*Manuel Castells (1942), sociólogo e professor Universitário espanhol. ”Ruptura – A crise da democracia liberal”, p. 144. Editora Zahar, 2018
Política e cultura, segundo uma opção democrática, constitucionalista, reformista, plural.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Opinião do dia – Manuel Castells* (Democracia e cidadãos)
O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões
Educação reprova governo do Rio e aprova o do Pará
O Globo
Escolas fluminenses foram as que mais caíram
em ranking; as paraenses, as que mais subiram
No próximo dia 4 de outubro, mais de 150
milhões de brasileiros comparecerão às urnas para escolher deputados distritais
e estaduais, vice-governadores, governadores, deputados federais, senadores,
vice-presidente e presidente. Os atuais governadores serão candidatos ou
apoiarão candidatos à própria sucessão. Antes de votar, portanto, é fundamental
o eleitor avaliar o desempenho dos governos estaduais na área mais crítica para
o desenvolvimento do país — a educação.
A ONG Todos Pela Educação analisou uma amostra de 16 estados brasileiros cujos governadores estão no poder há mais de quatro anos — nenhum poderá argumentar que não teve tempo de pôr em prática suas ideias para melhorar a educação. As 16 unidades da Federação levadas em conta na análise formam um quadro representativo da situação do ensino médio no Brasil. Há mais de um estado por região: Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro no Sudeste; Paraná e Rio Grande do Sul no Sul; Goiás e Mato Grosso no Centro-Oeste; Paraíba e Rio Grande do Norte no Nordeste; Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins no Norte; além do Distrito Federal. Juntos, são estados onde vive mais da metade da população brasileira.
O monstro que inviabiliza a República. Por Fernando Luiz Abrucio
Valor Econômico
Lutar contra o patrimonialismo é uma agenda
essencial para aperfeiçoar a democracia brasileira
O Brasil se modernizou muito desde a redemocratização, mas não eliminou todos os seus elementos de atraso. Um dos que ainda persistem, embora com menos intensidade do que no passado, é o patrimonialismo. Trata-se da dificuldade de separar os espaços público e privado de atuação, criando uma simbiose predatória entre os dois lados do balcão, gerando um monstro com múltiplos membros. A força dele enfraquece a ideia de República, pois os interesses de grupos ou indivíduos se sobrepõem aos da coletividade. Lutar contra ele é uma agenda essencial para aperfeiçoar a democracia brasileira.
Uma oportunidade para jovens do país inteiro. Por José de Souza Martins
Valor Econômico
‘Prelúdio’, programa criado por Júlio
Medaglia, há 20 anos revela talentos da música clássica
Jô Soares fez um esforço para estabelecer um
diálogo com o pequeno Guido Sant’Anna, violinista de 8 anos de idade, finalista
do programa “Prelúdio”, da TV Cultura de São Paulo de 2014. Perguntava à
criança e recebia respostas de criança, não de adulto genial. Guido gostava de
subir em árvore na chácara em que morava em Parelheiros, ia à escola no ônibus
escolar que levava e trazia as crianças, gostava de jogar bafo de figurinhas
com os amigos e colegas sentado no chão.
Jô perguntava sobre o violino ao músico e recebia resposta de violinista conhecedor competente de música nem por isso menos criança.
Refletir sobre o futuro aos 104 anos. Por Andrea Jubé
Valor Econômico
O que o centenário Edgar Morin ensina sobre as lições da História e as múltiplas crises contemporâneas
”A ignorância é a mãe de todos os vícios”,
afirmou Machado de Assis, em uma crônica de 1889. É incomum citarmos
“sabedoria” entre os votos para o ano novo, junto com “saúde, amor e
prosperidade”. Em se tratando de 2026, quando teremos palpitantes eleições no
Brasil, deveríamos acrescentar “serenidade e tolerância”.
Mas, raramente, mencionamos mais “conhecimento” ou “saber”. Uma falha a se repensar em tempos velozes, de comunicação instantânea, progressos tecnológicos e científico, proliferação de guerras, quando sabedoria, muitas vezes, implica desacelerar e refletir.
Qual circunstância? Por José Francisco Lima Gonçalves
Valor Econômico
Tentar chegar em 2026 com juros e inflação
mais baixos, real não tão desvalorizado e emprego em recuperação parece melhor
do que tentar esperar que o Congresso ajude decisivamente na arrecadação
A circunstância é sempre peculiar. A atual vem, em parte, de um ciclo político às inversas. O desgoverno de Bolsonaro entregou o Palácio para o centrão e consolidou a demagogia e o oportunismo da política econômica em 2021 e 2022, principalmente. A campanha de 2022 foi marcada, nesse plano, por truques como a desoneração dos combustíveis e outros e pelo adiamento do cumprimento de sentenças judiciais.
