Folha de S. Paulo
De janeiro a novembro houve 233 casos no
estado e 61,4 mil agressões a mulheres
Sem um plano efetivo, tendência é de mais
mortes de mulheres, jovens e negros em 2026
No estado em que homicídios e latrocínios chegaram à menor marca da série histórica, os feminicídios e a letalidade policial explodiram, deixando claro que para o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) a vida de mulheres, jovens e negros importa menos. São Paulo encerra 2025 com o maior número de feminicídios e de agressão a mulheres de que se tem registro, desde 2018, e com o segundo pior índice de mortes pela polícia dos últimos cinco anos.
O estado de São Paulo registrou, de janeiro a
novembro de 2025, 233 feminicídios e 61,4 mil agressões a mulheres. Os casos de
estupro mantiveram a vergonhosa marca de quase 3.000 ao ano. Ou nós, homens,
assumimos a culpa coletiva na perpetuação da violência contra mulheres, cis e
trans, ou o tema continuará a ser visto como alheio a nossas prioridades.
Sob Tarcísio, ademais, o Estado matou mais do
que criminosos, e isto não é uma hipérbole. As polícias de São Paulo mataram
mais pessoas em 2025 (650, de janeiro a outubro) do que homicidas mataram no
estado (475 pessoas, até novembro). A violência policial aumentou 69% de 2023 a
2025, mesmo não contabilizando os últimos dois meses deste ano.
Os dados de violência contra a mulher e de
letalidade policial não são obra do acaso, mas resultado de decisões políticas
conscientes. A retórica pró-violência policial de Tarcísio tem surtido efeitos,
em especial no interior e litoral do estado. Tarcísio enxugou, ainda, o orçamento da pasta de mulheres para 2026 e gastou
apenas R$ 2,6 milhões dos R$ 10 milhões previstos para 2025. O Ministério
da Justiça também precisa explicar a insuficiente execução
orçamentária dos recursos do plano nacional contra feminicídios.
Na última segunda-feira (29) do ano, a
Polícia Civil de São Paulo realizou uma megaoperação para cumprir 1.400
mandados de prisão contra suspeitos de violência contra a mulher.
Embora importantes, medidas pontuais não resolvem. Sem um plano efetivo, a
tendência é que mais mulheres, jovens e negros morram em São Paulo em 2026.

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