Correio Braziliense
Lula fará uma visita de Estado a Washington
em março. Esse é o mais importante sinal de que a diplomacia brasileira está
trabalhando bem para tourear Donald Trump
Há algum tempo, tenho alertado o leitor para o fato de que o candidato da oposição à Presidência da República deve ser Carlos Massa, o Ratinho Junior, governador do Paraná. Ele, com 44 anos, é muito bem avaliado em seu estado, trabalha com ideias e práticas liberais. Trata-se da alternativa natural a Tarcísio de Freitas. O Governador de São Paulo prefere se candidatar à reeleição para continuar no Palácio dos Bandeirantes. É mais fácil, mais simples e dispensa a companhia dos bolsonaros, que significam demandas, queixas, pequenas intrigas e denúncias de corrupção. Ele prefere se resguardar para 2030.
No Brasil, tradicionalmente, a vida começa,
na prática, após o carnaval. Depois da festa popular, começarão a ocorrer os
fenômenos políticos esperados para influenciar este 2026. Neste ano, contudo,
algo importante ocorreu no período de férias. O presidente Lula se entendeu com
Donald Trump. Eles conversaram sobre os temas de atualidade, e mais: Lula
deverá ir a Washington, para uma visita de Estado, no mês de março, depois de
ter visitado Índia e Panamá. Visitas de Estado na capital dos Estados Unidos
significam uma distinção importante. Não é uma conversa qualquer.
Este é, de longe, o mais importante sinal de
que a diplomacia brasileira, sempre muito eficiente, está trabalhando bem para
tourear Donald Trump, o dono do mundo. Ele está na posição de conversar com
Lula, trocar ideias e, ao que parece, ouvir algumas considerações brasileiras.
O presidente brasileiro tem conversado fartamente à direita e à esquerda. Fala
com o presidente eleito do Chile, com Macron, da França, com o russo Putin e
outros chefes de governo. Ele se transformou em importante interlocutor neste
tempo de grandes incertezas internacionais. Conseguiu, até agora, não responder
ao convite para integrar o Conselho da Paz, anunciado pelo presidente dos
Estados Unidos. Não disse sim, nem não.
A política externa tem consequências na
política interna. A sólida posição internacional do presidente Lula, neste
momento, protege o Brasil de algum tipo de influência externa nas eleições
deste ano. O próprio Lula é o candidato com mais chance de vencer o pleito. A
oposição ainda está se organizando. As novidades começam a aparecer. Ronaldo Caiado
deixou a União Brasil e aderiu ao já poderoso PSD, de Gilberto Kassab, que já
tinha em seus quadros dois candidatos à Presidência da República. Agora, tem
três. Além de Caiado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também
se apresenta como candidato a candidato. O discurso oficial do partido indica
que os três deverão buscar apoio do eleitor e, mais à frente, se
define quem será o candidato do PSD — que será aquele que estiver melhor nas
pesquisas. A ação do novo e poderoso PSD terá o poder de dividir a candidatura
de oposição, que vai se distribuir entre bolsonaristas e o candidato que
resultar das negociações internas e do nível de aprovação verificado em
pesquisas eleitorais. Há, também, a sempre complicada montagem dos palanques
estaduais, que tem o poder de interferir na candidatura
presidencial.
O outro candidato de oposição é o
senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair. Foi indicado pelo pai sem consulta
prévia a partidos ou dirigentes de legendas. Decisão pessoal e impositiva. Ele
tenta se viabilizar em viagens ao exterior. Foi aos Estados Unidos em busca de
alguma manifestação de apoio de Trump ou de alguém da assessoria do presidente.
Não foi bem-sucedido. Viajou para Isael, mergulhou nas águas do Rio Jordão e
disse que o presidente Lula é antissemita. Campanha estranha porque em Israel o
aborto é permitido e as mulheres são obrigadas a fazer serviço militar. Nada
semelhante com o que ocorre aqui. Mas o sobrenome Bolsonaro ainda tem respaldo
na direita brasileira.
O PSD cresceu lentamente nos últimos anos e
está assumindo seu verdadeiro perfil. O de partido de centro, liberal, que
aposta na redução de impostos, diminuição do tamanho do Estado, melhorar o
ambiente de negócios e incentivar as exportações. Alguns líderes do PSDB, que
vivem a agonia de terem sido um grande partido e perdido espaço no país,
conseguiram avançar em conversas dentro da agremiação para se unir ao PSD. Os
líderes tradicionais do partido aceitaram. Seria mantido o tucano, com símbolo
da nova agremiação. Uma campanha publicitária faria a transição do PSDB para
PSD, que, na realidade, significa a perda da letra B. Tudo quase pronto e
negociado, o acordo não foi em frente porque Aécio Neves não concordou.
Resultado, os principais articuladores dos tucanos hoje negociam às claras, ou
de maneira menos ostensiva, a favor do PSD. A fusão não aconteceu na prática,
mas pode ocorrer na realidade.

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