quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Fim da escala 6 x 1 para além do 8 ou 80, por Vera Magalhães

O Globo

Discussão sobre redução de jornada não opõe sensibilidade social e responsabilidade com a economia e tem de ser bem estruturada

O debate sobre o fim da escala 6x1 vem sendo travado no Brasil como se opusesse, de forma automática, sensibilidade social e preocupação com os efeitos econômicos e inflacionários. Essa rigidez dogmática, cada vez mais premissa de qualquer discussão, impede que se analise o assunto com o cuidado e a profundidade requeridos por tema que diz respeito à vida de tanta gente.

A História brasileira e a experiência internacional costumam mostrar que algumas políticas públicas, sobretudo trabalhistas, produzem no curto prazo uma pressão de custos, muitas vezes inflacionários, mas se revelam no médio e longo prazo conquistas civilizatórias. E não só. Se bem implementadas, elevam a produtividade, levam a maior formalização e podem implicar mais crescimento, com ganhos para parcelas maiores da população.

Afastamento de ministro do muda paradigma contra assédio sexual, porLuiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Ao afastar cautelarmente um de seus integrantes, a Corte envia uma mensagem clara à sociedade e, sobretudo, às vítimas de que as denúncias serão levadas a sério

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de afastar cautelarmente, por unanimidade, o ministro Marco Buzzi representa um marco no enfrentamento do assédio sexual no Brasil. Além de uma resposta a um caso ainda sob apuração administrativa e criminal, o gesto estabelece um novo paradigma de responsabilidade pública: não há mais espaço para tolerância institucional diante de condutas que violem a dignidade de mulheres, especialmente a violência quando praticada por autoridades investidas de poder, prestígio e prerrogativas.

O STJ na berlinda, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Livre dos holofotes que cercam o STF, tribunal costuma ser leniente com nepotismo processual, pagamento de supersalários e atuação de lobistas

Ao ser avisado da primeira acusação de importunação sexual contra Marco Buzzi, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, desabafou com um amigo: “Era só o que nos faltava”. O ministro se referia à série de problemas que atinge a imagem da Corte desde que ele tomou posse, em agosto de 2024.

Com dois meses de gestão, Benjamin teve que dar explicações sobre suspeitas de venda de sentenças no STJ. Em seguida, a Polícia Federal fez buscas nas casas de servidores que atuaram em três gabinetes do tribunal.

Lula 3.0 é ruim de gestão, por Elio Gaspari

O Globo

O Master, a fila do INSS e a Autoridade Climática são fracassos

Lula está a caminho do fim de seu terceiro mandato e arma a barraca para disputar o quarto. A sorte deu-lhe inimigos que ocuparam a agenda nacional com a punição dos responsáveis pela trama golpista de 2022/2023. A neblina do golpe embaça a percepção da má qualidade da terceira gestão do presidente. Tomem-se três casos:

1) O escândalo do Banco Master, em que a autonomia do Banco Central (BC) serviu para manter debaixo do tapete um problema que, nas palavras do ministro Fernando Haddad, “pode ser a maior fraude bancária da História do Brasil”;

2) A promessa, feita no discurso de posse, de zerar a fila do INSS ficou no papel;

3) A promessa de criação de uma Autoridade Climática, feita em setembro de 2024, também ficou no papel.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Supremo que pode tudo não é bom para o país

Por Folha de S. Paulo

Reforma da corte exige fim de vínculos com parentes, decisões individuais duradouras e inquéritos anômalos

Hoje não há norma ou lei que resista ao STF quando elas contrariam interesses pessoais e corporativistas dos ministros; isso deveria mudar

A hipertrofia do Supremo Tribunal Federal e do poder pessoal de seus 11 integrantes atingiu uma dimensão difícil de conciliar com a tranquilidade institucional. Se não for reformada, a corte caminhará para tornar-se uma organização de Estado imune a controle, responsabilização e limites.

O escândalo do Banco Master expôs as entranhas e os riscos dessa anomalia que se desenvolve há décadas, favorecida pelo desenho constitucional de 1988 e moldada pelas más escolhas de agentes públicos.

Eleitores nunca decidem seu voto em um vácuo social, por Camilo Aggio

Folha de S. Paulo

Alcance de inteligência artificial para a escolha de candidatos deve ser relativizado

Não serão ChatGPTs e Geminis que converterão votantes em receptáculos passivos e manipuláveis

Conforme veiculou recentemente o alemão Deutsche Welle, "estudos mostram que eleitores de vários países perguntam a chatbots como ChatGPT e Gemini em quem deveriam votar, uma questão que preocupa especialistas e desafia reguladores eleitorais".

