domingo, 8 de fevereiro de 2026

O fantasma da delação de Vorcaro. Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Se abrir o bico, ele atingirá o Congresso, o STF, ministros, governadores, e... as eleições

O escândalo do Banco Master não é apenas o maior da história financeira do Brasil, mas também o fator que mais pode impactar as eleições de outubro, tanto a presidencial quanto para governadores, deputados e senadores. Se Gilberto Kassab é o grande articulador político, Daniel Vorcaro vai se tornando o maior desarticulador.

Dono do Master, com uma audácia e uma falta de pudor correspondentes ao seu QI, Vorcaro superou a primeira fase da sua estratégia, trocar a cadeia por tornozeleira, e investe na segunda e decisiva: cavar anulações ao longo do processo criminal, aliando questões técnico-jurídicas a recados e memórias políticas. Seu trunfo arrasador é... a ameaça de delação premiada.

O racismo como método. Por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

O método consiste em induzir o adversário a uma reação agressiva, para depois retratá-lo como violento

O vídeo retratando Michelle e Barack Obama como macacos, compartilhado e depois removido por Donald Trump em sua rede social, não é um ato impensado. É uma arma de guerra psicológica testada, validada e aprimorada. Chamado de “isca e contragolpe”, o método consiste em induzir o adversário à reação agressiva, para então retratá-lo como violento. O autor apaga aquilo que provocou a reação do oponente, deixa visível apenas essa reação, e reposiciona a si mesmo como vítima da violência do outro.

A mensagem inicial não visa convencer pelo conteúdo, mas criar um gatilho emocional. Os vestígios da causa da reação desaparecem, graças à engenharia dos algoritmos das redes sociais. Preso em bolhas cognitivas, o público-alvo, no caso a maioria branca, esquece a provocação inicial.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Trump é cabo eleitoral inesperado de Lula, até agora

Por Folha de S. Paulo

Petista ganhou força política com tarifaço e se beneficia na economia com a queda do dólar

Capitais que deixam os EUA alimentam recordes na Bolsa de Valores, mas trunfo é inseguro porque se trata de dinheiro especulativo

Boa parte do sucesso dos dois primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deveu a uma conjuntura internacional excepcionalmente favorável para os países exportadores de produtos primários agrícolas e minerais.

Impulsionado pela demanda da China, o boom de commodities catapultou o crescimento de economias emergentes e, no caso brasileiro, levou a um aumento da arrecadação de impostos que equilibrou as contas públicas.

Lula cobra postura do PT, diz que sigla ‘não está com essa bola toda’ em Estados e cita queda em SP

Por Bianca Gomes / O Estado de S. Paulo

Em evento comemorativo do partido, presidente criticou brigas internas, cobrou autocrítica e pediu que o partido não caia na ‘vala comum’ da política

O presidente Lula (PT) aproveitou um evento comemorativo do partido para dar um “puxão de orelha” em seus próprios aliados. Diante de dirigentes, ministros e militantes, criticou a votação do PT a favor das emendas impositivas, alertou que a sigla não deve cair na “vala comum da política” e cobrou a formação de alianças nos estados, reconhecendo que, em algumas regiões, o partido não está “com essa bola toda”.

“Vocês têm a obrigação moral, a obrigação ética de não deixar esse partido ser um partido que vai para a vala comum da política desse País”, disse Lula.

Lula diz que PT precisa refletir sobre erros e que 'brigas internas' acabaram com a sigla na Grande SP

Por Ivan Martinez -Vargas / O Globo

Presidente também disse que partido tem de ser mais forte que ele

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Partido dos Trabalhadores (PT) faça "uma reflexão" sobre seus erros políticos. Em discurso à militância petista durante evento que comemora o aniversário de 46 anos da sigla, Lula afirmou que "brigas internas" acabaram com o PT na Grande São Paulo.

Lula disse que o PT precisa "ter capacidade de fazer avaliações das coisas que a gente não consegue fazer".

Monetização do jeitinho nacional. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Crime comum negocia com elite política e econômica; poderosos agem como bandidos comuns

Mais que desviar dinheiro, corrupção cria feudos políticos e sistema que apodrece economia

Em 2024, Ricardo Lewandowski comprou uma casa de Anajá de Oliveira Santos Yang por R$ 9,4 milhões, segundo relato de O Estado de S. Paulo, confirmado pelo próprio Lewandowski. Anajá é casada com Alan de Souza Yang. Faz década e meia, Alan, o "China", é investigado por adulteração de combustível, pelo que já foi condenado, e rolos maiores.

Não há indício de que a compra de Lewandowski tenha relação com rolos de China. Na verdade, o ex-ministro da Justiça e do STF deve ter sido vítima de golpe. Se a empresa de administração de patrimônio imobiliário de Lewandowski e família, que comprou a casa, tivesse verificado quem era o marido de Anajá, poderia ter descoberto com pesquisa corriqueira de internet que China era enrolado.

