O Globo
Termo foi usado em denúncia americana contra
líder venezuelano no passado, mas governo constatou nesta semana que grupo não
existe como uma organização real
Entre as acusações dos EUA contra Nicolás
Maduro estava a de liderar o Cartel de los Soles no tráfico de drogas e no
terrorismo. Ela foi denunciada pelo Departamento de Justiça em 2020 e reiterada
em 2025.
O Cartel de los Soles nunca traficou drogas
nem praticou atentados. Na verdade, nunca foi um cartel. Tratava-se de uma
criação de jornalistas para designar o coração do chavismo.
A atribuição de traficâncias e atentados ao
Cartel de los Soles era algo como associar a Banda de Música da União
Democrática Nacional, a velha UDN, a atividades culturais, como concertos.
A Banda de Música da UDN foi uma criação da imprensa na segunda metade do século passado para designar um grupo de parlamentares aguerridos que faziam oposição aos governos de Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Depois do sequestro de Maduro, o governo americano
reescreveu a acusação, definindo o cartel como um grupo corrupto e clientelista
do chavismo. Apesar disso, o secretário de Estado Marco Rubio voltou a repisar
a acusação no último dia 4.
Trapalhadas desse tipo dificilmente alterarão
o julgamento de Maduro nos Estados Unidos. Ele será condenado, ponto.
Tigre de papel
O comportamento dos hierarcas da ditadura
venezuelana depois do sequestro de Nicolás Maduro mostrou que o chavismo era um
tigre de papel. Numa linguagem mais clara, um tigre atrás de boquinhas.
O lado americano da intervenção na Venezuela
embute um sinal para as burocracias civis e militares latino-americanas.
Turma do Master subiu o tom
Desde o século passado, quando a autoridade
monetária liquidava um banco, seus proprietários batalhavam dentro das quatro
linhas da legislação. Daniel Vorcaro e a turma do Master mudaram o patamar do
litígio.
Na tentativa de anular a legítima intervenção
do Banco Central, fulanizaram a questão, puseram um ministro do Supremo no
mesmo jatinho do advogado do Master, obtiveram a blindagem das investigações e
trouxeram o Tribunal de Contas para o debate. O TCU tem tanto a ver com a
liquidação do Master quanto a escola de samba da Mangueira. Até aí, pode-se
dizer que foi uma estratégia agressiva, mas era o jogo jogado.
A barreira da legalidade foi rompida quando
se viu que 46 perfis de redes sociais fizeram um bombardeio digital com ataques
simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso Master.
Segundo a Febraban, no dia 27 de dezembro o
bombardeio incluiu 4.560 posts contra o Banco Central, seus diretores e
investigadores do caso. Esse tipo de conduta é crime, e a defesa de Vorcaro
custou cerca de R$ 2 milhões e mudou o patamar do litígio.
O TCU sabe onde se mete
O presidente do Tribunal de Contas da União
quer meter a instituição na omelete do banco Master.
Em 2017, o TCU meteu-se nas investigações de
irregularidades praticadas na Petrobras e bloqueou os bens de seis membros do
Conselho de Administração da empresa.
Tudo bem. Numa extensa decisão do relator
Vital do Rêgo, listou suas vítimas. Antonio Palocci era ministro do
Planejamento, Dilma Rousseff era chefe da Casa Civil, dois outros eram empresários
e assim estavam qualificados. A quinta vítima chamava-se Gleuber Vieira. Foi
mencionado três vezes, sem que fosse revelada sua profissão. Geólogo?
Fonoaudiólogo? Vidente?
Gleuber Vieira (1933-2025) era general de
quatro estrelas, havia sido comandante do Exército de 1999 a 2003, com 50 anos
de serviço, sem nódoa.
O TCU sabe com quem se mete. O bloqueio dos
bens dos conselheiros acabou suspenso.
Burro é o Planalto
Lula criou o Instituto Tecnológico de
Medicina Inteligente e aproveitou a oportunidade para reclamar da espera a que
foi submetido em 2024 quando sofreu uma queda e teve de aguardar três horas por
um avião.
O doutor trocou as bolas. Em outubro de 2024
ele levou um tombo no banheiro do Alvorada, foi atendido na unidade de Brasília
do Sírio-Libanês e voltou para o palácio. A falta de avião só aconteceu dois
meses depois, quando Lula deixou de fazer um exame, teve fortes dores de cabeça
e foi necessária a sua transferência para São Paulo.
Esse episódio nada teve a ver com
inteligência ou burrice médica. O avião da Presidência demorou três horas
porque Lula é chefe de um governo e ocupante de um palácio onde trabalhavam
cerca de 3.500 servidores, sem que existisse um protocolo para a hipótese de o
presidente vir a precisar de atendimento médico de emergência e de
transferência para São Paulo.
A criação de um Instituto Tecnológico de
Medicina Inteligente não resolve o problema. A falta de inteligência não foi
médica, foi logística, no seu quadrado.
O sono de Bolsonaro
A Polícia Federal informou ao Supremo
Tribunal Federal que não tem condições técnicas para reduzir o barulho do
equipamento de ar refrigerado que, segundo Bolsonaro, o impede de dormir.
Mesmo admitindo-se que a situação nada tem a
ver com uma premeditação, deve-se lembrar que a supressão do sono era o método
da Stasi, o serviço de segurança da Alemanha comunista para quebrar a vontade
dos presos.
Sistemas de refrigeração barulhentos são
coisa comum. A questão pode ser transferida para médicos especializados em
controle do sono de pacientes. Se Bolsonaro passar pelo exame, o Supremo fica
diante de outra questão.
Veto de Lula deve cair
Pelo andar da carruagem, o Congresso
derrubará o veto de Lula ao projeto de redução das penas de 179 pessoas que
estão presas pelas badernas e pela trama golpista de 2022/2023.
Trump na Groenlândia
A ideia trumpista de uma intervenção militar
na Groenlândia está fadada ao fracasso, porque seria a desmoralização da
aliança militar da Otan e da consequente porteira livre para a Rússia.
Já o capilé de 100 mil dólares para cada
habitante do pedaço apoiar a anexação do território será outra conversa.
Com um cheque desse tamanho, a população de
vários países preferiria ser anexada aos Estados Unidos.
O poder de Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa
Civil de Jair Bolsonaro, prevaleceu sobre os argumentos do ministro Fernando
Haddad e emplacou Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
Nogueira tem um pé no caso do banco Master e
há ainda pegadas de petistas nas trilhas de Daniel Vorcaro.
Centrais reclamam
Cinco centrais sindicais protestaram contra a
sanção, por Lula, da lei que proíbe descontos automáticos nos benefícios
administrados pelo INSS.
Desde quando se percebeu que havia quadrilhas
roubando o dinheiro dos aposentados, nenhuma dessas centrais reclamou.
Assim como não reclamam dos sindicatos a elas filiados que cobram a Contribuição Sindical e não prestam serviço algum às vítimas.

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