sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Provas apreendidas no caso Master devem ficar com PF

Por O Globo

É a polícia que tem o dever de investigar, analisar e fornecer material válido nos tribunais

A segunda fase da operação que investiga suspeitas de fraudes no Banco Master expôs divergências entre o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e a Polícia Federal (PF), responsável pelas investigações. Em despacho, Toffoli falou em “inércia” e “falta de empenho” da PF. Afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) requereu medidas cautelares no dia 6, autorizadas no dia 7. No dia 12, Toffoli determinou que fossem cumpridas em 24 horas, sob justificativa de haver “fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”. Demorar, disse ele, resultaria em “prejuízo e ineficácia das providências”. A operação foi às ruas na quarta, dia

Tarcísio no aquecimento. Por Vera Magalhães

O Globo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, começou 2026 no aquecimento. Deixado no banco pelo técnico Jair Bolsonaro, demonstra ter ficado descontente com a escalação do time da direita para as eleições e tem dado corridinhas ao lado do gramado para, se chamado, entrar em campo.

Ainda em novembro, Tarcísio publicou em suas redes o vídeo de uma fala sua no evento de um grupo privado de educação em que lançou a ideia de que o Brasil precisava “trocar de CEO” para crescer e aproveitar seu potencial numa série de áreas que ele listou em alta velocidade, de terras-raras a energia limpa. Ali, Jair ainda não tinha indicado o filho Flávio como seu candidato — isso só veio a ocorrer no início de dezembro. Mas o governador de São Paulo resgatou o vídeo há dois dias, justamente quando uma pesquisa do Ideia para o canal Meio o apontou como o pré-candidato de direita mais competitivo para enfrentar Lula.

Polarização como espelhamento. Por Pablo Ortellado

O Globo

Espelhamos nossa percepção do adversário e os vemos como ameaça existencial

Um dos resultados mais surpreendentes da pesquisa sobre polarização política é o espelhamento. Quem é muito de esquerda ou muito de direita distorce a percepção dos adversários, imaginando que são a negação de si mesmos. Isso parece acontecer por um mecanismo cognitivo que nos leva a perceber o outro como muito diferente porque nos tornamos muito iguais.

Caso Master é iceberg que ameaça confiança institucional no país. Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Não há “caso pequeno” quando o caminho do dinheiro se mistura ao poder. O detalhe institucional mais sensível talvez tenha sido a disputa sobre a custódia das provas

As investigações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC), em novembro, transformaram um caso bancário em um teste de resistência institucional do Brasil. Não se trata apenas de apurar uma fraude financeira — que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descreveu como possivelmente a “maior fraude bancária” do país —, mas de medir até que ponto os pilares que sustentam a economia continuam protegidos contra pressões políticas, atalhos jurídicos e redes de influência, que rondam os tribunais superiores do país, inclusive o Supremo Tribunal federal (STF).

Inteligência artificial na política: fake news ou a nova sátira digital? Por Roberto Fonseca

Correio Braziliense

Charges, caricaturas, programas humorísticos e paródias audiovisuais cumprem o papel de tensionar o poder, expor contradições e provocar reflexão. A inteligência artificial, nesse sentido, apenas amplia o repertório estético disponível, permitindo encenar críticas ácidas ou narrativas elogiosas com um grau de realismo que impressiona e engaja

Em tempos de celebração das vitórias do cinema nacional no Globo de Ouro, voltou a viralizar, nesta semana, um vídeo publicado no fim do ano passado sobre o Brasil Awards 2025. Trata-se de uma peça satírica que simula uma luxuosa cerimônia de premiação fictícia, gerada por inteligência artificial. Em um teatro sofisticado, apresentadores bem vestidos anunciam categorias como se fosse um grande evento internacional.

O que esperar das eleições. Por Fernando Gabeira

O Estado de S. Paulo

Os candidatos poderiam se antecipar e propor as reformas necessárias. Empurrar com a barriga é muito perigoso, apesar de mais confortável

Apesar de acontecer tão longe do Brasil, a convulsão popular no Irã talvez possa trazer algo que os ingleses chamam de alimento para pensar.

Já houve grandes manifestações no país, como o Movimento Verde (2009) e Mulheres, Vida e Liberdade (2022). Ambos foram massacrados pelo regime teocrático, que agora se vê diante de uma juventude irada e de um contexto geopolítico mais desfavorável: pressão de Israel e dos Estados Unidos.

STF, não mate o mensageiro! Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Atos do STF e do TCU remetem a Bolsonaro, que perseguia quem investigava

Não há uma campanha contra o Supremo ou o Judiciário, como parte dos ministros responde à avalanche de críticas a cada nova decisão surpreendente de um deles que é apontada, não só por adversários do mundo político, mas no próprio ambiente jurídico, como “autodefesa”, “atuação em causa própria”, “corporativismo” e “abuso de poder”.

