quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo deveria suspender restrição à polícia em favelas

O Globo

Existem instrumentos eficazes para reduzir letalidade sem que policiais sejam impedidos de cumprir seu papel

Não é de hoje que o Rio de Janeiro enfrenta crise gravíssima na segurança pública. Diariamente a população fluminense é obrigada a conviver com guerras entre quadrilhas, tiroteios, balas perdidas, arrastões ou fechamento de vias. Não há solução para o problema que não seja o combate sem trégua às organizações criminosas dominantes em comunidades da Região Metropolitana. E não há como combatê-las sem que a polícia possa fazer seu trabalho. Impedi-la de agir significa piorar a situação.

Por isso o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria alterar seu entendimento na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, a ADPF das Favelas, cujo julgamento começou ontem. A decisão, tomada em 2020, restringiu operações policiais em comunidades fluminenses. Embora bem-intencionada por tentar reduzir a letalidade policial, criou outro problema: ao impor limites às operações, engessou o trabalho da polícia. O relator, ministro Edson Fachin, defendeu as restrições: “Dados concretos refutam a tese de que a brutalidade do Estado possa produzir resultados efetivos para a segurança pública”.

Entrevista | Haddad sobre o ministério: 'Aqui tem fogo amigo, fogo inimigo, fogo para todo o gosto'

Míriam Leitão / O Globo

O ministro Fernando Haddad admite que tem dias difíceis no Ministério da Fazenda, mas promete ficar até o final do governo no cargo e brinca sobre o “fogo amigo”. Em entrevista longa, o ministro falou de dólar, juros, reformas, inflação. Veja abaixo a íntegra da entrevista.

O senhor hoje (quarta-feira) esteve com o presidente da Câmara dos Deputados, apresentando as prioridades do Ministério da Fazenda, da parte econômica. Uma questão foi a Reforma da Renda. O senhor disse que os parâmetros já foram conversados: isenção até R$ 5 mil de renda e tributação no topo. A minha pergunta é se incluirá outras questões do Imposto de Renda? Por exemplo, Imposto de Renda pessoa jurídica, imposto sobre dividendos, isso vai estar no pacote da reforma da renda?

Fernando Haddad: Existe hoje um comando constitucional do Congresso Nacional determinando que o governo encaminhe uma Reforma da Renda. Infelizmente, nós ainda figuramos entre os dez países mais desiguais do mundo.

A reforma (tributária) sobre o consumo, que entra em vigor em 2027, corrige boa parte dessas distorções. Uma delas é a cesta básica, que foi ampliada, e a segunda iniciativa é o mecanismo do cashback. A pessoa que está no Cadúnico e fez suas compras, aquilo que ela pagou de imposto sobre o consumo, tem o imposto devolvido automaticamente na sua conta.

Faroeste em Brasília - Malu Gaspar

O Globo

A levar em conta apenas a superfície dos discursos dos presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal (STF) na abertura dos trabalhos em Brasília, está tudo numa ótima. Diante dos microfones, os chefes dos três Poderes se mostraram cheios de boa vontade uns com os outros, pregando harmonia, pacificação e respeito à democracia. Por trás dos sorrisos e apertos de mão para fotos, porém, o cenário está mais para um filme de faroeste em que os caubóis fazem cara de paisagem enquanto engatilham as armas nos bolsos das calças.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), eleito com apoio do governo e da oposição sem precisar fazer nenhuma promessa, começou o mandato empunhando a Constituição, dando vivas à democracia e lembrando “Ainda estou aqui”. Logo ficou claro que seu principal alvo não será o golpismo dos bolsonaristas ou dos militares, e sim o Supremo Tribunal Federal e a ação pelo aumento da transparência nas emendas parlamentares.

Emendas estressam a relação entre Congresso e Supremo – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Estava escrito nas estrelas que as emendas parlamentares, sem transparência e rastreabilidade, se tornariam caso de polícia. Mas são como pasta fora do tubo

A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para 25 de fevereiro o julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE), acusados de desviar recursos das emendas parlamentares. Os três pediram propina aos prefeitos dos municípios beneficiados pelas emendas. Dezenas de parlamentares estão sendo investigados em sigilo de Justiça por causa de suspeitas de irregularidades das chamadas emendas secretas.

Esse julgamento deve aumentar a tensão já latente no Congresso entre os caciques da Câmara e do Senado e o STF, em razão da suspensão da execução de emendas parlamentares pelo ministro Flávio Dino, por falta de transparência. Os presidentes de Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pretendem se reunir com o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, para buscar uma solução para o impasse envolvendo as emendas parlamentares.

