Folha de S. Paulo
Linha que separa o que é permitido do que é
proibido foi sendo borrada com a omissão cúmplice da ONU
Quando governos se deixam arrastar para a
guerra pela intolerância ou arrogância do poder, plantam a semente do ressentimento
que vai germinar mais ódio e violência
Cada situação de descumprimento
do direito internacional é um convite para novas violações.
Do Afeganistão ao Irã, passando
por Iraque, Líbia, Síria, Ucrânia, Gaza e Venezuela,
a linha que separa o que é permitido do que é proibido foi sendo borrada com
a omissão
cúmplice do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Usando o veto
ora como escudo, ora como arma, os membros permanentes do órgão agem sem amparo
na Carta da ONU. Jogam com o destino de milhões de pessoas,
deixando um rastro de morte e destruição.
Até há pouco tempo, tentava-se, pelo menos, conferir às intervenções algum verniz de legitimidade por meio da chancela da ONU. Hoje, o exercício escancarado do poder nem se preocupa em manter as aparências. As balizas das instituições multilaterais estão ficando estreitas demais para conter disputas hegemônicas. Sem o multilateralismo, corremos o risco de trocar um sistema imperfeito de segurança coletiva pela realidade brutal da insegurança generalizada. Quando se eliminam todos os constrangimentos ao uso da força, o caos prevalece.




