sexta-feira, 28 de novembro de 2025

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Operação contra Refit revela que unir esforços é essencial

Por O Globo

Ação contra criminosos envolveu Receita, Procuradoria da Fazenda, MPs, polícias e secretarias estaduais

Foi oportuna a megaoperação deflagrada nesta quinta-feira para desarticular um esquema de sonegação fiscal em cinco estados e no Distrito Federal. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra 190 alvos ligados a empresas de combustíveis e ao grupo Refit, dono da antiga Refinaria de Manguinhos. Batizada Poço de Lobato, a ação reuniu mais de 600 agentes e envolveu Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, polícias, Ministérios Públicos e secretarias de São Paulo e outros estados — mostra de que a cooperação entre diferentes instituições é fundamental para combater atividades criminosas.

Comandado pelo empresário Ricardo Magro, que mora em Miami, o Refit é acusado de ser o maior devedor de ICMS no estado de São Paulo e um dos maiores devedores da União. Segundo o MP paulista, o esquema de fraude fiscal causou prejuízos a estados e ao governo federal estimados em mais de R$ 26 bilhões. Autoridades informaram ter bloqueado R$ 10,2 bilhões em bens dos acusados.

Bolsonaro vai preso, e Tarcísio abre o jogo, por Andrea Jubé

Valor Econômico

O momento é mesmo de incertezas

O início da execução da sentença de 27 anos e 3 meses de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, em uma cela da Polícia Federal (PF), deu uma chacoalhada na oposição, que reagiu.

Na mesma data escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para rufar os tambores com a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, a direita providenciou um palco para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mandar recados.

Compartilhando os holofotes de quarta-feira (26) com Lula, que comemorou o trunfo eleitoral para 2026, Tarcísio tentou acalmar apoiadores, atordoados com a notícia da prisão e o futuro incerto, diante de uma direita acéfala e fragmentada. “Não tenham ansiedade”, recomendou, durante o fórum UBS WM Latin America Summit, observando que a candidatura da direita poderá ser anunciada até março.

Selo de Ignácio de Loyola Brandão, por José de Souza Martins

Valor Econômico

Estampa comemorativa do escritor Ignácio de Loyola Brandão pelos 60 anos de seu primeiro livro lembra que a filatelia é uma educativa fonte de conhecimento, de arte, de história

Há dias, os Correios do Brasil lançaram um selo comemorativo dos 60 anos do primeiro livro de Ignácio de Loyola Brandão, membro não só da Academia Brasileira de Letras, mas também, há mais tempo, da Academia Paulista de Letras.

Ele começou com “Depois do sol”, que também abre o ciclo de livros inspirados em suas descobertas do que virá a ser o elenco de suas observações sobre a cidade grande em que passara a viver vindo de Araraquara, sua terra.

Munido com as referências da idílica cidade de origem, o que se tornou característico dos interioranos de muitos recantos do Brasil, desenvolveu um desdobramento literariamente crítico, próprio do romantismo dos que vêm de longe.

Caixa 2 de partidos do Centrão vai secar, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Circulam informações em Brasília de possíveis delações premiadas de figuras-chave dos esquemas desbaratados

Ricardo Magro não é apenas o eixo central da Operação Poço de Lobato, que desbaratou o esquema bilionário de sonegação do grupo Refit. Ele é também um empresário de muitas conexões em Brasília, particularmente com políticos do Centrão. Na capital federal, a percepção é de que a operação capitaneada por polícias civis e militares, Ministério Público e Receita Federal vai trazer dois benefícios para o governo Lula: um aumento da arrecadação formal e secar uma fonte importante de recursos de caixa 2 para os políticos do Centrão.

Com operações mais inteligentes, feitas em conjunto também com autoridades estaduais, os investigadores chegaram ao primeiro elo: os empresários.

A corrupção, como a história, se repete, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

É inacreditável como os escândalos brasileiros, inevitavelmente, envolvem bilhões, homens marombados, namoradas maravilhosas, jatos, lanchas, mansões ou apartamentos espetaculares em Miami e Nova York e... promiscuidade com os poderes federais e estaduais, partidos e políticos, eventos, comemorações, viagens. E como seus “negócios” demoram a ser desbaratados!

