quarta-feira, 11 de março de 2026

Mundo está despreparado para uma próxima pandemia, por Paulo M. Buss*

O Globo

Pioraram as condições que levaram o planeta à Covid. Esse quadro profundamente negativo precisa ser enfrentado

Há seis anos, em 11 de março de 2020, Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), declarou que a instituição elevara a Covid-19 à categoria de pandemia. Ela foi um dos eventos mais marcantes dos primeiros 25 anos do século XXI e transformou definitivamente o mundo, não apenas no período de sua vigência, como também depois da declaração de sua extinção, em 5 de maio de 2023. O modo de viver de pessoas e comunidades inteiras se transformou completamente e para sempre.

O roubo do Brasil, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Um dia vamos nos dar conta de que o Brasil foi roubado. Tiraram, vão estampar as manchetes, o nosso sistema financeiro e sistema legal, bem como nossa ética. O governo – seremos informados – não governa para nós, mas para ele. Quem pensava que governo e sociedade marchavam juntos hoje sabe que as elites estão roubando o Brasil pelo Brasil.

Desde Cabral e com d. João VI, a sociedade foi construída por nobres que daqui tiraram o que podiam. Como se faz até hoje, o controle de pontos-chave do sistema pertence a gente pronta a receber parceiros com a vorcaridade de um Daniel Vorcaro, um banqueiro cujo banco acumulava e distribuía recursos a uma rede de amigos.

Fechando as torneiras, Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O choque na oferta de petróleo pode ir além dos efeitos com o fechamento do Estreito de Ormuz

O presidente Donald Trump prometeu que a guerra contra o Irã poderá acabar em breve, mas, sem a capitulação efetiva dos iranianos à vista, o temor do mercado migrou de um novo pico de preço do petróleo no curto prazo para o quanto de destruição da oferta resultará da perda de produção pelos principais países do Golfo Pérsico. O esforço é para prever quanto tempo a cotação do barril permanecerá em patamar elevado, afetando a inflação e também o crescimento da economia global.

De um lado, há os eventuais estragos ou destruição total de instalações, como refinarias e oleodutos; de outro, há a interrupção da extração de petróleo, uma vez que, sem ter como escoá-lo pelo Estreito de Ormuz, a capacidade de armazenamento dos países da região está se esgotando rapidamente.

Uma nova ameaça ao Brasil, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Assessor de Trump disse a generais de 16 países que não se deve respeitar as leis na guerra ao tráfico

Diante de Stephen Miller em Doral, na Flórida, havia uma plateia de ministros da Defesa e generais de 16 países da América Latina. O vice-chefe de gabinete do presidente dos EUA defendeu, no início de sua fala de nove minutos, transformar as Forças Armadas da região em caçadores de bandidos e de imigrantes ilegais, degradando militares e submetendo a soberania dos países aos interesses americanos.

“Sob a liderança do presidente Trump, estamos usando o poder coercitivo, o poder militar, a força letal para proteger e defender a pátria americana”, confessou. As palavras têm seu peso.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cerco a policiais corruptos é essencial para deter o crime

Por O Globo

Operações em RJ e SP miram em agentes que atuam como os bandidos a quem deveriam reprimir

São oportunas e necessárias as operações deflagradas em São Paulo e no Rio de Janeiro nas últimas semanas para prender policiais que, valendo-se do escudo de agentes da lei, atuam como os bandidos a quem deveriam reprimir. Tais desvios representam uma anomalia numa sociedade que, fustigada pela violência e pelo crime organizado, deposita suas esperanças nas instituições. É fundamental investigá-los a fundo, identificar os responsáveis e levar a julgamento.

Trump piscou e começou a amarelar ou o Irã já está quase destruído? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Forças armadas dos aiatolás dão menos de 10% dos tiros que davam no início da guerra

Anúncio do fim próximo da guerra pode ter sido apenas meio de conter pânico

Donald Trump tentou conter o pânico no mercado de petróleo na segunda. Conseguiu, por ora. O barril do Brent chegou a baixar a US$ 84, nesta terça. Teve repique, mas essa é outra história. A possibilidade de que os países mais ricos liberassem petróleo de suas reservas estratégicas, um paliativo bem provisório, ajudou, assim como a volta de algum tráfego no estreito de Hormuz (uns 10% da média diária de navios).

