Valor Econômico
Participação da primeira-dama poderia levar o
presidente a cruzar a linha tênue entre o direito de a escola homenageá-lo,
referendada pelo TSE, e invadir a seara da propaganda eleitoral antecipada
A ausência da primeira-dama, Janja da Silva, da avenida no desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí contém a exploração, pela oposição, da homenagem da escola. A primeira-dama participou do ensaio da escola na semana passada e era aguardada no último carro alegórico. Chegou separadamente de Lula no desfile. Sua ausência apenas foi confirmada quando o último carro alegórico, que contava com sua presença, apareceu sem a primeira-dama.
O desfile trouxe o ex-presidente Jair Bolsonaro vestido de
palhaço, além de retratar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como um
roubo da faixa presidencial por seu vice, Michel Temer. Numa das alas, passistas desfilaram
com a inscrição “solte sua Janja”.
A participação da
primeira-dama era uma decisão controversa dentro do governo. Acabou vencendo a ala
que concluiu pelo prejuízo na imagem do presidente sem benefícios visíveis. A
participação de Janja poderia
levar o presidente a cruzar a linha tênue entre o direito de a escola
homenageá-lo, referendada pelo TSE,
e invadir a seara da propaganda eleitoral antecipada.
Parece ter pesado ainda o risco de a oposição
intensificar a exploração negativa da exposição da primeira-dama no desfile.
Seis horas antes, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), divulgou
em suas redes um vídeo feito com inteligência artificial sobre “Bloco
do Lulaladrão”: uma escola de samba em que os carros alegóricos e alas trazem o
“Careca do INSS”, Nicolás Maduro, os Correios como um prédio em ruínas, a sede
do Master, uma ala de velhinhos com uma camiseta estampada de “dancei”, Lula e
Janja sambando dentro de uma cela. “Ô Lula ladrão, menos ostentação, quem paga
a festa é a nossa população”, diz a letra do vídeo que foi o abre-alas de
outras peças, do PL e de seus parlamentares em alusão ao desfile da noite deste
domingo.
No início da tarde, a Secretaria de Comunicação havia buscado uma vacina com um vídeo, também com IA, em que Lula é representado por um boneco gordinho, sorridente, de cabelo e barba brancas, com fantasias variadas, de passista de frevo ao olodum, que passeia por Recife, Salvador, Belo Horizonte, São Paulo e Rio, com uma música ao fundo que faz alusão à participação de Lula no carnaval de várias cidades como a celebração de um Brasil “que virou o jogo e grita com alegria”, enquanto “o outro está na jaula e a gente tá na folia”. Foi apenas um de muitos vídeos dos perfis do presidente que trouxeram sua participação no Carnaval como a celebração de sua trajetória.

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