O Globo
Eleitores escolheram quem acreditam poder
atender seus interesses, não necessariamente quem se parece com eles
Direita e esquerda têm uma tendência irresistível a idealizar vitórias. Jair Bolsonaro, em 2018, e Donald Trump em 2024, falaram em “libertação da pátria” e “restauração moral” da sociedade. Na esquerda, o “triunfo da consciência democrática” foi o mote do discurso da vitória de Lula em 2022. Agora, a virada épica do petista sobre o rival, reza a narrativa vencedora, deveu-se à mobilização da juventude que saiu às ruas para lutar contra o fascismo. Quem ganha a eleição gosta de acreditar que o eleitor abraçou seus ideais mais elevados. A possibilidade de que ele tenha votado para gastar menos no supermercado, ganhar mais benefícios, melhorar de vida, ficar com o “menos pior” ou simplesmente se livrar de quem governa fica sempre em segundo plano.


















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