sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Tarcísio diz que candidatura à Presidência é 'especulação' e confirma visita a Bolsonaro

Por Joelmir Tavares e Tiago Angelo / Valor Econômico

Após adiar encontro com ex-presidente, governo de SP tem previsão de ir à "Papudinha" na próxima quinta-feira e diz que trabalhará por "direita unida" na eleição

Após adiar o encontro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão na próxima quinta-feira (29). A nova data foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao se pronunciar pela primeira vez depois do recuo, Tarcísio reafirmou ser candidato a reeleição e chamou de “especulações” os rumores de que tem interesse em concorrer à Presidência da República.

“Sou candidato à reeleição do governo do Estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação”, afirmou Tarcísio nas redes sociais na quinta-feira (22).

Tarcísio reagenda visita a Bolsonaro e reafirma lealdade

Por O Globo

Pelas redes sociais, governador de São Paulo também reafirmou que será candidato à reeleição no estado

Após ter cancelado a visita que faria a Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (22), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que irá se encontrar com o ex-presidente, preso na Papudinha, na próxima quinta (29). Pelas redes sociais, Tarcísio também reafirmou que será candidato à reeleição no estado de São Paulo.

"Sou candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade", escreveu Tarcísio.

Toffoli precisa deixar relatoria. Por Vera Magalhães

O Globo

Ao permitir que ministro se mantenha à frente das investigações mesmo com tantas imbricações pessoais, STF transforma desgaste pessoal em institucional

Desde que assumiu o caso, Toffoli tomou uma série de decisões no mínimo controversas para centralizar as investigações no STF: suspendeu apurações em curso na primeira instância, impôs sigilos amplos, questionados por investigadores, e restringiu o acesso do Ministério Público a elementos relevantes. Também determinou limites estritos à coleta de depoimentos.

Isoladamente, essas decisões podem ser enquadradas no guarda-chuva de um princípio famoso e sempre moldável ao gosto do freguês: o garantismo penal. Em conjunto, porém, produziram falta de transparência e, por vezes, constrangimento a quem agiu para investigar e conter os gravíssimos indícios de que foram praticados desvios em série nas transações do Master.

Radiografia do trumpismo. Por Pablo Ortellado

O Globo

Estudo mostra uma coalizão dividida sobre o respeito às regras constitucionais e sobre o papel da religião na vida nacional

Uma pesquisa da More in Common (Beyond Maga) publicada no aniversário de um ano do governo Donald Trump traz muitas novidades sobre o que caracteriza e o que move o trumpismo. Ele aparece como uma coalizão movida por preocupações com imigração e a “cultura woke”. Os resultados foram publicados no GLOBO na terça-feira.

A pesquisa segmenta o eleitorado de Trump em quatro grandes grupos, dois deles mais radicais, dois mais moderados. A segmentação foi produzida agrupando os eleitores por padrões de identidade, visão sobre o presidente, partidarismo e religiosidade.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Caso Master deve ser devolvido à primeira instância

Por O Globo

Seria melhor para a investigação, para a imagem do Supremo e de Toffoli que não pairasse dúvida sobre o inquérito

Os danos do Banco Master têm ido além dos prejuízos bilionários causados pelas fraudes ao sistema financeiro. Há dois meses, a conduta do Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo tem causado desgaste imenso e desnecessário à Corte. Não faz sentido o processo tramitar no STF. O inquérito precisa ser devolvido à primeira instância do Judiciário, de onde jamais deveria ter saído.

O pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para que o processo saísse da Justiça Federal de Brasília se baseou num contrato imobiliário apreendido pela Polícia Federal (PF) mencionando o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Mas apenas essa suspeita frágil de envolvimento não justifica que o caso todo seja mantido no STF. Sem indícios concretos da participação de Bacelar e de relação com o exercício do mandato, o inquérito deveria seguir na primeira instância, pelo entendimento do próprio Supremo. Ou, havendo tais indícios, a parte que lhe diz respeito poderia ser desmembrada.

Edson Fachin: ‘STF não se curva a ameaças’

Leia a íntegra da nota do Presidente do STF:

Adversidades não suspendem o Direito. É precisamente nos momentos de tribulações que o império da legalidade, discernimento e serenidade demonstra sua razão de ser. É com os olhos voltados para esse dever que miro fatos presentes.

As situações com impactos diretos sobre o sistema financeiro nacional exigem mesmo resposta firme, coordenada e estritamente constitucional das instituições competentes.