Daniel Vorcaro, 42 anos, e Augusto Lima, 46, do Banco Master, estão neste caso e agora chega ao time o advogado e empresário Ricardo Andrade Magro, do Grupo Refit, que já passou dos 60, mas desbravou bem antes os mesmos caminhos, que trilha com desenvoltura há anos. Vidão. À custa de quê?

Como sempre, tudo acaba no Rio, onde o Master deu mais um tombo no fundo de pensão dos funcionários (Rioprevidência) e o Refit é o segundo maior sonegador de impostos. Mas os escândalos se estendem ao BRB, banco público do DF, a São Paulo, à União e são calculados em bilhões de reais.

Coalizão de predadores derruba vetos e instaura vale-tudo ambiental no Brasil, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Narrativa de que o Congresso apenas “moderniza o país” esconde a captura legislativa por interesses que rejeitam o consenso científico sobre a necessidade de licenciamento rigoroso

O Congresso Nacional derrubou, ontem, grande parte dos vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, chamada por ambientalistas de “PL da Devastação”. Na Câmara, o placar foi de 295 votos pela derrubada e 167 pela manutenção dos vetos. No Senado, 52 votos a 15. Com isso, o Palácio do Planalto, cientistas, entidades da sociedade civil e ambientalistas sofreram a maior derrota da história na legislação ambiental, considerada, até então, referência para o mundo.

Entre os trechos que devem ser retomados, está a autorização para que atividades e empreendimentos considerados de baixo e pequeno porte — ou com baixo e pequeno potencial poluidor — obtenham licenças por um processo de adesão e compromisso (LAC), mais simples do que o procedimento regular. Ou seja, uma porta aberta para o vale-tudo ambiental, sobretudo na Mata Atlântica, no Cerrado e na Amazônia.

De tédio não se morre no Brasil, por Orlando Thomé Cordeiro

Correio Braziliense

Claro que é absolutamente relevante, pela primeira vez na história brasileira, podermos ter levado a julgamento e condenado pessoas e grupos pelo crime de tentativa de golpe contra o Estado Democrático de Direito, incluindo militares de alta patente

Na última semana, o país vivenciou fortes emoções. Sábado passado, fomos despertados com a notícia da decretação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da prisão preventiva do ex-presidente. As primeiras versões sobre a razão da decisão judicial apontavam que a convocação feita pelo seu filho senador de uma vigília em frente ao condomínio onde estava em prisão domiciliar causaria tumulto e poderia criar as condições propícias para uma fuga. Considerando que, semanas antes, outro condenado pela tentativa de golpe tinha fugido para os Estados Unidos, a preocupação parecia fazer sentido.

Porém, algumas horas mais tarde, verificou-se no pedido formulado pela Polícia Federal (PF) o apontamento de um período em que a tornozeleira eletrônica ficara inativa, podendo evidenciar um movimento para sua retirada. Qual não foi a surpresa quando as primeiras imagens mostraram a tentativa de danificar o equipamento com o uso de um ferro de solda, confirmada pelo próprio preso, alegando, no primeiro momento, tê-lo feito por curiosidade e, posteriormente, na audiência de custódia, afirmou ter tido um surto por uso de medicamentos.

Literatura, vocação, por José Sarney

Correio Braziliense

Comecei a escrever muito moço. Com meu pai, aprendi a amar os livros, amor que me acompanha por toda a vida. Sem eles não sei viver: vivo com eles

Ontem, na Academia Brasileira de Letras, a editora Ciranda Cultural lançou, sob um novo selo, Principis, meus três romances: O Dono do Mar, Saraminda e A Duquesa vale uma missa. Ao mesmo tempo, a Academia me fez uma homenagem que muito me tocou, ao me dedicar uma sessão especial, com meus confrades Domício Proença e Antônio Carlos Secchin analisando minha obra de prosador e de poeta.

Comecei a escrever muito moço. Com meu pai, aprendi a amar os livros, amor que me acompanha por toda a vida. Sem eles não sei viver: vivo com eles. Primeiro aprendi a ler alguns clássicos, na pequena biblioteca que tínhamos em São Bento, no interior do Maranhão. Depois comecei a fazer, à mão, pequenos livros, com folhas datilografadas, A Canção Inicial e Poemas Decadentes. Participei, mais tarde, de um pequeno grupo que sonhava recuperar o Maranhão: éramos escritores e pintores. Ali, tive grandes companheiros, como o grande poeta Bandeira Tribuzzi, que fora estudar em Coimbra, e nos trouxera a descoberta da poesia portuguesa, sobretudo Fernando Pessoa.