É preciso reduzir a jornada de trabalho - Ricardo Patah

O Globo

Lucro pode crescer nas organizações que dão aos trabalhadores condições de equilibrar vida pessoal e profissional

Não dá mais. Temos que mudar. Os trabalhadores de comércio e serviços são massacrados por uma carga de mais de 12 horas diárias, entre atividades nas empresas e ida e volta para casa. Quase todos são enquadrados na escala 6x1 (trabalham seis dias e folgam um), esquema implantado por Getúlio Vargas em 1943, quando a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) foi publicada.

Eles quase não têm descanso, não encontram tempo para o lazer, não conseguem estudar e mal encontram a família. O único dia de folga na semana, quase sempre, é usado para preparar o retorno e reiniciar esse “inferno”. Na prática, a escala 6x1 oficializa um esquema de trabalho análogo à escravidão. E isso em pleno século XXI, quando a tecnologia invade todos os setores da economia, especialmente com o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).

América de Trump, Estado fora da lei - Joel Birman

O Globo

Estados Unidos podem expulsar os imigrantes ilegais, sem documentação. Mas pela mediação de uma instância jurídica

Ao fazer o seu discurso de posse como novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump enunciou o início de uma “era de ouro” para o país, com o intuito de tornar a “América grande novamente”, se contrapondo assim à “decadência” promovida no país pela administração Biden. Além de humilhar publicamente este, presente à cerimônia, com desprezo e crueldade incomuns, Trump começou a delinear sua política contra a imigração, marcada por virulência e fúria inéditas.

Logo em seguida iniciou-se a caça implacável a imigrantes em todo o país. Os agentes do governo passaram a bater de porta em porta em busca deles em suas casas, além de persegui-los em escolas, igrejas e possíveis locais de trabalho. Ao lado disso, imigrantes evitavam falar em suas línguas de origem para não ser denunciados, presos e enviados imediatamente ao país de nascimento. Portanto uma atmosfera pestilenta de caça às bruxas foi instituída em larga escala, para expulsá-los violentamente do território americano.

Disrupção de Trump ameaça lançar EUA e o mundo no caos - Humberto Saccomandi

Valor Econômico

Em apenas duas semanas, presidente dos EUA possivelmente causou mais do que no primeiro ano inteiro de seu governo anterior

Quase todo mundo esperava que o governo de Donald Trump nos EUA fosse disruptivo. Mas poucos esperam o nível atual de disrupção. Em apenas duas semanas, Trump possivelmente causou mais do que no primeiro ano inteiro de seu governo anterior. Muitas medidas serão questionadas na Justiça americana. Outras talvez sejam irrealizáveis. Mas tudo isso acaba criando expectativas, que movem os mercados e influenciam as decisões e ações de indivíduos, empresas e governos.

A disrupção, isto é, a ruptura de uma atividade, uma prática, um modo de pensar, não é negativa em si. Pode trazer novas abordagens para velhos problemas, permitir avançar em questões que estavam paralisadas devido a posições endurecidas, pode gerar inovação e tirar pessoas, grupos, empresas ou países de suas zonas de conforto.

Bancos centrais operam no escuro - Maria Clara R. M. do Prado

Valor Econômico

A depender do que for efetivamente implementado por Trump, o nível da taxa de juros de curto prazo definido hoje poderá estar totalmente fora do esquadro da realidade econômica

O vai e vem do governo dos Estados Unidos quanto à imposição de tarifas sobre as importações, com ameaças, decisões e recuos, continua a mexer com o mercado de câmbio. O dólar perdeu valor face às demais moedas nos últimos dias com dúvidas sobre a dimensão das tarifas que Donald Trump pretende impor aos produtos estrangeiros. Essa tem sido a causa dos ganhos recentes do real. A expectativa de que um “tarifaço” norte-americano não seja de fato implementado fez a taxa de câmbio cair de R$ 6,07 por dólar em 20 de janeiro (dia da posse) a R$ 5,79 no fechamento de ontem.

Em um mesmo dia, 3 de fevereiro, o dólar atingiu R$ 5,90 antes de recuar para R$ 5,81 no fechamento, com o anúncio de postergação por 30 dias da taxação dos produtos importados do México e do Canadá pelos EUA.

