O Globo
Após o episódio Master, o BRB precisa de resposta
rápida do governo do Distrito Federal para evitar que a conta cresça
O total que o governo do Distrito Federal terá que aportar no BRB aumentou desde que o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, falou em necessidade de provisão de “mais de R$ 5 bilhões”. Na economia, não há fatos estáticos. Quanto mais tempo o controlador demora em dizer que solução dará para o rombo do banco causado pela compra de uma carteira fraudulenta do Master, mais o problema cresce. O BRB tem bons ativos, mas qualquer venda de carteira pode ser por valor menor do que está marcado em seu balanço. Isso reduzirá seu patrimônio, aumentando a necessidade de provisão. Ontem o mercado mostrou que aguarda a solução com otimismo, tanto que a ação do banco disparou 14%.
Ao contrário de outros bancos envolvidos com
o Banco Master, o BRB tem ativos sólidos e nunca adotou a mesma prática
bancária de risco das outras instituições que acabaram liquidadas. O problema é
que o seu controlador é o governo do Distrito Federal. O incentivo de um
administrador privado seria fechar o rombo o mais rapidamente possível, o
incentivo do governador talvez seja o de postergar o momento em que terá que
dizer ao eleitor que precisará vender ativos para capitalizar o banco, porque
seus gestores erraram.
O dia de ontem foi de forte valorização das
ações do banco em bolsa, impulsionadas por rumores sobre o fato relevante que
sairia no fim do dia. Mas, qualquer que seja a solução, deve diluir um pouco o
capital do minoritário, obviamente, já que implicará em aporte de capital por
parte do controlador.
O caso Master tem sido um tremor de terra no
mercado bancário brasileiro que já provocou o fechamento de vários pequenos
bancos. A situação do BRB é bem diferente por inúmeras razões. É um banco de
verdade, e não uma instituição pequena como as que estavam no grupo Master ou
na sua órbita. Ele foi atingido porque tentou fazer negócios com o Master: a
proposta de compra do banco de Daniel Vorcaro, o que o Banco Central impediu e,
depois, com a aquisição de uma carteira com ativos fraudados.
Em consequência disso, o BRB ficou com uma
perda avaliada inicialmente em R$ 5 bilhões, porém que pode crescer como
consequência de dois fatos. Primeiro, o tempo corre contra o banco de Brasília.
Ele não pode esperar tanto a encontrar uma solução. Terá que divulgar um
balanço no fim de março, dentro de pouco mais de um mês, mas idealmente deveria
já encaminhar uma solução para o desequilíbrio. O segundo é que neste momento o
banco está, já sob nova direção, oferecendo ativos na Faria Lima. E tem bons
ativos. Contudo, dificilmente os venderá pelo valor de face, até pelas
circunstâncias. Um ativo marcado a 100, se for vendido a 70, na verdade gerará
um prejuízo de 30. Isso aumenta o problema de patrimônio, ainda que represente
uma injeção de liquidez no banco.
Ontem, o Banco Central liquidou o Pleno, mais
um banco do entorno do Master. A instituição havia sido vendida por Vorcaro a
um ex-sócio, Augusto Lima. Era o antigo Voiter, que, no passado, se chamou
Indusval. Apesar de ter sido preso junto com Vorcaro, Augusto Lima não teve os
bens tornados indisponíveis inicialmente, porque já havia saído da
administração do Master havia mais de um ano. Com a liquidação do Pleno, porém,
Augusto Ferreira Lima ficou com os bens indisponíveis.
Augusto Lima estava colocando capital do seu
patrimônio no banco para evitar que ele quebrasse. Isso deu uma sobrevida, no
entanto, não impediu que chegasse à situação de ter um ativo líquido menor do
que o passivo de curtíssimo prazo, razão pela qual foi liquidado. Mesmo sendo
um S4, ou seja, um banco bem pequeno, elevou em mais R$ 4,9 bilhões o total a
ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito. O valor dos passivos dos bancos
liquidados cobertos pelo FGC, somado às linhas de liquidez que ele deu ao
Master, leva a perto de R$ 60 bilhões o rombo total do Fundo. Isso é metade do
que o FGC tinha antes de toda essa crise.
Mesmo com toda a exuberância do salto do
valor das ações do BRB, ontem na Bolsa, quem acompanha o cotidiano das
negociações por uma solução anda preocupado com a demora do governador Ibaneis
Rocha para apresentar uma plano para a perda patrimonial do banco. Se o
governador ficar olhando para o calendário político estará cometendo um erro. A
definição terá que ser anunciada mais rapidamente e ser sólida o suficiente
para resolver o problema do banco.

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