quarta-feira, 12 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Será erro usar fundo do pré-sal para baixar conta de luz

O Globo

Sugestão de ministro é insensata. Em vez disso, governo deveria agir para cortar subsídios sem sentido

É insensatez a proposta do ministro de Minas e EnergiaAlexandre Silveira, de usar recursos do Fundo Social do Pré-Sal para cobrir parte dos subsídios embutidos na tarifa de energia e reduzir a conta de luz. Caso a ideia seja aprovada, agravará as distorções no setor elétrico, onde lobbies em busca de regalias costumam obter alta taxa de sucesso. Se estiver mesmo interessado em reduzir a conta de luz, como declarou em entrevista ao GLOBO, Silveira precisa combater subsídios sem sentido. São eles a causa do problema.

Quando o incentivo a usinas eólicas e solares foi concebido, era incerto se elas seriam competitivas. Para estimular a entrada de capital privado, era preciso uma contrapartida do governo aos riscos assumidos pelos investidores. Por isso foram criados subsídios. Hoje as dúvidas desapareceram. As fontes renováveis são lucrativas, sinal de que a política pública cumpriu seu papel. O que aconteceu com os subsídios? Permanecem. Eólicas e solares são beneficiadas com mais de R$ 9 bilhões por ano. O corte de R$ 6 bilhões nesse incentivo que perdeu razão de ser resultaria em redução da conta de luz da ordem de 3%, segundo cálculos de Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Como sair daqui - Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Devemos perceber a feliz coincidência do sucesso de Ainda estou aqui com a comemoração dos 40 anos de democracia para buscarmos avançar no pagamento das dívidas que a democracia tem com o povo e a nação

Nesta semana, comemoramos quatro décadas da posse do primeiro presidente civil a governar o país após o período de ditadura militar. A partir de março de 1985, sob a liderança de José Sarney, elaboramos a Constituição Cidadã, legalizamos os partidos sem preconceito ideológico, incorporamos todos os líderes na vida política, abolimos censura e implantamos liberdade de imprensa e de opinião. A comemoração neste 15 de março no Panteão da Pátria será também momento para refletirmos sobre como retomar a capacidade de unir o país em torno de propósitos comuns.

Em 1985, depois do fracasso da possibilidade de eleição direta, os líderes democratas se uniram em torno de Tancredo Neves, com José Sarney para vice. Salvo raras exceções, todos abriram mão dos interesses partidários e pessoais e foram juntos ao Colégio Eleitoral. Quando a saúde de Tancredo Neves o impediu de assumir, todos apoiaram José Sarney, que cumpriu todos os compromissos democráticos. A derrubada da ditadura militar e a posse do presidente civil foram realização de uma surpreendente engenharia política que reuniu opositores históricos com o propósito comum de vencer nas urnas a força das armas e implantar democracia.

Temperança - Ricardo Marinho

O exercício democrático nos dias de hoje tem apontado e chamado a todos e todas a cooperação daqueles que estão no comando dos governos em todos os seus aspectos. Não podemos decepcionar em nenhum deles e fazê-lo trilhando o caminho da responsabilidade.

Ao ouvirmos o debate público, temos a impressão de que não se tem a compreensão plena da dimensão profunda dos tempos complexos que estamos atravessando, dos vestígios e feridas que a pandemia deixou em nossas vidas e no mundo, além de tantas outras advindas da longa duração.

Embora seja difícil fechar o desenho dos seus contornos, é um mundo mais duro, com menos certezas e com mais riscos, exigirá mudanças em nossa convivência, no uso de nossos recursos e em nosso senso de justiça, para que coisas que já eram ruins antes e depois da emergência pandêmica não acabem em um perigoso retrocesso como os últimos sinais indicam. Vide a Europa atordoada pelos acontecimentos.

Daí não resta dúvida que os gestos persistentes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesses quase três anos são alvissareiros e representam um avanço político e institucional.

Desmonte de Trump é nova chance para Lula - Vera Magalhães

O Globo

Petista tem chance de, a partir do desmonte rápido da democracia norte-americana, se mostrar como democrata e superar momento de dúvida sobre seu governo

A vertiginosa alternância de poder em diversos países nos ciclos eleitorais mais recentes é uma demonstração da enorme dificuldade de governos de qualquer orientação ideológica e econômica para dar respostas rápidas e convincentes a problemas cada vez mais complexos, do trabalho à emergência climática. A volta de Donald Trump ao poder — a despeito da invasão ao Capitólio e de todas as promessas alarmantes que fez, reiterou e agora põe em prática de cambulhada e dobrando a aposta — foi a maior evidência dessa realidade que desafia a resiliência do próprio conceito de democracia.