Gaza, Embraer, deportados e as regras do jogo - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Brasil tem buscado se equilibrar frente à atuação Trump pelas “regras do jogo”. A dúvida é se será possível segurar a peteca com um presidente que nem jogo quer

Depois da ameaça sobre a Groenlândia, Canadá, Golfo do México e Canal do Panamá, Donald Trump chegou ao píncaro com a ideia de que pretende remover os palestinos da Faixa de Gaza para transformá-la numa “Riviera do Oriente Médio”. Por estapafúrdia, a proposta mereceu amplo e irrestrito rechaço da comunidade internacional, aí incluído o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou-a de “bravata sem sentido”.

No mesmo dia da declaração de Trump, a Embraer fechou a maior venda da história para a empresa americana líder da aviação executiva nos EUA, Flexjet. Serão 182 jatos num contrato estimado em US$ 7 bilhões. Foi a maior encomenda da Flexjet e a maior venda de jatos executivos da Embraer na história de ambas as empresas. Há anos a Embraer tenta fechar um contrato para a aviação regional chinesa, sem sucesso.

Governo sem foco nem luz - Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

As dificuldades são de três tipos: institucionais, políticas e de clareza de objetivos

O presidente Lula chega à metade de seu mandato carente do entusiasmo que despertou no passado.

Recente pesquisa Genial/Quaest mostra queda da aprovação do seu trabalho; pela primeira vez, desde 2023, mais entrevistados o desaprovam. A perda de apoio é significativa por também ocorrer entre seus eleitores fiéis.

Os bons indicadores econômicos —crescimento do PIB e do emprego— não amainaram as críticas dos formadores de opinião que duvidam de sua sobrevida a médio prazo. O aumento do preço dos alimentos parece impedir que aqueles resultados se traduzam em sensação de melhoria para os muitíssimos que vivem com dinheiro contado.

Nenhuma iniciativa do governo tem conseguido erguer o ânimo popular. Muito menos o das elites que desconfiam do mandatário e de seu partido.

Confiança na economia cai – Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Ânimo de consumidores e empresários baixa em janeiro, apesar de bom resultado de 2024

A confiança na economia caiu de modo disseminado em janeiro, a julgar pelos indicadores das pesquisas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). Foi assim com a confiança do consumidor e também com os ânimos das empresas do comércio, da construção, da indústria e dos serviços. Também baixou o indicador antecedente de emprego.

A confiança baixou para níveis de 2023 e, no caso de serviços, para 2021. Não quer dizer que estejam definidas as cartas da economia neste ano. Pode haver flutuações temporárias de ânimos. Não há relação direta entre o tamanho da baixa do humor e o do ritmo da atividade econômica. Ainda assim.

Preces atendidas - William Waack

O Estado de S. Paulo

A desordem internacional explicitada por Trump é perigosa para o Brasil

É bem provável que o próprio Donald Trump não compreenda o que significa a “lei da selva”, o “novo” sistema de relações internacionais. Esse tipo de situação nada tem de novo, mas é a primeira vez que a desordem mundial é incentivada por uma superpotência num ambiente de arsenais nucleares em clara expansão.

O fato de que os fortões estão passando a se comportar como bem entendem apanha o Brasil num momento particularmente delicado. Também isso nada tem de novo: o País é uma potência regional média com escassa capacidade de projeção de poder, e perdendo influência no seu próprio entorno.

Sua principal vulnerabilidade é o fato de que as elites políticas brasileiras nunca se preocuparam em estabelecer um projeto de país que levasse a sério questões de segurança e defesa nacionais. Preocupações estratégicas de longo prazo se restringem ao âmbito acadêmico civil e militar. Chegaram ao segmento industrial privado em raras situações (a Embraer é o destaque).

Cesarismo - Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Donald Trump quer ser não apenas o rei da América, mas o seu César. Reduzirá a América a um nome de golfo. Isolado.

Em sua coluna dominical em O Globo, a jornalista Dorrit Harazim vem ajudando a gente a escrutinar o inconcebível. Os artigos que ela escreveu sobre a pulverização de Gaza compõem uma antologia definitiva. Logo mais, alguém se lembrará de publicá-la em livro. Agora, Dorrit tem decifrado a vulgar esfinge de Donald Trump. No domingo passado, num texto intitulado Com método, ela demonstrou que, por trás do caos performático do presidente dos Estados Unidos, com mentiras intercontinentais e factoides histriônicos, há uma lógica ferina e fria. Nas palavras da colunista do Globo, o “objetivo maior e final de Trump” é “assumir controle pleno, sistemático e duradouro da máquina federal”. E mais: “o conjunto de ordens executivas e medidas adotadas nesse sentido nada tem de caótico – são eficazes, precisas e reveladoras de um planejamento de anos para o desmonte da burocracia qualificada”.

