Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
domingo, 24 de julho de 2022
Opinião do dia – Eduard Bernstein*: democracia
Merval Pereira - Um discurso histórico
O Globo
Ex-presidente José Sarney defende a
democracia em discurso na ABL
O ex-presidente José Sarney, como seu
decano, orador oficial da sessão solene dos 125 anos da Academia Brasileira de
Letras, fez um discurso unanimemente reconhecido como de importância histórica
e política. Sua manifestação pela defesa das eleições e da democracia foi
fundamental nesses momentos turbulentos que vivemos. Dito do púlpito da ABL,
deu relevo à posição institucional de defesa da cultura e da liberdade de
expressão.
Foi a partir da palavra, “a expressão de
nossa Casa” que Sarney abordou a defesa da cultura, seu primeiro ponto de
análise dos tempos recentes: “sua luz ilumina a sociedade, marcada pela
infinitude como a matéria que forma o universo — a luz da palavra forma o nosso
universo, e é com ela que nos erguemos para defender a cultura, para exprimir a
cultura, para iluminar o caminho e abrir alas para a cultura”.
Assumindo a posição de “Presidente que conduziu a transição para a democracia”, Sarney lamentou que não seja só a cultura brasileira que precisa, neste momento, ser defendida.“ Tenho a responsabilidade de defendê-la. Ela se consolidou pela prática continuada de eleições livres, sob a vigilância segura e firme do Tribunal Superior Eleitoral. Garantir que o Judiciário exerça em plenitude suas responsabilidades é absolutamente necessário para que a democracia prevaleça. O Brasil precisa se unir em torno deste objetivo”.
Bernardo Mello Franco - Utilidades do negacionismo
O Globo
Insistência no negacionismo ajudará
presidente a manter tropa unida em caso de derrota
A Terra é plana. A Amazônia não pega fogo.
A Covid é só uma gripezinha. A urna eletrônica foi programada para roubar votos
dos patriotas. Na era da comunicação instantânea, negar a realidade deixou de
ser atestado de ignorância. Virou tática para fidelizar seguidores e se
perpetuar no poder.
No comício do Alvorada, Jair Bolsonaro
bombardeou os embaixadores com mentiras e teorias conspiratórias. Praticou
“negacionismo eleitoral”, na definição do ministro Edson Fachin. O presidente
do TSE pediu um “basta” à desinformação e ao populismo autoritário. Se depender
das convicções democráticas do capitão, é melhor esperar sentado.
Bolsonaro tem um plano. Quer permanecer no cargo a qualquer custo, seja no voto ou na marra. O segundo cenário não depende mais de um golpe clássico, nos moldes de 1964. O capitão parece apostar numa versão tupiniquim da invasão do Capitólio, estimulada no ano passado por seu ídolo Donald Trump.
Míriam Leitão - Tempestade afeta colheita política
O Globo
Bolsonaro poderia ter começado a colher
algumas boas notícias na economia, mas teve uma semana de exposição negativa
pelo seu ataque às urnas
Quando o presidente Bolsonaro começaria a
colher boas notícias na economia, ele mesmo lembrou a todos que o grande ponto
desta eleição é a democracia e não as oscilações da conjuntura econômica. Foi
uma semana inteira de exposição negativa e de reação de entidades, servidores
públicos e embaixadas provocadas pelo seu mais violento atentado ao sistema
eleitoral feito diante de testemunhas estrangeiras. A classe média está
começando a sentir alívio ao ir ao posto de gasolina, como resultado das muitas
intervenções de Bolsonaro na economia, mas não é sobre isso a eleição de 2022.
No mês de junho, o leite subiu 5,68%, os combustíveis caíram 1,2%, e a energia, 1,07%. Hoje, o litro do leite é mais caro que o litro da gasolina e essa distância vai continuar. No índice de julho, o combustível cairá mais. De janeiro a junho, o preço da energia elétrica caiu 14,25%, mas os alimentos subiram 8,42%. Dentro deles, leite e derivados tiveram alta de 22,38%. Isso porque o governo centrou seu esforço anti-inflacionário na dupla energia e combustíveis. A classe média e os ricos são consumidores intensivos de energia e gasolina. Para os pobres, o que pesa é o alimento.
Dorrit Harazim - Silêncios
O Globo
Difícil dizer quem é o mais desprezível
para o cargo que ocupa
A horda de milicianos ideológicos que invadiu o Capitólio naquele 6 de janeiro de 2021, em Washington, seguiu a palavra de ordem lançada pelo próprio 45º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aquartelado na Casa Branca: interromper a qualquer custo o processo democrático em curso naquele dia. Isto é, impedir seu vice-presidente, Mike Pence, de certificar em ata a vitória nas urnas do democrata Joe Biden para lhe suceder. Como os amotinados traziam no peito graus variados de intoxicação cívica, prevaleceu a eclosão da fúria dirigida —aquela que se alimenta da falsa coragem coletiva. Houve mortos, mais de cem policiais do Legislativo ficaram seriamente feridos (dois se suicidaram nos dias seguintes), e Pence correu o risco real de ser degolado pela malta trevosa de Trump, o homem a quem servira com fidelidade por quatro anos.