Ainda não se sabe se Trump amarelou (TACO, "Trump Always Chickens Out", Trump Sempre Amarela ou Arrega). Se sabia o que estava dizendo. Se uma destruição significativa das armas iranianas permitiria ao menos um avanço da hipótese de "fim da guerra", embora não de fim do conflito —a distinção é importante. Na sexta passada, Trump dizia que a guerra acabaria apenas em caso de "rendição incondicional" do Irã ou de destruição total da capacidade militar do país.

Camaradas ministros, limpem sua bagunça, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Bajulação institucionalizada dá a autoridades falsa sensação de superioridade

Percepção equivocada contribuiu para erros de conduta de juízes do STF

Numa coisa os comunistas tinham razão. Do mais reles cidadão soviético ao todo-poderoso secretário-geral do partido, eles se tratavam sempre por "camarada". A fórmula funcionava como um memento mori, lembrando os dignitários de que, de direito, ainda que não de fato, todos são iguais. O "citoyen" da Revolução Francesa tinha a mesma função.

Por aqui, juízes se fazem chamar de "Vossa Excelência". Na mesma toada vão autoridades do Executivo e do Legislativo. Os presidentes da República, do Congresso e do STF (e apenas eles) ainda fazem jus ao superlativo: "Excelentíssimo Senhor Presidente...". Sim, essas questiúnculas estão regulamentadas por regimentos e portarias. Incrementalistas podem celebrar o fato de que o mais arcaico "meritíssimo" vai caindo em desuso.

O difícil, mas não impossível, caminho do meio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Os três tenores de Kassab apostam na batalha das rejeições para romper a barreira dos favoritos

Ratinho, Leite e Caiado dividem os discursos em abordagens diferentes como se um completasse o outro

A percepção de fadiga moral no chamado sistema é sempre pior para quem está no governo, a representação do "tudo isso que está aí", a conjuntura vigente.

Daí se depreende que o derretimento da reputação nas e das instituições tende a cair na conta do presidente da República candidato à reeleição e talvez nos apoiados por ele nos estados.

A novela do poder oculto que assombra a democracia liberal, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Quando dinheiro e poder se encontram nas sombras, a confiança pública colapsa

Revelações alimentam a sensação de que a República inteira cabe na algibeira de um banqueiro

Estamos no meio de mais uma sequência de revelações da novela "O Complô", transmitida 24 horas por dia pelos celulares de todos os brasileiros. Agora, além da trama amorosa exposta pelos vazamentos, temos a suspeitíssima troca de misteriosos bilhetes digitais que as revelações atribuem ao banqueiro e um membro da Suprema Corte. Difícil decidir qual dos enredos nos enrubesce mais.

Que os personagens principais são complexos, não há dúvida. De um lado, um banqueiro que não era bem banqueiro, que gastava como um príncipe herdeiro de alguma casa real dos Emirados Árabes e traficava —e exibia— influência neste paraíso tropical com desarmante desenvoltura. De outro, o juiz celebrado como herói da democracia, última linha de zaga contra a investida golpista do bolsonarismo.

Vamos conversar sobre o futuro incerto da proteção social, por Antônio Márcio Buainain

Jornal da Unicamp

Se há algo que precisa ser enfrentado com clareza no sistema vigente, é sua natureza historicamente desigual

No artigo anterior discutimos como o Estado passou a operar sob emergência quase permanente. A conversa agora é outra: o que acontece com a proteção social quando as instituições responsáveis por sustentar a vida social permanecem organizadas segundo uma realidade que já mudou?