Mas o desmonte generalizado e sem precedentes que o republicano vem praticando nestes dois meses em que está de volta ao cargo mais poderoso do mundo pode ser, finalmente, um freio nessa porta giratória entre governos de direita, quando não de extrema direita, e de centro-esquerda em alguns países onde essa dinâmica tem se repetido, como Brasil e Argentina.

Não demorou muito para que Trump, com uma diplomacia que o semanário britânico The Economist comparou ao funcionamento das máfias, passasse a enfrentar oposição de ruralistas, setores poderosos da indústria e dos gigantes das finanças, para ficar apenas em atores que aberta ou veladamente o apoiaram.

O negócio das emendas - Bernardo Mello Franco

O Globo

O Supremo mandou ontem para o banco dos réus dois deputados e um ex-deputado acusados de traficar emendas da saúde. O caso parece ser uma pequena amostra da farra parlamentar com dinheiro público.

A Procuradoria denunciou Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE). Os três foram acusados de integrar uma quadrilha que extorquia prefeitos para liberar verbas federais. Todos se dizem inocentes.

De acordo com as investigações, os deputados mapeavam municípios aptos a receber emendas. Em seguida, procuravam os gestores locais e cobravam pedágio de 25% para destinar os recursos. Quem resistia ao acerto passava a ser alvo de ameaças.

O esquema veio à tona em 2020, quando o então prefeito de São José de Ribamar (MA), Eudes Sampaio, resolveu denunciar as intimidações. Em quatro meses, os deputados destinaram R$ 6,67 milhões em emendas à cidade. Após os repasses, eles passaram a exigir R$ 1,67 milhão em propina, sustenta o Ministério Público.

Um mau aperitivo de 2026 – Elio Gaspari

O Globo

Com um ano de antecedência, a escolha dos presidentes de comissões da Câmara mostra que o ano eleitoral de 2026 arrisca ser sangrento, com canibais correndo atrás de antropófagos.

O deputado Eduardo Bolsonaro quer presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, e o PT pediu que o ministro Alexandre de Moraes apreenda seu passaporte.

Eduardo Bolsonaro tem todo o direito de pleitear a presidência da comissão, e o PL, seu partido, pode indicá-lo. Ele não é um parlamentar qualquer. Alinhou-se como militante da causa do presidente americano Donald Trump, que ameaça impor tarifas protecionistas contra o Brasil. Uma das marcas dos Bolsonaros é a opção preferencial por posições irracionais.

Vale lembrar que, se o pai de Eduardo não tivesse hostilizado as vacinas contra a Covid-19, talvez estivesse hoje no Palácio do Planalto. Em novembro de 2020, quando já haviam morrido mais de 160 mil pessoas, ele disse:

— Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos, todos nós vamos morrer um dia. (...) Tem que deixar de ser um país de maricas.

Moraes derruba proibição de contato de Bolsonaro com Valdemar – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A decisão ocorre às vésperas de um grande ato que está sendo convocado para domingo, em Copacabana, que terá a presença do governador Tarcísio de Freitas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a medida liminar que impedia o contato do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que não se encontravam havia mais de um ano. A decisão foi tomada no âmbito do inquérito que apura uma tentativa de golpe de Estado pelo ex-presidente e aliados.

Valdemar não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nesse caso, porque não surgiu nenhuma prova efetiva de que estaria envolvido na invasão do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Os prédios dos Três Poderes foram vandalizados por bolsonaristas em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aprovação do governo deve melhorar - Nilson Teixeira

Valor Econômico

Atuação do governo na comunicação e uma eventual surpresa positiva no PIB em 2025 e 2026 tendem a reverberar positivamente na sociedade, com reversão, mesmo que parcial, do declínio na popularidade do presidente

A frase de James Carville, estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992, “it’s the economy, stupid” tornou-se peça-chave na análise política. A performance da economia brasileira tem se mostrado determinante na avaliação sobre a atuação do governo local e, portanto, na projeção da chance de reeleição do presidente ou do representante de seu grupo político. Todavia, a recente queda na aprovação do governo Lula e a respectiva piora na avaliação da maioria da população sobre sua gestão não são fáceis de explicar à luz da performance da atividade em 2024 e das projeções correspondentes para 2025.

Ao contrário, o crescimento do PIB surpreendeu positivamente mais uma vez em 2024, ao mesmo tempo em que as previsões para 2025 não recuaram. A mediana das projeções de mercado do Focus em março de 2024 para o crescimento era de 1,8% para o ano passado e 2% para 2025. Não apenas a expansão da economia de 2024 de 3,4% foi superior à maior projeção existente de 2,6%, como a previsão para 2025 permanece em 2%, mesmo com a desaceleração da atividade no último trimestre.