Elio Gaspari - A fritura de Trump
O Globo
A comissão da Câmara que investiga o
comportamento de Donald Trump durante a insurreição de 6 de janeiro de 2021
fechou o foco em 187 minutos durante os quais o presidente dos Estados Unidos
permaneceu em silêncio cúmplice. Graças às câmeras de vídeo, às mensagens com o
registro da hora e dos minutos, bem como as listas de telefonemas da Casa
Branca, produziu-se uma inédita reconstrução de fatos. Magnífica demonstração
da eficácia do FBI e da Justiça. Os federais americanos já pegaram 840 pessoas e
pelo menos 185 foram sentenciadas. Uma delas pegou cinco anos de cadeia por ter
agredido um policial.
Os 187 minutos começam às 13h10, quando
Trump terminou de discursar perto da Casa Branca. Ele havia estimulado a marcha
para o Capitólio, sugerindo que a acompanharia. Foi para a Casa Branca, onde
ficou grudado nas televisões.
Aqui vai o que aconteceu a quatro pessoas
que provavelmente foram vistas por Trump enquanto curtia o dia.
Entre 13h e 13h30, o veterano fuzileiro Carey Walden escalou uma parede do Capitólio. Preso em maio, declarou-se culpado e foi condenado a 30 dias de prisão domiciliar.
Ruy Castro - E aquela do Millôr?
Folha de S. Paulo
Não foi por falta de aviso que chegamos à
situação de hoje
Se o Brasil de hoje é isso que estamos
vendo, não foi por falta de aviso. Millôr
Fernandes (1923-2012) levou grande parte do século 20 nos
avisando. Exemplos?
"Deus projetou o Brasil como uma sala de estar. Mas os proprietários
preferiram usá-lo como depósito de lixo." "Deus é brasileiro. Mas,
para defender o Brasil de tanta corrupção, só escalando Deus no gol."
"A voz do povo é a voz de Deus. Mas Deus, sempre que fala, manda o povo
calar a boca." "O Brasil é uma empresa unifamiliar."
"Brasil, país do faturo." "Brasília é a prova de que os países
também se suicidam."
"O cavalo foi um elefante projetado pelo Planalto. Na hora do acabamento,
sumiram vinte por cento." "O dinheiro da corrupção compra até caráter
sem jaça." "Nossos
corruptos são tão incompetentes que só conseguem roubar do
governo. Se fossem ladrões na iniciativa privada, morreriam de fome."
"Afinal, o que mais falta nesse Congresso? Quorum ou dequorum?"
"No Congresso Nacional, uma mão suja a outra."
Bruno Boghossian - A arma da desordem
Folha de S. Paulo
Presidente trabalha insistentemente para
enfurecer seguidores com falsa ideia de conspiração
A comissão do Congresso americano que
investiga a invasão do Capitólio reuniu provas de que o presidente Donald Trump
escolheu deixar a violência correr solta naquele 6 de janeiro. O republicano
assistiu ao ataque pela TV e se recusou a mandar aos apoiadores a
mensagem de que a eleição estava encerrada.
O tumulto foi uma arma útil para Trump naquela investida contra o processo eleitoral. Com baixa adesão institucional, a insurreição permitiu ao americano criar incertezas sobre o futuro político do país. Agora, a expectativa de confusão é uma peça central dos preparativos de Jair Bolsonaro para questionar o resultado da votação de outubro no Brasil.
Muniz Sodré* - O saturado e o podre
Folha de S. Paulo
Tudo é efeito da exaustão de instituições
democráticas, em meio ao turbilhão mundial de mudanças
Em entrevista bem ponderada, um pastor
evangélico fez raro diagnóstico de "apodrecimento da política e da
religião". Há, de fato, um momento em que toda forma de poder, benigna ou
maligna, começa a definhar. Para o primeiro tipo, o sociólogo russo Pitirim
Sorokin, fundador do departamento de sociologia de Harvard, concebeu a hipótese
da "saturação", ou seja, de esgotamento das possibilidades históricas
de uma forma social. O segundo diz respeito às formas autocráticas, que
atropelam a normalidade das instituições sociais.
É possível, assim, falar de saturação das formas canônicas da democracia representativa ou, noutro plano, de uma fórmula anteriormente consagrada da indústria cultural. A televisão e as revistas semanais coloridas fornecem um bom exemplo. Nas décadas de 1960 e 1970, as revistas prosperaram em termos de audiência e publicidade até a inevitável saturação frente aos atrativos da televisão que, por sua vez, também tenta hoje contornar com "remakes" de sucesso o enfartamento das telenovelas. Esse é um fenômeno razoavelmente normal, dentro do escopo teórico de Sorokin.