A proteção social brasileira nunca foi justa nem universal. Vem sendo construída de forma fragmentada, refletindo hierarquias sociais e pactos políticos específicos. Ao longo do tempo, registrou avanços reais: ampliou direitos, incorporou milhões de pessoas e estruturou mecanismos de renda e assistência. Mas manteve a matriz originária, marcada por profundas desigualdades: regimes privilegiados, benefícios desproporcionais e exclusões persistentes de trabalhadores informais fizeram com que a proteção alcançasse sobretudo quem já estava integrado ao mercado formal ou ocupava posições protegidas – como servidores públicos e algumas carreiras especiais. Milhões ainda estão à margem em um arranjo moldado pelas disputas e compromissos políticos de cada período.

Entrevista | Pablo Spinelli: Oscar 2026 servirá para os historiadores apontarem como Trump voltou, diz professor.

Por Vagner Gomes / Edição e introdução: Marcio Junior

Mais uma cerimônia de entrega dos Prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar, se aproxima. Fechando a temporada anual de premiações concedidas às produções cinematográficas, é considerada a principal distinção da indústria cinematográfica mundial e reúne produções, diretores, atores e técnicos que se destacaram ao longo do último ano. Além do reconhecimento artístico, o evento costuma mobilizar grande atenção da imprensa e do público, funcionando também como um momento de visibilidade para debates mais amplos sobre cultura, sociedade e política nos Estados Unidos e no mundo.

Talvez surpreendentemente, a safra de filmes produzidos entre a última cerimônia do Oscar e a que ocorrerá neste domingo (15) foi de excelente qualidade. Nesse conjunto, o Brasil ocupa lugar importante com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, um ano depois de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, sagrar-se vencedor na categoria de Melhor Filme Internacional, além da presença de Adolpho Veloso, diretor de fotografia em destaque na temporada de premiações por Sonhos de Trem, dirigido por Clint Bentley. O Agente Secreto e Adolpho figurarem entre essas obras não é pouca coisa.

Já se tornou tradição o Voto Positivo entrevistar o professor Pablo Spinelli às vésperas do Oscar. Doutorando em Ciência Política pela UNIRIO e também colunista do blog, Spinelli consolidou-se como nosso principal intérprete da premiação. Desta vez, porém, ele fala diante de um cenário internacional ainda mais difícil, ainda mais aprofundado por guerras e pelo uso da força em detrimento da via diplomática, no qual o Brasil pode contribuir com suas vocações civilizatórias. “Até hoje eles não entendem como um país do Sul do Mundo conseguiu manter a sua democracia”, diz, “somos o espelho invertido deles, pela constituição de nosso iberismo e americanismo aqui.”

Confira a entrevista:

Poesia | Vinicius de Moraes - Soneto de Fidelidade.

 

Música | Samba na Gamboa - Teresa Cristina - Se tivesse dó (Zeca Pagodinho )

 

terça-feira, 10 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra prolongada será nociva para economia brasileira

Por O Globo

Maior exportação de petróleo mitiga impacto inicial, mas um conflito duradouro afetará inflação e agro

O prolongamento da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã se fará sentir na economia brasileira. A principal dúvida diz respeito a quanto tempo durará a alta no petróleo. Com a batalha no Estreito de Ormuz, os preços encostaram em US$ 120 o barril, mas voltaram para a casa dos US$ 90 após Donald Trump declarar que “a guerra está praticamente concluída” e garantir que Ormuz está aberto — depois ele se desdisse, negando que o fim da guerra seja iminente. Quanto mais o conflito se estender, maior será a pressão. O Catar informou que, caso produtores do Golfo Pérsico sejam forçados a parar de produzir, o petróleo chegaria perto de US$ 150.

Entrevista | Presidente do PT defende que Lulinha se explique e vê 'ambiente antissistema' nas eleições

Por Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes / Valor Econômico

Em entrevista ao Valor, Edinho Silva também afirma que a chance, entre zero e dez, de Alckmin permanecer na vice de Lula é 'onze'

A pesquisa divulgada pelo Datafolha no fim de semana confirmou o cenário delineado pelo conjunto de levantamentos realizados desde fevereiro, com um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente do PT, Edinho Silva, atribui o resultado à força com a qual a pauta da corrupção entrou na pré-campanha presidencial, a partir das investigações da fraude do INSS e do Banco Master. “Quando cria o ambiente antissistema, quem perde é o status quo. E a representação máxima do status quo é o presidente”, diz.

