domingo, 15 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Regulação do uso militar da IA é urgente

Por o Globo

Batalha da Anthropic contra governo americano é a mais relevante para futuro de guerras

A batalha militar mais relevante para o futuro do mundo não é travada hoje no Oriente Médio ou na Ucrânia, mas dentro dos Estados Unidos. Envolve o uso da inteligência artificial (IA) como arma e opõe o governo Donald Trump a uma das líderes no mercado de IA, a californiana Anthropic. O secretário da Guerra — nome ainda não aprovado pelo Congresso —, Pete Hegseth, anunciou a classificação da empresa como “risco à cadeia de suprimentos”, categoria em geral reservada a corporações estrangeiras cujos produtos são vistos como ameaça à segurança nacional. O motivo alegado é a recusa do CEO da Anthropic, Dario Amodei, em permitir qualquer aplicação de seus produtos. Amodei quer vetar uso para “vigilância em massa” ou “armas autônomas”, mesmo que não haja ilegalidade.

Direita pode ganhar eleição por ter quebrado um banco, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Quando Toffoli ou Moraes protegem Vorcaro, quem escapa da cadeia é a direita brasileira

STF só chegou no final do escândalo

Do jeito que as coisas vão, há boas chances de a direita brasileira ganhar a Presidência como recompensa por ter quebrado um banco.

Ah, dirá o leitor, tem gente de esquerda enrolada no Master. Bom, tinha muito mais gente de direita no petrolão do que tem gente de esquerda no Banco Master. É um escândalo de Faria Lima e igreja evangélica, dois ambientes com poucos esquerdistas.

Isso não é um penduricalho, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

No juízo dos juízes gravou-se a bico de pena a retórica de um bacharelismo que sempre fez uso eufemístico da língua para fins de manipulação

Palavras importam, conceitualizar preside à formação dos quadros cognitivos

Na discussão pública sobre a exorbitância salarial no Judiciário, uma juíza embirrou com a palavra penduricalho: "Não se trata disso, fique registrado". Deixou implícita a necessidade de outro nome. É o que a crítica de Roland Barthes chamava de "desnominação", isto é, trocar a palavra certa por um desvio palatável. Algo assim como, no passado, um partido político deveria se chamar "união de latifundiários e conservadores", mas escolhia União Democrática Nacional (UDN).

Michel Temer vê um Brasil disfuncional, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Observador engajado da cena nacional, o ex-presidente confessa que não está gostando nada do que vê

Na opinião dele, há uma indiferença geral nos três Poderes ao que dizem os mandamentos da Constituição

O ex-presidente Michel Temer (MDB) é um espectador engajado da cena nacional que, confessa, não está gostando do que vê: uma completa disfuncionalidade institucional. Na opinião dele, fruto da indiferença dos três Poderes ao que diz a Constituição.

A começar pelo atropelo do preâmbulo que estabelece o compromisso com "a solução pacífica das controvérsias". A dinâmica de uns anos para cá é inversa. Obedece a lógica do atrito permanente e reage mal, com agressividade, às divergências.

O Lula das sortes tem poucos meios de lidar com o azar das sujeiras de Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

No final da semana passada, efeito da guerra no mercado de juros ficou preocupante no Brasil

Petróleo mais alto por mais tempo pode elevar PIB e fazer estrago político na inflação

Em fevereiro, os donos do dinheiro grosso acreditavam que a taxa básica de juros, a Selic, baixaria de 15% para 12% ao ano até fins de 2026.

Essa crença, digamos, pode ser medida pelos preços do atacadão do mercado de dinheiro, que define o custo de financiamento da dívida do governo e uma espécie de piso para as demais taxas de juros, dos bancos ao mercado de capitais.

Morre o filósofo alemão Jürgen Habermas, aos 96 anos

Por O Globo com agências internacionais 

Autor de obra extensa, ele foi um dos nomes centrais do pensamento europeu do pós-guerra

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, no sul da Alemanha. A morte foi informada pela editora Suhrkamp. Com uma obra que atravessou a filosofia, a sociologia e a teoria política, Habermas foi um dos nomes centrais do pensamento europeu do pós-guerra.