O centro de gravidade da denúncia do golpe - Fernando Exman

Valor Econômico

Na Física, o verbete tem relação direta com o conceito de ‘equilíbrio’

Seria bem-recebida por setores do governo Lula uma eventual decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de declarar-se impedido de analisar a denúncia contra os 34 acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de, entre outros crimes, atentar contra os três Poderes e o Estado Democrático de Direito. Acredita-se que um posicionamento nesse sentido não alteraria o resultado do julgamento e, adicionalmente, neutralizaria os questionamentos à condução do processo.

Quem acompanha de perto o assunto assegura que não existe chance de essa decisão acontecer. E até agora, de fato, autoridades do Executivo não captaram nenhum sinal de que o ministro esteja propenso a adotá-la, ainda que classifiquem a medida como algo que poderia surpreender positivamente.

Algo assim ocorreu num passado recente. Em fevereiro de 2024, por exemplo, Moraes optou por se declarar impedido de julgar dois recursos protocolados no inquérito que investigava ofensas a ele e uma agressão a seu filho no aeroporto de Roma.

É melhor não ignorar o Grilo Falante - Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Trabalho é evitar que a situação das contas públicas piore; e criar condições para avançar

Na versão original do romance “As Aventuras de Pinóquio”, escrito pelo italiano Carlo Collodi no fim do século XIX, o boneco de madeira que queria ser gente se irrita com os sábios conselhos do Grilo Falante e arremessa um martelo na direção do bichinho. Talvez não fosse sua intenção, escreve o autor. Mas o fato é que a ferramenta o acerta bem na cabeça e suas últimas palavras são: “cri-cri-cri”.

A equipe econômica, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista ao podcast Flow, é o Grilo Falante do governo. Provavelmente, não pensava no personagem de destino trágico de Collodi, e sim na versão criada por Walt Disney, um conselheiro ainda vivo. “Quem participa de um governo está o dia inteiro olhando e falando: se eu não tomar cuidado com isso, vou tropeçar aqui. Vou capotar lá. Então, o papel da área econômica é ficar alertando.”

A ilusão da Lava Jato segue vigente - Nicolau da Rocha Cavalcanti

O Estado de S. Paulo

Os muitos indícios de crime contra a ordem democrática exigiriam uma defesa incondicional da investigação e da denúncia

Ainda que faça referência a dois casos específicos, este artigo aborda um tema diariamente presente na advocacia criminal: a necessidade de distinguir entre a opinião pública, com suas fontes cognitivas e seus processos decisórios, e o processo penal, com suas específicas fontes cognitivas e seu específico processo decisório.

Podemos ser francos? Não há nenhuma dúvida de que Jair Bolsonaro, mesmo tendo perdido as eleições, tentou criar condições para permanecer no poder. Quer gesto mais simbólico dessa atitude do que sua recusa em entregar a faixa ao seu sucessor? A mensagem para seus apoiadores foi cristalina: não aceito a derrota, não reconheço a lisura das urnas, não participo deste elemento tão próprio do regime democrático, a transferência do poder. Ou seja, a acusação de tentativa de golpe de Estado não se baseia em fatos ocultos, que ninguém viu. Há uma série de acontecimentos públicos, perfeitamente alinhados à trajetória de Bolsonaro de enfrentamento da Constituição de 1988, que confirmam essa percepção.

O Brasil sem defesa - Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Quebra da confiança nos EUA obriga não só a Europa a buscar um caminho próprio para sua segurança

Em 2023 o senador Carlos Portinho (PL-RJ) apresentou no Congresso o texto de uma PEC que previa vincular o orçamento da Defesa a uma parcela do PIB, que começaria em 1,2% até chegar a 2%. Em meio a críticas e à necessidade de se controlar os gastos públicos, a proposta dormiu um ano nas gavetas do Senado até o novo mandato de Donald Trump bagunçar a geopolítica mundial, rompendo a confiança que nações aliadas tinham desde os anos 1940 de poder contar com os EUA para a sua defesa.

O nome do jogo é incerteza - Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A dúvida é como dois petistas sob desconfiança atrairão crédito ao governo no Congresso

Os petistas Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha assumem as pastas de Relações Institucionais e da Saúde com tarefas difíceis. Ela, a de conter o ímpeto de fuga do centrão e ainda amarrá-lo a alianças para 2026; ele, a missão de dar um brilho na vitrine da área para atender a incessante busca do governo por marca forte.

Agora titular do ministério com o maior volume de emendas parlamentares e orçamento parrudo, Padilha também foi escolhido para interagir com o Congresso de forma mais eficaz que a antecessora. A conferir se dará conta da empreitada, já que saiu da articulação justamente por desgaste político.

