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Resumo:
O objetivo do artigo é resgatar a
concepção de classes e grupos subalternos no pensamento de Antonio Gramsci,
demarcando a relação orgânica do tema com suas condições de vida, suas origens
sardas e a “questão meridional”. Através de um estudo bibliográfico e
teórico-filológico, recupera-se a presença dos conceitos nos escritos
pré-carcerários, o aprofundamento nos Cadernos do cárcere, com
destaque para os Cadernos 3 e 25, e as mediações
com outras categorias desenvolvidas na obra carcerária.
Palavras-chave:
Gramsci; Classes subalternas; Grupos subalternos
Introdução
“Classes e grupos subalternos” estão
entre os conceitos gramscianos mais discutidos nas últimas décadas, empregados
nos mais variados discursos acadêmicos, científicos e políticos. Seu uso
difundiu-se e alastrou-se largamente, em especial a partir dos estudos do
coletivo indiano Subalter Studies, surgido nos anos 1980, ganhando
popularidade entre os estudiosos de língua inglesa. Essa rápida disseminação,
contudo, não raro vem acompanhada de equívocos interpretativos, decorrentes de
uma apropriação indireta da obra de Gramsci, sem recorrer às fontes originais.
Não é incomum, por exemplo, encontrarmos referência à discussão da
subalternidade sem menção ao nome de Gramsci, o qual, mesmo que muito citado,
permanece pouco lido na fonte viva de seu pensamento.