Dos livros e da literatura, por Ivan Alves Filho*

Escrevi uma vez que a Literatura vai além da própria Literatura, incorporando todas as esferas da vida. No Brasil, o melhor da nossa Literatura pode até não ter um conteúdo panfletário – e eu penso que não tem –, mas é uma cultura de resistência, no sentido de mergulho na nossa identidade e nos impasses promovidos pelas nossas mazelas sociais. Isto é, ela pode ser apreendida a partir de sua dimensão social, estética, ou, ainda do seu caráter experimental e de seus aspectos regionais. E pode ser até a soma disso tudo, enquanto expressão profunda de cada um de nós. Eu vejo a Literatura quase como um complemento da Biologia: ela é uma história de vida. Há algum tempo conheci a palavra guarani tekoporã, que significa algo como “viver com beleza” (de tekó, modo próprio de ser ou cultura, e porã, beleza, o bem). 

Literatura é isso: uma vida em coletividade, com beleza. Daí a sua grandeza e importância em nossas existências. A Literatura busca a verdade, mas de uma maneira própria: pelo belo. Essa é a sua forma de integração ao mundo e de interpretá-lo. O belo como o elo com o mundo. A realidade sintetizada em palavras.

Governo e Congresso perdem com embates, por Vera Magalhães

O Globo

Lista imensa de choques não é boa para nenhum dos lados, menos ainda para um país com tantas urgências, da segurança à estabilidade fiscal

A facilidade de arregimentar maiorias e impor derrotas, algumas delas amargas, ao governo pode dar aos presidentes da Câmara e do Senado a impressão de que saem vitoriosos dos embates, mas a conta de perdas e ganhos com a manutenção desse ambiente não é tão simples como parece.

A rebordosa da PEC da Impunidade deveria ter ensinado a deputados e senadores, ainda mais às vésperas de ter de ir pedir votos nas suas bases, que há um limite que a sociedade está disposta a aceitar para conchavos, defesa de pautas corporativistas e descaso com temas como meio ambiente, justiça tributária e combate à impunidade.

As operações recentes da Polícia Federal em parceria com a Receita Federal têm explicitado as relações nada republicanas de empresários envolvidos em toda sorte de delinquências com cabeças coroadas do Parlamento.

Fim do ciclo, por Pablo Ortellado

O Globo

Está na hora de encerrar os inquéritos contra as mobilizações antidemocráticas e de conferir transparência ao processo

Com a condenação de Jair Bolsonaro e dos generais conspiradores transitada em julgado, encerramos o ciclo de resposta institucional ao golpismo dos anos de 2022 e 2023. De lá até agora, o Supremo Tribunal Federal (STF) assumiu poderes extraordinários que esperamos ter sido excepcionais e transitórios. Está na hora de encerrar os inquéritos contra as mobilizações antidemocráticas e de conferir transparência ao processo, para que a sociedade possa avaliar o que foi feito.

Cruzadinha no xadrez, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Jair Renan deixou Balneário Camboriú para visitar o pai na cadeia em Brasília. “Tentei levantar o ânimo do meu velho”, declarou, ao sair da Polícia Federal. O Zero Quatro disse ter levado “alguns livros” para o capitão. A frase despertou a curiosidade dos repórteres, que quiseram saber os títulos escolhidos. “Trouxe um caça-palavras para ele”, informou o vereador.

O chefe do clã nunca foi conhecido pelo hábito da leitura. Apesar disso, sempre teve opiniões fortes sobre a cena editorial. No Planalto, tentou interferir no formato dos livros didáticos. “Os livros hoje em dia, como regra, é (sic) um montão, um amontoado de muita coisa escrita. Tem que suavizar aquilo”, ordenou, em janeiro de 2020.

Hugo Motta foi estrela de jantar oferecido pela Refit em Nova York, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Presidente da Câmara é criticado por não pautar projeto contra devedores contumazes

O presidente da Câmara, Hugo Motta, foi a estrela de um jantar oferecido em Nova York pela Refit, alvo da megaoperação da Receita Federal contra fraudes fiscais.

