CartaCapital
Lula encara a resistência patronal e dobra a
aposta no fim da escala 6×1
“E claro que sou a favor do fim da escala
6×1”, afirma Fernanda Campello, que trabalha em uma loja de vestuário em um
shopping do Rio de Janeiro. Um segundo dia de folga, diz, seria muito bem-vindo
e aproveitado. “Eu poderia estudar, ler, ir à praia, fazer compras, organizar
minha casa, enfim, fazer alguma coisa por mim”, revela. A percepção da
vendedora carioca é a mesma da grande maioria dos trabalhadores brasileiros que
têm direito a somente uma folga por semana. Divulgada em dezembro pelo
instituto Vox Populi, a pesquisa O Trabalho e o Brasil, realizada em parceria
com a CUT e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), aponta que 80% dos entrevistados se dizem favoráveis
ao fim da prática de seis dias de trabalho por apenas um dia de descanso.
A pauta tem um evidente apelo popular e, a
poucos meses das eleições presidenciais, pode tornar-se uma poderosa alavanca a
impulsionar a avaliação positiva sobre o governo Lula. Ciente da importância do
trunfo que tem nas mãos, o governo movimenta-se nesses primeiros dias de ano
legislativo para tentar aprovar o fim da escala 6×1, se possível, até o fim de março. Na mensagem
enviada para o reinício dos trabalhos do Congresso Nacional, o presidente da
República destacou o tema, após agradecer aos parlamentares pela aprovação no
ano passado da isenção de Imposto de Renda para quem ganha salário de até 5 mil
reais. “Nosso próximo desafio é o fim da escala 6×1 de trabalho, sem redução de
salário. Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas
um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família”, destacou o
presidente.