Entrevista | Marcello Faulhaber: 'Economia e direita esfacelada tornam Lula favorito para 2026'

Por Thiago Prado / O Globo

A temporada de projeções sobre a eleição de 2026 continua e chegamos à segunda entrevista da nossa série com estrategistas políticos e donos de institutos de pesquisas para avaliar as chances de Lula conseguir seu quarto mandato.

Desta vez, falamos com Marcello Faulhaber, o coordenador das últimas campanhas de Eduardo Paes no Rio, que vai contra a corrente das falas dos últimos sete dias. Economista, Faulhaber também esteve no núcleo de estratégia da campanha de Lula contra Jair Bolsonaro em 2022, ao lado do atual Secretário de Comunicação do Planalto, Sidônio Palmeira.

Na semana passada, Renato Pereira, o novo marqueteiro do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), cravou para o Jogo Político que a próxima corrida ao Planalto será de mudança. Foi o mesmo espírito da fala do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que disse que Lula perderia a disputa se ela ocorresse hoje.

Faulhaber está mais alinhado a outra linha de pensamento, que se fortaleceu nesta semana, após a divulgação da pesquisa Quaest colocando o petista na frente dos adversários de direita em todos os cenários analisados.

Destaco dois artigos na imprensa que também enxergam Lula como favorito. Nesta terça-feira, no GLOBO, o editor-executivo Paulo Celso Pereira escreveu que será difícil derrotar o PT em 2026: "Lula tem a máquina pública a seu favor, o maior partido do país, o segundo maior fundo eleitoral e controla o tempo". Na "Veja", Thomas Traumann foi pelo mesmo caminho em texto da última segunda-feira: "Lula terá a máquina federal nas mãos. Apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro conseguiu perder uma eleição estando no cargo. Do lado da oposição, há muita vaidade e pouca organização".

Abaixo, os principais trechos da conversa com Faulhauber.

Poesia | 10 poemas brasileiros famosos

 

Música | Casuarina e Teresa Cristina - Dia de Graça (Candeia)

 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Déficit recorde das estatais mostra que privatizar é urgente

O Globo

Estado não pode manter controle sobre empresas que só não fecham porque têm acesso a cofres públicos

Como previsto, as estatais federais, excluindo bancos públicos e Petrobras, fecharam 2024 com déficit recorde de R$ 6,7 bilhões, o maior em 23 anos, de acordo com o Banco Central. A ministra de Gestão e Inovação, Esther Dweck, se saiu com uma explicação insólita. “Não chamem de rombo”, disse ela. “O que foi divulgado pelo Banco Central é o resultado fiscal das empresas, que pensa só as receitas do ano e as despesas do ano. Muitas despesas são feitas pelas estatais com dinheiro que estava em caixa, portanto ele acaba gerando resultado deficitário, ainda que as empresas tenham lucro.” Independentemente do jargão contábil ou eufemismo que o governo escolha para descrever o desequilíbrio financeiro, é evidente que em algum momento ele terá de ser coberto pelo Tesouro, como foi no passado.

Esperando Gonet - Vera Magalhães

O Globo

Em Brasília, todos aguardam a manifestação do PGR nos inquéritos que pedem que Bolsonaro e 25 militares sejam tornados réus

Todas as atenções de Brasília estão voltadas para Paulo Gonet, que está na muda. Ninguém sabe se estamos a dias ou semanas das manifestações do procurador-geral da República nos inquéritos envolvendo Jair Bolsonaro e aliados, mas não se fala nem se respira outro assunto na capital federal.

O maior grau de ansiedade pode ser sentido na oposição, notadamente na ala mais bolsonarista, e nas Forças Armadas. A expectativa entre os militares é que Gonet faça algum tipo de triagem para reduzir o número de denunciados de farda ou de pijama em relação aos indiciados pela Polícia Federal na investigação do golpismo no governo Bolsonaro.

Dos 37 indiciados, 25 são militares, da ativa ou da reserva, de diversas patentes. É muita gente, entendem interlocutores das três Forças. A avaliação colhida em Brasília é que o PGR será mais criterioso que a PF, instituição em que se enxerga alinhamento maior aos desígnios do ministro Alexandre de Moraes, relator deste e de outros inquéritos que aguardam a caneta de Gonet.