Janio de Freitas - Silêncio na desordem
Folha de S. Paulo
Apresentação de Bolsonaro a embaixadores
emudeceu militares
O gênio que sugeriu a exibição
de Bolsonaro a representantes do mundo merece o reconhecimento dos
democratas. A ele se deve a inversão simultânea que emudeceu os generais e
coronéis, de farda e de pijama, contrários à segurança das urnas eleitorais e,
de quebra, soltou as vozes antigolpe que nem se esperava mais ouvir.
Foram apontadas várias ilegalidades no ato
de Bolsonaro,
mas está mais do que provada a falta de disposição para fazê-lo responder pelos
crimes de responsabilidade, de instigação contra as instituições democráticas
e, além de outros, abusos de poder.
E como tudo dá em nada, eis um vão acréscimo: no Palácio da Alvorada, como dependência da União, a lei proíbe qualquer situação com algum sentido eleitoral. Foi, porém, com o objetivo de propagar e defender seu plano de candidato, contra o sistema eleitoral e pela intromissão aí dos militares, que Bolsonaro confessou ao mundo o seu golpismo trumpista.
Vinicius Torres Freire - Ultradireita perto do poder na Itália
Folha de S. Paulo
País não cresceu desde 2000, tem a 2ª maior
dívida da eurozona e vota em setembro
Desde a Segunda
Guerra, a Europa ocidental jamais elegeu um governo de extrema
direita. É o que pode acontecer na eleição de
setembro na Itália.
O partido mais popular é, por ora, o Irmãos
da Itália, liderado por Giorgia Meloni, com 23% das preferências, segundo o
agregador de pesquisas do site Politico. É uma organização de origem
francamente fascista, que vem tentando limpar sua barra, à maneira de Marine Le Pen na
França.
O Partido Democrático, de centro-esquerda, está quase empatado com o Irmãos da Itália. Mas, a seguir, vem a afascistada Liga, de Matteo Salvini, com 15%, os palhaços demagógicos do Cinco Estrelas, com 12%, e a direita bunga bunga do Força Itália, com 8%, de Silvio Berlusconi, 85 anos, ainda na ativa, um líder da derrubada do governo de união nacional de Mario Draghi.
Eliane Cantanhêde - Demonstração de força
O Estado de S. Paulo
Como na promulgação da PEC da reeleição, Bolsonaro será tudo hoje, menos o Bolsonaro real
A convenção de hoje do PL para lançar a
chapa Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto foi programada para ser uma grande
demonstração de força (no sentido eleitoral...) e marcar a “virada” prevista
para agosto. Tudo grandioso, alvos eleitorais claros e Bolsonaro está sendo
domado para não estragar a festa.
Será no Sudeste, região decisiva, no Rio de
Janeiro, onde Bolsonaro tem base eleitoral desde sempre e fez um strike em
2018, e, nada mais nada menos, no icônico Maracanãzinho, palco de grandes
momentos da vida nacional.
Com São Paulo, Minas, Rio e Espírito Santo, o Sudeste tem 64,2 milhões de eleitores (43% do total) e é improvável vencer sem ganhar ali. A região tem mais eleitores do que o Nordeste (27%) e do que, juntos, Sul (15%), Norte (8%) e Centro-Oeste (7%).
Rolf Kuntz - Gastança como bandeira eleitoral
O Estado de S. Paulo
Candidatos prometem eliminar ou reformar o
teto de gastos, sem discutir questões fiscais mais importantes e sem cuidar da
credibilidade.
Pior que a saúva, a taxa de juros e o verbo
no subjuntivo, o maior inimigo do povo brasileiro é o teto de gastos, a julgar
pelas promessas dos mais vistosos candidatos à Presidência da República.
Liberdade para gastar é uma grande bandeira comum. Não se discutem, no entanto,
velhos e bem conhecidos problemas, como o engessamento das finanças federais.
Mais de 90% das verbas orçamentárias são comprometidas com despesas
obrigatórias. Mas ninguém fala em eliminar as vinculações, tornar o Orçamento
mais flexível e usar o dinheiro público de modo mais eficiente. Vinculação
torna o dispêndio inevitável, mesmo sem planejamento, e escancara porteiras
para corrupção e para malandragens. Se a Constituição manda gastar xis por
cento em saúde, vamos cumprir a obrigação e comprar ambulâncias superfaturadas.
Se é preciso destinar recursos à educação, que tal comprar um monte de
computadores para uma escola onde faltam até banheiros? Nenhum dos dois
exemplos é imaginário.
Criado em 2016, depois de uma enorme lambança fiscal e de uma dura recessão, o teto de gastos foi concebido para durar 20 anos, com uma reforma possível no meio do caminho. Sua principal função seria restabelecer, na rotina do poder público, o respeito à disciplina financeira. Limitar a variação do dispêndio à inflação do ano anterior seria parte do esforço de reconstrução. Seria uma forma de carimbar, na administração brasileira, a marca da seriedade na gestão de suas contas. Seriedade é diferente, nesse caso, de mero conservadorismo. Denota, além de outros predicados, credibilidade.