O que há são boas razões para perplexidade e desaprovação diante, por exemplo, do inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar o suposto vazamento de dados de familiares dele e de outros ministros por parte da Receita Federal e do Coaf.

Toffoli e os riscos de um ‘juiz investigador’. Por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Nos últimos desdobramentos do caso do Banco Master, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli esteve a ponto de cruzar uma linha complicada na ação penal do Banco Master.

Existe uma diferença sensível entre o juiz supervisor de um caso, que garante os direitos fundamentais dos envolvidos – autorizando ou não buscas e apreensões, quebras de sigilo bancário e até prisões – de um “juiz investigador”.

Enfim, o acordo Mercosul-UE será assinado. Por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

O acordo é um contraponto à iniciativa individualista e protecionista de Donald Trump com seu tarifaço

Depois de 25 anos de tratativas, vamos ver se a assinatura virá mesmo. E mesmo com ela há um caminho a percorrer antes de entrar em vigor. Em particular, precisa ser aprovado pelos parlamentos dos diversos países, e na Europa, a França tem se destacado na posição contrária, conforme defendida pelo presidente Macron. Mas esperase que seja aprovado pela maioria. Isso será suficiente.

Sobre o assunto, o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, deu uma interessante entrevista a este jornal, publicada em 13/1 (B6), na qual respondeu a inteligentes perguntas da repórter Célia Froufe. Costa, diplomaticamente, não fez referências a Donald Trump, mas ressaltou que o acordo veio num bom momento, pois traz uma mensagem em favor do multilateralismo, do livre comércio e do diálogo ante o unilateralismo e suas tensões, como no caso do tarifaço imposto pelo presidente Trump – digo eu.

Comércio exterior do Brasil: resultados históricos e ótimas perspectivas. Por Geraldo Alckmin

Folha de S. Paulo

Acordo Mercosul-UE será o maior do mundo, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB

Brasil pode avançar quando combina empresas competitivas, expande produtividade e celebra acordos que abrem mercados

Após um 2025 de recordes para o comércio exterior do Brasil, iniciamos 2026 com ótimas notícias. O acordo Mercosul-União Europeiaaprovado pelo Conselho do bloco europeu, será finalmente assinado. Este será o maior acordo do mundo entre blocos comerciais, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB e gerando inúmeras oportunidades para o Brasil. A orientação do Governo brasileiro prevaleceu e as alterações mais recentes, fruto de negociações, aprimoraram o acordo em defesa dos interesses do Mercosul.

Quem vai falar com Toffoli? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Encontro juntou cúpula do governo, PF, Banco Central, PGR e Alexandre de Moraes, do STF

Dias Toffoli altera várias vezes decisão sobre análise de dados colhidos pela PF no caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira reunião para tratar de combate ao crime organizado. Oficialmente, o objetivo do encontro seria o de pensar modos de azeitar a coordenação entre Receita FederalPolícia FederalBanco Central, Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República, Justiça etc.

Na área de segurança, uma iniciativa de Lula 3 que tem dado certo, talvez a única, é o programa de asfixiar as finanças dos criminosos, ainda no início, mas que também já expôs a Reaggestora de fundos e rolos, do PCC ao Master. Uma iniciativa da Fazenda, aliás. Fernando Haddad estava na reunião.

Prisão de Bolsonaro deixou esquerda e direita sem foco. Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Há no ar uma nostalgia da polarização épica, que cedeu terreno para temas ocasionais e dispersão dos dois lados

À espera da eleição, esquerda erra sobre Irã e jornalismo, enquanto bolsonaristas atacam 'O Agente Secreto'

Como se sabe, a prisão de Jair Bolsonaro foi o ponto culminante da polarização entre esquerda e direita que se seguiu à eleição de Lula em 2022. Os sinais de uma trama golpista, que se avolumaram e ganharam mais evidência com a barbárie do 8/1, foram alvo da Polícia Federal, com posterior denúncia da Procuradoria-Geral da República e julgamento do Supremo Tribunal Federal.

Foram anos de enfrentamento em todas as frentes políticas, com acirrada guerra de posições nas redes sociais, na mídia e nas ruas. Não preciso rememorar aqui, todos assistimos ao show.

STF deveria fugir até do logotipo do Master. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Inquérito de fraudes bilionárias do banco se tornou uma batata quente

Corte poderia reduzir desgaste devolvendo caso à primeira instância

caso Master virou uma batata quente para o STF. O melhor caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira instância.

