terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Lula também semeia dívidas estaduais e municipais

Por Folha de S. Paulo

Desde 2023, governos são autorizados a tomar R$ 206,6 bi em financiamentos, estimulando alta de gastos

Sabe-se o que acontece quando a capacidade de pagamento se esgota: governadores e prefeitos tentarão arrancar mais um socorro da União

Por força de um longo histórico de irresponsabilidade fiscal, as finanças de estados e municípios brasileiros são tuteladas pela União. A tomada de financiamentos por parte de governos regionais, no exemplo mais importante, depende de limites, autorizações ou avais de instâncias como Conselho Monetário Nacional, Senado Federal e Tesouro Nacional.

Quando o governo em Brasília é propenso ao aumento do gasto público, os controles sobre operações de crédito pleiteadas por governadores e prefeitos também são afrouxados, e o expansionismo orçamentário se espalha pela Federação. É o que ocorre neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio pode não ir ao segundo turno e implodir o bolsonarismo? Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Parte do eleitorado evangélico pode ser atraída para o candidato do PSD

Flávio Bolsonaro quer demonstrar que seu clã é ainda o principal rosto da direita

A aposta da candidatura de Flávio Bolsonaro é seguir os passos do PT em 2018: chegar ao segundo turno e demonstrar que o clã segue como o principal rosto da direita no país. Mas e se ele falhar já no primeiro turno?

Na semana passada, aumentaram as chances de a direita ter ao menos dois candidatos presidenciais neste ciclo. O PSD escolherá o nome para 2026 entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Jr., do Paraná.

Diante desse cenário, o que o grupo político de Flávio fez para capitalizar o sucesso da caminhada do deputado Nikolas Ferreira, que terminou com um evento público em Brasília? Aparentemente, nada —ao contrário.

Para que serve a 'terceira via'? Por Joel Pinheiro da Fonseca

Folha de S. Paulo  

Brasil tem muitos governadores muito bem avaliados e que têm conquistas a mostrar

O problema é que o perfil menos chamativo e mais eficaz, que busca moderação e diálogo, falha em capturar a atenção

O poder de Lula sobre a esquerda brasileira é maior do que o de Bolsonaro sobre a direita. É possível vislumbrar uma direita não bolsonarista; um sonho distante, é verdade, mas os nomes estão aí. Já na esquerda, o pós-Lula encontra apenas o silêncio total.

Dito isso, por mais nomes de direita ou centro-direita que apareçam, Flávio Bolsonaro parece seguro em seu trono. Até agora, segue firme a premissa de que o candidato que disputará o segundo turno contra Lula será aquele apoiado por Jair Bolsonaro. Jair escolheu seu filho Flávio. Será ele, portanto, que irá para o segundo turno. É o que as pesquisas têm mostrado.

A mágica de Kassab. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

PSD passou a concentrar pré-candidatos presidenciais do campo da direita e da centro-direita

Acredito que legenda até pode entrar na corrida, mas só se puder preservar sua elasticidade ideológica

PSD de Gilberto Kassab vai mesmo lançar candidato presidencial? Kassab é um operador político competente. Ele praticamente monopolizou o campo dos potenciais postulantes de direita e centro-direita. Estão sob as asas de sua agremiação Ratinho JúniorEduardo Leite e Ronaldo Caiado. Só Romeu Zema corre por fora pelo Novo.

Bolsonaro usa Lula como exemplo. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ex-presidente repete o sucessor ao buscar se manter relevante no processo eleitoral mesmo de dentro da prisão

O presidente também imita o antecessor ao levantar a bandeira antissistema com sinal trocado

Quando Jair Bolsonaro (PL) pede à Justiça autorização para receber políticos de destaque em sua morada prisional está na clara intenção de se manter influente no processo eleitoral.

Nisso imita o oponente Luiz Inácio da Silva (PT), que em 2018 foi o artífice da candidatura do correligionário Fernando Haddad de dentro da prisão, assim como agora o ex-presidente impõe apoios à empreitada do filho Flávio. Há, contudo, diferenças nesse jogo da imitação. Lula manteve acesa até setembro daquele ano a falsa chama de que poderia se candidatar. Quanto a Bolsonaro, as circunstâncias o obrigaram a não insistir na mística da candidatura impossível.

Na novilíngua da extrema direita, matar é 'neutralizar'. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Questionada pelo STF, gratificação faroeste remete aos cartazes de 'vivo ou morto'

'Narcoterroristas' é a senha para quem espera uma intervenção de Trump no país

As romarias ao presídio de El Salvador —custeadas com dinheiro público, a última contagem estava em R$ 400 mil— são a principal diversão de deputados, senadores e governadores da extrema direita. Com encarcerados no segundo plano, o registro fotográfico é indispensável à lacração nas redes. Alguns deles aparecem de braços cruzados e camisetas justas no melhor estilo "mamãe, sou forte".

O trôpego pedestal da soberba humana. Por Paulo César Nascimento*

Algumas décadas atrás – talvez cinco ou mais – houve uma matança de uma colônia de gatos no Passeio Público do Rio de Janeiro, por um grupo de adolescentes, armados de pedaços de paus. À época a única pessoa que veio a público lamentar o episódio foi o jornalista e escritor Paulo Alberto de Barros, o Arthur da Távola, em sua coluna em um jornal do Rio de Janeiro. Ressaltou que os bichanos não mereciam isso porque “o gato é um bicho zen”. Mais ou menos uma década depois, o programa Fantástico mostrou uma reportagem acrítica sobre um homem no interior do Amazonas que costumava colocar armadilhas para prender uma das patas das onças, e daí eliminá-las a pauladas. Nenhum destes dois casos causou indignação, passando despercebidos pela sociedade brasileira.

Normas eleitorais podem gerar "zona cinzenta" e rejeições. Por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão*

Com a atenção voltada para a retomada das atividades no Congresso Nacional e para os preparativos para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral descobriu, finalmente, os chatbots, os avatares, o metaverso, a inteligência artificial , os games como estratégia política e - não sei se serão incluídas - os blockchain e as criptomoedas. Cada ferramenta dessas carrega competências digitais virtuais, nem sempre usadas eticamente, que ajudaram eleger Barack Obama (2009-2017) e Trump (2017-2021) para Presidência dos Estados Unidos. No Brasil, o PSDB fez suas tentativas digitais na eleição, de 2014 que, surpreendentemente, elegeu Dilma Rousseff (PT), no segundo turno, contra Aécio Neves (PSDB) . A disputa foi marcada pela polarização entre os dois partidos, embora tivessem concorrido, no primeiro turno, 11 candidatos. Era uma eleição coordenada no TSE sob a presidência do ministro por Dias Toffoli .

Poesia | Horas de saudade, de Castro Alves

 

Música | Caetano Veloso - Reconvexo