Luiz Carlos Azedo - Bolsonaro aposta no discurso do bem contra o mal
Correio Braziliense
O núcleo político da campanha — o ministro
da Casa Civil, Ciro Nogueira; o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; e o
presidente da Câmara, Arthur Lira, — acredita no impacto da PEC das Eleições
Não é à toa que a farra com o Orçamento da
União que move o Centrão na campanha de reeleição de Jair Bolsonaro está
programada para acabar em 31 de dezembro, inclusive o Auxílio Brasil e os subsídios
para caminhoneiros e taxistas. São apostas para turbinar a sua campanha de
reeleição, não são políticas estruturantes de combate à miséria, à fome e ao
desemprego. O projeto de Bolsonaro deve ser anunciado na próxima semana, foi
coordenado pelo general Braga Netto, que hoje será indicado candidato a vice.
Não é um programa de governo, é um projeto de regime iliberal. Entretanto,
ambos estão convencidos de que as eleições serão fraudadas para garantir a
volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao poder.
“Na lei ou na marra” era a palavra de ordem
das Ligas Camponesas, lideradas por Francisco Julião, que reivindicavam a
reforma agrária. Essa foi uma das causas do isolamento do governo de João
Goulart, que anunciou, no famoso comício de 13 de maio, que ia decretar as
reformas de base à revelia do Congresso. O resto da história todos sabem.
Quanta ironia, agora, com sinal trocado, Bolsonaro passa a impressão de que
pretende continuar no poder na marra, ao atacar as urnas eletrônicas e os
ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Edson Fachin, atual presidente,
e Alexandre de Moraes, que o substituirá no momento da eleição.
Há uma esquizofrenia na campanha de Bolsonaro à reeleição, cuja candidatura será formalizada hoje, numa grande convenção do PL, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. O núcleo político da campanha — formado pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira; o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; e o presidente da Câmara, Arthur Lira, — aposta todas as fichas no impacto da PEC das Eleições na vida das famílias de baixa renda, que ainda têm saudades do governo Lula, e na eficácia das emendas secretas do Orçamento da União, em manter e turbinar eleitoralmente as bases governistas, principalmente no Nordeste. Acreditam que a diferença entre Bolsonaro e Lula deve cair para cinco pontos percentuais até 16 de agosto, quando começa a propaganda de televisão e rádio.
George Gurgel* - A Flor da Memória
Uma viagem ao tempo da poesia, da música,
através dos relatos afetivos, das convivências e das parcerias musicais destes
dois consagrados artistas brasileiros.
As memórias pessoais e familiares, assim
como o processo de criação de Capinan e Roberto vão sendo lembrados,
visualizados, recitados e cantados através das parcerias de mais de 20 anos.
Um mundo cultural e um mundo espiritual se
abrem com a flor da memória a partir do Sertão, do mar da Bahia, do Recôncavo e
de Santo Amaro, irradiando belezas por toda a parte.
Uma viagem nas nossas próprias vidas, no
mundo em que vivemos, nas nossas humanidades, no Brasil que temos e o que
queremos ter.
Uma noite encantada, que maravilha de ser!
“A Flor da Memória” nos animou, nos temperou e nos desafia nesses ásperos momentos que estamos vivendo para a valorização dos nossos valores culturais, espirituais, ancestrais e atuais. Leva-nos também a celebrar a vida em cada um de nós, nas nossas comunidades, na sociedade brasileira, nos tornando uma melhor humanidade, no caminho de uma sociedade sustentável. A sustentabilidade como possibilidade a ser construída para o Brasil e para toda a humanidade.
Cristovam Buarque* - É a vergonha, gente!
Blog do Noblat / Metrópoles
São muitas razões para não votar no
Bolsonaro. Mas, de todas, a razão que parece fundamental “é a vergonha,
gente!”.
Quando se discutia qual tema justificaria o
voto no candidato Bill Clinton, seu assessor e estrategista da campanha, James
Carville ficou famoso por responder: “É a economia, idiota!”. Ele tinha razão. Este
era o tema do momento para atrair os eleitores. Na nossa eleição, em 2022, há
diversas razões para não se votar pela reeleição de Bolsonaro.
“A economia é uma delas, gente!”. Com uma
inflação acima da meta, o o crescimento patinando, o desemprego elevado, não se
vê perspectiva de um novo momento econômico para o país nos próximos anos, com
a continuação do atual governo.
Pode ser também “a democracia, gente!”. O presidente jamais escondeu sua aversão ao regime democrático, seu respeito por ditadores e torturadores. Há meses vem anunciando que não reconhece as instituições e só acredita nas urnas se o resultado for a seu favor. A defesa da democracia é uma forte razão para não votar em Bolsonaro.
