sábado, 7 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Decisão de Dino sobre ‘penduricalhos’ é correta e oportuna

Por o Globo

País não tem mais como adiar debate sobre verbas usadas para inflar os ganhos da elite do funcionalismo

Foi acertada, além de oportuna, a determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que os três Poderes revisem e suspendam, em até 60 dias, todos os “penduricalhos” do serviço público não previstos em lei. Entre os exemplos citados, estão licenças compensatórias convertidas em dinheiro, gratificações por acúmulo de função exercidas na mesma jornada, conversão de férias e licenças em dinheiro, auxílios diversos para locomoção, combustível, educação, saúde, festas de fim de ano e outros. A decisão, que ainda deverá ser analisada pelo plenário. vale para as esferas federal, estadual e municipal.

Algumas notas sobre o eleitor da juventude brasileira, por Vagner Gomes

Se houvesse a polarização afetiva do voto consolidada nas faixas etárias, saberíamos antecipar com precisão o voto da juventude brasileira nas próximas eleições gerais. Um eleitorado que está em queda percentual à medida que há uma transição demográfica do país no sentido do envelhecimento. Contraditoriamente, as candidaturas mais novas em idade tem ganhado mais confiança do eleitor. Segundo Maquiavel, “os homens esquecem mais depressa a morte do pai do que a perda do patrimônio.” (Capítulo XVII de O Príncipe).

O eleitor nascido após o ano de 2002 certamente não tem a memória política dos ajustes fiscais e suas consequências sociais para chegar à estabilidade econômica. A ideia da “Bolsa Escola” se perdeu assim como o “Orçamento Participativo” ao longo do tempo. A memória política se esvai rapidamente num país aonde a crise da educação (por exemplo, os jovens hoje leem muito bem sem compreender aquilo que leem) atingiu de forma grave os estudos de humanidades, como os indicadores do IDEB provavelmente irão confirmar assim que forem divulgados os resultados do ano passado.

Mudança Já! Por Ivan Alves Filho

O Campo Democrático enfrenta desafios tremendos no Brasil de hoje. Andar pelas ruas, conversar com as pessoas nos ônibus, nas praças, nos bares e em outros locais públicos possibilita a cada um de nós tomar, de certa forma, o pulso do país. Estes encontros e andanças emitem sinais claros de cansaço por parte da população frente ao ordenamento político, apontando para uma quebra de confiança nas instituições. E nada é mais perigoso do que isso.

Doutrina Lula. Por Jamil Chade

CartaCapital

O presidente brasileiro busca aproximação com governos ultraconservadores para frear o avanço de Trump

Dias depois da vitória de Lula em 2022, a equipe de transição começou a reavaliar a política externa brasileira, profundamente abalada pelo governo de Jair Bolsonaro. Uma das prioridades era restaurar a integração sul-americana como um projeto viável para a região. Nos primeiros meses de mandato, o presidente convocou os líderes de todos os países do subcontinente a Brasília, retomou projetos paralisados e orientou o Itamaraty a encarar a região como um espaço estratégico para os interesses nacionais.

Legalidade e moralidade. Por Aldo Fornazieri

CartaCapital

Os ministros do STF precisam compreender que, sem respeitar esses princípios, não há como preservar a credibilidade da Corte

Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal conquistou legítima e merecida reputação por dois motivos principais. Primeiro, pela sua coragem e senso de dever na defesa da democracia, do Estado de Direito e contra as investidas golpistas do grupo bolsonarista. Segundo, pela resistência imposta a setores do Congresso Nacional, ao exigir que as emendas parlamentares respeitassem os princípios constitucionais do serviço público, notadamente a legalidade, a moralidade e a publicidade (transparência).

Castelo de cartas. Por André Barrocal

CartaCapital

A investigação sobre o Master se aproxima cada vez mais dos governadores Ibaneis Rocha e Cláudio Castro

Os governadores Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, acabam de dar o cano na CPI do Crime Organizado. O primeiro enviou um colaborador de segundo escalão, substituto que a CPI se recusou a ouvir. O outro, nem isso: estava fora do Brasil e mandou essa explicação por carta. Ambos haviam sido convidados para falar das experiências de suas gestões contra a violência. Tivessem ido ao Senado, certamente estariam em apuros. Seriam, digamos, interrogados. O motivo? O escândalo do Banco Master, “tema do momento no Congresso”, na definição do senador Jaques Wagner, líder do governo na casa legislativa onde a Comissão de Assuntos Econômicos criou um grupo para investigar o escândalo.

Luta de classes. Por Maurício Thuswohl

CartaCapital

Lula encara a resistência patronal e dobra a aposta no fim da escala 6×1

“E claro que sou a favor do fim da escala 6×1”, afirma Fernanda Campello, que trabalha em uma loja de vestuário em um shopping do Rio de Janeiro. Um segundo dia de folga, diz, seria muito bem-vindo e aproveitado. “Eu poderia estudar, ler, ir à praia, fazer compras, organizar minha casa, enfim, fazer alguma coisa por mim”, revela. A percepção da vendedora carioca é a mesma da grande maioria dos trabalhadores brasileiros que têm direito a somente uma folga por semana. Divulgada em dezembro pelo instituto Vox Populi, a pesquisa O Trabalho e o Brasil, realizada em parceria com a CUT e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aponta que 80% dos entrevistados se dizem favoráveis ao fim da prática de seis dias de trabalho por apenas um dia de descanso.

A pauta tem um evidente apelo popular e, a poucos meses das eleições presidenciais, pode tornar-se uma poderosa alavanca a impulsionar a avaliação positiva sobre o governo Lula. Ciente da importância do trunfo que tem nas mãos, o governo movimenta-se nesses primeiros dias de ano legislativo para tentar aprovar o fim da escala 6×1, se possível, até o fim de março. Na mensagem enviada para o reinício dos trabalhos do Congresso Nacional, o presidente da República destacou o tema, após agradecer aos parlamentares pela aprovação no ano passado da isenção de Imposto de Renda para quem ganha salário de até 5 mil reais. “Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de salário. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, destacou o presidente.

Instituições, confiança e o exemplo que vem de cima. Por Marcus Pestana

Não precisamos estar de acordo sobre o resultado do campeonato. O consenso necessário é que as regras do jogo sejam permanentes, para todos e respeitadas. A democracia é um sistema político complexo e imperfeito. Mas é o único possível contra autoritarismos nefastos de todos os matizes. Por isso, são erguidas instituições, numa dinâmica de controles e contrapesos cruzados e mútuos, gerando desconcentração do poder. Um jogo em que ninguém tem o mando absoluto sobre o baralho.

Poesia | Carlos Drummond de Andrade - A morte do leiteiro

 

Música | Celso Viáfora - Que nem a gente