O Estado de S. Paulo
O TCU não recuou em suas gestões no caso Master. Tirar o corpo da luz dos holofotes não significa recuar. Na última sexta, este Estadão informou que os auditores responsáveis pela diligência – não mais inspeção – sobre a atuação do Banco Central têm mencionado pressões do relator Jhonatan de Jesus para influenciar a análise técnica do processo. A desqualificação do trabalho do BC teria como efeito embalar um presentaço à defesa do Master. Claro – você sabe – que essa não é a intenção do TCU.
Tampouco será a intenção de Dias Toffoli desqualificar o trabalho da Polícia Federal no caso. A desqualificação do trabalho da PF também seria um presentão à defesa do Master. As gestões do ministro sobre o material apreendido na operação Compliance Zero derivam do zelo pela investigação. O Dias Toffoli delegadão, que toca o processo como tocados são os inquéritos xandônicos, jamais plantaria condições para futuras nulidades processuais.
A operação teve como objeto a atividade de
Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e outrora sócio dos irmãos de Dias
Toffoli no hotel. Sócio por meio de fundos que compunham a rede fraudulenta
forjadora de liquidez para o Master.
O sigiloso Dias Toffoli deu um presente ao
confrade Moraes. Não terá sido a primeira vez: o Direito Xandônico é produto do
inquérito censor criado pelo “amigo do amigo do meu pai” em 2019. O presente da
vez, involuntário, consiste num tal protagonismo – protagonismo da
família-empresa Toffoli – capaz de fazer desaparecer o contrato milionário do
Master com o escritório de advocacia da esposa de Alexandre. Xandão, digase,
nada fez para sair de cena. Ao contrário, abriu inquérito (de ofício e
sigiloso, conforme seu padrão) em que manda apurar se Receita e Coaf vazaram
dados de ministros. Claro – você sabe – que não pretendeu intimidar.
Tampouco pretendeu intimidar o ministro do
Supremo plantador no noticiário de que o presidente do tribunal tem parente
advogando em Corte superior. A intenção – claro – não foi constranger; antes
evidenciar a complexidade própria à constituição do tal código de conduta. A
filha de Fachin atua no STJ.
O distribuidor Dias Toffoli não ficaria sem
presente para si. Deu-lhe um o próprio Fachin, segundo o qual há quem queira
“desmoralizar o STF” e “destruir instituições para proteger interesses escusos
ou projetos de poder”. O agente é indeterminado, entre os suspeitos estando a
imprensa. Jamais o colega viajante em jatinhos privados. Tudo regular.
A PGR, agência ratificadora do Supremo, que
chancela até as providências que os ministros tomam contra as prerrogativas do
MPF, também presenteou Dias Toffoli. Paulo Gonet, em defesa sempre da
democracia, deu um vale – vale tudo – para o relator do caso Master, assim como
já dera a Xandão. Tudo regular.
Presenteado e presenteador, Vorcaro declarou em depoimento que o erguimento de sua pirâmide fiada no Fundo Garantidor de Crédito obedeceu “a regra do jogo”. Todos esses jogam com a regra debaixo do braço.

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