Intimidação e humilhação no manual de poder de Trump - Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Seu modo de agir une o estilo do empresário impiedoso e brutal ao do rufião escolar

O estilo de Donald Trump combina dois modelos bem conhecidos: o do empresário impiedoso, brutal até, que ele incorporou nos negócios e encenou no reality show O Aprendiz, e o do rufião escolar, o "bully" que lidera gangues e vive de intimidação.

A diferença entre o negociador implacável, de que Trump tanto se orgulha, e o autocrata que subjuga os mais fracos, dentro e fora de seu país, é mais de escala do que de essência. No poder, ele resolveu eliminar a distinção.

O Salão Oval da Casa Branca virou o corredor da escola em que Trump e Vance cercaram Zelenski e o submeteram a uma sessão pública de assédio, violência e humilhação. Houve dedo na cara, várias acusações (desrespeito, ingratidão, roupa inapropriada), insultos e aquela sensação de que tudo o que queriam era provar que eram machos e que mandavam no pedaço.

Bullying de Trump não ficará sem troco - Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Seres humanos se dispõem a sofrer perdas para punir quem não segue regras que deveriam valer para todos

Especialistas são mais ou menos unânimes em afirmar que, quando uma situação de bullying fica séria, os adultos precisam intervir. O bullying diplomático que Donald Trump faz contra vários países já ficou sério, mas não há adultos que possam ser chamados.

Quem desempenhava esse papel em escala global eram os EUA. Nunca foram um adulto muito exemplar, no sentido de atuar sempre com imparcialidade, mas serviam para evitar que as relações internacionais se tornassem um bullying de todos contra todos.

Sem o adulto, as coisas ficam mais complicadas. A molecada vai ter de se virar sozinha. Os mais pessimistas tenderão a prognosticar um cenário do tipo "O Senhor das Moscas", em que adolescentes deixados numa situação difícil e sem supervisão vão abandonando todos os vestígios de civilização.

Como a Europa pode ocupar o lugar dos EUA - Martin Wolf*

Valor Econômico

Se os EUA não são mais proponentes e defensores da democracia liberal, a única força que talvez tenha autoridade suficiente para preencher a lacuna é a Europa

“Estávamos em guerra contra um ditador; agora lutamos contra um ditador apoiado por um traidor”. Desse modo, em um discurso brilhante, Claude Malhuret, até então um senador francês pouco conhecido, definiu o desafio da nossa era. Ele estava certo. Hoje sabemos que os Estados Unidos e, portanto, o mundo têm se transformado para pior. Mas tudo isso não deveria mais causar tanta surpresa. A dúvida, na verdade, é a respeito de como a Europa pode e vai responder.

Nos anos 1970, tive a sorte de viver e trabalhar em Washington, DC. Essa foi a era do Watergate. Assisti com admiração às audiências do Congresso sobre as transgressões do presidente Richard Nixon. Tornou-se evidente muito rápido que os membros dos dois partidos no Congresso levavam sua obrigação de proteger a Constituição não só a sério como literalmente. Nixon estava prestes a sofrer um impeachment e ser condenado. Avisado sobre isso, ele renunciou como era devido.

Compare isso com o segundo impeachment de Donald Trump, em fevereiro de 2021, pelo crime muito maior de incitar uma insurreição com o objetivo de anular os resultados da eleição presidencial de 2020. É impossível para qualquer pessoa sensata duvidar de que ele é culpado. Mas apenas sete senadores republicanos votaram a favor da condenação. Não foi o suficiente. Ao deixá-lo impune, o Congresso matou a Constituição. O que aconteceu desde aquele momento era previsível e estava previsto.

A recessão de Trump - Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Novas projeções apontam para uma desaceleração da economia dos EUA no primeiro trimestre

O primeiro trimestre da economia americana sob o comando de Donald Trump caminha para ser uma desagradável dor de cabeça política: não somente vários analistas estão revisando para baixo o desempenho do PIB entre janeiro e março, como também muitos já estão atribuindo maior probabilidade de recessão nos próximos 12 meses.

Um dos motivos é a incerteza sobre o que vai acontecer com a política econômica. De um lado, o vaivém das tarifas de importação – ora adotadas sobre os produtos de países aliados, como México e Canadá, ora adiadas temporariamente – está afetando as decisões de investimentos de empresários, inseguros sobre o cenário adiante. De outro, a confiança dos consumidores vem recuando com as demissões em massa de funcionários públicos; com a onda de deportação de imigrantes ilegais; e com o temor de alta na inflação em razão das tarifas de importação.