Antonio Fausto Nascimento* - Por que Simone Tebet a presidente?
Pelo MDB, por ter sido o partido da resistência
à ditadura militar, durante vinte anos, que culminaram na derrota do
regime, na Anistia, no retorno dos exilados e na Constituição Federal em vigor.
PSDB, mais moderno e principal base política da Social Democracia brasileira,
tendo governado o País por oito anos, e ainda Estados e Municípios importantes,
que ainda governa. Chegou ao segundo turno em todas eleições presidenciais de
2002/2014. CIDADANIA, a tradição da Esquerda democrática e socialista, o
partido mais antigo do Brasil, recém completado um Século.
Com esse cabedal político-eleitoral, não
faria sentido que tais partidos não tivessem candidato a Presidente e demais
postos eletivos, nas eleições de Outubro próximo.
Acresce a força e densidade política da
candidatura governista, turbinada pelos recursos do Estado, orçamento secreto e
benefícios sociais aprovados pelo Congresso Nacional.
Senadora Tebet a Presidente, além do Centro Democrático, representa setores lúcidos do agronegócio, que não enxergam futuro na devastação da Amazônia, no autoritarismo e isolamento do País no concerto das Nações.
*Foi presidente do Sindicato dos Bancário,
em Pernambuco e secretário de Trabalho no governo Miguel Arraes, até o golpe militar
de 1964.
O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões
Editoriais / Opiniões
Caixa de problemas
Folha de S. Paulo
Novos depoimentos e investigações reiteram
sofríveis práticas de gestão no banco estatal
Banco estatal que se notabilizou por servir
de aparelho político a sucessivos governos, a Caixa Econômica Federal tem sido
marcada por uma série de despautérios que reiteram suas sofríveis práticas de
gestão e sugerem um ambiente empresarial turvo e propício a irregularidades.
Desde junho, quando se conheceram as acusações de
abuso sexual contra o então presidente da instituição, Pedro Guimarães,
multiplicam-se os depoimentos sobre condutas inaceitáveis do dirigente, relatos
de ameaças internas e indícios de desvios envolvendo despesas custeadas pelo
banco.
Como esta Folha noticiou,
Guimarães, além dos assédios, beneficiou-se de recursos da Caixa para reformar
sua residência e fez turismo de luxo com aluguel de carros blindados e
hospedagem em resorts durante viagens de trabalho.
Em outra frente, o Ministério Público do Trabalho investiga os motivos pelos quais diversos funcionários em topo da carreira foram lotados em agências bancárias e estão sendo subaproveitados.
sábado, 23 de julho de 2022
Marco Aurélio Nogueira* - Precisamos de uma política de civilização
O Estado de S. Paulo
Neste País carregado de possibilidades,
estamos sem governo, há estímulos para a degeneração da convivência e se
amontoam os problemas
A nossa é uma época estranha. Todas as
épocas talvez sejam assim: quem vive nelas sempre pode ter a sensação do
inusitado, de algo que não se manifestou antes. Mas a nossa é paradoxal demais.
Encanta e assusta. Confunde, perturba, excita. Parece vazia de esperança e
otimismo, como se temêssemos o que nos aguarda à frente.
Há grandes margens de liberdade e
autonomia. Podemos escolher como viver a vida. Mas não nos damos conta das
orientações que, insidiosamente, valendo-se de algoritmos e estratégias
mercadológicas, modulam e padronizam os comportamentos coletivos.
Misturam-se a isso a desinformação induzida
e a atuação de líderes autoritários, que minam os valores democráticos e
manipulam parcelas importantes da população. Há governantes que governam contra
seu povo e outros que combatem o sistema eleitoral de seu próprio país, depois
de terem dele se beneficiado.
Vivemos em redes. A cada dia, mais pessoas caem nelas. Redes são prisões ou estradas para a autonomia? Isolam-nos em bolhas e nos roubam do contato com o mundo exterior, alienando-nos? Ou são estratégias de sobrevivência, lugares de fuga de uma realidade sempre mais difícil de ser suportada e compreendida?
Entrevista | Steven Levitsky - Há risco real de autogolpe no Brasil
Marcela Villar e Hugo Barbosa, especiais para o Estadão
A menos de três meses das eleições e com a
recente onda de ataques ao sistema eletrônico de votação, há no Brasil a
possibilidade de acontecer um episódio semelhante à invasão ao Capitólio, em
Washington, nos Estados Unidos, quando apoiadores do ex-presidente Donald Trump
ocuparam o Congresso daquele país em janeiro de 2021, após o republicano não
ser reeleito. O alerta é do cientista político americano Steven Levitsky, autor
do best-seller ‘Como as democracias morrem’. “Bolsonaro parece ter se inspirado
no 6 de janeiro”, avalia Levitsky ao Estadão.
