitivamente o papel da educação” — não quer dizer nada, pois o problema da educação não é de “papel” mal resolvido. Os outros quatro são vagas generalidades. Podem dar certo, errado, ou mesmo em nada.