Folha de S. Paulo
Vários eleitos se mostraram inadequados a
cargos públicos
O governo Bolsonaro e seus aliados seriam
os porta-vozes
da direita brasileira, sufocada pela social-democracia de esquerda
que se apoderou do Estado com o fim da ditadura militar. Justo. Pelo voto na
urna, todas as correntes têm direito à representação, mas devem monitorar o
eleito. Vejamos alguns.
No Rio de Janeiro, a direita fez do ex-PM Gabriel Monteiro o terceiro vereador mais votado, pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro. Agora, enfrenta um processo de cassação diante de uma série de denúncias, entre elas gravar intimidades com menores e postar nas redes sociais. Numa delas, faz sexo com uma jovem de 15 anos, em outra, acaricia uma criança de 10 anos. Monteiro declara ser alvo de calúnia e perseguição.
Outro exemplo é o, agora, ex-deputado
estadual de São Paulo, Arthur do Val (União Brasil), egresso do MBL (Movimento
Brasil Livre). Em áudios gravados e distribuídos pelo próprio, em visita à
Ucrânia já em guerra, ele fala das
belas mulheres locais como se estivesse no camarote de uma balada no Itaim
Bibi, bairro da elite paulistana. Com a iminência da cassação,
renunciou se dizendo vítima política.
A ativista de Twitter, a deputada federal
Bia Kicis (PSL-DF) protagonizou tantas controvérsias que não há espaço aqui
para citar. É ilustrativo que tenha sido alvo de
inquérito da Procuradoria-Geral da República pelo crime de racismo.
À Polícia Federal, ela disse que fez apenas uma piada ao postar fotos dos
ex-ministros Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta, com os rostos pintados de
preto, sugerindo que entrassem no trainee para negros do Magazine Luiza.
E o deputado federal Daniel Silveira
(PSL-RJ)? Bombado nas redes, convocou invasões ao Supremo, para tirar ministros
na porrada e jogá-los na lixeira. Depois, fugiu da responsabilidade
criminal —ex-PM, ele sabe que é crime o que fez. Esconde-se
atrás de uma pseudoliberdade expressão, com a graça do
presidente.
Em defesa da civilidade nacional, o eleitor
de direita precisa fazer o dever de casa para voltar às urnas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário