sábado, 3 de janeiro de 2026

A história que Valdemar quer enterrar, mas não consegue. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Fuga de condenado na trama golpista complica o líder do PL

Explorado nas redes, relatório sobre urnas apontava vitória de Bolsonaro em 2022

Único foragido entre dez condenados pela trama golpista que se tornaram alvos de mandados de prisão após a escapada estilo trapalhão de Silvinei Vasquez, o engenheiro Carlos César Moretzsohn Rocha deixou o champanhe de Ano Novo de Valdemar Costa Neto sem borbulhas e com gosto de vinagre.

Ao lado da minuta que previa a prisão de Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições, o relatório sobre as urnas eletrônicas do Instituto Voto Legal, de Carlos Rocha, é um dos mais importantes documentos da participação civil na intentona bolsonarista —documento que pode condenar Valdemar.

A torcida de Valdemar era que a história caísse no esquecimento. Em novembro de 2022, o Partido Liberal levou ao TSE, sem apresentar qualquer prova de fraude, um pedido de verificação extraordinária, baseado no relatório, no qual afirmava que, considerando "os únicos votos idoneamente válidos", Bolsonaro venceu Lula no segundo turno por 51,05% a 48,95%.

Detalhe: a invalidação dos votos de mais de 250 mil urnas só valeria para o segundo turno, sem abarcar a votação do PL para a Câmara e o Senado. Negada, a petição resultou numa multa de R$ 22,9 milhões, por "litigância de má-fé", ao partido de Valdemar.

Ele afirmou à PF que contratou o Instituto Voto Legal por indicação do senador Marcos Pontes, o astronauta, e foi pressionado por deputados do PL e pelo ex-presidente Bolsonaro a entrar com a ação no TSE. O trabalho "técnico" —ao custo de R$ 1 milhão, dinheiro que saiu do fundo partidário, ou seja, dos cofres públicos— foi usado em larga escala nas redes para atacar o sistema eleitoral.

Os advogados de Carlos Rocha (condenado a 7 anos e 6 meses) estranharam a ausência de Valdemar entre os réus do núcleo 4, já que os dois atuaram de forma conjunta. A primeira turma do STF resolveu reabrir a investigação sobre o envolvimento do presidente do PL no golpe. O caso foi reenviado à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou. O espumante, no entanto, anda descendo quadrado.

 

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