A primeira etapa da reação defendida pelo PT é a resposta pública do filho do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que mora na Espanha, às acusações de que teria recebido dinheiro de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”. “Ele tem que chamar uma coletiva de imprensa e dizer que não tem nenhum envolvimento nisso”, diz Edinho. A defesa de Lulinha, no entanto, afirma que o empresário está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e nega qualquer tipo de irregularidade.

A segunda etapa já não parece tão clara, uma vez que a fonte maior de desgaste vem do envolvimento com o Master dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja proximidade com o Executivo foi selada pelo inquérito do golpismo. O presidente do PT defende vagamente uma “reforma do Judiciário” e mantém distância do código de ética, defendido pelo ministro Edson Fachin.

Kassab antecipa escolha de candidato para viabilizar terceira via, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A legenda abriga hoje três nomes com pretensões presidenciais: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás)

A decisão do PSD de antecipar a definição de sua candidatura presidencial para 2026, anunciada por seu presidente, o ex-prefeito Gilberto Kassab, revela mais do que uma simples mudança de tática partidária. Na verdade, é o reconhecimento de um problema político cada vez mais evidente: o espaço para uma terceira via na disputa presidencial está se fechando rapidamente. A máxima política “quem tem três candidatos não tem nenhum” sintetiza o “trilema” enfrentado por Kassab.

O PSD abriga, hoje, três nomes com pretensões presidenciais: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), este último recém-integrado à legenda. Nenhum outro partido de oposição tem um naipe de pré-candidatos com essa qualificação política e administrativa. Porém, sem uma definição, o partido perde votos e isso inviabiliza qualquer projeto de alternativa de poder. A necessidade de mudança do “pas de trois” para a marcha forçada ficou evidente com a divulgação da nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.

Tempestade perfeita se arma sobre o crime, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Carimbo de narcoterrorismo e aliança militar dos EUA com AL ameaçam atropelar a retranca do combate ao crime organizado no Brasil

O carimbo de narcoterrorismo que o governo americano estaria para colocar sobre o PCC e o CV e a aliança militar dos EUA com 12 países da América Latina contra o narcotráfico armam uma tempestade perfeita sobre o combate ao crime organizado no Brasil.

O promotor Lincoln Gakyia, que tem duas décadas de enfrentamento ao PCC, chegou a receber várias comitivas enviadas pelo secretário de Estado, Marco Rubio. De todas elas, ouviu que a decisão do governo americano estaria blindada de apelos no sentido contrário.

No governo brasileiro, sempre se soube que esta era a intenção dos EUA, que precede Donald Trump, mas, com ele, ganhou tração. Tanto que o Ministério da Justiça se pôs a fazer um centro internacional de treinamento, em Manaus, para os países amazônicos que se dispusessem a tratar o tema na esfera policial e não militar.

Empresas vão ao ‘matadouro’ sem dar um pio, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Empresários sucumbiram à dominação do setor financeiro nas últimas décadas, sem questionar os preceitos neoliberais

Há duas semanas, o Valor publicou uma preocupante reportagem mostrando que grandes e médios grupos empresariais brasileiros intensificam a venda de ativos. Pressionados pelo aumento do endividamento, eles enfrentam um cenário de juros altíssimos no país.

A matéria do Valor, assinada por Ana Luiza Tieghi, Stella Fontes e Mônica Scaramuzzo, observa que alguns conglomerados deixam negócios atuais por decisão estratégica, para investir em outras áreas. Os casos mais comuns e emblemáticos, porém, são de empresas premidas por aquilo que chamam de “alavancagem”. As dívidas de 319 empresas de capital aberto não financeiras cresceram 22% em um ano, do terceiro trimestre de 2024 ao igual período do ano passado, segundo levantamento da Quantum Finance.

