segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Levados à força e se debatendo, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Cada vez mais se adota o recolhimento involuntário de dependentes; mas será que funciona?

Uma terapia que comece na rua, caso a caso e sem tempo para terminar, pode dar mais resultados

Leio no Globo que 30% das capitais brasileiras estão adotando o recolhimento involuntário de dependentes químicos em situação de rua. A justificativa é que se trata de pessoas que põem em risco a própria vida ou a de terceiros. Não se trata de uma medida voluntarista dessas cidades. O Conselho Federal de Medicina já permite que parentes, responsáveis ou servidores públicos de saúde solicitem essa internação, sendo que a restrição da liberdade deve ser "pelo menor tempo possível".

Nunes contra o carnaval, por Diogo Schelp

O Estado de S. Paulo

A Prefeitura da capital paulista, por incompetência ou desinteresse, está dinamitando a festa

Carnaval também é política. O desfile-comício sobre Lula da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí, que resultou no rebaixamento da escola, é o exemplo mais óbvio e recente. Além da bajulação ao presidente, os carros alegóricos e as fantasias foram elaborados para ridicularizar uma parcela da sociedade brasileira – e da classe política. O contrário também já ocorreu. Em 2019, o então presidente, Jair Bolsonaro, fez críticas aos blocos de rua, tomando a atitude isolada de alguns foliões como uma prova da degradação moral do carnaval. Seu filho Flávio, como pré-candidato à Presidência, tenta vender uma imagem mais moderada que a do pai e, na semana passada, tratou de enaltecer o carnaval, inclusive os cortejos de rua, como “uma das festas mais populares do planeta” e “um exemplo de como o Brasil pode ser criativo e fazer muito, mesmo com pouco”.

O futuro da Amazônia, por Denis Lerrer Rosenfield

O Estado de S. Paulo

A ausência de um ordenamento fundiário efetivo obstaculiza investimentos e termina sendo um poderoso instrumento de não preservação ambiental

A Amazônia tornou-se uma questão geopolítica, de profundas repercussões militares, diplomáticas, econômicas e ambientais. Com a prevalência das relações internacionais da “lei do mais forte”, não há mais fronteiras asseguradas. O que era reconhecido ontem, pode deixar de sê-lo amanhã. As maiores potências agem estritamente segundo os seus interesses. A invasão da Ucrânia pela Rússia e a operação americana na Venezuela expõem essa nova realidade. O Brasil deve assegurar a defesa do seu território, dando-se os meios para isso.

A Europa e a aliança China-Rússia-EUA, por Oliver Stuenkel

O Estado de S. Paulo

O apoio americano a Orbán, cortejado ainda por Moscou e Pequim, expõe uma convergência anti-UE

A recente viagem de Marco Rubio a Budapeste, após sua participação na Conferência de Segurança de Munique, revela mais sobre política global do que parece à primeira vista. Com a Hungria em plena campanha para as eleições de abril, o secretário de Estado decidiu reforçar o apoio de Washington a Viktor Orbán, um líder que se orgulha de ter construído um “Estado iliberal” e, há anos, corrói a democracia húngara.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crescimento dos ‘penduricalhos’ revela descontrole

Por O Globo

Verbas no Judiciário subiram 43% além da inflação em um ano. Questão exige ação urgente do Congresso

A cada minuto, um acréscimo de R$ 5.700. A cada hora, R$ 342 mil. Foi nesse ritmo que a conta das verbas indenizatórias do Poder Judiciário, popularmente conhecidas como “penduricalhos”, aumentou no ano passado. Considerando apenas os vencimentos dos juízes que receberam acima do teto estipulado pela Constituição — R$ 46,4 mil, o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) —, o gasto subiu de R$ 7,2 bilhões para R$ 10,3 bilhões entre 2024 e 2025, como revelou reportagem do GLOBO com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso corresponde a um aumento real de 43%, já descontada a inflação.

No ano passado, um estudo do Movimento Pessoas à Frente e República.org tentou levantar quanto o país gasta com pagamentos acima do teto em todos os Poderes. Um levantamento apenas parcial revelou gastos de R$ 20 bilhões em 12 meses, 21 vezes o gasto na Argentina, segundo país que mais gasta acima do limite entre os avaliados.

Poesia | Agosto 1964, de Ferreira Gullar

 

Música | Nara Leão - O Sol Nascerá ( Cartola)