A revolução de Trump e a economia - Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Governo americano diz que risco de PIB menor não vai parar revolução reacionária

Três das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos disseram que estão vendendo menos passagens. Os três principais índices de Bolsas recuaram para níveis de setembro de 2024. Podem ser níveis ainda altos, talvez exagerados. Mas nas ações está parte gorda da poupança das famílias. Uma baixa mais duradoura causa sensação de empobrecimento e, pois, redução do consumo.

Quase não há dia em que não se leia algum indicador indireto ou setorial de que a confiança do consumidor caiu e aparece menos em lojas e restaurantes; de que as encomendas das empresas estão menores. Não é de hoje que inadimplência e endividamento estão em níveis suspeitos. Emprego e investimento recentemente dependeram muito do gasto público, que agora em tese será cortado.

30 anos do Real: R$ 1 de hoje equivale a apenas R$ 0,12 da época

Por Bruna Miato, g1 (30/06/2024)

A inflação acumulada desde junho de 1994, quando o real foi lançado, é de 708%. Para ter o mesmo poder de compra da época, seriam necessários R$ 8,08 para cada R$ 1.

A inflação brasileira acumula uma alta de 708% entre o dia 1° de julho de 1994 e a última divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de maio.

Em outras palavras: no aniversário de 30 anos do Plano Real, uma moeda de R$ 1 equivaleria a apenas R$ 0,12 da época de seu lançamento.

Embora a inflação acumulada em três décadas seja bastante expressiva, é preciso reconhecer o sucesso do Plano Real, no governo de Itamar Franco, para resolver o caos inflacionário.

A inflação de alimentos não sai do radar – Zeina Latif

O Globo

A baixa produtividade não se resolve simplesmente ampliando o crédito ao setor, que já vem beneficiando mais a agricultura familiar

A baixa produtividade não se resolve simplesmente ampliando o crédito ao setor, que já vem beneficiando mais a agricultura familiar "Nesta terra, em se plantando, tudo dá" é uma frase atribuída a Pero Vaz de Caminha, em carta ao rei Dom Manuel de Portugal, em 1500. Sendo ou não folclore, o fato é que ela ecoa na mente de muitos.

Não é bem assim. O café e a cana-de-açúcar se adaptaram na Terra Brasilis. Porém, com menos investimentos, o Brasil passou a sofrer com a concorrência da cana-de-açúcar das Antilhas, no século 17. Já o ciclo do café começou a declinar no final do século 19, em parte por conta da exaustão do solo no Vale do Paraíba.

Vida & morte – Roberto DaMatta

O Globo

Saímos da maternidade para o velório do Affonso Romano de Sant’Anna, cuja obra tanto admiro

Na Quarta-Feira de Cinzas, que, por sinal, passou sem nenhuma cinza, vivi um inesperado. Uma coincidência diferente de todas as que me ocorreram na minha longa vida. Algo situado entre este e o outro mundo, como ocorre quando a gente tem um pesadelo, fica embriagado ou — como se dizia antigamente — perdidamente apaixonado. Assustei-me ao testemunhar como das minhas mais quadradas rotinas surgia uma situação tão excepcional. Uma vivência liminar ou fronteiriça, para usar um conhecido conceito de meu saudoso amigo e mentor Victor Turner.

A experiência fora do comum de confrontar-se com dois eventos opostos a um só tempo. Algo entre sair e entrar simultaneamente. Ou sentir-se velho e moço, homem e mulher, inteligente e burro — ou testemunhar nascimentos e mortes como os dois lados de uma mesma moeda.

Meu evento extraordinário foi, num mesmo dia, viver o abençoado nascimento de uma bisneta — Antônia, filha do meu neto Samuel, filho de minha filha Maria Celeste, e de Luíza, sua mulher — e a morte de meu valioso amigo e companheiro intelectual, o escritor, poeta e pensador Affonso Romano de Sant’Anna, com quem eu dividia profundas afinidades.

Revolução Americana e Francesa – As Revoluções Irmãs - Cláudio Carraly

O final do século XVIII testemunhou duas revoluções que marcaram a história em lados opostos do Atlântico: a Revolução Americana e a Revolução Francesa. A conexão entre esses eventos evidencia como ambos foram impulsionados pelo desejo de liberdade, ainda que moldados por contextos distintos. A influência francesa na Revolução Americana foi além do apoio militar e financeiro.

Ideias iluministas de filósofos como Rousseau, Montesquieu e Voltaire cruzaram o oceano, fornecendo bases ideológicas para a revolta das colônias inglesas, esses princípios ressoaram na Declaração de Independência e influenciaram profundamente a Constituição dos Estados Unidos, enfatizando direitos individuais e a limitação do poder governamental. O apoio francês não foi apenas estratégico, mas também simbólico, conectando as duas revoluções em uma luta comum por liberdade. 