Estancar a sangria, por Merval Pereira

O Globo

A possibilidade de terminar em pizza faz com que a credibilidade institucional do país seja reduzida, senão a pó, pelo menos a uma politicagem malvista pela população e provoca reações diversas na sociedade

A crise institucional anunciada se amplia à medida que se espalham as notícias de que há mais uma tentativa de superar os problemas causados por relações indevidas de dois dos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) com o caso Master. A tentativa de estancar a sangria — “com o Supremo, com tudo”, como previa o lobista Romero Jucá e aconteceu na Operação Lava-Jato — faz com que outras instituições, como as Forças Armadas, se inquietem com a possibilidade de que a solução seja varrer para debaixo do tapete os acontecidos e fingir que nada houve de mais grave.

O supremo enigma no caso Master, por Fernando Gabeira

O Globo

Velhos marinheiros se lembram da Lava-Jato. Falava-se em passar o país a limpo, e as expectativas se frustraram

No momento, estamos imersos num escândalo. Nem sequer temos tempo de pensar noutros temas que pedem passagem. Como a defesa nacional, diante de um mundo dominado pela força bruta. Ou mesmo as mudanças no universo do trabalho, ditadas pela ascensão da inteligência artificial.

Existe uma sensação de que algo importante pode acontecer na esteira do escândalo. Velhos marinheiros se lembram da Lava-Jato. Falava-se em passar o país a limpo, e as expectativas se frustraram; a própria operação foi enterrada no governo Bolsonaro.

A crise global que Trump criou, por Míriam Leitão

O Globo

Os planos do presidente americano de uma guerra pontual e rápida fracassou. O conflito se espalha e seu efeito é sentido pelo consumidor americano

O plano de Donald Trump fracassou. Ele pensou em uma intervenção cirúrgica no Irã e provocou uma guerra, com contornos e desdobramentos imprevisíveis e da qual ele ainda não sabe como sair. Achou que o conflito ficaria só no Irã, mas o país reagiu atacando vários países da região. A economia enfrenta consequências ainda nem calculadas inteiramente. O consumidor americano já está sentindo o forte efeito na bomba. Ontem, o petróleo chegou a bater US$ 120 e depois cedeu, porém está bem acima do patamar de antes da guerra de Trump.

O Grande Irmão chegou, por Pedro Doria

O Globo

Porque o Brasil está derretendo, não estamos atentos a uma imensa batalha política em curso nos Estados Unidos. Uma batalha que definirá o rumo das democracias e que nos afeta diretamente caso Flávio Bolsonaro vença a eleição e decida governar com o mesmo espírito que guiou o pai. Um governo tem o direito de criar, com base em dados públicos, um perfil detalhado de cada cidadão? Com a capacidade de definir quem é adversário político e quem joga no mesmo time? É o que o governo Donald Trump tenta fazer.

A melhora indispensável, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A questão das emendas talvez não passe de vulgar desvio de função quando se souber a verdadeira extensão do caso Master. Só o eleitor pode elevar o nível do Congresso

Informações sobre o envolvimento de congressistas (e dirigentes partidários) com o ontem adulado e hoje execrado dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, devem tisnar ainda mais a imagem de um Congresso que, nesta legislatura, poucas vezes respondeu a seus compromissos constitucionais. Até mesmo a irresponsabilidade com que parte dos atuais congressistas lidou com as emendas parlamentares, usurpando funções privativas do Poder Executivo para beneficiar-se e a seus aliados, talvez não passe de vulgar desvio de função quando se souber a verdadeira extensão do controle exercido sobre parte do mundo político pelo banqueiro que dispunha até de um sicário. Então, esta legislatura se consolidará como a pior desde a promulgação da Constituição de 1988.

Por uma política de Estado para investimentos, por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

A ausência de uma política industrial e tecnológica de médio e longo prazos, resultado da falta de planejamento e previsibilidade, explica o enfraquecimento da indústria nacional

Além das dificuldades do governo de implementar políticas macroeconômicas, em especial, para diminuir o risco de uma crise fiscal e reduzir a taxa de juros, a falta de uma política de Estado para os investimentos no Brasil está gerando problemas em setores críticos nas áreas de defesa, infraestrutura, comunicações, tecnologia e inteligência artificial, entre muitos outros.