Haddad e Banco Central divergem sobre inflação – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Tanto Motta quanto Alcolumbre sinalizam que pretendem fortalecer Haddad. O ministro da Fazenda é muito criticado pela bancada do PT

O Banco Central comunicou ao mercado, nesta terça-feira, que suas expectativas de inflação aumentaram de forma significativa nos últimos meses, a curto e a longo prazos. Registrou, especialmente, a alta do preço dos alimentos, conforme a ata da reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). Realizada na semana passada, a primeira sob a presidência de Gabriel Galípolo, a reunião subiu os juros de 12,25% para 13,25% (Selic) e manteve a previsão de que deverão chegar a 15% até junho.

O BC atribuiu a inflação dos alimentos à estiagem e ao aumento do preço das carnes, por causa do câmbio. A ata do Copom também afirma que o dólar pressiona preços no Brasil e, por isso, os produtos industrializados podem ficar mais caros. Entretanto, o dólar recuou mais uma vez nesta terça-feira, a R$ 5,77, voltando ao patamar de novembro passado. Há 12 dias consecutivos está em queda. A variável que influencia a queda do dólar é o aumento de tarifas proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mais fraco do que se previa, depois de acordos com o Canadá e o México.

Trump põe todos no colo da China – Elio Gaspari

O Globo

Donald Trump entrou na Casa Branca com a cabeça no fim do século XIX. Naquele tempo, o vigor da economia americana contrapunha-se a uma Europa dividida e a uma América Latina sonolenta. Se os Estados Unidos tinham rivais, depois de 1914 eles resolveram brigar com duas guerras. Em 1945, terminada a briga, a economia americana era, disparada, a mais forte do mundo. Do outro lado estava a falecida União Soviética. Veio a Guerra Fria, e ela desmoronou.

Em poucas semanas o presidente americano ameaçou a Europa, encrencou com os dois vizinhos e com a China, a segunda economia do mundo.

Falta ao trumpismo a percepção de um lugar-comum: a paciência chinesa. No final do século XIX, o Império do Meio estava em franca decadência e, ao final da Segunda Guerra, em 1945, era uma nação conflagrada pela guerra civil. Hoje, a situação é outra. Misturando protecionismo e expansionismo, Trump joga uma parte do mundo no colo da China.

A coreografia de Motta para se estabelecer ao centro - Fernando Exman

Valor Econômico

Centrão mostra para petistas e bolsonaristas que 2025 é visto como um ano de contenção, sem passos arrojados para a esquerda ou direita

Muitos convidados já estavam na festa oferecida por Hugo Motta após sua vitória na eleição para a presidência da Câmara, quando começou a circular a informação, à boca pequena, que o anfitrião ainda iria demorar um pouco a chegar. Um correligionário confidenciou: o deputado e alguns de seus aliados mais próximos estavam na casa de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Soube-se depois que ocorrera o mesmo com o presidente recém-eleito do Congresso, Davi Alcolumbre, que organizara uma outra comemoração na residência oficial do Senado.

Mas nada que tenha incomodado os presentes em ambos os eventos. O forró rolava solto. Nos bastidores, contudo, a movimentação era mais sutil. Nas rodas de conversa, a reunião era vista como um primeiro gesto da nova cúpula do Congresso em direção ao Judiciário, o Poder que tem buscado dar mais transparência à execução das emendas parlamentares ao Orçamento, com o apoio envergonhado do Executivo, a despeito da resistência de deputados e senadores.

Nitroglicerina pura no caminho do Congresso - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Parlamentares terão de retomar este ano uma discussão sobre os critérios de repartição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados, que se arrasta sem solução desde pelo menos desde a Constituição de 1988

Neste ano, o Congresso Nacional precisará retomar uma discussão que se arrasta sem solução desde pelo menos desde a Constituição de 1988: os critérios de repartição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023 diz que as regras atualmente aplicadas só valem até 31 de dezembro de 2025.

O FPE é formado com parte das receitas do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dois tributos federais, e repartido entre os Estados para reduzir desigualdades. No ano passado, foi um bolo de R$ 149,8 bilhões que, para as unidades menos desenvolvidas da Federação, representou parcela importante das receitas.

Von der Leyen vê o mundo mais perigoso e 'tudo transacional' - Assis Moreira

Valor Econômico

Aponta tentativa concertada para construção de esferas de influência, e emergentes prontos a trabalhar com quem oferecer mais

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (27 países), fez ontem o discurso anual para os embaixadores europeus, em Bruxelas. Dessa vez, ela disse que procurou refletir a necessidade urgente de entender o estado de mudança do mundo.