2026: a saideira do Lula x Bolsonaro. Por Vera Magalhães
O Globo
Ao mesmo tempo que fica claro o desgaste da
polarização entre lulismo e bolsonarismo, nada surgiu para ameaçá-la
De todos os ângulos que se observe a eleição
de 2026, ela será a última ditada pelo antagonismo entre lulismo e
bolsonarismo. Lula vai para sua derradeira disputa sem ter começado a preparar
efetivamente sucessor para o ciclo seguinte. Jair Bolsonaro saiu de cena depois
de condenado e preso, e sua capacidade de influenciar o pleito não está dada.
Todas as pesquisas apontam para vários dados
paradoxais. Ao mesmo tempo que fica claro o desgaste dessa polarização entre
lulismo e bolsonarismo, nada surgiu no horizonte para ameaçá-la, nem o eleitor
parece ter certeza de que tipo de candidato gostaria de pôr no lugar daquilo
que diz não lhe servir mais. Diante desse chove e não molha, não é estranho que
o nome de Flávio Bolsonaro tenha largado bem, porque ele traz o pedigree e
aglutina aquela franja do eleitor que não enxerga uma direita desvinculada do
ex-presidente.
A dúvida é o fôlego do senador fluminense
para resistir a uma campanha que tende a ser das mais renhidas dos últimos
anos, diante dos telhados de vidro próprios — como o caso das rachadinhas e de
sua espantosa evolução patrimonial —, do clã como um todo e da fragilidade
emocional e discursiva demonstrada por ele em disputas eleitorais anteriores.
Caso o impulso da largada arrefeça, e a
resistência demonstrada até aqui por partidos do Centrão ou até mesmo por
setores da economia mais fiéis ao bolsonarismo a um representante da família na
cédula eleitoral se mantenha, não está fora de cogitação a possibilidade de
Bolsonaro simplesmente mudar de ideia e anunciar outro nome, mais palatável,
como seu “sucessor”.
Nesse caso, mesmo tendo perdido força, o nome
que desponta nas conversas com agentes políticos e econômicos continua sendo
Tarcísio de Freitas. Mas a margem para o governador de São Paulo, que teria de
tomar a decisão radical de renunciar ao mandato em abril, se reduziu
drasticamente diante da maneira como a família Bolsonaro conduziu a
substituição do líder preso — emocional, centralizada e sem abrir discussões
aos aliados.
Esse quadro mostra a direita com o time bem
mais desorganizado que a esquerda neste raiar de 2026, ainda que o governo
tenha uma série de obstáculos no caminho do último ano deste terceiro mandato
de Lula. A economia real vai bem, de acordo com uma série de indicadores, mas
isso, como analisei no meu artigo mais recente, joga contra o início imediato
da queda da taxa de juros, frustrando a expectativa do governo de contar com
estímulos para mais crescimento e mais crédito no ano eleitoral.
Da mesma maneira, a principal fonte de desconfiança
do mercado com o governo petista, a questão fiscal, permanece como ponto de
atenção, com o arcabouço fazendo goteiras por toda parte e o gasto público a
caminho de explodir caso mudanças não sejam feitas, ou ao menos desenhadas,
para o período a partir de 2027.
Esse cenário em que os dois lados chegam com
um eleitorado ainda fiel, mas cansado, desconfiado e sem grande entusiasmo,
anuncia uma campanha em que o recurso às narrativas, muitas vezes descoladas da
realidade, será total.
A direita pinta um Brasil caótico que não
condiz com os dados de melhora da situação econômica e social. Tentará jogar na
conta de Lula um dos problemas reais mais graves que assolam o país, a crise da
segurança pública, que não é responsabilidade precípua da União e requer uma
abordagem menos simplista e muito mais sofisticada, com a disposição real de
atuação em conjunto entre Poderes e entes federativos.
Lula, do outro lado, apostará como nunca na retórica do pai dos pobres, com programas e conquistas sólidos para exibir no palanque e na comunicação. O destaque será a defesa da soberania nacional e da postura altiva do Brasil no cenário global — para o que ele contou com a ajuda decisiva do desesperado clã Bolsonaro, aliás.
