Folha de S. Paulo
Executivo e Legislativo contribuem bastante
para a queda da credibilidade do Supremo junto ao público
Lula, Alcolumbre e Motta não entenderam a
chamada geral de Fachin ao aperfeiçoamento das instituições
Não há dúvida sobre a necessidade de o
Supremo Tribunal Federal promover um
ajuste na conduta de magistrados que ferem a reputação da
corte. Mas também é verdade que seus companheiros no pódio dos Poderes
contribuem para a erosão de imagem do tribunal.
O presidente Edson Fachin não deixou margem para adiamentos na reabertura dos trabalhos do Judiciário ao reiterar compromisso com a adoção de um código de ética e entregar a relatoria à ministra Cármen Lúcia, uma inequívoca parceira no propósito.
Fachin foi certeiro ao ressaltar o papel da
Justiça na guarda da democracia e contemporâneo ao constatar que "o
momento agora é outro". Hora de avançar no aperfeiçoamento institucional,
uma tarefa que cabe ao Supremo e aos demais Poderes.
Se o STF ocupou
lugar central, deveu-se também ao fato de encontrar espaço vazio para tal.
Legislativo e Executivo têm parcela significativa de responsabilidade. Daí
Fachin ter feito a chamada geral à "autocorreção" na repartição dos
deveres republicanos.
O Parlamento banaliza suas prerrogativas
quando propõe impeachment de ministros do Supremo por impulso ideológico,
tornando o ato banal e passível de ser ignorado. Vulgariza o cenário também ao
conduzir sem rigor as sabatinas dos indicados pelo chefe do Executivo.
Já o presidente da República esvazia os
requisitos constitucionais para o preenchimento das vagas ao estabelecer como
critérios a proximidade, identidade e confiança pessoais. Trata o Supremo como
mais um companheiro. Nos pronunciamentos de seus comandantes na volta do
recesso, Congresso e Palácio estiveram muito distantes da convocação ao
"aperfeiçoamento" feito por Fachin. Luiz Inácio da Silva (PT) fez
propaganda de si, Davi Alcolumbre (União Brasil) reiterou a própria autoridade
e Hugo Motta (Republicanos) apegou-se à defesa das emendas.
Uma pobreza. Coisa de quem não entendeu que a
proposta do manual de ética não diz respeito à edição de um livrinho. É
sugestão para mudança de paradigma na qualidade das instituições.

Nenhum comentário:
Postar um comentário