quarta-feira, 22 de outubro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Ibama acertou ao autorizar pesquisa na Margem Equatorial

Por O Globo

Decisão foi tomada depois que a Petrobras aprimorou projeto para mitigar riscos ao meio ambiente

Foi sensata a decisão do Ibama de conceder licença à Petrobras para perfurar um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, na área conhecida como Margem Equatorial. Não fazia sentido protelar a resposta à petroleira, uma vez que as discussões em torno do projeto se estendem desde 2020. Ministério do Meio Ambiente e Ibama informaram que a decisão resultou de um “rigoroso processo de licenciamento ambiental”, em que os planos da Petrobras tiveram de ser aperfeiçoados, em especial em relação às respostas para situações de emergência.

Esquerda poupa Lula em duas frentes, por Vera Magalhães

O Globo

Existe historicamente para com o presidente uma tolerância que não é estendida a outros políticos

O silêncio das hostes progressistas grita diante de duas decisões de Lula que contrariam bandeiras importantes e históricas da esquerda: defesa do meio ambiente e maior participação feminina nos postos de poder.

Sim, praticamente passou batido a decisão de autorizar a perfuração de um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas pela Petrobras às vésperas da COP30, que acontece em Belém. E não houve a esperada reação por parte dos movimentos feministas diante da confirmação de que o presidente nem sequer chegou a levar em conta a reivindicação de designar uma mulher para a terceira vaga aberta no Supremo Tribunal Federal apenas neste mandato.

Boulos no Planalto, por Elio Gaspari

O Globo

Ao colocar Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência, Lula mostrou que vai para a eleição de 2026 pintado para a guerra. Uma guerra ao seu estilo, manejando os movimentos sociais.

Durante quase três anos de seu terceiro mandato, a oposição conservadora convenceu-o de que o melhor caminho a seguir é um discreto retorno às suas raízes. Há três anos, Gilberto Kassab previa:

— Guilherme Boulos poderá ser o herdeiro de Lula.

Não deu outra. Com um PT envelhecido, Lula foi buscar esse ativista de 43 anos para injetar vida ao seu governo. Como disse o próprio Boulos:

— Lula me deu a missão de ajudar a colocar o governo na rua.

Com suas raízes no PSOL e no eleitorado jovem, Boulos é capaz de levar gente para o asfalto da Avenida Paulista. (Fernando Haddad, ministro da Fazenda, leva gente para os escritórios envidraçados dessa mesma avenida.)

A mancha do petróleo, por Bernardo Mello Franco

O Globo

O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar o primeiro poço em águas profundas na Bacia da Foz do Amazonas. A licença saiu a três semanas do início da COP30. Lula quer se apresentar como defensor do clima, mas seu discurso será manchado pela nova aposta nos combustíveis fósseis.

A decisão encerra uma longa disputa no governo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tentava barrar a exploração de petróleo na região. Os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa, pressionavam pela liberação imediata.

Lula arbitrou a contenda a favor dos ministros e contra a ministra, que fica ainda mais isolada em Brasília. Seus adversários não estão apenas no Congresso. Espalham-se pelo Planalto e pela Esplanada.

Notícias sobre a atuação das facções na política, por Fernando Exman

Valor Econômico

Segundo pesquisa Datafolha, 19% dos entrevistados dizem que facções ou milícias estão em suas vizinhanças. Isso representa 31,6 milhões de eleitores

Leio, com poucos dias de diferença, que um a cada cinco brasileiros vive sob influência de organizações criminosas e a Polícia Civil de São Paulo investiga se uma licitação milionária realizada pela Prefeitura de Praia Grande teria motivado a execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes. Relembro conversa recente com um influente parlamentar do Estado do Ceará.

O congressista relata episódios vividos por aliados, procurados por emissários de facções criminosas oferecendo apoio nas últimas eleições municipais. Dinheiro e votos. Diante das negativas, o assédio cessou. Mas apenas temporariamente.

Um desses prefeitos recebeu uma visita já depois de eleito e o interlocutor exigiu, para que o mandato seguisse em paz, que determinada facção fizesse uma indicação para a área responsável pelos contratos da administração local. Com a recusa e sem provas para apresentar às autoridades, restou-lhe lamentar ao importante aliado no Parlamento e pedir anonimato.