Aos diplomatas europeus por todos os cantos do planeta, ela destacou como ficou ultrapassada a imagem de um mundo indo na direção de mais cooperação e hiperglobalizado. O que se vê agora é que ‘os grandes medos estão de volta, desde o medo suscitado pelas mudanças climáticas, passando pela Inteligência Artificial, até o medo da migração ou simplesmente de ser deixado para trás. E isso também permeia os assuntos globais’, afirmou.

Dólar ainda mais forte? – Zeina Latif

O Globo

O cenário internacional, que muito preocupa, inclusive o Banco Central, talvez não seja tão ruim quanto se teme

É comum entre analistas a visão de que o dólar tende a se valorizar globalmente com a política econômica isolacionista de Donald Trump. A menor oferta de mão de obra, por conta da deportação em massa de imigrantes ilegais, e as tarifas sobre os importados produziriam uma inflação mais alta, ainda que temporariamente.

Para contê-la, o Fed manteria os juros em patamares elevados. O resultado seria o fortalecimento do dólar, por conta do diferencial de juros a favor da atração de capitais para os EUA.

Essa equação, porém, é bem mais complexa.

Quem ganhou a batalha dos bonés? - Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

É triste ver que a política se transformou em disputa de quem tem mais cliques, e não programas, nas redes

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), estava ao lado do presidente Lula, na manhã de ontem, quando a equipe do ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, entrou animada no gabinete do Palácio do Planalto. Nos oito segundos de gravação, com um mapa-múndi ao fundo, Lula não diz uma palavra, mas aparece, em efeito Boomerang, com um boné azul na cabeça.

Não era qualquer boné. Era o acessório que ganhou fama na disputa com bolsonaristas pelo conceito de patriotismo, na esteira da posse do presidente dos EUA, Donald Trump. Desta vez, no entanto, o bordão não foi importado como o Make America Great Again. “O Brasil é dos brasileiros”, destaca a inscrição.

A luta pelo Orçamento - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

A queda de braço para comandar o maior quinhão dos recursos só deve se acentuar nos próximos anos

Na volta do recesso parlamentar, a votação do Orçamento de 2025 é o foco de curto prazo do Congresso e também de uma disputa que vem se acirrando nos últimos anos: o controle pela redistribuição das receitas tributárias entre o Legislativo e o Executivo. A luta pelo Orçamento está na origem de diversos momentos decisivos na história do Brasil, e, se o passado servir de referência, a queda de braço para comandar o maior quinhão dos recursos só deve se acentuar nos próximos anos.

“A disputa pelo Orçamento é praticamente perene na nossa história e, mesmo quando não é tão visível, ela existe, como em períodos autoritários, a exemplo da era Vargas”, diz o professor em história do Brasil na USP e autor do livro Entre oligarquias: as origens da república brasileira (1870-1920), Rodrigo Goyena. O Orçamento não foi só fonte de conflitos, mas também solução pacificadora para se evitar crises desestabilizadoras.

O circo político e Lula 4 - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Inflação, centrão no governo, emendas e julgamento do golpe pesarão no cenário eleitoral

A política politiqueira do Brasil volta devagar das férias, além do mais ofuscada pela reestreia do circo sinistro de Donald Trump. A propaganda de Lula 3 está sob nova administração. O acontecimento mais importante se deu na política virtual ou memeológica, a revolta do Pix.

As redes sociais de Lula agora são mais animadinhas e gente do governo usa a cabeça para vestir uma versão do bonezinho trumpista. O presidente tenta não criar caso com o Banco Central. Diz que a Petrobras faz o que quiser com os preços. Fala de "responsabilidade fiscal". Não é bem assim, mas é melhor do que causar sururu contraproducente gritando o contrário. Afinal, como diz o próprio Lula, 2026, a campanha eleitoral, já começou. Tem até pesquisa.

A promessa de Lula a Mucio – Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Presidente assegurou ao ministro apoio à PEC que afasta militares da política

Em meio ao ambiente de incertezas sobre quem fica ou quem sai da equipe do presidente Luiz Inácio da Silva (PT), o ministro José Mucio Monteiro (Defesa) é o único que pediu para sair e, como resposta, ouviu um apelo para ficar.

Não exigiu contrapartidas, mas obteve como bônus o compromisso do presidente de emprestar apoio firme do governo à proposta de emenda constitucional (PEC) que exige a passagem para a reserva de militares que concorram a cargos eletivos, mesmo que percam as disputas.

