Folha de S. Paulo
'Seu Jair' e família colecionam perdas
cavadas pelas próprias mãos e a poder de reiterados tiros nos pés
A presença do sobrenome na eleição
presidencial seria o último refúgio dos campeões de danos autoinfligidos
Uma das várias questões em aberto sobre a
eleição deste ano é se Flávio Bolsonaro (PL) manterá sua
candidatura à Presidência da República. Outra diz respeito ao grau
de influência do sobrenome do ex-presidente nas disputas país afora e uma
terceira tem a ver com o volume de perdas que atingem a família e companhia.
O pai, preso sem chance por ora de cumprir pena em regime domiciliar e apontado nas pesquisas como responsável pelos próprios erros; o primogênito, alvo de enorme rejeição, arrisca-se a perder a renovação quase certa do mandato de senador pelo Rio de Janeiro.
O filho do meio (Carlos), bombardeado por
seus pares da direita, insatisfeitos com sua candidatura ao Senado por Santa
Catarina; a madrasta (Michelle),
boa de palanque, escanteada pelos enteados; o caçula dos homens
(Jair Renan) nada significa para o clã como vereador em Balneário Camboriú.
E Eduardo? Bem, este é um caso especial em
matéria de infortúnios cavados com as próprias mãos a poder de reiterados tiros
nos pés.
Perdeu o mandato de deputado, perdeu a chance
de se eleger senador por São Paulo, perdeu a condição (falsa, vimos depois) de
interlocutor do governo Donald Trump, perderá, tudo
indica, o emprego público que lhe rendia estabilidade como
escrivão da Polícia Federal que determinou sua volta imediata ao posto.
O ex-deputado afirma não ter intenção de
retornar dos Estados Unidos onde antes de ser cogitado pelo pai presidente para
comandar a embaixada brasileira, fritou hambúrgueres. Talvez encontre alguma
ocupação por lá se conseguir se legalizar como imigrante. Por aqui, o que o
aguarda é um processo no Supremo Tribunal Federal por obstrução de Justiça.
Observando o quadro sob o prisma da adversidade
que assola Jair Bolsonaro e seus herdeiros, de fato faz sentido a presença de
um familiar na disputa pela Presidência. Um tiro alto para manter o nome da
tribo em voga ao longo da campanha é o refúgio que resta aos campeões nacionais
de prejuízos autoinfligidos.

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