domingo, 25 de janeiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Abusos no litoral refletem desprezo pelo turismo

Por O Globo

Se país quer ser potência do setor, precisa tratar civilizadamente quem vai às praias, e não tentar espoliar

A agressão a dois turistas às vésperas do Ano Novo em Porto de Galinhas, litoral de Pernambuco, chamou a atenção para a desordem e para os abusos que afligem a costa do país. Eles haviam se recusado a pagar pelo aluguel de cadeiras de praia e guarda-sol além do combinado. Diante da repercussão, a prefeitura interditou a barraca, multou os responsáveis e proibiu a cobrança de consumo mínimo. Medidas similares de controle já foram tomadas pelas prefeituras de Salvador e Maraú (BA), Guarujá e Santos (SP) e também Rio e Niterói (RJ). A Secretaria Nacional do Consumidor anunciou um manual de boas práticas para vendedores e banhistas e prometeu uma nota técnica voltada à fiscalização.

Os tentáculos do Banco Master. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Negócio nada ecumênico entre padre e pastor revela o alcance da influência de Vorcaro

A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação deles, R$ 6,6 milhões, num resort. É estranho, mas confirma o principal: o alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Vorcaro vai tomando a forma de um polvo. Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. O “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio em resorts de luxo que não condizem com o desapego de padres nem com a residência de classe média do engenheiro. A frase mais simbólica vem da mulher de Eugênio, Cássia: “Sócio de resort? Olha a minha casa!”

Navegando na anarquia internacional. Por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

A corrupção e os privilégios obscenos no setor público, em todas as esferas, não podem continuar

Passado um ano de política externa de Donald Trump, já temos elementos mais do que suficientes para traçar uma estratégia de como o Brasil deve navegar na nova anarquia internacional. Os EUA passam a concentrar sua energia geopolítica nas Américas. Significa que os países da região precisam dispor de meios dissuasórios para conter intervenções americanas, que combinam pressão econômica e ameaça militar. Trata-se de elevar o custo dessas imposições para assegurar estabilidade e autonomia.

O imperador do mundo fala de Davos. Por Rolf Kuntz

O Estado de S. Paulo

O mundo não precisa de um imperador, muito menos de um imperador acima das leis e inconformado por nunca ter recebido o Prêmio Nobel da Paz

Nem o Vaticano escapou da tentativa de Trump de formalizar uma nova ordem mundial com sede em Washington, ou, mais precisamente, na Casa Branca. O presidente americano aproveitou a reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos, para apresentar seu Conselho da Paz, um projeto liderado por ele, representante da maior potência econômica e militar, e destinado, inicialmente, a levar alguma ordem à Faixa de Gaza. Convidou governantes a participar do grupo. Alguns logo aceitaram o convite. Os do Brasil, e de alguns países desenvolvidos, indicaram a intenção de estudar o assunto. A diplomacia do Vaticano também foi cautelosa, mas deixou logo clara a recusa de participar da ocupação de Gaza.

De volta às veias abertas? Por Luiz Sérgio Henriques

O Estado de S. Paulo

Sintomático, em todo este contexto, o pressuposto de que em nosso tempo a unidade política fundamental é – deve ser – o Estado-nação

Como em toda época de terremoto social, o mundo está de ponta-cabeça. Ninguém, nem mesmo os adversários mais encarniçados de Donald Trump, pode mais lhe negar o caráter rupturista, especialmente neste segundo mandato, vivido por toda parte como tumulto e imprevisibilidade. O experimento “iliberal”, neologismo criado na Hungria de Viktor Orbán, em 2014, para marcar a dissociação autoritária entre democracia e liberalismo, instalou-se de vez no coração do sistema, e daí se espalha agressivamente por todo o Hemisfério Ocidental. Descontada a imprevisibilidade indecorosa dos mapas, é neste hemisfério que estamos politicamente situados – as Américas no seu conjunto e, talvez, a Europa.

Colegialidade será princípio organizador do Supremo. Por Edson Fachin

Folha de S. Paulo

Reformas serão conduzidas sem rupturas, com urgência racional e sem açodamento decisório

Em ano eleitoral, o tribunal deve atuar com prudência, preservando a neutralidade institucional e a estabilidade do processo democrático

Encontramo-nos às vésperas do ano judiciário de 2026, período que constitui fase preparatória para a retomada dos trabalhos jurisdicionais, com vistas a conferir previsibilidade, eficiência e coerência jurisprudencial.

De modo especial, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem o dever de assegurar segurança jurídica, proteger a ordem constitucional e garantir o funcionamento adequado das instituições republicanas, em observância às expectativas sociais de tutela jurisdicional efetiva.

Trump quer Groenlândia porque sabe que aquecimento global é real. Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Ilha ganha relevância quando o oceano Ártico torna-se mais navegável

Com EUA, lugar seria mistura de Banco Master com a ilha do pedófilo Jeffrey Epstein

A tentativa trumpista de roubar a Groenlândia da Dinamarca prova que a direita, no fundo, sabe que o aquecimento global é real. Afinal, a ilha dinamarquesa só ganhou relevância política porque, graças ao aquecimento global, o oceano Ártico tornou-se muito mais navegável.

