sábado, 11 de abril de 2026

Sindicalistas entregam 68 pedidos a Lula na marcha em Brasília, por Carlos Petrocilo

Folha de S. Paulo

Entidades esperam reunir 10 mil pessoas na Esplanada no dia 15 de abril

Pauta reúne itens como regulação dos trabalhos por aplicativos e redução dos juros

Em encontro com o presidente Lula na quarta-feira (15) em Brasília, as centrais sindicais vão levar ao governo uma pauta com 68 itens de reivindicações. O documento é assinado pela CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCTS, CSB, Intersindical e Pública.

Dentre elas, 12 são prioritárias. Há itens como fortalecimento das entidades que representam os trabalhadores, a regulação dos trabalhos mediados por aplicativos e a redução da taxa básica de juros diante do endividamento das famílias e empresas, além do fim da escala 6x1.

Nosso Estreito de Ormuz, por Cristovam Buarque

Veja

No Brasil, barramos a formação educacional de toda uma geração

O Brasil percebe o custo do bloqueio no Estreito de Ormuz, que impede o fluxo de navios com petróleo, mas parece não perceber os obstáculos que impedem o fluxo de nossas crianças ao longo da educação de base, dos ensinos fundamental e médio. É corte que subtrai um recurso seminal: o conhecimento. Nosso Estreito de Ormuz interrompe a travessia de 80% dos brasileiros em direção à conclusão do ensino médio com a qualidade necessária para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Assim como o Irã faz com os petroleiros em Ormuz, aqui barramos a formação de nossa população. Barramos o progresso econômico por falta de produtividade, inovação e competitividade. Ficamos presos na armadilha da baixa renda média; barramos o progresso social, impedindo a distribuição da renda conforme o talento desenvolvido. No passado, uma escrava grávida era um navio negreiro levando seu filho para a escravidão; no presente, um brasileiro sem acesso à educação é um navio negreiro levando a si próprio para a escravidão moderna.

Diálogo de gigantes: uma aula de respeito e democracia, por Marcus Pestana

Concluí a leitura de “O Horizonte, conversas sem ruído entre Sanguinetti & Mujica” (Alejandro Ferreiro e Gabriel Pereyra - organizadores, L&PM Editores). Confesso que senti uma ponta de inveja em relação ao Uruguai e seu povo. No Brasil, os espaços de diálogo estão cada dia mais estreitos. As bolhas ideológicas não conversam entre si, não ouvem os argumentos divergentes, digladiam, polarizam de forma estéril, não para fazer do debate um caminho para a construção de consensos, mas para alargar as distâncias e desqualificar os adversários.

10 pontos para dialogar com o conservadorismo sem ceder princípios, por Julio Lopes*

CartaCapital

Políticas econômicas não bastam diante de uma moralidade que estrutura o bolsonarismo

Por que às iniciativas governamentais, evidentemente favoráveis aos interesses econômicos da maioria absoluta da população, como para reduzir oneração dos bens da cesta básica e isentar do imposto sobre a renda até 5 mil reais ao mês, não trouxeram logo um correspondente maior apoio dela ao governo Lula 3?

Porque, além da dimensão econômica, a dimensão moral da política continua sendo tão ou até mais importante no Brasil, há mais de 10 anos. E a moralidade brasileira, apesar de cada vez mais evidentes avanços igualitários nos seus costumes ao longo das décadas após a Constituição de 1988, continua sendo ostensivamente conservadora. Tal qual noutros cantos do Planeta, a maior visibilidade às diferenças humanas, conferida pelas redes sociais, instiga todo conservadorismo habitual, cuja resistência à convivência diferenciada foi a oportunidade política que à direita se aproveitou para radicalizar contra autonomia feminina, segmentos LGBTQIAPN+, religiões e etnias não padronizadas, imigrantes, etc.

