Folha de S. Paulo
Livro de ex-editor de Política da Folha conta
como foi cobrir a Presidência de Jair Bolsonaro durante a Covid-19
Obra dá destaque para o impacto exercido pela
pandemia, tema que aparece pouco na atual produção cultural
Lá por meados de 2020, quando já nos encontrávamos sob os rigores impostos pela Covid-19, mas ainda não tínhamos ideia de quando a pandemia acabaria, fiquei com a sensação de que ela seria um divisor de águas em nossas vidas e na sociedade.
A minha impressão de então é que a Covid-19 também seria um fenômeno pop. Os anos pós-pandêmicos trariam uma produção cultural fortemente marcada por aqueles acontecimentos extraordinários, que seriam tema central ou ao menos o pano de fundo de incontáveis filmes, séries, livros etc.
Não é que a epidemia tenha sido ignorada, mas suas aparições na indústria
cultural são bem modestas. Esse provavelmente é um assunto que as pessoas
preferem não remoer. Se eu estivesse mais atento às lições da história, teria
me dado conta que a epidemia de gripe espanhola, no final dos anos 1910, ainda
mais letal que a Covid, também foi tratada friamente pelos artesãos da cultura
de então.
Ainda que as razões psicológicas para o relativo silêncio sejam válidas, resta
a questão da memória. É preciso deixar registros fidedignos do que aconteceu em
2020 e 2021 e do impacto que a pandemia teve entre nós.
O livro "1461 Dias na
Trincheira", de Eduardo Scolese, resolve a dificuldade no que
diz respeito ao jornalismo. Scolese, que era o editor de Política da Folha nos
anos Bolsonaro,
faz um relato pungente do que foi cobrir o mais antissistema dos presidentes
brasileiros durante a pandemia, quando todos os processos de confecção do
jornal tiveram de ser profundamente alterados. De modo corajoso, Scolese conta
como sua própria saúde mental foi afetada.
A devastadora dobradinha Covid-Bolsonaro não é algo que possamos nos dar ao
luxo de esquecer.
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