A Constituição da República atribui ao Banco Central do Brasil o dever jurídico de assegurar a estabilidade do sistema financeiro, a continuidade das operações bancárias essenciais, a proteção dos depositantes e a prevenção de riscos sistêmicos. Tais competências, de natureza técnica e indelegável, devem ser exercidas com plena autonomia e sem ingerências indevidas.

Euforiazinha na Bolsa e no dólar pode tirar uma pedrinha do sapato do Banco Central. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Depois de anos de miséria, Ibovespa ressuscita com dinheiro e impulso do exterior

Valorização do real, ainda barato, pode ajudar a reduzir expectativas de inflação

Parte do pessoal que tem dinheiro em ações está animado com as novas alturas do Ibovespa. Parte, pois nem todo mundo está com as ações certas e, muito menos, com uma carteira de ações de desempenho similar ao da média do índice principal da Bolsa brasileira, claro. Que o digam acionistas da Petrobras. A companhia vai até bem, mas o preço do petróleo vai mal.

Mas passemos. O assunto aqui é a euforia do início de 2026, que também se vê no mercado de câmbio e, em quase nada, por ora, no mercado de juros. Se durar um tempo, pode ter consequências importantes.

Dificuldade em explicar Trump é sinal de época de mudanças. Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Imprevisibilidade do autocrata americano se confunde com crise de conceitos criados para explicar outros tempos

Para cientista político Christian Lynch, não é hora de ficar preso em caixinha analítica e dizer que tudo está igual

Não é a economia, não é a política, não é a ordem internacional. É tudo. O mundo não é mais aquele. É cada vez menos segura a confiança no funcionamento das instituições, nos sistemas de freios e contrapesos, na capacidade da democracia liberal e do establishment de responder à erosão em curso e as coisas voltarem ao antigo normal.

Mesmo que Donald Trump seja futuramente derrotado nas urnas, veremos os Estados Unidos restabelecerem a credibilidade e a previsibilidade? Ou estamos nos aproximando de um ponto de não retorno para a ordem republicana anterior?

Conselho imperial. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Órgão global criado por Trump é tentativa de contornar e deslegitimar a ONU

Brasil, que foi convidado para participar, deveria recusar cuidadosamente

conselho da paz (CP) de Donald Trump é a tentativa de criar um "bypass" do Conselho de Segurança (CS) da ONU sobre o qual o presidente americano possa imperar. Não será, portanto, uma força estabilizadora em termos globais. O mais provável é que vire uma ferramenta da qual o Agente Laranja se utilizará a fim de impor seus caprichos ao mundo.

Leite dá a Lula aula de equilíbrio político. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governador gaúcho tem a metade da idade do presidente, mas aparenta ter o dobro em matéria de bom senso

Em poucas palavras, político do PSD expôs a incoerência da pregação governista por união e reconstrução

O governador do Rio Grande do Sul tem a metade da idade do presidente da República, mas pareceu ter o dobro em termos de bom senso numa solenidade para assinatura de contratos da Petrobras, na cidade de Rio Grande.

Em cerimônia do governo federal, com público controlado e amigável, a hostilidade era a mesma fava contada que já fez outros governadores desistirem de comparecer a atos sob o patrocínio do Planalto e serem por isso acusados por Luiz Inácio da Silva (PT) de partidarismo indevido.

Hannah Arendt e Simone de Beauvoir nos ensinam a dimensão política de julgar. Por Juliana de Albuquerque

Folha de S. Paulo

Coincidência no percurso das duas filósofas ao tratar da tensão entre política e moral havia me passado despercebida

Reler autores prediletos enriquece textos em significados e possibilidades, à medida que projetamos neles experiências

Durante o recesso de final de ano, passei boa parte do meu tempo revisitando alguns textos de Simone de Beauvoir com a intenção de produzir um artigo acadêmico em comemoração aos 80 anos de publicação de "Por uma Moral da Ambiguidade" (1947).

Foi a partir desse exercício que também acabei escrevendo sobre Beauvoir em minhas colunas de dezembro e do início deste mês, justamente na semana do aniversário da filósofa, nascida em 9 de janeiro de 1908.

Recentemente, um dos temas que tem me chamado bastante atenção em seus escritos trata da tensão entre política e moral, talvez em virtude do nosso momento político, em que questões morais têm se mostrado cada vez mais relevantes; talvez também porque, durante os últimos anos, eu tenha me dedicado cada vez mais à leitura de outros pensadores, como Hannah Arendt.

