sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Economia: 2026 começa com más perspectivas. Por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

Taxa de crescimento do PIB pode cair para 1,80% ao ano, em 2026 e 2027

Uma economia nacional abrange várias dimensões, como o seu Produto Interno Bruto (PIB), sua inflação, suas diversidades regionais e setoriais e outras, mas vou focar aqui principalmente no PIB, a mais importante.

Segundo o boletim Focus do Banco Central (BC), que recorre a previsões de analistas e operadores do mercado financeiro, na edição de 26 de dezembro, a previsão é de uma taxa de 2,26% para o PIB de 2025. Como a economia vinha crescendo a taxas próximas de 3,0%, iniciou-se a fase descendente de mais um ciclo econômico, ou de um voo de galinha.

A previsão desse mesmo boletim Focus é de um crescimento do PIB de 1,80% em 2026, se repetindo em 2027 e chegando a 2,0% em 2028, indicando que a fase baixa do voo da galinha se prolongaria por muito tempo. Ponho no condicional porque nesse longo tempo muita coisa pode acontecer, para o bem ou para o mal.

O que explicaria essa queda do crescimento do PIB? O governo Lula continuou sua tradição político-fiscal expansionista de gastos, gerou inflação e o BC recorreu a fortes aumentos da taxa Selic, trazendo-a para absurdos 15% ao ano, o que prejudicou o crescimento econômico já modesto que o País mostrava. Lula sempre se contentou com 3% para o PIB, taxa que alardeia como muito boa, mas queda foi um dos ingredientes que levou o País a perder sua posição de 10.ª economia mundial, passando à 11.ª. Ou seja, há países crescendo mais, mesmo no nosso grupo daqueles em desenvolvimento, que aqui é muito fraco.

Por que o Brasil não cresce bem mais? Essa é uma questão que infelizmente não é respondida pelos nossos políticos que estão aí. Nosso presidente só tem uma coisa na cabeça, o que pode reelegê-lo e atua nessa direção, gastando o que pode e o que não pode para atrair eleitores. O Congresso segue direcionado por seus interesses pessoais, como os altos gastos com emendas parlamentares e a defesa de interesses de grupos.

Como já ressaltei em artigos anteriores, seria preciso entender que um país se desenvolve mais se investir mais. Em outras palavras, o que faz uma economia crescer mais é a sua taxa de investimento, aquela parte de seu PIB que é destinada a ampliar investimentos em formação de capital, como aumentando empreendimentos existentes ou gerando novos, a exemplo de estradas, portos, aeroportos, fábricas, fazendas, estabelecimentos comerciais, escolas, hospitais e outros. Essa taxa de investimento caiu de 18,3% do PIB para 17,3% do PIB entre o primeiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023 e em qualquer caso deveria estar muito mais próxima de 25% do PIB, que seria necessário manter, sem oscilações negativas, para uma expansão mais sustentável do PIB a taxas mais satisfatórias e permanentes em termos de crescimento.

Ainda quanto à taxa de investimento, insisto que há uma questão estrutural. O setor público, após 1980, reduziu muito a sua própria taxa, que já alcançou perto de 10% do PIB e hoje está perto de apenas 2%, tendo ampliado muito os tais gastos sociais que levam principalmente a aumento do consumo e não da estrutura produtiva. O setor privado até que aumentou a sua taxa de investimento, que passou de 10% no início dos anos 1960 para 15% no princípio da década de 1980 e por aí ficando até hoje, provavelmente também desestimulado pela queda da taxa de investimento público relativamente ao PIB.

Voltando à questão do baixo crescimento, também repetindo minhas pregações anteriores, o Brasil vai demorar para sair dele, e duvido que isso aconteça no horizonte de vida que posso contemplar. Gostaria de estar errado. Não há conscientização nem da sociedade nem dos Poderes Executivo e Legislativo quanto ao assunto, dominados, como já dito, por outros interesses.

Um candidato a presidente disse que sua prioridade será o crescimento econômico, mas é preciso ir além, perguntando-lhe como pretende fazer isso. Espero que o período eleitoral seja aproveitado para buscar respostas a indagações como essa, o que, aliás, pretendo fazer. Lula, o candidato favorito, é mestre em responder com generalidades a perguntas como essa, mas agora estará diante de uma questão mais objetiva: como deixou que em seu governo o crescimento caísse de 3% para 2% ao seu final?

O certo é que em 2027 o Brasil precisa de um presidente disposto, primeiro, a colocar a casa em ordem na questão fiscal antes de se preocupar com a eleição de 2030. Seu sucesso lhe garantiria uma posição de honra na história nacional. Mas Lula, até aqui o favorito neste ano, mais provavelmente irá se preocupar em criar um sucessor petista na eleição de 2030, beneficiando-o com medidas populistas. Assim, o mais provável é que a “festa” vá continuar e o País siga dando os seus passinhos na esfera do crescimento.

Assim, olhando à frente, assunto é o que não vai faltar para este articulista escrever neste espaço. E como ontem foi 1.º de janeiro, aproveito para desejar a todos os leitores um feliz ano-novo.

 

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