Trump desmonta o soft power americano - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Estratégia de enfrentamento do presidente americano pode render frutos imediatos, mas traz prejuízos no longo prazo

Donald Trump já mostrou que não hesitará em impor tarifas, tanto a países aliados como a adversários. Também mostrou, pela rapidez com que "se entendeu" com México e Canadá, que está mais interessado em arrancar concessões de seus parceiros do que em erguer barreiras alfandegárias.

Há uma explicação psicológica para isso. Trump gosta de se vender ao mundo como um gênio dos negócios. Introjetou tanto essa imagem que os centros de prazer de seu cérebro fervilham cada vez que ele acha que fez uma boa negociação.

A extrema direita sequestrou a rebeldia - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Esquerda resiste à ideia de que contribuiu para a manutenção de Trump e de seus aliados

Há, evidentemente, muitas razões pelas quais pelo menos metade dos eleitores norte-americanos tem preferido Trump nas últimas três eleições. E essas razões provavelmente são muito parecidas com aquelas que levam pelo menos metade dos eleitores brasileiros a continuar optando por candidaturas presidenciais da extrema direita desde 2018.

O que me preocupa, no entanto, é a resistência da esquerda e dos progressistas em se implicar nessa virada eleitoral para a extrema direita, que tem se repetido ao longo desta última década.

"Implicar-se" significa reconhecer que a própria esquerda está errando e que seus erros são parte das razões que alimentam o vertiginoso crescimento do apoio a extremistas, desta vez em conformidade com as regras do jogo da democracia eleitoral.

O que tem sido constante nas promessas de campanha de Trump, no seu discurso de posse, nas suas primeiras ordens executivas e em suas declarações? Duas coisas. Um etnocentrismo sem limites, expresso na retórica radical de colocar os interesses americanos acima de tudo, proteger a segurança nacional, romper com compromissos multilaterais e restaurar o orgulho e a prosperidade do país. E uma promessa direta e sem concessões de desmontar a agenda e a cultura progressista e de esquerda, especialmente no que diz respeito à ideologia e às práticas identitárias.

Em busca do propósito da vida - Cláudio Carraly

A busca pelo propósito é uma jornada que ecoa através dos tempos e culturas, uma odisseia intrínseca à condição humana, desde o alvorecer mais remoto da história, contemplamos a razão de existir, procurando significado em um universo aparentemente vasto e indiferente, o chamado “propósito” é como uma estrela distante, uma luz guia que cintila no horizonte do desconhecido, convidando-nos a explorar as profundezas do nosso ser e a desvendar os mistérios da vida.

Encontrar o propósito é uma jornada repleta de desafios e questionamentos, muitos de nós nos encontramos perdidos em um labirinto de possibilidades, em busca de um fio condutor que dê sentido às nossas vidas repletas de imensos vazios, sim, estamos cheios de nos sentir vazios. Nossa psique é um oceano de emoções, pensamentos e impulsos, navegar por suas profundezas requer autoconhecimento e coragem para enfrentar nossos medos e inseguranças, e por muitas vezes o que buscamos se esconde nas camadas mais profundas da nossa alma, aguardando para ser descoberto através da introspecção, reflexão e da autoaceitação.

Poesia | João Cabral de Melo Neto - O engenheiro

 

Música | Yamandu Costa - Ilhas Concertantes (China 2024)

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Tarifas de Trump terão efeito nefasto em todo o mundo

O Globo

Não se sabe até que ponto ele levará a cabo suas ameaças, mas uma guerra comercial terá custo alto para todos

No que diz respeito às tarifas, ninguém pode acusar Donald Trump de estelionato eleitoral. Ele foi explícito na campanha à Presidência ao dizer que taxaria produtos importados de CanadáMéxico e China. Ao pôr a promessa em prática, explora politicamente o ressentimento de quem se sente alijado dos benefícios da integração comercial. Para os Estados Unidos e para o mundo, porém, o efeito será péssimo. Com diagnóstico contrário à ciência econômica, Trump faz pouco-caso das consequências potencialmente devastadoras. A reação ao tarifaço levanta o risco de uma guerra comercial sem precedentes em quase cem anos.