Publicado nesta Folha, o ótimo artigo "A escolha de candidatos por IA e os riscos de confiar nas respostas" (7/2) versa sobre a necessidade de regulação de sistemas de inteligência artificial. Traz a informação de que 9,7% dos brasileiros já utilizam chatbots como fonte de informação. Na faixa etária de 25 a 34 anos, esse percentual sobe para 13,3%.

Pistas do programa de Lula 4, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Haddad sugere reorganização e unificação de programas de assistência social

Ceron, secretário do Tesouro, fala de discutir Previdência e conter gasto obrigatório

Atrás das cortinas, sempre há discussões do que precisa ser feito para ao menos remendar a economia. Servidores ditos técnicos, de carreira ou nomeados para chefias relevantes, economistas de "o mercado" e alguns universitários de algum modo conversam sobre mudanças. O pessoal em geral não é doido nem incompetente, afora a aberração das trevas de Jair Bolsonaro. Em algum momento, essa discussão emerge a ponto de chegar na política.

Há controvérsia séria sobre soluções, algumas parecem fracas ou manchadas de geleia ideológica. Mas os problemas estão diante do nariz de todo mundo interessado. Governantes e candidatos enrolam o público ou acreditam em idiotices. Mas os problemas são imunes a milagres.

Uma CPI para o Master? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Comissões de inquérito tiveram seu auge nos anos 1990 e depois perderam efetividade

Apesar de blindagens variadas, sempre há a chance de algo ser revelado, o que justifica a CPI

Sou jornalista e jornalistas somos quase que legalmente obrigados a apoiar CPIs. A essência da profissão, afinal, é revelar aquilo que poderosos gostariam de manter escondido —e as comissões ampliam as chances de que isso aconteça. Não há, porém, como deixar de reconhecer que CPIs são hoje um instrumento de investigação menos efetivo do que foram no passado.

A era de ouro das CPIs foram os anos 1990. Por duas décadas a ditadura mantivera os parlamentares sob rédeas curtas, então a possibilidade, inaugurada a partir da Carta de 1988, de proceder a inquirições sem prestar a continência exigida pelos generais era uma novidade. Duas boas CPIs dos bons tempos foram a do PC Farias (1992), que levaria ao impeachment de Collor, e a dos Anões do Orçamento (1993), que revelou como congressistas desviavam dinheiro público.

Dino põe Justiça na encruzilhada dos penduricalhos, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ministro respalda veto de Lula ao Congresso e dá chance ao Supremo de recuperar seus danos de imagem

Judiciário vai escolher se adere à cruzada contra privilégios ou se cede ao canto das regalias das quais se beneficia

Na semana passada, o ministro Flávio Dino de uma tacada tirou dois coelhos de uma enrascada. Ao expor a ferida dos privilégios no serviço público, abriu espaço para um reposicionamento de imagem do Supremo Tribunal Federal e deu respaldo ao presidente da República para vetar o projeto do Congresso de criação de novos penduricalhos.

O bom andamento dos trabalhos dependerá do que será feito da determinação de que os três Poderes suspendam a concessão de qualquer remuneração feita sem base legal. Ficam faltando as gambiarras oficiais, mas já é um ótimo começo.

A frente democrática não é uma exceção histórica, por Ricardo Marinho

Nos idos de 2018, final da segunda década do século 21, parecia inimaginável que um representante da extrema-direita se tornasse Presidente da República, mas isso aconteceu.

A ideia de uma alternância civilizada entre uma centro-esquerda democrática, com muitas conquistas a seu favor, e uma centro-direita com predominância liberal e adaptada à democracia – que ainda não encontrou sua personificação – parece fazer parte de um panorama político imaginativo que paira na atenção dos eleitores de 2026.

O beijo da Natália, por Alfredo Maciel da Silveira

Muitos brasileiros e brasileiras, por terem “comido o pão que o diabo amassou” nos anos da ditadura, conseguiram sair vivos daqui. Num planeta dividido em dois pela “guerra-não-tão-fria”, passaram pela saga pessoal de terem sido catapultados para o “outro mundo”, aquele do Bloco Socialista. Alguns poucos, pela sua notoriedade, seja como expoentes da cultura, jornalistas de renome, etc, revelaram algo daquela “abdução”, levados por imensas e modernas naves comerciais “Ilyushin” e “Tupolev”  da “AEROFLOT” por exemplo, que ainda hoje, acho, nem pousam em vôos regulares aqui em Pindorama.

Naqueles tempos, vôos com escalas ali e acolá, troca de aparelhos, até chegarem por exemplo a “Maskva” (Moscou). Ao descerem as escadas do avião, pisaram pela primeira vez naquele solo carregado de história, e avistaram a tremular na cúpula do aeroporto uma imensa bandeira vermelha.

Poesia | Pátria Minha - Vinicius de Moraes

 

Música | Moacyr Luz & Samba do Trabalhador - Mandingueiro