domingo, 4 de janeiro de 2026

As desventuras em série do clã Bolsonaro. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

'Seu Jair' e família colecionam perdas cavadas pelas próprias mãos e a poder de reiterados tiros nos pés

A presença do sobrenome na eleição presidencial seria o último refúgio dos campeões de danos autoinfligidos

Uma das várias questões em aberto sobre a eleição deste ano é se Flávio Bolsonaro (PL) manterá sua candidatura à Presidência da República. Outra diz respeito ao grau de influência do sobrenome do ex-presidente nas disputas país afora e uma terceira tem a ver com o volume de perdas que atingem a família e companhia.

O pai, preso sem chance por ora de cumprir pena em regime domiciliar e apontado nas pesquisas como responsável pelos próprios erros; o primogênito, alvo de enorme rejeição, arrisca-se a perder a renovação quase certa do mandato de senador pelo Rio de Janeiro.

O filho do meio (Carlos), bombardeado por seus pares da direita, insatisfeitos com sua candidatura ao Senado por Santa Catarina; a madrasta (Michelle), boa de palanque, escanteada pelos enteados; o caçula dos homens (Jair Renan) nada significa para o clã como vereador em Balneário Camboriú.

E Eduardo? Bem, este é um caso especial em matéria de infortúnios cavados com as próprias mãos a poder de reiterados tiros nos pés.

Perdeu o mandato de deputado, perdeu a chance de se eleger senador por São Paulo, perdeu a condição (falsa, vimos depois) de interlocutor do governo Donald Trump, perderá, tudo indica, o emprego público que lhe rendia estabilidade como escrivão da Polícia Federal que determinou sua volta imediata ao posto.

O ex-deputado afirma não ter intenção de retornar dos Estados Unidos onde antes de ser cogitado pelo pai presidente para comandar a embaixada brasileira, fritou hambúrgueres. Talvez encontre alguma ocupação por lá se conseguir se legalizar como imigrante. Por aqui, o que o aguarda é um processo no Supremo Tribunal Federal por obstrução de Justiça.

Observando o quadro sob o prisma da adversidade que assola Jair Bolsonaro e seus herdeiros, de fato faz sentido a presença de um familiar na disputa pela Presidência. Um tiro alto para manter o nome da tribo em voga ao longo da campanha é o refúgio que resta aos campeões nacionais de prejuízos autoinfligidos.

 

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