Por Beatriz Roscoe / Valor Econômico
O chanceler Mauro Vieira representou o Brasil
no encontro, que aconteceu por videoconferência
A reunião extraordinária ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) convocada para discutir a situação na Venezuela após o ataque dos Estados Unidos terminou neste domingo (4) sem consenso dos 33 países da região, segundo apurou o Valor. Não será divulgado um comunicado conjunto do grupo.
Um grupo de países entendeu que não havia
sentido em emitir uma posição conjunta da região. Também não foi tentado,
durante o encontro, buscar um consenso do grupo, de acordo com uma fonte da
diplomacia brasileira que acompanhou a reunião.
Por outro lado, os governos do Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram hoje um comunicado conjunto em que condenaram as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. Também demonstraram preocupação diante de "qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos", numa crítica à fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que levaria petroleiras norte-americanas para controlar o petróleo na Venezuela.
Segundo uma fonte da diplomacia brasileira,
há o entendimento de diversos países, como os que assinaram o comunicado deste
domingo, de que houve violação do direito internacional. Os seis signatários –
Colômbia, Brasil, Chile, México, Uruguai e Espanha – participaram das
articulações do Acordo de Barbados, que visava garantir a realização de
eleições na Venezuela em 2024. Além disso, 26 dos 27 países que compõem a
União Europeia divulgaram uma declaração conjunta defendendo uma transição pacífica
para a democracia liderada pelos venezuelanos.
A reunião da Celac durou cerca de duas horas.
A Colômbia abriu o encontro e, em seguida a Venezuela falou. Na reunião, cada
país manifestou sua posição sobre a situação da Venezuela e sobre como a região
deve agir. A reunião era fechada, mas as falas dos representantes da Venezuela
e de Cuba foram transmitidas por uma TV venezuelana.
O chanceler Mauro Vieira representou o Brasil
no encontro, que aconteceu por videoconferência. Segundo apurou o Valor, o
ministro brasileiro fez um discurso breve e rápido, prezando pela soberania dos
países e pela observância do direito internacional, na mesma linha da nota
divulgada no sábado (3) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula condenou os ataques e disse que os
bombardeios e a captura de Nicolás Maduro "ultrapassam uma linha
inaceitável" e abrem um precedente "extremamente perigoso para
toda a comunidade internacional".
"Os bombardeios em território
venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável.
Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais
um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional",
afirmou o presidente brasileiro em nota divulgado no sábado (3).
Lula também disse que a comunidade
internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), precisa
responder de "forma vigorosa a esse episódio". "O Brasil condena
essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da
cooperação", escreveu Lula.
Já o chanceler da Venezuela, Yván Gil, instou
os países que compõem a Celac a “dar um passo à frente” contra a agressão dos
Estados Unidos ao país e pedir a libertação de
Nicolás Maduro. A fala dele na reunião do grupo de países da América Latina foi
transmitida pela TV venezuelana.
"A Celac não pode hesitar. A Celac não
pode se dividir entre condenações tímidas e silêncios cúmplices. Os princípios
não se negociam, não se relativizam nem se suavizam. Ou se está do lado do
direito internacional, ou se está do lado da lei do mais forte. Os países da
Celac devem dar um passo à frente, porque silenciar diante dessa agressão
equivale a endossá-la”, declarou o ministro das Relações Exteriores venezuelano

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