O Estado de S. Paulo
Comportamento dos mercados em janeiro mostra
que o risco de investir nos EUA preocupa investidores
O desempenho dos mercados globais em janeiro, com uma notável divergência entre os Estados Unidos e o restante do mundo, deixou bastante claro o impacto do chamado “sell America trade”: movimento na alocação das carteiras em que os investidores trocam o dólar e outros ativos americanos (títulos do Tesouro e ações) pelas moedas e Bolsas de valores de vários países, em especial os emergentes.
O principal gatilho desse posicionamento dos
investidores de “vender a América” foi o presidente Donald Trump com políticas
que causaram incertezas, volatilidade e imprevisibilidade. Primeiro, houve a
elevação das tarifas de importação sobre os produtos dos seus principais
parceiros comerciais. Depois, a política externa agressiva, com o ataque
militar na Venezuela e a ameaça de invasão à Groenlândia, minou a confiança dos
aliados históricos dos EUA ao redor do globo. Sem falar na aprovação de
estímulos fiscais, incluindo corte de impostos, que devem aumentar para níveis
recordes a dívida pública da principal economia do planeta.
Assim, ao avaliarem o comp o r t a ment o
errático de Trump, os investidores começaram a questionar se é prudente manter
o mesmo porcentual na alocação das carteiras, isto é, a mesma quantidade de
recursos aplicados em ativos americanos. Pelo comportamento dos mercados globais
em janeiro, a resposta é que os investidores consideram que os riscos não mais
compensam manter igual nível de aplicação nos EUA.
No Brasil, o Ibovespa subiu 12,6%, enquanto o
da Coreia do Sul registrou ganho de 24% e o da Colômbia, 19,7%. Já o principal
índice acionário dos EUA, o S&P 500, registrou alta de 1,4% no mês passado.
O Nasdaq, repleto de ações de empresas de tecnologia, subiu apenas 0,95% em
janeiro.
Os ganhos dos ativos de risco ao redor do
mundo ficam mais impressionantes quando se leva em conta a queda do dólar em
janeiro. O índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis
moedas fortes, recuou 1,15%, após ter caído 9,4% em 2025. Ante o real
brasileiro, o dólar perdeu 4,4% no mês.
Continuará o movimento de “vender a América”
ao longo de 2026? Já faz tempo que o mercado suspeita que a China vem reduzindo
sua posição nos títulos do Tesouro americano. A tensão geopolítica entre EUA e
União Europeia pode levar investidores europeus a usar as aplicações em ativos
americanos como arma diplomática. Aliás, um fundo de pensão dinamarquês acabou
de zerar suas aplicações em títulos do Tesouro dos EUA, de US$ 100 milhões. O
valor era modesto, mas o simbolismo foi poderoso. Se a moda pega...

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