Poesia | Sempre, de Pablo Neruda

 

Música | Maria Bethânia - "Non, je ne regrette rien"

 

terça-feira, 11 de março de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Mercados se inquietam com chance de estagflação nos EUA

Valor Econômico

Para o Brasil, a melhor defesa ante instabilidades que virão é buscar o equilíbrio fiscal, desestimulando saídas de capital e novas maxidesvalorizações nocivas do dólar

O cenário de mercados otimistas com a eleição de Donald Trump e seu programa de governo está mudando rapidamente para outro, pessimista, em que os Estados Unidos poderão entrar em recessão, sem que a inflação deixe de subir. As bolsas americanas tiveram um dia para esquecer. A Nasdaq, onde são vendidos os papéis das big techs, chegou a recuar 4,6% - uma liquidação que eliminou US$ 1 trilhão de valor -, enquanto as superprestigiadas ações das companhias de tecnologia tiveram perdas de 16% no ano até agora. S&P e Dow Jones caíram bem, mas um pouco menos. Tesla, do bilionário Elon Musk, membro do governo Trump, viu seu valor de mercado reduzido em US$ 500 bilhões. As perspectivas dos investidores pioraram de vez depois que Trump se negou, em entrevista no fim de semana, a descartar recessão ou mais inflação com as medidas que vem tomando, algo que nunca esteve em seu script.

As expectativas começaram a virar lentamente, já que a possibilidade de recessão tende a derrubar ações, os bônus do Tesouro e o dólar, que ontem recuou no mundo inteiro, menos no Brasil, onde subiu. A velocidade da guinada nos preços dos ativos importa, assim como o ponto da qual partem. Os mercados acionários, em especial os papéis das big techs, vinham exibindo um desempenho excepcional, que cessaria em algum momento. A Nasdaq teve ganhos de 30% no ano passado, a S&P, 23% e Índice Dow Jones, 13%. O acerto de contas pode ter tido um de seus pontos de inflexão ontem, ainda que seja prematuro predizer que haverá “estouro” da bolha parecido ao que ocorreu após a euforia das dotcom em 2000.

A incerteza e seu efeito na economia - Míriam Leitão

O Globo

As dúvidas geradas por Donald Trump paralisam as decisões econômicas. E isso pode levar à recessão

A incerteza é mais forte que a política monetária e a política fiscal para reduzir o ritmo de atividade. Subir juros e cortar gastos têm menos efeito do que a incerteza gerada diariamente pelo governo de Donald Trump. Isso está produzindo queda de investimento e de atividade econômica nos Estados Unidos. O cenário de recessão americana não é considerado o mais provável, mas o fato é que as tarifas, mesmo não estando em vigor, já surtem efeito econômico. Foi o que me disseram dois economistas que ouvi ontem, no governo e no mercado financeiro. Diante disso, o que o Brasil pode fazer? "Não criar mais ruído. A hora é de não aprontar confusão, porque o mundo ficou mais complicado”, me disse um deles.

A democracia e a crise dos 40 - César Felício

Valor Econômico

Desafios foram vencidos desde 1985, mas capacidade da Política de prover soluções está em xeque

Há quarenta anos, quando o regime militar estertorava e o País aguardava o início da nova era democrática, garantir comida era a principal preocupação da população.

Uma pesquisa feita pelo Ibope nas regiões metropolitanas, publicada pelo jornal Gazeta Mercantil e revista Istoé, foi a campo para sondar o que mais angustiava o País que Tancredo Neves ia assumir. Era dezembro de 1984. Tancredo não assumiu, Ibope e Gazeta Mercantil não existem mais e a Istoé desapareceu no formato impresso, mas a pesquisa de então é uma cápsula do tempo que permite ver como os problemas de então se transformaram. Outros se criaram, nada propriamente se perdeu.

Quase a metade dos pesquisados—48,6 %—disseram que a segurança alimentar deveria ser tratada como a prioridade máxima. A segurança pública vinha em segundo lugar, com 20,7%. Problemas sociais, como Educação, Saúde e Habitação, somavam 24%.

Com Gleisi e Padilha, Lula aponta o rumo da estratégia eleitoral – Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Presidente sonha com o filho 03 de Bolsonaro no 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva empossou, ontem, os novos ministros Gleisi Hoffmann, na Secretaria de Relações Institucionais, e Alexandre Padilha, na Saúde, em cerimônia no Palácio do Planalto prestigiada pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicamos-PB), além de outras lideranças do Congresso.