A ausência de uma política industrial e tecnológica de médio e longo prazos, resultado da falta de planejamento e previsibilidade, explica o enfraquecimento da indústria nacional. Sem diretrizes claras, o custo Brasil impede o investimento em inovação tecnológica, capacitação de mão de obra e expansão produtiva, comprometendo a competitividade e a sustentabilidade no longo prazo.

A ‘República da PF’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sob aplausos, PF não pode repetir as ‘repúblicas’ de Curitiba e do STF, onde o sucesso subiu à cabeça

Estamos normalizando a sexta “república” após a redemocratização? Primeiro, a Nova República de boas lembranças e, na sequência, a de Alagoas, a do mensalão, a de Curitiba, a do Rodrigo Janot e, agora, o mundo político e principalmente o jurídico já se prepara para contra-atacar as denúncias que brotam a toda hora do escândalo Master e condenar o que chamam de “República da Polícia Federal”.

A PF deixou as parcerias tradicionais com Supremo, Ministério Público e CPIs, virou algoz do Supremo com suas investigações e provas contundentes – e milionárias – contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, despertando assim um confuso, ou obtuso, corporativismo na Corte e espalhando desconfiança no MP e no Congresso.

Não jogavam vôlei, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Muito blablablá. Muitas notas truncadas, com negativas de alcance limitado, em que os não ditos se impõem – e para o que se usou até a Secretaria de Comunicação do STF. Para catimbar. Alexandre de Moraes não nega que falara com Daniel Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso. Por que Moraes falava com Vorcaro no dia em que o banqueiro seria preso?

Segundo o direito xandônico, qual critério sentenciador Xandão aplicaria a Moraes, tendo o ministro apagado as respostas a Vorcaro? “(...) O ato de apagar dados do celular também indica uma consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados pelo agente, na medida em que, se o indivíduo tivesse plena convicção de sua inocência, não teria motivos para eliminar registros que poderiam confirmar sua versão dos fatos. A destruição de provas, nesse contexto, reforça a percepção de que havia algo a esconder.” Assim escreveu Xandão para condenar Débora “do batom”.

Mendonça preservará Nikolas em investigação sobre Vorcaro e Lagoinha? Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Deputado do PL terá papel relevante como puxador de votos em Minas Gerais

Ele fez campanha com pastores da igreja usando avião de Daniel Vorcaro

Na semana passada, soubemos que o deputado Nikolas Ferreira fez campanha para Jair Bolsonaro em 2022 usando um jatinho ligado a Vorcaro. Não há indícios de conduta irregular, mas o episódio convida a refletir sobre dilemas que o ministro evangélico do Supremo André Mendonça enfrentará neste ano.

Aparentemente, Vorcaro negociava com direita e esquerda. Mas, independentemente da ideologia, essas investigações esbarram com frequência em nomes associados a uma igreja evangélica: a Lagoinha Church, surgida em Belo Horizonte, cuja liderança é próxima a Nikolas.

A associação entre a Lagoinha e esses casos não é marginal. A família Vorcaro segue ligada à denominação. Daniel Vorcaro foi apresentador de um programa de música gospel em um canal a cabo viabilizado com o apoio de seu pai.

A polícia senta praça na política, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Crime continua sendo o tema da campanha, mas agora com foco na conduta dos figurões da República

Potencial de desgaste do Master e INSS é grande, pois não há diferença ideológica entre os citados nos escândalos

Confiantes na escrita de que o combate ao crime seria o principal assunto de campanha nesta eleição, governo e oposição se empenharam em preparar munição para cada grupo se mostrar o mais preparado no tema junto ao eleitorado.

Tanto que trataram de fechar acordos para aprovar duas medidas de visibilidade, embora questionáveis quanto à efetividade. Aprovaram o projeto de lei antifacção e destravaram a tramitação da PEC da Segurança, que já passou pela Câmara e agora vai ao Senado. Em torno disso, pretenderam fazer o embate.

