CartaCapital
Políticas econômicas não bastam diante de uma
moralidade que estrutura o bolsonarismo
Por que às iniciativas governamentais,
evidentemente favoráveis aos interesses econômicos da maioria absoluta da
população, como para reduzir oneração dos bens da cesta básica e isentar do
imposto sobre a renda até 5 mil reais ao mês, não trouxeram logo um
correspondente maior apoio dela ao governo Lula 3?
Porque, além da dimensão econômica, a
dimensão moral da política continua sendo tão ou até mais importante no Brasil,
há mais de 10 anos. E a moralidade brasileira, apesar de cada vez mais
evidentes avanços igualitários nos seus costumes ao longo das décadas após a
Constituição de 1988, continua sendo ostensivamente conservadora.
Tal qual noutros cantos do Planeta, a maior visibilidade às diferenças humanas,
conferida pelas redes sociais, instiga todo conservadorismo habitual, cuja
resistência à convivência diferenciada foi a oportunidade política que à
direita se aproveitou para radicalizar contra autonomia feminina, segmentos
LGBTQIAPN+, religiões e etnias não padronizadas, imigrantes, etc.
A contrariedade às diferenças emergentes na
sociabilidade humana, segundo o Filósofo Ludwig Feuerbach (1804-1872), é a
própria condição histórica da Humanidade, à medida que novos seres
humanos portam possibilidades diversas das já expressas pelos que os antecedem,
inclusive porque são gerados das combinações entre seres humanos anteriores.
Neste sentido, o conflito entre costumes precedentes e inéditos desafia progressistas contra
conservadores.