Depois da ameaça inicial, Trump congelou por um mês as tarifas impostas sobre México e Canadá. Nesse prazo, os países buscarão consenso sobre medidas de segurança na fronteira. Em discurso emocionante, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, fizera questão de lembrar o longo histórico de parceria com os americanos: “Das praias da Normandia às montanhas da Península Coreana, dos campos de Flandres às ruas de Kandahar, nós, canadenses, lutamos e morremos ao seu lado”. E lembrou que o Canadá é rico em minerais estratégicos para a economia digital. Não se sabe até que ponto Trump levará a cabo suas ameaças, mas perder o apoio canadense, implodir a área de livre-comércio na América do Norte ou deflagrar uma guerra comercial de proporções globais terá custo altíssimo para todos — a começar dos americanos.

O governo Lula é ruim, mas é difícil derrotá-lo - Paulo Celso Pereira*

O Globo

Presidente tem a máquina pública a seu favor, o maior partido do país, o segundo maior fundo eleitoral e controla o tempo

Na primeira semana de fevereiro de 2021, Jair Bolsonaro dava início à segunda metade de seu mandato emplacando os aliados Arthur Lira na presidência da Câmara e Rodrigo Pacheco na do Senado. Àquela altura, o país já havia perdido mais de 200 mil vidas para a Covid-19 e, após atrasos do Ministério da Saúde, finalmente as primeiras doses de vacina chegavam aos brasileiros.

Janeiro havia sido marcado por empresários alardeando a necessidade de o governo ficar atento ao déficit fiscal, com Bolsonaro reclamando, veja só, da dificuldade de isentar o imposto de renda quem ganhava até R$ 5 mil:

— O Brasil está quebrado. Eu não consigo fazer nada — bradou.

O governo era bem avaliado por 31% dos brasileiros, segundo o Datafolha, enquanto 40% o consideravam ruim ou péssimo — índice que passaria de 50% no segundo semestre daquele ano.

Cenário para 2026 têm Lula competitivo e direita dividida

Fernanda Alves / O Globo

Petista lidera em intenções de voto em todos os cenários testados e vence seus rivais nas simulações de segundo turno

Apesar da queda de popularidade de seu terceiro mandato, registrada na última pesquisa Genial/Quaest, novos resultados do mesmo levantamento divulgados na segunda-feira mostram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém como o nome mais competitivo entre os cotados para a disputa ao Palácio do Planalto em 2026. O petista lidera em intenções de voto em todos os cenários testados e vence seus rivais nas simulações de segundo turno, como antecipou no domingo a coluna de Lauro Jardim no GLOBO.

Em meio à fragmentação da direita, que busca um nome para substituir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, o cantor Gusttavo Lima (Sem partido) desponta com o melhor desempenho em eventual segundo turno contra Lula na comparação com outras lideranças do campo, como os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Lula mantém o favoritismo com oposição dividida – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

No segundo turno, num embate contra Tarcísio, Lula venceria pelo placar de 43% a 34%. Já contra os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Lula teria 45% dos votos, contra 28% e 26%

Começou o segundo tempo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se considerarmos a teoria do copo pela metade — para os otimistas está quase cheio, para os pessimistas, quase vazio —, diríamos que está se esvaziando, porém Lula ainda tem direito a refil. Apesar da queda de popularidade, principalmente após o impacto da inflação, anabolizado pela controvérsia do Pix, a pesquisa da Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira, mostra que, se as eleições fossem hoje, Lula venceria todos os seus adversários na disputa de 2026.

Na semana passada, pesquisa Genial/Quaest mostrou que a reprovação de Lula ficou maior do que a aprovação, pela primeira vez, desde janeiro de 2023. Nesse novo levantamento, foram traçados quatro cenários para o primeiro turno, e, para o segundo turno, seis. Lula venceria em todos os cenários do segundo turno, porém perderia para a soma dos votos dos adversários em todos as simulações do primeiro turno. A pesquisa foi realizada entre 23 e 26 de janeiro e ouviu presencialmente 4.500 brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de apenas um ponto percentual.

Os motivos do recuo de Donald Trump - Míriam Leitão

O Globo

Trump recuou em relação ao México e ao Canadá. Falta a China. Se cumprir as ameaças, os EUA serão afetados

A suspensão por um mês das tarifas de 25% impostas por Donald Trump ao México e ao Canadá foi um momento de lucidez no comportamento belicoso e caótico do novo presidente americano. Ele fez a mesma ameaça contra a China. Esse aumento unilateral de tarifas, caso aconteça, em algum momento, afetará principalmente a economia americana. A tarifa incide sobre a exportação para os Estados Unidos, mas quem a recolhe é o importador, que repassará o custo aos preços, elevando a inflação. A queda do crescimento também será primeiramente sentida na economia dos EUA. Uma tarifa de 10% não reduzirá a competitividade da China.