sexta-feira, 1 de maio de 2026

Flávio Bolsonaro sobe no salto, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Empolgado com vitórias no Congresso, senador se antecipa às urnas e decreta fim do governo Lula

O bolsonarismo viveu a melhor semana desde a derrota do capitão nas urnas. Na noite de quarta, o Senado quebrou tradição de 132 anos e rejeitou uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. Menos de 24 horas depois, o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduz as penas dos golpistas.

Empolgado com os resultados, o senador Flávio Bolsonaro cantou vitória antecipada nas eleições de outubro. “O governo Lula acabou”, decretou, após a reprovação de Jorge Messias. Ontem ele avisou que já tem “vários nomes” para indicar ao Supremo. Estimulado a decliná-los, disse: “Não vou antecipar isso, não sou presidente ainda”.

Pesquisas recentes apontam um empate técnico entre Lula e Flávio nas simulações de segundo turno. Os dois também ostentam índices de rejeição quase idênticos, o que sugere uma disputa equilibrada e com desfecho imprevisível. Ao subir no salto, o filho de Bolsonaro passa a impressão de que já se considera eleito. A soberba pode cobrar um preço alto à sua campanha.

Em declarações sopradas por marqueteiros, Flávio vinha se apresentando como um “Bolsonaro vacinado”, que não teria herdado o extremismo do pai. Ontem ele escancarou que o famigerado PL da Dosimetria foi apenas um passo para garantir impunidade aos golpistas. A meta é emplacar uma anistia que tire Jair da prisão até o fim do ano, “para que ele possa subir a rampa comigo”.

O senador também saiu do script ao ser provocado pela deputada Talíria Petrone, que citou seus laços com o miliciano Adriano da Nóbrega. Disse que o ex-PM, segurança de bicheiros e matador de aluguel, era visto como “grande exemplo para sua tropa”. Deixou de mencionar que ele já estava preso por homicídio, o que levou Flávio a entregar a condecoração na cadeia.

Depois de pular e dançar no plenário e receber um caloroso abraço de Davi Alcolumbre, o presidenciável voltou ontem à prisão. Foi visitar o pai no cárcere domiciliar em Brasília. Na saída, informou que Jair está “muito feliz” com as notícias do Congresso.

 

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