O Globo
Autorização concedida pelo ministro para
busca e apreensão contra jornalista tende a ameaçar direito de preservar fontes
O ministro Alexandre
de Moraes é experiente. Ele determinou uma operação de busca e
apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. O
ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos
e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar numa investigação
sigilosa.
Investigação de que? De um eventual uso indevido de um carro oficial pelo ministro Flávio Dino. Fica combinado assim.
Ex-procurador e ex-secretário de Segurança de
São Paulo, Moraes pode estar golpeando o direito de todos os jornalistas de
preservar a identidade de suas fontes. Nesses equipamentos quase todos os
jornalistas guardam documentos, transcrições de conversas e até mesmo pistas
para eventuais reportagens. São acervos que, em alguns casos, armazenam mais
informações que um mês de grampos.
À primeira vista, o caso envolve um
jornalista maranhense, que escreveu contra Flávio Dino, seu colega de Supremo.
Seria um caso despiciendo.
À segunda vista, mesmo que essa não fosse sua
intenção, atacou o exercício da profissão de todos os jornalistas. Atento aos
avanços da tecnologia, Moraes quer apreender até mesmo dados guardados em
serviços de armazenamento em nuvem.
Moraes cria um precedente: busca nos
equipamentos de Luís Pablo Conceição Almeida a história de um carro oficial que
teria sido usado por Flávio Dino. A pontaria desse tiro pode ir mais longe.
A renúncia de Cláudio Castro
Se o governador do Rio, Cláudio Castro,
renunciar para tentar preservar sua elegibilidade, o tempo terá mostrado o
preço da eleição de Wilson Witzel, na onda antipetista de 2018 e da reeleição
de Castro. Witzel teve trabalho para conseguir um vice e contentou-se com
Cláudio Castro.
Deposto em 2020, entregou o cargo a Castro,
que viria a se reeleger em 2022, com quase 60% dos votos.
Os mimos de Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro tinha um gosto
pelo espetáculo e um agudo sentido de oportunidade. Em setembro de 2023, quando
ele começou a brilhar no mercado, torrou R$ 363 milhões com uma festa em
Taormina, na Itália.
Em dezembro Vorcaro lançou o nome do ministro
Alexandre de Moraes em sua agenda. Meses depois o Master contratou a banca
Barci de Moraes, da mulher e dos filhos do ministro. A essa época o Banco
Central começava a prestar atenção nos números do Master.
Em abril, Vorcaro co-patrocinou uma farofa em
Londres enfeitada, entre outros, por Moraes e Dias Toffoli. Num ágape lateral,
bancou um “serviço de degustação Macallan no George Club” que lhe custou R$ 3,3
milhões.
Em setembro de 2024, a Polícia Federal passou
a investigar o Master. Em novembro o Banco Central deu seis meses para que o
Master acertasse suas contas.
Em dezembro, Vorcaro conseguiu que o ex-ministro
Guido Mantega lhe abrisse a porta do gabinete de Lula.
Não adiantou, em novembro de 2025, depois de
vários ultimatos, o Banco Central liquidou o Master.
Lula SuperStar
Na semana passada Lula não foi à posse do
novo presidente do Chile, o direitista José Antonio Kast, que havia convidado
Flávio Bolsonaro para a cerimônia.
Tudo bem, Lula Superstar telefonou para o
presidente Gustavo Petro, da Colômbia, e para Claudia Sheinbaum, do México,
porque Donald
Trump quer classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando
Vermelho como organizações terroristas, coisa que não são. Alta diplomacia.
Lula poderia ter ligado também para o
prefeito Eduardo Paes. A polícia Federal acabava de prender o vereador Salvino
Oliveira (PSD), seu ex- secretário da Juventude. O doutor é acusado de uma
conexão eleitoral com o traficante Edgar Alves de Andrade, do Doca, um dos
chefes do Comando Vermelho no Rio. Em tese, Paes é um aliado de Lula.
Outro assunto interessante para a conversa
com Paes seria a prisão de 15 PMs do Rio que integravam a equipe de segurança
do bicheiro Rogério Andrade.
Em outubro, Lula terá o voto dos colombianos
e mexicanos preocupados com a segurança pública.
Os votos do Rio
Quem conhece a política do Rio teme que, na
reta final da campanha, Eduardo Paes se afaste de Lula, aproximando-se de
Flávio Bolsonaro.
A fonte da fortuna
Enquanto a revista Forbes colocava o
brasileiro Eduardo Saverin no topo da lista de bilionários brasileiros, com US$
35,9 bilhões, soube-se que Mark
Zuckerberg está de olho numa casa de US$ 170 milhões.
Ela fica em Miami tem nove suítes, 11
banheiros e quatro lavabos em 7,3 mil metros quadrados de terreno.
A casa ainda está em obras. Em dezembro
passado, o dono da casa pedia US$ 200 milhões.
Em 2004, Saverin era um colega de turma de
Zuckerberg em Harvard e acreditou na ideia de criar o Facebook (atual Meta). De
lá para cá, os dois administraram seus patrimônios com rara competência. Desde
2009, ele vive em Singapura.
Vagas no STF
Pelo calendário gregoriano, o próximo
presidente da República nomeará pelo menos três novos ministros para o Supremo
Tribunal. A aposentadoria dos ministros do STF é compulsória ao completar 75
anos, conforme a “PEC da Bengala” (2015). A próxima vaga principal é de Luiz Fux (2028),
seguida por Cármen Lúcia (2029) e Gilmar
Mendes (2030).
Se a bandeira do impedimento de algum
ministro prosperar, as vagas serão quatro ou cinco.
Rendição incondicional
Nenhum americano chegou à Casa Branca com um
grau de ignorância da História dos Estados Unidos comparável à de Donald Trump,
quando ele disse que os ataques ao Irã continuarão até que seu governo ofereça
uma “rendição incondicional”.
Ele ouviu o galo cantar, mas não sabia onde.
Não há registro desse tipo de rendição sem ocupação territorial. Trump gostou
da expressão e apropriou-se dela. Rendições incondicionais ocorreram em 1945
com a Alemanha e o Japão, que nem incondicional foi, pois o imperador Hirohito
continuou no trono.
A expressão popularizou o general Ulysses S.
Grant, comandante das tropas do Norte durante a Guerra Civil. Em 1862 ao atacar
o forte Donelsen, ele exigiu uma “rendição incondidional e imediata”. Essa foi
a primeira grande vitória do Norte e fez 12 mil prisioneiros. Grant, um sujeito
que havia fracassado em tudo na vida, passou a ser conhecido como Unconditional
Surrender Grant.
Acabou na Casa Branca e fez um governo desastroso.

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