quarta-feira, 11 de março de 2026

O roubo do Brasil, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

Um dia vamos nos dar conta de que o Brasil foi roubado. Tiraram, vão estampar as manchetes, o nosso sistema financeiro e sistema legal, bem como nossa ética. O governo – seremos informados – não governa para nós, mas para ele. Quem pensava que governo e sociedade marchavam juntos hoje sabe que as elites estão roubando o Brasil pelo Brasil.

Desde Cabral e com d. João VI, a sociedade foi construída por nobres que daqui tiraram o que podiam. Como se faz até hoje, o controle de pontos-chave do sistema pertence a gente pronta a receber parceiros com a vorcaridade de um Daniel Vorcaro, um banqueiro cujo banco acumulava e distribuía recursos a uma rede de amigos.

Fechando as torneiras, Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O choque na oferta de petróleo pode ir além dos efeitos com o fechamento do Estreito de Ormuz

O presidente Donald Trump prometeu que a guerra contra o Irã poderá acabar em breve, mas, sem a capitulação efetiva dos iranianos à vista, o temor do mercado migrou de um novo pico de preço do petróleo no curto prazo para o quanto de destruição da oferta resultará da perda de produção pelos principais países do Golfo Pérsico. O esforço é para prever quanto tempo a cotação do barril permanecerá em patamar elevado, afetando a inflação e também o crescimento da economia global.

De um lado, há os eventuais estragos ou destruição total de instalações, como refinarias e oleodutos; de outro, há a interrupção da extração de petróleo, uma vez que, sem ter como escoá-lo pelo Estreito de Ormuz, a capacidade de armazenamento dos países da região está se esgotando rapidamente.

Uma nova ameaça ao Brasil, por Marcelo Godoy

O Estado de S. Paulo

Assessor de Trump disse a generais de 16 países que não se deve respeitar as leis na guerra ao tráfico

Diante de Stephen Miller em Doral, na Flórida, havia uma plateia de ministros da Defesa e generais de 16 países da América Latina. O vice-chefe de gabinete do presidente dos EUA defendeu, no início de sua fala de nove minutos, transformar as Forças Armadas da região em caçadores de bandidos e de imigrantes ilegais, degradando militares e submetendo a soberania dos países aos interesses americanos.

“Sob a liderança do presidente Trump, estamos usando o poder coercitivo, o poder militar, a força letal para proteger e defender a pátria americana”, confessou. As palavras têm seu peso.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cerco a policiais corruptos é essencial para deter o crime

Por O Globo

Operações em RJ e SP miram em agentes que atuam como os bandidos a quem deveriam reprimir

São oportunas e necessárias as operações deflagradas em São Paulo e no Rio de Janeiro nas últimas semanas para prender policiais que, valendo-se do escudo de agentes da lei, atuam como os bandidos a quem deveriam reprimir. Tais desvios representam uma anomalia numa sociedade que, fustigada pela violência e pelo crime organizado, deposita suas esperanças nas instituições. É fundamental investigá-los a fundo, identificar os responsáveis e levar a julgamento.

Trump piscou e começou a amarelar ou o Irã já está quase destruído? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Forças armadas dos aiatolás dão menos de 10% dos tiros que davam no início da guerra

Anúncio do fim próximo da guerra pode ter sido apenas meio de conter pânico

Donald Trump tentou conter o pânico no mercado de petróleo na segunda. Conseguiu, por ora. O barril do Brent chegou a baixar a US$ 84, nesta terça. Teve repique, mas essa é outra história. A possibilidade de que os países mais ricos liberassem petróleo de suas reservas estratégicas, um paliativo bem provisório, ajudou, assim como a volta de algum tráfego no estreito de Hormuz (uns 10% da média diária de navios).

Ainda não se sabe se Trump amarelou (TACO, "Trump Always Chickens Out", Trump Sempre Amarela ou Arrega). Se sabia o que estava dizendo. Se uma destruição significativa das armas iranianas permitiria ao menos um avanço da hipótese de "fim da guerra", embora não de fim do conflito —a distinção é importante. Na sexta passada, Trump dizia que a guerra acabaria apenas em caso de "rendição incondicional" do Irã ou de destruição total da capacidade militar do país.

Camaradas ministros, limpem sua bagunça, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Bajulação institucionalizada dá a autoridades falsa sensação de superioridade

Percepção equivocada contribuiu para erros de conduta de juízes do STF

Numa coisa os comunistas tinham razão. Do mais reles cidadão soviético ao todo-poderoso secretário-geral do partido, eles se tratavam sempre por "camarada". A fórmula funcionava como um memento mori, lembrando os dignitários de que, de direito, ainda que não de fato, todos são iguais. O "citoyen" da Revolução Francesa tinha a mesma função.

Por aqui, juízes se fazem chamar de "Vossa Excelência". Na mesma toada vão autoridades do Executivo e do Legislativo. Os presidentes da República, do Congresso e do STF (e apenas eles) ainda fazem jus ao superlativo: "Excelentíssimo Senhor Presidente...". Sim, essas questiúnculas estão regulamentadas por regimentos e portarias. Incrementalistas podem celebrar o fato de que o mais arcaico "meritíssimo" vai caindo em desuso.

