terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Brasil país indefeso. Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

Com recursos insuficientes, ficam evidentes as vulnerabilidades na segurança do País quanto a meios adequados para assegurar a soberania nacional

A revista Inteligência Insight publicou, no número de dezembro, o artigo Brasil país indefeso, apresentado como um manifesto à nação. O artigo trata das vulnerabilidades na área da segurança, com graves danos à soberania e à defesa do interesse nacional. Levando em conta a nova estratégia nacional e o recém-publicado documento com a doutrina de Defesa dos EUA, é importante ressaltar algumas análises feitas a partir do artigo.

Conhecimento para quê? Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Parece haver uma relação simbiótica entre baixa eficiência da indústria e má qualidade do ensino em diferentes níveis

A expansão da indústria no mundo tem sido surpreendente. Num ambiente marcado por tensões econômicas e políticas provocadas em grande parte por um presidente norte-americano nefasto para a harmonia entre as nações, a indústria manufatureira mundial cresceu 3,9% no terceiro trimestre de 2025, na comparação com igual período de 2024. Os dados são da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). No Brasil, porém, o desempenho da indústria de transformação foi muito diferente. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) constatou desaceleração do setor manufatureiro brasileiro, com redução de 0,6% no período considerado.

O STF e a ética. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O que contamina a política, em ano eleitoral ou não, é a falta de ética, não a criação de um Código de Ética

O presidente do STF, Edson Fachin, acertou, na entrevista ao Estadão, ao mandar os ministros botarem as barbas de molho: “Ou nos autolimitamos, ou poderá haver limitação de um Poder externo”. Não é só opinião dele, é uma constatação que, dependendo de quem olha, pode ser vista como uma ameaça à Corte, ou como necessidade institucional, depois de tudo que veio à tona.

Não faz sentido a maioria de ministros ser a favor de um código de ética que dê limites ao Supremo e o reaproxime da opinião pública, mas alguns descartarem para agora, “por ser ano eleitoral”. Segundo Fachin, o argumento é “sólido”. Será? Não é a busca de ética, mas a falta de ética que contamina a disputa política – e não só em ano eleitoral.

A regra do jogo. Por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo. A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.

Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master. As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Instituições americanas devem impor freio a Trump

Por O Globo

Morte de enfermeiro por agentes de imigração em Minneapolis expõe faceta brutal e autoritária do governo

A morte do enfermeiro americano Alex Pretti, de 37 anos, por agentes federais em Minneapolis revelou a faceta mais brutal do governo Donald Trump. Em desafio à autonomia dos estados, Trump tem usado agentes da Fiscalização de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) para impor sua agenda anti-imigrantes com violência desmedida, sobretudo em redutos democratas. No sábado, um agente federal empurrava dois civis que acompanhavam uma detenção durante uma manifestação pacífica quando Pretti, filmando com celular, se postou entre eles e foi alvo de spray de pimenta. Em seguida, revelam imagens, vários agentes o derrubaram, o agrediram e o imobilizaram. Um dos policiais encontrou e apreendeu uma arma que Pretti carregava escondida (nunca empunhada). Em seguida, ele foi alvejado por tiros. No início do mês, a poeta Renée Good, de 37 anos e mãe de três crianças, fora morta na mesma Minneapolis por agentes da ICE que atiraram em seu carro.

Entrevista| Edson Fachin: 'Não vou cruzar os braços. Doa a quem doer'

Por Mariana Muniz / O Globo

Magistrado afirma que eventuais questionamentos sobre a investigação da instituição financeira, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, podem ser analisados pela Segunda Turma da Corte

Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin afirma em entrevista ao GLOBO que não irá ficar de “braços cruzados” na hipótese de ter que avaliar questionamentos sobre o caso do Banco Master, cuja investigação está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, alvo de pedidos de suspeição feitos por parlamentares. Apesar de evitar fazer qualquer antecipação sobre seu posicionamento, o magistrado afirma que pode agir — “doa a quem doer”.

O ministro Dias Toffoli vem sendo questionado sobre as condições de continuar como relator da investigação do Banco Master no STF. Dois irmãos do magistrado já foram sócios de um resort no Paraná e venderam a participação para um fundo que é ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Diante disso, o senhor entende que Toffoli deve permanecer à frente do caso?

Como presidente do tribunal, não posso antecipar juízo sobre circunstâncias que eventualmente serão apreciadas pelo colegiado. Parte do que foi mencionado envolve atos não jurisdicionais. Mas uma coisa é certa: quando for necessário atuar, eu não vou cruzar os braços. Doa a quem doer.

A IA cuida do seu computador. Por Pedro Doria

O Globo

O ano de 2026 deve marcar uma competição muito mais acirrada entre Google, OpenAI e Anthropic

Nesta última semana, a inteligência artificial assumiu o controle dos computadores. Ou quase. Não foi nem Google, nem OpenAI. Quem chegou concretamente primeiro aos agentes foi a terceira concorrente — Anthropic. A empresa responsável pelo Claude, que briga no mercado com Gemini e GPT. Não é para todo mundo ainda. Não funciona em computadores Windows. Só nos Macs. E só funciona para quem paga a maior assinatura do Claude, US$ 100 por mês. Dá pouco mais de R$ 500. É caro. Mas estes já podem pedir à IA que execute tarefas em seus computadores.