Dois discursos foram importantes: o de Nísia Trindade, ao passar o cargo ao novo ministro da Saúde, no qual registrou com veemência a campanha misógina que sofreu quando estava à frente da pasta; e o de Gleisi, ao pontuar que vai se empenhar no apoio ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cuja política econômica sempre criticou quando presidia o PT. Padilha fez um discurso cuidadoso com a antecessora, criticou o negacionismo e foi enfático na defesa das campanhas de vacinação.

Para onde o vento sopra? - Merval Pereira

O Globo

É difícil ver a nomeação de Gleisi como avanço para um governo mais amplo, de coalizão nacional

Escolher Gleisi Hoffmann como ministra da Secretaria de Relações Institucionais, a esta altura do campeonato, é decisão de posicionamento do presidente Lula. Escolher Edinho Silva para assumir a presidência do PT em lugar de Gleisi indica o oposto. Por isso as diversas facções internas do petismo estão em guerra. Embora garanta que foi escolhida porque pode negociar com os demais partidos, ela não é conhecida pela habilidade de negociadora.

Ao contrário, é uma negociadora dura, inflexível, que pode ser considerada boa para o PT, mas não para um governo de amplo espectro político. É difícil ver a nomeação de Gleisi como avanço para um governo mais amplo, de coalizão nacional. Se o grupo de Gleisi não aceita a indicação de Edinho para a presidência do PT, ele sim, considerado um negociador moderado, por que ela seria avaliada como negociadora capaz de unir em torno de Lula facções partidárias distintas, ampliando a base política do governo? 

Lula como fiador da soma e da subtração de Gleisi - Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Antes de tomar posse, Gleisi foi anfitriã da reunião de uma facção do CNB, com a presença de Lula, que bombardeou aquele é tido como seu candidato à presidência do PT

A nova ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tomou posse com um discurso moldado para desfazer a ideia que dela se tem ao ressaltar o respeito aos aliados (“ninguém faz nada sozinho”), o cumprimento de acordos e a abertura a críticas. “Chego para somar”, resumiu, ao destacar a “grandeza da mediação” a serviço tanto do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto da Casa Civil, Rui Costa.

Esta ministra que se propõe a algodão entre cristais no governo foi, até a última noite como presidente do PT, o esteio da combustão. Foi em sua casa que integrantes da CNB, corrente majoritária do PT, se reuniram na quinta-feira, véspera da posse do senador Humberto Costa (PE) como presidente interino do PT até julho quando haverá a eleição para a presidência do partido.

A capacidade de sonhar - Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

O País continua coberto de problemas, boa parte dos quais o aflige há anos, sem que os consigamos resolver, quando nos dispomos a tentar fazê-lo

Parte dos brasileiros parece ter perdido a capacidade de sonhar; ou decidiu reprimir sua capacidade de alegrar-se. A economia até pode ir bem, às vezes bem melhor do que o previsto, mas tudo parece ruim, e piorando. O Produto Interno Bruto (PIB) ilustra esse fenômeno perturbador e de impacto político poderoso.

Em dezembro de 2023, a previsão dominante entre centenas de operadores do mercado financeiro semanalmente consultados pelo Banco Central para seu boletim Focus era a de que em 2024 o PIB cresceria 1,5% ou, na melhor das hipóteses, 1,51%. A realidade foi mais radiante. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB aumentou 3,4% em 2024, mais do que o dobro das projeções. Alguma retratação, alguma celebração? Nenhuma. Apenas a ressalva de que, daqui para a frente, tudo vai piorar.

Lupi critica 'especialistas' que sacrificam assalariado e protegem capital especulativo

Painel / Folha de S. Paulo

Ministro da Previdência Social diz que os 'ex-alguma coisa' são porta-vozes de um modelo que está exaurido

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, critica os "especialistas que defendem o capital especulativo e sacrificam o assalariado" ao tratar da situação econômica do país.

Em artigo enviado ao Painel, ele diz que o grupo é formado pelos "ex-alguma coisa" –ex-ministros, ex-presidentes de instituições financeiras e ex-diretores.

Presidente licenciado do PDT, Lupi afirma que "os especialistas são porta-vozes de um modelo que está exaurido e que, a cada dia, traz mais conflitos sociais".

Raquel Lyra se filia ao PSD de Kassab e busca se fortalecer

José Matheus Santos / Folha de S. Paulo

Governadora deixa PSDB após críticas ao partido por oposição a Lula e diz que recebeu em nova sigla 'a acolhida necessária'

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, filiou-se ao PSD na noite desta segunda-feira (10) no Recife. O evento de filiação contou com participação de líderes do partido, como o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Raquel Lyra deixa após nove anos o PSDB, que está sob um processo de fragilização da força política nos últimos anos. A chefe do Executivo pernambucano também busca se fortalecer para uma eventual disputa em 2026 contra o prefeito do Recife, João Campos (PSB).