A polícia do discurso. Por Pablo Ortellado
O Globo
A estratégia consiste em cercar certas
políticas com um cordão sanitário
Os direitos humanos, criados para proteger os indivíduos contra o poder absoluto, têm sido usados para um novo tipo de arbítrio: decidir o que pode ou não pode ser dito no debate público. Certas políticas vêm sendo apresentadas como a própria materialização dos direitos humanos, de maneira que contestá-las põe o crítico como inimigo da humanidade. Ao bloquear o debate civilizado, as inquietações sociais sobre essas políticas passam a ter como únicos porta-vozes os radicais que não temem o estigma de inimigos dos direitos humanos.
Estranho ano para a Justiça. Por Fernando Gabeira
O Estado de S. Paulo
Com os acontecimentos recentes e a exposição
do Supremo, temos de nos perguntar quem nos salvará dos nossos salvadores
Diz o poeta que o último dia do ano não é o último dia da vida. Ela é um fluxo incessante. Muitos problemas do ano que termina se projetam no ano que começa. Com as eleições, surgem sempre esperanças. Uma delas é a de o Brasil seguir seu caminho de interlocutor na crise ambiental. Podemos esperar novidades sobre transição energética, proteção das florestas e, quem sabe, é possível que o oceano seja finalmente notado pelos dirigentes nacionais.
Ano eleitoral, ano de gastança. Por Eliane Cantanhêde
O Estado de S. Paulo
Lula é favorito, sim, mas eleição está indefinida e ele aposta em gastar
O prestigiado jornal Financial Times, inglês,
acertou ao elencar as atuais pesquisas, os bons resultados econômicos, o sucesso
da negociação do presidente Lula com Donald Trump e a desordem da direita como
indicadores objetivos a favor da candidatura de Lula. Errou, porém, ao apostar
na vitória com tanta antecedência.
Assim como a política não é moral nem ética, eleições não são objetivas, não seguem a lógica matemática e dependem de fatos novos, escândalos, intempéries, deslizes, sobressaltos na economia. Ninguém poderia imaginar, por exemplo, que Fernando Henrique fosse catapultado pelo Plano Real, Rodrigo Janot e JBS caíssem na cabeça de Temer e um acidente aéreo matasse Eduardo Campos.
Economia: 2026 começa com más perspectivas. Por Roberto Macedo
O Estado de S. Paulo
Taxa de crescimento do PIB pode cair para
1,80% ao ano, em 2026 e 2027
Uma economia nacional abrange várias
dimensões, como o seu Produto Interno Bruto (PIB), sua inflação, suas
diversidades regionais e setoriais e outras, mas vou focar aqui principalmente
no PIB, a mais importante.
Segundo o boletim Focus do Banco Central (BC), que recorre a previsões de analistas e operadores do mercado financeiro, na edição de 26 de dezembro, a previsão é de uma taxa de 2,26% para o PIB de 2025. Como a economia vinha crescendo a taxas próximas de 3,0%, iniciou-se a fase descendente de mais um ciclo econômico, ou de um voo de galinha.
O que mudar para crescer? Por José Pastore
Correio Braziliense
A ideia de proteger a indústria ao longo de
tantas décadas não deu bons resultados, com raras exceções
Entra ano, sai ano, e o Brasil continua
crescendo muito pouco — bem abaixo da maioria dos emergentes. Este espaço é
diminuto para elencar todos os problemas que travam o nosso crescimento.
Listarei os 10 principais, na minha modesta opinião.
O mais gritante no momento é o desarranjo das contas públicas, o que, por sua vez, faz subir a taxa de juros que inibe investimentos e o próprio crescimento econômico. A explosão das contas públicas decorre, basicamente, da indexação de várias despesas do governo em nível superior à inflação e à profusão de programas sociais (alguns necessários) que não param de crescer.
Polarização deve dominar eleição de 2026 e reduzir espaço para 3ª via
Correio Braziliense. Por Fernanda Strickland, Vanilson Oliveira, Victor Correia e Caetano Yamamoto
De um lado, o presidente Lula galvaniza a
esquerda e, novamente, é considerado o candidato mais competitivo do campo
progressista. Do outro, a direita se divide em nomes. E, de novo, não se
vislumbra ninguém que se apresente como 3ª via
Com a chegada de mais um ano eleitoral, o cenário político se redesenha sob o signo da polarização. A disputa entre forças de esquerda e direita deve continuar a dominar o debate público, mesmo com a possível renovação de nomes, reduzindo o espaço para o surgimento de uma terceira via capaz de se firmar como alternativa competitiva.
Gleisi rebate The Economist: 'querem que Brasil abandone as políticas públicas para o povo'
Por Marcos Hermanson / Folha de S. Paulo
Em editorial publicado no último dia 30,
revista britânica defendeu que Lula não deveria disputar reeleição e apontou
Tarcísio como melhor opção
Para ministra, publicação teme governo que 'retomou crescimento' e 'enfrenta injustiças tributárias'
A ministra Gleisi Hoffmann rebateu nesta
quarta-feira (31), em postagem nas redes sociais, o editorial da
revista britânica The Economist contra a candidatura do
presidente Lula (PT) à reeleição.
