domingo, 1 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil tem de se preparar para seca severa

Por O Globo

Chuvas em certas regiões transmitem sensação falsa de segurança hídrica. Situação dos reservatórios é crítica

As chuvas dos últimos tempos transmitem um recado ilusório. É crítica a situação hídrica do Brasil, como mostrou reportagem do GLOBO. O país sofre escassez de água em boa parte de seu território, sobretudo no Sudeste e no Centro-Oeste. Há 40 anos se registra queda anual nas chuvas, e o período de seca no Sudeste aumentou 25 dias. Além do impacto no abastecimento das cidades, a situação põe em risco agropecuária e geração de energia.

Não é necessário apenas que chova. É preciso que chova nos lugares certos, as cabeceiras dos rios. As bacias hidrográficas de Sudeste e Centro-Oeste estão em estado de alerta, por isso o Centro Nacional de Monitoramento de Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) recomenda que a gestão dos reservatórios no decorrer do ano seja feita considerando o pior cenário. As taxas escandalosas de desperdício de água tratada (da ordem de 40%, segundo os últimos dados do Instituto Trata Brasil) reforçam tal recomendação.

A dança das cadeiras na equipe econômica de Lula e mulheres no BC. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Haddad diz que sai da Fazenda em fevereiro, deixando Dario Durigan em seu lugar

Mudanças incluem vagas abertas do BC, secretarias da Fazenda e Planejamento e Gestão

Fernando Haddad diz desde o ano passado que deixará a cadeira de ministro da Fazenda em fevereiro. Por ora, parece que seu sucessor será seu vice-ministro, Dario Durigan, secretário-executivo, apesar de fracas especulações a respeito de alternativas.

A substituição não deve provocar mudança de política econômica, até porque o grosso do programa da Fazenda, contas públicas, foi decidido por Lula, apesar de sugestões de Haddad. Mas pode haver dança de cadeiras na Fazenda, no Planejamento e no Banco Central. Planejamento e Gestão podem ser fundidos, por exemplo.

O candidato Ratinho Jr.: se PSD quer direita democrática, início não foi promissor. Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Tanto governador do Paraná quanto Caiado já prometeram anistia aos golpistas de 2022-2023

Se bolsonarismo tivesse sido rejeitado em sua inteireza após 8/1, centro-direita teria opção melhor

PSD de Gilberto Kassab anunciou que terá candidato a presidente da República. Já que Tarcísio se mostrou covarde, o centrão foi cuidar da própria vida.

O anúncio do PSD foi feito durante a filiação de Ronaldo Caiado ao partido, e na presença de outro presidenciável, o governador gaúcho Eduardo Leite. Mas o candidato mais provável é o governador do Paraná, Ratinho Jr..

O bullying da palavra final. Por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Se prevalece a vontade individual num órgão máximo de Justiça, periga o juiz assumir posição de parte litigiosa

Caso Master, que Haddad considera maior fraude bancária do Brasil, é teia de aranha que envolve os três Poderes

Quando presidente dos EUA, Harry Truman exibia na mesa uma plaquinha com os dizeres "here stops the buck". A expressão, originária do jogo do pôquer, sinaliza o ponto de parada das questões públicas, o mandatário assume todas as responsabilidades sem repassar decisão. Era afirmação de poder, não de sono tranquilo: ele, mais ninguém, ordenou despejar duas bombas atômicas sobre o Japão.

Qual é o nosso problema? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro tenta explicar o que deu errado na política norte-americana

Autor traz conceitos úteis, mas superestima estrago causado pelo identitarismo

"What´s Our Problem?", de Tim Urban, é um livro ambicioso. Tenta explicar o que há de errado com a sociedade americana e, a meu ver, acerta na mensagem central, que é a de que é preciso restaurar o liberalismo que já a caracterizou. Receio, porém, que Urban erre na dose dos ingredientes com os quais opera.

Haddad revida com ironia antigas críticas do PT. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Depois de apanhar como ministro, o petista é bajulado como salvador da lavoura do partido em São Paulo

Se aceitar ser candidato, precisará deixar a má vontade de lado; do contrário, será difícil entusiasmar o eleitorado

Foi revelador da urgência do PT em ter candidaturas fortes nos estados assistir ao chamado da ministra Gleisi Hoffmann para que todos vistam a camisa do partido na eleição de outubro. Em particular, Fernando Haddad, segundo ela qualificado para encarar o desafio em São Paulo.

Mais sintomático foi ver o sorriso de banda do ministro da Fazenda ao ser instado a comentar a declaração. "Comemoro ser elogiado por Gleisi", disse, para em seguida se desvencilhar dos microfones e entrar na portaria do ministério, deixando no ar a ironia.

A guerra de Trump contra os EUA. Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

No passado, pela bravura e correção, um indivíduo conseguia se impor a uma maioria hostil

Hoje, um ferrabrás eleito democraticamente se impõe pelo poder e hostiliza e esmaga a maioria

Em "Doze Homens e uma Sentença" (1957), filme de Sidney Lumet, um jurado (Henry Fonda) consegue reverter a decisão de seus dez colegas dispostos a condenar um jovem acusado de matar o pai. Fonda, o jurado nº 8, não está convencido da culpa do rapaz e apresenta objeções que vão dobrando, uma a uma, a certeza de cada um. No fim, todos votam pela absolvição do garoto. São 95 minutos num cenário único, a sala de reunião do júri, e uma esgrima de diálogos em busca da verdade e da justiça.

De um transformismo a outro. Por Alberto Aggio

Estado da Arte / O Estado de S. Paulo

Da experiência democrática brasileira construída no contexto da globalização desde 1985 às inflexões recentes que vêm tensionando os avanços das últimas décadas.

É quase um consenso generalizado na literatura de linhagem histórico-política voltada para o tempo presente que, nos últimos 40 anos, o Brasil buscou concretizar o anseio de conjugar democracia política com sociedade democrática, carregando nesse processo êxitos marcantes bem como déficits expressivos.

A vitória no Colégio Eleitoral da ditadura, numa eleição indireta, e a posse do primeiro governo civil, em 1985, comandado por José Sarney, concretizou efetivamente a derrota política da ditadura e a abertura de um novo período que ficou conhecido como Nova República. Para o conjunto da sociedade, a Nova República significou a conquista da liberdade política integral para partidos, associações e movimentos sociais, ampliando de forma inédita a participação política. Substantivamente, de 1985 até os dias que o Brasil viveu o período mais longevo de democracia. 

O vinho do senhor e o bordeaux. Por Ivan Alves Filho

“É preciso estar sempre bêbado”, vaticinou certa vez o poeta Baudelaire. Mas nada de precipitações, pois o autor de As flores do mal, que muitos consideram o maior livro de poesia moderna da França, acrescentou imediatamente: “De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis”.  

Caso opte por ficar bêbado pelo vinho – o que pode conter, vá lá, a sua dose de poesia, ainda que não implique forçosamente atitude virtuosa – deve o leitor fazê-lo com o máximo de prazer possível. E isso não é muito difícil em se tratando de vinho, a bebida predileta dos deuses, segundo alguns, e também de meros mortais, como os franceses, italianos, espanhóis, portugueses, gregos e afins.

Poesia | As sem-razões do amor, de Carlos Drummond De Andrade

 

Música | Euforia, por Roberto Riberti