No evento, Raquel agradeceu ao "partido que me acolheu nos últimos nove anos" e disse que agora "é um novo momento" no PSD. "Encontrei no PSD a acolhida necessária para ajudar na construção do partido e no fortalecimento dele no Nordeste. É um novo começo."

Raquel se filia ao PSD em evento com lulistas

Luíza Marzullo / O Globo

Filiação de Lyra ao PSD coloca partidos da base de Lula no governo de todos os estados do Nordeste

Com a presença de três ministros do presidente Lula, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, oficializou na noite de ontem sua migração do PSDB para o PSD. Com essa movimentação, todos os estados do Nordeste passam a ser administrados por partidos aliados ao Palácio do Planalto. A ex-tucana realiza a troca partidária de olho em sua campanha à reeleição no ano que vem, quando deve enfrentar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), próximo de Lula, que foi alfinetado na solenidade.

— Não estamos aqui esquentando cadeira para quem quer voltar ao poder — afirmou, em referência aos 16 anos que o PSB esteve à frente do estado. — Estamos fazendo um projeto.

A filiação de Raquel Lyra a um partido da base do governo federal coloca o Palácio do Planalto em posição delicada caso decida apoiar Campos nas eleições do ano que vem.

Ao entrar no ministério, Gleisi promete ajudar pauta de Haddad

O Estado de S. Paulo

Vera Rosa colaboraram Sofia Aguiar, Gabriel Hirabahasi e Lavínia Kaucz

Nova titular da articulação política usa cerimônia de posse para tentar dissipar mal-estar com ministro da Fazenda, alvo de suas críticas; Padilha faz discurso contra bolsonaristas

Em cerimônia de posse, a nova titular da articulação política tentou aparar arestas com ministro da Fazenda. Em 2023, a cúpula do PT classificou ajuste das contas públicas apresentado por ele de “austericídio fiscal”.

A nova articuladora política do Palácio do Planalto, Gleisi Hoffmann, fez questão de aproveitar a cerimônia de posse na Secretaria de Relações Institucionais, ontem, para fazer um afago ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticado por ela desde o início do governo. Haddad foi o primeiro ministro citado por Gleisi, na tentativa de mostrar que, ao deixar a presidência do PT e ocupar essa cadeira, não será adversária da política econômica conduzida pelo colega.

Gleisi acena a Congresso e Haddad na articulação política

Mariana Brasil, Catia Seabra e Mateus Vargas / Folha de S. Paulo

Nova ministra tomou posse junto a Alexandre Padilha, na Saúde, nesta segunda-feira (10)

A ministra Gleisi Hoffmann (PT) tomou posse à frente da Secretaria das Relações Institucionais nesta segunda-feira (10) fazendo acenos ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com quem já divergiu publicamente, e também aos presidentes da Câmara e do Senado.

A posse da agora ex-presidente do PT foi realizada com a presença do presidente Lula (PT) no Palácio do Planalto, em cerimônia que também deu início à gestão de Alexandre Padilha (PT) no Ministério da Saúde, no lugar de Nísia Trindade.

"Chego para somar. Foi essa missão que recebi e pretendo cumprir num governo de ampla coalizão, dialogando com as forças políticas do Congresso e com as expressões da sociedade, suas organizações e movimentos", disse Gleisi.

Contra desconfiança, Gleisi acena a Haddad e ao Centrão na posse

Karoline Bandeira, Jeniffer Gularte, Sérgio Roxo, Victoria Abel e Camila Turtelli / O Globo

Escolha de Lula foi criticada por não atender a siglas aliadas que reivindicam mais espaço na Esplanada

A posse dos ministros Alexandre Padilha, na Saúde, e Gleisi Hoffmann, na Secretaria de Relações Institucionais, em evento ontem no Palácio do Planalto, foi marcada por recados ao Congresso, sinalizações sobre 2026 e a ausência de parte dos líderes do Centrão. A escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos dois novos ministros, ambos filiados ao PT, foi criticada nos bastidores por não atender a siglas aliadas que reivindicam mais espaço na Esplanada.

As trocas foram as primeiras da reforma ministerial prevista por Lula para a segunda metade do mandato, quando passou a enfrentar queda vertiginosa de popularidade. As nomeações de Padilha e, em especial, Gleisi, ex-presidente do PT, foram vistas por aliados como uma guinada à esquerda do governo, principalmente pelas críticas públicas que ela já fez à pauta econômica do ministro Fernando Haddad. Ao tomar posse, Gleisi adotou um tom de conciliação, com acenos tanto ao titular da Fazenda quanto ao Congresso.