O motivo pelo qual a investigação tramita no Supremo é, afinal, fragilíssimo: o material apreendido pela Polícia Federal traz documentos relativos a um negócio imobiliário jamais concluído em que o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) figura como parte. Não há, por ora, sinais de que o parlamentar esteja envolvido em malfeitorias e, se no futuro descobrirmos que está, seria viável desmembrar o processo e remeter ao STF só as acusações atinentes ao deputado.

O precipitado descarte de Tarcísio. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governador de São Paulo bem avaliado é ativo eleitoral a ser valorizado sob quaisquer circunstâncias

Com Bolsonaro preso, Eduardo cassado e Flávio rejeitado, o clã do ex-presidente não está em situação confortável

Alguma coisa não está batendo bem nesse descarte de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato à Presidência.

O movimento parte dos filhos de Jair Bolsonaro (PL), não tem o apoio de Michelle e é encampado pelo presidente do PP, mas dos outros partidos de oposição não se ouviu até agora um pio a respeito.

Oh, não, mais uma coluna sobre Bolsonaro! Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Impossível esquecê-lo; não há dia em que não se queixe de alguma coisa

Ler e comentar livros para diminuir a pena, só se for oralmente, para que ninguém leia e comente por ele

Não, não é você que está dizendo. Sou eu mesmo. Sei muito bem que prometi nunca mais escrever sobre Bolsonaro depois que ele fosse preso. Mas, enquanto não se esgotarem as possibilidades de recursos e sua sentença não passar em julgado, Bolsonaro não estará tecnicamente preso. Neste momento, cumpre apenas prisão preventiva numa suíte de 12 metros quadrados na Polícia Federal de Brasília —poderia estar fazendo isso em casa se não tivesse tentado arrancar a tornozeleira e fugir para Buenos Aires, onde seu colega Milei garantiu-lhe asilo no armário de vassouras da Casa Rosada. Portanto, mesmo a contragosto, ainda estou sujeito a conspurcar esse espaço com seu nome.

La derecha abusa impúdicamente de la mentira como estrategia política. By Fernando de la Cuadra

Clarin (Chile)

Hace algunos años atrás, alertábamos sobre el uso y abuso de la mentira en la política que realiza la derecha y, especialmente, la ultraderecha (La mentira como forma de acción política). Podríamos hacer un largo inventario de mentiras que se han difundido en este último periodo por parte de los representantes de la extrema derecha en Brasil y en el mundo. En efecto, la versión conservadora radical de la derecha ha venido utilizando la mentira no solo para engañar a los ciudadanos y electores, sino que sobre todo lo ha hecho con la finalidad de perturbar los hechos, construir una realidad paralela y desarticular a los adversarios.

Tal como nos advierte el sociólogo brasileño Jessé Souza en su libro El pobre de derecha, “la mentira es un arma de guerra utilizada no solamente contra el enemigo de ocasión, sino con la finalidad de adolecer a la sociedad como un todo, llevándola a un estado de guerra latente y así quebrar todos los acuerdos morales implícitos sobre los cuales se apoya la vida social”. No se trataría en este caso de un simple recurso marginal, sino de una técnica sistemática de dominación simbólica.

Opinião do dia - Giuseppe Vacca*

“Para falar sobre nós, os pontos salientes da análise podem ser sintetizados do seguinte modo: a convicção de que se produzira uma mudança radical nos processos de formação da subjetividade, cujo traço principal era a “mundialização”; a percepção de que os Estados Unidos se encaminhavam para a derrota no Vietnã, o que iria produzir uma crise da sua hegemonia; a convicção de que, consumada a ruptura definitiva entre a URSS e a China, a repressão da “Primavera de Praga” marcava o fim de qualquer possibilidade residual para o comunismo soviético de exercer uma atração mundial e uma função internacional progressista.

Numa escala menor, com a qual se media nossa ação, os dados salientes foram as posições que o PCI assumiu quanto ao movimento estudantil e à intervenção soviética na Tcheco-Eslováquia. Quanto ao movimento estudantil de 1968, o PCI assumiu uma posição de abertura, afirmando querer unir lutas de classe e movimentos antiautoritários na perspectiva de uma transformação socialista original, baseada na difusão da política e na expansão progressiva da democracia articulada pelo reconhecimento da autonomia dos movimentos coletivos e da sua subjetividade política.”

*Giuseppe Vacca, Por um novo reformismo, p.35. Fundação Astrojildo Pereira / Contraponto, 2009.

 

Poesia | Façam Silêncio, de Pablo Nerud

 

Alceu Valença - Hino do Galo da Madrugada (José Mário Chaves)