De acordo com Levitsky, que também é
professor de política em Harvard, construir uma grande coalizão, que envolva
partidos de diferentes posicionamentos ideológicos, é fundamental para derrotar
autoritários e evitar que a eleição brasileira seja subvertida. “A melhor
maneira de fazer isso é por meio de uma ampla coalizão que inclua forças de
esquerda, centro e direita”, analisa.
Confira a seguir a íntegra a entrevista concedida ao Estadão.
Demétrio Magnoli - A expressão perdida
Folha de S. Paulo
Insistir no impeachment de Bolsonaro seria
o único caminho decente para a democracia
Atônitos, os embaixadores assistiram a um
espetáculo singular. Bolsonaro, chefe de Estado, comportou-se como líder de uma
seita extremista (de direita ou esquerda) denunciando
perseguições eleitorais conduzidas contra ele por um Estado maléfico.
Na sequência, o evento foi alvo de diversas
notas críticas assinadas pelo presidente do Senado e pelos demais candidatos
presidenciais. Nenhuma delas cravou a expressão precisa: crime de
responsabilidade. Nossa democracia cambaleia.
Debati,
em 2018, na Casa Folha da Flip,
com o intelectual petista André Singer. O
impeachment de Dilma ocorrera menos de dois anos antes e Lula encontrava-se
preso. Singer sustentou a ideia de que o lulismo esgotava-se numa crise
profunda. Discordei, argumentando que o lulismo seguia como alternativa viável
de poder. Depois, concordei com a avaliação dele de que repetidos impeachments
enfraquecem a democracia.
Acertei ao discordar; errei ao concordar. No fundo, o dilema abstrato não faz sentido. Impeachment é uma das últimas linhas de defesa da democracia: a faca grosseira que, cortando o abuso de poder presidencial, preserva o império da lei. O Congresso nunca avançou rumo ao necessário impeachment de Bolsonaro porque foi comprado pelo orçamento secreto.
Hélio Schwartsman - O cheque em branco do TSE
Folha de S. Paulo
Se quisesse, o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) poderia tornar Jair Bolsonaro inelegível, tirando-o da disputa
presidencial. As repetidas invectivas do capitão reformado contra as
urnas eletrônicas são, além de falsas, tóxicas, pois
representam um ataque ao cerne do sistema democrático, que são as eleições.
Mas, mesmo que não fossem tão inapelavelmente democraticidas, o TSE teria como
impedir o presidente de concorrer.
A culpa é do Parlamento, que, na Lei de Inelegibilidades, conferiu ao TSE uma espécie de cheque em branco, ao criar as figuras do abuso de poder econômico ou político, que significam qualquer coisa que os magistrados queiram, já que a norma não os define. Apesar dos amplos poderes, a Justiça Eleitoral não costumava interferir muito.
Alvaro Costa e Silva - O presidente que queria ser eterno
Folha de S. Paulo
Para evitar a derrota, solução bolsonarista
é sair na porrada
Até as emas do Alvorada sabem... Espera aí, as emas não, estas jamais foram enganadas desde que viram o novo morador do palácio pela primeira vez. Até as colunas do Alvorada sabem que Bolsonaro não aceitará o resultado das eleições. Ele se considera um presidente vitalício. Em seu messianismo cego, costuma dizer: "Quem me colocou aqui foi Deus. Só Ele me tira daqui".
É a maior vocação de golpista já surgida no país. Deputado que vivia fazendo rachadinha e elogiando a tortura em programas de auditório, jamais foi incomodado. Eleito à Presidência —não por Deus, mas pelo voto dos brasileiros nas urnas eletrônicas—, destruiu as instituições e construiu o ambiente corrupto que lhe sustenta as ações criminosas, aliando-se a generais igualmente golpistas, comprando a cumplicidade do Legislativo e silenciando a PGR.
Cristina Serra - O Rio de sangue de Cláudio Castro
Folha de S. Paulo
Morticínio é política de Estado nas
sociedades em que não há lugar para todos
Cláudio Castro (PL) já pode ostentar os títulos de rei das chacinas, campeão dos banhos de sangue e governador mais letal da história do Rio de Janeiro. Três dos maiores massacres cometidos por forças policiais no estado ocorreram sob seu comando.
O do Jacarezinho, em maio do ano passado, com 28 pessoas assassinadas; o da Vila Cruzeiro, em maio deste ano, com 25 mortos, e agora o do Complexo do Alemão, com 19 vítimas (até o momento em que escrevo). Castro transformou a carnificina em espetáculo midiático-eleitoral.
Com cinismo nauseabundo, o carniceiro do Palácio Guanabara tentou empurrar a responsabilidade pela matança para Marcelo Freixo (PSB), seu principal adversário na disputa ao governo do Rio, e para "seu partido e aliados que proibiram nossas polícias de enfrentar esses bandidos em determinadas áreas. (...) Mas comigo não tem essa." Uma afronta explícita à decisão do STF, em vigor desde o auge da pandemia de Covid, de que a polícia só realize operações em favelas em situações excepcionais.
