Já vimos esse filme
Por CartaCapital
Como de hábito, a repulsa à corrupção serve a
interesses eleitorais e ideológicos
No teatro da indignação calculada, há quem
sinta saudades do velho bordão do apresentador Boris Casoy: “É preciso passar o
Brasil a limpo”. Nos jornais, sites, tevês e redes sociais, os candidatos a
porta-vozes do udenismo continuam, no entanto, disponíveis. Um velho
guerrilheiro contra a ditadura propôs o fechamento do Supremo Tribunal Federal.
O colunista imortal acordou as vivandeiras dos quartéis. Por ele o País foi
informado da “inquietação” nas Forças Armadas, desmoralizadas pela omissão ou
conivência com a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro e Walter Braga
Netto, com o que consideram o êxito da impunidade na Corte. É um truque
enfadonho, de tão manjado, as notícias apócrifas na mídia a respeito de um suposto
incômodo dos generais em momentos de crise do poder civil, sejam reais ou
fabricadas. Quanto ao mal-estar nas casernas e nos clubes militares,
recomendam-se gotas de Luftal.