O jantar ocorreu há seis meses, na noite de 12 de maio. Estava presente o dono da refinaria, Ricardo Magro, além de outros empresários e políticos brasileiros.

Na época, a Refit já era conhecida como a maior sonegadora de ICMS do país.

A irresponsabilidade fiscal do Congresso, por Bráulio Borges

Folha de S. Paulo

Não é só o Executivo federal que deve ser cobrado

Legislativo precisa apontar fontes de financiamento para as isenções

Estão em discussão no Congresso várias pautas-bomba fiscais, como a regulamentação da aposentadoria especial de agentes comunitários (aprovada no Senado nesta semana), aumentos dos limites de faturamento do Simples e MEI, ampliação dos critérios de elegibilidade para o BPC/Loas e criação de adicional de insalubridade para professores. Caso todas elas sejam aprovadas, o impacto sobre as contas públicas pode chegar a R$ 100 bilhões no acumulado de 2026 e 2027.

Ainda que algumas dessas medidas possam ser meritórias (várias certamente não o são), o problema é que o Congresso brasileiro quase nunca aponta a fonte de financiamento para essas novas medidas – algo que poderia ser feito por meio de aumento da carga tributária, por uma redução de outras despesas e renúncias fiscais ou por uma combinação delas. Esse tipo de postura do Congresso é uma afronta à responsabilidade fiscal, em particular ao artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Centrão vai mesmo barrar Messias? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Grupo parlamentar costuma criar problemas para o governo e depois vender soluções

Apesar de desserviços prestados ao país, bloco funciona como anteparo a forças antissistema

Senadores do chamado centrão vão mesmo vetar o ingresso de Jorge Messias no STF? É difícil dizer. A estratégia básica do grupo é criar dificuldades para extrair facilidades. Se o governo Lula der a Davi Alcolumbre compensações que o parlamentar considere justas, é perfeitamente possível que ele se torne, da noite para o dia, o melhor amigo de Messias.

Ocorre que, de tempos em tempos, o centrão promove um reajuste geral da tabela de preços. Desfere um golpe mais duro contra a administração para indicar que o apoio passou a custar mais caro. É numa dessas que o indicado de Lula para o tribunal pode ter seu nome vetado.

Lula enfrenta parada indigesta, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Na democracia, presidente algum se sustenta em estado de contraposição acentuada ao Parlamento

Lula tem muito a perder se não assumir a tarefa de reequilibrar o jogo de forças com o Congresso

Convites de presidente de República habitualmente não se recusam, ainda mais quando dirigidos a autoridades que estão na mesma cidade e sem afazeres que as impeçam de comparecer. A não ser que as ausências contenham significado e recado explícitos de contrariedade.

Foi assim interpretada a decisão dos presidentes da Câmara e do Senado de faltar à cerimônia de assinatura da lei de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) atiraram em várias direções: conseguiram que as ausências tivessem mais destaque que o projeto e mostraram que o desacerto vai além de atritos com líderes petistas —alcança o presidente Lula (PT).

Radiografia do 'falso 9', por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

'Falso 9' é o 9 que não entra na área, não leva bico no tornozelo e raramente faz gol

Tostão, em 1970, foi o protótipo do 'falso 9'. Mas nunca mais houve um Tostão. Só falsos 'falsos 9'

Rara a semana em que não escuto um comentarista de futebol se referir ao "falso 9". Está aí um número que não consta nas costas das camisas dos jogadores: "Falso 9". Nelas, lê-se apenas 9, e cada time tem um. O 9 é o centroavante, um sujeito grande, forte, pesado, e tem de ser assim. Pela sua posição —jogando de costas para o gol, prendendo os zagueiros na área e fazendo o pivô para os companheiros que vêm de frente—, o 9 é talvez o jogador mais sacrificado do time. Passa o jogo levando bicos no tornozelo, pisões no calcanhar, trompaços na bunda e sussurros ao ouvido, tudo aparentemente inócuo, mas cujo somatório vai doer e muito, no vestiário, depois do jogo.

Poesia | Eu, de Clarice Lispector

 

Música | A Volta do Boêmio