*Zygmunt Bauman (1925-2017), sociólogo polonês,
“Vivemos o fim do futuro”. Entrevista à revista Época, nº 819, 10 de fevereiro
de 2014.
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Opinião do dia - Zygmunt Bauman*
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Ao atacar ditador da Venezuela, Trump pode entrar em atoleiro
Por Valor Econômico
Embora Maduro tenha sido destituído do poder, ainda é cedo para declarar o fim do regime inaugurado por Hugo Chávez em 1999
Não há dúvidas de que Nicolás Maduro era um líder autoritário e corrupto, cuja violenta repressão provocou o êxodo de cerca de 20% da população venezuelana desde 2014. Porém, ao ordenar o ataque à Venezuela para capturar e sequestrar o ditador e sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos EUA, Donald Trump, cometeu um crime de agressão sob o direito internacional — um país não pode atacar outro salvo em legítima defesa contra uma agressão sofrida ou por aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Mesmo sob a lei americana, Trump violou a constituição ao não buscar o aval do Congresso para a ação militar — se os EUA ainda fossem um país que levasse isso a sério, a ação poderia suscitar o impeachment do presidente. E em um drástico afastamento de sua bandeira contrária a intervenções no exterior, Trump declarou que os EUA iriam “governar” a Venezuela até uma “transição segura” de poder e que iriam controlar a produção de petróleo do país — arriscando ficar preso em um atoleiro traiçoeiro, assim como o russo Vladimir Putin está há quase quatro anos na Ucrânia.
Entrevista | Ricupero: Esperar resposta internacional ao ataque contra a Venezuela é ilusão
Por Leonardo Miazzo / CartaCapital
Com Brasil de mãos atadas, China pragmática e
ONU sem ação, Trump pode obter ganhos internos às custas de um precedente
perigoso na América Latina
Não há qualquer possibilidade de resposta
concreta da comunidade internacional ou de organismos multilaterais à agressão
do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela. A avaliação é
de Rubens Ricupero,
ex-embaixador do Brasil em Washington, em entrevista a CartaCapital.
Com passagens pelos ministério da Fazenda e do Meio Ambiente e pela Secretaria-Geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Ricupero afirmou que as declarações de líderes internacionais sobre o ataque buscam apenas reforçar a defesa de princípios do direito, sem qualquer efetividade.
O peso das eleições e do cenário externo para o câmbio em 2026. Por Sergio Lamucci
Valor Econômico
A expectativa é de que o dólar terminará o
ano na casa de R$ 5,50, mas incertezas sobre as contas públicas poderão
pressionar o real
O comportamento do câmbio terá um papel muito
importante para a economia em 2026, um ano eleitoral, com um ciclo de queda de
juros já encomendado. A expectativa dominante hoje é de que o dólar terminará o
ano na casa de R$ 5,50, próximo do nível de fechamento do ano passado, mas
incertezas sobre as contas públicas, que dependerão em parte das perspectivas
para o pleito presidencial, poderão pressionar o real e provocar volatilidade
no mercado.
Além disso, o desempenho global do dólar será essencial para o rumo do câmbio por aqui - no ano passado, houve um recuo de quase 10%, segundo o índice DXY, que mede o valor da moeda americana em relação a seis divisas (euro, iene, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço). Para 2026, a aposta é de alguma desvalorização adicional do dólar, num cenário de corte dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Um quadro mundial marcado por vários pontos de tensão, como a invasão dos EUA à Venezuela, também pode trazer instabilidade ao mercado de câmbio no Brasil.
A disputa pela hegemonia global. Por Adalmir A. Marquetti
Valor Econômico
A questão é se os países conseguirão administrar os conflitos inerentes dessa disputa
A ordem internacional desenhada sob a hegemonia incontestável dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais no pós-Guerra Fria está desaparecendo. Vivemos um período de intensa disputa hegemônica, no qual o conflito se manifesta em múltiplas frentes: econômica, tecnológica, geoestratégica, e, com o risco real de escalada para o confronto militar.
Ação reitera objetivo de Trump de um mundo sem lei. Por Humberto Saccomandi
Valor Econômico
O ataque americano reafirma um padrão de
comportamento de Trump de ignorar leis, acordos e normas internacionais, o que
em outros presidentes era uma exceção
O principal argumento em favor da captura de Nicolás Maduro é que, ainda que os EUA tenham violado a carta da ONU com a agressão militar, tanto a Venezuela como a região estarão melhor com uma mudança de regime e uma eventual redemocratização do país. Os fins justificariam os meios.
Seria algo semelhante ao que ocorreu no Panamá em 1989, quando uma invasão dos EUA derrubou a ditadura de Manuel Noriega. O Panamá desde então tem sido uma democracia e um dos países que mais crescem no continente.
Trump agora é o dono da Venezuela. Por Edward Luce
Financial Time / Valor Econômico
Em termos de operações militares, o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA foi impecável. Mas a história de Donald Trump com a Venezuela está apenas começando. Tendo deposto seu líder, Trump agora assume com entusiasmo as consequências. “Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e criteriosa”, disse ele algumas horas depois. Em outras palavras, Trump se converteu à mudança de regime. O que acontecer na Venezuela daqui para frente será de sua responsabilidade.
Risco da democracia por intervenção. Por Carlos Pereira
O Estado de S. Paulo
Nem toda queda de ditador, como no caso de Maduro, fortalece a democracia
O grande receio de um autocrata personalista é sempre o mesmo: o de “perder a própria cabeça”. Maduro perdeu a oportunidade de negociar um ticket de saída quando se recusou a reconhecer sua derrota nas eleições presidenciais da Venezuela, contribuindo decisivamente para o colapso da democracia no país. Cometeu, assim, um erro recorrente entre ditadores: não saber quando iniciar uma transição pactuada e pacífica de poder.