Código no STF e regras prudenciais. Por Míriam Leitão

O Globo

O Supremo foi atacado no governo Bolsonaro pelas suas virtudes, agora sangra pelos seus erros. O código de conduta, que já era necessário, agora ficou urgente

O ministro Edson Fachin foi ao ponto certo na entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. O Supremo Tribunal Federal precisa se limitar e criar normas para si, antes que elas venham de fora. Se vierem como imposição de outro poder carregarão o vírus de quem quer tirar do STF a autoridade que ele deve ter. O Supremo foi atacado no governo Bolsonaro pelas suas virtudes, agora sangra pelos seus erros. O que sempre foi necessário, um código de conduta, ficou agora mais urgente. E, de fato, não faz sentido adiar o debate interno porque o país tem eleições este ano. Felizmente as temos regularmente.

A família Filho. Por Merval Pereira

O Globo

A sociedade não está aqui para proteger parentes de ministros; ela quer ministros que sejam inatacáveis

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, não se expõe muito publicamente desde que entrou no tribunal. Antes, era um ativo participante político, tendo sido porta-voz de um grupo de juristas que assumiu publicamente o apoio à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010, fato que lhe valeu várias críticas, também minhas, quando foi indicado ao Supremo por Dilma. Durante sua permanência no cargo, porém, Fachin deu mostra de imparcialidade e independência. Se muitos veem em sua atuação na condenação do então juiz Sergio Moro o passo para a libertação de Lula, não entenderam que Fachin tentou, num último recurso, evitar que Moro fosse julgado na turma presidida pelo ministro Gilmar Mendes, que declaradamente procurava sua punição. Não deu certo a manobra, porque Gilmar, experiente ministro, “enfermeiro que já viu sangue”, não aceitou a argumentação de Fachin de que o caso deveria ser julgado noutra instância que não sua turma.

Cúpula do STF contra o povo. Por Fernando Gabeira

O Globo

A nota de Fachin, as manifestações do PGR e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar

Pensei em escrever um artigo sobre o discurso do primeiro-ministro do Canadá em Davos. Mark Carney acha que vivemos um momento de ruptura, e não de transição. A ordem internacional, que já não era grande coisa, se rompeu para dar lugar claramente à lei do mais forte. Nesse contexto, é preciso se preparar, pois quem não estiver na mesa estará no menu. Tema importante para o Brasil, mas posso voltar a ele, algumas vezes, antes das eleições.

Neste momento, tenho de escrever sobre o escândalo do Banco Master. Não esperava, a esta altura da vida, aos 40 minutos do segundo tempo, encontrar nosso país nesta condição patética. A nota do ministro Edson Fachin, as manifestações do procurador-geral e o post de Gilmar Mendes confirmam a ideia de uma cúpula judiciária unida para se blindar. Usando a máscara de salvadores da democracia, querem impor uma situação marcada, como diz um jornal alemão, pela ganância que afunda o STF.

É preciso criticar o Supremo para salvá-lo de si mesmo. Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo

O que desmoraliza o Supremo não são as denúncias e vazamentos; são as reiteradas condutas suspeitas de seus ministros

A crítica pública e a investigação delas, longe de ser um risco, são a melhor esperança para saneá-lo e preservar sua legitimidade

Houve um tempo em que a direita brasileira dizia querer conter os abusos do Supremo. Aparentemente, não mais. Enquanto os principais nomes da direita, entre eles o deputado Nikolas Ferreira e a multidão que o seguia no domingo, elegeram a soltura de Bolsonaro como a prioridade nacional, o maior escândalo financeiro da nossa história escancara os conflitos de interesse de ministros do Supremo, mas passa batido pela classe política. Talvez porque muitos dos membros dela também estejam implicados.

Credibilidade do STF escoa pelo ralo. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Toffoli já deveria ter se afastado há tempos do caso Master

Inação de outros ministros da corte só piora a situação

Já ficou ridículo. São tantas as relações perigosas do ministro do STF Dias Toffoli com o Banco Master e suas ramificações que não há mais a menor chance de suas decisões relativas ao caso serem aceitas como normais. O que de melhor ele poderia fazer para si mesmo, para o Supremo e para o país seria afastar-se das investigações. Na versão light, ele remeteria o processo para a primeira instância, de onde nunca deveria ter saído. Na versão não tão light, que leva em conta o longo histórico de decisões altamente controversas do ministro, ele deveria requerer aposentadoria mesmo.

Fachin se perde no primeiro lance. Por Dora Kramer

 

Folha de S. Paulo

O presidente que defende Toffoli não é o mesmo magistrado que prega ajuste de condutas no Supremo

Pode ter sido um gesto estratégico, mas também só um jeito de não ficar isolado no tribunal

O magistrado que aponta a necessidade de se ajustarem condutas a um código de ética na corte suprema não se coaduna com o presidente que, em nota oficial, compara cobranças por lisura e transparência nos atos do colegiado a ameaças e intimidações.

Um não conversa com o outro. Portanto, é de supor que aquele um lá do início precisou ceder espaço ao outro que assinou o texto de repúdio aos questionamentos sobre decisões de Dias Toffoli e a situação familiar de Alexandre de Moraes. Ambas as circunstâncias relacionadas ao caso do Banco Master.

Flávio parece um candidato ao conselho de ditadores de Trump. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Filho 01 viajou a Israel para se aproximar da extrema direita internacional

No Rio, o candidato bolsonarista será alguém no estilo tiro de fuzil e bomba

Desde que recebeu a ordem de concorrer às eleições presidenciais, Flávio Bolsonaro já esteve nos Estados Unidos tentando tirar uma foto com Marco Rubio –encontrar-se com Donald Trump era um sonho impossível. Levou um perdido do secretário de Estado, apesar de todo o empenho do irmão Eduardo. Agora viajou a Israel, Bahrein e Emirados Árabes, num movimento de aproximação com a extrema direita internacional.

Poesia | O Andaime, de Fernando Pessoa

 

Música | Nara Leão - Diz que fui por ai