A contrariedade às diferenças emergentes na sociabilidade humana, segundo o Filósofo Ludwig Feuerbach (1804-1872), é a própria condição histórica da Humanidade, à medida que novos seres humanos portam possibilidades diversas das já expressas pelos que os antecedem, inclusive porque são gerados das combinações entre seres humanos anteriores. Neste sentido, o conflito entre costumes precedentes e inéditos desafia progressistas contra conservadores.

Circo, por Pedro Serrano

CartaCapital

Um modelo inquisitorial não se coaduna com o poder investigatório incumbido a uma CPI. Nessa esfera, o parlamentar deve ser um agente dos direitos fundamentais

As Comissões Parlamentares de Inquérito desempenharam, ao longo das últimas décadas, um papel fundamental no fortalecimento da democracia. Por outro lado, não se pode desconsiderar que muitas CPIs se tornaram palcos de espetacularização midiática e de esvaziamento de sentido dos direitos fundamentais.

Na compreensão dos limites constitucionais à atuação das CPIs, podemos classificar os limites constitucionais ao poder parlamentar de investigar em explícitos e implícitos na Constituição. Os limites constitucionais explícitos estão relacionados ao objeto determinado e ao prazo certo. Os limites constitucionais implícitos ao poder parlamentar de investigar, especialmente no que tange ao objeto determinado e ao prazo certo, dizem respeito, no fundo, a um valor essencial da Constituição, qual seja o de vedação à devassa.

Os três mosqueteiros, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Marx, Keynes e Schumpeter contra as mazelas do pensamento único em economia

Os três mosqueteiros, Athos, Porthos e Aramis, protegiam a rainha Ana da Áustria contra as intrigas políticas do cardeal Richelieu. Na nossa trilogia, Athos (Marx), Porthos (Keynes), faltava Aramis, o grande economista austríaco Joseph Alois Schumpeter. Cada um, à sua maneira de pensar, forma o trio que combate o pensamento único em economia e procura observar e explicar a economia como um sistema. Em 1942, Schumpeter disse: “A destruição criativa é o fato essencial do capitalismo”. Ele foi ministro das Finanças da Áustria.

Império odiado, por Jamil Chade

CartaCapital

Sob Donald Trump, os EUA experimentam um rápido declínio de sua liderança global

“Tivemos um bom período – cerca de oito décadas –, mas agora está claro que os Estados Unidos deixaram de ser os líderes do mundo livre.” A avaliação foi publicada em 24 de março pelo colunista do The New York Times Carlos Lozada, autor do livro The Washington Book: How to Read Politics and Politicians. Um de seus argumentos é de que parte do que diferentes governos norte-americanos tentaram realizar, ao longo de décadas, foi preservar um recurso essencial, a legitimidade internacional. Lozada conclui o artigo com um alerta: “Podemos estar entrando em um mundo pós-norte-americano, um mundo no qual o significado da América, os princípios e valores que o país sempre representou – às vezes na realidade, às vezes em aspiração – estão desaparecendo”. Mais: “A perda dessa América pode provar-se tão prejudicial, e muito mais duradoura, do que qualquer dano que as incursões de Donald Trump possam causar”.

Uma lenda viva, uma lenda Maya, por Ivan Alves Filho*

Estados Unidos, 1928. Aos três anos de idade, ela foi colocada em um trem de St. Louis para Arkansas, juntamente com o irmão, um ano mais velho, e enviada para a casa dos avós. Aos oito anos, foi estuprada pelo namorado de sua mãe. No seu depoimento, ela mentiu, dizendo que o fato terrível ocorreu apenas uma vez, quando na verdade aconteceu várias vezes. O homem foi condenado a somente um ano de cadeia, mas permaneceu um dia na prisão. Solto, seria assassinado pouco tempo depois. 

Poesia | Não sei. Falta-me um sentido, um tacto, de Fernando Pessoa

 

Música | Falsa Baiana (Geraldo Pereira) - Maria Bethânia & Paulinho da Viola (1973)(ao vivo em Oslo, Noruega)