Trump quer roubar a eleição. Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Há um plano, que parece óbvio, de inventar uma mutreta para reclassificar cidadãos americanos como eleitores irregulares

Entrega para autoridades federais dos registros de eleitores do Minnesota seria altamente irregular

O supremacista branco Donald Trump pretende fraudar as eleições de meio de mandato deste ano nos Estados Unidos.

Durante a invasão do Minnesota pela milícia ICE, o governo Trump ofereceu às autoridades estaduais condições para interromper a matança nas ruas. Entre elas estava a entrega, para autoridades federais, dos registros de eleitores do Minnesota.

Isso seria altamente irregular. As eleições americanas são organizadas pelos estados. Não há uma autoridade central que as organize, não há sequer o equivalente de nossa Justiça Eleitoral. Sempre foi assim, e é consistente com os princípios de um país que, afinal, se chama "Estados Unidos".

Samba-exaltação a Lula é nítida propaganda indevida. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O desfile da Acadêmicos de Niterói pode não influir no resultado da eleição, mas exibe a desigualdade de armas na campanha

O presidente atropela regras sem ser impedido, mas isso não evita que seja um infrator do código de ética da vida real

Não serão os 80 minutos de desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no domingo de Carnaval, que garantirão a Luiz Lula Inácio da Silva (PT) um quarto mandato de presidente. O filme "Lula, o Filho do Brasil", de 2009, tampouco foi o responsável pela vitória com Dilma Rousseff no ano seguinte.

Os dois episódios, no entanto, escancaram o uso de manifestações culturais na construção de mitologias políticas com fins eleitorais. É velha conhecida a ideia do PT de obter hegemonia em todas as áreas da vida nacional.

O assassinato de um pet. Por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Desumanidade seria apodo controverso: não se trata de algo desumano, mas do humano confortável na lógica fascista

Guardada a distância literária, morte do cão Orelha é tão impactante quanto a morte da cadela Baleia em 'Vidas Secas'

morte barbárica do cão Orelha chocou o país. Guardada a distância literária, é tão impactante quanto a morte ficcional da cadela Baleia em "Vidas Secas". Animal é pensamento. Quer dizer, campo de conhecimento onde cada dia se experimenta a afirmação contrastiva da identidade humana. Talvez por isso a tendência ascendente de cuidar de um "pet" (cachorro, gato), hoje em dia, seja o modo mais simples de confirmar para si mesmo a humanidade que se esvai na vida social regida pelas máquinas.

Pacheco discutirá candidatura em Minas com Lula após trocar PSD por União Brasil

Por Raphael Di Cunto e Carolina Linhares / Folha de S. Paulo

Filiação deve acontecer nos próximos dias e foi intermediada por Davi Alcolumbre

Senador ainda não decidiu se aceita disputar governo, mas presidente quer convencê-lo

O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome preferido de Lula (PT) para concorrer ao Governo de Minas Gerais, vai se encontrar com o presidente, possivelmente na próxima semana, para discutir a viabilidade de sua candidatura e comunicar sua filiação ao União Brasil.

Pacheco já acertou a mudança de partido, que deve acontecer nos próximos dias. A filiação foi intermediada pelo presidente do SenadoDavi Alcolumbre (União Brasil-AP), de quem ele é próximo, e afasta ainda mais o União Brasil do apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —principal adversário do petista.

Lula cobra PT em festa, diz que política apodreceu e que partido não pode ir para a vala comum

Por Catia Seabra e João Pedro Pitombo / Folha de S. Paulo

Presidente convoca militância, fala em guerra política e diz que acabou o 'Lulinha paz e amor'

Lula volta a afirmar partido precisa focar na periferia e critica disputas internas

O presidente Lula fez cobranças públicas ao PT, criticou as disputas internas e buscou mobilizar a base para as eleições de outubro na celebração dos 46 anos do partido neste sábado (7) em Salvador.

Em um discurso com ares de discussão de relacionamento, o presidente defendeu a formação de alianças amplas e afirmou que o partido "não está com essa bola toda" em todos os estados.

"Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados", afirmou.

Ao mesmo tempo, Lula buscou inflamar a militância afirmando que está à disposição do partido: "Estejam preparados. Se vocês precisam de um timoneiro, está aqui eu. Se vocês precisam de um soldado para a linha de frente está aqui eu. Porque eu não quero ser um general, general sempre fica atrás. Eu quero estar na frente com vocês".

PSD racha em apoio a Lula enquanto Kassab tenta viabilizar candidato próprio para à Presidência

 

Poesia | João Cabral de Melo Neto - Circuito da Poesia do Recife

 

Música | Coral Edgard Moraes e Getúlio Cavalcanti - Risos de Mandarim