Considerado uma das vozes mais influentes do debate público alemão nas últimas décadas (e o intelectual alemão mais influente de sua geração), Habermas ficou associado a reflexões sobre democracia, racionalidade e vida em sociedade. Seu trabalho ajudou a consolidar conceitos como o da esfera pública e o da ação comunicativa, que se tornaram referências dentro e fora da academia.

Morre Jürgen Habermas, um dos filósofos mais influentes de sua geração, aos 96 anos

Maurício Tuffani / Folha de S. Paulo

Alemão é dono de obra sobre o conceito de esfera pública

Morte foi confirmada por sua editora, Suhrkamp

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do mundo, morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em Starnberg, perto de Munique. A informação foi confirmada pela Suhrkamp Verlag, editora que publica seus livros.

Habermas era de uma família simpatizante do nazismo e foi membro da Juventude Hitlerista. Aos 15 anos integrou a milícia de jovens e idosos recrutados para resistir à invasão da Alemanha no fim da Segunda Guerra Mundial. Anos depois, ele se tornou um dos principais filósofos da Escola de Frankfurt, formada por pensadores marxistas e judeus exilados do país para fugir da perseguição nazista.

Nascido em 18 de junho de 1929 em Dusseldorf, em uma família protestante muito tradicional, Habermas era o filho do meio do casal Ernst e Grete. O garoto foi submetido a duas cirurgias corretivas da fissura palatina.

De origem genética, essa má-formação no céu da boca dificultou sua fala e seus relacionamentos, tornando-o um jovem tímido e, mais tarde, um adulto que precisou aprender a lidar com o próprio comportamento retraído. Esse problema o sensibilizou para elaborar uma filosofia voltada para a importância da comunicação em uma sociedade democrática.

Filósofo alemão Jürgen Habermas, teórico da ‘esfera pública’, morre aos 96 anos

Por Matheus Mans / O Estado de S. Paulo

Ele recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004)

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos principais pensadores sobre democracia e “esfera pública”, morreu neste sábado, 14, aos 96 anos. A informação foi confirmada pela sua editora, Suhrkamp.

Ele faleceu em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A causa da morte não foi confirmada.

Quem era Habermas?

Jürgen Habermas nasceu em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf.

De 1949 a 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em Göttingen, Zurique e Bonn.

Lecionou, entre outras instituições, nas Universidades de Heidelberg e Frankfurt am Main, bem como na Universidade da Califórnia, Berkeley, e foi diretor do Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida do Mundo Científico-Técnico, em Starnberg.

Jürgen Habermas recebeu inúmeros doutorados honoris causa e prêmios, incluindo o Prêmio da Paz da Indústria Livreira Alemã (2001) e o Prêmio Kyoto (2004).

A segunda morte de Antonio Gramsci? Por Ivan Alves

O italiano Antonio Gramsci teve uma vida trágica. Nascido em 1891, ainda quando criança pastoreava ovelhas nas montanhas da sua Sardenha natal, passando meses a fio isolado de tudo e de todos. Aos 20 anos de idade, partiu para a região do Piemonte, destacando-se como articulista em um jornal socialista, até se tornar um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI), ao lado de Palmiro Togliatti e outros companheiros. Participou dos sovietes de Turim, influenciados pelo desenrolar dos acontecimentos que marcaram a Revolução de Outubro de 1917, na velha Rússia. Preso em 1926, quando era secretário-geral do PCI, Gramsci morreu em um hospital militar, após mais de dez anos na prisão. O ditador fascista Benito Mussolini dizia que era preciso fazer com que aquele cérebro parasse de pensar. 

Poesia | Sabedoria é não entender, de Clarice Lispector

 

Música | Caetano Veloso - Reconvexo