Cortar despesas, trabalho de relojoeiro, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Planejamento lança ferramenta para que gestores das mais de 600 políticas públicas federais façam autoavaliação e descubram o que funciona e o que pode ser eliminado

Enquanto o presidente da Argentina, Javier Milei, dispõe de uma motosserra para cortar despesas, o governo brasileiro trabalha com uma chave de fenda. Mas, enquanto a atuação do primeiro causa tensão na sociedade, o “trabalho de relojoeiro” feito por aqui parece ser mais sustentável. Essa foi a avaliação feita pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à GloboNews, nesta terça-feira (21). Ele falava sobre o crescimento das despesas obrigatórias, cuja contenção é uma tarefa que não acabou. O governo precisará retornar a temas propostos que o Congresso Nacional não quis avaliar, como os supersalários do funcionalismo, o sistema de aposentadoria dos militares e os fundos constitucionais.

A escalada de Trump e a Amazônia, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Escolha do lugar da Operação Atlas não foi acidental; Forças Armadas queriam dissuadir ameaças

Quando o Ministério da Defesa decidiu deslocar cerca de 10 mil homens para a região de Roraima para fazer o maior exercício militar deste ano no País, o objetivo oficial de tal movimento era “coletar subsídios para o aperfeiçoamento do Sistema Planejamento de Emprego Conjunto das Forças Armadas, proporcionar a identificação de óbices ao planejamento, à coordenação e à execução do deslocamento estratégico dos meios envolvidos e cooperar com o adestramento das Forças Singulares, em ambiente operacional de selva e de difícil acesso, promovendo a interoperabilidade entre elas”.

Foz do Amazonas e soberania, por David Zylbersztajn

O Estado de S. Paulo

Atendidas todas as precauções ambientais necessárias, o País tem em mãos uma oportunidade histórica

Venho estudando e acompanhando as discussões sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira (que vai do Rio Grande do Norte até o Amapá) e mais especificamente na região da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas.

Por causa disso, estive recentemente no Amapá para um encontro em que ouvi lideranças acadêmicas e políticas locais, que raramente têm conseguido vocalizar seus argumentos e anseios. Nós, “sudestinos”, perdemos a capacidade ou o desejo de escutar quem deveríamos.

As mudanças climáticas e o aquecimento global são um consenso científico e factual, e a parte mais importante do aquecimento da atmosfera decorre da queima de combustíveis fósseis.

Mudança de meta fiscal, risco político, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Cumprir o objetivo de superávit pode ser inviável em termos políticos ou administrativos

Novo pacote de impostos e cortes que vai ao Congresso pode não ser suficiente

Há um zum-zum sobre o governo mudar a meta fiscal para 2026. Quer dizer, a meta do superávit primário, a diferença entre receita e despesa, desconsiderados os juros da dívida pública. O governo não teria como cumprir nem mesmo a meta relaxada do "arcabouço fiscal", pois o tamanho do corte de gastos seria inviável.

E daí? O problema é mais político do que financeiro. Os objetivos do "arcabouço fiscal" são paliativos, se tanto. Nas contas de verdade, os quatro anos de Lula 3 devem ter déficit primário. A dívida pública aumenta sem parar. Em si, a mudança da meta não vai alterar o tamanho do problema fiscal a ser resolvido a partir de 2027.

Mas mexer na meta pode causar tumulto: alta de dólar e juros, mais expectativa de inflação, sem contar o risco de acidente maior, caso a conjuntura internacional não ajude.

Fux vota contra condenação e pede para sair da Primeira Turma do Supremo, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pediu para ser transferido da 1ª Turma para a 2ª Turma da Corte. O anúncio foi feito em plenário após condenação de kids pretos

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira, os sete réus do núcleo 4 da trama golpista, entre os quais os militares chamados de kids pretos, por terem integrado as forças especiais do Exército. O grupo foi acusado de disseminar notícias falsas para criar uma instabilidade institucional que favorecesse uma tentativa de golpe de Estado.

O ministro Luiz Fux protagonizou os momentos mais tensos do julgamento. Único voto divergente na condenação dos acusados de operar a máquina de desinformação e espionagem da “Abin paralela”, ele não apenas votou contra a condenação como também pediu formalmente sua transferência da 1ª para a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O gesto evidencia seu crescente isolamento dentro da Corte e acentua a cisão entre o entendimento majoritário, liderado por Alexandre de Moraes, e a posição minoritária de Fux, mais restritiva quanto à caracterização do golpe e ao alcance penal das ações.

O voto da maioria foi dado pela ministra Cármen Lúcia, que seguiu o entendimento de Moraes e entendeu pela condenação dos sete réus por cinco crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A Primeira Turma tem cinco integrantes. Além de Moraes e Cármen Lúcia, os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino votaram seguindo o parecer do relator.