Em um artigo publicado na revista Nature Reviews Earth and Environment de março de 2024, os pesquisadores Alexandra Jahn, Marika M. Holland e Jennifer E. Kay mostraram que o aquecimento global criou uma possibilidade até outro dia impensável: um Ártico sem gelo durante boa parte do ano.

Vamos pagar a conta da mutreta do Master e do BRB. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Banco do Distrito Federal procura dinheiro para cobrir rombo, talvez no cofre do governo

Venda do Master pareceu tentativa de desovar cadáver quebrado no colo do estatal de Brasília

A venda do Banco Master para o BRB pareceu uma tentativa de desovar o cadáver de um banco quebrado no colo do banco estatal do Distrito Federal —tentativa de "abafar o caso". Além disso, o Master vendia terrenos na Lua para o BRB, créditos a receber que não existiam. A venda pareceu também uma tentativa de "dar saída" para alguns haveres de Daniel Vorcaro, da família dele e de sabe-se lá mais quem, haveres que virariam pó em caso de quebra do banco.

É o que se depreende de denúncias do Banco Central e de investigações jornalísticas e de relatos sobre evidências recolhidas pela Polícia Federal.

Direita corre o risco de se afundar nas águas turvas do filhotismo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro não entendeu que a condição de filho não lhe dá o direito de mandar no governador de São Paulo

Uma das regras da política é que projetos de sucesso não prosperam em ambiente de divergências internas

A julgar pelo modo como Flávio Bolsonaro (PL) conduz sua carruagem, ele ainda não entendeu que a condição de filho de ex-presidente —preso e inelegível— não lhe dá a prerrogativa de mandar no governador de São Paulo.

Já Tarcísio de Freitas (Republicanos) exibiu alguma noção do que significa comandar o maior estado do país e segundo maior orçamento da República, ao se recusar a cumprir as ordens do 01.

Cara de pau metaforiza agora cinismo como política de Estado. Por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Neoextrativismo americano desconhece fronteiras soberanas; prospera em intimidações e ataques pontuais

Sem diplomacia, 'meu limite é a minha moralidade', a guerra cínica faz história

Embora o início da conhecida marchinha carnavalesca seja "Eu sou o pirata da perna de pau...", é oportuno substituir perna por cara no contexto político onde reinam Donald Trump e uma direita sem escrúpulos e recato. No cinema americano, cara de pau era Fred McMurray, uma expressão invariável ao longo de qualquer drama: contrapartida a Victor Mature e suas contorções faciais intensas, paródia de esforço fisiológico a cada cena. Cara de pau metaforiza agora cinismo como política de Estado: "Quero a Groenlândia porque não me deram o Prêmio Nobel".

Uma riqueza de rimas, imagens e humor. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta revivem um formato dos bambas: a dupla de cantores

'Bicudos Dois' vai de clássicos esquecidos e joias perdidas a inéditos por sambistas de hoje

Enquanto houver um microfone para Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, a música brasileira terá presente, passado e futuro. Juntos ou separados, os dois valem por uma equipe de cantores, arqueólogos e campeões do que de melhor se fez em samba, dos primórdios até hoje. Seu repertório vai de clássicos esquecidos de 1935 e joias perdidas de 1955 até inéditos de 2025 —não deles, que não precisam disputar com o gigantesco cancioneiro que têm na cabeça, mas de sambistas de hoje, que, contra todas as marés, continuam a produzir.

A saída pela Democracia. Por Ivan Alves Filho

Aos 73 anos de idade, tendo buscado participar da vida brasileira desde o final da década de 60, devo dizer que raramente estive tão preocupado com o meu país. 

Educação, saúde, malha viária, segurança pública, saneamento básico: os problemas se avolumam a cada dia e o descalabro administrativo parece ter se apoderado do Brasil. 

Opinião do dia - Oscar Vilhena Vieira*

“Impossível assistir a esses filmes sem pensar num Brasil que parece incapaz de superar um profundo mal-entendido com a lei. Mal-entendido que transcende os períodos autoritários. Que se encontra enraizado nas relações cotidianas e no modo como são operadas nossas instituições, por meio do "familismo", exposto por Oliveira Vianna, da perversa "cordialidade", descrita por Sérgio Buarque de Hollanda, do "patrimonialismo", de Raymundo Faoro, do "você sabe com quem está falando?", de Roberto da Matta, ou da "grande conciliação", de Michel Debrun. São espectros que não nos abandonam, escancarando uma indisposição de acatar a lei como regra geral.

É paradoxal que num país em que a imensa maioria da população acorda cedo para trabalhar e cumprir suas obrigações sobreviva uma cultura tão forte e arraigada de descumprimento da lei e desrespeito aos direitos mais elementares.

Que as Eunices e Sebastianas nos deem forças para continuar lutando por justiça e por um país melhor.”

*Oscar Vilhena Vieira, do artigo “Um país à margem da lei” Folha de S. Paulo, ontem, 24/01/2026.

Poesia | A Música, o Luar e os Sonhos...de Fernando Pessoa

 

Música | Caetano Veloso, Gilberto Gil - Sampa