Folha de S. Paulo
O recado parece claro: mostrar ao mundo político que o Palácio do Planalto está distante da investigação contra o Master
As apurações das fraudes no Master pelo Banco
Central certamente incomodaram muita gente
O Congresso voltou de férias e o governo Lula
já fez dois movimentos para mostrar distanciamento do presidente do Banco Central,
Gabriel Galípolo, em meio ao avanço das investigações do esquema de fraudes
do Banco Master,
que já apontam indícios de envolvimento de políticos e altas autoridades.
Essas duas ações foram o apoio à indicação do secretário da Fazenda Guilherme Mello, um emissário do governo, para um vaga diretoria do BC e o respaldo ao requerimento para que Galípolo compareça à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado a fim de falar sobre a atuação do órgão na fiscalização do Master.
O "convite" foi feito pelo senador
Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), aliado do governo e irmão do presidente do
TCU (Tribunal de Contas da União).
A Corte de Contas protagonizou, no final do
ano passado, uma pressão nunca vista contra a decisão técnica do BC de liquidar
o Master. A CAE é comandada por outro aliado de Lula, o senador Renan Calheiros
(MDB-AL), que montou um grupo de trabalho para acompanhar a investigação.
Nos dois casos, o recado parece claro:
mostrar ao mundo político que o Palácio do Planalto está distante da investigação
contra o Master e que largou a mão de Galípolo.
Os sinais estão sendo acompanhados com lupa
pelo mercado financeiro, que vê riscos de influência política na diretoria do
BC em ano de eleições com uma possível indicação de Mello nos próximos dias pelo
Planalto.
O governo mostra que quer paz com o Congresso
para aprovar os projetos de seu interesse no último ano do seu governo, indicar
Jorge Messias para o STF e negociar apoios políticos nas próximas eleições.
Não à toa Lula criticou os
magnatas do crime no seu discurso na abertura dos
trabalhos do Judiciário de 2026, voltou a falar do combate ao
crime organizado, mas se esqueceu do Master e da blindagem de nomes do
Judiciário.
Não interessa ao governo e às principais lideranças
que as investigações avancem e cheguem em nomes de chefes da oposição e do
Judiciário. Nem do seu próprio partido. Para isso, é preciso encontrar um bode
expiatório sem foro especial.
As investigações do BC sobre as fraudes do
Master certamente incomodaram muita gente. Quem tem medo do que o BC, o
Ministério Público Federal e a Polícia Federal encontraram?

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