Ascânio Seleme - O Brasil voltou no tempo
O Globo
Em 2015, o francês Michel
Houellebecq escreveu um livro de ficção em que mostra como seria a França num
futuro não muito distante em que a maioria dos eleitores fosse de origem
muçulmana e elegesse um líder do seu grupo com muitas das crenças
fundamentalistas de seus ancestrais do Oriente Médio. Seria um desastre, claro.
O país descrito pelo escritor regrediu no tempo, sobretudo nas áreas de
costumes e cultura em razão da nova ordem instalada. “Submissão”, considerado
na França como o livro mais polêmico daquele ano, foi coincidentemente lançado
em Paris no mesmo dia do atentado à sede do jornal satírico Charlie Hebdo, que
resultou em 12 mortes.
Mas o islamismo francês
proposto por Houellebecq não se parece em nada com o dos radicais do Estado
Islâmico. A transformação da França se dá por dentro, aos poucos, até se
consumar. Claro, como toda ficção, o livro não tenta descrever uma nova
realidade, mas uma realidade possível, embora improvável. Ainda assim, não se
pode negar que há uma lógica no romance. Segundo projeções oficiais, até 2040 a
maioria dos eleitores da Bélgica será de origem muçulmana. Muito provavelmente,
as cabeças dos jovens muçulmanos belgas de hoje que forem eleitores daqui a 18
anos serão mais arejadas e modernas do que as de seus pais e avós imigrantes,
mas ainda assim estarão assentadas na tradição islâmica.
No Brasil de Bolsonaro não foram necessários imigrantes muçulmanos para fazer deste um país mais conservador do que era há quatro anos, do ponto de vista moral, cultural e político. O componente religioso sempre importa numa transformação dessa ordem, e não foi diferente aqui. A comunidade evangélica ajudou a consolidar este quadro de retrocesso no Brasil, mas não é a única responsável. Se fosse um romance, a História do Brasil desde a eleição de 2018 seria mais improvável do que aquela contada em “Submissão”. Mas, por aqui já se pode visualizar as mudanças comportamentais provocadas pelo bolsonarismo.
Pablo Ortellado - Punitivismo de esquerda
O Globo
O sucesso do podcast “A mulher da casa
abandonada” produziu um circo midiático. As reações do público mostram uma
estranha mistura de sensacionalismo, punitivismo de esquerda e cultura das
celebridades na era da internet.
O podcast, produzido pelo talentoso jornalista Chico Felitti, investiga uma mulher misteriosa que habita uma mansão abandonada no bairro de Higienópolis, em São Paulo. A narrativa aos poucos revela que ela é Margarida Bonetti, uma brasileira de classe média alta que se mudou para os Estados Unidos e lá foi acusada, com o marido, de manter a empregada brasileira em condições análogas à escravidão. O marido foi julgado e preso pelo crime, mas ela conseguiu fugir para o Brasil e escapar da Justiça. Em São Paulo, permaneceu na casa da família com poucos recursos, e o imóvel foi aos poucos se deteriorando até chegar ao estado em que se encontra hoje. Como o caso aconteceu há mais de 20 anos, o crime prescreveu.
Eduardo Affonso - O futuro nos condena
O Globo
Quando os veganos dominarem o planeta, quem
quer que tenha traçado uma picanha estará no índex dos canceláveis
O telescópio James Webb apresentou um grave
defeito antes mesmo de ser lançado ao espaço. Não nas lentes e espelhos (que
funcionaram magnificamente), mas no nome. O homenageado é um ex-diretor
da Nasa,
nascido em 1906, acusado de perseguição à comunidade LGBTQIAP+ nas décadas de
1950 e 1960.
Sim, não basta não ser homofóbico hoje, quando a homofobia é entendida como violação de um direito humano fundamental. É preciso não o ter sido no passado, sob a vigência de outra régua moral. Algo como receber multa retroativa por haver circulado numa rua cuja mão foi invertida. Você não estava na contramão em 1960, mas isso é irrelevante — perde pontos na carteira assim mesmo.
Ricardo Henriques - Aprender por toda a vida
O Globo
Os países devem ofertar uma educação focada
na capacidade de aprender a aprender ao longo da vida, não mais vinculada a um
emprego ou profissão
Às transformações da economia mundial,
soma-se um processo de automação de atividades laborais, que pode extinguir 85
milhões de postos de trabalho até 2025, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Associada às mudanças da sociedade do conhecimento, isso significa que haverá
menos demanda de habilidades e competências manuais, físicas e de cognição
básica, e cada vez mais de leitura e análise avançada de dados, comunicação e
negociação, criatividade, empatia e adaptabilidade, entre outras.