O difícil, mas não impossível, caminho do meio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Os três tenores de Kassab apostam na batalha das rejeições para romper a barreira dos favoritos

Ratinho, Leite e Caiado dividem os discursos em abordagens diferentes como se um completasse o outro

A percepção de fadiga moral no chamado sistema é sempre pior para quem está no governo, a representação do "tudo isso que está aí", a conjuntura vigente.

Daí se depreende que o derretimento da reputação nas e das instituições tende a cair na conta do presidente da República candidato à reeleição e talvez nos apoiados por ele nos estados.

A novela do poder oculto que assombra a democracia liberal, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Quando dinheiro e poder se encontram nas sombras, a confiança pública colapsa

Revelações alimentam a sensação de que a República inteira cabe na algibeira de um banqueiro

Estamos no meio de mais uma sequência de revelações da novela "O Complô", transmitida 24 horas por dia pelos celulares de todos os brasileiros. Agora, além da trama amorosa exposta pelos vazamentos, temos a suspeitíssima troca de misteriosos bilhetes digitais que as revelações atribuem ao banqueiro e um membro da Suprema Corte. Difícil decidir qual dos enredos nos enrubesce mais.

Que os personagens principais são complexos, não há dúvida. De um lado, um banqueiro que não era bem banqueiro, que gastava como um príncipe herdeiro de alguma casa real dos Emirados Árabes e traficava —e exibia— influência neste paraíso tropical com desarmante desenvoltura. De outro, o juiz celebrado como herói da democracia, última linha de zaga contra a investida golpista do bolsonarismo.

Vamos conversar sobre o futuro incerto da proteção social, por Antônio Márcio Buainain

Jornal da Unicamp

Se há algo que precisa ser enfrentado com clareza no sistema vigente, é sua natureza historicamente desigual

No artigo anterior discutimos como o Estado passou a operar sob emergência quase permanente. A conversa agora é outra: o que acontece com a proteção social quando as instituições responsáveis por sustentar a vida social permanecem organizadas segundo uma realidade que já mudou?

A proteção social brasileira nunca foi justa nem universal. Vem sendo construída de forma fragmentada, refletindo hierarquias sociais e pactos políticos específicos. Ao longo do tempo, registrou avanços reais: ampliou direitos, incorporou milhões de pessoas e estruturou mecanismos de renda e assistência. Mas manteve a matriz originária, marcada por profundas desigualdades: regimes privilegiados, benefícios desproporcionais e exclusões persistentes de trabalhadores informais fizeram com que a proteção alcançasse sobretudo quem já estava integrado ao mercado formal ou ocupava posições protegidas – como servidores públicos e algumas carreiras especiais. Milhões ainda estão à margem em um arranjo moldado pelas disputas e compromissos políticos de cada período.

Entrevista | Pablo Spinelli: Oscar 2026 servirá para os historiadores apontarem como Trump voltou, diz professor.

Por Vagner Gomes / Edição e introdução: Marcio Junior

Mais uma cerimônia de entrega dos Prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar, se aproxima. Fechando a temporada anual de premiações concedidas às produções cinematográficas, é considerada a principal distinção da indústria cinematográfica mundial e reúne produções, diretores, atores e técnicos que se destacaram ao longo do último ano. Além do reconhecimento artístico, o evento costuma mobilizar grande atenção da imprensa e do público, funcionando também como um momento de visibilidade para debates mais amplos sobre cultura, sociedade e política nos Estados Unidos e no mundo.

Talvez surpreendentemente, a safra de filmes produzidos entre a última cerimônia do Oscar e a que ocorrerá neste domingo (15) foi de excelente qualidade. Nesse conjunto, o Brasil ocupa lugar importante com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, um ano depois de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, sagrar-se vencedor na categoria de Melhor Filme Internacional, além da presença de Adolpho Veloso, diretor de fotografia em destaque na temporada de premiações por Sonhos de Trem, dirigido por Clint Bentley. O Agente Secreto e Adolpho figurarem entre essas obras não é pouca coisa.

Já se tornou tradição o Voto Positivo entrevistar o professor Pablo Spinelli às vésperas do Oscar. Doutorando em Ciência Política pela UNIRIO e também colunista do blog, Spinelli consolidou-se como nosso principal intérprete da premiação. Desta vez, porém, ele fala diante de um cenário internacional ainda mais difícil, ainda mais aprofundado por guerras e pelo uso da força em detrimento da via diplomática, no qual o Brasil pode contribuir com suas vocações civilizatórias. “Até hoje eles não entendem como um país do Sul do Mundo conseguiu manter a sua democracia”, diz, “somos o espelho invertido deles, pela constituição de nosso iberismo e americanismo aqui.”

Confira a entrevista:

Poesia | Vinicius de Moraes - Soneto de Fidelidade.

 

Música | Samba na Gamboa - Teresa Cristina - Se tivesse dó (Zeca Pagodinho )