O Estado de S. Paulo
O arranjo-puxadinho para a saída de Dias Toffoli é uma aberração. Se os pares defendem os atos processuais do colega, se consideram não haver razões para impedimento ou suspeição, por que ele deixou a relatoria do caso Master? Porque seguir a regra seria contratar uma epidemia de suspeições. Porque a guilda do Supremo preferiu negociar, na alcova, um acordo de compadres; assim, repare no texto dos togados, como se o ministro nos fizesse uma delicadeza ao se afastar – o cara que foi sócio, até fevereiro de 2025, de fundos geridos pelo cunhado de Daniel Vorcaro, fundos que operaram, em 2024, a transfusão artificial de liquidez para o Master. E que, ainda assim, manteve-se à frente do caso Master no STF. Por meses.
Por meses ocultando a informação sobre a
sociedade com investigado. Por meses governando – ou tentando governar –
conteúdos que o implicavam. Por meses ganhando tempo; manobrando para
limitar-minar o trabalho da Polícia Federal. Dias Toffoli – avalie isto sob o
peso da sociedade confirmada – administrou, ou tentou administrar, o material
coletado sobretudo na segunda fase da Operação Compliance Zero, a que teve por
objeto Fabiano Zettel, a fachada dos fundos a que o ministro se associara.
Sociedade que só admitiu – o timing importa –
quando divulgado que a PF remetera a Fachin os “achados” no celular do
banqueiro. Puxa! Em ato de generosidade, Dias Toffoli – porque quis, em nome de
“altos interesses institucionais” e para “o bom andamento dos processos” –
abdicou da relatoria; a jurisdição de repente transformada em bem de que o juiz
pode dispor como-quando quiser. Que homem! Magnânimo abdicador, por
conveniência, da relatoria de caso em que deveria – deverá – ser investigado.
Cadê Gonet? Está também fechado com o acordão?
Atenção. A PF não pediu a suspeição do
ministro. A PF mandou a Fachin, porque assim exige a lei, um relatório em que
lista indícios de crimes cometidos por Dias Toffoli no curso do processo que
relatava. Ilícitos penais. Foi essa a sangria, incontrolável, que Fachin e seus
dinos quiseram – tentaram – estancar. Resultado: temos o caso Master; tínhamos
o caso MasterDias Toffoli; e agora temos também o caso Master-STF.
O Supremo formalizou, blindando os seus
fazendeiros, a constituição do PSTF – um partido político. Formalizou; porque
desde há muito o tribunal constitucional toma decisões políticas para acomodar
soluções corporativistas. Formalizou a sua adesão à “operação abafa”. Aquilo –
aquela reunião a portas fechadas para decidir sobre matéria de ordem pública –
não pode passar por natural, como se prática aceitável. (Não haveria suspeita
de gravação clandestina, fosse “o diálogo” público.)
A forma importa. O tribunal constitucional brasileiro, trancando-se, comunica que escolheu proteger – não o STF, não a instituição – os ministros, os ministros-empresários; aqueles que aparecerão nas conversas e nos pagamentos de Vorcaro e seus operadores. Teremos relatório da PF com “achados” sobre a relação entre a turma do Master e Alexandre de Moraes?

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