O Globo
O ano de 2026 deve marcar uma competição
muito mais acirrada entre Google, OpenAI e Anthropic
Nesta última semana, a inteligência artificial assumiu o controle dos computadores. Ou quase. Não foi nem Google, nem OpenAI. Quem chegou concretamente primeiro aos agentes foi a terceira concorrente — Anthropic. A empresa responsável pelo Claude, que briga no mercado com Gemini e GPT. Não é para todo mundo ainda. Não funciona em computadores Windows. Só nos Macs. E só funciona para quem paga a maior assinatura do Claude, US$ 100 por mês. Dá pouco mais de R$ 500. É caro. Mas estes já podem pedir à IA que execute tarefas em seus computadores.
A coisa mais simples e básica é fácil: pegue
a pasta de downloads, abra subpastas, e ponha PDFs numa, planilhas noutra,
imagens numa terceira, por aí vai. Não é só. Tire foto de todos os recibos de
compra do mês, jogue numa pasta. Peça à IA que reveja um por um e organize numa
planilha Excel de acordo com os gastos. Ou as notas fiscais recebidas. É de
trabalho manual, coisa chata de manutenção da vida organizada, que a IA começa
a cuidar.
Há três razões para iniciar pelo Mac e não
pelo Windows. Primeiro, é mais fácil. O sistema dos Macs, da Apple, é baseado
em Unix — o mais elegante sistema operacional já construído. A internet quase
toda roda em Unix. O Windows, em comparação, é um pequeno Frankenstein. Um
herdeiro do velho MS-DOS que foi sendo costurado e recosturado com pedaços
novos e velhos, muita inconsistência e, por isso mesmo, às vezes se comporta de
forma inesperada. Mexer num Mac é mais simples, por isso o risco de dar
problema é bem menor. Essa é a razão complicada. A segunda: Macs são caros e
não só no Brasil, lá fora também. É mais provável haver um cliente Apple
disposto a pagar alto por uma IA do que alguém que use outro computador. Por
fim, é o computador que meio Vale do Silício usa — justamente a turma que testa
pesadamente.
A Anthropic chegar na frente de Google e
OpenAI ao mundo dos agentes não é surpresa. O Claude é, também, o melhor modelo
de IA para programadores. Os do ramo dizem que o código produzido é mais limpo.
Já há quem escreva programas inteiros, literalmente um ícone clicável no
computador ou celular, usando Claude. Sem escrever uma linha de código. Só
explicando em linguagem humana a intenção. Simplesmente não dá para fazer isso
com os concorrentes.
É por isso que 2026 deverá marcar uma competição
muito mais acirrada entre os três líderes. Em essência, como o universo da
inteligência artificial é muito vasto, cada um briga por uma utilidade
distinta.
A OpenAI deseja que o ChatGPT seja a melhor
ferramenta para ajudar a pensar. Reunir informações de cantos distintos,
misturar os arquivos e dados que o usuário traz com os que encontra na
internet, produzir conhecimento a partir do conjunto. Juntar peças, facilitar
sinapses. Sua ambição é fundamentalmente intelectual.
O Google espera que o Gemini reforce sua
plataforma. Faça com que busca, Gmail, Agenda, Docs, Sheets, os diversos
programas acessíveis via web com sua marca se tornem cada vez mais
inteligentes. Resolvam os problemas de quem precisa deles. Construam
apresentações, organizem textos, respondam a e-mails e, sim, cuidem da agenda.
Um assistente executivo eficiente que se antecipe aos problemas.
A Anthropic corre por uma estrada que não é
de massas, é mais empresarial. Investe em privacidade para que os clientes se
sintam à vontade para compartilhar longos relatórios sensíveis. E processa
informação pesada. Planilhas com números, coleções de documentos legais,
ciência, automação de sistemas. Trata-se menos de mostrar conexões — aposta da
OpenAI. E mais de organizar informação. Não quer prender ninguém a uma
plataforma preferida, como o Google. Adapta-se ao que o usuário quiser.
São três estratégias muito diferentes que
tornam as três IAs, nascidas muito parecidas, cada vez mais distintas. No
fundo, cada um procura um nicho de mercado onde encontre dinheiro suficiente
para sustentar algo muito caro de fazer. Os preços estão subindo, não descendo.
A razão é que cada modelo novo foi mais caro de construir que o anterior. E,
embora a IA fascine em massa, ainda não encontrou gente suficiente disposta a
pagar por ela.

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