Por que Pacheco prefere a cadeira de Barroso no STF a ser candidato em Minas? Por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Nome preferido por Lula para o governo mineiro, ex-presidente do Senado foi ‘atropelado’ pelo PSD e deve mudar de partido

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) vive uma encruzilhada política e, nos bastidores, já admite mudar de partido. Na lista das siglas examinadas estão o PSB e o MDB. Na prática, o seu próximo destino depende dos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas uma coisa é certa: ele não quer ficar no banco de reserva.

Pacheco sonha com a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Sabe que Lula decidiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo, mas espera uma reviravolta no caso.

Sem nome forte do PT para lhe dar palanque em Minas Gerais, na campanha pela reeleição, o presidente quer que o senador aceite ser candidato à sucessão do governador Romeu Zema (Novo) em 2026.

Mas por qual legenda? O PSD, partido de Pacheco, vai filiar no próximo dia 27 o vice-governador de Minas, Mateus Simões, e também já avisou que não estará com Lula no ano que vem.

Resistência inédita à indicação de Messias para STF é avanço sobre prerrogativa presidencial, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Lula viaja para a Malásia sem anunciar sua escolha para a vaga de Luís Roberto Barroso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou nesta terça-feira (21) para a Malásia sem assinar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF) . O adiamento da decisão se dá depois de um jantar na noite de segunda-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

É a primeira vez que o preenchimento de uma vaga para o Supremo Tribunal Federal tem a oposição explícita do presidente do Senado e do decano da Corte, o mais vocal de outro jantar com o presidente, na semana passada, ao lado dos ministros Alexandre de Moraes, Flavio Dino, Cristiano Zanin e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.

Congresso trabalha pensando em 2026, não em justiça econômica, diz Haddad, por Tamara Nassif

Folha de S. Paulo

Ministro também diz que governo irá enviar dois projetos para compensar medida sobre impostos

Outro caminho seria a edição de uma MP ao término do ano legislativo, no final de dezembro

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (21) ver o Congresso Nacional trabalhando em função das eleições presidenciais de 2026, e não da justiça econômica.

"O Congresso tem todo direito de rejeitar o que é injusto, mas não é essa a conversa lá. O que se conversa lá é 2026 e que fulano de tal não vai ser candidato se a MP [medida provisória] passar. Imagina uma coisa que é boa para o país ficar ao sabor das intenções presidenciais de uma pessoa", afirmou ele em entrevista à Globonews.

O ministro não disse quem seria o "fulano de tal", se limitou a dizer que "lê o jornal" e que "tem as mesmas fontes no Congresso que a imprensa".

Negar a polarização não a elimina, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Negar esse problema ajuda a manter o país dividido

O racha não desaparece porque um lado se julga virtuoso

É curioso como, de repente, a esquerda passou a repetir em coro que polarização não existe, que é só mais um espantalho usado por quem quer tratar todas as forças políticas como farinha do mesmo saco. Na semana passada, minha coluna registrou um número curioso de comentários nesse sentido. Aproveito para dialogar com essas objeções.

Alguém lembrou que "sempre houve situação e oposição; logo, não há polarização". Ora, isso é confusão de categorias. Competição é o que esperamos de uma democracia: programas diferentes, coalizões que mudam e disputa pela opinião pública. Polarização, no sentido que interessa hoje, é outra coisa: o centro fica deserto e somem os moderados, enquanto crescem a antipatia organizada ao campo rival e as lealdades identitárias que reclassificam fatos e pessoas.

Vale tudo pelo eleitoral, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Promessas vãs e ataques ao Congresso não são a maneira mais ética de Lula buscar a reeleição

Se o norte do governo é a eleição, a oposição também tem o direito de se guiar pela mesma bússola

campanha da reeleição do presidente Luiz Inácio da Silva (PT) já tem dois novos pilares de sustentação para se somarem à defesa da soberania nacional, à luta de pobres contra ricos, à entrega de benefícios à classe média e a uma série de medidas na área da segurança pública.

São eles a batalha contra um Congresso inimigo do povo e propostas de forte apelo popular, mas com baixíssima chance de sucesso a ser alcançada ainda neste mandato: tarifa zero no transporte público para todo o país e redução da jornada de trabalho semanal. Lula se escora em práticas deletérias do próprio Parlamento, joga com uma realidade parcial, mas nem por isso irreal. Agora mesmo cultiva mais um antagonismo ao insistir numa nova versão de aumento de tributos para fechar as contas.

Poesia | Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles

 

Música | Nena Queiroga - Frevo do Galo / O Galo da Madrugada /O Canto do Galo / Hino do Galo.