sábado, 24 de janeiro de 2026

Cláudio Castro é tragado para o caso Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Operação Barco de Papel apura suspeitas de operações financeiras irregulares no Rioprevidência

Castro se junta ao governador Ibaneis Rocha (DF), que bancou a compra do Master pelo BRB, na lista de autoridades que têm muito a explicar

O esquema de fraudes de Daniel Vorcaro arrastou para o centro da crise do Banco Master o governador do Rio, Cláudio Castro, após a operação Barco de Papel, da Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades no fundo de previdência dos servidores do estado, o Rioprevidência.

Castro, no mínimo, deve explicações por ter mantido no cargo o presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, um dos alvos das investigações e exonerado somente nesta sexta (23) após a operação. Ele está fora do país.


Antunes esteve no cargo no período da aplicação de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras do Master, papéis emitidos por bancos que não contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Os indícios de irregularidades já estavam estampados nas páginas dos jornais muito antes da operação. As suspeitas foram citadas por investigadores na primeira fase da operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro, em novembro do ano passado.

A aquisição desses ativos, que não encontravam muito apetite por parte de investidores privados, foi considerada pelo Ministério Público Federal incompatível com a natureza dos fundos de pensão, que devem buscar segurança e liquidez para garantir a aposentadoria de seus beneficiários.

Castro não fez nada para reagir ao escândalo. Dificilmente não estava ciente de uma movimentação financeira tão elevada. Era um ativo ruim de um banco visto, há muito tempo, com desconfiança pelo mercado.

O governador do Rio não está sozinho nessa encrenca. Institutos que pagam aposentadorias a servidores municipais e estaduais aplicaram R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Master. O fundo Amprev (Amapá) investiu R$ 400 milhões, e o Iprev, de Maceió, comprou R$ 97 milhões.

A PF começa a chegar aos assessores de entes públicos que receberam propina para expandir um esquema que ajudou a agigantar a atuação do Master.

Castro se junta ao governador do Distrito FederalIbaneis Rocha, que bancou a compra do Master pelo BRB, na lista de autoridades que têm muito a explicar.

 

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