Venezuela vive a era pós-Maduro. Por Demétrio Magnoli
O Globo
O chavismo crepuscular é odiado pela vasta
maioria do povo
Exatos 36 anos depois de Manuel Noriega, Nicolás Maduro seguiu, algemado, para um tribunal dos Estados Unidos. A extração de Noriega exigiu uma invasão militar americana que deixou centenas de mortos, enquanto a captura de Maduro solicitou apenas uma operação cinematográfica de comandos coberta por bombardeios de alvos militares. É prova de que o autodenominado “regime cívico-militar-policial” venezuelano só sabia reprimir civis.
Relações impróprias de magistrados. Por Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
O caso Master coloca na mesa questões
cruciais como as relações de ministros do STF e escritórios de advocacia de
parentes
Chama a atenção uma frase curta numa das
notas em que o ministro Alexandre de Moraes nega ter mantido conversas sobre o
caso Master com o presidente do BC, Gabriel Galípolo. Diz a frase: “Por fim, (o
ministro) esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na
operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central.”
Viviane Barci de Moraes, titular do escritório, não fez qualquer declaração sobre suas atividades nesse caso, desde que a colunista Malu Gaspar revelou a existência de um contrato milionário com o Banco Master. De amplo alcance, o contrato previa atuação junto a várias instituições, incluindo o Banco Central.
Como transformar raiva em projeto. Por Preto Zezé
O Globo
Desafio de 2026 exige a coragem de
transformar o sonho solitário do ‘eu, CEO’ na esperança coletiva de um ‘nós,
nação’
O Brasil chega a 2026 com um paradoxo
escancarado. A economia não quebrou, o desemprego caiu, mas o país segue
emocionalmente exausto. Tristeza, cansaço e medo viraram sentimentos políticos
dominantes. Não é crise de número. É crise de sentido.
João roda de aplicativo. Maria vive de Pix. Lucas vende promessa digital. São personagens diferentes, mas presos ao mesmo enredo: o corre solitário. Cada um tentando vencer sozinho num país que parou de oferecer chão coletivo. João acredita que o Estado só atrapalha. Maria sonha em “estourar” nas redes. Lucas vende mindset como salvação individual. Nenhum deles é ignorante. Todos tentam sobreviver e sonhar dentro das regras que existem.
Edinho chama direita brasileira de submissa por aplaudir operação dos EUA na Venezuela
Por Catia Seabra / Folha de S. Paulo
Presidente do PT diz que ação militar
americana na América do Sul 'abre precedente gravíssimo'
Petista ressalta que interesse dos EUA está
na exploração de petróleo venezuelano
O presidente do PT, Edinho
Silva, criticou neste sábado (3) integrantes da direita brasileira por
comemorarem a intervenção do governo Trump na Venezuela e
chamou de submissão os aplausos à operação militar em um país vizinho.
Edinho ressalta ainda que Donald Trump deixou
claro, em entrevista, que seu interesse está na produção do petróleo, o que
configura um precedente gravíssimo. Ele defende que o campo democrático
brasileiro se una em defesa da democracia.
"Não dá para entender os aplausos da direita brasileira sobre o ocorrido na Venezuela, é muita submissão. É gravíssimo o governo Trump invadir um país só por conta das reservas de petróleo. O precedente é gravíssimo, é hora do campo democrático brasileiro se unir, a democracia tem que vencer, o conceito de soberania não pode ser derrotado", afirmou.
Editorial do NYT critica operação para capturar Maduro e questiona presidente Trump
Por O Globo
Publicação americana reconhece caráter autoritário de Maduro, mas afirma que captura do presidente venezuelano viola a Constituição dos EUA, o direito internacional e repete erros históricos
O New York Times criticou a escalada militar dos EUA contra a Venezuela e a captura do líder chavista, Nicolás Maduro, em um contundente editorial publicado neste sábado. Embora reconheça o caráter autoritário e repressivo do regime venezuelano, a publicação afirma que a operação anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, é ilegal à luz da Constituição dos EUA e do direito internacional, e alerta que a iniciativa repete erros históricos da política externa do país, arriscando aprofundar ainda mais a instabilidade na região.
Reunião extraordinária da Celac sobre Venezuela termina sem consenso e grupo não deve emitir comunicado
Por Beatriz Roscoe / Valor Econômico
O chanceler Mauro Vieira representou o Brasil
no encontro, que aconteceu por videoconferência
A reunião extraordinária ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocada para discutir a situação na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos terminou neste domingo (4) sem consenso dos 33 países da região, segundo apurou o Valor. Não será divulgado um comunicado conjunto do grupo.
Um grupo de países entendeu que não havia
sentido em emitir uma posição conjunta da região. Também não foi tentado,
durante o encontro, buscar um consenso do grupo, de acordo com uma fonte da
diplomacia brasileira que acompanhou a reunião.
Por outro lado, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram hoje um comunicado conjunto em que condenaram as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. Também demonstraram preocupação diante de "qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos", numa crítica à fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que levaria petroleiras norte-americanas para controlar o petróleo na Venezuela.
Fascismo e irracionalidade. Por Ivan Alves Filho
Tanto Donald Trump quanto Nicolás Maduro são exemplos perfeitos disso.
Refiro-me aqui às características do fascismo clássico italiano. São elas: nacionalismo exacerbado, irracionalidade, corporativismo sindical, conluio com o grande capital, presença do líder carismático, desprezo pelas instituições, demagogia recorrente, autoritarismo frequente e corrupção sistêmica. Um pacote completo, logo se vê.