Uma eleição a ser decidida nos detalhes, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Datafolha corrobora a sensação de que a disputa presidencial de outubro será acirrada

Fatores econômicos são fundamentais, mas narrativas também poderão se mostrar decisivas

Datafolha meio que confirma o que já se suspeitava. A eleição presidencial deste ano deverá ser mais uma vez bastante disputada, opondo ao que tudo indica Lula a Flávio Bolsonaro.

Temos dois grandes blocos de tamanhos comparáveis. O primeiro é composto por petistas convictos e pessoas com simpatias pela esquerda. A eles se soma o contingente dos eleitores que não estão tão enamorados de Lula, mas não hesitam em sufragar seu nome para evitar que um Bolsonaro volte ao Palácio do Planalto. O segundo bloco é constituído por bolsonaristas irredutíveis e direitistas genéricos, aos quais se aliam os que topam tudo para tirar o PT do poder.

Poesia |Saudade, de Pablo Neruda

 

Música | Ademilde Fonseca - Cinema Mudo

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Disputa de poder não pode atrasar transição energética

Por O Globo

Plano brasileiro atrasa por conflito dos ministérios de Minas e Energia e Casa Civil com Meio Ambiente e Fazenda

Depois da sensação de frustração ao final da COP30 com a dificuldade de alcançar uma proposta consensual de “mapa do caminho” para a transição energética, o Brasil tomou uma decisão acertada: como continua na presidência da COP até a próxima conferência, anunciou que formularia seu próprio projeto. Mas o prazo se esgotou no início de fevereiro sem nenhum resultado concreto, porque os ministérios envolvidos — Casa Civil, Minas e Energia, Meio Ambiente e Fazenda — simplesmente não conseguem se entender. É compreensível que a proposta do “mapa do caminho” enfrentasse em Belém a resistência dos países cuja economia está atrelada aos combustíveis fósseis. É inexplicável, porém, que esbarre na disputa por espaços de poder em Brasília.

Não caiam nessa de novo: delação não é uma boa ideia, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Lava-Jato nos ensinou que delação gera espetacularização e faz o crime valer a pena

A figurinha do Michael Jackson comendo pipoca vendo um filme de terror, extraída do clip de Thriller, aparece no meu WhatsApp a cada rodada de notícias envolvendo as investigações do caso Master.

Num país onde todos imaginam as tenebrosas transações que são acertadas entre grandes empresários e políticos poderosos no escurinho do cinema (vide “Cine Trancoso”), é impossível conter a excitação quando esses vínculos vêm à tona.

O potencial de destruição do Master já era evidente desde o princípio, quando se armaram no Supremo Tribunal Federal, no Tribunal de Contas da União e na cúpula do Congresso Nacional várias manobras para se conter a investigação dos crimes de Daniel Vorcaro.

Câmara segura a lei que o BC precisa, por Alex Ribeiro

Valor Econômico

Projeto é técnico e unânime só não tendo sido aprovado ainda devido a circunstâncias políticas

Com todo mundo de olho na prisão de Daniel Vorcaro e na descoberta de que funcionários do Banco Central foram cooptados pelo Banco Master, algo muito importante passou quase despercebido na semana passada: a retirada de pauta de votação na Câmara dos Deputados do projeto da Lei de Resolução Bancária.

Esse é um projeto fundamental para corrigir os problemas que permitiram que o caso do Banco Master chegasse aonde chegou. Mas não é apenas uma melhora institucional que pode ajudar lá na frente. O Banco Central precisa dessas ferramentas desde já, sem demora, para fazer o saneamento do sistema de pagamento instantâneo, o Pix, que no ano passado foi infiltrado por participantes do crime organizado.

O terceiro homem, por Miguel de Almeida

O Globo

Visto como país do futuro, o Brasil surge apegado ao passado e com medo do presente

Na foto do momento, aparecem os nomes de Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. É o que as forças políticas oferecem no menu para mais quatro anos de mandato presidencial. Visto como país do futuro, o Brasil surge apegado ao passado e com medo do presente. Parece que o filme nunca começa; enquanto isso, assistimos a infindáveis reprises.

