quarta-feira, 4 de março de 2026

Agro, petróleo e minérios evitaram PIB menor em 2025, mas essa história vem de longe, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

País não cresceu na metade final do ano passado, mas resultado foi bom, dadas as condições

Juros altos apenas não explicam padrão e dificuldades do crescimento neste século

economia parou de crescer no segundo semestre do ano passado. Ainda assim, o PIB (Produto Interno Bruto) aumentou 2,3% em 2025. Razoável. Entre a Grande Recessão (2014-2016) e antes da epidemia (2020), a taxa média foi de 1,4% ao ano.

A queda de ritmo em relação aos 3,4% de 2024 era esperada, dadas as taxas de juros e limites da capacidade de produzir. O consumo privado parou de crescer na metade final do ano, o que não anima o humor da população.

Faz falta o centro democrático, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O Brasil já teve um núcleo político de ação e pensamento que dissolvia crises antes que virassem impasses

Submerso pela onda radical, esse pessoal tem a tarefa de emergir da nova geração que aguarda o toque de reunir

Outro dia, no trajeto para uma visita ao Museu de Identidades que Ronaldo Cézar Coelho fez em Vassouras (RJ) no restauro da Santa Casa de Misericórdia da região do Vale do Café, andei conversando sobre como faz falta o núcleo de ação política que dava conta da dissolução de crises antes que virassem impasses.

Éramos 20 no grupo primordialmente interessado no que será do amanhã de um Brasil fadado a escolher se renova o mandato de um presidente sem saber exatamente para quê ou se põe na Presidência um emergente da ala que obrigou o país a se defender do retrocesso democrático/civilizatório.

Eleições não são concursos de virtude, são disputas por maioria, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Supor que superioridade moral garante vitória pode impedir a leitura correta do país

A crença no próprio merecimento não substitui a necessidade de convencer maiorias reais

Pesquisas eleitorais recentes que projetam um crescimento das intenções de voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno, em hipotético confronto direto com Lula, incomodaram bastante a esquerda. Ora, estamos falando de projeção de segundo turno, que está entre as coisas mais hipotéticas e incertas do universo das sondagens eleitorais, ainda mais a esta distância do pleito. Por que, então, uma recepção tão alarmada da notícia?

Provavelmente porque muitos desse lado já andam, há tempo, de mãos dadas com a certeza de que Lula ganhará a eleição. Uma previsão eleitoral que não é vista como estimativa probabilística, mas como marcador moral e identitário: quem é do grupo tem que acreditar. Por isso, a informação que sugere que a derrota é possível produz tensão simbólica e afetiva notável, pois representa ameaça à identidade coletiva.

Guerra no Irã é o momento mais imprevisível no Oriente Médio em 50 anos, por Thomas L. Friedman

The New York Times / Folha de S. Paulo

Ofensiva contra Teerã é chance de derrubar teocracia, mas carrega risco de colapso e fragmentação do país

Impacto econômico pode ditar ritmo, mas guerra não deve obscurecer pressões sobre democracia nos EUA e em Israel

Para pensar com clareza sobre as guerras no Oriente Médio é preciso manter múltiplos pensamentos na cabeça ao mesmo tempo. É uma região complicada e caleidoscópica, onde religião, petróleo e política das grandes potências se entrelaçam em cada grande história. Se você está procurando uma narrativa preto no branco, talvez seja melhor jogar damas. Então, aqui estão meus quatro pensamentos sobre o Irã —pelo menos por hoje.

Primeiro: espero que esse esforço para derrubar o regime clerical em Teerã tenha sucesso. É um regime que assassina seu povo, desestabiliza seus vizinhos e destruiu uma grande civilização. Não há evento único que faria mais para colocar todo o Oriente Médio em uma trajetória mais decente e inclusiva do que a substituição do regime islâmico de Teerã por uma liderança focada exclusivamente em permitir que o povo iraniano realize seu pleno potencial com uma voz real em seu próprio futuro.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regras para uso de IA nas eleições são bem-vindas

Por O Globo

Embora elas não garantam, sozinhas, um ambiente saudável de campanha, TSE faz bem em conter desinformação

São sensatas as normas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para uso de inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral deste ano. O objetivo é combater a desinformação que costuma contaminar as redes sociais, onde nem tudo é o que parece. Com a facilidade de acesso às ferramentas de IA, capazes de conferir verossimilhança incrível a vídeos e áudios sem nenhuma conexão com a realidade (chamados deepfakes), o eleitor se torna presa fácil de manipuladores.

Poesia | Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira

 

Música | Chico Buarque & Wilson das Neves - Grande Hotel