Folha de S. Paulo
Crime continua sendo o tema da campanha, mas
agora com foco na conduta dos figurões da República
Potencial de desgaste do Master e INSS é
grande, pois não há diferença ideológica entre os citados nos escândalos
Confiantes na escrita de que o combate ao
crime seria o principal assunto de campanha nesta eleição,
governo e oposição se empenharam em preparar munição para cada grupo se mostrar
o mais preparado no tema junto ao eleitorado.
Tanto que trataram de fechar acordos para aprovar duas medidas de visibilidade, embora questionáveis quanto à efetividade. Aprovaram o projeto de lei antifacção e destravaram a tramitação da PEC da Segurança, que já passou pela Câmara e agora vai ao Senado. Em torno disso, pretenderam fazer o embate.
Os fatos, contudo, são desobedientes
contumazes e já sinalizam uma mudança de rumo. O esquema criminoso de Daniel
Vorcaro para manter seu banco em pé reativou o caso das fraudes
no INSS.
Juntos, os dois escândalos puseram em cena a polícia na política.
A segurança do público segue sob os
holofotes, pois é também diretamente afetada pelas atividades ilegais do
ex-banqueiro e pelo roubo em aposentadorias e pensões. Com uma diferença: se a
ideia antes era tratar do combate à criminalidade clássica, dos bandidos,
digamos, tradicionais, a nova realidade não se limita às cobranças ao poder
público; diz respeito a condutas dos próprios poderosos.
As informações já reveladas têm potencial de
desgaste ecumênico: atingem personagens de direita e esquerda. Em tese, a
presença de tantos figurões da República daria margem a acertos para interditar
as investigações.
Na prática, porém, o caminho de uma operação
abafa vem sendo interditado pelo trabalho da imprensa profissional, o empenho
da Polícia
Federal, a atuação do ministro André
Mendonça e a diligência de políticos das comissões de inquérito
do INSS e do crime organizado. Só o Ministério
Público, na figura do procurador-geral, Paulo Gonet,
não tem tido papel à altura.
Já vimos o filme sobre o desmonte provocado
por nulidades camaradas, mas no ano de eleições o que importa é o presente. E,
no aqui e agora até outubro, quem tentar controlar a sangria pode sair
seriamente avariado.

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