sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A trinca de Kassab. Por Bernardo Mello Franco

O Globo

Enquanto ensaia voo solo, ex-prefeito mantém cargos nos governos Lula e Tarcísio

“O PSD terá candidato à Presidência da República. É uma decisão irreversível.” As frases foram recitadas por Gilberto Kassab às vésperas da eleição de 2022. Pouco depois, ele reverteu a decisão e declarou “neutralidade” na disputa.

Passados quatro anos, Kassab ensaia o mesmo jogo. Nesta semana, ele anunciou que o PSD lançará um presidenciável em abril. Informou que o escolhido sairá de uma “trinca de ouro”, integrada por Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Os governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul já figuravam como pré-candidatos da sigla. A novidade é o goiano Ronaldo Caiado, recém-saído do União Brasil. Veterano da turma, o homem do cavalo branco já concorreu à Presidência em 1989. Terminou em décimo lugar, com 0,7% dos votos.

Leite tentou se lançar ao Planalto em 2022. Chegou a renunciar ao governo gaúcho, mas perdeu as prévias tucanas e voltou ao Piratini. Agora voltou a discursar sobre temas nacionais, mas tende a se contentar com uma vaga no Senado.

O mais cotado do trio é Ratinho Junior, filho do animador de TV. Na ausência de Tarcísio de Freitas, ele desponta como o preferido do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, tenta cortejar o eleitor bolsonarista. Já militarizou mais de 300 escolas e promete assinar um indulto para tirar o capitão da cadeia.

Falta combinar com Jair, que apontou o filho mais velho como seu representante nas urnas.

Ontem o governador de São Paulo foi visitar o ex-presidente na Papudinha. Na saída, jurou apoio a Flávio Bolsonaro, que começou o ano como o virtual adversário de Lula.

Kassab não ignora as pesquisas que mostram pouco espaço para uma terceira via entre o lulismo e o bolsonarismo. Por isso, sua “trinca de ouro” parece servir a outros propósitos.

Ao insistir no discurso da candidatura própria, o dono do PSD valoriza o próprio passe na negociação de palanques e na montagem de chapas para o Congresso. Ao mesmo tempo, pode manter sua penca de cargos na Esplanada dos Ministérios e no governo paulista.

 

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