Para a ministra, os responsáveis pela publicação não temem pela saúde de Lula, que estaria cheio de vitalidade, mas pela continuação do governo que "retomou o crescimento do Brasil e não tem medo de enfrentar a injustiça tributária e social".
Master complica Dias Toffoli, abafador geral bem trapalhão. Por Marcos Augusto Gonçalves
Folha de S. Paulo
Ministro do STF gera ruído ao tentar sentar
sobre iceberg capaz de afundar um Titanic com figuras graúdas da política e
mercado
Relato sobre fraudes da instituição com
fundos da gestora Reag, recurso usado pelo PCC, só piora o cenário, que não dá
sossego
Não se conhecem em detalhes os fatos que estão congelados no grande iceberg do Banco Master sobre o qual está sentado o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Os sinais são de que a montanha submersa tem enorme potencial para afundar um Titanic com muitos passageiros do establishment econômico, político e institucional a bordo.
De mãos amarradas. Por Hélio Schwartsman
Folha de S. Paulo
Governo opera na contramão dos objetivos do
BC, o que intensifica e prolonga a alta dos juros
Esse não é o único aspecto da economia em que
o Brasil parece ter preferência pelo caminho ineficiente
O economista francês Frédéric Bastiat (1801-1850), que tinha desmesurado gosto pela sátira, imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita. Justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.
O panorama eleitoral visto de fora. Por Dora Kramer
Folha de S. Paulo
Editoriais de dois conceituados veículos
britânicos exibem visões diferentes sobre a hipótese de reeleição de Lula
The Economist e o Financial Times ignoram
especificidades da política brasileira nas respectivas análises
Dois editoriais de conceituados veículos
estrangeiros mostraram visões diferentes sobre possível reeleição de Luiz
Inácio da Silva (PT). Os britânicos The Economist e
Financial Times nada disseram que já não tenha sido dito e repetido com mais
profundidade por artigos de opinião em jornais brasileiros.
Ainda assim, chamaram atenção porque aqui estamos sempre interessados em saber como somos vistos de fora. Para protestar ou celebrar o que revelam os olhares. A revista (Economist) critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal (Financial) aposta no favoritismo do presidente.
Direita se confundiu com extrema direita e precisa de autocrítica para superar crise, diz historiador
Por Arthur Guimarães de Oliveira / Folha de S. Paulo
Odilon Caldeira Neto analisa como campo se
radicalizou e perdeu identidade política moderada
Pesquisador aponta tendência de candidatos
como Marçal nas eleições para deputado de 2026
São Paulo - Há uma crise das
direitas no Brasil. O campo conservador se deixou levar pela radicalização, passou
a adotar a linguagem da extrema direita e viu a própria identidade política se
confundir com ela.
Para Odilon Caldeira Neto, professor de
história contemporânea da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), longe de
uma tese conciliatória, a única saída para esse impasse é uma autocrítica.
Em entrevista à Folha, o pesquisador do neofascismo e da extrema direita no país revela a simbologia cifrada que esse grupo usa para se comunicar, aborda a tendência do surgimento de figuras como o influenciador Pablo Marçal nas eleições de 2026 e defende a atualização do arcabouço de mapeamento dessas entidades antidemocráticas, da leitura, da análise e da resposta institucional.
Política como Invenção, por Pablo Spinelli*
Naquele mundo marcado pelo fim da Guerra Fria
e com o voraz apetite da política neoliberal, Collor mesclou com sagacidade os
elementos da tradição brasileira – o messianismo de origem católica rural, como
se vê na aliança do jovem então candidato com Frei Damião – com propostas
disruptivas como aquelas que atribuíam ao Estado o centro da crise econômica e
social do Brasil nos anos 1980.
O Estado personalista e patrimonialista (uma crítica da direita e esquerda) era o catalisador do atraso. A nova ordem burguesa tinha apetites que primavam o consumidor acima do cidadão, uma perspectiva crítica à Carta de 1988, portanto, a candidatura Collor seria a reposta da coragem, da inovação, da ousadia diante de um Estado anacrônico, corrupto e corruptor; de uma parte da elite covarde e ineficiente(1) e da classe política que seria cúmplice deste estado de coisas e com lideranças oposicionistas defensoras do deficitário Estado de Bem-Estar Social.















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