O Estado de S. Paulo
O divisor de águas para uma tomada de posição
do mercado sobre as eleições será o dia 4 de abril
Foi relativamente tímida a reação do mercado à primeira pesquisa de intenção de voto do ano para a eleição presidencial, divulgada na semana passada. Além de a pesquisa mostrar um cenário praticamente inalterado em relação à virada do ano, com o presidente Lula (PT) mantendo-se na liderança e o senador Flávio Bolsonaro (PLRJ) consolidando-se em segundo lugar, a maioria dos investidores ainda não mexeu na alocação das suas carteiras mirando o desfecho de quem sairá vencedor do pleito.
Apesar de Tarcísio de Freitas (Republicanos) repetir que irá concorrer à reeleição ao governo paulista e que seu candidato na chapa presidencial é Flávio, os investidores mantêm, lá no fundinho do coração, a esperança de uma reviravolta e de que o nome da direita a disputar com Lula em outubro será o de Tarcísio. Ou seja, caso isso venha mesmo a acontecer – Flávio desistindo da candidatura ou, ao menos, de ser cabeça de chapa –, os preços dos ativos devem reagir estrepitosamente à injeção de otimismo da Faria Lima.
Não porque os investidores consideram
necessariamente que Flávio faria uma gestão pior à frente do Palácio do
Planalto do que um eventual governo Tarcísio, mas porque veem o governador
paulista como o único em condições de derrotar Lula na sua busca à reeleição.
Na visão de vários gestores de fundos, estrategistas e economistas, a rejeição
de Flávio no eleitorado é proibitiva e desautoriza qualquer aposta mais firme
do mercado na vitória do senador sobre o petista. Na última pesquisa
Genial/Quaest, Flávio registra rejeição de 55%, enquanto o índice de Tarcísio é
de 43%.
Quando, afinal, os investidores vão fazer um
posicionamento substancial e definitivo na Bolsa, no dólar e nos juros sobre o
desfecho da eleição presidencial? O dólar poderá disparar caso Lula seja
reeleito ou recuar muito ante o real se o nome da direita sair vencedor? Para
onde vai a Bolsa em cada um desses cenários? Como será o comportamento dos
investidores estrangeiros – voltando em massa ou fugindo do País – com o
resultado da eleição presidencial?
O divisor de águas para uma tomada de posição
firme do mercado será o dia 4 de abril, quando a desincompatibilização obriga
um candidato a se afastar de cargos públicos para disputar um mandato. No
pleito presidencial, é nessa data que Tarcísio precisaria deixar o governo
estadual para cumprir a exigência de seis meses de afastamento do cargo. Será a
partir de então que a eleição entrará, de vez, no preço do mercado. E a
sensibilidade às pesquisas de intenção de voto será maior. •

Nenhum comentário:
Postar um comentário