quinta-feira, 23 de abril de 2026

Faroeste institucional, Por Malu Gaspar

O Globo

A polícia do Rio de Janeiro acaba de matar com uma saraivada de 20 e tantos tiros Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos, dono de uma loja de produtos eletrônicos, que voltava com os amigos de um pagode. Ele não era procurado pela polícia, não era alvo de ordem de prisão, nem sequer foi abordado antes de ser fuzilado. Seu crime, ao que tudo indica, foi ter um carrão do tipo que os traficantes gostam. Até agora, não há explicação para o fuzilamento, que deixou órfã uma menina de 4 anos.

Dias antes, mais de 200 turistas ficaram presos no alto de uma trilha do Morro Dois Irmãos porque, logo abaixo, a polícia trocava tiros com os donos da área na tentativa de prender um traficante que fugira da Bahia e estava escondido ali na favela do Vidigal.

Prisão pelo ICE tem ponta solta, por Julia Duailibi

O Globo

Campanha de Lula deveria adotar cautela na tentativa de explorar politicamente a prisão de Ramagem

Há uma série de pontas soltas na versão oficial do governo sobre a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, e a campanha do presidente Lula, à caça de briga com Donald Trump para reeditar o momento de boa popularidade com o tarifaço, deveria adotar cautela na tentativa de explorar politicamente o episódio.

Ontem o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em entrevista à GloboNews, reafirmou que a prisão de Ramagem se deu em razão de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. Rodrigues disse também que a abordagem a Ramagem ocorreu pela polícia local por causa de uma infração de trânsito convencional em Orlando. Uma vez verificado que Ramagem estava sem documentos regulares de imigração, o encaminharam ao ICE.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Hora da verdade para o BRB

Por Folha de S. Paulo

Banco de Brasília abriga indícios mais claros, até o momento, de corrupção de autoridades pelo Master

Assembleia de acionistas aprovou aumento de capital de até R$ 8,8 bi; governo distrital precisa arcar com os custos sem socorro federal

Enquanto as suspeitas de maior repercussão política e institucional se concentram no Supremo Tribunal Federal, foi no Banco Regional de Brasília (BRB) que se encontraram, até aqui, os indícios mais palpáveis de corrupção de autoridades pelo Banco Master.

O ponto de partida do escândalo, afinal, foi a tresloucada tentativa de compra do Master pela instituição controlada pelo governo do Distrito Federal, em março do ano passado —que despertou desconfiança imediata e levou a Polícia Federal e o Banco Central a aprofundarem investigações sobre o caso.

Descobriu-se que o banco de Daniel Vorcaro vendera ao BRB uma carteira de cerca de R$ 22 bilhões em créditos, dos quais mais de R$ 12 bilhões se mostraram fraudulentos. Neste mês, foi preso o então presidente do banco brasiliense, Paulo Henrique Costa, e nesta quarta (22), a Segunda Turma do STF começou a julgar se a prisão será mantida.

O risco de apostar no populismo moderado, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Derrota de Orbán anima a discussão sobre a profundidade das mudanças promovidas pela extrema direita

A marca dos populistas é o ataque às instituições da democracia liberal

O húngaro Viktor Orbán foi batido por uma coalizão que uniu direita e centro-esquerda em torno da candidatura de Péter Magyar, um dissidente do partido do primeiro-ministro que governou o país por longos 16 anos, a ponto de virar modelo da extrema direita mundial.

Inesperada para os analistas que já davam como favas contadas a inclusão do país no rol das autocracias eleitorais, a vitória de Magyar já anima a discussão sobre a natureza e a profundidade das mudanças políticas promovidas pelo populismo de extrema direita quando chega lá, bem como sobre a continuidade do sistema. Afinal, as mesmas regras eleitorais criadas por Orbán para se garantir no poder permitiram o triunfo arrasador da oposição democrática.

Flávio Bolsonaro não resiste a 24 horas de ajuste fiscal, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

No Congresso, o filho do ex-presidente nunca foi um defensor desse tipo de política durante a gestão do seu pai

Propostas para ajuste de contas são granada no pé de um candidato

O senador Flávio Bolsonaro (PL) não resistiu a 24 horas de ajuste fiscal nas redes sociais. Pré-candidato à Presidência da República, chamou de fake news reportagem da Folha de que fará um ajuste inicial da ordem de dois pontos percentuais do PIB, caso seja eleito.

Para isso, teria como planos reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação só pela inflação.

O senador esqueceu de combinar o jogo com a equipe a cargo do seu programa econômico. Em busca de apoio, seus assessores têm passado para a Faria Lima e setores empresariais a mensagem de que ele seria o ministro da tesourada das despesas.

Ainda vamos pagar a conta do combustível alto por causa da guerra, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Assunto ficou esquecido por contenção de reajustes de Petrobras, subsídios e pressão sobre empresas

Mesmo que crise continue a esfriar, o que é otimismo, aumento de custos vai durar por meses

O preço médio do diesel no Brasil parou de subir desde a semana encerrada em 28 de março até a semana finda em 11 de abril, dado público mais recente da estatística da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O da gasolina ficou praticamente estável. Na média nacional, favor prestar atenção.

Ainda assim, o aumento do diesel por causa da guerra foi o maior desde que a ANP publica estatísticas semanais de preços. Ainda assim, vamos repetir, o tamanho da alta foi a metade daquela que se viu nos EUA. Pressões altistas permanecem. O risco de desabastecimento sumiu do noticiário (e da vida?), mas é problema em muito lugar do planeta, da Ásia à Europa, com problemas mais imediatos com o combustível para aviões.

Guerra de rede social de Trump turva negociação com o Irã, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Apelidado de grupo de WhatsApp de um homem só, americano emprega tática que dificulta as conversas

Já Teerã ataca navios, apostando também de forma perigosa que os EUA irão piscar primeiro novamente

Após o avassalador ataque nazista à Polônia de 1939, a Segunda Guerra Mundial entrou em um período de estranha calma. Por oito meses, houve apenas batalhas esporádicas e muitas preparações, sem nenhuma paz à vista.

Em sua encarnação como um senhor da guerra virtual, que ataca e recua por meio de postagens, Donald Trump ensaia a versão 2026 do que foi apelidado pela imprensa britânica de 1940 de sitzkrieg, ou "guerra sentada" em alemão, em oposição à blitzkrieg ("guerra-relâmpago") da abertura do conflito.

O presidente americano optou por recuar mais uma vez no seu embate com o Irã, deixando agora em aberto o prazo para que Teerã apresente uma proposta de negociação. Enquanto isso, ambos os rivais mantêm suas posições no teatro de operações navais do estreito de Hormuz, sem ceder.

Poesia | Menino de engenho, de João Cabral de Melo Neto - Por Zé Luiz Rinaldi

 

Música | Diogo Nogueira, Chico Buarque - Homenagem ao Malandro