Opinião do dia – Antonio Gramsci* (Solidez material das ideias)

"Um trabalho como o Ensaio popular destinado essencialmente a uma comunidade de leitores que não são intelectuais de profissão, deveria partir da análise crítica da filosofia do senso comum, que é a “filosofia dos não-filósofos”, isto é, a concepção do mundo absorvida acriticamente pelos vários ambientes sociais e culturais nos quais se desenvolve a individualidade moral do homem médio. O senso comum não é uma concepção única, idêntica no tempo e no espaço: é o “folclore” da filosofia e, como o folclore, apresenta-se em inumeráveis formas; seu traço fundamental e mais característico é o de ser uma concepção (inclusive nos cérebros individuais) desagregada, incoerente, inconsequente, conforme à posição social e cultural das multidões das quais ele é a filosofia. Quando na história se elabora um grupo social homogêneo, elabora-se também, contra o senso comum, uma filosofia homogênea, isto é, coerente e sistemática. O Ensaio popular se equivoca ao partir (implicitamente) do pressuposto de que, a esta elaboração de uma filosofia original das massas populares, oponham-se os grandes sistemas das filosofias tradicionais e a religião do alto clero, isto é, a concepção do mundo dos intelectuais e da alta cultura. Na realidade, estes sistemas são desconhecidos pelas multidões, não tendo eficácia direta sobre o seu modo de pensar e de agir. Isto não significa, por certo, que eles sejam desprovidos inteiramente de eficácia histórica: mas esta eficácia é de outra natureza. Estes sistemas influem sobre as massas populares como força política externa, como elemento de força coesiva das classes dirigentes, e, portanto, como elemento de subordinação a uma hegemonia exterior, que limita o pensamento original das massas populares de uma maneira negativa, sem influir positivamente sobre elas, como fermento vital de transformação interna do que as massas pensam, embrionária e caoticamente, sobre o mundo e a vida. Os elementos principais do senso comum são fornecidos pelas religiões e, consequentemente, a relação entre senso comum e religião é muito mais íntima do que a relação entre senso comum e sistemas filosóficos dos intelectuais. Mas, também com relação à religião, é necessário distinguir criticamente. Toda religião, inclusive a católica (ou antes, sobretudo a católica, precisamente pelos seus esforços de permanecer “superficialmente” unitária, a fim de não fragmentar-se em igrejas nacionais e em estratificações sociais), é na realidade uma multiplicidade de religiões distintas e frequentemente contraditórias: há um catolicismo dos camponeses, um catolicismo dos pequenos burgueses e dos operários urbanos, um catolicismo das mulheres e um catolicismo dos intelectuais, também este variado e desconexo. Sobre o senso comum, entretanto, influem não só as formas mais toscas e menos elaboradas destes vários catolicismos, atualmente existentes, como influíram também e são componentes do atual senso comum as religiões precedentes e as formas precedentes do atual catolicismo, os movimentos heréticos populares, as superstições científicas ligadas às religiões passadas, etc. 

Predominam no senso comum os elementos “realistas”, materialistas, isto é, o produto imediato da sensação bruta, o que, de resto, não está em contradição com o elemento religioso, ao contrário; mas estes elementos são “supersticiosos”, acríticos. Eis, portanto, um perigo representado pelo Ensaio popular-, ele confirma frequentemente estes elementos acríticos, graças aos quais o senso comum é ainda ptolomaico, antropomórfico, antropocêntrico, ao invés de criticá-los cientificamente. O que se disse acima sobre o Ensaio popular, a saber, que ele critica as filosofias sistemáticas ao invés de partir da crítica do senso comum, deve ser entendido como observação metodológica, dentro de certos limites. Por certo, isto não quer dizer que se deva esquecer a crítica às filosofias sistemáticas dos intelectuais. Quando, individualmente, um elemento da massa supera criticamente o senso comum, ele aceita, por este mesmo fato, uma filosofia nova: daí, portanto, a necessidade, numa exposição da filosofia da práxis, da polêmica com as filosofias tradicionais. Aliás, por este seu caráter tendencial de filosofia de massa, a filosofia da práxis só pode ser concebida em forma polêmica, de luta perpétua. Todavia, o ponto de partida deve ser sempre o senso comum, que é espontaneamente a filosofia das multidões, as quais se trata de tornar ideologicamente homogêneas.

*Antonio Gramsci (1891-1937), Cadernos do Cárcere, v.1, p.114-6. Civilização Brasileira, Rio de janeiro, 2006.

Poesia | O Sono das Águas de João Guimarães Rosa

 

Música | Nara Leão – Odeon, de Ernesto Nazareth e: Vinícius de Moraes