Para lidar com esse cenário, os países devem ofertar uma educação focada na capacidade de aprender a aprender ao longo da vida, não mais vinculada a um emprego ou profissão. Uma das estratégias é a diversificação do ensino médio, multiplicando e flexibilizando caminhos que levam à educação superior ou diretamente ao mercado de trabalho.
João Gabriel de Lima* - A luta de Maori contra Mr. Krudo
O Estado de S. Paulo
No game Wing, Mr. Krudo espalhou ‘fake news’ nas redes contra o movimento liderado por Maori
A vida não é fácil no planeta Tusor. Seus
habitantes pagam por um erro crasso que cometeram nas urnas: eleger um
populista. O carismático Mr. Krudo persegue universidades e demais organizações
da sociedade civil, assedia jornalistas e espalha mentiras nas redes sociais.
Felizmente, jovens como Maori estão atentos. Eles sabem usar ferramentas digitais
para identificar “fake news” e desmascarar populistas.
Maori e Mr. Krudo são personagens do game Wing, criado pelo projeto Demos, “Democratic Efficacy and Varieties of Populism in Europe”. O Demos, que reúne professores universitários de todo o continente europeu, criou o conceito de “eficácia democrática” – o conjunto de competências que os cidadãos desenvolvem para participar da vida pública de seus países.
Adriana Fernandes - Bolsa de apostas na Petrobras
O Estado de S. Paulo
Lula, Bolsonaro e Ciro já avisaram que querem mudar a política de preços da estatal
A presidência da Petrobras é sempre um dos
cargos mais cobiçados na troca de governo durante o período de transição. Nas
eleições deste ano, a escolha ganha contornos ainda mais estratégicos.
Diante dos desafios impostos pela disparada
dos preços do petróleo no mercado internacional e da inflação, após a invasão
da Ucrânia pela Rússia, e pela crise de abastecimento na Europa, a escolha
passa a ser ainda mais importante na definição da política econômica no início
do próximo governo.
A perspectiva é de que o problema dos combustíveis seguirá vivo em 2023. Mesmo que sejam prorrogados a desoneração de tributos e os auxílios extraordinários, como o bolsa-caminhoneiro, estaremos longe de uma solução estrutural.
O que a mídia pensa - Editoriais / Opiniões
Editoriais / Opiniões
Atacar as fake News
Folha de S. Paulo
TSE acerta ao enfrentar a desinformação,
mas não pode descuidar da liberdade de expressão
Contra a proverbial lentidão da Justiça, o
ministro Alexandre de Moraes foi célere no último domingo (17) ao tomar
uma decisão
provisória a favor do PT, que contestava a divulgação de notícias
falsas em redes sociais de bolsonaristas.
Membro do STF (Supremo Tribunal Federal) e
próximo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Moraes estava no
plantão desta segunda corte quando determinou a remoção de conteúdos que, na
sua avaliação, não passavam de mentiras veiculadas com o propósito de
prejudicar Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Algumas das notícias derrubadas por
prescrição do ministro faziam conexões falsas entre a facção criminosa PCC, o PT
e o assassinato de Celso Daniel em 2002, quando era prefeito de Santo André
(SP) e filiado ao Partido dos Trabalhadores.
A ordem de Moraes também atingiu postagens que distorciam os fatos para dar a entender que o ex-presidente Lula teria igualado pobres a papel higiênico, ou então que associavam o PT ao nazismo e ao fascismo.
sexta-feira, 22 de julho de 2022
Vera Magalhães - Bolsonaro é seu maior entrave eleitoral
O Globo
Presidente trabalha mais contra sua
candidatura que a oposição, que erra ao lhe dar colher de chá
O ato golpista com os embaixadores na
segunda-feira e as pesquisas variadas que apontam um estreitamento da diferença
entre Lula e Jair Bolsonaro, tanto nacionalmente quanto nos colégios eleitorais
mais importantes para definir a eleição, mostram que, hoje, o caos provocado
pelo presidente é um entrave maior a suas chances de ser competitivo em outubro
que as estratégias da oposição.
Lula e o PT deram uma enorme colher de chá
para Bolsonaro se recuperar em diferentes momentos. Na fase mais aguda da
pandemia, quando ainda não havia vacina, e o auxílio emergencial deixou de ser
pago, e depois, quando ela saiu de sua fase mais aguda.
Enquanto o presidente armava, ao longo dos
últimos dois anos, o discurso golpista, com a participação ativa de altos
escalões das Forças Armadas, representado pelos dois últimos ministros da
Defesa, Lula e o PT preferiram não lhe dar o combate direto, duro, olho no
olho, na esperança de que ele seria contido e naufragaria sozinho.
A crença segundo a qual a eleição teria tudo para se decidir no primeiro turno — justamente por esse show de horrores que é o governo Bolsonaro, da emergência sanitária à destruição institucional, passando pela devastação ambiental e pelo desmonte da Educação — levou a um clima de “vamos ganhar a eleição, e amanhã a gente vê o estrago”.