segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Lula e a Venezuela. Por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

Se governo interino colaborar com Trump, as atenções sobre a Venezuela tendem a diminuir

Pode soar contraintuitivo, mas o ocaso de Nicolás Maduro pode ter vindo em boa hora para os planos de reeleição do presidente Lula. Como assim, se Lula e o PT têm uma relação histórica de amizade e conivência com o regime chavista, que esteve sob o comando de Maduro nos últimos 15 anos? Como assim, se o episódio revela a disposição de Donald Trump de usar a lei do mais forte para fazer valer seus interesses externos? As duas premissas são verdadeiras, mas é preciso analisar quais são os riscos reais que elas carregam para o projeto de poder petista.

Tutelas na América Latina fracassaram. Por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

A promessa de ‘boa governança’ na AL por meio de supervisão externa mostrou-se ilusória

A história das “tutorias fiscais” – protetorados de facto – dos Estados Unidos na América Latina explica a hesitação do setor petrolífero americano com a Venezuela. Na semana passada, após a operação militar dos EUA que levou à queda de Nicolás Maduro, o governo Trump anunciou que pretende administrar, a partir de Washington, a produção, a venda e o uso das receitas do petróleo venezuelano.

A proposta vai além da supervisão técnica: ao sugerir que os EUA poderão decidir o destino dos recursos, dá a Washington influência direta sobre o principal eixo do orçamento do país sul-americano. Trata-se de uma iniciativa sem precedentes no pós-Guerra Fria – mas com paralelos na história americana do início do século XX.

Bye bye’, Maduro. Por Denis L. Rosenfield

O Estado de S. Paulo

Eis uma oportunidade que não poderia ser perdida, capaz de assegurar o futuro da democracia e o enterro do ‘socialismo do século 21’

Maduro, hoje recolhido a uma cela num presídio nova-iorquino – destino merecido – foi um cruel ditador, impiedoso em suas ações. Seus meios de governar, se é que se pode utilizar essa expressão, foram a violência generalizada por meio da repressão, da tortura, do estupro, do silenciamento de toda e qualquer crítica. Utilizou um sistema repressivo baseado nas Forças Armadas, na polícia e nas milícias bolivarianas, com o uso constante da intimidação e do assassinato. Nada o detinha em sua dominação despótica. Eis o resultado do tão alardeado “socialismo do século 21”, produtor de miséria, de desigualdade social extrema, reduzindo a sua população à maior pobreza, enquanto a nomenclatura “socialista”, “comunista” usufrui dos maiores privilégios. Que tal regime tenha sido e seja ainda para alguns, um farol da esquerda beira ao incompreensível.

Master era um morto-vivo. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Banco não recolhia nem dinheiro que instituições são obrigadas a deixar no BC

Ativos eram superavaliados ou fictícios, não entrava dinheiro para cobrir o que saía

O Master foi liquidado por "profunda e crônica crise de liquidez" que comprometeu a "capacidade para satisfazer seus compromissos". Por "grave e reiterado descumprimento de normas", em "particular quanto à manutenção dos níveis regulamentares de recolhimentos compulsórios" e gestão de riscos de crédito e liquidez. Por "prática de ilícitos graves no âmbito de operações de cessão de ativos a terceiros". É o que escreveu o Banco Central em esclarecimentos prestados ao TCU (Tribunal de Contas da União) em 18 de dezembro de 2025.

De Lima Barreto ao Banco Master. Por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

A degradacao institucional expõe também o TCU

O vale tudo pós-Lava Jato explica muita coisa, mas não se trata apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados

Em "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", o personagem Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabalhar enquanto se ocupa obsessivamente de regras obsoletas e protocolos irrelevantes. Dizia dedicar-se à redação de um monumental volume intitulado "Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos" —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto. O autor escrevia em 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exótico e quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na atual conjuntura.

Legitimidade democrática e revisão dos tribunais. Por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Segundo cientista político, certas elites encontram no Judiciário proteção contra mudanças legislativas

Cortes que revisam leis aprovadas não protegem minorias nem colaboram para o desenvolvimento

Há um ano publiquei meu primeiro artigo neste espaço. Na ocasião, recorri a Adam Przeworski para discutir o que esperamos da democracia e quais são seus principais desafios. Entre estes, mencionei o cenário que se desenhava com o retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos e a fraude nas eleições venezuelanas.

Nesta primeira coluna de 2026 volto a recorrer a Przeworski. Em artigo ainda em fase de preprint, o professor da NYU, em coautoria com José Antonio Cheibub, Fernando Limongi e Ye Wang, analisa diferentes modelos de controle constitucional e o papel contramajoritário das cortes que exercem revisão ex-post, isto é, sobre leis já aprovadas pelo Legislativo (modelo que adotamos no Brasil).

Sobre a noção de classes e grupos subalternos em A. Gramsci

SciELO - Scientific Electronic Library Online (junho 2024)

Resumo:

O objetivo do artigo é resgatar a concepção de classes e grupos subalternos no pensamento de Antonio Gramsci, demarcando a relação orgânica do tema com suas condições de vida, suas origens sardas e a “questão meridional”. Através de um estudo bibliográfico e teórico-filológico, recupera-se a presença dos conceitos nos escritos pré-carcerários, o aprofundamento nos Cadernos do cárcere, com destaque para os Cadernos 3 e 25, e as mediações com outras categorias desenvolvidas na obra carcerária.

Palavras-chave:
Gramsci; Classes subalternas; Grupos subalternos

Introdução

“Classes e grupos subalternos” estão entre os conceitos gramscianos mais discutidos nas últimas décadas, empregados nos mais variados discursos acadêmicos, científicos e políticos. Seu uso difundiu-se e alastrou-se largamente, em especial a partir dos estudos do coletivo indiano Subalter Studies, surgido nos anos 1980, ganhando popularidade entre os estudiosos de língua inglesa. Essa rápida disseminação, contudo, não raro vem acompanhada de equívocos interpretativos, decorrentes de uma apropriação indireta da obra de Gramsci, sem recorrer às fontes originais. Não é incomum, por exemplo, encontrarmos referência à discussão da subalternidade sem menção ao nome de Gramsci, o qual, mesmo que muito citado, permanece pouco lido na fonte viva de seu pensamento.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Novos desastres climáticos desafiam as autoridades

Por O Globo

Pelo menos 83% do território do Rio e metade dos municípios brasileiros são vulneráveis a tragédias ambientais

A tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio, um dos maiores desastres naturais da História do país, com mais de 900 mortes, completou 15 anos ontem. Desde 2011, líderes mundiais participaram de 14 conferências do clima, os alertas de especialistas sobre a iminência de novas catástrofes foram mais enfáticos e constantes, e novas tragédias aconteceram para confirmar que não são alarmistas. Temporais mataram 242 pessoas em Petrópolis e 133 em Pernambuco em 2022, 65 no Litoral Paulista em 2023 e 185 no Rio Grande do Sul em 2024, deixando cidades inteiras debaixo de água. Os números assustadores aparentemente não bastaram para que as medidas de prevenção necessárias fossem tomadas.

Poesia | Poética, recitado por Vinicius de Moraes

 

Música | Roberta Sá - Virada