Quando Lula ganhou a eleição de 2002, o ex-presidente José Sarney chegou a dizer que a vitória do PT era um estágio a ser ultrapassado. Como se fosse uma maldição ou pagamento de dívida, vá lá. Desde a redemocratização, o Brasil já experimentara eleger um outsider (Fernando Collor) e um sociólogo de centro-esquerda (Fernando Henrique Cardoso). Lula vinha na roupagem de esquerda e logo mostrou-se centrista na economia e conservador na política, ao abraçar o MDB como parceiro. Deu no escândalo do mensalão, história já conhecida dos brasileiros, apesar de o STF ter abrandado as penalidades e revertido as multas aplicadas. Ainda que as provas demonstrassem os crimes.

Vorcaro preso; instituições funcionam, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

O homem elegante que esbanjava luxo e ostentava ligações com autoridades dos três Poderes está isolado numa cela

A foto de Daniel Vorcaro — sem barba, cabelos aparados, visto de frente e de perfil — divulgada pela polícia é a prova de que as instituições estão funcionando. O homem elegante que esbanjava luxo, riqueza e ostentava ligações com autoridades dos três Poderes está isolado numa cela de 9m2, num presídio federal de segurança máxima em Brasília. Sua rede de negócios fraudulentos foi desmantelada, capangas e cúmplices estão presos.

Não foi sem percalços. Numa democracia, num Estado de Direito, os cidadãos e a própria sociedade têm sempre acesso a um último recurso, os tribunais. Ocorre que estes podem falhar — e vinham falhando até a quarta-feira da semana passada, quando Vorcaro foi preso pela segunda vez, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Submissão nunca mais, por Irapuã Santana

O Globo

Brancos são necessários para combater o racismo, homens são imprescindíveis na causa das mulheres

Ontem foi o Dia Internacional da Mulher, e eu gostaria de trazer alguma coisa com o copo meio cheio. Infelizmente, depois do crime bárbaro que ocorreu com uma menina na Zona Sul do Rio de Janeiro, não tem muito para onde escapar. Esse fato extremamente lamentável é o retrato dos riscos e das características do que ocorre hoje em dia.

O STF e as almôndegas, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Transparência total e o desestímulo ao corporativismo são a via para a Corte recuperar a imagem

Em dezembro de 2021, Ann-Christine Lindeblad, juíza da Suprema Corte da Suécia, foi flagrada tentando sair de um supermercado, sem pagar, com um pacote de almôndegas, um presunto natalino, salsichas e queijos. Foi aberta uma investigação policial e, menos de dois meses depois, Lindeblad renunciou ao cargo que exerceu por quase vinte anos. Posteriormente, ela foi punida com multa (uma decisão anterior da própria Suprema Corte considerou de menor gravidade furtos a lojas com valores abaixo de 1.250 coroas suecas, algo como R$ 710).

Força militar contra cartéis é ineficaz, Por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

Nova coalizão de cooperação em segurança exclui principais países da região como Brasil

Depois de derrubar o presidente venezuelano Maduro e impor um bloqueio ao regime cubano, o governo dos EUA formalizou, no sábado, mais um elemento-chave da chamada Doutrina Donroe, que busca alcançar a supremacia de Washington na América Latina. Donald Trump anunciou a criação de uma nova coalizão regional chamada Escudo das Américas durante uma cúpula em Miami.

A teocracia iraniana e a guerra, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Não tendo como ganhar esta guerra, sobra-lhe apenas disseminar o caos no Oriente Médio, atacando até aliados como o Catar e Omã. Perdeu o norte

A teocracia iraniana está vivendo o estertor de uma estratégia fracassada. Durante décadas, deu-se como missão a destruição do Estado de Israel. Sempre o declarou abertamente, embora a esquerda mundial se tenha feito de surda. Terminou, por via de consequência, compactuando com o assassinato iraniano de mulheres, a repressão constante de sua população, tratada como se fosse uma massa de escravos sem direitos. Sua opressão conta com milhares de vítimas. O silêncio predominou. Agora, repentinamente, essa esquerda voltou a se manifestar contra o ataque americano e israelense, como se a agressão iraniana a seu próprio povo fosse um mero direito dos aiatolás.