quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MDB entre várias forças, por Míriam Leitão

O Globo

O MDB dividido já fechou alianças estaduais, mas deixou para a convenção em julho ou agosto a definição do apoio à Presidência

O presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, disse que o partido só vai decidir com que força política estará na eleição federal durante a convenção partidária, em julho ou agosto. Tratou como “opinião pessoal” a proposta do ministro Renan Filho de apoio ao presidente Lula. Revelou que, em apenas dois estados, o MDB está aliado ao PT na disputa estadual. Sobre a possibilidade de o partido ocupar a vice na chapa do presidente Lula, Baleia Rossi disse que só soube do tema “por ouvir falar”. Afirmou que se a ministra Simone Tebet não tivesse ido para o governo seria hoje a grande candidata de centro.

Em entrevista que me concedeu ontem na GloboNews, o presidente do MDB reafirmou que estará com o Tarcísio de Freitas, do Republicanos, na disputa em São Paulo. Nesta semana, Baleia Rossi se reuniu com o governador e publicou nas redes sociais que a aliança está sendo fortalecida.

Em nenhum momento ele aceitou a ideia de que o presidente Lula poderia ter o apoio do partido. No dividido MDB, parte dos estados apoia o governo, e parte apoia opções mais conservadoras. Ontem, o senador Renan Calheiros declarou que se Lula convidar o MDB para ser vice, conseguiriam maioria na convenção. Não é o que Baleia Rossi diz. Ele considera que a dinâmica do partido é diferente de outras legendas na hora da decisão.

— Eu acompanho e converso com outros líderes partidários. Temos boa relação com praticamente todos os presidentes nacionais. A dinâmica dos outros partidos, estatutariamente, é muito diferente. Vi uma entrevista do Valdemar Costa Neto, presidente do PL, em que ele diz que quem define é o Bolsonaro. E, de fato, o que a direção nacional determina acontece: eles mudam as lideranças nos estados. Com Gilberto Kassab, presidente do PSD, também há mais liberdade, com concentração de força na executiva nacional. Acontece com Antônio Rueda, do União, e Ciro Nogueira, do PP. No próprio PT, muitas vezes o presidente Lula interfere e a opinião dele é a que vale. Aqui não, o MDB não tem dono. Temos grandes lideranças, que têm o direito de terem sua opinião, mas o MDB é plural e diverso e tem diferenças regionais gritantes.

Segundo Baleia Rossi, o partido já tem palanques em diversos estados.

— No MDB há muita estabilidade. Não damos cavalo de pau.

Segundo ele, quem define para onde o MDB vai é o eleitor. Cada estado tem um número de delegados na convenção, escolhido de acordo com a votação do partido na última eleição para deputado federal.

— Temos no Centro-Sul um partido mais conservador, mais de centro-direita, no Nordeste um partido mais de centro-esquerda, no Sudeste um equilíbrio, no Norte também dividido. A beleza do MDB é que temos democracia interna que muitos não compreendem.

Ele disse que o governador Tarcísio de Freitas foi muito leal e presente na campanha de Ricardo Nunes à prefeitura, para ele, a maior vitória do partido no estado.

Na última eleição presidencial, o MDB teve candidatura própria, a de Simone Tebet. Baleia Rossi coordenou a campanha. Ele lamentou a polarização e disse que se houver uma candidatura de centro terá mais sinergia com o MDB.

— O PSD tem trabalhado com os governadores Ratinho Jr (Paraná), com o Ronaldo Caiado (Goiás), com o Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). São três governadores onde o MDB é parceiro. No Rio Grande do Sul, o vice de Eduardo Leite, Gabriel Souza, é o nosso candidato. No Paraná, o senador Álvaro Dias retornou ao MDB e é um grande quadro e parceiro de Ratinho. Em Goiás, o Daniel Vilela é vice e será o candidato a governador do Caiado. Temos muita sinergia com o PSD. Vou falar a minha opinião: acredito que uma candidatura ao centro tem mais sinergia com todo o MDB. Todo não, em grande parte. Hoje existe a possibilidade de o MDB não ter uma posição nacional tamanha as dificuldades de unir o partido.

Baleia Rossi disse que ficará muito triste se Simone Tebet sair do partido. “Ela é inteligente, muito capacitada e corajosa”, mas que, em São Paulo, a ministra não poderia ser candidata.

— Se Simone quisesse ser candidata do MDB ao Senado pelo Mato Grosso do Sul teria todo o apoio e condições de disputar. Em São Paulo, nós já temos palanque. A decisão não é do MDB, é da própria Simone. Não sei se mudará para São Paulo, mas se fizer essa mudança, ela vai para outro projeto. Não tem o compromisso do MDB.

 

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